P: Em 1 Samuel, qual é o ponto principal desses livros?
R: 1 e 2 Samuel abrangem o período de dois séculos desde o final do livro de Juízes até a ascensão de Davi ao trono. O tema predominante é a soberania de Deus e a delegação da realeza por parte de Deus, à medida que o povo tanto a exerce indevidamente quanto a antecipa legitimamente.
P: Em 1 Samuel, por que 1 e 2 Samuel são, às vezes, chamados de 1 e 2 Reis?
R: Aqui está um pouco da história da divisão e dos nomes de Samuel. No antigo texto hebraico, 1 e 2 Samuel formavam um único livro, chamado Samuel, e 1 e 2 Reis formavam um único livro, chamado Reis. As notas massoréticas indicavam que Samuel tinha 1.506 versículos, sendo 1 Samuel 28:24 o versículo central. Porém, como era muito extenso, foi dividido em dois livros na Septuaginta. As Bíblias judaicas modernas também o apresentam dividido dessa forma. A Septuaginta o chamava de 1 e 2 Reis, e o que conhecemos como 1 e 2 Reis era chamado de 3 e 4 Reis. Coletivamente, eram chamados de Livros dos Reinos. Quando Jerônimo traduziu a Bíblia para o latim, mantivemos os mesmos nomes, chamando-os coletivamente de “Livros dos Reis”.
P: Em 1 Samuel, qual é o esboço deste livro?
R: Este livro está organizado cronologicamente, mas há muitas partes que se entrelaçam. É por isso que os comentaristas divergem bastante quanto às seções e subseções. Aqui está um esboço geral.
1-3 Eli e Samuel: os filhos de Eli versus o discípulo de Eli
- 1-2:11 Ana
- 2:12-31 Eli e seus filhos ímpios
- 3 O chamado de Samuel
4-6 Eli e a arca: respeitem a santidade de Deus, ou então
- 4 A arca mal utilizada e capturada
- 5 O poder da arca
- 6 Não se atinjam à santidade de Deus
7-15 Samuel e Saul: de juiz a rei
- 7 Samuel, o juiz
- 8 O povo exige um rei
- 9-10 Saul é ungido como rei
- 11-12 As vitórias de Saul
- 13-14 O declínio de Saul
- 15 Deus rejeita Saul
16-20 Davi a serviço de Saul: como se tornar um futuro rei
16:1-13 Samuel unge Davi
16:14-18:30 Davi serve a Saul
- 19-20 A amizade entre Davi e Jônatas
21-31 Davi foge de Saul: confie no Senhor em tempos de perigo
- 21-26 Davi em fuga
- 27-30 Davi entre os filisteus
- 31 A morte de Saul
P: Em 1 Samuel 1:1, qual é o significado do nome “Elcana”?
R: O nome el qanah significa “Deus cria”. Aparentemente, não era um nome incomum; foi encontrado um selo com esse nome e a imagem de um íbex. É quase certo, porém, que não se trate do mesmo Elcana. Esse também era o nome de um músico do templo em 1 Crônicas 15:18,21.
P: Em 1 Samuel 1:1, de onde era Samuel?
R: A região montanhosa também era conhecida como “Ramá” (que significa “altura”), e “Ramataim” significava “dupla altura” ou “duas alturas”. Ficava a 15 milhas ao norte de Jerusalém, quase na fronteira com Efraim e logo ao norte de Benjamim. Siló ficava de 15 a 20 milhas ao norte. Eusébio de Cesareia afirma que esse local foi posteriormente conhecido como Arimatéia. As pessoas podiam facilmente percorrer 20 milhas a pé em um dia, incluindo paradas para comer e descansar.
Os estudiosos divergem quanto ao fato de essa aldeia ser a mesma que Ramá, mencionada em Josué 18:21, 25, pois aquela ficava em Benjamim, enquanto esta situava-se no território de Efraim, logo ao norte da fronteira com Benjamim. É possível que fossem adjacentes uma à outra.
P: Em 1 Samuel 1:1, o pai de Samuel era da região montanhosa de Efraim, ou era um levita, como afirma 1 Crônicas 6:16-30,33?
R: Ambas as afirmações estão corretas. Há dois pontos a serem considerados na resposta.
1. Elcana era descendente de Levi. Os levitas não possuíam nenhuma região própria, mas estavam espalhados entre as outras tribos.
2. Elcana era um levita que vivia na região montanhosa pertencente à tribo de Efraim, logo ao norte da fronteira com Benjamim.
Isso não deveria ser um problema para a maioria dos ateus, já que até mesmo o cético Isaac Asimov, em *O Guia de Asimov para a Bíblia*, pp. 269-270, dá basicamente a mesma resposta.
No entanto, há outro problema aqui. A ascendência de Samuel era de Levi, mas não de Aarão, e os sacerdotes deveriam ser descendentes de Aarão. Ou Samuel era considerado “adotado” por Eli, ou isso se devia ao chamado profético de Samuel, ou havia uma irregularidade nessa questão.
P: 1 Samuel 1:2 endossa a poligamia?
R: Não. Nos tempos do Antigo Testamento, a poligamia era tolerada e permitida, embora não endossada. No entanto, no Novo Testamento, um homem não pode ser ancião na igreja a menos que seja marido de uma única esposa. Os cristãos não afirmam que a poligamia fosse errada, especialmente no Antigo Testamento, mas que ela não é a vontade perfeita de Deus.
Da mesma forma, Deus permitiu o divórcio no Antigo Testamento apenas porque o coração das pessoas era endurecido, conforme Jesus afirma em Mateus 19:7-9. Portanto, o fato de Deus permitir algo não significa necessariamente que Ele o endosse.
P: Em 1 Samuel 1:2; Gênesis 16:2; 25:1; 29:23-24; 28-29; 2 Samuel 20:3, etc., por que Deus permitiu a poligamia (muitas esposas) para Abraão, Jacó, Davi e outros?
R: Cinco pontos a serem considerados na resposta.
1. A poligamia nunca foi a vontade perfeita de Deus, conforme ficou implícito quando Ele criou Adão e Eva. Ele disse que os dois (não muitos) se tornariam uma só carne.
2. Deus permitiu muitas coisas no Antigo Testamento, como o divórcio (Mateus 5:31-32; Marcos 10:2-12), visto que os corações das pessoas eram endurecidos.
3. Algumas coisas, como a poligamia e os votos precipitados, Deus deixou que as pessoas percebessem por si mesmas que não eram boas.
4. Mesmo nos tempos do Antigo Testamento, a poligamia não era necessariamente a norma. Havia apenas quinze exemplos de poligamia no Antigo Testamento até a época de Salomão. Houve apenas quatro ou cinco depois dessa época.
5. Desde os tempos de Paulo até hoje, os anciãos e diáconos piedosos não devem ter mais de uma esposa (1 Timóteo 3:2, 12; Tito 1:6).
P: Em 1 Samuel 1:4-5, a história da esposa sem filhos, de seu marido e de um filho nazireu foi “de forma um tanto inadequada, inserida no Livro dos Juízes a fim de explicar o cabelo comprido de Sansão de maneira não mitológica”, como afirma o cético Guia de Asimov para a Bíblia, p. 270?
R: Não, não há evidência disso. Frequentemente, quando Asimov diz “pode ser” e não apresenta nenhum fundamento para sua opinião, trata-se apenas de uma especulação.
Os votos de um nazireu remontam a Números 6:1-21. Observe o método cético de Asimov neste caso. Como há dois fatos em comum — ambas as mulheres eram estéreis e ambos os filhos eram nazireus —, esses dois fatos em si já são suficientes para que Asimov suspeite que uma história tenha sido copiada da outra. No entanto, observe quatro diferenças: a mãe de Sansão era a única esposa envolvida, enquanto a esposa de Samuel era atormentada por sua rival. Deus concedeu a Sansão grande força, que permaneceu até que ele cortasse o cabelo, enquanto não temos motivos para suspeitar que Samuel fosse particularmente forte. Sansão levava uma vida dissoluta, enquanto Samuel era obediente. Samuel era um profeta, que ungiu dois reis, enquanto Sansão não fez nada parecido. Poderíamos continuar enumerando mais diferenças, mas o ponto é que todas essas diferenças parecem irrelevantes para um cético que deseja sugerir que uma história foi copiada da outra para explicar o costume nazireu, quando isso já havia sido explicado séculos antes em Números 6.
P: Em 1 Samuel 1:5, por que Deus fechou deliberadamente o ventre de Ana, uma mulher piedosa?
R: Independentemente de Deus ter fechado deliberadamente seu útero ou simplesmente permitido que uma condição natural continuasse, Deus também pode usar coisas decepcionantes em nossa vida para Sua glória. Quando Ana entregou sua condição de infertilidade a Deus em oração, Deus lhe deu Samuel, que teve um impacto tão significativo sobre toda a nação. Onde estaria Davi sem Samuel? No entanto, onde estaria Samuel sem Ana e suas orações?
P: Em 1 Samuel 1:5, 19-20, será que Deus fechou o ventre talvez porque não tivesse nada melhor para fazer? (Um muçulmano afirmou isso.)
R: Não. Às vezes, Deus fecha um útero, ou frustra um propósito, a fim de alcançar um propósito maior. Essa atitude é desrespeitosa para com Deus.
Estou um tanto surpreso que um muçulmano apresente esse argumento, pois esse mesmo tipo de argumento foi aplicado, na época de Maomé, ao próprio Maomé. Ele não teve filhos sobreviventes e, de fato, nenhum de seus filhos sobreviveu até a idade adulta, exceto sua filha Fátima. De acordo com al-Tabari, Maomé casou-se com al-Shanba bint ‘Amr al-Ghifariyyah; o povo dela era aliado dos banu Qurayza. Quando Ibrahim faleceu, ela afirmou que, se ele fosse um verdadeiro profeta, seu filho não teria morrido. Maomé se divorciou dela antes de consumar o casamento. al-Tabari, vol. 9, p. 136. Ora, os cristãos não consideram a incapacidade de Maomé de ter mais filhos como motivo para afirmar que ele era um falso profeta.
Mas, quando um muçulmano acusa o Deus da Bíblia de ter fechado o ventre de Ana como um sinal de que o Deus da Bíblia era mau ou não tinha nada melhor para fazer, isso é como dizer que Alá matou o único filho de Maomé porque não tinha nada melhor para fazer.
P: Em 1 Samuel 1:6-7, 16, como você deve responder (se é que deve responder) quando alguém o provoca ou o insulta?
R: O hebraico diz literalmente que Penina “trovejou” contra Ana, e Ana disse que Deus trovejaria contra ela em 1 Samuel 2:11. Provocação, zombaria e ridicularização mordaz podem parecer um trovão, mesmo que a outra pessoa não esteja falando em voz alta. Quatro pontos na resposta.
1) Como cristãos, devemos nos perguntar: “É isso que Deus quer que digamos?”, caso estejamos prestes a zombar ou provocar alguém. Dito isso, às vezes até mesmo os cristãos ainda pecam e zombam ou provocam os outros.
2) A Bíblia nos ordena que nunca busquemos vingança. Devemos amar nossos próximos, mesmo aqueles que não são fáceis de amar. Mas Deus se vinga e julga. É interessante que o título comum de Deus, “Senhor dos exércitos”, possa significar tanto Senhor de tudo quanto Senhor dos exércitos. Mas essa não é a palavra usada aqui. A palavra aqui pode significar apenas “Senhor dos exércitos”.
3) Não reaja de forma tão ostensiva a ponto de incentivá-los a repetir o comportamento. Peça que parem. Se isso não funcionar, talvez haja outra pessoa, como um professor na escola ou o RH (Recursos Humanos) no local de trabalho, que possa pedir que parem. Não reaja impulsivamente, mas pondere sua resposta.
4) Embora os dois pontos anteriores sejam fáceis de dizer, é difícil colocá-los em prática quando o ressentimento ou a amargura estão crescendo dentro de você. Entregue isso a Deus e lembre-se a quem você pertence. Agradar a Ele é tudo o que importa. Devemos estar dispostos a sofrer, não apenas perseguição física, mas também reprovação e vergonha por causa de Jesus.
P: Em 1 Samuel 1:6-7, 13, por que as pessoas têm rivalidade?
R: A rivalidade entre escolas de ensino médio, faculdades ou times esportivos geralmente não é grave (a menos que haja agressões físicas). No entanto, ela ensina as pessoas, mesmo que não de forma séria, a ter rivalidade, e os crentes não devem ter rivalidade. Além de Penina e Ana, houve rivalidade entre Hagar e Sara em Gênesis 16:4; 21:9, entre Lia e Raquel em Gênesis 30:1-24, entre Caim e Abel em Gênesis 4:8, entre José e seus irmãos em Gênesis 37:4,11, entre Arão e Miriã contra Moisés em Números 12:1-8, a rebelião de Corá em Números 16:1-40, os efraimitas e Gideão em Juízes 8:1-3 e Diotrephes em 3 João 9-10. Na verdade, grande parte da história humana após a Bíblia pode ser considerada apenas fruto da inveja e da rivalidade (pelo menos depois de se excluir o poder, o egoísmo, a luxúria e o medo). Foi possivelmente por causa da inveja que a família de Jesus e as pessoas de Sua cidade natal não O aceitaram enquanto Ele caminhava nesta terra.
Os cristãos não devem ter rivalidade nem inveja, conforme ensinam Romanos 1:29; 1 Coríntios 13:4; 2 Coríntios 12:20; Gálatas 5:20-21,26; 1 Timóteo 6:4; Tito 3:3; 1 Pedro 2:1. No entanto, os não crentes frequentemente nutrem rivalidade e inveja, e até mesmo os crentes, esquecendo-se de que foram lavados pelo sangue de Cristo e são agora novas criaturas, podem também sentir isso. Até mesmo os próprios discípulos de Jesus tinham certa rivalidade entre si.
Parafraseando o que disse um famoso CEO: não basta que nossa empresa tenha sucesso; as outras devem fracassar. Essa atitude é autodestrutiva ou funciona? É autodestrutiva por dentro, mas, aos olhos do mundo, muitas vezes funciona. A pessoa que disse isso é, atualmente, mais rica do que Elon Musk. Mas os cristãos devem seguir o caminho de Deus e não se desviar para o caminho do mundo.
Um antídoto contra a inveja e a rivalidade é Filipenses 2:3-4. Quando outra pessoa tem sucesso, o senhor fica genuinamente feliz por ela?
P: Em 1 Samuel 1:8, por que Elcana pergunta a Ana sobre o seu coração?
R: Muitas vezes, isso é traduzido como “por que seu coração está triste” ou “por que você está infeliz”? Ou poderia significar “por que seu coração está zangado” ou “por que você está amargurada ou ressentida”. De qualquer forma, Elcana percebeu que algo não estava bem com Ana e queria trazer isso à tona.
P: Em 1 Samuel 1:8,18, Ana era anoréxica?
R: A anorexia é uma condição psicológica em que alguém, geralmente uma mulher, sente que está gorda demais e, basicamente, passa fome.
No entanto, não há indícios de que Ana fosse anoréxica. Embora seja verdade que a anorexia possa causar infertilidade temporária, o fato de ela ocasionalmente pular uma refeição não significa que estivesse perigosamente abaixo do peso, especialmente quando recebia porções duplas, conforme 1 Samuel 1:6.
P: Em 1 Samuel 1:8,10, por que Deus permitiria que uma de suas filhas fiéis se tornasse amarga?
R: Foram elas mesmas que fizeram essa escolha; Deus não torna ninguém amargo. Pelo contrário, a amargura é uma atitude escolhida para lidar com situações adversas. Ana é um exemplo de fé em meio à dor e de confiança em Deus diante do desânimo, misturada com algum ressentimento.
Outras duas pessoas que, segundo a Bíblia, ficaram amarguradas por um tempo foram Noemi e Ezequias. Provérbios 4:23 nos ordena que guardemos nosso coração, pois ele é a fonte da vida.
P: Em 1 Samuel 1:11, Ana deveria ter feito um acordo com Deus?
R: As Escrituras não registram nenhuma repreensão, e os eventos subsequentes mostraram que Deus atendeu à sua oração por Samuel e lhe deu mais filhos além dele. Embora nem Ana nem os cristãos de hoje considerem Deus um adversário em uma negociação, ser franco com Deus e fazer uma promessa a Ele caso Ele atenda a uma oração é aceitável.
Quando Ana entregou Samuel, ela ainda podia visitá-lo e confeccionava roupas para ele todos os anos, conforme diz 1 Samuel 2:19. Havia festas anuais em Siló três vezes por ano. Quando Ana fez esse voto, seu marido poderia anulá-lo, de acordo com Números 30:6-15. No entanto, Elcana aparentemente concordou com ela, pois não o fez.
Os levitas, como Samuel, eram obrigados a servir no santuário como parte de um sistema de rodízio, do vigésimo quinto ao quinquagésimo ano de idade (Números 8:24-25), mas Samuel serviria por toda a sua vida.
P: Em 1 Samuel 1:11, qual seria o significado de que nenhuma lâmina tocasse a cabeça de seu filho?
R: Isso significa que ele seria nazireu desde o nascimento. Leia Números 6:1-14 para conhecer as normas relativas aos nazireus.
P: Em 1 Samuel 1:12-14, por que Eli pensou que Ana estava embriagada?
R: Ana movia a boca, mas nenhuma palavra audível saía. Uma pessoa embriagada poderia fazer isso, mas, nesse caso, Ana estava orando a Deus. Em vez de se embriagar com muitas bebidas, Ana estava derramando seu coração diante de Deus.
Talvez tenha sido a primeira vez que Eli viu alguém se aproximar do altar parecendo estar embriagado. É um triste reflexo da vida espiritual daquela época o fato de Eli ter presumido que uma pessoa agindo assim estivesse embriagada, antes de considerar que ela estivesse em profunda oração.
P: Em 1 Samuel 1:15, o que sabemos sobre a bebida forte daquela época?
R: A palavra hebraica para bebida forte, sekar, deriva da antiga palavra acádia sikaru. Ela geralmente se referia à cerveja, embora pudesse ser feita a partir de qualquer coisa que fermentasse, exceto uvas, para as quais se usa a palavra “vinho”. Uma antiga receita suméria sobre como fazer cerveja foi descoberta, e uma cervejaria, por capricho, produziu um lote especial de cerveja seguindo essa receita. As pessoas que a provaram disseram que o sabor era realmente ruim.
P: Em 1 Samuel 1:16, 1 Samuel 2:12, 1 Samuel 10:27, 1 Samuel 25:17, 25, 1 Samuel 30:22 e 1 Reis 21:10, quem era Belial?
R: Tratava-se de uma expressão idiomática, semelhante a quando Jesus chamava alguém de filho do diabo. Embora se possa interpretar o significado como “reprobo”, provavelmente isso significa simplesmente que, naquela época, essas pessoas praticavam a maldade. O Dicionário Bíblico Wycliffe, p. 214, afirma que esse termo poderia significar tanto “filho da maldade” quanto “inútil, bom para nada”. O cético Guia de Asimov para a Bíblia, p. 204, também afirma que Belial significa literalmente “não lucrativo”, no sentido de sem valor ou vazio.
P: Em 1 Samuel 1:24-28, quão difícil teria sido para Ana entregar seu filho primogênito ao Senhor?
R: Ana já havia tomado sua decisão. Samuel era a prova que poria fim às provocações de Penina. Depois que Deus lhe deu a prova viva de que era amada e aceita por Ele, agora ela basicamente precisava entregá-lo para adoção a Eli. Naquele momento, ela não sabia se algum dia seria capaz de ter outro filho ou não. 1 Samuel 1:20 diz que Eli orava regularmente para que Elcana e Ana tivessem mais filhos, e 1 Samuel 2:21 nos conta que Deus mais tarde concedeu a Ana três filhos e duas filhas.
Além disso, quando Ana entregou Samuel a Eli, quão bom pai ele era, afinal? A julgar pelo caráter que Eli incutiu em seus filhos, ele não era muito bom. Que tipo de irmãos mais velhos adotivos Samuel teria? - Hofni e Fineias. No entanto, Deus fez com que Ana entregasse Samuel a ele, apesar de quaisquer receios que Ana pudesse ter tido posteriormente.
Samuel, porém, não aprendeu apenas coisas boas com Eli. Quando já estava idoso, Samuel decidiu que seus dois filhos o sucedessem, apesar de eles não terem seguido um caminho piedoso, mas se desviado para aceitar subornos e ganhos desonestos, conforme 1 Samuel 8:1-3.
P: Em 1 Samuel 1:24-28, 34-36, qual é o paradoxo chocante aqui?
R: O paradoxo que é chocante, pelo menos para alguns, é que a bênção de Deus se deve à graça de Deus, e não à nossa própria dignidade. Eli, um genuíno servo de Deus que seria severamente castigado por Deus por não ter se empenhado em criar seus filhos, estava abençoando Ana para que ela tivesse ainda mais filhos. E Deus ouviu a oração de Eli. Deus não apenas a ouviu, como também concedeu muitos filhos a Ana.
P: Em 1 Samuel 2, o que há de interessante na estrutura literária?
R: 1 Samuel 2 utiliza um belo recurso literário hebraico chamado quiasmo. Cada tema é repetido de maneira simétrica. Aqui está a análise:
O cântico de Ana, citando o ungido do Senhor (2:1-10)
— Samuel ministra perante o Senhor (2:11)
— — Os pecados dos filhos de Eli (2:12-17)
— Samuel ministra perante o Senhor (2:18-19)
— — — — Eli abençoa os pais (2:20-21a)
— Samuel cresce na presença do Senhor (23:21b)
— — Os pecados dos filhos de Eli (2:22-25)
— Samuel cresce na presença do Senhor (2:26)
A profecia do homem de Deus, mencionando o ungido do Senhor (2:27-36)
Outros quiasmos em 1 Samuel encontram-se em 3:17; 3:1-4:1; 8:5-22 e 18:20-26. Outros quiasmos em 2 Samuel são 1:19-27; 5:17-8:18 e 23:1-7. Isaías também gostava de quiasmos. Os quiasmos em Isaías incluem Isaías 15:1-14; 21:1-10; 22:8-11; 22:12-14; 23:1-14; 24:1-13; 26:1-21; 27:1-13; 29:9-14; 32:1-5; 37:14-20; 38:1-8; 38:10-20; 41:17-20; 42:1-4; 42:13-17; 43:1-7; 43:8-13; 43:22-24; 43:25-44:5; 44:6-8; 48:17-22; 51:1-3; 51:7-8; 51:13-15; 55:1-13; 56:9-12; 59:14-20; 61:5-9; 63:15-64:12; 65:1-66:24; 65:17-18b; 65:18c-20; 66:5-14; 66:18-24.
Outro exemplo é Isaías 22:1-14. Nesse caso, dentro desse quiasmo, há outros dois quiasmos: 22:8-11 e 22:12-14.
Jeremias 9:1-11; 20:24-18; Zacarias 6:9-15 também são quiasmos. Ezequiel 26:3-14 possui estrutura quiástica, embora não seja um quiasmo perfeito.
P: Em 1 Samuel 2:1-10, quais são os principais aspectos da oração de Ana?
R: A oração de Ana aqui é ainda mais interessante devido ao contraste com sua oração em 1 Samuel 1:9-13. Sua oração é uma reivindicação contra seus inimigos. Se Ana tivesse transformado essa oração em uma canção, não é certo que Penina teria gostado de ouvi-la. Esperemos que as pessoas não componham canções assim sobre você!
Esta é uma oração ou canção de contrastes. Os poderosos contra os fracos, os saciados contra os famintos, as estéreis contra as férteis, os mortos contra os vivos, os doentes contra os saudáveis, os pobres contra os ricos e os humilhados contra os exaltados.
É muito provável que a oração de louvor de Maria em Lucas 1:46-55, chamada de Magnificat, tenha sido influenciada pelo fato de ela conhecer bem a canção de Ana.
P: Por que 1 Samuel 2:1-11 é semelhante a Lucas 1:46-55?
R: Embora haja grandes diferenças entre os dois, há alguns sentimentos semelhantes. Talvez isso se deva ao fato de ambas as mulheres terem vivido em tempos de incerteza, sob o jugo de um povo estrangeiro, e terem ficado radiantes ao terem seu primeiro filho. Cada uma à sua maneira, ambas sabiam que seu filho era especial para o Senhor.
P: Em 1 Samuel 2:3-10, por que Ana parecia quase hostil em relação aos outros?
R: Sua oração era um sinal adequado daqueles tempos. Muitos dos israelitas viviam sob a opressão dos filisteus. Não havia apenas a guerra com que se preocupar, mas viver sob um opressor significava pagar tributo e ter menos dinheiro para evitar a fome.
Poderia parecer confuso que, uma vez que os israelitas eram o povo de Deus, por que Deus permitiria que os filisteus tivessem domínio sobre eles.
P: Em 1 Samuel 2:8, a terra repousa sobre colunas?
R: Não, Ana, em sua oração, não disse exatamente isso. Há três pontos a serem considerados na resposta.
Em uma oração, mesmo que um dos adoradores de Deus diga algo cientificamente incorreto, isso é aceitável. Se a Bíblia registra com precisão o que Ana orou, isso também é aceitável.
No entanto, Ana não utilizou a palavra hebraica comum para “pilar” (ammud). Aqui, a palavra é matsuwq, que, segundo a Concordância de Strong, significa algo estreito, como uma coluna ou o topo de uma colina. Portanto, essa palavra tem um significado mais amplo do que apenas “coluna”. A NIV traduz essa palavra como “fundamento”. Ana não saberia que a Terra era mantida unida pela gravidade e mantida na sua órbita ao redor do Sol pela gravidade deste. Mas Ana sabia que, de alguma forma, Deus mantinha a Terra firme e estável.
Aliás, Jó, em Jó 26:7, afirma que a Terra não repousa sobre nada.
P: Em 1 Samuel 2:10, por que Ana disse que Deus daria força ao Seu rei, já que ainda não havia rei?
R: Primeiro, o que provavelmente não é a resposta; depois, a resposta.
Provavelmente não é essa a resposta: Deus é um rei, e o Pai dará força a Jesus, nosso Rei. Embora a palavra hebraica aqui, melek, signifique simplesmente “rei”, a última palavra do versículo 10, “ungido”, masiah, é a palavra hebraica para “Messias”. A oração de Ana, sobre Deus ser a Rocha e a libertação, é semelhante à oração de Maria em Lucas 1.
A resposta: Israel já sabia que teria um rei, conforme Deuteronômio 17:14-20 e 28:36. Entre Josué e Samuel, os israelitas haviam sido oprimidos pelo rei da Síria, por Eglom, rei de Moabe (um povo menor), pelos filisteus, por Jabim, rei de Hazor, pelos midianitas, pelos filisteus e pelos amonitas, e novamente pelos filisteus. Talvez agora eles tivessem um rei. Samuel foi ungido, mas como profeta, não como rei. Mas Ana provavelmente não tinha ideia do quanto Deus usaria seu filho, de maneira decisiva, na história de Israel.
P: Em 1 Samuel 2:12-17, o que exatamente os filhos de Eli, Hofni e Fineias, fizeram de errado?
R: Eles estavam ali para ajudar na oferta dos sacrifícios, como deveriam estar. Mas há duas respostas complementares: suas ações e seu coração.
Em um nível, quatro ações erradas são explicitamente listadas.
1 Samuel 2:13-14 Roubo. Eles pegaram mais do que deveriam; os fiéis ficariam com menos para comer.
1 Samuel 2:15 Alteração da lei de Deus. Eles alteraram os requisitos do que Deus ordenou em Levítico 7:31 e seguintes. Em vez de carne cozida sem a gordura, exigiram carne crua com a gordura. A gordura acrescentaria mais sabor. Além disso, em muitas culturas, onde a comida é escassa, as pessoas comem gordura sólida como uma iguaria. Isso é semelhante a comer bacon com toda a gordura ainda nele.
1 Samuel 2:16-17 Intimidação. Se os fiéis não concordassem em fazer a oferta de maneira contrária ao que Deus ordenara, eles tomariam a carne à força.
1 Samuel 2:22 Imoralidade. Eles se deitaram com as mulheres porteiras. (As mulheres porteiras são mencionadas em Êxodo 38:8.)
Mas por trás dessas ações havia cinco atitudes malignas
Exploração dos outros. Eles viam as outras pessoas, os adoradores de Deus, como “presas” das quais se aproveitar. A pergunta “você gostaria que fizessem isso com você?” era a última coisa que lhes passava pela cabeça.
Desprezar os mandamentos de Deus e “apropriar-se” do que não lhes pertence. Eles podiam alterar os mandamentos de Deus como bem entendessem, como se fosse o “seu” altar e não o de Deus. Hoje, se um pastor, padre ou bispo falar sobre “minha igreja” em vez da igreja de Cristo, da qual ele é supervisor, então tome cuidado. Os filhos de Arão, Nadabe e Abiú, também alteraram os mandamentos de Deus relativos ao sacrifício conforme lhes aprazia, e Deus os matou em Levítico 10:1-3.
O poder faz a razão. Eles consideravam aceitável tirar dos outros tudo o que tivessem poder para tirar.
Oportunidades sexuais. As mulheres ao seu redor eram oportunidades para satisfazer seus desejos, em vez de viverem a vida conforme a vontade de Deus.
O ancião Eli os advertiu, mas foi tudo o que ele fez. Ele só os advertiu depois de ouvir os relatos de outras pessoas, já que, aparentemente, não dedicou muito tempo a observá-los antes disso. Além dessa simples advertência, ele basicamente não fez nada. Assim, Deus não apenas puniu os filhos amados de Eli, mas também puniu o próprio Eli. Ele ainda era filho de Deus e iria para o céu, mas sua morte e, essencialmente, a “morte” de seu legado foram punições graves.
P: Em 1 Samuel 2:13, há alguma evidência arqueológica que comprove que os filhos de Samuel usavam garfos de três pontas?
R: Embora não haja evidências arqueológicas específicas sobre os indivíduos envolvidos, o livro *The Expositor's Bible Commentary*, vol. 3, p. 585, menciona que garfos de três pontas, utilizados em sacrifícios, foram desenterrados em Gezer.
P: Em 1 Samuel 2:25, por que Deus quis que os filhos de Eli morressem?
R: Eles pecaram contra Deus, e Deus não decidiu transformar abruptamente seus corações, como fez com Saulo de Tarso. Eles não demonstraram nenhum desejo de se arrepender, e Deus não tinha qualquer obrigação de induzir neles um desejo que eles não tinham nem desejavam.
P: Em 1 Samuel 2:27-29, como os crentes de hoje podem pecar ao amar seus filhos mais do que a Deus?
R: Qualquer coisa, mesmo algo bom, que você ame mais do que a Deus pode se tornar um ídolo — para você. É muito triste, mas serve de advertência para nós, que um crente fiel a Deus ainda possa ver sua família se desintegrar por causa do pecado de se preocupar mais com a família do que com Deus. Certifique-se de não se preocupar mais com a felicidade imediata e o sucesso financeiro de seus filhos do que com a piedade deles.
Pelo bem de seus filhos, certifique-se de que eles percebam que seu amor por Deus é mais importante para você do que eles, e que seu amor por seu cônjuge é mais central em sua vida do que eles. As crianças precisam saber que são amadas, queridas e aceitas, mas também que não são o centro do universo, nem mesmo do seu universo.
P: Em 1 Samuel 2:29, por que Deus repreendeu Eli pelo comportamento de seus filhos?
R: Foram eles, e não Eli, que cometeram esses pecados; no entanto, Deus responsabilizou Eli por tolerar os pecados de seus filhos adultos. Eli sabia dessas coisas e conversou com eles para corrigir seus erros em 1 Samuel 2:22-26. No entanto, às vezes há espaço para a repreensão e há espaço para as consequências. Éli deveria tê-los destituído de suas funções, e talvez o tivesse feito se se tratasse de qualquer outra pessoa, mas eles eram seus filhos. É interessante que Deus não repreendeu diretamente Hofni e Fineias; talvez eles estivessem demasiado endurecidos. Mas, em 1 Samuel 2:29, Deus repreendeu diretamente Éli porque este demonstrava desprezo pelos sacrifícios de Deus ao tolerar que seus filhos agissem daquela maneira.
Correção é informar a alguém o que está fazendo de errado, quando essa pessoa não tem consciência de que está agindo assim. Repreensão é exortar alguém a fazer o que é certo e que já sabe que deve fazer. As palavras de Eli pareciam uma correção branda, não uma repreensão severa. Além disso, Eli deveria tê-los afastado imediatamente do serviço no Tabernáculo.
P: Em 1 Samuel 2:29, como os pais cristãos podem pecar por meio de uma educação negligente?
R: Às vezes, uma pessoa pode ensinar da melhor maneira possível seus discípulos ou aqueles sob sua responsabilidade, sem cometer erros, e mesmo assim eles acabam se tornando maus; veja Jesus e Judas, e Paulo e Demas. Às vezes, um pai ou líder pode cometer um erro não intencional, com consequências ruins. Mas, às vezes, é possível saber o que é certo fazer, por meio da leitura da Bíblia, e, ainda assim, recusar-se a fazê-lo; e isso é pecado, como diz Tiago 4:17.
P: Em 1 Samuel 2:29, quais foram as consequências futuras desse julgamento do pecado de Eli?
R: As consequências imediatas foram que Hofni e Fineias morreriam em batalha muito em breve e que Eli morreria ao saber que a arca havia sido capturada. A longo prazo, os descendentes sacerdotais de Eli, com exceção de Abiatar, seriam todos mortos pelo rei Saul, conforme 1 Samuel 22:16-20. O próprio Abiatar seria destituído pelo rei Salomão. Eli era descendente de Itamar, filho de Arão, e nenhum outro descendente de Itamar seria sacerdote. Em vez disso, os sacerdotes a partir de então viriam da linhagem de Zadoque, da casa de Eleazar, filho de Arão.
P: Em 1 Samuel 2:35, quem é o sacerdote fiel aqui profetizado?
R: Aqui não pode se referir a Samuel, pois se trataria de um sacerdote fiel e de sua linhagem duradoura, e os filhos de Samuel também não eram bons. Cristo foi um Sumo Sacerdote fiel, mas isso não se refere a Cristo, pois Cristo não possuía uma “casa” (ou seja, descendentes) de sacerdotes. Isso se refere ao fim da linhagem sacerdotal de Itamar, por meio de Eli, e aos sumos sacerdotes provenientes da linhagem de Eleazar, por meio de Zadoque, no tempo de Salomão, conforme 1 Reis 1:7,8; 2:26,27,35.
P: Em 1 Samuel 2:36, o que Deus está dizendo aqui?
R: Como os filhos de Eli consideravam o ofício de sacerdote algo garantido, seus descendentes estariam implorando para que lhes fosse permitido servir como sacerdotes a fim de conseguir alimento para suas famílias.
P: Em 1 Samuel 3:1, aproximadamente quantos anos Samuel tinha quando Deus falou com ele?
R: Embora as Escrituras não mencionem o número de anos, a palavra usada aqui para “jovem” — na’ar — pode se referir a Davi na época em que ele matou Golias, a uma criança em 1 Samuel 4:21 ou a um homem de 40 anos em 2 Crônicas 13:7; 12:13. O historiador judeu Josefo acreditava que Samuel tinha cerca de 12 anos na época.
P: Em 1 Samuel 3:1, de que forma a palavra do Senhor era escassa/rara naqueles dias?
R: Era rara de duas maneiras. Primeiro, não havia muitos oráculos de Deus naquela época. Não temos conhecimento de nenhum profeta, exceto Samuel. Talvez isso não seja surpreendente, já que os filhos de Eli estavam no comando do local de culto. Em segundo lugar, a visão inicial de Eli sobre Ana indica que poucas pessoas eram fervorosas em relação a Deus.
Amós 8:11-12 também profetiza sobre outro tempo, posterior a esse, em que a palavra do Senhor seria escassa.
P: Em 1 Samuel 3:1-4:1, o que há de interessante na estrutura literária?
R: 1 Samuel 3-4:1 utiliza um recurso literário hebraico chamado quiasmo. Cada tema é repetido de maneira simétrica. Aqui está a análise:
Deus falava raramente naquela época (3:1)
— Eli enfraquecendo com a idade (3:2)
— — Deus chama Samuel três vezes (3:3-9)
— — — Deus fala por meio de Samuel (3:10-15)
— — Eli pede que Samuel lhe relate o que aconteceu (3:16-18)
— Samuel cresceu no Senhor (3:19a)
Deus fala frequentemente por meio de Samuel (3:19b-4:1)
Outros quiasmos em 1 Samuel encontram-se em 2, 3:17; 8:5-22 e 18:20-26.
P: Em 1 Samuel 3:4-10, por que Samuel não reconheceu imediatamente que a voz era de Deus?
R: Aparentemente, essa foi a primeira vez que Samuel ouviu diretamente a voz de Deus, e ele não tinha certeza disso. Deus escolheu usar a experiência de Eli para instruir Samuel.
É interessante que Eli estivesse tão próximo de Deus em alguns aspectos e, ainda assim, tão distante da vontade de Deus em outros, como na disciplina de seus próprios filhos. A título de informação, a expressão “a lâmpada de Deus ainda não se tinha apagado”, em 1 Samuel 3:3, significa que Eli ainda estava vivo e em pleno uso de suas faculdades mentais.
P: Em 1 Samuel 3:13, Eli não repreendeu seus filhos, ou ele os repreendeu em 1 Samuel 2:23-24?
R: Eli falou com seus filhos de maneira branda em 1 Samuel 2:23-40. Ele não expulsou seus filhos do serviço no Templo, e sua maneira de falar indicava que, caso eles não mudassem, não haveria consequências da parte dele. É claro que, mais tarde, houve consequências por parte de Deus.
De acordo com a Lei mosaica, os dois filhos deveriam ter sido apedrejados até a morte por terem cometido adultério.
P: Em 1 Samuel 3:15-21, por que Samuel relutou em repetir o que Deus havia dito?
R: Samuel mantinha boas relações com Eli e sabia que Eli não gostaria da mensagem. Samuel agiu errado ao não querer transmitir a Eli a mensagem que Deus lhe havia ordenado que transmitisse, mas, felizmente, Eli disse a Samuel para fazer o que era certo.
Há uma lição para nós hoje. Deus pode querer que compartilhemos coisas que sabemos que as pessoas não vão querer ouvir. Assim como Samuel, precisamos decidir se vamos compartilhar o que Deus quer que compartilhemos ou ficar calados quando Deus quer que falemos. É possível que, quando compartilharmos algumas coisas com nossos amigos, depois disso alguns deles não queiram mais ser nossos amigos. Estamos dispostos a correr esse risco? Deixe-me fazer a pergunta de outra forma: será que realmente os amamos? Amamos mais a amizade do que o amigo, ou o amigo mais do que a amizade?
P: Em 1 Samuel 3:17, o que há de interessante na estrutura literária?
R: 1 Samuel 3:17 utiliza um recurso literário hebraico chamado quiasmo. Além disso, ele está inserido em um quiasmo maior, que abrange 1 Samuel 3:1-4:1. Aqui está a análise de 1 Samuel 3:17: E ele disse:
“Qual é a palavra que o SENHOR lhe disse?
— Por favor, não a esconda de mim.
— — Que Deus faça isso a você, e ainda mais,
— se você me esconder qualquer coisa
de todas as coisas que Ele lhe disse.”
Outros quiasmos em 1 Samuel encontram-se em 2, 3:1-4:1; 8:5-22 e 18:20-26.
P: Em 1 Samuel 3:18, por que Eli parecia tão indiferente em relação à maldição contra sua família?
R: A atitude de Eli era uma mistura interessante de verdade e erro irresponsável.
Verdade: Eli sabia que a vontade revelada por Deus não seria alterada nesse momento. Seus filhos não mudariam, e Eli sabia que o caminho de Deus era o melhor caminho, e que ele não era do tipo que questionava a Deus.
Erro: Eli parecia apático e quase fatalista em relação à destruição de seus próprios filhos. Eli não caiu da cadeira ao saber que seus dois filhos haviam sido mortos. Talvez Eli já os tivesse dado como perdidos. Mas Eli caiu e morreu ao saber que a arca havia sido capturada.
P: Em 1 Samuel 4:1, o que sabemos sobre os filisteus e seu ídolo Dagom?
R: O nome “Palestina” aparentemente deriva dos filisteus, também chamados de PSRT. Pelo menos nessa época, Dagom era o deus principal dos filisteus, ou dos povos do mar. Alguns filisteus migraram para a Filistia vindos das ilhas do Mediterrâneo, provavelmente incluindo Creta, por volta de 2.000 a.C., e muitos outros chegaram por volta de 1.200 a.C., após terem travado (e perdido) uma grande batalha naval contra os egípcios.
Dizia-se que Baal era filho de Dagom na religião ugarítica. Tanto os babilônios quanto os filisteus adoravam Dagon. Dagon era adorado em Canaã antes mesmo da chegada dos israelitas e dos filisteus, e ainda em 147 a.C. Antigamente, acreditava-se que Dagon fosse um deus dos peixes, derivado da palavra “dag”, que significa peixe; porém, atualmente os estudiosos acreditam que ele era um deus dos cereais, derivado de “dagan”, que significa cereal.
Quando os filisteus colocaram seu troféu de guerra, a arca sagrada da aliança, diante de Dagom como uma oferta, Deus ficou ofendido com o que os filisteus fizeram.
P: Em 1 Samuel 4:3,10, qual era a situação grave descrita ali?
R: Na primeira batalha, sem a arca, 4.000 israelitas morreram. Isso significa que, na próxima vez que tentassem derrotar os filisteus, haveria 4.000 homens a menos. Assim, tentaram com a arca, carregada por dois homens ímpios, e, com a arca de Deus, somada à presença desses homens ímpios, 30.000 israelitas morreram. Se houvesse cerca de 600.000 no total, incluindo homens idosos e meninos, apenas cerca de metade deles estaria apta a lutar. Portanto, perder 30.000 homens equivale a perder 10% de sua população total. Quantas batalhas mais eles poderiam travar, perdendo 10% de toda a sua população?
Devido à maldade de Eli e de seus filhos — pessoas que Eli amava —, neste caso, toda a nação sofreu.
P: Em 1 Samuel 4:4-6, eles deveriam ter levado a arca para a batalha?
R: Deus nunca lhes ordenou que levassem a arca para o campo de batalha. Eles o fizeram em Números 10:35 e Josué 6:6, e ali tudo correu bem. Afeca ficava a apenas 20/25 milhas a oeste de Siló, portanto não precisavam carregar a arca por uma distância tão grande. Nesse caso, o povo raciocinou que: a) Deus estaria com eles dessa vez se levassem a arca; e b) Deus jamais permitiria a humilhação de ver a arca ser capturada. Sem um arrependimento sincero para seguir a Deus, o povo estava errado. Não era que carregar a arca fosse errado, mas que pessoas impenitentes estavam fazendo isso para tentar forçar Deus a lhes conceder a vitória. No entanto, Deus estava mais preocupado com a santidade de Seu povo do que com o cuidado que eles tinham com a arca.
Hoje, às vezes as pessoas podem se preocupar mais com as cidades, os edifícios, os objetos religiosos e as organizações do que com a santidade do povo. A perspectiva de Deus deve ser a nossa perspectiva.
Vinte anos depois disso, após os israelitas terem derrotado os filisteus, Samuel ergueu uma pedra, chamada Ebenézer, em Mizpá, na tribo de Benjamim, bem perto daqui, conforme 1 Samuel 7:12.
P: Em 1 Samuel 4:4-6, de que maneiras as pessoas poderiam tentar manipular Deus para que Ele fizesse algo?
R: É legítimo pedir a Deus que faça algo, e é bom ter fé na ação de Deus. Mas agir de forma a tentar manipular ou coagir Deus a agir da maneira que você deseja é pôr Deus à prova.
Em segundo lugar, não devemos “abusar” da glória de Deus ou do nome de Deus para obter sucesso em algo.
P: Em 1 Samuel 4:8, o que há de estranho no que os filisteus disseram?
R: Eles tinham medo do Deus dos israelitas, exceto por um detalhe. As traduções em inglês seguem bem o hebraico, mencionando os “deuses poderosos” dos israelitas no plural. Por um lado, era de conhecimento geral o que havia acontecido aos egípcios. Por outro lado, os filisteus nem sequer tinham sido informados o suficiente para saber que os israelitas tinham apenas um Deus, e não vários.
P: Em 1 Samuel 4:11, há alguma evidência arqueológica de que os filisteus capturaram a arca?
R: Sim. De acordo com o *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 3, p. 596, em um silo de grãos da Idade do Ferro em Izbet Sarteh, foi encontrado um fragmento de cerâmica quebrado contendo cinco linhas. Segundo William H. Shea, as quatro primeiras linhas dizem: “Chegamos ao campo, (a) Afeca, vindo de Siló. Os quititas tomaram (ela [a Arca da Aliança]) e) foram para Azor, (para) Dagom, senhor de Asdode, (e para) Gate. (Ela retornou a) Quiriate-Jearim. O companheiro dos soldados de infantaria, Hofni, veio dizer aos anciãos: ‘Um cavalo chegou (e) sobre (ele estava meu) irmão, para que o enterrássemos’”. Aparentemente, porém, há alguma incerteza quanto à leitura. O “Expositor’s Bible Commentary”, vol. 3, p. 596, fornece as referências bibliográficas para um estudo mais aprofundado.
Consulte *Andrews University Seminary Studies* 28, 1 [1990]: 62, citado em *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 3, p. 596, e
P: Em 1 Samuel 4:18, qual era a atitude de Eli em relação aos seus filhos e em relação a Deus?
R: Eli se preocupava muito com a honra e a glória de Deus — exceto quando se tratava de seus filhos. Eli era excessivamente permissivo com seus filhos. Embora provavelmente soubesse o que seus dois filhos estavam fazendo, ele optou por ignorar a situação. Talvez ele esperasse que o fato de eles estarem a serviço de Deus os levasse a se corrigirem por conta própria. Mas ele estava errado. Ele deveria ter tomado medidas e, no mínimo, impedido que continuassem a servir enquanto seus corações estivessem daquele jeito. Mas, além dessa falha, Eli honrava a Deus. A palavra hebraica chabad pode significar “glória pesada”. Deus tem peso em sua vida? Pois, apesar das falhas de Eli, a glória de Deus tinha peso em sua vida.
P: Em 1 Samuel 4:21-22, ela deveria ter dado ao filho o nome de Ichabod, que significa “a glória se foi”?
R: Não dê esse nome a nenhum de seus filhos. Essa era uma palavra sinistra, que também sugeria que a glória havia sido levada para o exílio. Ela respeitava a glória de Deus, mas parecia que Deus havia retirado Sua glória e abandonado Israel. Ao morrer, ela lamentava o fato de que o símbolo da glória de Deus havia desaparecido, caindo em mãos idólatras. Se ela fez isso por respeito a Deus ou por amargura diante do que Deus permitiu que acontecesse ao Seu povo em geral e ao seu marido em particular, as Escrituras não dizem.
P: Em 1 Samuel 5:1-10, o que sabemos sobre os filisteus e suas cinco principais cidades: Asdode, Gate, Ecrom, Gaza e Asquelom?
R: Os filisteus eram os remanescentes ainda formidáveis de um povo marítimo poderoso e sofisticado de épocas mais antigas. A arqueologia nos diz que os filisteus eram hábeis na fundição de ferro e no uso de carruagens na guerra. Como parte ou a totalidade dos “Povos do Mar”, foram derrotados em uma batalha naval na costa do Egito por volta de 1190 a.C. Podem ter sido o mesmo povo que destruiu a capital hitita de Khatushá. Os egípcios os chamavam de “PRST”, e os assírios, de Pilisti e Palastu.
Asdode ficava a cerca de 33/35 milhas a oeste de Jerusalém e a três milhas a leste do Mar Mediterrâneo. Gate ficava a 10/12 milhas a leste-sudeste de Asdode. Ecrom ficava a 6 milhas diretamente ao norte de Gate. As outras duas cidades principais eram Asquelom e Gaza. Outra cidade filistina, Ziclague, não era tão proeminente.
Um fato curioso é que, embora os cães muitas vezes não fossem muito bem vistos em outras culturas do Oriente Médio, a revista *Biblical Archaeology Review*, de janeiro/fevereiro de 1991, p. 26, relata que, em Ashkelon, os fenícios possuíam um cemitério de cães com 220 sepulturas.
Não temos conhecimento de nenhuma guerra entre os próprios filisteus. Eles contavam com muitos guerreiros poderosos e, após derrotá-los, Davi recrutou alguns de seus soldados para sua guarda de elite.
O cético *Asimov’s Guide to the Bible*, p. 271, traz um comentário perspicaz de que os filisteus eram “… os mais avançados tecnologicamente, os mais bem organizados e, portanto, os mais perigosos dos primeiros inimigos de Israel”.
P: Em 1 Samuel 5:6-12, o que há de tão poético nessa passagem?
R: Esta é a única ocasião em que o autor introduz a expressão “mão do Senhor”. Frequentemente, a cabeça e as mãos dos inimigos mortos eram decepadas. Mas, neste caso, tratava-se da estátua de Dagom. A cabeça e as mãos arrancadas de Dagom demonstravam que não havia sabedoria nem poder no ídolo. O ídolo estava indefeso, em contraste com os israelitas, que agora podiam ver a mão do Senhor.
Essa também é a razão pela qual surgiu o costume de não pisar no limiar. Isso era feito para honrar o ídolo Dagom depois disso. Deus ficou indignado com o fato de as pessoas honrarem Dagom em Sofonias 1:9
P: Em 1 Samuel 5:12 e 1 Samuel 6:5,17, o que são hemorróidas/emerodes?
R: Há alguma incerteza quanto ao significado dessa palavra hebraica. Provavelmente significa tumores, embora também pudesse significar hemorróidas ou, ainda, estar descrevendo “bubões” — um sintoma da peste bubônica —, especialmente porque ratos e camundongos também foram mencionados.
P: Em 1 Samuel 6:1-4, o conselho dos sacerdotes e adivinhos filisteus estava correto?
R: Não era necessariamente correto, pois eles não compreendiam plenamente o Deus verdadeiro. No entanto, estava correto, pois Deus “fez com que estivesse correto”. Dado o conhecimento imperfeito que tinham de Deus, o Senhor aceitou o sacrifício deles e afastou a praga deles.
P: Em 1 Samuel 6:1-4, os sacerdotes idólatras poderiam dar conselhos corretos sobre o que o Deus verdadeiro deseja?
R: Em geral, não. Mas, certamente, eles podiam acertar em algumas coisas. Os povos antigos tinham a ideia de que não deveriam se aproximar de uma divindade de mãos vazias, e o Antigo Testamento apresenta um princípio semelhante.
P: Em 1 Samuel 6:4, por que os sacerdotes filisteus sugeriram cinco ratos de ouro e cinco tumores de ouro?
R: Em primeiro lugar, Deus nunca ordenou que fizéssemos figuras, imagens ou estátuas de nada de que fôssemos libertados. Você consegue imaginar uma igreja cheia de estátuas de braços, tumores cancerígenos etc.? - Eu também não.
No entanto, essa ideia não seria tão incomum entre os pagãos da Antiguidade. Uma pessoa que sobrevivesse a um naufrágio oferecia uma mesa com os restos do navio a Netuno (deus do mar) ou a Ísis. Os gladiadores ofereciam armas. Escravos libertos ofereciam suas correntes. De acordo com o Comentário de Keil-Delitzsch sobre o Antigo Testamento, vol. 2, parte 2, p. 63, isso está documentado em Scholia ad Aristophanes Acharnians, 243, e no Real-Wörterbuch, de Georg Benedict Winer, ii, p. 255. Este último está disponível no Internet Archive em.
Na verdade, porém, na Bíblia, em Números 21:4, onde as pessoas estavam sendo mordidas por cobras venenosas, Deus lhes disse para fazerem uma cobra de bronze e olharem para ela.
P: Em 1 Samuel 6:6, como os filisteus saberiam que o Faraó e os egípcios endureceram seus corações?
R: Algo tão devastador quanto isso seria lembrado por pelo menos alguns séculos pelas pessoas que estavam nas proximidades. Uma segunda razão é que os filisteus viviam ao lado dos israelitas, que provavelmente lhes contariam. Depois de verem a praga vinda da arca, os filisteus certamente não queriam que algo semelhante lhes acontecesse.
P: Em 1 Samuel 6:7-9, por que os sacerdotes e adivinhos filisteus sugeriram usar vacas leiteiras?
R: Mesmo depois de tudo o que havia acontecido até então, os sacerdotes filisteus ainda tinham dúvidas se aquelas calamidades haviam ocorrido por acaso ou não. Lembre-se de que eles eram os líderes religiosos filisteus e desejariam que houvesse alguma maneira de provar que tudo não passava de um acaso e que seus deuses não eram mais fracos. Assim, se atrelassem duas vacas que ainda estavam amamentando seus bezerros e, caso as vacas voltassem para seus bezerros — como provavelmente fariam por instinto —, os sacerdotes poderiam dizer: “Vejam, afinal isso foi apenas um acaso”.
Ainda hoje, para muitos, o “padrão de evidência” exigido para que alguém acredite em algo pode ser artificialmente elevado, pois eles têm interesse em não acreditar em algo e em persuadir os outros a não acreditarem nisso, ao mesmo tempo em que parecem razoáveis.
Assim, Deus fez com que as vacas fossem diretamente para onde Ele queria que fossem, embora seus mugidos contínuos pudessem indicar que elas não estavam felizes em deixar seus bezerros.
P: Em 1 Samuel 6:9, o método dos filisteus foi um bom método a ser utilizado?
R: Nesse caso específico, Deus permitiu que o método simples deles funcionasse. No entanto, não saia correndo para comprar duas vacas ainda, pois nada neste versículo sugere que esse seja um padrão que os crentes devam seguir.
Em geral, um problema com o uso de bois, jogadas de moeda ou métodos semelhantes é que eles sempre parecerão funcionar. Por exemplo, digamos que o senhor jogue uma moeda para ver se Deus quer dizer “Sim” ou “Não” sobre algo. E se Deus não quisesse responder? E se Deus quisesse que você usasse seu próprio julgamento e, para o bem ou para o mal, decidisse com base no que havia em seu coração? Não há como Deus “se abster” de responder com esses métodos.
P: Em 1 Samuel 6:9, os filisteus estavam certos em pensar que aquilo poderia ter acontecido por acaso?
R: Não. O que é o acaso? De acordo com cientistas e matemáticos, com duas possíveis exceções, nunca se observou nenhum evento verdadeiramente aleatório que não tivesse causa. (Uma possível exceção é a decomposição radioativa, sobre a qual sabemos muito pouco. Uma segunda possível exceção, de uma perspectiva ateísta, é a origem do universo.)
Quando as pessoas costumam dizer “eventos aleatórios”, elas na verdade se referem ao que os matemáticos chamam de “eventos caóticos”. Eventos caóticos são aqueles em que um observador não pode prever o resultado, a não ser observando o próprio resultado. Pequenas mudanças nas condições de entrada podem significar grandes mudanças nas condições de saída. Muitas coisas são caóticas, no sentido de que, dentro de limites previsíveis, elas são imprevisíveis. Deus é incriado e a causa primeira, e não conhecemos nada que possa ter começado sem causa alguma.
P: Em 1 Samuel 6:9, por que os filisteus decidiram enviar a carroça para Bete-Semes em vez de de volta a Efraim?
R: A Escritura não diz, mas Bete-Semes ficava a apenas nove milhas a leste-sudeste de Ecrom e no caminho para Siló. Uma obra cética, o *Guia de Asimov para a Bíblia*, pp. 272-273, apresenta duas especulações interessantes, que podem estar corretas neste caso.
1. Embora Bete-Semes estivesse distante da Filístia propriamente dita, ainda assim se encontrava sob influência filistina. Arqueólogos encontraram inúmeros artefatos filistinos em Bete-Semes datados dessa época.
2. A arca veio de Efraim, e os territórios de Benjamim e Dã ficavam entre Judá e Efraim. Talvez os filisteus não se importassem que os israelitas sob sua influência a possuíssem, mas não quisessem devolvê-la aos efraimitas.
P: Em 1 Samuel 6:16, quem eram os cinco príncipes dos filisteus?
R: Os filisteus tinham um método de governo bastante singular. Em vez de um único rei ou governante, e em vez de pequenos estados separados, havia cinco “governadores”, essencialmente, sobre cada uma das cinco principais cidades e suas vilas e regiões vizinhas. Esses cinco governantes tomavam decisões em conjunto. Milênios mais tarde, os romanos tiveram, por um breve período, um sistema semelhante com um triunvirato de três governantes que detinham autoridade suprema no Império Romano.
P: Em 1 Samuel 6:19, por que Deus matou os israelitas de Bete-Semes?
R: Em primeiro lugar, havia duas cidades chamadas Bete-Semes, uma em Naftali, na fronteira com Judá e Dã. Esta é a segunda. Essa Bete-Semes era uma cidade antiga, colonizada pela primeira vez antes da época de Abraão. Embora o *New Bible Dictionary*, p. 146, afirme que era uma cidade importante, ela não tinha o tamanho de Hazor ou Jerusalém. Estima-se que a população, tanto da cidade quanto das fazendas vizinhas, fosse de apenas 20.000 pessoas.
Em um nível físico, as pessoas foram mortas porque olharam para dentro da arca. Deus não era “obrigado” a matar todos que olhassem para dentro da arca, mesmo que fossem forçados a fazê-lo contra a própria vontade. Em vez disso, em um nível mais profundo, Deus matou aqueles israelitas porque eles tinham tão pouco respeito pela santidade de Deus a ponto de olharem para dentro da Arca da Aliança.
P: Em 1 Samuel 6:19, o hebraico diz 50.070 ou 70?
R: Trata-se de um erro tipográfico. A maioria dos manuscritos hebraicos apresenta 50.070, enquanto alguns poucos apresentam 70 e não incluem o 50.000. Os estudiosos divergem quanto ao número original.
70: As versões católicas NSRV e RSV traduzem esse número como 70, mencionando 50.070 nas notas de rodapé. A Bíblia de Estudo NIV, p. 383, afirma que deveria ser 70, pois 50.070 foi escrito de maneira gramaticalmente incorreta. Gleason Archer, na *Enciclopédia das Dificuldades da Bíblia*, p. 222, afirma que o número é suspeitamente alto e, na p. 169, afirma que havia duas maneiras corretas de escrever números
1) 70 homens e 50.000 homens
2) 50.000 homens e 70 homens.
Archer destaca que nenhum dos dois padrões é seguido na tradução “70 homens, 50.000 homens”. Provavelmente é por isso que a Tradução Literal de Green diz: “70 entre o povo, [incluindo] 50 homens importantes”.
Gleason Archer também menciona que os erros textuais são mais frequentes em 1 Samuel do que em qualquer outro livro do Antigo Testamento. Alguns manuscritos hebraicos não apresentam o número 50.070, e Josefo, em Antiguidades dos Judeus 6.1.4 (c. 93-94 d.C.), afirmou que o número era de apenas 70.
1.000: Alterar o espaçamento de antes de uma letra para depois dela muda o significado de “Ele abateu entre o povo setenta homens [e] cinquenta mil homens” para “Ele abateu o povo por sete dias, homens por cinco dias, mil homens”. Isso foi sugerido por R. Althann, “Consonantal ym: terminação ou substantivo em Isaías 3:13; Jeremias 7:16; 1 Samuel 6:19”, em *Biblica* 63, 4 [1982]: p. 563-565. O *Expositor’s Bible Commentary*, vol. 13, p. 606, menciona essa interpretação.
P: Em 1 Samuel 6:21-7:2, por que enviaram a arca para Quiriate-Jearim em vez de Siló?
R: Quiriate-Jearim fica a cerca de dez milhas a nordeste de Bete-Semes. As Escrituras não dizem, mas os filisteus podem ter destruído Siló, como sugerem Salmos 78:60; Jeremias 7:12, 14; 26:6, 9.
P: Em 1 Samuel 7:2, por quanto tempo a arca permaneceu em Quiriate-Jearim?
R: 1 Samuel 7:2 afirma que a Arca permaneceu em Quiriate-Jearim por 20 anos antes de Samuel se tornar juiz. No entanto, ela permaneceu em Quiriate-Jearim por um total de cerca de 101 anos, até que Davi a levou para Jerusalém em 1003 a.C., de acordo com 2 Samuel 5:5; 6:1-11.
P: Em 1 Samuel 7:3-4, por que Samuel disse aos israelitas para se livrarem dos deuses estrangeiros que havia entre eles?
R: Este versículo alude a um fato triste. Muitos entre os israelitas ainda adoravam outros deuses. Os deuses cananeus/fenícios e, posteriormente, os babilônicos eram sedutores para eles. Os israelitas precisavam de libertação, e sabiam que precisavam dela. Samuel lhes disse como obter a libertação de Deus: livrar-se dos ídolos que adoravam e nos quais confiavam em vez de Deus.
P: Em 1 Samuel 7:5, as futuras batalhas contra os filisteus demonstram que o livro de 1 Samuel estava errado ao afirmar que os filisteus foram derrotados de forma esmagadora sob o comando de Samuel, conforme afirma o *Guia de Asimov para a Bíblia*, p. 274?
R: Não, porque a Bíblia nunca afirmou que os filisteus foram derrotados de forma esmagadora, com grande perda de vidas. Além disso, o resultado da batalha não foi que os israelitas conquistaram os filisteus, mas que os israelitas obtiveram liberdade dos filisteus por um período de tempo. Deus disse a Samuel que enviaria alguém (Saul) para ser rei a fim de “salvar o Meu povo das mãos dos filisteus”. Os filisteus mantinham uma guarnição em Israel, conforme 1 Samuel 10:5, e atacaram os israelitas novamente mais tarde, em 1 Samuel 13:5.
Às vezes, um general em desvantagem opta por recuar antes de sofrer grandes perdas.
P: Em 1 Samuel 7:5-7,11, por que Samuel provavelmente os reuniu em Mizpá?
R: Mizpá ficava a sete ou oito milhas ao norte de Jerusalém, na fronteira ocidental de Benjamim, onde fazia fronteira com a Filístia, o que seria um bom local para iniciar uma campanha contra os filisteus. É claro que, quando Ana orou em 1 Samuel 2:10 para que Deus trovejasse contra Seus inimigos, isso se cumpriu de forma muito literal aqui em 1 Samuel 7:10. Além disso, Mizpá foi o local onde os israelitas quase exterminaram os benjamitas séculos antes. Como consequência, embora Benjamim fosse uma das tribos mais belicosas, era também a menor, desde que sofreu o massacre descrito em Juízes 19:1-20:1,3; 21:1,5,8.
P: Em 1 Samuel 7:6, por que Samuel derramou água neste local?
R: Esse não era um sacrifício prescrito na Lei. Em nenhuma outra passagem das Escrituras se diz para fazer isso, nem para não fazê-lo. Aparentemente, Samuel fez isso como uma lição visual de que eles estavam derramando seu pecado de idolatria.
P: Em 1 Samuel 7:7-12, qual é a diferença entre o pedido de ajuda a Deus feito aqui e o pedido (sem sucesso) de ajuda em 1 Samuel 4:5-11?
R: É uma diferença abismal. Aqui, em 1 Samuel 7:7-12, eles confiaram em Deus, e não em um símbolo religioso; pediram oração, não fizeram nada para forçar a mão de Deus, e Deus “os guiou”, de modo que o trovão de Deus os precedia. Em 1 Samuel 5:5-11, eles confiaram em um símbolo de Deus em vez de em Deus; não pediram oração; usaram a arca para tentar forçar a mão de Deus; e queriam que Deus os “seguisse” para garantir a vitória. Mas a maior diferença de todas é que, aqui em 1 Samuel 7:3-6, eles se arrependeram e “derramaram-se no chão”, por assim dizer. Em 1 Samuel 4:5-11, eles não se arrependeram.
É interessante que Baal, filho de Dagom, fosse o deus do trovão, e Deus tenha usado o trovão para repelir os filisteus.
P: Em 1 Samuel 7:13, os filisteus já não ocupavam mais o território de Israel, ou continuaram a lutar mais adiante no livro de Samuel?
R: Há dois pontos a serem considerados na resposta.
Naquela época, os filisteus não ocupavam Israel nem lutavam contra os israelitas.
A partir daquele momento, os filisteus não viviam mais no território de Israel. Mesmo após a derrota de Israel em Afeca, os filisteus provavelmente estavam mais interessados em receber tributos e governar os israelitas do que em ocupar suas terras.
Independentemente de se interpretar 1 Samuel 7:13 como referindo-se ao período após a batalha ou a partir daquele momento, trata-se de uma afirmação correta.
P: Em 1 Samuel 7:14, como todas as cidades, de Ecrom a Gate, foram restauradas a Israel?
R: Há três pontos a serem considerados na resposta.
1. Não diz que todas as cidades filisteias foram entregues a Israel.
2. Isso não significa necessariamente que Ecrom e Gate tenham sido entregues a Israel. De fato, é muito provável que essas duas cidades tenham permanecido nas mãos dos filisteus.
3. Em vez disso, as cidades menores entre Ecrom e Gate, que os israelitas ocuparam em determinado momento, foram devolvidas a Israel.
P: Em 1 Samuel 7:16, esse Gilgal é diferente do Gilgal para o qual Josué foi, como afirma categoricamente o *Guia de Asimov para a Bíblia*, p. 274?
R: Provavelmente é o mesmo. Havia também um Gilgal que ficava “em frente à subida de Adummim”. No entanto, diz-se que esse pode ser o mesmo Gilgal que o famoso, a leste de Jericó. Esse Gilgal é talvez a moderna Khirbet el-Mefjer e ficava a algumas milhas de Betel e Mizpá.
P: Em 1 Samuel 8:1, por que Samuel nomeou seus filhos perversos como juízes de Israel?
R: Samuel reconheceu a necessidade de garantir sua sucessão após sua morte, mas sua ideia sobre como fazê-lo estava totalmente equivocada. Ter uma sucessão não é tão importante quanto saber quem são os sucessores. Samuel fez a escolha errada porque seus filhos, Joel e Abias, eram ávidos por dinheiro e subornos. Samuel pode ter racionalizado que estava ficando muito velho e que escolher seus filhos era a opção mais conveniente — para ele. Seus filhos sabiam como ser sacerdotes e provavelmente conheciam a lei de Deus, mas, embora tivessem o conhecimento na cabeça, lhes faltava no coração. Talvez Samuel tenha aprendido sua maneira de criar os filhos e tolerar os pecados deles com o mau exemplo de Eli. O povo também deve ter se lembrado do exemplo dos filhos de Eli.
P: Em 1 Samuel 8:5-22, o que há de interessante na estrutura literária?
R: 1 Samuel 8:5-22 utiliza um recurso literário hebraico chamado quiasmo. Cada tópico é repetido de maneira simétrica. O “Expositor’s Bible Commentary” afirma que esse quiasmo é incomum, na medida em que cada tópico par inverte o interlocutor do tópico anterior. Aqui está a análise do “Expositor’s Bible Commentary”, vol. 3, p. 615:
O povo a Samuel (8:5)
— Samuel ao Senhor (8:6)
— — O Senhor a Samuel (8:7-9)
— Samuel ao povo (8:10-18)
— — O povo a Samuel (8:19-20)
— Samuel ao Senhor (8:21)
— — O Senhor a Samuel (8:22a)
Samuel ao povo (8:22b)
Esse quiasmo também foi mencionado em *The Kingship of God*, pp. 258-259.
Outros quiasmos em 1 Samuel encontram-se em 3:17; 3:1-4:1; 8:5-22 e 18:20-26.
P: Em 1 Samuel 8:7-9, por que Deus não aprovou o pedido do povo por um rei por volta de 1051 a.C.?
R: Deuteronômio 17:14-20 mostra que Deus planejava que eles acabassem por ter um rei. No entanto, em 1 Samuel 9:7-9, Deus não aprovou o motivo pelo qual eles fizeram esse pedido. Eles pediram porque não queriam que Deus os governasse diretamente e desejavam ser como as outras nações, conforme mostra 1 Samuel 8:20. Um rei poderia efetivamente reunir o exército e liderá-los na batalha. No entanto, Deus sabia que os reis têm o hábito de considerar o reino como algo que lhes pertence, e as pessoas podem tender a viver para servir ao rei mais do que ao Único e Verdadeiro Rei de toda a Criação.
Em vez de serem liderados pelos filhos de Samuel, eles poderiam ter esperado que Deus levantasse outro juiz, e não um rei. Mas algumas pessoas não querem fazer parte de uma nação especial; querem ser como todas as outras nações. Algumas pessoas não querem fazer parte de uma família especial; querem ser como outras famílias “normais”.
Embora as Escrituras não digam, hipoteticamente, o que teria acontecido se eles não tivessem pedido, talvez Deus tivesse dado ao povo Davi como o primeiro rei da terra unificada, em vez de Saul
P: Em 1 Samuel 8:11, por que Deus disse que o rei teria carruagens e cavalos, já que Deuteronômio 17:16-17 afirma que o rei não deveria ter carruagens e cavalos?
R: Deus não estava dizendo o que desejava, mas sim profetizando como os reis que eles pediram oprimiriam o povo, conforme mostra 1 Samuel 8:18. Salomão acumulou muitos carros de guerra, contrariando Deuteronômio 17:16-17.
P: Em 1 Samuel 8:11, quando os reis de Israel faziam com que homens corressem à frente das carruagens?
R: Se soldados corressem à frente de carruagens velozes e tivessem dificuldade em sair do caminho, isso demonstraria que os soldados eram considerados dispensáveis. Embora não saibamos todas as ocasiões em que os líderes de Israel fizeram isso, Absalão, em 2 Samuel 15:1, e Adonias, em 1 Reis 1:5, agiram dessa forma.
P: Em 1 Samuel 9:1, o pai de Saul era Quis, mas como o pai de Quis era Abiel, se 1 Crônicas 8:33 diz que Ner era o pai de Quis?
R: Primeiro, o que não é a resposta; depois, a resposta.
Provavelmente não é a resposta: Às vezes, uma pessoa na Bíblia tinha vários nomes. No entanto, isso seria mais comum quando houvesse várias línguas envolvidas ou, ocasionalmente, quando Deus lhes mudasse o nome, como Abrah/Abraão, Sarai/Sara, Jacó/Israel ou Simão/Pedro. Não há indício de motivo para a existência de nomes múltiplos neste caso.
Uma resposta mais simples é que, em hebraico, “pai” pode significar “ancestral”, e “filho”, “descendente”. Portanto, Ner poderia ser o pai de Quis, e Abiel poderia ser um ancestral, ou possivelmente o contrário.
P: Em 1 Samuel 9:7-9, por que as pessoas costumavam levar um presente a um homem de Deus?
R: Elas estavam pedindo a ajuda dele e, por isso, consideravam que deveriam recompensar o homem de Deus, ou vidente (ro’eh em hebraico), por seus serviços. Uma pequena oferta também foi dada em 1 Reis 14:3 (10 pães); Amós 7:12 (pão em geral) ou uma oferta generosa em 2 Reis 8:8-9 (todo tipo de coisas boas de Damasco). Um profeta poderia recusar o presente, como fez Eliseu em 2 Reis 5:15-16. No entanto, às vezes os profetas e sacerdotes eram gananciosos por ganhos (Jeremias 6:13; 8:10); apropriavam-se de tesouros (Ezequiel 22:25) ou profetizavam de maneira diferente dependendo de receberem ou não um presente (Miquéias 3:5, 11).
Samuel e o servo tinham prata consigo em vez de moedas, pois as moedas só foram inventadas no século VII a.C. Um quarto de siclo de prata equivaleria a cerca de três gramas.
P: Em 1 Samuel 9:12,18, como é que Saul não reconheceu uma pessoa famosa como Samuel?
R: Lembre-se de que isso ocorreu em uma época anterior às fotografias, à TV e às impressoras. Saul e seu servo certamente já tinham ouvido falar de Samuel, de acordo com 1 Samuel 9:6-8. No entanto, eles nunca o haviam encontrado antes e, portanto, nunca tinham visto seu rosto; não seria de se esperar que o reconhecessem.
Não ter conseguido reconhecer seu rosto não significa que “ele nem sequer sabia da existência de Samuel”.
P: Em 1 Samuel 9:15-17, o senhor acha que Deus escolheu a melhor opção para rei ou o tipo de rei que o povo desejava?
R: Saul não tinha experiência como rei, mas, por outro lado, era humilde, sentindo-se indigno da honra. Saul começou bem e realmente lutou contra os amonitas e os filisteus, mas apresentava muitas deficiências. Parte de seu comportamento posterior poderia ser explicada pela tentativa de compensar um complexo de inferioridade ou uma “síndrome do impostor”. Se o povo estava decidido a querer um rei, e a querer um rei com “aparência real”, Deus lhes deu o que pediram, o que achavam que queriam e o que mereciam. É claro que a guerra civil após a morte de Saul não foi um desfecho muito bom para isso. Mas, a curto prazo, os israelitas sabiam que precisavam de alguém para conduzi-los à vitória sobre os filisteus, e Saul estava conseguindo isso.
Porém, quanto mais tempo Saul permanecia como rei, mais o poder o corrompia gradualmente. A teimosia de Saul e a alta estima que tinha de sua própria sabedoria o levaram a cometer erros. Ele proclamou um jejum enquanto estavam em combate, não esperou por Samuel e não matou os amalequitas como deveria.
Outro ponto é que as duas maiores tribos, Efraim e Judá, poderiam ter sido rivais. Escolher um rei de uma dessas duas tribos poderia ter alienado a outra. No entanto, o rei definitivo viria da tribo de Judá, de acordo com Gênesis 49:10, e Saul era da tribo de Benjamim.
P: Em 1 Samuel 9:15-27, quais são alguns exemplos de épocas mais recentes em que o poder ou as riquezas corrompem?
R: O imperador romano Nero, na verdade, não foi um imperador ruim nos seus primeiros anos. Salomão começou como um rei muito bom, antes de adquirir todas as riquezas e as muitas esposas estrangeiras. Bill Gates decidiu criar bons softwares e chegou a fundar uma fundação para doar grande parte de seu patrimônio para instituições de caridade. (O quanto algumas das doações da Fundação Gates foram significativas é outra questão que não abordaremos aqui.) Ele parecia ter um casamento feliz e era muito respeitado, pelo menos antes da “Ilha de Epstein”. Li sobre um homem devoto, que frequentava a igreja, e que ganhou muito na loteria. Ele, cumprindo seu dever, doou uma grande parte do prêmio à sua igreja e criou fundos para a faculdade de seus filhos. Mas, com o passar do tempo, passou a frequentar mais bares e casas de strip-tease, e foi assaltado algumas vezes. No fim, ele comentou que teria sido melhor para ele se nunca tivesse ganhado na loteria.
As pessoas podem começar sendo honestas, virtuosas e preocupadas com os outros, e então uma oportunidade espetacular surge diante delas. Elas mesmas podem não ter ideia de até que ponto seu sucesso irá corromper seu caráter.
Portanto, parece fácil demais para uma pessoa razoavelmente honesta e moral ver sua virtude totalmente varrida pelo grande sucesso. Uma solução é permanecer próximo a Deus em oração, permanecer próximo à Sua Palavra e manter-se em comunhão com outros crentes.
P: Em 1 Samuel 9:15-17, o senhor acha que Deus costuma dar às pessoas o que elas querem hoje em dia?
R: Quando as pessoas, especialmente os crentes, não ficam felizes a menos que consigam algo, às vezes Deus pode concedê-lo a elas, mesmo que isso acabe não sendo o melhor para elas. Tenha cuidado ao pedir algo a Deus com a atitude de que “Deus não é generoso” ou de que “não serei feliz a menos que consiga exatamente essa coisa específica”.
P: Em 1 Samuel 9:21, Saúl estava apenas sendo falsamente modesto ao dizer que era do clã mais pequeno da tribo mais pequena de Israel?
R: Saul era da menor tribo, Benjamim. Não podemos verificar se ele era do menor clã ou não. Saul era da aldeia
P: Em 1 Samuel 9:21-22, por que Samuel não respondeu à pergunta de Saul naquele momento?
R: Samuel não queria responder à pergunta de Saul naquele momento, mas o faria no momento oportuno. Dizer a alguém que se tornaria rei, quando essa pessoa não tinha a menor ideia disso antes, seria um passo muito grande. Assim, Samuel deu uma dica muito vaga em 1 Samuel 9:20 e tratou Saul de maneira especial, por uma razão misteriosa. Somente depois que Saul soube que havia algo especial a ser revelado é que Samuel finalmente respondeu à pergunta de Saul no dia seguinte.
P: Em 1 Samuel 10:1, Samuel ungiu Saú como rei em particular, ou Saú foi declarado rei publicamente em 1 Samuel 10:17-24?
R: Ambas as afirmações estão corretas. Há quatro pontos a serem considerados na resposta.
A unção em particular ocorreu em 1 Samuel 10:1.
A proclamação pública e a aceitação como rei ocorreram em 1 Samuel 10:17-24. Falta nesta passagem qualquer menção à unção de Saul, como era costume para os reis. Isso ocorre porque ele já havia sido ungido em particular em 1 Samuel 10:1.
O mesmo padrão ocorreu tanto com Saul quanto com Davi ao se tornarem reis.
| Saul | Davi | |
|---|---|---|
| unção privada | 1 Sm 10:1 | 1 Samuel 16:13 |
| cheio do Espírito | 1 Samuel 10:5-12 | 1 Samuel 16:13 |
| Proclamação pública | 1 Samuel 10:19-24 | 1 Samuel 16:13 |
| Possível afastamento do Espírito de Deus | 1 Samuel 15:14 | Salmos 51:11 |
Hoje, em geral, é aconselhável conversar primeiro em particular com alguém antes de sair por aí anunciando ao mundo que essa pessoa assumirá uma função.
P: Em 1 Samuel 10:1, Saulo foi escolhido por sorteio, pelo povo em 1 Samuel 8:19 ou por Deus em 1 Samuel 9:17; 10:24?
R: Todas as opções acima estão corretas. Primeiramente, Deus escolheu Saul. O sorteio foi simplesmente um meio de demonstrar a escolha de Deus. Uma vez feito isso, todo o povo aprovou, com algumas exceções mencionadas em 1 Samuel 10:27.
P: Em 1 Samuel 10:1-7, por que Deus deu esses sinais a Saul?
R: Saul poderia ter dificuldade em acreditar que se tornara rei tão repentinamente. As Escrituras não dizem que Saul duvidou, mas esses sinais serviriam para confirmar sua fé.
P: Em 1 Samuel 10:1-12:25, vemos algo no caráter de Saul que prenunciasse que ele mais tarde seria oprimido por um espírito maligno e desejaria assassinar Davi?
R: Não vemos absolutamente nada. Da perspectiva de Saul, ele era um “rei acidental”, que estava procurando jumentos e encontrou uma coroa. Às vezes, as pessoas que de repente se deparam com boas circunstâncias não valorizam sua bênção, mas esse não era o problema de Saul. Ele apresentava o problema oposto em sua trajetória de caráter: quando Deus decidiu não mantê-lo como rei e nomeou Davi para sucedê-lo, Saul quis se agarrar ao seu reinado, apesar de saber que Deus não desejava que ele o mantivesse.
Saul, filho de Quis, foi uma das figuras mais complexas das Escrituras. Do lado positivo, ele era corajoso, generoso e (frequentemente) disposto a obedecer a Deus. A rapidez de Saul levou ao sucesso em 1 Samuel 11:7-8 e ao desastre em 1 Samuel 13:8-13. Por outro lado, ele era desconfiado, temperamental, violento e se rebelava contra Deus por ter escolhido outra pessoa como rei. Mas se alguém possui muitas qualidades boas e piedosas, mas ainda assim se rebela contra Deus, então é um rebelde contra Deus.
P: Em 1 Samuel 10:5; 18:6, o que são esses instrumentos?
R: O nebel e o kinnor eram instrumentos de cordas. Eles também são mencionados em 1 Crônicas 13:8; 15:20-21; Salmo 33:2; 43:4. O nebel é um tipo de lira, e o kinnor provavelmente era semelhante a um violão. Naquela época, as liras tinham de três a doze cordas, e a harpa, de dez a vinte cordas. O tof era um pandeiro, como o que Miriam tocava em Êxodo 15:20. Os pandeiros daquela época não possuíam pequenos discos ou anéis de metal.
Um suporte de cerâmica foi encontrado em Asdode, no século X a.C., com imagens de um tocador de pandeiro, um tocador de flauta, um tocador de lira e dois outros músicos.
P: Em 1 Samuel 10:11,12, por que Saú profetizou, já que mais tarde ele se tornou perverso?
R: A concessão do Espírito e a concessão da profecia eram diferentes nos tempos do Antigo Testamento em comparação com os tempos do Novo Testamento. O Espírito Santo podia abandonar um crente desobediente do Antigo Testamento, como fez com Sansão em Juízes 16:20. Davi estava preocupado com a possibilidade de o Espírito Santo abandoná-lo, conforme expresso no Salmo 51:11.
A expressão “Saul está entre os profetas?” significa “Ele agiu como um profeta entre eles”, de acordo com o livro The Bible Knowledge Commentary: Old Testament, p. 441.
P: Em 1 Samuel 10:16, por que Saúl não contou ao tio que havia sido ungido rei?
R: As Escrituras não dizem, mas podemos especular sobre algumas razões.
1. Saul talvez achasse que seu tio não acreditaria nele.
2. Talvez o próprio Saul não tivesse certeza do que pensar da atitude de Samuel. Afinal, naquele momento não havia prova de que todo o Israel aceitaria Saul como rei.
P: Em 1 Samuel 10:20-24, por que Saú estava se escondendo entre a bagagem e os suprimentos?
R: É irônico que Saul estivesse originalmente procurando por jumentos perdidos e tenha encontrado uma coroa. Agora, o povo procurava por seu rei “perdido” e encontrou um jovem tímido. Durante toda a sua vida, ele passou despercebido e sem se destacar. Ele até morava em uma cidade chamada Gibeá, que significa simplesmente “colina”. Mas agora ele chamava mais atenção do que qualquer outra pessoa em Israel.
Saul pode ter se escondido por modéstia ou por medo de ser colocado à frente de todos. Talvez Saul sentisse que não era apto para ser rei aos seus próprios olhos (1 Samuel 9:21), ou aos olhos invejosos dos outros. Além disso, se parecesse que Saul não aspirava ao reinado, ninguém poderia acusá-lo de impor sua realeza aos demais. Também poderia ser que ele quisesse mais tempo para refletir se realmente desejava ser rei sobre o povo ou não. Além disso, Saul sabia, assim como os demais israelitas, que Samuel havia dito que era errado pedir um rei. Por fim, se os filisteus estão prestes a dominar o país, você gostaria de ser o rei que estaria no centro da oposição a eles?
A propósito, Saul não era tão jovem quando se tornou rei, pois já tinha um filho adulto, Jônatas, conforme 1 Samuel 13:2.
P: Em 1 Samuel 10:27-11:1, temos alguma outra evidência de que Naás, o amonita, desejava arrancar os olhos das pessoas?
R: Sim, Josefo menciona a prática de Naás em Antiguidades dos Judeus 6.5.1. O Manuscrito do Mar Morto 4Q51 (=4QSam(a)) também afirma que Naás já havia arrancado os olhos dos gaditas e dos rubenitas.
P: Em 1 Samuel 11:1-7, por que motivo Saúl teria uma preocupação especial com Jabes-Gileade?
R: É provável que parte da ascendência de Saul fosse originária daquela região. Em Juízes 19-21, quando os benjamitas foram sistematicamente dizimados na guerra civil contra os demais israelitas, restavam apenas 600 benjamitas. As outras tribos haviam proibido suas mulheres de se casarem com benjamitas, mas a cidade de Jabes-Gileade, que não havia enviado soldados para lutar contra os benjamitas, não o fez. Assim, eles capturaram 400 donzelas de Jabes-Gileade e as entregaram aos benjamitas como esposas. Portanto, é altamente provável que um ou mais dos ancestrais de Saul fossem de Jabes-Gileade.
Depois que Saul e Jônatas foram mortos, os homens de Jabes-Gileade vieram secretamente e levaram os corpos para resgatá-los.
P: Em 1 Samuel 11:5, por que os homens da cidade de Gibeá estavam chorando quando os mensageiros de Jabes-Gileade chegaram?
R: Pode ter sido uma combinação do destino iminente dos homens de Jabes-Gileade, da vergonha dos israelitas por serem impotentes diante dessa situação ou da preocupação de que o mesmo lhes acontecesse mais tarde. Mas não há qualquer indício de que tivessem a menor esperança de que o homem de sua cidade natal, Saul, fizesse ou pudesse fazer algo a respeito.
Eles certamente estavam errados!
P: Em 1 Samuel 11:8, os números do exército eram excessivos, e a divisão entre Judá e Israel era anacrônica, como afirma o *Guia de Asimov para a Bíblia*, p. 278?
R: Não. Na verdade, a população dos israelitas, desde a época do Êxodo até o tempo de Davi, permaneceu bastante constante, com algumas oscilações. Esse número é consideravelmente menor do que o recenseamento realizado após o Êxodo. No entanto, 1 Samuel 11:8 não afirma que Saul tenha conseguido reunir todos os homens aptos para o serviço militar.
Além disso, embora não fosse anacrônico, pois as tribos possuíam um grau razoável de independência umas das outras, lembre-se de que 1 e 2 Samuel foram escritos após a guerra civil entre Judá e as tribos do norte, na qual Davi lutou contra o filho de Saul.
Além disso, é bastante confuso que a palavra hebraica ‘elep signifique 1.000 em alguns trechos, “clã” em outros, e em outros ainda não tenhamos certeza de qual dos dois significados é o pretendido.
P: Em 1 Samuel 11:10, o povo de Jabes-Gileade enganou os amonitas?
R: Eles foram evasivos. Suas palavras, estritamente falando, estavam corretas. No entanto, eles induziram em erro quanto à sua intenção. Vamos examinar isso primeiro do ponto de vista dos amonitas, depois do ponto de vista dos gileaditas e, por fim, o que foi comunicado.
Os amonitas compreenderam o que os gileaditas estavam fazendo e chegaram até a concordar em conceder-lhes sete dias para pedir reforços, no versículo 3. Os amonitas estavam tão confiantes tanto em seu exército quanto na desorganização dos israelitas que concederam especificamente sete dias aos gileaditas. Ao fazer isso, os amonitas pensaram que os teriam como servos sem precisar lutar.
Os gileaditas disseram que “sairiam” no dia seguinte, na esperança de poderem confiar em Saul, mas sabendo que seus sete dias haviam chegado ao fim. Os amonitas queriam arrancar-lhes o olho direito, e os gileaditas, ironicamente, responderam que eles poderiam fazer “o que seus olhos achassem por bem fazer”.
Eles comunicaram que “sairiam”, e tanto o *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 3, p. 637, quanto o *735 Baffling Bible Questions Answered*, p. 104, afirmam que essa palavra hebraica tem um significado amplo, assim como “sair” em inglês. Ela pode significar tanto “atacar” quanto “render-se”.
P: Em 1 Samuel 11:12-15, Saúl agiu corretamente ao não executar aqueles que haviam falado contra ele em 1 Samuel 10:27?
R: Em retrospecto, parece ter sido uma escolha sensata poupá-los. Não se ouviu mais nada sobre eles, não houve mais conversas sobre se opor a Saul, e a disputa se acalmou. É preciso sabedoria para saber quando parar de lutar.
Por outro lado, mais tarde em sua vida, Saul pareceu muito vingativo contra Davi, e Jônatas, talvez lembrando-se dessa situação, repreendeu seu pai por isso em 1 Samuel 19:4-7.
P: Em 1 Samuel 12:3, o que isso nos diz sobre a vida de Samuel no final?
R: Samuel podia apresentar-se diante de todo o povo sem vergonha, devido à maneira como viveu e ao fato de não ter usado indevidamente sua posição nem se aproveitado dos outros. Samuel não era perfeito; veja-se, por exemplo, seus filhos corruptos, que ele desejava que o sucedessem. Mas Samuel podia olhar para trás, para sua vida, permitir que outros a examinassem e sentir-se sem vergonha. Esperamos poder fazer o mesmo.
P: Em 1 Samuel 12:3, como um suborno pode cegar os olhos de alguém?
R: Essa imagem é muito apropriada. Uma pessoa pode optar por não investigar, fingir ignorância ou simplesmente deixar de se importar em ser justa com os outros quando seu coração está corrompido por um suborno. Um coração mau pode fazer com que os olhos de alguém deixem de ver.
P: Em 1 Samuel 12:3-5, qual é a questão fundamental que Samuel deixou passar?
R: Samuel queria salientar explicitamente que era honesto e não se aproveitava de ninguém de forma corrupta. Samuel deu a entender que, assim como o povo podia confiar nele no passado, também poderia confiar nas previsões futuras de Deus por meio dele. Além disso, o exemplo de Samuel era aquele que os futuros líderes e reis deveriam seguir. Mas Samuel não percebeu o motivo pelo qual o povo pediu um rei. Eles estavam preocupados com os filhos corruptos de Samuel, e a honestidade de Samuel era apenas uma manobra de distração.
P: Em 1 Samuel 12:11, quem é Bedã?
R: Os manuscritos hebraicos mencionam Bedã, enquanto a Septuaginta e o siríaco mencionam Baráque.
X Bedan pode ter sido alguém que não foi registrado como juiz em nenhum outro lugar. (1 Crônicas 7:17 menciona um Bedan de Manassés.) No entanto, embora nada nas Escrituras impeça isso, essa interpretação é altamente improvável. Os manuscritos de 1 Samuel apresentam mais erros tipográficos do que a maioria dos livros do Antigo Testamento, e é provável que se trate de um erro tipográfico. Também seria um tanto estranho que Samuel lembrasse ao povo de um juiz obscuro de quem nunca tinham ouvido falar; portanto, é provável que o povo já tivesse ouvido falar dessa pessoa. Se a pessoa fosse famosa o suficiente para que todos se lembrassem dela, seria provável que tivesse sido mencionada na história do livro de Juízes.
Barak, em Juízes 4-5, era o juiz a que se referia aqui. O *Expositor’s Bible Dictionary*, vol. 3, e o *Believer’s Bible Commentary*, p. 304, defendem essa interpretação. Consulte o *The Bible Knowledge Commentary: Old Testament*, p. 443, para mais informações sobre as duas primeiras interpretações.
Abdon, em Juízes 12:13-15 e 1 Crônicas 9:26, é a pessoa a que se refere aqui. Um leitor atencioso enviou a seguinte observação: “Uma transformação comum, chamada de ‘Desvio Cananeu’, explicaria a mudança de Abdon para Bedã no texto. Consulte Merrill F. Unger, *The New Unger’s Bible Dictionary*, pp. 3 e 152.”
A observação de que Abdon era benjamita é significativa, uma vez que Samuel está estabelecendo aqui uma comparação entre o novo rei Saul e os juízes. Ao fazer isso, espera-se que Saul iguale ou supere as realizações dos juízes, mas, infelizmente, ele fracassa.” A Concordância de Strong também afirma que Bedan é provavelmente uma forma abreviada de Abdon.
P: Em 1 Samuel 12:13-15, o que Deus está dizendo aqui sobre a escolha de um rei por parte do povo?
R: Embora tenham agido errado ao pedir um rei naquele momento, e Israel venha a se arrepender disso mais tarde, o que estava feito, estava feito. Daqui para frente, se obedecerem a Deus, Ele ainda os abençoará e lhes dará bons reis.
P: Em 1 Samuel 12:17-19, por que o povo temeria a chuva durante a colheita do trigo?
R: Normalmente não chovia durante a época da colheita. Quando havia trovões e chuva, ficava difícil colher; parte do trigo caía, e o trigo molhado que não fosse secado imediatamente ficava mofado.
P: Em 1 Samuel 12:23, é pecado não orar por alguém?
R: Há dois pontos a serem considerados na resposta.
Sim, é pecado não orar por alguém por quem você deveria estar orando.
No entanto, houve alguns casos em que Deus instruiu especificamente Jeremias a não orar pelos israelitas desobedientes.
P: Em 1 Samuel 13:1, quando Saúl começou a reinar e por quanto tempo foi rei?
R: O texto hebraico diz: “Saul tinha … anos quando começou a reinar; e reinou … dois anos sobre Israel”. Na verdade, Saul reinou por 40 anos, de acordo tanto com Atos 13:21 quanto com Josefo, em Antiguidades dos Judeus, livro 6, 378 14:9. Mas os dois anos aqui referidos podem, na verdade, corresponder ao período em que Saul foi rei antes dos eventos descritos em 1 Samuel 13:1.
Podemos concordar que algumas letras foram omitidas aqui. Os livros de referência cristãos conservadores *Enciclopédia das Dificuldades da Bíblia*, pp. 171-172, e *Quando os Críticos Perguntam*, p. 159, afirmam o mesmo. A NASB 2020 e uma nota de rodapé da NIV indicam que “trinta” consta na tradução porque alguns manuscritos tardios da Septuaginta apresentam “trinta”. O texto massorético de que dispomos diz: “… Saul tinha … [um] ano de idade”. Em 1 Samuel 13:3, vê-se que Saul tinha um filho adulto, Jônatas, o que torna bastante improvável que Saul tivesse apenas um ano de idade! Na verdade, o filho e sucessor de Saul, Isbosete, tinha quarenta anos quando começou a reinar, e ele não é mencionado entre os filhos de Saul em 1 Samuel 14:49.
P: Em 1 Samuel 13:2, a expressão “em sua tenda” significa que os israelitas ainda eram nômades?
R: Isso nos dá uma indicação de que muitos dos israelitas eram nômades. Provavelmente, a maioria dos israelitas não morava em cidades muradas. Hoje, muitos nômades preferem uma tenda a uma casa. Uma tenda também é mais prática para se deslocar quando as ovelhas e o gado são transferidos entre a estação chuvosa e a estação seca.
Na época de Roboão, a maioria do povo já não era nômade e, quando o reino do norte deixou de servir a Roboão, 1 Reis 12:16 e seguintes dizem: “Assim, Israel partiu para suas tendas.”
P: Em 1 Samuel 13:5, como é que havia 30.000 carruagens e apenas 6.000 condutores de carruagens?
R: 30.000 é um número muito grande de carruagens. Trata-se de um erro de transcrição no hebraico. A Septuaginta grega menciona 3.000 carruagens. Os filisteus utilizavam carruagens com duas pessoas.
P: Em 1 Samuel 13:8-10, por que Samuel demorou além do tempo determinado, e o que isso significou para Saul?
R: Há alguns anos, Samuel disse a Saul para esperar sete dias, conforme 1 Samuel 10:8. Não sabemos por que Samuel decidiu se atrasar. Certamente não teria sido por esquecimento diante de uma batalha tão importante. Talvez Samuel estivesse doente ou tenha sido atrasado por circunstâncias imprevistas. Outra possibilidade é que Deus deliberadamente quis que Samuel se atrasasse para ver o que Saul faria. As consequências de um fracasso seriam graves, já que os filisteus em Micmás estavam a apenas cinco milhas de Gibeá, a capital.
Saul desejava desesperadamente o favor do Senhor antes de lutar e estava disposto a usar qualquer meio para obtê-lo. O fato de Saul querer realizar um sacrifício especial não era um pecado, já que Davi fez o mesmo em 2 Samuel 24:25 e Salomão em 1 Reis 8:62-64. Mas Davi e Salomão teriam realizado sacrifícios adequados, na presença do sumo sacerdote, ao contrário de Saul, que desobedeceu deliberadamente à ordem expressa de esperar por Samuel.
Este é um teste para verificar em que Saúl, em última instância, confiava: no que via ou no que acreditava. Se a vitória dependesse de Saúl, ele via que poderia lidar com a situação por conta própria. No entanto, se o povo continuasse a se retirar, a vitória estaria fora de seu alcance; portanto, o mais óbvio a se fazer era atacar antes que muitos soldados partissem. Por outro lado, Deus poderia fazer com que os israelitas derrotassem os filisteus mesmo com menos homens do que esses, combinando isso com relâmpagos, com Deus incutindo terror nos filisteus ou com um terremoto, como fez em 1 Samuel 14:15. Se a vitória dependesse de Saul, ele realmente precisaria realizar o sacrifício e atacar agora. Se a vitória dependesse de Deus, então Saul poderia simplesmente relaxar e obedecer. Em que Saul iria confiar?
P: Em 1 Samuel 13:13, o que Saúl perdeu aqui?
R: Isso não significa que Saul não devesse mais ser rei. Significa, sim, que o trono seria tirado de seus descendentes, neste caso, de seu filho Isbosete. Saul foi declarado não ser o rei legítimo após sua segunda infração: ter poupado o rei amalequita e o espólio, em 1 Samuel 15:22-23.
P: Em 1 Samuel 13:13, de que forma Saul foi rejeitado de sua dinastia, que reinaria para sempre, uma vez que o trono havia sido profetizado para Judá em Gênesis 49:10?
R: Embora Deus possa fazer promessas condicionais às pessoas, Ele nem mesmo fez uma promessa condicional a Saul neste caso. Deus informou a Saul o que ele havia perdido por causa de sua desobediência.
Observe que, quando Samuel disse que o reino de Saul teria perdurado “se” ele tivesse obedecido, Deus está compartilhando, por meio de Samuel, um “metaconhecimento” ou “conhecimento hipotético” neste contexto. Não se trata do que irá acontecer, mas do que teria acontecido se Saul tivesse agido de maneira diferente.
Gênesis 49:10 mostra que a desobediência de Saul não foi uma surpresa para Deus. Deus já havia planejado que Saul escolhesse livremente desobedecer, bem como a escolha posterior de Davi.
P: Em 1 Samuel 13:14, como Davi poderia ser um homem segundo o coração de Deus, uma vez que mais tarde cometeu alguns pecados muito graves?
R: O Manual para Resolver Dificuldades Bíblicas, de hoje, p. 54, responde bem a essa questão. “As mentiras, as guerras e os adultérios de Davi estão registrados com tanta precisão quanto sua piedade e seus triunfos. Ele era um homem segundo o coração de Deus, não porque nunca pecou, mas porque, tendo pecado, se arrependeu.” Davi seguiu a Deus fielmente, exceto na situação envolvendo Urias, o hitita, de acordo com 1 Reis 15:5.
P: Em 1 Samuel 13:21, um “pim” é traduzido como dois terços de um siclo?
R: Até este século, a palavra hebraica “pim” aqui não era conhecida em nenhum outro lugar. No entanto, o *New International Bible Dictionary*, p. 1063, afirma que escavações arqueológicas recentes revelaram pesos marcados como “pim”, que correspondem a 2/3 de um siclo. “Pim” era uma palavra cujo significado ninguém sabia por um período de 2.000 anos; ainda assim, as letras foram traduzidas com precisão.
P: Em 1 Samuel 13:22, por que os soldados israelitas não possuíam espadas nem lanças, uma vez que precisavam de armas para derrotar os amonitas, conforme mencionado em 1 Samuel 11:11?
R: Saul e Jônatas possuíam uma espada e uma lança em 1 Samuel 13:22, e Jônatas possuía até mesmo uma armadura em 1 Samuel 14:6. No entanto, a grande maioria dos soldados não possuía espada nem lança, especialmente espadas e lanças de ferro. Quando Saul partiu para atacar os filisteus em 1 Samuel 13:15, levou consigo apenas 600 homens. Os filisteus tinham uma política de desarmar os israelitas, conforme 1 Samuel 13:19. Mas um exército antigo poderia possuir muitas armas mesmo sem espadas ou lanças. As lâminas das espadas são feitas inteiramente de metal, e todas as lanças possuem pontas de metal. O ponto central de 1 Samuel 13:22 é que eles não possuíam esses tipos de armas de metal, pois os filisteus detinham o monopólio da fundição de ferro. Se os israelitas tivessem espadas ou lanças anteriormente, os filisteus as confiscariam para impedir que qualquer revolta israelita fosse eficaz. Os israelitas ainda teriam objetos de metal afiados para a agricultura, mas, na guerra, estariam em clara desvantagem.
No entanto, os israelitas não estavam indefesos e derrotaram os amonitas em 11:11. Eles ainda possuíam outras armas, tais como:
Machados (1 Samuel 13:20) (Os machados de batalha eram uma das armas preferidas dos francos e dos vikings). Esses eram necessários na agricultura, por isso os filisteus os permitiam.
Pontas de metal afiadas em implementos agrícolas, como foices, forquilhas e enxadas. (1 Samuel 13:20-21) (Na Idade Média, foices em massa foram armas eficazes contra cavaleiros com armaduras na Revolta Hussita.)
Facas e punhais (Juízes 3:16) (Espadas curtas, e não longas, eram a arma preferida dos soldados romanos posteriores para o combate corpo a corpo.)
Fondas (Juízes 20:13; 1 Samuel 17:50)
Aguilhões para bois com pontas de metal (Juízes 3:31; 1 Samuel 13:21) Os aguilhões para bois podiam ter de 7 a 10 pés de comprimento.
Possivelmente martelos (Juízes 4:21)
Provavelmente, vários bastões e varas de madeira afiadas.
Provavelmente, poucos israelitas, além de Jônatas, já usavam arcos e flechas.
Em resumo, os israelitas provavelmente dispunham de uma abundância de armas e ferramentas agrícolas, mas o que lhes faltava eram lanças, espadas e outras armas de ferro além dessas.
P: Em 1 Samuel 14:1, por que Jônatas decidiu atacar o posto avançado filisteu neste local?
R: Saul, seu pai, não estava fazendo nada. Jônatas estava iniciando o conflito e confiando em Deus para que Ele concedesse a vitória. Se fosse bem-sucedido, isso poderia encorajar os israelitas e desmoralizar os filisteus. Às vezes, ficamos paralisados pelo medo ou tentamos conquistar nossas próprias vitórias, quando deveríamos confiar em Deus para que Ele nos conceda a vitória.
O ataque de Jônatas foi secreto, e ele não pediu permissão a Saul, ao sacerdote Aías ou a qualquer outra pessoa para partir. Gideão lutou contra os midianitas com apenas alguns homens em Juízes 7:15; portanto, Deus não precisa de números.
P: Em 1 Samuel 14:1, 3, 18-20, em que situações um crente pode estar aguardando orientação quando já sabe o que fazer?
R: Em defesa de Saul, Samuel repreendeu-o por não ter esperado até o horário marcado para se encontrar com ele, e então Samuel partiu, conforme 1 Samuel 13:15. Portanto, Saul talvez estivesse especialmente disposto a ouvir o sumo sacerdote. Mas Saul não precisava esperar tanto tempo, e não era necessário que cada decisão recebesse a aprovação ou a reprovação de Deus por meio do sumo sacerdote.
Às vezes, um crente pode hesitar em cumprir a vontade de Deus — talvez por se tratar de algo que realmente não deseja fazer — porque está aguardando a vontade de Deus, mesmo já sabendo qual é essa vontade. Saul contava com apenas alguns homens naquele momento; por isso, relutava em entrar em batalha com tão poucos homens e, de um ponto de vista puramente humano, talvez estivesse certo. Não sabemos a maioria das coisas com certeza, mas podemos ter confiança no que devemos fazer. Mas e se não o fizermos perfeitamente? Na verdade, em retrospecto, provavelmente não fazemos muitas coisas perfeitamente; mas tudo bem, Deus pode usar o fato de estarmos presentes e servindo a Ele da melhor maneira que sabemos, apesar de isso ser imperfeito. E, às vezes, Deus pode até mesmo usar nossas imperfeições.
P: Em 1 Samuel 14:3, quem era Aías?
R: Era um neto do sacerdote Eli, que servia como sumo sacerdote. Esse pode ter sido outro nome para Ahimeleque. Como Eli faleceu aos 98 anos, e Fineias havia sido morto em batalha pouco tempo antes, Fineias poderia ter tido cerca de 65 anos, e Ahitube poderia ter tido cerca de 40 anos quando Samuel se tornou profeta. Abiatar, filho de Aimeleque, foi sumo sacerdote durante todo o reinado de Davi, que durou 40 anos, até que Salomão o destituiu.
P: Em 1 Samuel 14:11, por que os filisteus chamaram Jônatas e seu escudeiro?
R: Eles não sabiam o que pensar de apenas dois soldados. Será que eles realmente queriam lutar, ou seriam, por acaso, desertores que estavam se passando para o lado filisteu?
P: Em 1 Samuel 14:15, como é que houve um tremor tão forte?
R: Trata-se de uma região de wadis íngremes (semelhantes aos arroyos do México e do sudoeste americano). As encostas de terra fofa são íngremes, e ninguém gostaria de estar ali caso ocorresse um terremoto. Trata-se de um pequeno terremoto que ocorreu no momento exato. É claro que os filisteus também entrariam em pânico ao ver que apenas dois hebreus (embora bem armados) mataram vinte guerreiros filisteus. Em meio ao barulho, talvez eles tenham pensado que Jônatas e seu escudeiro fossem uma “isca” e que uma força israelita maior estivesse logo atrás deles. Um pequeno terremoto ocorrendo naquele momento tenderia a fazê-los tremer de medo ainda mais, suspeitando que forças sobrenaturais estivessem contra eles.
P: Em 1 Samuel 14:20-21, qual é um ponto importante sobre os filisteus neste contexto?
R: Um número bastante grande de soldados filisteus era, na verdade, composto por israelitas que lutavam a serviço dos filisteus. Quando Saul e Jônatas chegaram, esses israelitas se voltaram e passaram a apoiar Saul e Jônatas.
P: Em 1 Samuel 14:24-25, por que Saul ordenou aos soldados que não comessem antes de obterem a vitória?
R: Em primeiro lugar, nem Samuel nem Deus haviam dito a Saul para fazer isso. Aqui estão duas possíveis razões pelas quais Saul pode ter ordenado isso de forma imprudente, e talvez ambas sejam verdadeiras.
Primeiro, Saul queria mostrar a Deus o quanto ele e seu exército eram dedicados, para que Deus abençoasse o exército e lhes concedesse a vitória. Saul poderia ter pensado que isso o faria parecer bem aos olhos de Deus e aos olhos dos israelitas.
Em segundo lugar, talvez Saul quisesse estabelecer essa regra arbitrária e insensata para demonstrar que era um rei capaz de ditar as regras.
No entanto, quando Deus não respondeu a Saul sobre a perseguição aos filisteus, Saul percebeu que alguém havia desobedecido à sua ordem insensata, que Deus pretendia que fosse seguida, já que Saul havia feito o juramento. É claro que a solução mais simples está em Tiago 5:12, no Novo Testamento: simplesmente não faça juramentos.
Uma consequência de sua ordem insensata foi que a maioria dos filisteus conseguiu escapar. Esses mesmos filisteus poderiam retornar mais tarde e lutar no Monte Gilboa, onde Saul e Jônatas foram mortos. Ordens insensatas dadas a outros podem levar à perda de oportunidades, mas também podem resultar em mais dificuldades e perigos que você não teria enfrentado de outra forma.
P: Em 1 Samuel 14:24-25, por que as pessoas religiosas criam regras arbitrárias hoje em dia, e quais são algumas dessas regras?
R: Talvez as pessoas religiosas criem regras adicionais hoje por motivos semelhantes.
1) Elas querem mostrar a Deus, e especialmente às outras pessoas, o quanto são dedicadas ao fazer essas coisas.
2) Querem demonstrar o quanto são religiosamente poderosos ao serem capazes de inventar regras e fazê-las ser consideradas como a vontade de Deus.
É muito estranho como as pessoas tendem a buscar o favor de Deus criando regras que Ele não pediu nem ordenou, ou fazendo coisas que Deus não solicitou.
Há muitos exemplos ao longo da história. Os fariseus judeus criaram uma “barreira” de leis em torno da Torá para garantir que ninguém a infringisse acidentalmente. O catolicismo romano ensinou as pessoas a não comerem peixe às sextas-feiras. O Segundo Concílio de Nicéia (787 d.C.) determinou que uma igreja não poderia ser construída a menos que possuísse uma relíquia. A Igreja de Cristo afirmava que não se podia utilizar instrumentos musicais mecânicos na igreja. Muitos batistas conservadores afirmam que nunca se deve consumir álcool. Algumas dessas regras podem ser melhores do que outras, mas o ponto em comum é que algumas pessoas desejam que as regras humanas sejam equiparadas aos mandamentos de Deus.
P: Em 1 Samuel 14:37-38, por que Deus não respondeu aos sacerdotes nesse trecho?
R: Há pelo menos quatro pontos a serem observados aqui.
1. Saul foi precipitado ao pronunciar a maldição contra qualquer israelita que comesse naquele dia. Saul provavelmente fez isso para que ninguém parasse de perseguir os filisteus e começasse a saquear, mas seu decreto privou-os de forças naquele dia.
2. Deus não disse “não”, mas sim não respondeu, para ver até onde a imprudência deles os levaria.
3. Provavelmente foi melhor que eles não tenham perseguido os filisteus em seu estado de exaustão, depois de não terem comido.
4. Deus não lhes respondeu porque havia primeiro um assunto pendente entre eles e Deus. Alguns sabiam que Jônatas havia comido mel. Se isso não fosse resolvido, as pessoas levariam de ânimo leve as palavras dirigidas ao Senhor. Depois que o assunto veio à tona e o exército percebeu que não era justo que Jônatas morresse, então puderam seguir em frente.
P: Em 1 Samuel 14:29-30, Jônatas estaria sendo desrespeitoso ao afirmar que a ordem de seu pai, o rei, estava errada?
R: Por um lado, as palavras de Jônatas estavam corretas; Saul realmente cometeu um erro. Como comandante em batalha, era legítimo apontar possíveis erros ao seu superior.
No entanto, por outro lado, em vez de Jonatão dizer a Saul em particular que ele havia cometido um erro, Jonatão apontou o erro de Saul publicamente. Mesmo que Jonatão tenha sido desrespeitoso com seu pai e rei, não há nenhuma sugestão de que devamos seguir o exemplo de Jonatão. O cético *Guia de Asimov para a Bíblia*, p. 281, percebe aqui uma certa frieza entre o rei e o herdeiro aparente, o que não é incomum em monarquias. Se você ler 1 Samuel 14:44, onde Saul promete que matará Jônatas naquele dia, talvez Asimov esteja correto nesse ponto.
P: Em 1 Samuel 14:31, por que o povo comeu a carne com sangue?
R: O decreto de Saul expirou ao pôr do sol, portanto, eles estavam autorizados a comer. No entanto, isso era proibido em Levítico 17:10-14, 19:26 e Deuteronômio 12:16, 23-25, Ezequiel 33:25; Atos 15:20, e eles sabiam que não deveriam fazê-lo. No entanto, estavam com muita fome e talvez tenham concluído que lutar por Deus era mais importante do que a obediência. Afinal, Saul aparentemente pensou da mesma forma em 1 Samuel 13:8-14.
P: Em 1 Samuel 14:34-35, por que Saulo ergueu um altar ali?
R: Não se tratava apenas de um memorial, nem de um altar de sacrifício permanente no lugar de Gilgal. Tratava-se, antes, de um local onde pudessem abater os animais de maneira adequada. Saulo percebeu que o que o povo havia feito estava errado e desejava que eles não desobedecessem a Deus, embora ele próprio já tivesse feito o mesmo.
P: Em 1 Samuel 14:32-34, 43, por que nem todos os soldados israelitas foram executados, já que comeram carne com sangue?
R: Cinco pontos a serem considerados na resposta.
1. Não era necessário drenar minuciosamente cada gota, mas Levítico 17:13 indica que tudo o que precisavam fazer era simplesmente drenar o sangue no campo antes de comer.
2. No entanto, 1 Samuel 14:32-34 indica claramente que, a princípio, os soldados israelitas famintos nem mesmo fizeram isso como deveriam.
3. Samuel não aprovou suas ações. Seja por ignorância, pela pressa em comer ou por ambos os motivos, Samuel insistiu para que obedecessem à lei de Deus.
4. Saul queria condenar à morte qualquer um, até mesmo seu próprio filho Jônatas, por violar a regra que ele mesmo havia estabelecido naquele dia. No entanto, era incoerente que Saul nem sequer pensasse em punir os soldados por violarem a regra de Deus estabelecida alguns séculos antes.
5. Nos três mil anos desde que isso foi escrito, algo realmente mudou? Ainda hoje, muitos líderes de grupos religiosos estão mais preocupados com as pessoas que infringem suas próprias regras — que não têm fundamento na Bíblia — do que com a violação das regras de Deus.
P: Em 1 Samuel 14:32-34, 43, que outras lições podemos aprender para os dias de hoje?
R: Há pelo menos duas lições que podemos aprender.
1. Pode haver circunstâncias atenuantes que amenizem ou eliminem uma punição temporal pela violação de uma lei de Deus ou da lei do país. Romanos 4:15 e 5:12 também demonstram isso.
2. Se um líder religioso se preocupa mais com a obediência do povo de Deus à sua nova lei do que com os mandamentos de Deus para nós, há algo de errado. A ênfase desse líder não deve ser seguida.
P: Em 1 Samuel 14:39, por que Saú fez um segundo juramento imprudente após o primeiro?
R: Aparentemente, Saul achava que fazer juramentos precipitados, como Jefté e Gideão fizeram, era a maneira de mostrar quão forte se era e quão apto se estava para liderar. Saul valorizava mais mostrar-se forte e cumprir juramentos do que a própria vida de seu filho. Trata-se do mesmo Saul que havia poupado os homens que se opuseram à sua reinado em 1 Samuel 11:12-13.
Saul parecia um bom rei, por ser mais alto do que os demais. Mas juramentos como esse revelaram o quão insensato ele era. Saul foi eficaz na luta contra os filisteus e outros povos, porém, e se era isso que os israelitas queriam, foi exatamente o que receberam.
P: Em 1 Samuel 14:47,52, por que Saul lutou contra todos esses povos?
R: Saul lutou contra eles porque invadiram a terra prometida e para tornar a terra o mais segura possível para os israelitas. No entanto, os filisteus eram um caso à parte. Saul não travou apenas uma breve campanha contra os filisteus; ele teve que lutar contra eles durante toda a sua vida, e ele e Jônatas acabaram perdendo a vida lutando contra os filisteus.
P: Em 1 Samuel 14:49-52, o filho de Saul, Ishvi, é o mesmo que seu filho Ish-Bosete/Ishbaal em 1 Crônicas 8:33?
R: Provavelmente não, de acordo com o livro *The Bible Knowledge Commentary: Old Testament*, p. 446. Isbosete era o filho mais novo, nascido após 1 Samuel 14:49-62. A propósito, “Baal” pode significar simplesmente “Senhor”, mas também é o nome de um deus cananeu/filisteu/ugarítico. Às vezes, os israelitas substituíam “Baal” por “Bosheth”. Bosheth significa “vergonha”.
P: Em 1 Samuel 15:1-5, por que Deus ordenou a Saul que destruísse todos os amalequitas?
R: Podemos identificar três razões pelas quais Deus deu essa ordem a Saul.
1. Os israelitas receberam de Deus a ordem específica de destruir os amalequitas em Deuteronômio 25:17-19; ~Êxodo 17:14-16; ~Números 24:20.
2. Havia uma hostilidade antiga e contínua entre eles e os israelitas. Os amalequitas haviam emboscado a retaguarda dos israelitas, que avançava mais lentamente.
3. Antes de chegarem a Canaã, os amalequitas atacaram os israelitas sem provocação e emboscaram vários grupos deles.
É curioso que Saul tenha dado a impressão de estar disposto a matar seu próprio filho por causa do juramento que fez em 1 Samuel 14:44, mas não estivesse disposto a matar todos os amalequitas.
P: Em 1 Samuel 15:2, o que sabemos sobre os amalequitas?
R: Vamos examinar o passado deles, sua história após Saul e, especificamente, seu rei.
Seu passado: Os amalequitas são mencionados pela primeira vez em Gênesis 14:7, quando os reis da Mesopotâmia invadiram suas terras. Esses antecederam Amaleque, neto de Esaú, em Gênesis 36:12. Enquanto os beduínos quenitas eram amigáveis com Moisés e os israelitas, os beduínos amalequitas atacaram os israelitas na época de Moisés, em Êxodo 17:8-14. Em Êxodo 17:16, Moisés afirmou que o Senhor nunca deixaria de guerrear contra os amalequitas. Os filisteus, até a época de Davi, aparentemente também guerrearam contra os amalequitas, conforme 1 Samuel 27:8. É provável que a principal cidade amalequita tenha sido a atual Tel Masos, a cerca de sete milhas a leste-sudeste de Berseba. Foi encontrada uma camada de destruição compatível com o ataque israelita.
Sua história: Como os amalequitas eram principalmente nômades, com poucas cidades, e seu número diminuiu após a batalha de Saul contra eles, não ouvimos falar muito mais sobre os amalequitas, exceto que Saul não os destruiu totalmente; aparentemente, outros sobreviveram em outros lugares. Os amalequitas saquearam a cidade de Ziclague, e Davi os perseguiu, conforme 1 Samuel 30:1-17. Seu território no Negev foi posteriormente tomado pelos edomitas. A última menção aos amalequitas encontra-se em 1 Crônicas 4:43, na época de Ezequias.
Seu rei: Não sabíamos se Agag era o nome do rei ou se era o título dado ao rei, assim como “Faraó” é o título do rei do Egito. Em Ester 3:1,10; 8:3,5; 9:24, Hamã era um agagita. Não sabemos onde ficava a cidade de Agag. Talvez não fosse uma cidade, mas sim que Hamã descendesse dos reis amalequitas. Josefo afirma que Hamã era um amalequita em “Antiguidades dos Judeus”, livro 11, 211.
P: Em 1 Samuel 15:11,35, por que Deus se arrependeu de ter feito de Saul rei?
R: A palavra também pode ser traduzida como “entristeceu-se”. Deus expressa Suas emoções à medida que os eventos ocorrem. Jeremias 15:8 aborda isso em detalhes. Veja também a discussão sobre Gênesis 20:3,6.
P: Em 1 Samuel 15:11, por que Samuel “ficou entristecido a noite toda”?
R: Não era que eles nunca devessem ter um rei, mas que não deveriam ter insistido em ter um rei, naquele momento, como as outras nações, em vez de confiar em Deus. Por fim, quando receberam um rei, receberam um rei que levava a obediência a Deus de forma leviana e obedecia sem convicção. Samuel se entristeceu por causa de um líder designado por Deus que decaiu espiritualmente ao confiar em sua própria força e em seus próprios conselhos, em vez de confiar em Deus. Samuel provavelmente também se questionou sobre a condição espiritual do povo ao ver o líder daquela maneira.
P: Em 1 Samuel 15:19, por que Deus e Samuel ficaram irados com o fato de Saul ter retido o saque?
R: Como eles se beneficiariam do saque, outros poderiam alegar que a obediência a Deus era apenas uma fachada, afirmando que a guerra era, na verdade, pelo saque. Saul pensou que derrotá-los e ficar com alguns animais para sacrificar a Deus seria, de alguma forma, mais agradável a Deus do que obedecer a Ele.
Observe que Saul disse a Samuel que havia cumprido as instruções do Senhor, quando, na verdade, não as havia cumprido. Saul chegou até a erguer um monumento em sua própria homenagem, celebrando o que havia feito, em 1 Samuel 15:12b. (Nota pessoal: quando você obedecer a Deus apenas parcialmente, não erga um monumento em sua própria homenagem.) O monumento ficava em Carmelo, em Judá, a sete milhas ao sul de Hebrom, e não no Monte Carmelo, no Líbano.
P: Em 1 Samuel 15:22, por que a obediência é melhor do que o sacrifício?
R: O sacrifício de um crente obediente é precioso para Deus. Ele demonstra a submissão da pessoa ao Senhor. No entanto, sacrifícios feitos a partir de um coração que não está disposto a se submeter a Deus não podem realmente demonstrar submissão genuína a Deus. Servir a Deus não é melhor do que obedecer a Deus. Os amalequitas não temiam a Deus, mas, aparentemente, Saul também não. Não se confunda: a obediência seletiva não é obediência, mas desobediência.
De maneira semelhante, Paulo nos adverte com seriedade em 1 Coríntios 13:3 que, se distribuirmos tudo o que temos e formos queimados até a morte pela fé cristã, mas não tivermos amor, nosso sacrifício não terá nenhum benefício. Na verdade, o sacrifício de Saul consistia basicamente em tentar legitimar sua obediência parcial.
Como observação adicional, cerca de mil anos antes, a Instrução Egípcia para Meri-ka-Re dizia: “Mais aceitável é o caráter de alguém de coração reto do que o boi do malfeitor.” (ANET p. 417)
P: Em 1 Samuel 15:23, em que sentido a arrogância se assemelha ao mal da idolatria?
R: A arrogância consiste em atribuir a si mesmo ou a outros um lugar que pertence a outra pessoa. A idolatria é o ápice da arrogância. Uma pessoa atribui, a si mesma ou ao seu ídolo, um lugar que pertence a Deus, que a criou. Não devemos adorar nada nem ninguém, exceto a Deus. Além disso, tanto a idolatria quanto a arrogância levam ao autoengano.
A obediência parcial de Saul, ou a reinterpretação da ordem de Deus, mostra que Saul se considerava, em primeiro lugar, não um servo de Deus, mas sim um governante absoluto.
P: Em 1 Samuel 15:24-26, por que Saul pediu perdão e por que Deus, por meio de Samuel, não o concedeu?
R: Samuel estava ao mesmo tempo entristecido pelo fato de Deus rejeitar Saul e irado com a atitude de Saul. Samuel chorou a noite inteira, conforme 1 Samuel 15:11b. Em 1 Samuel 15:21, Saul atribuiu a culpa ao povo, e não a si mesmo. É como se Saul tivesse autoridade para convocar o povo às armas, onde eles possivelmente morreriam, mas não pudesse dizer-lhes para obedecerem a Deus nessa ocasião. É claro que Samuel e Deus perceberam isso, e então Saul ficou genuinamente arrependido; isto é, genuinamente arrependido por não ser mais o rei legítimo. Mas não há evidência de que Saul tenha aprendido a deixar de confiar em seu próprio julgamento em detrimento do de Deus. Deus havia “desistido” de Saul e iria escolher outra pessoa. Assim, Samuel estava prestes a partir abruptamente, pois já havia cumprido sua missão ali.
P: Em 1 Samuel 15:26, depois que Samuel disse a Saul que Deus o havia rejeitado como rei, Saul deveria ter renunciado ao trono?
R: Aparentemente, Samuel não esperava que Saul renunciasse imediatamente. Quando Saul pediu a Samuel que permanecesse para respeitá-lo como rei diante do povo, em 1 Samuel 15:30-31, Samuel concordou em fazê-lo. Mas, depois disso, Samuel nunca mais viu Saul. Observe que, durante todo o reinado de Saul após sua guerra contra os amalequitas, ele foi um rei que sabia estar em uma posição na qual não deveria estar.
Quando Davi foi ungido como rei, não se pediu a Saul que renunciasse, talvez porque fosse certo que ele não seria obediente e não o faria. Um ponto importante é que Davi, de qualquer forma, honrava Saul.
P: Em 1 Samuel 15:27-30, qual foi o significado de rasgar a túnica de Samuel?
R: Quando Saul implorava desesperadamente a Samuel por perdão, ele acidentalmente rasgou a túnica de Samuel, e Samuel sabia que se tratava de um acidente. Mas, às vezes, um acidente pode ser um prenúncio profético de um evento futuro. Samuel disse que, assim como Saul rasgou parte de sua túnica, Deus rasgaria o reino de Saul.
De certa forma, Deus poderia considerar tanto Saul quanto Davi homens segundo o seu próprio coração. Davi era um homem segundo o coração de Deus, e Saul era um homem segundo o próprio coração de Saul.
P: Em 1 Samuel 15:29 e Números 23:19, uma vez que Deus não se “arrepende”, por que Deus se arrependeu em 1 Samuel 15:11,35?
R: Gênesis 6:6 e Gênesis 20:3-6 mostram algo semelhante. Deus se entristeceu por ter feito de Saul rei, e as emoções de Deus são expressas quando os eventos ocorrem. Em segundo lugar, as intenções e ações de Deus em relação a alguém podem mudar quando essa pessoa muda. Em Gênesis 20:3-6, foi dito a Abimeleque que ele era um homem condenado à morte por causa de seu pecado não intencional. Mas quando Abimeleque tomou conhecimento disso, se arrependeu e devolveu Sara a Abraão, Deus, afinal, não matou Abimeleque.
P: Em 1 Samuel 15:29 e Números 23:19, por que esses versículos são importantes ao conversar com mórmons?
R: Eles são importantes por duas razões. Primeiro, ambos os versículos afirmam que Deus não é um homem, ao contrário do que ensina o mormonismo. No entanto, alguns mórmons afirmam que Deus não é um homem mortal atualmente, mas que já foi um homem mortal e agora é um homem glorificado. Contudo, Números 23:19 afirma que Deus também não é um “filho do homem”.
Em segundo lugar, Deus não altera Seus decretos. Se, segundo o ensino mórmon, os negros claramente não podiam ir para o céu mais elevado e se tornar deuses desde a época de Joseph Smith em diante, então por que o deus mórmon mudou de ideia em 1978 e afirmou que eles também poderiam se tornar deuses?
P: Em 1 Samuel 15:35, como é que Saul não voltou a ver o rosto de Samuel, uma vez que Saul profetizou na presença de Samuel em 1 Samuel 19:24?
R: 1 Samuel 15:35 pode ser interpretado de duas maneiras:
a) Saul literalmente não veria mais o rosto de Samuel, ou
b) uma expressão indicando que Samuel nunca mais voltaria a visitar Saul como havia feito anteriormente, até a sua morte.
Supondo que se trate da primeira interpretação, em 1 Samuel 19:24, enquanto Saul estava a caminho para perseguir e matar Davi, Deus fez com que Saul perdesse o controle e profetizasse. O fato de ele ter perdido o controle é evidenciado não apenas por ter tirado suas vestes, mas por ter permanecido deitado daquela maneira na estrada, à vista de Davi e Samuel em Ramá, durante todo aquele dia e toda aquela noite. Saul estava definitivamente fora de si. 1 Samuel 19:24 não diz nem que Saul, deitado imóvel daquela maneira, tenha visto Samuel, nem que Samuel tenha se aproximado o suficiente para que Saul visse o rosto de Samuel, mesmo que estivesse consciente do que se passava ao seu redor.
Supondo que se refira à segunda possibilidade, Samuel nunca mais foi ver Saul. Mas, se isso for verdade, o que dizer então do incidente com a bruxa de Endor em 1 Samuel 28:10-11? Pode não ter sido Samuel, mas um demônio se passando por ele. No entanto, mesmo que fosse Samuel, 1 Samuel 15:35 diz apenas que Saul não veria o rosto de Samuel novamente “até o dia em que Samuel morresse”.
P: Em 1 Samuel 16:1-23, o que há de interessante na estrutura deste capítulo?
R: Este capítulo é um “ponto de inflexão” de Samuel e Saul, o rei do povo, para Davi, que era o rei de Deus. Este capítulo também se divide claramente em duas metades, e as duas metades contrastam entre si, tendo os versículos 13-14 como ponto de inflexão.
1 Samuel 16:1 começa com Samuel trazendo um corno com óleo e, após Davi ter sido trazido, 1 Samuel 16:13 termina com Samuel ungindo-o com o corno de óleo. Esse recurso literário é chamado de inclusão.
1 Samuel 16:14 começa com o Espírito de Deus se afastando de Saul e um espírito maligno se aproximando, e 1 Samuel 16:23 termina com o espírito maligno se afastando temporariamente de Saul quando Davi tocava.
O que une as duas metades é Samuel mandar buscar Davi em 16:12 e Saul mandar buscar Davi em 16:19. Além disso, Samuel se afasta de Davi e sai da narrativa (exceto em 1 Samuel 25:1a) em 16:13; o Espírito se afasta de Saul, e as vitórias de Saul saem da narrativa em 16:14.
A título de observação, para proporcionar alívio a alguém com uma doença mental, eu gostaria de ter uma harpa que pudesse tocar assim!
P: Em 1 Samuel 16:1-3, por que Deus ordenou a Samuel que induzisse as pessoas ao erro?
R: O sigilo não é engano; ocultar algo e mentir não são a mesma coisa. Toda vez que o senhor sai de casa e deixa as luzes acesas, pode estar enganando possíveis ladrões, mas não está pecando por mentir. Mentir é dizer conscientemente algo que não é verdade. Samuel nunca mentiu, e Deus nunca ordenou que Samuel mentisse.
Deus instruiu Samuel a não contar toda a verdade. Isso é aceitável. Quando alguém cometeria um mal, como matá-lo, caso o senhor contasse tudo o que sabe, então não conte tudo o que sabe. Samuel recebeu instruções para fazer duas coisas:
1) oferecer um sacrifício em Belém
2) ungir um novo rei
Samuel disse aos outros que iria fazer a primeira coisa, mas não revelou às pessoas que também iria fazer a segunda. Em situações semelhantes hoje em dia, os crentes podem agir da mesma forma.
P: Em 1 Samuel 16:4, por que os anciãos de Belém perguntaram a Samuel se ele vinha em paz?
R: Samuel foi o hebreu mais responsável pela vitória sobre os filisteus em Gibeá, em 1 Samuel 7:9-13. Deus ajudou sobrenaturalmente os israelitas enquanto Samuel oferecia um sacrifício. Como Samuel estava indo a Belém para oferecer um sacrifício, os anciãos talvez estivessem apreensivos quanto ao que iria acontecer desta vez. Seria uma batalha contra os filisteus, uma revolta contra Saul ou algo mais?
Em vez de ficarem com medo, eles deveriam ter ficado felizes com a vinda de um profeta de Deus. Da mesma forma, quando Deus disse a Samuel para ungir Davi, Samuel deveria ter se alegrado com a provisão de Deus, em vez de seu primeiro pensamento ser o medo de Saul.
A título de observação, a palavra hebraica para “falar” aqui está no singular, o que sugere que um ancião falou em nome dos demais.
P: Antes de 1 Samuel 16:4 e da época de Saul, a tribo de Judá é tão ignorada na Bíblia a ponto de haver forte suspeita de que não fosse considerada parte de Israel até aquele momento, como afirma o cético *Guia de Asimov para a Bíblia*, p. 284?
R: Não, eis os fatos: nos capítulos 1 a 18 do livro de Juízes, eis o número de vezes que cada tribo é mencionada:
Judá (16 vezes) Juízes 1:2, 3, 4, 8, 9, 16, 17, 18, 19; 10:9; 15:9, 11; 17:7 (2x), 9, 12
Simeão (2 vezes) Juízes 1:3, 17
Efraim (24 vezes) Juízes 1:29; 2:9; 3:27; 4:5; 5:14; 7:24 (2x) 8:1,2; 10:1,9; 12:1; 12:4 (3x), 12:5 (3x), 12:6,15; 17:1,8; 18:2,12
José (2 vezes) Juízes 1:22,35
Manassés (5 vezes) Juízes 1:27; 6:15,35; 7:23; 12:4
Benjamim (4 vezes) Juízes 1:21; 3:15; 5:14; 10:9
Aser (4 vezes) Juízes 1:31; 5:17; 6:35; 7:23
Zebulom (7 vezes) Juízes 1:30; 4:7,10; 5:14,18; 6:35; 12:11
Issacar (2 vezes) Juízes 5:15 (2x)
Dã (10 vezes) Juízes 1:34; 5:17; 13:2,25; 18:1,2,11,12,16,22
Levita (5 vezes) Juízes 17:9, 11, 12; 18:3, 15
Naftali (8 vezes) Juízes 1:33 (2x); 4:6,7,10; 5:18; 6:35; 7:23
Gileade (2 vezes) Juízes 10:3,17
Maquir (1 vez) Juízes 5:14
Rúben (2 vezes) Juízes 5:15,16
O restante do livro de Juízes trata principalmente de Benjamim, mas eis os números relativos a ele.
Benjamim (42 vezes) 19:14,16; 20:3,4,10,12,13,15,17,18,20,21,23,24,25,28,30,31,32,34,35 (2x), 36 (2x), 39, 40, 41, 43, 44, 45, 46, 48; 21:1, 6, 14, 15, 16, 17, 18, 20, 21, 23
Judá (5 vezes) 19:1, 2, 19 (2x); 20:18
Efraim (2 vezes) 19:1,16
Levitas (2 vezes) 19:1; 20:4
Dã (1 vez) 20:1
Gileade (1 vez) 20:1
Conclusão: Analisando os números, é muito difícil entender por que Asimov considerou que Judá foi tão ignorado a ponto de não ser considerado parte de Israel até a época de Saul. Ele foi mencionado mais vezes do que qualquer outra tribo, com exceção de Efraim.
P: Em 1 Samuel 16:4-13, Samuel ainda não havia aprendido com Saul que a aparência exterior não é o que importa. De que maneiras as pessoas hoje julgam com base na aparência exterior, em vez do caráter interior?
R: A aparência externa pode referir-se à aparência física ou também às ações que as pessoas realizaram, mesmo que por coincidência ou por sorte em situações sobre as quais não tinham controle. Um estudo sobre as eleições presidenciais dos Estados Unidos mostra que o candidato mais alto venceu na maioria das vezes. Em algumas empresas, é possível notar que os executivos compartilham um conjunto de características. Por exemplo, a maioria deles pode ser de um mesmo país, de uma determinada raça, em sua maioria homens ou mulheres, ou pertencer a um certo grupo. Por exemplo, em um determinado local, aparentemente era necessário ser um homem branco e alto. Isso pode não ser racismo, sexismo, discriminação por idade ou outro tipo de discriminação consciente, mas sim discriminação inconsciente. Às vezes, os chefes querem pessoas que tomem decisões da mesma forma que eles, e por isso promovem pessoas que se parecem com eles.
Na verdade, porém, essas características externas não dizem quase nada sobre a mente e o coração de uma pessoa: sua inteligência, experiência, caráter ou como ela trata os outros.
P: Em 1 Samuel 16:9-10, quais eram os nomes dos irmãos e irmãs de Davi?
R: Seus nomes são mencionados em 1 Crônicas 2:13-17.
P: Em 1 Samuel 16:10, Jessé tinha oito filhos, sendo Davi o mais novo, ou Davi era o sétimo filho de Jessé, como diz 1 Crônicas 2:13-15?
R: Os irmãos e irmãs de Davi são mencionados em 1 Crônicas 2:13-17. Há três respostas diferentes.
Sete: 1 Samuel apresenta mais erros de copista do que a maioria dos outros livros do Antigo Testamento, e isso poderia ser um erro de copista em 1 Samuel.
Oito: Isso pode ser um erro de copista em 1 Crônicas. A versão siríaca de 1 Crônicas 27:18 lista tanto Eliabe quanto Eliú como filhos, o que totaliza oito filhos. A versão hebraica de 1 Crônicas lista Eliú, mas não Eliabe, e a Septuaginta lista Eliabe, mas não Eliú. O livro *Hard Sayings of the Bible*, p. 239, prefere essa resposta.
Oito nasceram, mas apenas sete sobreviveram para ter filhos: Talvez oito filhos tenham nascido, mas um morreu sem deixar descendentes, por isso não está incluído na genealogia em 1 Crônicas 2:13-15
Morte na infância: nos tempos antigos, as crianças frequentemente morriam antes de atingirem a idade adulta. Assim, Jessé teve oito filhos, mas apenas sete filhos adultos. O livro *When Critics Ask*, p. 163, destaca que, muitas vezes, as pessoas da época se referiam apenas aos filhos que haviam sobrevivido.
P: Em 1 Samuel 16:14, 23 e 1 Samuel 18:10, como um espírito maligno enviado por Deus se apoderou de Saul?
R: Em hebraico, “mal” tem dois significados: 1) mal moral e 2) algo que é prejudicial ou nocivo. O segundo significado é o pretendido aqui. Esse espírito maligno que atormentava Saul foi tanto expressamente permitido por Deus quanto dirigido por Ele. Um efeito colateral disso é que, nos quinze anos em que Davi esteve na corte de Saul, ele se familiarizou com os costumes da corte e com as decisões que um rei precisa tomar.
Deus já utilizou seres do reino de Satanás para cumprir a Sua vontade? Sim. Em 1 Coríntios 5:5, Paulo afirmou que um membro da igreja que cometia imoralidade sexual foi “entregue a Satanás para a destruição do seu corpo, a fim de que o seu espírito seja salvo no dia do Senhor” (NASB 2010). Veja também Atos 5:1-3; 1 Timóteo 1:18-20. Deus enviou um espírito maligno para cumprir a Sua vontade em Juízes 9:23 (Abimeleque, filho de Gideão, e o povo de Siquém); e 1 Reis 22:19-23 (um espírito profético enganador para conduzir Acabe à morte). O plano de Deus inclui espíritos malignos para se oporem a nós a fim de nos fortalecer em Jó 1:1-2:6; Mateus 4:1 (as tentações de Jesus); Lucas 22:31,32 (Pedro peneirado como trigo); e 2 Coríntios 12:7-10 (espinho na carne).
Os muçulmanos não devem se surpreender com o fato de que o termo “mal” pode significar dano, e não apenas o mal moral. O termo é usado dessa forma em seus próprios escritos, no Hadith de Bukhari, volume 3, livro 29, cap. 7, n.º 56, p. 35.
P: Em 1 Samuel 16:16,23, há outros exemplos de pessoas tocando instrumentos musicais para profetizar ou para receber o Espírito de Deus?
R: Sim. Quando Eliseu buscava uma revelação, ele pediu que tocassem uma harpa em 2 Reis 3:15. Asafe, Hemã e Jedutom profetizaram com instrumentos musicais em 1 Crônicas 25:1.
P: Em 1 Samuel 16:20, por que Jessé enviou uma carga de pão, um jumento e um cabrito ao rei Saul quando Davi entrou ao serviço de Saul?
R: Observe que este versículo diz que esses itens eram especificamente para Saul. Saul já era um rei rico, portanto não precisava desses presentes humildes. Mas, como sinal de respeito e gratidão por ter acolhido Davi, Jessé ofereceu a Saul o presente modesto que podia. Ainda hoje, na cultura chinesa, é um gesto de cortesia levar um pequeno presente na primeira vez que se visita a casa de alguém. O presente não tem como objetivo enriquecer o anfitrião, mas sim demonstrar que você se lembrou de prestar respeito à pessoa e ao seu lar.
Na Bíblia, Provérbios 18:16 diz: “O presente de uma pessoa abre caminho para ela e a leva à presença de pessoas importantes.” (NASB 2020).
P: Em 1 Samuel 16:21-23, Davi tornou-se escudeiro de Saul antes de lutar contra Golias, ou depois, em 1 Samuel 17:4?
R: Não há motivo para que Davi não pudesse ter sido o escudeiro antes de lutar contra Golias. Como não há nada que indique que 1 Samuel 17 tenha ocorrido depois de Davi ter se tornado escudeiro, e não há exigência de que um relato verídico siga uma ordem cronológica estrita quando não afirma ser assim, Davi poderia ter sido escudeiro tanto antes quanto depois disso. No entanto, Davi provavelmente foi ungido por Samuel antes de entrar ao serviço de Saul como músico e escudeiro. A propósito, a palavra hebraica para “servo”, ‘ebed, era usada nessa época também para se referir a um oficial da corte real.
P: Em 1 Samuel 16:21, o que foi que fez com que o amor, o respeito e a admiração de Saul por Davi se transformassem em ódio? Isso acontece com algumas pessoas hoje em dia?
R: Inicialmente, Saul não via nenhuma ameaça em Davi. Mas, à medida que Davi se tornava mais bem-sucedido — e dizia-se que Davi havia matado “dezenas de milhares”, enquanto Saul apenas “milhares” —, a inveja tomou conta de seu pensamento. Para alguns exemplos posteriores, se tiver tempo, talvez queira ler sobre os generais bizantinos Belisário e Estilicão.
P: Em 1 Samuel 17:4, qual era a altura de Golias?
R: O texto massorético indica seis côvados e um palmo, ou aproximadamente 9 pés e 9 polegadas. O cético *Guia de Asimov para a Bíblia*, p. 287, também afirma que essa altura é pouco mais de nove pés. No entanto, tanto os Manuscritos do Mar Morto (1QSAm(a)) quanto a Septuaginta indicam quatro côvados e um palmo, o que equivaleria a aproximadamente 6 pés e 9 polegadas — o que ainda é uma altura considerável. Josefo, em *Antiguidades dos Judeus*, livro 6, 171 (9.1), menciona cinco côvados e um palmo.
O liberal *Harper’s Bible Dictionary* (1961, p. 231) menciona que “esqueletos recuperados comprovam que homens tão altos quanto Golias viveram na Palestina”. O conservador *Wycliffe Bible Dictionary* (p. 709) também afirma: “Esqueletos recuperados com a mesma altura em escavações arqueológicas em Gezer e outros sítios confirmam a estatura excepcionalmente alta de indivíduos na Palestina antiga, aproximadamente no mesmo período”. (ver também ibid., p. 676) Além disso, de acordo com o Comentário de Keil-Delitzsch sobre o Antigo Testamento, vol. 7, parte 1, pp. 310-311, os refaítas (gigantes) também são mencionados em inscrições fenícias.
Em 2008, o time de basquete da Universidade da Carolina do Norte em Asheville contava com um jogador chamado Kenny George, que media 7 pés e 8 polegadas de altura e pesava 360 libras. O homem mais alto do mundo atualmente é Bao Xishun, da China, e, segundo a Wikipédia, ele mede 7 pés e 9 polegadas. Algumas pessoas atingem uma estatura muito elevada quando apresentam uma doença genética que faz com que a glândula pituitária produza uma quantidade excessiva de hormônio do crescimento humano (HGH). Outras pessoas altas que viveram em épocas mais recentes incluem James Toller (1798-1818), com 8 pés e 1,5 polegadas; Robert Wadlow, de Illinois (1918-1940), com 8 pés e 11,1 polegadas; e Édouard Beaupré (1881-1894), com 8 pés e 3 polegadas, que era muito forte além de muito alto.
Independentemente de ele ter o tamanho de um jogador profissional de basquete ou até mesmo ser mais alto, ele seria ameaçador para um adolescente.
lista 30 pessoas com pelo menos 8 pés de altura.
Como observação adicional, as pessoas de hoje são significativamente mais altas do que as da antiguidade, e os cientistas não sabem ao certo o motivo. Uma visão equivocada era a de que, como os americanos consomem animais que receberam medicamentos para aumentar o crescimento, as pessoas são mais altas. O problema dessa visão é que os agricultores europeus são obrigados a obedecer às leis que proíbem o uso desses medicamentos. Os europeus de hoje têm a mesma altura que os americanos de hoje.
P: Em 1 Samuel 17:5, qual era o peso da armadura de Golias?
R: Uma cota de malha é uma armadura pesada. Ele estava coberto da cabeça aos pés, pois usava grevas, que são armaduras para as pernas abaixo do joelho. A título de referência, as armaduras de metal maciço dos cavaleiros da Idade Média pesavam mais de 100 libras. No entanto, não era maciça como aquelas, mas sim composta por peças de metal em forma de escamas, como nas antigas inscrições assírias. Era feita de bronze, de acordo com 1 Samuel 17:5-6. Quando jovem, Davi não conseguia usar a pesada armadura de Saul, conforme 1 Samuel 17:38-39. Arqueólogos descobriram cotas de malha de bronze em Nuzu (não em Nuzi). A armadura de Golias pesava 5.000 siclos. Isso equivale a algo entre 125 libras e 175 libras.
P: Em 1 Samuel 17:8-10, há outros exemplos de indivíduos lutando em nome de todo o exército?
R: Sim. Mais adiante, em 2 Samuel 2:15, doze homens do exército de Saul e doze do exército de Davi lutaram entre si. Talvez fosse isso que Jônatas imaginava que pudesse acontecer em 1 Samuel 14:6-11. Na Ilíada, de Homero, Aquiles e Heitor travaram um combate corpo a corpo (Aquiles venceu). Aparentemente, há também um exemplo entre os hititas em CBQ 30 [1968], p. 220-225.
Na língua ugarítica, havia um termo para o campeão que representava um exército em um duelo, bns bnny, que significa literalmente “intermediário” ou “mediador”. Em hebraico, a palavra é is-habbenayim, que significa literalmente “o homem entre dois exércitos”.
P: Em 1 Samuel 17:8-11, o que isso nos mostra sobre o medo?
R: O medo pode ser contagioso. Um exército inteiro, composto por dezenas de milhares de homens, ficou com medo por causa de um único homem. Esse mesmo exército, após a fé ousada de um jovem, Davi, foi encorajado a perseguir todos os filisteus.
Da mesma forma, para nós, quando sentimos medo por causa das pessoas que nos cercam, talvez precisemos nos cercar de um novo grupo de pessoas. É fácil para quem passa muito tempo nas redes sociais sentir mais medo.
P: Em 1 Samuel 17:23-27, o que você deve fazer quando não parece ser a melhor pessoa para a tarefa, mas a melhor pessoa não a realiza?
R: Primeiro, um pouco de contexto, e depois a resposta. Davi ainda era um jovem naquela época, então aquilo parecia uma luta muito injusta. Havia muitos soldados mais velhos, fortes e mais experientes do que Davi. Desde a época dos juízes, havia muitos atiradores de funda no exército, especialmente entre os benjamitas, e um deles poderia ter se apresentado.
Mas Davi não se apresentou confiando em sua própria força ou experiência de batalha. Na verdade, era mais fácil para Davi do que para um soldado mais experiente confiar em Deus em vez de em sua própria força, pois Davi sabia que não possuía a força e a experiência dos soldados mais velhos.
Três pontos para a resposta:
1) Às vezes, a melhor pessoa para realizar uma tarefa não se manifesta por apatia, preguiça ou simplesmente por indiferença. Quando Deus deseja que o senhor faça algo, o senhor pode olhar ao redor para os outros e dizer: “Não sou o melhor”; pode olhar para si mesmo, como fez Moisés, e dizer: “Não estou qualificado”; ou pode ser como Davi e simplesmente “entrar em ação”. Deus irá à sua frente.
2) Mas, em muitas outras ocasiões, a melhor pessoa para a tarefa não apenas não a realiza, como também NÃO DEVE realizá-la, pois tem algo mais importante a fazer. Outra pessoa, que não seja a ideal, mas que ainda assim seja qualificada e competente para a tarefa, deve realizá-la.
3) Às vezes, Deus propositalmente coloca você em uma situação em que precisa realizar uma tarefa, mas não está qualificado nem é competente para fazê-la, como no caso de Davi aqui. Mas, se Deus quiser que você esteja ali, Ele lhe dará o poder e a capacidade para realizá-la, e talvez você receba o bônus adicional de um lembrete para não confiar em si mesmo.
P: Em 1 Samuel 17:28, por que Eliabe repreendeu Davi por ser orgulhoso e desobediente?
R: Davi não se encaixava nas expectativas de Eliabe sobre o que um bom irmão mais novo deveria fazer. Eliabe provavelmente temia que a confiança de Davi o levasse à morte. Aparentemente, o fato de Samuel ter ungido Davi como rei não causou grande impressão em Eliabe. Talvez Eliabe estivesse com inveja por não ter sido ele quem foi ungido. É claro que, se o foco estivesse na aparente arrogância de Davi, ninguém pensaria na covardia de Eliabe por não estar disposto a lutar. Além disso, muitas vezes as pessoas confundem confiança com arrogância.
Hoje em dia, as pessoas podem, às vezes, pensar erroneamente que você é mau, caso não se ajuste ao status e à posição aos quais elas julgam que você deveria se ajustar.
P: Em 1 Samuel 17:28, como o senhor distingue, nos outros ou em si mesmo, entre confiança e arrogância?
R: Isso pode ser complicado. É aceitável ter confiança, mas não é aceitável ser arrogante. A confiança pode ser correta e bem fundamentada, ou pode ser equivocada. O excesso de confiança é tolice, mas, em outras ocasiões, uma pessoa pode estar confiante por um bom motivo, e mesmo assim as coisas não saírem como planejado. A arrogância pode consistir em se gabar de algo que a pessoa alega ser capaz de fazer, mas que, na verdade, não consegue. Ou a pessoa pode se gabar arrogantemente de algo que é capaz de fazer, e realmente consegue fazê-lo; assim, uma pessoa pode ser ao mesmo tempo confiante e arrogante. Portanto, o resultado não determina a diferença entre confiança e arrogância.
A confiança não é certeza, mas conta com o respaldo de fatos que demonstram capacidade. No caso de Davi, ele havia praticado muito com sua funda e afirmou ter combatido leões e ursos com ela. Ele não apenas sabia que Deus estava com ele, mas também que sobreviveria para se tornar rei. Davi não disse que era melhor do que os outros soldados, nem que era o melhor lançador de funda do mundo; apenas que Davi, com a ajuda de Deus, seria capaz de cumprir a missão. No entanto, a confiança de Davi foi interpretada como arrogância por Eliabe, mas não era isso.
Quando alguém é arrogante, isso deixa um gosto amargo na boca de todos ao seu redor. A arrogância tem mais a ver com o que “eu” posso fazer; a confiança, com “o que pode ser feito”. Pode ser se gabar de que é capaz de fazer algo sem fatos que comprovem isso; mas a arrogância é mais do que excesso de confiança. É basear parte de sua autoestima em sua habilidade e divulgar isso aos outros. Uma faceta da arrogância pode ser “Eu sou o melhor do mundo”, e outra pode ser “Eu sou melhor do que você”.
Não seja arrogante; seja um servo de Deus e um servo de todos. Com humildade, deve considerar os outros mais importantes do que a si mesmo, conforme ordena Filipenses 2:3 e seguintes. O que importa se você é o melhor do mundo em alguma coisa ou mesmo se é melhor do que outra pessoa? O benefício de seus dons e talentos não é para você, de qualquer forma, mas para os outros.
Por fim, observe que, depois que Davi fez isso, sua fama e reputação dispararam. Davi dedicou a espada de Golias a Deus como o verdadeiro autor da vitória, conforme 1 Samuel 21:9. No entanto, as pessoas diziam que Davi (e não Deus) havia matado dezenas de milhares. Davi não atribuiu o mérito a si mesmo, sozinho, mas outras pessoas o fizeram. Não vemos que Davi os tenha corrigido. Assim, as palavras arrogantes de outras pessoas a respeito de Davi fizeram com que Saul sentisse inveja dele e pudessem ser interpretadas por outros como arrogância da parte de Davi, mesmo que ele próprio nunca tenha proferido tais palavras.
P: Em 1 Samuel 17:38-39, por que Saul colocou sua armadura nele, e por que Davi se recusou a usá-la?
R: Saul dizia que Davi era “apenas um menino” (1 Samuel 17:33), mas, mesmo assim, Saul torcia por Davi e tentava ajudá-lo. Sendo benjamita, Saul sabia que os fundeiros podiam ser eficazes (Juízes 20:16; 1 Crônicas 12:2). Saul provavelmente possuía a armadura de melhor qualidade do exército, que se perderia caso Davi fosse derrotado; portanto, Saul estaria correndo um risco nessa situação. Pareceria natural, do ponto de vista humano, dar a Davi, passo a passo, a melhor chance possível; mas esse não era o caminho de Deus.
Davi, em sua juventude, não era forte o suficiente para andar com a armadura de Saul. Quando Davi parecia fraco, sem qualquer armadura, ele era, na verdade, mais forte por ter a mobilidade nos braços necessária para lançar a funda com precisão. Assim, sem armadura, lança ou espada, tudo o que Davi tinha eram algumas pedras e o Criador do mundo. A lição mais importante está em 1 Samuel 17:47b: “pois a batalha pertence ao Senhor”.
Conforme o Senhor ensinou a Paulo, em 1 Coríntios 12:10: “pois, quando sou fraco, então sou forte.” (Bíblia Padrão de Berea, NASB 2020).
Na verdade, essa foi uma luta muito desigual; Golias, que havia desafiado a Deus, não tinha a menor chance.
P: Em 1 Samuel 17:49 e 1 Samuel 21:9, foi Davi quem matou Golias, ou outra pessoa?
R: Foi Davi. Consulte a discussão sobre 2 Samuel 21:19 para obter a resposta.
P: Em 1 Samuel 17:29, por que Golias caiu de bruços, em vez de cair de costas, ao ser atingido na testa?
R: Embora pudesse ter caído de qualquer maneira, é mais provável que uma pessoa caia para trás se não estiver usando armadura. Mas, como Golias estava coberto por uma armadura — e o metal cobria a parte da frente, mas não necessariamente toda a parte de trás —, e se ele estivesse segurando uma espada à frente, ou talvez também um pequeno escudo, seu centro de gravidade estaria inclinado para a frente.
P: Em 1 Samuel 17:54, como Davi levou a cabeça de Golias para Jerusalém, já que Jerusalém era governada pelos jebuseus, e não pelos israelitas, até depois de Davi se tornar rei?
R: Há duas respostas.
Depois que Jerusalém foi conquistada: Mais tarde do que o quê? Obviamente, foi mais tarde que Davi levou a cabeça de Golias para Jerusalém, e isso pode significar que Davi levou a cabeça para a cidade depois de ter conquistado a cidade murada. 1 Samuel 17:54 conclui a história de Davi e Golias. Não diz quanto tempo se passou antes de Davi chegar a Jerusalém, nem afirma que nada mais aconteceu entre esses eventos. É fácil cometer erros se alguém interpretar detalhes em 1 Samuel 17:53-54 que não estão lá.
Assentamentos distintos: Josué 15:63 afirma que, embora os israelitas só tenham expulsado os jebuseus depois que Davi se tornou rei, os israelitas e os jebuseus viviam lado a lado na região de Jerusalém. Além disso, os israelitas conquistaram pelo menos grande parte de Jerusalém, de acordo com Juízes 1:8. “Sião”, que era a parte no topo da montanha, estava sob controle dos jebuseus quando Davi os expulsou, já como rei.
P: Em 1 Samuel 17:55-58, por que Saul perguntou quem era o pai de Davi?
R: Saul não perguntou quem era Davi; Saul perguntou quem eram os pais de Davi. Em 1 Samuel 17:25, Saul havia prometido que o campeão sobrevivente, bem como a casa de seu pai, estariam isentos de impostos e de serviços. Além disso, como Saul prometeu a mão de sua filha em casamento, ele gostaria de conhecer os antecedentes de seu futuro genro. Na resposta de Davi em 1 Samuel 17:58, Davi não revelou seu nome, pois não era isso que Saul havia perguntado. Davi disse que era filho de Jessé, o betlemita.
P: Em 1 Samuel 17:55-58, por que Saul não reconheceu Davi, já que Davi era o escudeiro de Saul em 1 Samuel 16:21-23?
R: Um escudeiro era semelhante a um pajem de um cavaleiro na Idade Média europeia. Um guerreiro podia ter mais de um escudeiro, e eles podiam se revezar nas funções. Joabe, por exemplo, tinha vários, conforme 2 Samuel 23:37, chegando a ter dez ao mesmo tempo em 2 Samuel 18:15, onde eles também participaram de combates. Há quatro respostas possíveis.
Saul nunca havia conhecido Davi: Davi poderia ter sido o escudeiro antes de matar Golias. Não há necessidade de que 1 Samuel 16:21-23 e 1 Samuel 17:4 estejam em ordem cronológica. Consulte a discussão sobre 1 Samuel 16:21-23 para obter mais informações sobre essa possibilidade.
Saul conhecia apenas o nome e o rosto de Davi: Davi era escudeiro antes de matar Golias, mas Saul sabia pouco mais sobre aquele jovem corajoso e queria saber mais. Se o matador de Golias fosse se casar com a filha de Saul, este queria saber mais sobre seu futuro genro.
Saul havia esquecido: Ser escudeiro era uma grande honra para um adolescente, e talvez Saul tivesse tido vários rapazes como escudeiros pelo menos uma vez. Davi poderia ter apenas 12 anos quando tocava para Saul, e talvez tivesse agora cerca de 17 anos. Saul poderia nem se lembrar de Davi. Um guerreiro poderia ter vários escudeiros que se revezavam nas funções. Joabe tinha dez escudeiros em 2 Samuel 18:15. No entanto, essa é provavelmente a resposta menos provável.
Saul conhecia bem Davi: Saul não perguntou quem era Davi; em vez disso, perguntou quem era o pai de Davi; talvez ele também fosse um guerreiro forte. Ao prometer a mão de sua filha em casamento ao matador de Golias, em 1 Samuel 17:25, Saul estava interessado na ascendência de seu futuro genro. Saul também pode ter se perguntado se o pai de Davi tinha mais algum filho corajoso.
P: Em 1 Samuel 18:1-4, o que há de tão especial nessa amizade?
R: Não se trata apenas de os dois gostarem de fazer coisas juntos, nem simplesmente de se importarem um com o outro. Jônatas se importava tanto com Davi que colocou o sucesso de Davi acima do seu próprio. Quando Jônatas tirou sua túnica real e a colocou em Davi, ele estava, na verdade, dizendo: “Para mim está tudo bem que o reino seja passado para você e não para mim”. Jônatas não permitiria que sua própria ambição se opusesse à vontade de Deus.
Jônatas se levantou para lutar pela reintegração de Davi. O senhor pode ter muitos amigos, mas será que seus amigos sabem que o senhor está disposto a se esforçar ao máximo para defendê-los?
P: Em 1 Samuel 18:1-4, Davi e Jônatas nutriam sentimentos homossexuais, como alguns homossexuais têm afirmado?
R: Não; essa palavra hebraica para amor, “aheb”, não é usada para se referir à homossexualidade em nenhum outro contexto. As pessoas podem nutrir fortes sentimentos de amizade sem que haja um relacionamento romântico envolvido. Além disso, os sentimentos heterossexuais de Davi por Bate-Sebá o colocaram em sérios apuros. 1 Samuel 10:17 explica que o amor de Davi por Jônatas era tão grande, pois Davi amava Jônatas tanto quanto a si mesmo. No Novo Testamento, Jesus ensinou, como o segundo maior mandamento, que devemos amar o próximo como a nós mesmos.
Na faculdade, havia alguns rapazes que, aparentemente, não viam utilidade nas moças, a não ser para namoro e casamento. Ou eles nutriam sentimentos românticos por uma moça em particular, ou não nutriam nenhum sentimento algum. Deve ser difícil compreender outros rapazes que possam apreciar a amizade de uma moça, mas não tenham intenções românticas. Já ouvi alguns rapazes dizerem que é impossível entender as garotas. Talvez uma das razões seja que uma garota pode não querer nenhum tipo de relacionamento romântico com um rapaz, mas ainda assim queira estar perto dele como amiga. Alguns rapazes simplesmente não conseguem entender isso.
Talvez alguns homossexuais que têm certeza de que Davi e Jônatas eram homossexuais tenham chegado a uma conclusão semelhante. Ou eles nutrem sentimentos românticos por um homem, ou não nutrem nenhum sentimento algum.
Quando Davi tirou sua armadura na frente de Jônatas, em 1 Samuel 18:3, isso não significa que ele tenha tirado suas roupas.
P: Em 1 Samuel 18:7-16, por que Saul se opunha a Davi?
R: Por diversos motivos.
Ciúme, depois que as mulheres elogiaram Davi mais do que Saul (1 Samuel 18:7-9).
Um espírito maligno estava em Saul (1 Samuel 18:10-11).
Medo de Davi, porque Deus estava com Davi e não mais com Saul (1 Samuel 18:11).
Davi agiu com muita sabedoria (1 Samuel 18:15).
Israel e Judá amavam Davi (1 Samuel 18:16). Saul queria proteger sua base de poder.
Davi tinha a reputação, o apoio do povo, o apoio de Deus e a sabedoria necessários para ser rei.
Proteger “seu” reino, para que ele passasse para seus descendentes (1 Samuel 20:31).
Saul era indeciso e tinha um pensamento desorganizado. Nunca se sabia se Saul apreciava Davi ou se tentaria matá-lo; tudo dependia do humor de Saul naquele momento específico.
Por mais bem-sucedido que Davi tivesse sido contra Golias, e por mais bem-sucedido que Davi continuasse a ser, seria de se supor que Saul percebesse que Deus estava com Davi e que não havia sentido em se opor a Davi ou tentar matá-lo. Mas isso seria incorreto. Saul realmente percebeu que Deus estava com Davi, mas a reação de Saul foi basicamente: “como ele poderia contrariar a vontade de Deus?”. Às vezes, as pessoas têm uma mentalidade obstinada semelhante, como os fariseus na época de Jesus.
P: Em 1 Samuel 18:17-30, por que Saú insistia para que Davi se casasse com uma de suas filhas?
R: 1 Samuel 18:17,21 diz que Saul queria que uma de suas filhas fosse uma armadilha para Davi e uma causa secundária de sua morte. Em outras palavras, Saul pediria a Davi que tentasse matar um grande número de filisteus para se casar com uma de suas filhas, e Davi morreria em batalha.
Além disso, Saul prometeu que aquele que matasse Golias seria seu genro, conforme 1 Samuel 17:25.
P: Em 1 Samuel 18:20-26, o que há de interessante na estrutura dessa passagem?
R: Trata-se de um recurso literário hebraico, frequentemente encontrado na Bíblia, chamado quiasmo. Cada “tema” é acompanhado por outro tema paralelo.
Saul fica contente por Mical estar apaixonada por Davi (v. 20)
— Saul espera que Davi seja morto pelos filisteus (v. 21)
— — Saul envia uma mensagem a Davi (v. 22-23a)
— — Davi envia uma mensagem a Saul (v. 23b-24)
— Saul espera que Davi seja morto pelos filisteus (v. 25)
Davi está satisfeito por ser genro de Saul (v. 26a)
Outros quiasmos em 1 Samuel encontram-se nos capítulos 2, 3:17; 3:1-4:1; e 8:5-22.
P: Em 1 Samuel 18:21, o que Saul está dizendo?
R: Isso pode ser interpretado de duas maneiras. Ou:
a) Saul está sugerindo que Davi tem uma segunda oportunidade de se tornar seu genro, ou
b) Saul, como rei, está ordenando o noivado entre Davi e Mical.
Independentemente da “veemência” com que Saul proferiu suas palavras, ele realmente desejava que Davi se tornasse seu genro.
P: Em 1 Samuel 18:27, Saul foi um tanto cruel com seu pedido a Davi?
R: Em primeiro lugar, Saul já havia prometido sua filha a quem quer que matasse Golias; portanto, não deveria ser necessário nenhum dote adicional. Mas, como Davi perguntou, Saul estabeleceu então uma nova condição, na esperança de levar Davi à morte. Talvez Saul tivesse esperado que Davi estivesse à frente de suas tropas, de maneira semelhante ao que Davi fez posteriormente com Urias, o hitita. Nas culturas daquela época, não era incomum trazer de volta “troféus” dos inimigos mortos. Nas paredes do templo mortuário de Medinet Habu, Ramsés III (c. 1198-1166) utilizou as mãos decepadas para demonstrar quantos inimigos os egípcios haviam matado. Também nas paredes havia o que parece ser uma pilha de prepúcios, de quando Ramsés III os expulsou do Egito.
A título de observação, Davi disse aqui que era um homem pobre. Isso pode vir a ser mencionado na parábola de Natã, depois que Davi cometeu adultério com Bate-Seba, em 2 Samuel 12:1-4.
P: Em 1 Samuel 19:1-24, Jônatas tentou ser um pacificador entre Saul e Davi. Por que Jônatas acabou fracassando? Ele poderia ter agido de maneira diferente?
R: Jônatas agiu bem; ele apelou com fervor e lógica. Ele foi discreto ao conversar tanto com Davi quanto com Saul. Não vemos nada que Jônatas pudesse ter feito melhor. Na verdade, Jônatas teve sucesso, pelo menos temporariamente. Mas, no fim das contas, ele não conseguiu, porque os motivos que causaram o ciúme de Saul, em primeiro lugar, ainda estavam presentes após a campanha seguinte, na qual Davi voltou a ser bem-sucedido. O fracasso final foi uma combinação da maneira como Saul reagiu aos eventos externos e do fato de que Saul aparentemente havia envenenado irreversivelmente seu próprio coração com amargura.
Mulheres dançando e cantando louvores após a vitória não era algo incomum; Miriam fez isso depois que atravessaram o Mar Vermelho, em Êxodo 15:20. Também vemos isso em Juízes 11:34; Salmo 68:24-25; 149:3; Jeremias 31:4. Ter um segundo número maior que o primeiro não é incomum (Deuteronômio 32:30; Salmo 91:7; 144:13; Miquéias 6:7). Na escrita ugarítica, “mil campos, dez mil acres” (ANET, p. 137). As mulheres que louvaram Davi mais do que Saul frustraram qualquer esperança de acalmar o ciúme de Saul, embora provavelmente não tivessem consciência dos problemas mortais que estavam causando. Devemos ter cuidado ao dizer coisas que inflamem o ciúme ou outras paixões pecaminosas nos outros.
P: Em 1 Samuel 19:13, o que um ídolo estava fazendo na casa de Davi?
R: Há duas respostas possíveis.
Pecado secreto: Mical poderia estar guardando esse ídolo em segredo, na esperança de que ele a ajudasse, já que ela não estava tendo filhos. Isso é semelhante ao que Raquel fez em Gênesis 31:19.
Não estava na casa anteriormente: 1 Samuel 19:13, na verdade, não diz que o ídolo já estava na casa antes. Embora pudesse haver um ídolo na casa onde moravam, Mical pode ter pegado a estátua em outro lugar naquele dia para colocá-la na cama.
Ao utilizar o ídolo no ardil, Mical não demonstrou qualquer respeito por ele como objeto de adoração.
P: Em 1 Samuel 19:14, 17, Mical agiu corretamente ao mentir duas vezes por Davi?
R: As motivações de Mical eram corretas, mas, se os métodos estavam errados, então Mical agiu errado. Os cristãos divergem quanto à questão de saber se é ou não correto mentir para pessoas que pretendem praticar o mal, quando a mentira salva uma vida.
P: Em 1 Samuel 19:17, Mical mentiu pela segunda vez, ou Davi realmente ameaçou matá-la?
R: Mical mentiu duas vezes por Davi. Se Davi tivesse ameaçado matá-la, Mical não teria mantido o ardil contra os homens de Saul até o último momento possível.
P: Em 1 Samuel 19:19-24, como Saúl pôde profetizar?
R: Davi fugiu de Saul e foi para Naiote, em Ramá, provavelmente para se refugiar com Samuel. Mas Saul não era um homem muito piedoso naquele momento e queria tirar Davi de Samuel de qualquer maneira. Podemos tentar “exigir” que Deus permita que Suas profecias se cumpram apenas em pessoas íntegras e piedosas, mas Deus não está limitado a se encaixar nos moldes de nossas expectativas. É interessante que Deus tenha usado isso como uma “manobra de distração” para impedir que Saul fizesse Davi retornar. Enquanto antes o Espírito de Deus estava sobre Saul para ministrar a ele, agora o Espírito de Deus estava sobre Saul para contê-lo.
P: Em 1 Samuel 19:20, os mensageiros de Saul eram crentes piedosos, uma vez que o Espírito de Deus desceu sobre eles?
R: Não necessariamente. Os mensageiros de Saul poderiam ter sido pessoas piedosas, mas não há exigência de que fossem. O propósito do Espírito, neste caso, era impedi-los de vir buscar Davi.
P: Em 1 Samuel 19:24 e 10:12, por que Deus fez com que Saul tirasse todas as suas vestes reais e ficasse ali nu, o que era muito indigno?
R: O Dicionário Bíblico Wycliffe, p. 477, afirma que a palavra hebraica para “nu” era frequentemente usada para se referir a homens vestidos apenas com sua túnica interior. O fato de Saul ter tirado suas vestes reais provavelmente seria um sinal de que a autoridade real de Saul lhe havia sido retirada. Davi se tornaria o que Saul não poderia mais ser. O livro “Hard Sayings of the Bible”, pp. 215-216, menciona que a palavra hebraica traduzida como “nu” também pode significar mal vestido ou com roupas escassas.
P: Em 1 Samuel 20:6, Davi agiu corretamente ao pedir a Jônatas que mentisse por ele?
R: A Lua Nova era uma refeição sacrificial mensal. Portanto, era provável que a família de Davi tivesse uma simples reunião. Mas provavelmente não era obrigatório que Davi comparecesse a ela. Davi mentia com bastante frequência em questões de vida ou morte. Consulte a discussão sobre 1 Samuel 19:14-17 tanto sobre mentir quanto sobre não revelar toda a verdade em questões de vida ou morte.
P: Em 1 Samuel 20:4-29, é aceitável que os cristãos façam coisas em segredo?
R: Às vezes, sim. O objetivo não era liderar uma rebelião contra Saul, mas sim verificar se era possível estabelecer a paz com Saul. Às vezes, é aceitável que os cristãos realizem ações secretas, especialmente em questões de vida ou morte. Os cristãos esconderam judeus dos nazistas secretamente durante a Segunda Guerra Mundial.
P: Em 1 Samuel 20:14-17, o que há de significativo nessa aliança?
R: Muitas vezes, quando uma pessoa se tornava rei ou rainha, mandava matar todos os possíveis rivais ao trono. Trata-se de uma aliança solene pela qual, quando Davi se tornasse rei, ele não mataria Jônatas nem sua casa, ou seja, seus descendentes. Jônatas sabia muito bem que, a menos que Davi morresse, ele perderia a oportunidade de se tornar rei. E Jônatas estava de acordo com isso.
Observe que essa aliança surgiu de um desentendimento entre esses dois amigos íntimos. As tentativas anteriores de Saul de matar Davi foram apenas surtos de loucura e tudo estava bem agora, já que Saul fez um juramento, ou, apesar do juramento, Saul ainda pretendia matar Davi? Davi acreditava, com razão, que Saul estava tentando matá-lo e perguntou a Jônatas o motivo. Jônatas tinha certeza de que Saul não o faria, devido ao juramento anterior de seu pai de não fazer mal a Davi, e seu pai já não havia mais mencionado nada a Jônatas sobre fazer mal a Davi. Saul estava mantendo isso em segredo de Jônatas.
P: Em 1 Samuel 20:19-40, por que Jônatas elaborou uma forma tão complexa de se comunicar com Davi?
R: Para o caso de Jônatas estar sendo vigiado por algum dos servos ou espiões (como Doeg), eles queriam que sua comunicação fosse secreta. No entanto, assim que o menino partiu, em 1 Samuel 20:40-41, o “sistema de comunicação” tornou-se desnecessário. Contudo, Jônatas e Davi não sabiam de antemão se seu sistema seria necessário ou não.
Saul poderia ter mandado o menino ou outra pessoa seguir Jônatas. Independentemente de Jônatas conseguir fazer com que o menino fosse embora, ele queria ter certeza de que poderia se comunicar secretamente com Davi sem levantar suspeitas. Às vezes, para uma tarefa “crítica para a missão”, em vez de usar um método simples que tem boas chances de funcionar, é melhor também ter preparado um método mais complicado ou demorado, mas cujo sucesso seja quase certo.
Essa seria a última vez que Davi e Jônatas se veriam nesta vida. Davi provavelmente tinha cerca de 20 anos naquela época e, embora não soubesse disso, ficaria foragido por cerca de dez anos.
P: Em 1 Samuel 20:26, o que há de hipócrita na atitude de Saul aqui?
R: Sem ter qualquer evidência confirmada por mais ninguém, Saul simplesmente presumiu que Davi estava ausente na primeira noite porque estava cerimonialmente impuro. Saul planejava assassinar alguém a quem havia jurado especificamente não causar dano, e estava preocupado com o fato de estar ou não impuro.
Saul se preocupava exclusivamente em obedecer aos rituais em seu coração maligno e obsessivamente assassino.
P: Em 1 Samuel 20:30, por que Saul disse que Jônatas era uma vergonha para si mesmo e para sua mãe?
R: Saul não tinha absolutamente nenhum fundamento para dizer isso, mas, como Saul era o rei, quem iria afirmar que ele estava fazendo acusações infundadas?
Naquela época e hoje, a veracidade de uma acusação não está relacionada à gravidade ou importância da acusação. Sempre que ouvir uma acusação contra alguém, antes de se sentir ofendido ou repugnado por ela, pergunte-se primeiro qual é o grau de credibilidade da acusação. Se as evidências para a acusação forem extremamente fracas, então é provável que ela não seja verdadeira. Mas se quem fala considera que não há necessidade de apresentar qualquer evidência além de sua própria declaração, então você pode praticamente descartá-la de imediato, caso essa pessoa nem sequer tente fundamentar o que está dizendo. Se uma pessoa faz muitas acusações infundadas, em algum momento você pode descartar completamente o que ela diz. É claro que, se ela fizer uma acusação sem provas e, posteriormente, alguém apresentar boas evidências para sustentá-la, somente nesse momento o senhor poderá acreditar que a acusação provavelmente é verdadeira.
P: Em 1 Samuel 20:33, por que Saul lançou uma lança contra Jônatas?
R: 1 Samuel 20:33 diz que foi para matar Jônatas. Não havia motivo racional para Saul matar seu próprio filho e sucessor, mas Saul não estava agindo de forma racional naquele momento. Saul estava dominado pela raiva, e não por sua mente racional. Saul percebeu que não teria mais a chance de matar Davi facilmente e estava muito frustrado com sua obsessão em eliminar Davi. Saul ficou muito irritado porque Jônatas se aliou a Davi — a quem Saul considerava seu inimigo — em vez de a ele próprio. Nesse momento, Jônatas já não precisava de mais nenhuma prova das intenções de Saul.
P: Em 1 Samuel 20:41, por que Davi se curvou diante de Jônatas três vezes?
R: Davi se curvou várias vezes por respeito a Jônatas, pelo fato de Jônatas ter colocado sua vida em risco por Davi e por gratidão pela ajuda de Jônatas que lhe salvou a vida. Naquela época, não era incomum curvar-se várias vezes em sinal de respeito, como mostram as Cartas de Amarna, em Youngblood, *The Amarna Correspondence*, p. 15-19.
Em 2016, quando o executivo japonês da Takata compareceu ao Congresso dos Estados Unidos para discutir um recall iminente dos airbags da Takata, ele se curvou perante o Congresso como um gesto respeitoso de desculpas.
P: Em 1 Samuel 21:1, por que Davi foi primeiro à aldeia de Nob?
R: Nob era uma aldeia de sacerdotes no Monte Scopus, a cerca de uma a uma milha e meia a nordeste de Jerusalém. Ficava a meio caminho entre Jerusalém e Anató. A título de observação, Nob também é mencionada em Isaías 10:32. Nob ficava tão próxima que não teria sido um bom lugar para se esconder por um longo período. Mas Abiatar, amigo de Davi e sumo sacerdote, estava lá, e Davi queria que Abiatar consultasse a vontade de Deus sobre o que ele deveria fazer naquele momento. Davi também poderia estar se perguntando se havia algum pecado que ele tivesse cometido sem saber, de modo que parecesse que Deus havia retirado Sua proteção dele.
Seria bom que Davi fosse até lá imediatamente, pois ainda não teria se espalhado a notícia de que Saul estava perseguindo Davi.
P: Em 1 Samuel 21:2, Davi enganou deliberadamente Aimeleque, um irmão na fé?
R: Sim, mas não há indício de que Deus tenha aprovado a atitude de Davi, motivada pelo medo e pelo desespero, nessa ocasião. É claro que foi o “Rei” quem enviou Davi — ou seja, não Saul, mas sim o Senhor. Três pontos a serem considerados na resposta.
1. Efésios 4:25 diz que devemos abandonar a falsidade e falar com sinceridade uns com os outros. É claro que Efésios não foi escrito na época de Davi. Em várias ocasiões, Davi aparentemente considerou correto mentir em situações de guerra ou de vida ou morte. (Alguns cristãos hoje, como R.C. Sproul, concordam com isso, enquanto outros discordam.) Portanto, nem tudo o que Davi disse era necessariamente verdade.
2. Quando Davi disse que o rei (o Rei?) o enviou em uma missão secreta, independentemente de ele se referir ao Rei como Deus ou não, seus ouvintes não pensariam dessa forma; portanto, Davi os enganou deliberadamente. Não foi uma mentira muito bem elaborada; imagine Saul enviando Davi em uma missão secreta sem lhe dar nenhuma arma, comida ou dinheiro para comprar comida. Assim, quando Davi disse que o pão era para seus companheiros, sua afirmação poderia ter sido verdadeira ou falsa. Essa é uma questão debatida pelos cristãos, pois o Antigo Testamento nunca afirma que a mentira de Davi foi aceitável.
3. A Bíblia de Estudo NIV, p. 407, acrescenta que a razão pela qual Davi pode ter induzido Ahimeleque em erro a respeito do rei tê-lo enviado pode ter sido a tentativa de proteger Ahimeleque da acusação de ajudar na fuga de Davi. É claro que essa tentativa fracassou, já que Ahimeleque foi morto logo em seguida.
P: Em 1 Samuel 21:2, Davi agiu corretamente ao mentir para um homem piedoso, Ahimeleque?
R: Os métodos de Davi foram errados neste caso, pois não devemos mentir uns aos outros. Independentemente de como se considere a mentira a um inimigo maligno, Davi não deveria ter mentido a seu amigo piedoso.
Davi não mentiu sobre os homens que o acompanhavam, já que ele estava indo para onde seus homens estavam posicionados. Os “homens que estavam com Davi” não são homens fisicamente presentes naquele momento, mas os homens que se aliaram a Davi e com os quais ele estava a caminho de se reunir.
Resumo: Embora Davi provavelmente tenha sido sincero ao dizer que estava indo buscar pão para os homens, ele induziu em erro ao afirmar que o rei (Saul) o havia encarregado disso. Quando Jesus se refere a Davi pegando o pão, Ele disse que pegar o pão dos sacerdotes era aceitável dadas as circunstâncias, mas Jesus não disse que mentir era aceitável.
P: Em 1 Samuel 21:3-6, Marcos 2:25-26 e Lucas 6:3-4, Davi agiu corretamente ao comer o pão da proposição?
R: Davi agiu corretamente ao tomar o pão da proposição, pois Jesus assim o afirmou em Marcos 2:25-26 e Lucas 6:3-4. O pão já não era mais sagrado, tendo sido substituído por pão fresco, mas ainda assim era destinado exclusivamente ao consumo dos sacerdotes. Trata-se de um caso interessante em que havia objetivos conflitantes e circunstâncias atenuantes. Vamos examinar as razões pelas quais as pessoas não tomavam o pão da proposição, as razões pelas quais Davi o fez e especular por que isso foi aceitável.
Em geral,
1. O pão da apresentação consistia em doze pães grandes, com cerca de 4 quarts de farinha em cada um (Levítico 12:1-4).
2. Deus concedeu especificamente o pão da apresentação aos descendentes de Arão para que o comessem, conforme Levítico 24:5-9. Eles só deveriam comê-lo em um lugar santo.
3. Davi e seus homens eram descendentes de Aarão, pois não eram sacerdotes.
No caso de Davi
1. Davi era o capitão da guarda pessoal de Saul, bem como o sucessor de Saul designado por Deus em 1 Samuel 22:14. Davi estava fugindo de Saul para salvar a própria vida.
2. Davi e seus homens estavam com fome e não tinham provisões.
3. Davi afirmou que seus homens eram santos em geral e disse que seriam ainda mais santos nessa missão (1 Samuel 21:5).
4. Aimeleque já havia consultado a Deus a respeito de Davi anteriormente (1 Samuel 22:15), e talvez ele também o tenha feito nessa ocasião.
Conclusão: Jesus ensinou que, em circunstâncias como as em que Davi se encontrava, não era errado que Davi recebesse os pães da proposição.
P: Em 1 Samuel 21:9, a espada de Golias estava em Nob, ou a armadura de Golias estava na tenda de Davi, como diz 1 Samuel 17:54?
R: Originalmente, tudo estava na tenda de Davi, depois que Davi matou Golias. Mais tarde (depois que Davi deixou de morar em uma tenda), pelo menos a espada foi guardada em Nob.
P: Em 1 Samuel 21:10, por que Davi fugiu para a cidade de Gate, e ainda por cima com a espada de Golias?
R: Nesse momento, Davi aparentemente tinha mais medo de Saul do que dos filisteus, e sabia que os homens de Saul jamais poderiam segui-lo até Gate. Talvez Davi tenha pensado que, ao se disfarçar, eles seriam considerados apenas mais um grupo de israelitas que mudaram de lado para servir aos filisteus. Mas, mesmo que Davi tivesse pensado assim, isso não funcionou. Assim, em desespero, Davi recorreu a fingir-se de louco para que, talvez, o rei de Gate não o percebesse como uma ameaça.
P: Em 1 Samuel 21:11-15 e no Salmo 34, Davi agiu corretamente ao fingir estar enlouquecido diante do rei de Gate?
R: Nada em toda a Bíblia diz que isso foi errado. Davi não mentiu nessa ocasião. A fim de salvar sua vida, Davi realmente enganou alguém que era inimigo do povo de Deus. A título de observação, o rei de Gate é chamado de Abimeleque no Salmo 34:1. Esse era o mesmo nome do rei na época de Abraão e, posteriormente, na época de Isaque. Provavelmente trata-se de um título dinástico, ou do Faraó do Egito, ou do César de Roma. Além disso, foi durante esse período que Davi compôs o Salmo 34.
P: Em 1 Samuel 22:1, de que forma isso constituiu uma profecia cumprida?
R: Ahitube era irmão de Isabode, neto de Eli. Deus usou Samuel para profetizar que nenhum de seus descendentes viveria por muito tempo, em 1 Samuel 2:31-33.
P: Em 1 Samuel 22:3-4, por que Davi enviou seus pais para Moabe?
R: Acreditava-se (e provavelmente era verdade) que, se Saul não conseguisse matar Davi, ele poderia matar sua família, ou pelo menos usá-la como isca para chegar até Davi; por isso, a família de Davi teve que partir. Cerca de 400 homens (posteriormente 600, em 1 Samuel 23:13) e, presumivelmente, suas famílias estavam com Davi, mas os pais de Davi provavelmente eram muito idosos para permanecerem no que era, essencialmente, um acampamento militar, onde a qualquer momento poderiam ter que fugir repentinamente. Davi provavelmente mantinha relações amigáveis com Moabe. Os moabitas eram inimigos de Saul, pois Saul havia atacado os moabitas e outros povos em 1 Samuel 14:47. Lembre-se de que a bisavó de Davi era Rute, a moabita.
P: Em 1 Samuel 22:6, por que Saul realizaria uma audiência sob uma árvore de tamargueira?
R: As árvores de tamargueira oferecem mais sombra do que a maioria das árvores. Além disso, embora sejam comuns no deserto, elas não são nativas da região montanhosa de Gibeá; portanto, essa árvore incomum seria fácil de identificar. Em Juízes 4:5, Débora realizava audiências sob uma palmeira, o que também teria sido incomum no norte de Israel.
P: Em 1 Samuel 22:9-11, visto que dizer a verdade é bom e Doeg disse a verdade por completo, foi correto ele ter agido assim?
R: Claro que não. Fornecer a uma pessoa má e paranóica informações verdadeiras para que sejam usadas a fim de acusar e matar uma pessoa piedosa é algo maligno. Isso contrasta fortemente com a atitude de Samuel em 1 Samuel 16:1-3. Davi escreveu o Salmo 52 como uma repreensão contra Doeg e um apelo para que Deus o castigasse.
É um contraste interessante que, anteriormente, Saul se recusasse a matar os inimigos estrangeiros, os amalequitas, quando Deus ordenou isso, mas agora Saul não tivesse nenhum escrúpulo em dizer a um edomita estrangeiro, Doeg, para matar os sacerdotes de Deus. Saul havia confundido sua vingança pessoal com a causa de Deus.
P: Em 1 Samuel 22:11-19, Ahimeleque poderia ter se expressado de maneira mais adequada?
R: Não, pois aparentemente Saul já havia tomado sua decisão. Ahimeleque ficou surpreso; ele não fazia ideia de que Saul havia dado ordens para matar Davi. Ahimeleque foi educado e firme; ele defendeu a si mesmo e também a Davi.
P: Em 1 Samuel 23:6, qual foi a importância de Abiatar ter trazido o éfode?
R: Deus usou isso como um meio de responder a perguntas. Abiatar perguntou por Davi em 1 Samuel 23:9, 12 e 30:7-8.
P: Em 1 Samuel 23:6, o que era o efode e como ele era usado?
R: As Escrituras não dizem. O único outro relato é de Josefo, e não temos certeza se Josefo estava correto. Josefo disse que o efode tinha doze pedras, uma para cada tribo. As pedras brilhavam milagrosamente quando Deus respondia.
P: Em 1 Samuel 23:6-13, por que o povo de Quila, que Davi havia salvado, se mostrou tão disposto a entregar Davi a Saul?
R: Por um lado, eles estavam felizes por terem sido salvos. Por outro lado, estavam pensando em seu próprio bem, e não no de Davi. Eles sabiam da existência da cidade de Nob e de que Saul poderia massacrar toda a população se não entregassem Davi a ele. Provavelmente, eles raciocinariam que, se Saul viesse com seu exército, Davi seria capturado e morto, independentemente de eles o ajudarem ou não.
P: Em 1 Samuel 23:12, como você se sentiria se as pessoas a quem você ajudou o traíssem?
R: Davi e seus homens, compreensivelmente, sentiriam profunda decepção, raiva e talvez surpresa. Mas ser traído por aqueles que o ajudaram pode não ser tão incomum quanto se poderia esperar. Já discutimos por que os zifitas agiram assim — talvez uma combinação de esperança de recompensa, medo da morte e total falta de gratidão ou preocupação com Davi.
Mas por trás dessas razões há uma filosofia abrangente que muitas pessoas compartilham. Para muitas pessoas que traem os outros, o próprio mundo não é considerado maior do que elas mesmas. Não há nada pelo qual valha a pena sofrer ou morrer. Mas se uma pessoa não tem nada pelo qual valha a pena morrer, então ela não está realmente vivendo por nada.
P: Em 1 Samuel 23:14-24, por que os zifitas estavam tão ansiosos para ajudar Saul?
R: Talvez tivessem medo de que Saul os matasse, assim como matou o povo da cidade de Nob. Ou talvez estivessem buscando recompensas de Saul. Ou ambos. Talvez pensassem que, mais cedo ou mais tarde, Davi seria capturado, e por que não seriam eles a receber a recompensa? Obviamente, não se preocuparam em seguir a vontade de Deus nesse caso.
Zife era importante para Saul porque ficava em uma colina com cerca de cem pés de altura, e oferecia uma excelente vista de tudo no deserto de Zife.
É claro que, uma vez que informaram a Saul pela primeira vez que Davi estava entre eles, teriam de continuar a mantê-lo informado, já que Saul esperaria que o fizessem. Às vezes, quando alguém peca, é mais difícil contrariar as expectativas alheias simplesmente parando de agir.
Davi escreveu o Salmo 54 durante esse período.
P: Em 1 Samuel 23:15-18, por que a perseguição de Saul a Davi foi interrompida tão abruptamente neste ponto (há duas respostas)?
R: As duas respostas são humana e divina.
Do ponto de vista humano, Saul precisava liderar o exército, incluindo esses 5.000 homens, para combater os filisteus. Talvez os filisteus tenham ouvido dizer que Saul estava no deserto da Judéia perseguindo Davi e tenham pensado que aquele seria um ótimo momento para atacar.
Do ponto de vista divino, a situação não parecia nada favorável para Davi. Ele estava lutando contra os filisteus conforme Deus havia ordenado, ao mesmo tempo em que fugia de Saul. No deserto, uma vez que as pessoas descobrem onde você está, é difícil esconder 600 homens que precisam ser alimentados. Saul tinha tropas suficientes para até mesmo dividir seu exército em dois grupos. De fato, as tropas de Saul do outro lado da montanha finalmente estavam quase alcançando Davi. Por fim, se a população local também estivesse de olho no exército de Davi para informar a Saul, as opções de Davi seriam limitadas. Assim, Deus orquestrou os acontecimentos de modo que Saul e seu exército fossem obrigados a partir.
P: Em 1 Samuel 23:17, por que Jônatas se mostrou tão disposto a abrir mão do trono?
R: A Escritura não diz. No entanto, Jônatas tinha uma amizade muito próxima com Davi, e sabia que Davi o trataria bem. Davi provavelmente teria nomeado Jônatas como segundo no comando. É claro que isso poderia ajudar a garantir a lealdade dos benjamitas.
É interessante que Saul não conseguisse encontrar Davi facilmente, mas Jônatas sim. Talvez outras pessoas soubessem da amizade entre eles e tivessem informado a Jônatas onde Davi estava. Ou talvez Jônatas tivesse ouvido os zifeus informando Saul.
P: Em 1 Samuel 23:19, quais salmos Davi escreveu durante esse período?
R: Davi escreveu o Salmo 59 quando Saul enviou homens para vigiar a casa de Davi a fim de matá-lo, conforme 1 Samuel 19:11.
Davi escreveu o Salmo 56 quando os filisteus o capturaram em Gate, conforme 1 Samuel 21:10,11.
Davi escreveu o Salmo 34 quando fingiu estar enlouquecido, conforme 1 Samuel 21:10-15.
Davi escreveu o Salmo 57 quando fugiu de Saul para uma caverna, conforme 1 Samuel 22:1; 24:3.
Davi escreveu o Salmo 52 quando Doeg, o edomita, contou a Saul sobre Davi e matou os sacerdotes de Nob, conforme 1 Samuel 22:9-10.
Davi escreveu o Salmo 63 quando se encontrava no deserto da Judéia, conforme 1 Samuel 23:14 (ou 2 Samuel 15:23-28).
Davi escreveu o Salmo 54 quando os zifeus revelaram a Saul onde Davi se encontrava, em 1 Samuel 23:19.
P: Em 1 Samuel 23:21, de que maneira as pessoas que se opõem a Deus às vezes pensam que estão cumprindo a vontade de Deus?
R: Deus disse aos zifitas que eles eram “abençoados pelo Senhor” por terem informado a Ele onde Davi estava escondido. Os zifitas provavelmente pensavam assim, porque o rei ungido por Deus lhes disse isso. Quando alguém é agradecido em nome de Deus por praticar o mal, essa pessoa se encontra em terreno bastante instável.
Hoje em dia, as pessoas podem praticar o mal, pensando que é a vontade de Deus, porque alguém lhes disse isso e elas acreditaram.
P: Em 1 Samuel 24:1-26:25, qual é o tema unificador aqui?
R: Uma palavra comum em 1 Samuel 23-24 é “mão”. Os capítulos anteriores mostraram a proteção de Deus sobre Davi contra a mão de Saul. 1 Samuel 24-26 mostram a proteção de Deus sobre Davi contra suas tentações de derramar sangue inocente. Seria naturalmente fácil para Davi matar Saul (duas vezes) e Nabal. Davi sentiu-se culpado após cada incidente, mas Deus o poupou de matar outras pessoas.
1 Samuel 24-26 constituem um “tríptico de três painéis da vida de Davi, sendo o capítulo 26 semelhante ao capítulo 24.
Às vezes, é preciso pedir a Deus ajuda e proteção contra os outros. Às vezes, é preciso pedir a Deus ajuda e proteção contra si mesmo. Precisamos nos empenhar para cumprir a vontade de Deus, mas somente com os meios que Ele nos dá, e não com meios malignos, como matar Saul, e no tempo determinado por Deus, conforme este capítulo nos mostra aqui.
P: Em 1 Samuel 24:3, por que Davi iria a En-Gedi?
R: Era um local remoto, a catorze milhas a leste de Zife. Era um lugar árido, exceto por uma grande nascente. O Penhasco das Cabras-montanhesas provavelmente recebeu esse nome porque era tão íngreme que apenas cabras de passos firmes conseguiam escalá-lo. No entanto, não era desabitado. Pastores mantinham currais de ovelhas e cabras ali. Os currais provavelmente consistiam em muros baixos de pedra. Ao contrário do deserto anterior, essa área possuía muitas colinas íngremes e cavernas profundas onde se esconder.
P: Em 1 Samuel 24:5, por que Davi se sentiu culpado por ter cortado a vestimenta de Saul, já que poupou a vida dele?
R: Davi foi tentado a matar Saul, e seus soldados o encorajaram a fazê-lo. Embora Davi não o tenha matado, ele não demonstrou respeito pelo rei ao cortar parte do manto de Saul, e sentiu-se culpado por isso.
P: Em 1 Samuel 24:4-8, de que forma isso constituiu um teste para Davi?
R: Davi poderia ter racionalizado que: a) ele era o rei legítimo; b) Saul estava tentando, injustamente, matá-lo; e c) como há sabedoria em muitos conselheiros, até mesmo os homens de Davi lhe disseram para matar Saul. No entanto, Davi sabia que Deus queria que ele honrasse o rei e não o matasse, mesmo que o rei fosse Saul. Davi sabia que deveria ser rei, mas, nessa situação, ele tinha uma escolha. Ele poderia usar seus próprios meios para cumprir a vontade de Deus, mesmo que isso significasse fazer algo que Deus não desejava que ele fizesse. Ou Davi poderia não apenas querer cumprir a vontade de Deus, mas também fazê-lo com os meios de Deus.
P: Em 1 Samuel 24:5-22, uma vez que Davi sentiu que havia pecado ao cortar parte do manto de Saul, por que Davi usou aquele pedaço de tecido mais tarde?
R: Um incidente semelhante ocorreu em 1 Samuel 26, onde Davi não sentiu qualquer culpa. Nesse segundo incidente, Davi não destruiu nenhuma peça de roupa nem qualquer outra coisa, e não levou nada que não pudesse ser devolvido intacto.
P: Em 1 Samuel 24:13, o que significa este provérbio?
R: Trata-se de um “provérbio antigo”. Ele não constava no livro de Provérbios, uma vez que esse livro ainda não havia sido escrito. É uma afirmação verdadeira, mas o simples fato de Davi tê-la proferido nesse contexto não a torna infalível.
A essência do provérbio é que pessoas boas não recorrerão a ações perversas para alcançar seus objetivos; somente pessoas más o farão. Hoje, podemos reconhecer que existem meios à nossa disposição para promover nosso sucesso e até mesmo, aparentemente, promover o avanço da igreja, que são perversos. Essas “ferramentas” perversas podem parecer úteis para promover o que consideramos bons fins, mas Deus não deseja que recorramos a elas.
P: Em 1 Samuel 24:16-19, por que essa seria uma situação emocional para Saul?
R: Saul tentou capturar e matar Davi por medo. Em sua paranóia, Saul temia ser entregue nas mãos de Davi. Seus piores temores se concretizaram; ele foi entregue nas mãos de Davi. Em 1 Samuel 24:16, quando percebeu que sua paranóia era infundada, ele chorou de remorso por sua insanidade. Pelo menos naquele momento, Saul pôde ver que seu ódio por Davi era sem motivo.
P: Em 1 Samuel 24:20, Saul finalmente percebeu ali que Davi seria o próximo rei?
R: Na verdade, não. Jônatas disse a Davi que Saul já havia percebido que Davi seria o próximo rei em 1 Samuel 23:17. Mas Saul estava reconhecendo isso publicamente neste momento.
P: Em 1 Samuel 25:1, quais são as duas possíveis razões pelas quais todo o Israel lamenta a morte de Samuel?
R: Primeiro, todos respeitavam Samuel como um profeta que se importava genuinamente com o povo. Em segundo lugar, talvez também estivessem lamentando os tempos em que viviam, em que o rei e seu exército passavam a maior parte do tempo perseguindo Davi, um compatriota israelita. Era o fim de uma era, a era dos juízes, e, a partir de então, eles teriam de arcar com as despesas do rei e de sua corte. Sem Samuel, Saul poderia sentir que havia uma pessoa a menos vigiando suas ações, e Davi poderia se sentir mais sozinho.
P: Em 1 Samuel 25:1-44, qual é a estrutura deste capítulo?
R: Trata-se de um quiasmo, em que as partes são simétricas.
25:1a Samuel morreu
. 25:1b-3 Davi está fugindo perto de Nabal e Abigail
. . 25:4-13 Davi se prepara para se vingar do insulto de Nabal
. . . 25:14-19 Abigail prepara provisões para Davi e seus homens
. . . . 25:20-35 Abigail encontra-se com Davi
. . . 25:36-38 Abigail retorna para casa enquanto Nabal se empanturra de comida e vinho
. . Davi louva a Deus ao saber que foi Deus quem matou Nabal, e não Davi
. Davi toma Abigail como sua segunda esposa
Saul considera Davi morto e entrega Mical a outra pessoa
P: Em 1 Samuel 25:3, como era o caráter de Nabal?
R: Nabal era rude, o que significa que ele não respeitava nem valorizava os outros. Não é dito que Nabal fosse violento ou que roubasse os outros, mas, aparentemente, ele havia aprendido na vida a cuidar de si mesmo e a não se importar com mais ninguém, pelo menos fora de sua própria família. Ele queria o que queria sem levar em conta o efeito sobre os outros. Uma expressão coloquial moderna seria dizer que Nabal era um idiota. Aparentemente, ele não se importava em ser conhecido assim. Quando seu servo disse a Abigail, em 1 Samuel 25:17a, que ele era um homem sem valor com quem ninguém podia falar, ninguém repreendeu o servo por desrespeito. O nome Nabal, que significa “tolo”, provavelmente não foi o nome que sua mãe lhe deu ao nascer, pois uma mãe não daria esse nome ao próprio filho. Trata-se, provavelmente, de um apelido dado por outras pessoas. Talvez ele não se importasse com o que os outros pensavam ou com o que o chamavam. Observe que, em 1 Samuel 25:11, Nabal usa as palavras “eu” ou “meu” oito vezes. (Isso inclui “[eu] dou”.)
Existe hoje um movimento filosófico que ensina as pessoas a não se importarem com os outros, pelo menos fora de seu círculo. Ele foi iniciado por Ayn Rand (uma senhora) e é chamado de Objetivismo. Isso pode ser explicado pelo título de um livro que ela escreveu: “A Revolta de Atlas”.
A título de observação, Maom ficava a apenas uma milha ao sul de Carmelo, onde Saul havia construído um altar para si mesmo. Carmelo significa “lugar de jardim” ou “terra de vinhedos”. Esse era o local de Carmelo/Kurmul, em Judá, e não o alto Monte Carmelo, no norte de Israel.
P: Em 1 Samuel 25:4-35, Davi estava praticando extorsão, como afirmou um muçulmano?
R: Não, mas o questionador estaria certo em não querer seguir uma religião cujo profeta e primeiros líderes lucravam com esquemas de extorsão. Quatro pontos a serem considerados na resposta.
1. Davi não mantinha um esquema de extorsão, uma vez que ele próprio, aquele que prestava proteção, distribuía riquezas àqueles que protegia, conforme nos diz 1 Samuel 30:26-31. Os homens de Nabal atestaram que os soldados de Davi os ajudaram a protegê-los em 1 Samuel 25:14-16. Davi provavelmente os protegia tanto dos árabes beduínos quanto dos amalequitas.
2. Davi não estava pedindo a Nabal 1) um pagamento regular, nem 2) ouro, prata ou quaisquer outros objetos de valor. Davi estava simplesmente solicitando a comida que Nabal pudesse dispensar. Nabal nunca reclamou de qualquer pedido de dinheiro ou objetos de valor. Pelo contrário, 1 Samuel 25:11 mostra que Nabal entendeu esse pedido como sendo apenas por pão, água e carne.
3. Mais tarde, Davi reconheceu, com pesar, que teria cometido uma maldade ao matar Nabal e seus homens, conforme 1 Samuel 25:13, 33-34, 39.
4. Davi não estava zangado com Nabal por ele ter quebrado qualquer tipo de acordo de proteção. Pelo contrário, Davi estava zangado com Nabal por causa de sua resposta insultuosa em 1 Samuel 12:10-11.
Em contraste com isso, os muçulmanos, desde a época de Maomé em diante, têm cobrado um imposto especial apenas dos cristãos e judeus, chamado de jizya. De acordo com o Hadith de Bukhari, vol. 2, página 7, no glossário, a jizya é um “imposto per capita imposto pelo Islã aos povos das Escrituras e a outras pessoas que possuem um livro revelado (não muçulmanos) quando estão sob domínio muçulmano”. Os muçulmanos chegam a afirmar que cristãos e judeus deveriam ser gratos pela jizya, pois, sem ela, não teriam o direito de viver em terras muçulmanas sem serem mortos.
P: Em 1 Samuel 25:4-35, que lições podemos aprender com esse relato pouco lisonjeiro sobre Davi?
R: Há algumas perspectivas diferentes.
A perspectiva de Davi: Mesmo alguém que amava a Deus tanto quanto Davi podia ser corrompido pelo poder e tornar-se um opressor. Precisamos nos certificar de que não façamos o mesmo como indivíduos. Também devemos procurar garantir que as organizações, igrejas e nações onde vivemos não se tornem opressoras.
A perspectiva de Abigail: Uma mulher sábia impediu Davi de praticar o mal. É maravilhoso se pudermos persuadir outras pessoas, sejam elas crentes ou não, a abster-se do mal também nos dias de hoje. É instrutivo estudar o discurso de Abigail, sua maneira de persuadir e o que ela apelou em Davi.
P: Em 1 Samuel 25:10-11, o que podemos aprender com a atitude de Nabal em relação a Davi?
R: Nabal, é claro, sabia quem era Davi. Mas Nabal não admitia um conhecimento ou um fato que não quisesse reconhecer. Porém, se ele nada sabia sobre Davi, como Nabal sabia que ele era o filho de Jessé? Ele tentava dizer que Davi não passava de um zé-ninguém, pois nunca tinha ouvido falar dele. Provavelmente, ele estava menosprezando Davi apenas para justificar sua ganância e sua relutância em dar qualquer coisa a Davi e seus homens. É claro que as palavras de Nabal diziam muito sobre ele mesmo e nada sobre Davi.
Um segundo aspecto do caráter de Nabal é que ninguém conseguia dizer nada a ele, conforme 1 Samuel 25:17. Um tolo como Nabal não tem respeito nem por Deus nem pelos homens. Nabal se achava tão inteligente que acreditava não poder aprender nada com ninguém. No entanto, o resultado disso é que ele era tão estúpido — por escolha própria — que não conseguia aprender nada. Ele se achava inteligente, mas aqueles ao seu redor o reconheciam como estúpido, conforme 1 Samuel 25:25
Você já ouviu falar de pessoas hoje em dia que se recusam a admitir como fatos aquilo com que não concordam? Às vezes, elas podem dizer isso para tentar enganar seus seguidores, mas, mesmo assim, talvez os seguidores já saibam o que é verdade; no entanto, isso lhes dá uma desculpa para rejeitar fatos inconvenientes. Portanto, elas realmente não estão enganando ninguém que já não esteja ansioso para acreditar em uma mentira.
P: Em 1 Samuel 25:23-29, o que há de interessante na defesa de Abigail?
R: Abigail sabia muito bem que seu marido era insensato e inútil, mas, mesmo assim, protegeu-o e aos outros homens que estavam com Nabal. A conversa de Abigail com Davi foi quase idêntica à da mulher sábia de Tecoa, em 2 Samuel 14:1-20. Em ambos os casos, elas sabiam que estavam conversando com um crente.
Ambas se prostraram diante de Davi com o rosto no chão, conforme 1 Samuel 25:23-24 e 2 Samuel 14:4.
Ambas atribuíram a culpa pelo problema a si mesmas. 1 Samuel 25:24 e 2 Samuel 14:9.
Ambas pediram permissão para falar e que Davi as ouvisse antes de apresentarem suas palavras, em 1 Samuel 25:24 e 2 Samuel 14:12.
Em ambos os casos, Davi ouviu e concedeu o que elas desejavam, conforme 1 Samuel 25:35 e 2 Samuel 14:8.
Abigail também utiliza imagens que Davi compreenderia. Em 1 Samuel 25:19, ela fala do “fardo dos vivos” e da “bolsa da funda”. Um pastor teria duas bolsas. Na “bolsa dos vivos” haveria alimento para ele comer. Na “bolsa da funda” estaria uma funda e uma ou mais pedras. Abigail também usa o santo nome de Deus sete vezes em 1 Samuel 25:26-31, talvez para lembrar sutilmente a Davi quem está observando suas ações.
P: Em 1 Samuel 25:37, como o coração de Nabal se tornou como pedra?
R: Nabal era rico, possuía 3.000 ovelhas e 1.000 cabras. Ele ofereceu um banquete “digno de um rei” em 1 Samuel 25:36. Talvez quando Nabal soube do desastre que por pouco não o atingiu e de que só se salvou porque Abigail deu aos homens de Davi 200 pães, dois jarros de vinho, cinco ovelhas, cinco medidas de grãos, cem bolos de passas e 200 bolos de figo, conforme 1 Samuel 25:18. Isso provavelmente foi muito mais do que Davi esperava. Nabal sofreu um derrame e mais tarde faleceu. Além disso, o consumo de álcool aumenta o risco de derrame, e isso, combinado com a notícia de que algo terrível quase havia acontecido, pode ter elevado sua pressão arterial a níveis que provocariam um derrame.
P: Em 1 Samuel 25:44, por que Mical se casou com outra pessoa quando ainda era casada com Davi?
R: Aparentemente, Mical não teve escolha alguma nessa questão. Davi e Mical nunca se divorciaram, mas Saul, como rei, entregou-a em casamento a um homem chamado Palti (Paltiel, em 2 Samuel 3:15). Saul fez isso talvez como um sinal de que Davi era “já” um homem morto. Davi chamou Saul de seu “pai” em 1 Samuel 24:11. Saul não era apenas metaforicamente um pai para todos os israelitas, mas também era sogro de Davi. Saul queria mudar isso. Não sabemos se Saul havia dado Mical em casamento após o incidente com Nabal ou antes.
P: Em 1 Samuel 26:1, por que os zifitas estavam tentando convencer Saul a capturar Davi novamente, após a promessa de Saul?
R: Os zifitas não tinham nenhum motivo, a não ser a esperança de que Saul os recompensasse. Parece que Saul não planejava perseguir Davi novamente, mas quando os zifitas lhe deram notícias sobre Davi, Saul, para ser coerente, voltou a persegui-lo.
P: Em 1 Samuel 26:5-11, Davi estava ousado ou com medo?
R: Davi é um estudo interessante de como ele conseguia confiar corajosamente na proteção de Deus diante de Golias e também nesta ocasião, mas, ao mesmo tempo, podia sentir medo de Saul. Saul dormia em um local seguro, no meio de seu exército, ao lado de Abner. No entanto, aqui Deus fez com que um sono profundo tomasse conta de Saul e de seus homens, conforme 1 Samuel 26:12. Pode-se ver isso como uma inconstância e uma indecisão, mas não somos todos assim às vezes? Davi provavelmente sofria muita pressão por estar constantemente fugindo. Aparentemente, Davi agiu como se pudesse confiar que Deus o livraria dos filisteus, mas não confiou plenamente que Deus o livraria de Saul. Mas, mesmo depois de tudo isso, Davi não se permitiu odiar Saul.
P: Em 1 Samuel 26:6, há alguma evidência extra-bíblica sobre Joabe?
R: Sim. Duas impressões de selos de argila hebraicos, chamados bullae, datadas de 650 a 550 a.C., fazem referência a “Jeoabe”.
P: Em 1 Samuel 26:7-12, por que Davi foi tão cuidadoso em valorizar Saul?
R: Davi foi ungido como sucessor de Saul. Samuel nunca disse que isso significava que Davi tinha o direito de matar aquele que fora escolhido por Deus. Talvez Davi também estivesse pensando em seu próprio futuro ao dar o exemplo de não matar o líder ungido por Deus.
P: Em 1 Samuel 26:7-12, até que ponto os cristãos devem respeitar líderes que não são piedosos ou que não são líderes legítimos?
R: Embora Saul não estivesse seguindo a Deus, ele ainda assim poderia ser o líder legítimo. Romanos 13:1-7 e 1 Pedro 2:13-17 dizem para nos submetermos, não nos rebelarmos, pagarmos impostos e respeitarmos os governantes e as autoridades. As únicas restrições explícitas são que nossa “liberdade não deve servir de pretexto para o mal”, de acordo com 1 Pedro 2:16 (NVI), e que devemos viver como servos de Deus. Quando há um conflito entre uma autoridade e o fato de sermos servos de Deus, viver como servo de Deus, naturalmente, tem precedência.
P: Em 1 Samuel 26:19, por que Davi estava sempre em perigo constante?
R: Davi concluiu que isso se devia a uma de duas razões: ou Davi havia pecado sem saber, ou então homens maus estavam por trás disso. Se Davi tivesse pecado, caso soubesse qual era o pecado, ele se arrependeria e ofereceria um sacrifício. Se fosse por causa de homens maus, eles deveriam ser capturados e punidos. Davi não enxergava além disso. Saul queria matar Davi porque o via como uma ameaça. Davi demorou a perceber isso porque
Embora a segunda razão fosse verdadeira, havia também uma terceira. Deus estava treinando Davi, testando seu caráter ao não permitir que ele matasse Saul e Nabal.
P: Em 1 Samuel 26:19, as pessoas devem odiar seus inimigos, como ensina a seita “Filhos de Deus (Família do Amor)”?
R: Não. Embora Davi possa ter odiado algumas pessoas más, nunca nos é ordenado que odiemos ninguém. 1 João 4:20-21 nos adverte solenemente que os verdadeiros crentes não podem odiar seus irmãos. No entanto, ainda devemos odiar o pecado.
P: Em 1 Samuel 26:20, qual foi a lição que Davi quis transmitir sobre a pulga e a perdiz?
R: A pulga não tem valor algum. Ninguém tentaria capturar uma pulga. Embora fosse difícil capturá-la, há tantas outras que isso não faria diferença. Existe apenas uma espécie de perdiz no deserto ao redor da Judéia, chamada de perdiz-da-areia. Ela é pequena e corre muito rápido, pelo menos até ficar exausta de repente. A perdiz é uma ave pequena, quase impossível de capturar, e que não vale muito se você a capturar. Davi está perguntando por que Saul, em vez de se dedicar aos assuntos da realeza e aos filisteus, está dedicando tanta atenção a capturá-lo.
P: Em 1 Samuel 27:1, Davi estava certo em temer Saul?
R: Saul já havia declarado que nunca mais perseguiria Davi — mais uma vez. Davi provavelmente raciocinou que, como Saul já havia vindo atrás dele várias vezes e Davi já havia feito todo o possível para demonstrar sua lealdade antes da última busca de Saul, ele tinha todos os motivos para continuar desconfiado e não tinha esperança de se livrar da pressão de ser caçado. Davi parecia vacilar em sua confiança na capacidade de Deus de protegê-lo e viu uma solução na proteção dos filisteus. Era compreensível que Davi fosse cauteloso, mas temer que Deus seja incapaz de protegê-lo não é uma motivação adequada para um crente. Até que ponto Davi confiou em Saul depois disso? Davi não devolveu a lança diretamente, mas disse a Saul para enviar um servo para buscá-la, conforme 1 Samuel 26:22. Davi ficou com o jarro, talvez como uma possível lembrança futura de sua misericórdia para com Saul. As Escrituras não registram que Saul tenha tentado perseguir Davi novamente. Portanto, talvez Saul tenha aprendido que Deus protegeria Davi e desistido de tentar capturá-lo. No entanto, mesmo que isso fosse verdade, Davi não sabia disso. Também parece questionável que Davi tenha ido servir aos filisteus, que eram inimigos de Israel.
Resumo: As ações de Davi aqui foram muito compreensíveis, mas “compreensível” não significa necessariamente “certo”.
P: Em 1 Samuel 27:1-7, por que Davi serviu a Aquis como mercenário?
R: Quatro pontos a serem considerados na resposta.
1. Embora Davi tivesse fingido estar louco anteriormente, desta vez ele não fingiu. Davi assumiu um risco calculado ao voltar para Gate. Aquis provavelmente era um nome real, como Faraó, portanto, poderia tratar-se de uma pessoa diferente do Aquis anterior. Independentemente disso, os filisteus sabiam que Saul não se reconciliaria com Davi e, por isso, acolheram abertamente alguém que lhes pudesse ser útil.
2. Não era incomum que os exércitos contassem com mercenários, e Deus nunca proibiu isso, nem na Bíblia, nem por meio de comunicação direta com Davi.
3. Outros hebreus haviam servido como mercenários nos exércitos filisteus, conforme 1 Samuel 14:21.
4. Embora Aquis fosse um filisteu que lutava contra os israelitas, Davi nunca lutou contra os israelitas.
5. Davi lutou contra os amalequitas, que não eram amigos nem dos israelitas nem dos filisteus.
P: Em 1 Samuel 27:8,30, por que Davi atacou os amalequitas, já que Saul já os havia destruído em 1 Samuel 15:7-8?
R: Três pontos a serem considerados na resposta.
1. 1 Samuel 15:7-8 diz que Saul alegou ter destruído completamente apenas os amalequitas, desde Havila até o deserto de Sur. (Sur ficava ao sul de Judá.) Os amalequitas poderiam ainda ter vivido fora dessa região. Alternativamente, a alegação de Saul poderia ter sido parcialmente incorreta.
2. 1 Samuel 17:8 mostra que alguns amalequitas ainda habitavam no caminho para Sur.
3. Independentemente de esses amalequitas não terem sido atacados por Saul, de terem sido atacados, mas escapado, ou de terem sido capturados, mas posteriormente libertados por Saul, alguns desses amalequitas ainda permaneciam.
P: Em 1 Samuel 27:10-12, Davi agiu corretamente ao mentir ao rei Aquis de Gate?
R: Assim como nos outros casos, esse era o modus operandi de Davi em tempos de guerra.
Aquis pensava que sabia o que Davi estava fazendo porque recebia continuamente relatórios sobre Davi — do próprio Davi. Davi estava longe o suficiente, em Ziclague, para que Aquis não pudesse monitorá-lo diretamente. Se as informações que o senhor recebe para analisar uma situação provêm de uma fonte tendenciosa ou não confiável, elas podem parecer mais verossímeis quanto mais informações o senhor obtiver, mas isso não as torna mais confiáveis.
Davi tornou-se conhecido por Saul inicialmente por meio das batalhas contra os filisteus, e agora ele sairá da vida de Saul por intermédio dos filisteus.
P: Em 1 Samuel 28:1-2, de que forma Davi estava no lugar errado?
R: Davi estava no lugar errado porque deu ouvidos ao medo, e não à fé. Davi naturalmente se sentia mais seguro com os inimigos de Deus, os filisteus, do que fugindo de Saul. Mas agora Davi foi chamado a lutar contra o povo de Deus. Será que o homem que se recusou a tocar no ungido do Senhor agora mataria israelitas que seguiam a Deus porque um rei pagão lhe ordenou?
Observe que Davi não consultou o Senhor antes de ir para os filisteus, e também não consultou o Senhor antes de dar uma resposta favorável ao rei Aquis. Davi nunca deveria ter se encontrado nessa situação, para começar. Era uma situação precária, pois se seus 600 homens se voltassem contra os filisteus na batalha, estes certamente se lembrariam disso e os exterminariam todos.
Ter israelitas como Davi lutando no exército filisteu talvez não fosse visto como algo tão estranho, pois alguns já estavam lá, conforme 1 Samuel 14:21. A providência de Deus interveio para impedir que Davi tivesse que matar seus compatriotas israelitas. No entanto, quando Davi voltou para Ziclague, os amalequitas haviam levado tudo.
P: Em 1 Samuel 28:1-2, como um cristão hoje pode estar no lugar errado?
R: É fácil para um cristão se encontrar em uma situação comprometedora. Os cristãos podem estar “no comício errado”, apoiando politicamente aqueles que são hostis ao cristianismo. Os cristãos podem estar em um emprego maligno; não necessariamente praticando o mal eles próprios, mas auxiliando diligentemente uma empresa que está praticando atos malignos; por exemplo, atuando como contador em uma clínica de aborto. Às vezes, pode ser trabalhar para uma empresa que, em si, é aceitável, como uma seguradora de saúde, mas receber ordens para fazer coisas erradas, como se esforçar ao máximo para encontrar qualquer pretexto para negar pedidos de indenização que deveriam ser pagos até que o prazo para a apresentação desse pedido tenha expirado.
Às vezes, podemos relutar em deixar um bom emprego que serve ao mal por causa do conforto, da arrogância ou simplesmente da preguiça moral. Mas considere o panorama a longo prazo; daqui a cinco ou dez anos, o senhor terá orgulho de contar aos outros para quem trabalhou e o que fez?
Sempre que tiver uma nova oportunidade de emprego, antes de dizer “sim”, ore e pergunte a Deus se Jesus gostaria que Seus filhos trabalhassem ali. E se descobrir que, de fato, está no lugar errado, seja uma testemunha do motivo pelo qual está ali, pelo menos até ser demitido. Você pode dizer: “Mas preciso sustentar minha família”. Se essa desculpa é boa o suficiente para um ladrão, isso a torna boa o suficiente para você?
Um cristão pode estar no lugar errado por ganância material, por medo (como Davi) ou por apatia, ao não se dar ao trabalho de verificar se esse é um emprego que Deus deseja que você tenha ou não. É uma situação triste se as coisas estão indo bem para você, exceto pelo fato de que você está esquecendo para quem deveria estar trabalhando.
P: Em 1 Samuel 28:3-6, qual era a situação ali?
R: Saul estava em uma situação difícil. Provavelmente contava com 3.000 soldados de elite, além de outros que não eram soldados profissionais, mas que foram recrutados à força para a batalha. Saul nunca teve tropas suficientes para sequer considerar atacar uma das cinco principais cidades filisteias. O exército de Saul acampou nas encostas do Monte Gilboa (atual Jebel Fuquah), a cerca de 40 milhas a leste dos filisteus, em Afeca. Saul preferia acampar perto de uma montanha para neutralizar a vantagem filisteia das carruagens e dos cavalos.
Não temos certeza do número mencionado em 1 Samuel 13:5, mas eles contavam com 6.000 cavaleiros, provavelmente um número menor de carruagens e, provavelmente, dezenas de milhares de soldados de infantaria. Os outros comandantes filisteus provavelmente não davam muita importância às forças de Davi, pois 600 homens seriam uma gota no oceano para eles.
Saul manter seu exército próximo às montanhas era uma boa estratégia para que os filisteus não pudessem usar suas carruagens ou cavalaria. Mas, se os filisteus tivessem de três a cinco vezes mais infantaria do que Saul, a situação não parecia nada boa, a menos que houvesse um milagre de Deus. No entanto, Saul afastou o próximo rei designado por Deus. Saul poderia pedir aos sacerdotes que fizessem um sacrifício a Deus por ele, mas Saul havia ordenado o massacre de todos os sacerdotes na aldeia de Nob. Saul poderia pedir ao sumo sacerdote Abiatar que usasse o éfode para saber o que Deus queria que ele fizesse, mas Abiatar pegou o éfode e fugiu para se juntar a Davi depois que Saul ordenou que seu pai fosse morto. Saul estava ficando desesperadamente sem opções; só que ele percebeu que talvez ainda tivesse uma.
P: Em 1 Samuel 28:6, Saú consultou o Senhor, ou ele não consultou o Senhor em 1 Crônicas 10:14?
R: Embora isso possa ser um erro do copista, tanto o texto massorético hebraico quanto a Septuaginta grega dizem o mesmo, e há uma explicação mais simples.
Há uma enorme diferença entre fazer algo e fazer algo com sinceridade.
A palavra hebraica shalal, em 1 Samuel 28:6, significa consultar, solicitar, exigir, implorar ou pedir emprestado. Ela é usada em outras 19 ocasiões no Antigo Testamento. Isso não significa necessariamente perguntar de forma insincera. Trata-se, antes, de uma palavra geral para “perguntar”, podendo ser sincera ou insincera.
A palavra hebraica “darash”, em 1 Crônicas 10:14, significa principalmente “seguir” e, por implicação, “buscar”, “pedir” ou “adorar”. Nas outras 41 ocorrências em que é usada no Antigo Testamento, refere-se a algo que as pessoas imploram a Deus ou a ídolos, mas não a ambos.
Em contraste com o uso de “shalal” em 1 Samuel 28:6, quando Saul perguntou a Deus, 1 Samuel 28:7 utiliza a palavra “darash” quando Saul procurou a bruxa (na verdade, uma necromante) de Endor.
Embora Saul possa ter perguntado de maneira casual, ele certamente não consultou a Deus utilizando os meios estabelecidos pelos sacerdotes. Lembre-se de que Saul havia matado todos os sacerdotes de Nob, com exceção de Abiatar. Abiatar havia levado o éfode consigo quando fugiu de Saul em 1 Samuel 23:6.
Saul poderia consultar o Senhor, mas, sem arrependimento, é difícil que a consulta seja sincera, uma vez que ele já havia matado a maioria dos sacerdotes de Deus que poderiam realizar a consulta.
P: Em 1 Samuel 28:6, Saú consultou a Deus por meio do Urim, ou será que Abiatar possuía o Urim quando foi ter com Davi, anteriormente, em 1 Samuel 22:23?
R: 1 Samuel 28:6 afirma explicitamente que Deus não respondeu a Saul por meio do Urim. Por que Deus deveria conceder a Saul a dignidade de uma resposta, quando ele mandou matar os sacerdotes na cidade de Nob? É claro que Deus não respondeu a Saul por meio do Urim, pois Abiatar possuía o Urim, e Saul pretendia matá-lo. Consulte “Dificuldades e Aparentes Contradições da Bíblia”, pp. 155-156, para obter mais informações.
P: Em 1 Samuel 28:7-10, por que Saú procurou a médium/bruxa de Endor depois de ordenar que as bruxas fossem executadas?
R: Saul já havia ordenado que as bruxas fossem condenadas à morte. Talvez Saul estivesse, de forma consciente e deliberada, apenas tentando enganar as outras pessoas para que pensassem que ele era um homem de Deus, mas há uma resposta mais provável. Saul acreditava sinceramente que era um homem de Deus, pois havia se iludido. Ele sabia que Deus havia ordenado a execução das bruxas (Levítico 19:31; 20:6-7, 27; Deuteronômio 18:9-14 e, posteriormente, Isaías 8:19), e Saul estava tentando cumprir a vontade de Deus. Mas Saul tinha um ponto cego enorme: ao tentar matar o próximo rei designado por Deus, ele matou o sumo sacerdote Aimeleque e massacrou todos os sacerdotes na aldeia de Nob. Se ele parasse para refletir sobre isso, será que Deus realmente estava satisfeito com essas ações? Saul provavelmente não concordava nem discordava, pois nunca parou para pensar nisso. É um “detalhe” curioso que, embora Saul já tivesse eliminado as médiums anteriormente, ele mesmo tenha procurado aquela mulher; quando ela questionou a segurança de entrar em contato com os mortos para Saul, ele a assegurou de que ela não seria punida — e jurou que “como vive o SENHOR”. Essa seria a última vez que Saul invocaria o nome do Senhor.
Portanto, nunca subestime o poder do autoengano humano. Isso pode parecer óbvio demais para nós, mas não era óbvio para Saul. 2 Coríntios 13:5 nos diz para examinarmos a nós mesmos. Saul tinha um enorme ponto cego; podemos perceber isso facilmente. Ele estava tentando usar um meio de desobediência para descobrir a vontade de Deus. Mas examine a si mesmo e peça a Deus que lhe mostre se você também tem um ponto cego em sua obediência e caminhada com Deus. Quando Saul estava com a bruxa de Endor, Deus não disse a Saul para fazer nada. Saul não deu ouvidos a Deus durante a maior parte de sua vida; de que adiantaria dizer algo a Saul agora?
P: Em 1 Samuel 28:8, por que Saul sentiu que precisava se disfarçar e ir até a bruxa?
R: É um quadro lamentável. Saul, que quando jovem se havia escondido para não ser escolhido como rei, contrariando a vontade de Deus, agora ocultava sua identidade para visitar uma bruxa, contrariando a vontade de Deus. Saul não se orgulhava nem um pouco do que estava prestes a fazer. Depois de livrar a terra das bruxas, conforme Deus ordenara, Saul iria pessoalmente procurar uma bruxa.
Essa é uma lição sobre estar desesperado pela voz e pela ajuda de Deus sem obediência. Saul certamente teria preferido ir aos sacerdotes, muitos dos quais ele matou em Nob, ou pedir a Abiatar que consultasse a Deus por meio do efode, não fosse o fato de que ele havia matado o pai de Abiatar, Aimeleque. Saul estava frenético diante de uma situação sombria. Nesse momento, o desejo de Saul de ouvir a Deus e de obter ajuda Dele era maior do que seu desejo de seguir a Deus. Mas de que adianta a orientação de Deus se você não a segue?
P: Em 1 Samuel 28:13, em que forma Samuel se apresentou?
R: A palavra hebraica aqui é elohim. Mas isso não significa um deus, e sim um espírito ou algo sobrenatural.
P: Em 1 Samuel 28:15-19, em Endor, com quem a médium/bruxa se comunicou?
R: Existem três interpretações: ninguém, um demônio se passando por Samuel ou o próprio Samuel
Ninguém: Como ninguém além da mulher viu Samuel, talvez ela estivesse apenas fingindo, e não houvesse ninguém ali. No entanto, ela já havia fingido se comunicar antes, esperava que “ninguém aparecesse” e ficou genuinamente surpresa nessa ocasião.
Um demônio: Nada indica que se tratasse de algo mais do que um demônio aparecendo à bruxa e se passando por Saul. Até mesmo pessoas podem se passar por outras pessoas; então, por que um demônio não poderia fazer o mesmo? Essa é a visão de dois escritores cristãos primitivos e de muitos autores modernos.
Tertuliano (198-220 d.C.), em *Tratado sobre a Alma*, capítulo 57, *Padres Ante-Nicenos*, vol. 3, p. 234, foi um dos primeiros cristãos conhecidos a responder a essa questão e apresentou essa visão. Hipólito (225-235/6 d.C.), em “Comentário sobre os Reis”, p. 169, do volume 5 dos “Pais Ante-Nicenos”, também respondeu da mesma forma. Efraim o Sírio, Teodoreto ou Ciro, Martinho Lutero e João Calvino também ensinaram essa visão.
Samuel: Esta é a interpretação mais direta. A mulher era uma impostora e ela própria ficou surpresa quando Deus permitiu que Samuel falasse com Saul. Além de dizer a Saul que Deus havia deixado de ajudá-lo porque Saul havia abandonado a Deus, as únicas coisas ditas eram aquelas que Saul já poderia saber. No entanto, quando Moisés e Elias apareceram na transfiguração de Jesus, eles apareceram em glória. Quando Samuel apareceu aqui, apenas para a bruxa, ele era um homem idoso vestindo uma túnica. Consulte “Astrologia e Fenômenos Psíquicos” no *The Bible Knowledge Commentary: Antigo Testamento*, p. 454; *The MacArthur Bible Commentary*, p. 343; e *Hard Sayings of the Bible*, pp. 217-218, para mais informações sobre essa interpretação.
A resposta é que as Escrituras não dizem. Embora seja aceitável ter diversas visões, é importante diferenciar entre o que Deus disse nas Escrituras e nossas próprias visões.
Por que Deus não optou por nos dizer claramente mais sobre este e outros exemplos, como o de Balaão? Quatro pontos a serem considerados.
1. Nas Escrituras, Deus nos disse tudo o que precisávamos saber. Aparentemente, Deus não viu necessidade de nos dizer mais sobre isso, e, de qualquer forma, não devemos ter nada a ver com o ocultismo.
2. Na vida, assim como nas Escrituras, Deus às vezes nos apresenta situações em que claramente não temos todas as peças do quebra-cabeça. Na vida, assim como nas Escrituras, devemos aceitar isso, juntar as “peças do quebra-cabeça” que nos foram dadas e seguir em frente. Talvez Deus nos dê exatamente essas lições nas Escrituras para nos preparar para a vida.
3. Se Deus tivesse decidido nos revelar tudo o que alguém desejasse saber, então, em vez de uma Bíblia, teríamos algum tipo de enciclopédia que faria com que toda a Biblioteca do Congresso parecesse pequena em comparação. E como as pessoas leriam tudo isso, quando muitas delas nunca sequer leram a Bíblia inteira que nos foi dada?
P: Em 1 Samuel 28:19, para onde Saú foi para estar com Samuel?
R: Há duas respostas possíveis.
O túmulo: O corpo de Samuel jazia no pó, e o de Saul também jazeria ali, após sua morte no dia seguinte. O livro *Dificuldades e Aparentes Contradições da Bíblia*, p. 107, defende essa visão.
No paraíso: Alguns consideram que Saul ainda estaria com Deus, assim como Samuel.
É claro que poderia ter sido Samuel, ou então um demônio se passando por Samuel. Os demônios não dizem necessariamente a verdade.
Independentemente disso, essa foi a última noite de Saul na Terra, e ele sabia disso perfeitamente. Saul também sabia que estava separado de Deus e, pelo que sabemos, nunca se arrependeu de ter mandado executar o sumo sacerdote Aimeleque e os sacerdotes de Nob.
P: Em 1 Samuel 29:2-3, por que os comandantes desconfiavam de Davi?
R: Há dois pontos de vista: o divino e o humano.
Divino: Trata-se de pura graça; Deus está salvando Davi das desastrosas consequências morais e políticas de sua decisão insensata de se refugiar junto a um rei pagão contra o povo de Deus. A canção aparentemente famosa que o espírito cantou — de que Saul havia matado milhares e Davi, dezenas de milhares — havia colocado Davi em grande apuro com um Saul invejoso. Mas, neste caso, a mesma canção salvou Davi e seus homens de terem que sair para lutar contra o povo de Deus.
Perspectiva humana: Outros israelitas haviam lutado no exército filisteu em 1 Samuel 14:21; portanto, não era o fato de ele ser israelita que os preocupava. Mas, em 1 Samuel 14:21, esses israelitas haviam se voltado contra os filisteus no meio da batalha, e eles se perguntavam se Davi poderia agir como eles. Mas lembre-se de que a canção que divulgou a “fama” de Davi por ter matado Golias os levaria a concluir que havia uma grande probabilidade de Davi agir dessa forma. Eles já contavam com tantas tropas que não precisavam correr esse risco.
P: Em 1 Samuel 29:9, por que o filisteu Aquis dizia que Davi era tão bom para ele quanto um anjo de Deus?
R: Pode-se interpretar que Aquis estava elogiando Davi, dizendo que ele era tão bom quanto um anjo do Deus de Davi. No entanto, a palavra hebraica para “Deus” aqui é elohim. Esse era um termo para designar deuses ou seres supostamente divinos, utilizado por muitas culturas além dos israelitas. Portanto, Aquis estava apenas usando o termo em um sentido geral.
P: Em 1 Samuel 30:1, há alguma evidência arqueológica dessa destruição de Ziclague?
R: Não, nem deveríamos esperar que houvesse. Embora haja evidências da destruição de muitas cidades, qualquer evidência de destruição de Ziclague não seria interpretada como se referindo a essa destruição específica. A razão é que o povo de Davi pôde reconstruir Ziclague imediatamente e remover os escombros.
P: Em 1 Samuel 30:1-25, que princípio podemos aprender hoje sobre a divisão dos espólios de guerra feita por Davi?
R: Lembre-se de que os homens haviam acabado de percorrer, em três dias, a distância de cerca de 80 milhas entre as proximidades de Afec e Ziclague. Agora, eles estavam em outra marcha.
Todos os que estavam dispostos a lutar e comprometidos com a luta receberam uma parte. Doença ou exaustão genuína não faziam com que uma pessoa perdesse sua parte. Da mesma forma, em uma empresa idealmente “perfeitamente equitativa” hoje em dia, as recompensas não vão apenas para aqueles que produzem resultados. Elas também vão para aqueles que certamente teriam produzido resultados, mas outras circunstâncias imprevistas, além de seu controle, os impediram de alcançar um resultado tão bom.
P: Em 1 Samuel 30:6, por que Davi passou por uma crise de liderança nessa ocasião; ele não fez nada?
R: Talvez o fato de Davi não ter feito nada tenha sido o problema. Um soldado típico do exército de Davi poderia estar lutando para apoiar Davi como rei, por seu país e pela segurança de sua família. Davi não mataria Saul para se tornar rei; Davi e suas tropas estavam muito próximos de ter que lutar contra outros israelitas; e, em vez de proteger suas famílias em Ziclague, Davi as fez marchar, deixando Ziclague indefesa sem motivo algum, e o resultado foi que seus bens e suas famílias foram levados. O que restava para os homens lutarem? Como Davi demonstrou disposição para lutar contra Israel, talvez os homens tenham interpretado o sequestro (ou a morte, eles não sabiam) de suas famílias como um castigo de Deus por estarem dispostos a lutar contra os israelitas.
Davi não sabia o que dizer nem como resolver essa grave crise, mas sabia a quem recorrer em busca de ajuda. Assim, em 1 Samuel 30:7-8, Davi consultou a Deus por meio do éfode. Tenho certeza de que, quando Davi disse aos homens que eles seriam “convidados surpresa” na celebração da vitória dos amalequitas e recuperariam suas famílias, não houve discordância. No entanto, no deserto, os amalequitas poderiam ter ido para qualquer lugar. Seria muito difícil encontrá-los, não fosse pelo fato de que Deus, providencialmente, deixou para trás um escravo egípcio que poderia guiá-los.
P: Em 1 Samuel 30:14, onde estavam os quereteus?
R: Os quereteus eram um subgrupo dos filisteus. Os filisteus eram originários das ilhas do Mediterrâneo, incluindo Creta e, talvez, a Sicília, a Córsega e a Sardenha. Os arqueólogos acreditam que os quereteus, especificamente, vieram da civilização minóica de Creta.
P: Em 1 Samuel 30:18-20, por que Davi tomou o saque dos amalequitas, se Saul havia sido desqualificado para o reinado, em parte, por ter feito exatamente isso?
R: Embora as Escrituras não o mencionem, podemos observar que grande parte do saque dos amalequitas foi obtida por incursões de israelitas e, talvez, de filisteus. Samuel havia dito especificamente a Saul, com antecedência, que ele não deveria ficar com o saque, mas nem Abiatar nem qualquer outra pessoa disse a Davi que ele não poderia recuperar o saque.
P: Em 1 Samuel 30:26-31, o que podemos aprender sobre Davi ter distribuído parte de seu espólio conquistado com tanto esforço?
R: Embora Jesus tenha nascido mil anos depois, Davi estava colocando em prática um princípio que Jesus ensinou em Lucas 16:9: “E eu lhes digo: façam amigos para si mesmos com os bens deste mundo, para que, quando eles se esgotarem, sejam acolhidos nas moradas eternas.” (NET). Davi sabia que essas pessoas seriam seus futuros súditos e queria mostrar a elas suas intenções de beneficiá-las materialmente, além de protegê-las.
Todos os seiscentos homens tinham a mesma intenção, mas apenas quatrocentos tiveram a força para alcançar resultados. Davi distribuiu os espólios com base na intenção
P: Em 1 Samuel 30:28, encontramos a prata que Davi enviou para Eshtemoa?
R: Na verdade, não. Um jarro de prata foi encontrado em Es-Temoa que, em determinado momento, foi considerado como sendo da época de Davi, mas os jarros de barro encontrados junto com a prata indicam que isso ocorreu cerca de um século após a época de Davi.
P: Em 1 Samuel 31:2, por que Deus permitiu que Jônatas, amigo íntimo de Davi, morresse em Afec?
R: As Escrituras não dizem o que teria acontecido se Jônatas tivesse sobrevivido. Quando alguém, como Saul, é desobediente, muitas vezes sua família também sofre. Os acontecimentos de 1 Samuel 30 ocorreram simultaneamente aos de 1 Samuel 30; assim, enquanto havia boas notícias de vitória ao sul de Ziclague, havia más notícias de derrota em Gilboa.
P: Em 1 Samuel 31:4-5, uma pessoa que cometeu suicídio ainda pode ir para o céu?
R: Sim. Consulte a discussão sobre Juízes 16:26-27 para obter a resposta.
P: Em 1 Samuel 31:4-5, de quantas maneiras o rei Saul pode morrer? Aparentemente, três!
1 Samuel 31:4-5 (Morte por suicídio) Então Saul disse ao seu escudeiro: “Desembainhe a sua espada e traspasse-me com ela, para que esses incircuncisos não venham e me traspassem e se insulte-me”. Mas o seu escudeiro não quis, pois estava com muito medo. Por isso, Saul tomou uma espada e se lançou sobre ela. E quando seu escudeiro viu que Saul estava morto, lançou-se também sobre a sua espada e morreu com ele
2 Samuel 21:12 (Morto pelos filisteus) E Davi foi e recolheu os ossos de Saul e os ossos de Jônatas, seu filho, dos homens de Jabes-Gileade, que os haviam roubado da rua de Bete-Sã, onde os filisteus os haviam pendurado, quando os filisteus mataram Saul em Gilboa:
1 Crônicas 10:13-14 (Morte pela mão de Deus) Assim, Saul morreu por causa da transgressão que cometeu contra o SENHOR, contra a palavra do SENHOR, que não guardou, e também por ter consultado uma vidente para indagar com ela; e não consultou o SENHOR; por isso, ELE O MATOU e entregou o reino a Davi, filho de Jessé.
R: Se Deus agisse de tal forma que os soldados de um rei capturassem um criminoso, e o rei condenasse o criminoso à morte, o senhor diria que foi o carrasco quem matou o prisioneiro, o rei ou Deus? Obviamente, todos os três: um diretamente, outro indiretamente e Deus agindo por meio de outros. Saul cometeu suicídio diretamente; ele morreu indiretamente porque os filisteus já o haviam ferido, provavelmente sem esperança de recuperação, e estavam prestes a capturá-lo e matá-lo; pois Deus agiu de modo que Saul morresse naquele dia. O fato de Saul ter se lançado sobre sua própria espada apenas acelerou sua morte e permitiu que ele morresse em seus próprios termos, e não nos dos filisteus. O Senhor frequentemente age por meio de instrumentos humanos, e Deus fez com que ele perdesse a batalha e se encontrasse em uma situação da qual não havia como escapar com vida. Quanto aos filisteus, nunca foi dito que eles o mataram, mas não seria de se esperar que os filisteus deixassem o corpo do rei inimigo intacto.
P: Em 1 Samuel 31:4-6, Saúl cometeu suicídio, ou um amalequita matou Saúl em 2 Samuel 1:1-16?
R: Saul se matou. 2 Samuel 1:1-16 não diz que um amalequita matou Saul. Em vez disso, mostra que um amalequita alegou a Davi ter matado Saul. O amalequita mentiu, esperando uma recompensa, mas Davi mandou executá-lo.
P: Em 1 Samuel 31:11-12 e 1 Crônicas 10, por que os homens de Jabes-Gileade entraram furtivamente e levaram os corpos de Saul e de seus filhos para enterrá-los?
R: Os corpos decapitados de Saul e de seus filhos estavam pendurados na muralha de Bet-Sã como sinal de desonra. Bet-Sã era uma cidade hebraica agora repovoada pelos filisteus. Como precedente histórico para isso, o faraó egípcio Amenhotep II mandou enforcar seis inimigos núbios na face da muralha de Tebas (John A. Wilson em ANET, p. 248).
Os homens de Jabes-Gileade retiraram os cadáveres com carinho durante a noite, por respeito e gratidão para com Saul. Saul salvou o povo de Jabes-Gileade dos amonitas em 1 Samuel 11:1-11. Depois de cremarem os corpos, jejuaram por sete dias, como se faria por um rei respeitado.
P: 1 Samuel 31:12 e 1 Crônicas 10:12: a cremação é uma forma adequada de sepultamento para um crente?
R: A cremação é aceitável. A Bíblia não indica que a cremação seja melhor ou pior do que outras formas de descartar nossa “tenda” depois que não precisamos mais dela.
Os israelitas costumavam enterrar os corpos; talvez tenham queimado primeiro os corpos decapitados e mutilados de Saul e de seus filhos porque estavam em estado de grande mutilação. Eles puderam identificar Saul tanto por sua altura quanto por sua armadura real. Assim como Davi cortou a cabeça de Golias com a ajuda de Deus, os filisteus cortaram a cabeça de Saul, que havia abandonado a Deus. Assim como os israelitas levaram a cabeça e a espada de Golias como troféus, os filisteus levaram as cabeças e a armadura de Saul e de três de seus filhos como troféus. Saul viveu tentando servir a Deus segundo seus próprios termos. No fim, Saul morreu segundo seus próprios termos.
Os homens de Jabes-Gileade enterraram os ossos de Saul e de seus filhos sob uma árvore de tamargueira, semelhante àquela sob a qual Saul costumava presidir seu tribunal. Mais tarde, Davi mandou transferir os corpos de Saul e Jônatas para o túmulo de sua família, em Benjamim, conforme 2 Samuel 21:11-14.
Durante os períodos de perseguição nos dois primeiros séculos da Igreja, os mártires cristãos não se preocupavam particularmente com o que acontecia com seus corpos após serem mortos, fossem eles queimados até a morte ou devorados por animais selvagens.
P: Em 1 Samuel, quando esse livro foi escrito?
R: Provavelmente foi escrito vários anos após os eventos descritos. 1 Samuel 9:9 é o único exemplo no Antigo Testamento do que se chama de “mudança semântica”. O autor sentiu a necessidade de dizer que um “profeta costumava ser chamado de vidente”. O Talmude Babilônico (Bab Bathra 14b, 15a) afirma que Samuel escreveu os primeiros 24 capítulos, e o restante foi escrito por Natã e Gade. (1 Samuel 25:1 relata a morte de Samuel.)
No entanto, 1 Samuel 27:6 afirma que Ziclague [...] pertence aos reis (plural) de Judá até os dias de hoje. Isso significaria que ou todo o livro de Samuel, ou pelo menos essa parte, foi escrito após a divisão entre Israel e Judá, uma vez que não havia reis na época dos Juízes.
Os trechos em que a expressão “até hoje” é utilizada são 1 Samuel 5:5; 6:18; 27:6; 30:25; 2 Samuel 4:3; 6:8; 18:18.
P: Em 1 Samuel e 2 Samuel, quais são alguns dos manuscritos mais antigos que ainda existem hoje?
R: Manuscritos do Mar Morto: (c. 1 a.C.) 4 cópias. Um dos mais antigos manuscritos do Mar Morto é uma cópia de Samuel, datada do século III a.C.
O pergaminho do Mar Morto 4Q51 (=4QSam(a)) foi datado entre 192 e 63 a.C. por meio de datação por radiocarbono com espectrômetro de massa.
Fragmentos 1Q7 de 1 Samuel 18 e 2 Samuel 20:6-10; 21:16-18; 23:9-12
4Q51 (=Samuel(a)), de 50 a 25 a.C., contém fragmentos de 1 Samuel até 2 Samuel 25.
4Q52: final do século III ou início do século II a.C.
4Q53: O livro “The Meaning of the Dead Sea Scrolls”, p. 30, afirma que a análise acelerada por espectrometria de massa em Zurique atribuiu ao 4Q53 a data de 196-47 a.C. A “Enciclopédia dos Manuscritos do Mar Morto”, vol. 2, p. 820, indica que a data é 100-75 a.C.
O pergaminho dos Salmos 11Q5 também contém as últimas palavras de Davi, de 2 Samuel 23:1-7a.
No total, os Manuscritos do Mar Morto preservam 276 versículos dos 810 versículos totais do livro de 1 Samuel (34,1%).
1 Samuel 1:11-13, 22-28; 2:1-6, 8-11, 13-36; 3:1-4, 18-20; 4:9-12; 5:8-12; 6:1-7, 12-13, 16-18, 20-21; 7:1; 8:9-20; 9:6-8, 11-12, 16-24; 10:3-18, 25-27; 11:1, 7-12; 12:7-8, 14-19; 14:24-25, 28-34, 47-51; 15:24-32; 16:1-11; 17:3-6; 18:17-18; 19:10-17; 20:26-42; 21:1-10?; 23:9-17; 24:4-5, 8-9, 14-23; 25:3-12, 20-21, 25-26, 39-40; 25:30-32; 26:10-12, 21-23; 27:8-12; 28:1-2, 22-25; 30:28-31; 31:2-4.
Consulte o final de 2 Samuel para ver os versículos dos Manuscritos do Mar Morto correspondentes a esta passagem.
Os manuscritos da Bíblia cristã, datados de cerca de 350 d.C., contêm o Antigo Testamento, incluindo 1 e 2 Samuel.
O Vaticanus (325-350 d.C.) contém a totalidade de 1 e 2 Samuel
Nenhum versículo de 1 ou 2 Samuel está preservado no Sinaítico.
O Alexandrinus (c. 450 d.C.) contém todo o 1º e o 2º Livro de Samuel, exceto 1 Samuel 12:17-14:9.
Os primeiros escritores cristãos referiram-se a 1 e 2 Samuel.
P: Quais escritores antigos se referiram a 1 Samuel?
R: Os escritores pré-nicenos que citaram ou fizeram alusão a versículos de 1 Samuel são:
Filo, o Judeu (15/20 a.C. a 50 d.C.), referiu-se a 1 Samuel 1:14,29; 2:5; 9:9; 10:22.
Justino Mártir (c. 138-165 d.C.) (alusão) discute extensivamente os filisteus levando a arca para Asdode. Diálogo com Trifão, o judeu, cap. 132, p. 266
O Novo Testamento não faz referência a 1 Samuel, mas faz referência a 2 Samuel 7:8,14 em 2 Coríntios 6:18; a 2 Samuel 7:14 em Hebreus 1:5; e a 2 Samuel 22:50 em Romanos 15:9. É claro que, na época em que o Novo Testamento foi escrito, os judeus que falavam hebraico consideravam 1 e 2 Samuel como um único livro.
Meleto/Melito de Sardes (170-177/180 d.C.) refere-se aos “Quatro Livros dos Reinos” [1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis] entre os livros do Antigo Testamento em sua carta a Onésimo. Sobre a Páscoa, p. 72. Preservado na História Eclesiástica de Eusébio, livro 4, cap. 26.
Irineu de Lyon (182-188 d.C.) cita 1 Samuel 15:22 como sendo de Samuel. Irineu, *Contra as Heresias*, livro 4, cap. 17.1, p. 482
Clemente de Alexandria (193-217/220 d.C.) cita todo o texto de 1 Samuel 8:13 como sendo do profeta Samuel. *O Instrutor*, livro 3, cap. 4, p. 278
Tertuliano (207/208 d.C.) “Samuel diz a Saul” e, em seguida, cita todo o texto de 1 Samuel 15:28. *Cinco Livros Contra Marcião*, livro 2, cap. 24, p. 316
Tertuliano (c. 208 d.C.) cita 1 Samuel 16:14, referindo-se a ele como Escritura. Em *Sobre a Fuga na Perseguição*, p. 117
Hipólito (222-235/6 d.C.) possui um comentário sobre os Livros dos Reis (que inclui 1 e 2 Samuel). Nele, ele discute se foi realmente Samuel que a feiticeira reconheceu diante de Saul ou não. Fragmentos dos Comentários sobre os Livros dos Reis, p. 169
Hipólito (222-235/6 d.C.) cita 1 Samuel 2:35a como “está escrito em Reis”. “Interpretação de Hipólito sobre a visão de Daniel e Nabucodonosor”, fragmento 2, cap. 14, p. 180
Orígenes (225-254 d.C.): “como quando Samuel profetiza a respeito de três jumentas que se perderam, ou quando é feita menção, no terceiro livro dos Reis, à doença do filho de um rei.” Orígenes, Contra Celso, livro 1, cap. 36, p. 412
O Tratado contra Novaciano (c. 248-258 d.C.), cap. 14, p. 661, faz alusão a 1 Samuel 9:2. “Saul, aquele que outrora foi um homem bom, além de outras coisas, acaba sendo dominado pela inveja e se empenha em fazer tudo o que é cruel e hostil contra Davi”
Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.) cita 1 Samuel no Tratado 12, terceiro livro, 1,14, referindo-se a ele como “o primeiro livro dos Reis”. Isso reflete o costume da Septuaginta, na qual 1 e 2 Samuel são chamados de 1 e 2 Reis, e 1 e 2 Reis são chamados de 3 e 4 Reis.
Gregório Taumaturgo (240-265 d.C.) cita parte de 1 Samuel 18,1 como Escritura. “Oração e Panegírico Dirigidos a Orígenes”, cap. 6, p. 28
Arquelau (277/278 d.C.) cita um quarto de 1 Samuel 2:6. “Se o senhor critica alguém que diz: ‘O Senhor mata e dá vida’, por que o senhor honra Pedro, que ressuscitou Tabita, mas também condenou Safira à morte?” Um Fragmento da Disputa com Manes, vol. 1, p. 234, de Cirilo de Jerusalém
Adamantio (c. 300 d.C.) faz alusão a 1 Samuel 24 e 26. “Mais uma vez, houve Davi, que, quando era perseguido por Saul, encontrou uma oportunidade de destruí-lo, mas não o fez. Pelo contrário, ele ofereceu uma oração por ele.” (Adamantio está falando) Diálogo sobre a Verdadeira Fé, Primeira Parte, cap. 12, p. 55
Pedro de Alexandria (306, 285-310/311 d.C.) faz alusão a 1 Samuel 21,13 “Mas àqueles que recorreram à dissimulação, como Davi, que fingiu estar enlouquecido para evitar a morte, não estando, na realidade, enlouquecido; … ou que entregaram escritos, ou enviaram pagãos para realizar sacrifícios em seu lugar, … contudo, na medida em que escaparam à atenção de seus perseguidores ao fazer isso, que lhes seja imposta uma pena de seis meses de penitência.” Epístola Canônica, cânone 5, p. 271
Lactâncio (c. 303-c. 325 d.C.) cita 1 Samuel 2:35 como “o Primeiro Livro dos Reis”. Instituições Divinas, livro 4, cap. 14, p. 113.
Após Nicéia
Afraate, o Sírio (337-345 d.C.), faz alusão a 1 Samuel.
Atanásio (367 d.C.) menciona “Os quatro livros dos Reis” ao enumerar os livros do Antigo Testamento. Carta Pascal, 39, cap. 4, p. 552.
Atanásio (após 347 d.C.) cita parte de 1 Samuel 26:21. Defesa contra os arianos, cap. 2, p. 101
Synopsis Scripturae Sacrae (350-370 d.C.)
Efraim, o Sírio (350-378 d.C.)
Basílio da Capadócia (357-378/379 d.C.) cita 1 Samuel 7:4 como Escritura. Carta 8, cap. 3, p. 117
Cirilo de Jerusalém (c. 349-386 d.C.) afirma que Samuel era chamado de “Vidente” (1 Samuel 9:9) nos Livros dos Reinos. Palestra 16, cap. 28, p. 122
Ambrósio de Milão (370-390 d.C.) cita 1 Samuel.
Gregório de Nazianzo (330-391 d.C.)
Paciano de Barcelona (342-379/392 d.C.) cita 1 Samuel
Gregório de Nissa (c. 356-397 d.C.) cita metade de um versículo de 1 Samuel.
Livro Siríaco dos Passos (Liber Graduum) (350-400 d.C.) cita 1 Samuel 8:5 e 8:11, dizendo: “O Senhor disse a Samuel” Memra 22, cap. 6, p. 255-256
Rufino (374-406) Comentário sobre o Credo dos Apóstolos
Jerônimo (373-420 d.C.) discute os livros do Antigo Testamento. Ele aborda especificamente Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, o Pentateuco, Jó, Jesus, filho de Nave [Josué], Juízes, Rute, Samuel e Reis (dois livros), os doze profetas, Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel, Ester, Esdras, Neemias, Carta 53, cap. 7-8, p. 99-101.
Epifânio de Salamina (373-420 d.C.)
João Crisóstomo (-407 d.C.) cita 1 Samuel 14:24, volume 11, Comentário sobre os Atos, Homilia 13, p. 86
Orosio/Hósio de Braga (414-418 d.C.) faz alusão a 1 Samuel 17:4-7. Defesa contra os pelagianos, p. 117
Concílio de Cartago (218 bispos) (393-419 d.C.)
Sulpício/Sulpício Severo (363-420 d.C.) refere-se a 1 Samuel como “Reis”, no livro “História”, vol. 1, cap. 24, p. 86
História Eclesiástica de Sócrates (c. 400-439 d.C.)
Teodoreto de Ciro (423-458 d.C.)
Leão I de Roma (440-461 d.C.)
Entre hereges e livros espúrios
Teodoro de Mopsuéstia (392-423/429 d.C.)
Isidoro de Sevilha (c. 435 d.C.)
Após Nicéia, há também outros escritores.
P: Em 1 Samuel, quais são algumas das diferenças de tradução entre o hebraico e a Septuaginta grega?
R: Aqui estão algumas das diferenças de tradução. A história de Davi e Golias apresenta um grande número de variações. Esta análise concentrou-se principalmente nas diferenças de tradução no capítulo 25:1-18. Salvo indicação em contrário, a primeira leitura é do texto massorético e a segunda, da Septuaginta.
1 Samuel 1:9 “Ana levantou-se.” vs. “Ana levantou-se e ficou diante do SENHOR.” (Septuaginta)
1 Samuel 1:11 “sobre a cabeça dele.” vs. “sobre a cabeça dele. E ele não beberá vinho nem qualquer bebida alcoólica.”
1 Samuel 1:18 “seguiu seu caminho” vs. “foi para seus aposentos”
1 Samuel 1:18 “comeu” vs. “comeu e bebeu com seu marido”
1 Samuel 1:22 “viverá ali para sempre.” vs. “viverá ali para sempre. [Eu] o consagrei como nazireu para sempre, todos os dias de [sua vida]” Manuscrito do Mar Morto 4Q51 (=4QSam(a)).
1 Samuel 1:23 “sua palavra” (Masorética, Targum, Vulgata) “sua palavra” (Manuscritos do Mar Morto, Septuaginta, Siríaco). A nota de rodapé da tradução da JPS indica que 4Q51 (=4QSam(a)) diz “uma declaração da sua boca”, ou seja, “sua palavra”
1 Samuel 1:23 “somente o Senhor confirme a sua palavra” (Masorético) vs. “somente o Senhor confirme o que saiu da sua boca” (4Q51)
1 Samuel 1:24 “com três touros” (textos massoréticos) vs. “com um touro de três anos” (Manuscrito do Mar Morto 4Q51, Septuaginta, siríaco)
1 Samuel 1:18 “Ele [Elcana] adorou o Senhor ali” vs. “Ela [Ana] o deixou [Samuel] ali para o Senhor” (Septuaginta).
1 Samuel 2:1 “Ana orou” vs. ausente no Manuscrito do Mar Morto 4Q51 (=4QSam(a)).
1 Samuel 2:1 “o SENHOR” vs. “meu Deus” (Septuaginta)
1 Samuel 2:1 “sua vitória” vs. “minha vitória” (Manuscritos do Mar Morto)
1 Samuel 2:3 “Deus do conhecimento / Deus onisciente” (Masorético) vs. “Deus do conhecimento” (4QSam(a))
1 Samuel 2:8 apresenta uma grande adição no 4Q51 (=4QSam(a)) vs. “Ele cumpre o voto daquele que faz voto e abençoa os anos dos justos” (Septuaginta)
1 Samuel 2:14 “tirar dele” vs. “tirar para si mesmo” (grego, siríaco, Vulgata)
1 Samuel 2:17 “pois eles [os adoradores] agiram com desprezo” em comparação com “pois eles [os filhos de Eli] agiram com desprezo” (4Q51)
1 Samuel 2:20 “conceder-lhe-á” vs. “recompensá-lo-á” (Septuaginta, Manuscrito do Mar Morto 4Q1Sam(a))
1 Samuel 2:20 “pedido que ela fez” vs. “oferta que ela fez” (Septuaginta, Manuscritos do Mar Morto)
1 Samuel 2:21 “Pois/Quando o SENHOR” vs. “E o SENHOR” (Septuaginta, Manuscrito do Mar Morto 4Q51 (=4QSam(a)))
1 Samuel 2:22 “e como se deitavam com as mulheres que se reuniam à porta da Tenda da Reunião” (Masorética, Targum, Vulgata, Manuscritos do Mar Morto) vs. [ausente] (Manuscritos do Mar Morto, Septuaginta)
1 Samuel 2:27 “Será que eu revelei” (textos massoréticos) vs. “Eu revelei” (Septuaginta, Targums, siríaco)
1 Samuel 2:27 “quando estavam na casa” vs. “quando eram escravos da casa” (Septuaginta, Manuscrito do Mar Morto 4Q51 (=4QSam(a)))
1 Samuel 2:29,32 “chutar” vs. “olhar com olhos avidos” (Septuaginta, Manuscritos do Mar Morto)
1 Samuel 2:33 “seus olhos… seu coração” vs. “os olhos dele… o coração dele” (Septuaginta, Manuscritos do Mar Morto)
1 Samuel 2:33 “morrerão jovens” vs. “morrerão pela espada” (Septuaginta, Manuscritos do Mar Morto)
1 Samuel 3:4 “chamou Samuel” vs. “chamou: ‘Samuel! Samuel!’” (Septuaginta. O livro *Os Manuscritos do Mar Morto e as Traduções Modernas do Antigo Testamento*, p. 118, afirma: “Não se pode afirmar com certeza se o 4Q51 (=4QSam(a)) continha um segundo ‘Samuel’… mas há margem para essa possibilidade.”)
1 Samuel 3:13 “têm se tornado vis/desprezíveis” (texto massorético) vs. “falaram mal contra Deus” (Septuaginta) vs. “blasfemaram contra Deus” (tradição dos escribas)
1 Sm 3,15 “deitou-se até a manhã” (Texto Massorético, Targum, Vulgata) vs. “deitou-se até a manhã e levantou-se pela manhã” (Septuaginta)
1 Samuel 4:1 “Israel marchou” (Texto Massorético, Targum) vs. “Naqueles dias, os filisteus se reuniram para a guerra. Israel marchou” (Vulgata) vs. “Naqueles dias, os filisteus se reuniram para a guerra contra Israel. Israel marchou” (Septuaginta)
1 Samuel 4:13 “em um assento” (texto massorético, Vulgata) vs. “ao lado do portão, vigiando a estrada” (Septuaginta)
1 Samuel 5:3 “lugar” (textos massoréticos) versus “lugar. E a mão do Senhor pesou sobre os azotianos, e Ele os afligiu, e os feriu em suas partes íntimas, em Azote e em seus arredores” (Septuaginta)
1 Samuel 5:4 “Dagom” (texto massorético) vs. “A cabeça de Dagom” (Septuaginta, Targum, Vulgata)
1 Samuel 5:6 “tumores” (texto massorético) vs. “tumores e ratos apareceram na cidade, e a morte, o pânico, a destruição e a mortalidade se espalharam por toda a cidade” (Septuaginta, Vulgata)
1 Samuel 5:9 “tumores” vs. “tumores na virilha” (Septuaginta, Vulgata)
1 Samuel 6:1 “sete meses” vs. “sete meses e ratos invadiram seus campos”
1 Samuel 6:3 “e isso lhes será dado a conhecer” vs. “e será resgatado” (1QSam(a), Septuaginta)
1 Samuel 6:6 “tumores” (textos massoréticos) vs. “tumores. E ratos apareceram em sua terra, e a morte e a destruição se espalharam por toda a cidade.” (Septuaginta e Vulgata)
1 Samuel 6:13 “quando viram (isso).” vs. “ao se depararem com isso.”
1 Samuel 6:18 “aldeias até Grande Abel, onde” (a maioria dos manuscritos massoréticos) vs. “aldeias. A grande rocha, sobre a qual” (alguns manuscritos massoréticos e o Targum) vs. “aldeias. O grande prado sobre o qual” (a maioria dos manuscritos hebraicos, segundo a JPS)
1 Samuel 6:19 “e ele matou alguns dos habitantes de Bet-Semes porque olharam para dentro da arca” vs. “Os descendentes de Jeconias não se alegraram com o povo de Bet-Semes quando este saudou a arca do Senhor” (Septuaginta)
1 Sm 6,19 “50.070” (a maioria dos manuscritos massoréticos e da Septuaginta) vs. “70” (alguns manuscritos massoréticos e Josefo)
1 Samuel 7:12 “Shen” (textos massoréticos) vs. “Jeshanah” (Septuaginta, siríaco)
1 Samuel 7:18 “Abel” (um nome próprio) ('abel) (na maioria dos textos massoréticos) vs. “rocha” ('eben) (em alguns textos massoréticos)
1 Samuel 8:8 “como eles fizeram” versus “como eles fizeram comigo” (Septuaginta)
1 Samuel 8:16 “jovens e jumentos” (Masorético) vs. “bois/gado e jumentos” (Septuaginta)
1 Sm 9:17 “meu povo” vs. “a situação difícil/o sofrimento do meu povo” (Septuaginta, Targum)
1 Samuel 9:24 “coxa/perna” (textos massoréticos) vs. “parte superior da coxa/perna” 4QSam(1). A expressão “parte superior da coxa” não é conhecida em nenhum outro contexto.
1 Samuel 9:24 “força/retidão” vs. “filhos da força/retidão” (4Q51 (=4QSam(a)))
1 Samuel 9:24 “mantido diante de vós” vs. “colocado diante de vós” (Manuscritos do Mar Morto, Septuaginta)
1 Samuel 9:25 “no telhado, e ele falou com Saul” (Masorético, Targum) vs. “no telhado, e estenderam uma cama para Saul no telhado, e ele dormiu.” (Septuaginta) vs. “no telhado, e ele falou com Saul, e estenderam uma cama para Saul no telhado, e ele dormiu.” (Vulgata)
1 Samuel 10:1 “ungirá você como governante” vs. “ungirá você como governante sobre o Seu povo de Israel, e você governará o povo do SENHOR e o libertará das mãos de seus inimigos ao redor. E este será o sinal para você de que o Senhor o unge.” (Septuaginta e Vulgata)
1 Samuel 10:9 “eles chegaram lá” vs. “partindo dali”
1 Samuel 10:19 “Não” (muitos manuscritos hebraicos) vs. “Não a Ele” (outros manuscritos hebraicos, de acordo com a JPS)
1 Samuel 10:21 “Matrites foi indicado/escolhido por sorteio; e depois Saul, filho de Quis” vs. “Matrites foi indicado/escolhido por sorteio; então ele reuniu a família dos Matrites por meio de seus homens e, em seguida, Saul, filho de Quis” (Septuaginta)
1 Samuel 10:26 “Homens valentes” vs. “filhos/homens de valor” 4QSam(a)
1 Samuel 10:27 “Não se importem. Naás, o amonita, avançou” vs. “Não se importem. Cerca de um mês depois, Naás, o amonita, avançou” O Comentário Bíblico do Expositor, vol. 3, p. 633, afirma: “e/mas ele era como alguém que permanecia em silêncio” (a maioria dos manuscritos hebraicos) vs. “e foi cerca de um mês [depois]” (4QSAm(a) e Septuaginta)
1 Samuel 11:1 “Naás” vs. “Cerca de um mês depois, Naás”
1 Samuel 11: “Nahash, o amonita, subiu e sitiou Jabes-Gileade.” vs. “[Na]hash, rei dos filhos de Amom, oprimia severamente os filhos de Gade e os filhos de Rúben, e arrancou [todos] os olhos direitos deles e espalhou [terror e pavor] em Israel. Não restou ninguém entre os filhos de Israel, [além do Jordão, cujo] olho direito não tivesse sido [arrancado] por Na[ash, rei] dos filhos de Amom; exceto aqueles sete mil homens que [fugiram dos] filhos de [A]mmom e entraram em [J]abes-Gileade. Cerca de um mês depois, Naás, o amonita, subiu e sitiou Jabes-Gileade.” Trecho extraído de *Understanding the Dead Sea Scrolls*, de Hershel Shanks, p. 161
1 Samuel 11:8a “de Israel, 300.000” vs. “de Israel, 600.000”
1 Samuel 11:8b “de Judá, 30.000 homens” vs. “de Judá, 70.000 homens” (4Q51 (=4QSam(a)), Septuaginta)
1 Samuel 11:9-11 pronomes no plural (a maioria dos textos massoréticos) vs. pronomes no singular (alguns manuscritos da Septuaginta). Trata-se provavelmente de uma alteração em alguns manuscritos da Septuaginta.
1 Samuel 12:3 “Eu lhes restituirei” vs. “Testemunhem contra mim e eu lhes restituirei”
1 Samuel 12:3 “aceitou suborno para fazer vista grossa” versus “aceitou suborno ou um par de sandálias” (Septuaginta)
1 Samuel 12:6 “O Senhor designou Moisés” vs. “O Senhor é testemunha, aquele que designou Moisés”
1 Samuel 12:7 “todas as obras salvadoras” vs. “Vou declarar a vocês todas as obras salvadoras”
1 Samuel 12:8 “Jacó foi para o Egito” (textos massoréticos, Targumim, Vulgata) vs. “Jacó foi para o Egito, e os egípcios os oprimiram” (Septuaginta)
1 Samuel 12:9 “exército do rei de Hazor” vs. “exército de Jabim, rei de Hazor”
1 Samuel 12:11 “Barak” (siríaco e parte da Septuaginta) vs. “Bedan” (hebraico) (uma versão antiga substituiu por “Débora”, e uma interpretação afirmava que “Bedan” significava “ben-Dan”, ou seja, filho de Dan.) Josefo, escrevendo por volta de 93-94 d.C. em *Antiguidades dos Judeus* 6.5.6, p. 129, ao parafrasear este versículo, menciona apenas Jefté e Gideão. No entanto, *Antiguidades dos Judeus* 5.5.2-4, p. 114-115, menciona Débora e Baraque.
1 Samuel 12:11 “Gideão” (Masorético, Targum) vs. “Débora” (siríaco) vs. “Débora” (siríaco)
1 Samuel 12:11 “Samuel” (Masorético) vs. “Sansão” (alguns manuscritos da Septuaginta) vs. “Simson” (siríaco)
1 Samuel 12:15 “vocês e seus antepassados” vs. “vocês e seu rei”
1 Samuel 13:1: no hebraico, a idade de Saul e o número de anos em que reinou foram omitidos; outras versões indicam um ano de idade (obviamente um erro de digitação); e algumas cópias da Septuaginta indicam 30 anos de idade. O versículo está ausente na Septuaginta, de acordo com a nota de rodapé da JPS e a NRSV.
1 Samuel 13:2, etc. “Michmas” versus “Michmash” (outros manuscritos)
1 Samuel 13:5 “30.000 carruagens” (textos massoréticos, muitas versões da Septuaginta, Targum, Vulgata) versus “3.000” (algumas versões da Septuaginta)
1 Samuel 13:8 “na época em que Samuel” versus “na época em que Samuel havia dito” (alguns manuscritos hebraicos, Septuaginta, Targum)
1 Samuel 13:15 “Samuel levantou-se e subiu de Gilgal” (textos massoréticos, Targum) vs. “Samuel levantou-se, partiu de Gilgal e seguiu seu caminho. O restante do povo seguiu Saul para se encontrar com os soldados, e partiram de Gilgal.” (Septuaginta, Vulgata)
1 Sm 13:15 “para Gibeá de Benjamim” vs. “em direção a Gibeá de Benjamim”
1 Samuel 13:18 “para a fronteira” vs. “para Gebá”
1 Samuel 14:3; 14:8; 23:9; 30:7 “Arca” vs. “Éfode”
1 Samuel 14:7 “está em seu coração. Incline-se” vs. “seu coração se inclina para”
1 Samuel 14:7 “Estou com você, conforme o seu coração” versus “Estou com você, meu coração é como o seu coração.”
1 Samuel 14:8 “esperou sete dias por Samuel” (a maioria dos textos massoréticos) vs. “sete dias até o tempo que Samuel havia determinado” (alguns textos massoréticos)
1 Samuel 14:18 “traga a arca” (masorético) vs. “traga o éfode” (Septuaginta)
1 Samuel 14:24 incerto, mas provavelmente “Os homens de Israel estavam angustiados naquele dia” vs. “E todas as tropas, cerca de 10.000 homens, estavam com Saul; e a batalha se estendeu até a região montanhosa de Efraim. Ora, Saul cometeu um ato precipitado.” (nota de rodapé da JPS)
1 Samuel 14:33 “Role uma grande pedra até mim hoje” vs. “Role uma grande pedra até mim aqui”
1 Samuel 14:34 “seu próprio boi com ele” vs. “tudo o que ele possuía”
1 Samuel 14:41 “Saul disse ao SENHOR, o Deus de Israel” (Masorético, Septuaginta) vs. “Então Saul disse: ‘Ó SENHOR, Deus de Israel’” (Vulgata)
1 Samuel 14:41 incerto, mas provavelmente “Mostre o tammim” (Masorético, Targum) vs. “Por que o Senhor não respondeu hoje ao Seu servo? Se essa iniquidade foi causada por meu filho Jônatas ou por mim, ó Senhor, Deus de Israel, mostre o Urim; e se o Senhor disser que foi causada pelo Seu povo Israel, mostre o tammim.” (Septuaginta, Vulgata)
1 Sm 14:44 “que Deus faça” vs. “que Deus me faça” (Septuaginta e muitos manuscritos hebraicos)
1 Sm 14:47 “reis de Zoba” vs. “rei de Zoba” (Septuaginta, 4Q51 (=4QSam(a)))
1 Samuel 14:47 “ele [Saul] infligiu-lhes castigo” (Masorético) vs. “ele [Saul] saiu vitorioso” (Septuaginta)
1 Samuel 14:49, 1 Samuel 18:17 “Merab” vs. “Merob” nos Manuscritos do Mar Morto e na Septuaginta
1 Samuel 15:9 “o segundo-nascido” vs. “os animais de engorda” (Targum, siríaco)
1 Sm 15:25 “a terra” (a maioria dos textos) vs. “o povo [do exército]” (um manuscrito hebraico)
1 Samuel 15:29 “enganar” (textos massoréticos) vs. “retratar-se/arrepender-se” (Septuaginta, Manuscritos do Mar Morto)
1 Samuel 15:30 “ele disse” vs. “Saul disse” (“ele” é, obviamente, Saul neste contexto, de qualquer forma.)
1 Samuel 15:32 “Certamente a amargura da morte já passou” vs. “Certamente esta é a amargura da morte” (Pergaminho do Mar Morto, Septuaginta)
1 Samuel 16:7 “Pois não é como o homem vê” (Masorético) vs. “Pois Deus não vê como o homem vê” (Septuaginta) vs. “Não é pela aparência do homem” (Targum) vs. “Não julgo segundo a aparência do homem” (Vulgata)
1 Samuel 16:11 e seguintes “não se reunir/não se virar/não se sentar” (Masorético) vs. “não se sentar” (algumas versões da Septuaginta, incluindo a tradução de Brenton, Vulgata)
1 Samuel 17:4 “seis côvados” (textos massoréticos) vs. “quatro côvados” (manuscritos do Mar Morto, Septuaginta)
1 Samuel 17:12-31, 41, 50, 55: Presente no texto massorético e na Septuaginta alexandrina, mas não em outras versões da Septuaginta.
1 Samuel 17:12 “avançado entre os homens” vs. “avançado em idade” (siríaco, Septuaginta)
1 Samuel 17:32 “vale” (TM) vs. “Gate” (algumas versões da Septuaginta) (diferença de uma letra).
1 Samuel 17:32 “não a coragem de nenhum homem” vs. “não a coragem do meu senhor”
1 Samuel 17:39 “ele tentou andar; mas” vs. “ele não conseguia andar, pois”
1 Sm 17:46a “os cadáveres do acampamento filisteu” vs. “seu cadáver e os cadáveres do acampamento filisteu”
1 Samuel 17:46b “Deus em Israel” vs. “Deus para Israel” (muitos manuscritos hebraicos)
1 Samuel 17:52 “Gai” (texto massorético segundo a NRSV) vs. “um vale” (texto massorético) vs. “Gate” (Septuaginta, siríaco)
1 Samuel 18:1 “ele” vs. “Davi” (o contexto refere-se obviamente a Davi)
1 Samuel 18:1-6 No texto massorético e na Septuaginta Alexandrina, mas não em outras versões da Septuaginta.
1 Samuel 18:8b-11, 17-19, 30: No texto massorético e na Septuaginta Alexandrina, mas não em outras versões da Septuaginta
1 Samuel 18:27 “200 filisteus” versus “100 filisteus”
1 Samuel 19:13 “pele de cabra” (texto massorético) vs. “fígado de cabra” (apenas uma letra a menos em hebraico) (Septuaginta)
1 Samuel 19:22 “a grande cisterna/poço de Secu” vs. “a cisterna/poço da eira na colina/montanha deserta”
1 Samuel 20:3 “jurou ainda mais” vs. “respondeu-lhe”
1 Samuel 20:5a “Devo sentar-me” vs. “Não me sentarei”
1 Samuel 20:5b “até a terceira noite” vs. “até a noite”
1 Samuel 20:8 ausente no Manuscrito do Mar Morto 1Q7.
1 Samuel 20:23 “O Senhor está entre você e eu para sempre” (texto massorético) vs. “O Senhor é testemunha entre você e eu para sempre”
1 Samuel 20:25 “muralha. Jônatas levantou-se” (textos massoréticos, siríaco, Targum, Vulgata) vs. “junto à muralha, em frente a Jônatas” (Septuaginta)
1 Samuel 21:6 “que havia sido removido” (singular) (4QSam(b)) vs. “que haviam sido removidos” (plural) (a maioria dos textos, mas o *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 3, p. 730, afirma que o plural é provavelmente um erro neste caso.)
1 Samuel 20:41 “do lado sul” (Masorético, grego de Áquila, Jerônimo) vs. “do Argab” (Septuaginta, caldeu, siríaco e árabe, e versículo 19)
1 Samuel 21:41 “do lado sul” vs. “do lado do monte de pedras”
1 Samuel 22:3 “sair para junto de vocês” vs. “ir até vocês”
1 Samuel 22:4 “ele os conduziu ao rei de Moabe” vs. “deixou-os com o rei de Moabe” (Targum, siríaco)
1 Samuel 22:7 “Deus fez dele um estrangeiro” (texto massorético) vs. “Deus lhe deu” (Septuaginta, Targums)
1 Samuel 22:8 “meu servo em emboscada contra mim” vs. “meu servo como inimigo contra mim”
1 Samuel 22:14 “capitão” (archon) (Septuaginta) vs. “partindo” (textos massoréticos). O *Expositor’s Bible Commentary*, vol. 3, p. 737, afirma que a Septuaginta é, muito provavelmente, a leitura correta neste caso.
1 Samuel 22:18 “que vestiam o éfode de linho” vs. “que eram os portadores do éfode”
1 Samuel 23:11 “os homens/senhores de Keila me entregarão nas mãos dele? Será que Saul?” (texto massorético) vs. “Será que Saul?” (manuscrito do Mar Morto) vs. “Será que o lugar será cercado? E agora, será que Saul?” (Septuaginta)
1 Samuel 23:14,16 “Deus (Elohim)” vs. “o SENHOR (Yhwh)” (4Q52 (=4QSam(b)))
1 Samuel 24:10 “ele [meu olho] poupou-o” (texto massorético) vs. “eu o poupei” (Septuaginta, siríaco, Targum, Vulgata)
1 Samuel 24:11 “minha água” vs. “meu vinho” (Septuaginta)
1 Samuel 24:13 “o provérbio do ancião” (a maioria dos manuscritos) versus “os provérbios do ancião” (um fragmento de um pergaminho do Mar Morto)
1 Samuel 25:1 e seguintes “Deserto de Maom” (a maior parte da Septuaginta) vs. “Deserto de Parã” (Texto Massorético, Targum, Siríaco, Vulgata, alguns manuscritos da Septuaginta) (O “The Expositor’s Bible Commentary”, vol. 3, p. 765, afirma que o Deserto de Parã fica muito mais ao sul para ser correto neste contexto.)
1 Samuel 25:2 “cabras” vs. “cabras fêmeas”
1 Samuel 25:3 “o homem era da tribo de Calebe” vs. “o homem era rude”
1 Samuel 25:4 “Nabal” vs. “Nabal, o carmelita”
1 Samuel 25:22 “Davi” (Septuaginta, NIV) vs. “os inimigos de Davi” (textos massoréticos)
1 Samuel 25:6 “paz… paz” vs. “prosperidade… prosperidade”
1 Samuel 25:7 “você tem tosquiadores. E seus pastores estiveram conosco; não os envergonhamos, nem lhes faltou nada…” vs. “Seus pastores que estiveram conosco no deserto estão tosquiando suas ovelhas, e nós não os impedimos, nem exigimos nada deles…”
1 Samuel 25:8 “jovens” vs. “servos” (duas vezes no versículo 8 e ao longo do restante de 1 Samuel 25)
1 Samuel 25:8 “dê aos seus servos e ao seu filho, a Davi” vs. “dê… ao seu filho Davi”
1 Samuel 25:9 “respondeu” vs. “levantou-se de um salto e respondeu”
1 Samuel 25:11 “água e minha comida” vs. “vinho e meus animais”
1 Samuel 25:14 “gritou com eles” vs. “se afastou deles”
1 Samuel 25:15 “bom… não nos envergonhou… não nos faltou nada” vs. “muito bom… não nos impediu… nem exigiram”
1 Samuel 25:17 “um filho de inutilidade/Belial” vs. “um homem vil”
1 Samuel 25:18 “cem cachos de uvas ou passas” vs. “um homer de uvas secas”
1 Samuel 25:18 “duzentos cachos de figos” vs. “duzentos bolos de figos”
1 Samuel 25:22a “Davi” (texto massorético) vs. “os inimigos de Davi” (Septuaginta; compare com o siríaco)
1 Samuel 25:22b “com os inimigos de Davi” (texto massorético) vs. “homem” (algumas versões da Septuaginta)
1 Samuel 27:10 “Contra quem você tem” (textos masoréticos) vs. “Contra quem você tem” (Manuscritos do Mar Morto, Septuaginta, Vulgata)
1 Samuel 28:12 “Samuel” (texto massorético, muitas versões da Septuaginta) vs. “Saul” (algumas versões da Septuaginta)
1 Samuel 28:17 “fez para si mesmo” vs. “fez a vocês” (Septuaginta e alguns manuscritos hebraicos)
1 Samuel 29:10 “E veio com você.” (Texto Massorético, Targum, Vulgata) vs. “e veio com você, e vá para o lugar que eu designei para você. Quanto ao relato maligno, não o leve a peito, pois você agiu bem diante de mim.” (Septuaginta, NRSV)
1 Samuel 30:2 “levaram as mulheres cativas” (texto massorético) vs. “levaram as mulheres e todos cativos” (Septuaginta)
1 Samuel 30:27-30: a Septuaginta cometeu muitos erros nos nomes. Chega até a mencionar Gate como uma cidade para a qual Davi enviou o saque.
Bibliografia para esta questão: a tradução hebraica é da obra Literal Translation, de Jay P. Green, e a versão da Septuaginta é da tradução de Sir Lancelot C.L. Brenton, intitulada The Septuagint: Greek and English. Também foram utilizados o Comentário de Keil-Delitzsch sobre o Antigo Testamento, vol. 2, o “The Expositor’s Bible Commentary” e as notas de rodapé das Bíblias NASB, NIV, NKJV, NRSV e JPS. A NRSV foi particularmente útil neste caso para os textos dos Manuscritos do Mar Morto.