< Pergunta bíblica sobre Ageu

P: Em Ageu, o que sabemos sobre esse profeta e seu livro?

R: Nada se sabe sobre Ageu, exceto o que é mencionado no livro. Seu nome significa “festivo” ou “festival”, e ele e Zacarias são mencionados em Esdras 5:1; 6:14. Como o nome de Ageu significa “festivo”, talvez ele tenha nascido em um feriado judaico. Há alusões a Ageu em Zacarias 8:9 e em Hebreus 12:26.

Apenas cerca de 50.000 judeus retornaram em 538 a.C. Eles começaram a construir o templo por alguns anos e depois pararam. E agora, 18 anos depois, o templo ainda não havia sido construído. A primeira mensagem, na festa da lua nova (Números 10:10), exortava o povo de Deus, que havia perdido sua visão. Em Ageu, aprenderemos algumas coisas sobre Deus e sobre as pessoas, mas ensinar a verdade não é o ponto principal do livro. O ponto principal é que o povo — e nós — devemos mudar.

Ageu e Zacarias foram contemporâneos, e é interessante comparar os estilos desses dois profetas. O estilo de Ageu é, em geral, simples, organizado e direto, em comparação com o estilo simbólico e inspirador de Zacarias. Mas Deus utiliza diversos tipos de estilos. H.A. Ironside, em *Os Profetas Menores*, p. 221, descreve Ageu e Zacarias “como flechas polidas da aljava do Senhor, cuja missão era trazer de volta para Si os corações daqueles tão privilegiados”.

P: Em Ageu, qual é o ponto principal?

R: Ageu é um livro sobre “quando as coisas não estão no seu melhor”. Há dois subpontos principais. Primeiro, o povo era diligente na construção de suas casas, mas havia negligenciado a construção do Templo de Deus. Ao contrário dos profetas pré-exílicos, Ageu, em sua mensagem, não os repreende por coisas terríveis que estejam fazendo de errado. Ele os repreende por não estarem fazendo o que é certo. Eles estavam absortos nas preocupações deste mundo, enquanto negligenciavam o bem.

Em segundo lugar, não deveriam ficar desapontados pelo fato de que 50 mil judeus pobres não pudessem construir um templo tão bonito quanto o que Salomão construiu com seu ouro e cerca de 2,5 milhões de súditos. Devemos nos alegrar se estivermos obedecendo a Deus no centro de Sua vontade, e não nos fixarmos em meros adornos externos.

P: Em Ageu, qual é o esboço do livro?

R: Ageu pode ser estudado em três níveis: a) a construção da casa de Deus, b) o retorno a Deus, ou c) quando as coisas não estão indo da melhor maneira. O capítulo 1 enfoca os momentos em que o povo de Deus não está dando o seu melhor, e o segundo capítulo mostra que devemos permanecer encorajados quando os resultados não parecem ser os melhores.

Agéu é o segundo livro mais curto do Antigo Testamento (depois de Obadias), e seu esboço é muito direto. Agéu teve quatro visões.

Ag 1:1-15 Primeira mensagem - Pare de adiar e construa a casa de Deus agora (29 de agosto de 520 a.C.)

 Ag 1:1-11 Considere a disciplina de Deus para com Seu povo procrastinador

 Ag 1:12-15 O remanescente de Deus respondeu com obediência

Ag 2:1-9 A glória da casa de Deus (21 de setembro de 520 a.C.)

 Ag 2:1-4 Sim, o templo não está tão bonito quanto costumava estar

 Ag 2:5-9 O Espírito de Deus permanece, mas mais uma vez Deus abalará os céus e a terra

Ag 2:10-19 Deus pode até mesmo abençoar o que está contaminado (17 de outubro de 520 a.C.)

 Ag 2:10-15 A santidade não é contagiosa; a impureza, sim; não há esperança natural para este povo

 Ag 2:16-19 A promessa solene de Deus de reverter essa situação com Seu povo

Ag 2:20-23 Reversão das maldições (18 de dezembro de 520 a.C.)

 Ag 2:20-22 Derrubando as nações estrangeiras

 Ag 2:23 Zorobabel, descendente de Joiaquim, e o anel de sinete

P: Em Ageu 1:1, quando foi escrito o livro de Ageu?

R: De acordo com o que está escrito em Ageu 1, isso teria ocorrido em 520 a.C. A datação precisa é uma característica dos escritos babilônicos e persas, como a Crônica Babilônica, que data com precisão cada evento. Ageu viveu sob o domínio babilônico e persa e, portanto, data os acontecimentos pelo calendário babilônico, e não pelo calendário do Antigo Testamento, como alguém que passou a vida sob o domínio dessas nações. Ageu também se destaca por mencionar moedas cunhadas, algo que Dario aprendeu no reino da Lídia.

P: Em Ageu 1:1, quais eram os acontecimentos mundiais durante esse período?

R: 538 a.C. Cerca de 50.000 judeus foram autorizados a retornar para casa quando Ciro conquistou a Babilônia.

538 a.C. Os judeus trabalharam na construção do templo por dois anos e, em seguida, interromperam as obras.

-530 a.C. Ciro morreu em batalha.

530-522 a.C. Cambises II governou a Pérsia. Ele era um tirano que administrou mal o império. Tudo estava em paz no Império Persa (pax Persiaca), exceto pelo Egito rebelde, e Cambises marchou para a Palestina à frente de seu exército para subjugá-lo.

522-521 a.C. Cambises morreu misteriosamente e houve uma revolta na Pérsia. Artaxerxes era um impostor que reinou por 7 meses. Ele é chamado de Pseudo-Smerdis pelos gregos e pelos historiadores atuais. Foi ele quem escreveu a carta em Esdras 4:7-23, suspendendo a construção.

522/521-486 a.C. Dario I, o Histaspis, tornou-se rei após matar o impostor. Ele lutou contra os citas e os gregos, tendo sido derrotado em Maratona em 490 a.C. Ester era sua rainha)

520 a.C. Ageu e Zacarias proferiram suas primeiras profecias

519-518 a.C. O exército persa marcha pela Palestina e conquista o Egito

486-465/464 a.C. Xerxes I (assassinado) (o mesmo que Assuero em Esdras 4:6 e Ester)

464-336 a.C. Artaxerxes I. Ele foi chamado pelos persas de Artaxerxes I para apagar a memória do impostor Artaxerxes. Neemias era seu copeiro.

445 a.C. Neemias chegou a Jerusalém para reconstruir a muralha da cidade

P: Em Ageu 1:2, foi a apatia do povo que impediu a construção do Templo, ou foi a oposição estrangeira que a impediu, como diz Esdras 4:7-23?

R: Ambos tiveram um papel. Eis a sequência dos eventos.

1. Em 538 a.C., Ciro emitiu um decreto permitindo que os judeus voltassem para casa e construíssem seu Templo.

2. Em 536 a.C., os judeus começaram a lançar os alicerces do Templo.

3. Os inimigos de Judá (samaritanos, amonitas, árabes e outros) escreveram uma carta ao rei (chamado Artaxerxes, mas a quem os historiadores modernos chamam de Pseudo-Smerdis, 522-521 a.C.). Ele emitiu um decreto suspendendo a construção.

4. Em 520 a.C. (Esdras 5:1), Deus usou Ageu para repreender o povo por não estar reconstruindo. Os judeus então começaram a reconstrução.

5. Os inimigos questionaram a autorização para a reconstrução.

6. Os judeus mencionaram, em uma carta ao rei Dario, o decreto anterior do rei Ciro e, após uma busca, esse decreto foi encontrado. Ester 1:19 e Daniel 6:8 afirmam que as leis dos reis persas não podiam ser revogadas.

7. O templo foi finalmente concluído por volta de 516 a.C.

P: Em Ageu 1:2, eles estavam negligenciando a construção da casa de Deus, e nós podemos estar negligenciando a casa de Deus hoje. 1 Pedro 2:5 diz que a casa de Deus não é um edifício, mas nós, Sua igreja. De que maneiras podemos estar negligenciando a casa de Deus?

R: Embora eu ache que poucos cristãos fariam isso deliberadamente, podemos fazê-lo sem intenção. Uma maneira é perder o zelo para construir qualquer coisa. Mas uma segunda maneira, talvez mais comum, é ficar tão focado em outra coisa — seja música, a construção de edifícios ou até mesmo o conhecimento — que obedecer a Deus deixa de ser a maior prioridade.

P: Em Ageu 1:1-3, o que o povo estava fazendo de errado?

R: Não era que estivessem praticando o mal, mas deixavam que suas próprias preocupações e ambições ocupassem o primeiro lugar, em vez de servir a Deus, como mostra Ageu 1:3.

P: Em Ageu 1:2-4, por que o senhor acha que o entusiasmo do povo de Deus às vezes diminui?

R: Podem existir pelo menos quatro razões.

Perderam a fé de que Deus está agindo neles para que alcancem esse objetivo:

O amor a Deus e ao próximo, que os motiva a seguir em frente, foi enfraquecido. Eles não sentem que vale a pena o esforço, o trabalho árduo ou o sacrifício para alcançar esse objetivo.

Desistiram da esperança e estão desanimados com seu progresso. Não acreditam que algum dia alcançarão a meta que acham que deveriam atingir.

Perderam a visão: mudaram e agora desejam se dedicar a outro objetivo, talvez para satisfazer sua própria ambição.

P: Em Ageu 1:2-4, por que as pessoas procrastinam em geral? Por que as pessoas procrastinam ao cumprir a vontade de Deus?

R: A procrastinação na ação não é recusar-se a fazer algo; trata-se, antes, de adiar para um momento mais propício. Muitas vezes, há algo que parece mais agradável ou menos trabalhoso de se fazer no momento; e isso impede que se realizem coisas importantes. Hoje em dia, muitas coisas são “urgentes” no sentido de que têm prazos. Mas algumas coisas são muito importantes, embora não sejam urgentes, pois não têm prazo. O livreto *A Tirania do Urgente* mostra como a tirania do urgente é inimiga do importante.

Um segundo tipo de procrastinação é a “paralisia da análise” ou o adiamento da tomada de uma decisão, especialmente uma decisão que seja incômoda de se tomar. Em um extremo, não é bom tomar decisões precipitadas com dados insuficientes ou sem dados em que basear a decisão. No outro extremo, a procrastinação costuma ser racionalizada com a frase: “Não tenho todos os dados”. Normalmente, o senhor nunca terá todos os dados! Mas se o senhor tiver dados suficientes, de modo que dados adicionais provavelmente não alterem a decisão, então o senhor deve decidir agora.

Mateus 6:33 diz para buscarmos primeiro o reino de Deus. Às vezes, as pessoas não fazem o que Deus deseja que façam porque sentem que têm algo mais importante. Mas nada é realmente mais importante do que servir a Deus.

P: Em Ageu 1:2-4, quais são algumas desculpas que os cristãos podem dar para adiar a dedicação plena a Deus?

R: Aqui estão dez racionalizações.

Eu já pago o dízimo. (mas veja Lucas 21:1-4; 2 Coríntios 8:2-3)

Talvez nem sempre seja tão divertido. (mas veja 2 Coríntios 1:8-9; Filipenses 3:14; 1 Coríntios 3:12-15; e 1 Coríntios 9:23-25)

Se eu entregasse tudo a Deus, minha família passaria fome. (mas veja 1 Timóteo 5:8; Provérbios 31:21-25)

Talvez eu não avance tanto na minha carreira. (veja Hebreus 11:24-26; 11:37; 1 Timóteo 6:9-10)

Talvez não seja seguro para mim. (veja 1 Reis 19:10; Abrão e a invasão dos elamitas)

Quero alguma garantia de que minha família estará segura. (ver Ezequiel 24:18; Jó 1:2-3 vs. 42:12-13)

Antes de conhecer a Deus, eu havia me afastado demais da justiça para que Deus pudesse me usar. (Paulo)

Depois de conhecer a Deus, afastei-me demais da vontade de Deus. (ver Jonas, Pedro; 2 Coríntios 2:5-10)

Atualmente, eu mesmo não sou tão perfeito assim. (ver 2 Coríntios 12:7-10)

Se Deus me dá apenas o que precisamos, e eu desperdicei parte do que Ele me deu. (ver Êxodo 34:1)

Nesta semana, honre a Deus de uma maneira especial. Encontre algo que você sabe que Deus quer que você faça, mas que você vem adiando, e comece a fazer agora. Ou, em vez disso, encontre um hábito que Deus quer que você pare de praticar, mas que você vem adiando, e pare de praticá-lo agora.

P: Qual é a relação entre Ageu 1:2-4 e Tiago 1:6-7?

R: Tiago 1:6-7 afirma que, se uma pessoa sabe o que Deus deseja que ela faça e não o faz, isso constitui pecado. Aqui estão algumas razões pelas quais as pessoas costumam procrastinar.

Digamos que estejam muito cansadas

Muitas outras coisas

Se não conseguem fazer direito, preferem não fazer nada

Trabalham melhor sob pressão

Falta de familiaridade, fora da nossa zona de conforto

Não enxergam o prazo

Dê permissão a si mesmo, tome a iniciativa (Ninguém na face da Terra deu permissão a Ageu para falar - exceto o próprio Ageu)

Não enxergar as consequências imediatas

Ausência de responsabilização

Simplesmente não queremos. Não vemos prazer ou benefício suficientes

Falta de autodisciplina, que é fazer o que você sabe ser o melhor, quer tenha vontade ou não.

Medo do fracasso

P: Em Ageu 1:3-4, por que o senhor acha que Deus puniu primeiro e explicou depois, quando muitas vezes faz o contrário?

R: Normalmente, Deus adverte um povo rebelde ou ignorante e, em seguida, o castiga caso não se arrependa. Mas há dois tipos de desobediência: a rebeldia e a procrastinação. Aquele povo já sabia o que fazer; não era rebelde nem se recusava abertamente a fazê-lo, mas simplesmente continuava adiando enquanto se dedicava aos seus próprios projetos. Deus lhes impôs consequências adversas porque eles já sabiam o que deveriam estar fazendo. Deus fez com que a punição fosse proporcional à desobediência. Eles estavam ocupados demais trabalhando em seus próprios projetos para ter tempo para Deus; por isso, Deus fez com que seus próprios projetos não fossem muito bem-sucedidos.

P: Em Ageu 1:5,7; 2:15,18 (duas vezes), como podemos refletir sobre nossos caminhos?

R: Podemos começar com uma oração, pedindo a Deus que nos mostre nossas falhas ocultas, bem como nos lembre daquelas que não são tão ocultas assim. Podemos avaliar se nossos desejos, pensamentos e planos estão nos levando, a nós e à nossa família, para mais perto de Deus e para sermos mais semelhantes a Cristo, ou se, ao contrário, estão nos afastando. Podemos nos perguntar se há coisas importantes que estamos deixando de lado em prol de coisas triviais. Em geral, podemos refletir sobre: nosso tempo, para onde estamos indo, nossas prioridades, dinheiro e prazer — ou onde está nosso coração.

P: Em Ageu 1:5-7, 11, 16-17, por que Deus às vezes opta por não abençoar Seu próprio povo?

R: A resposta a essa pergunta é a lição principal do livro de Ageu. Quando o povo de Deus não O honra como deveria e não é totalmente obediente, Deus providencia circunstâncias para estimular sua obediência. Muitas vezes fazemos o mesmo com nossos filhos como forma de disciplina. A disciplina nem sempre é um castigo físico. O tipo de castigo que Deus está usando aqui é o que as pessoas às vezes chamam de “disciplina por consequências lógicas”.

P: Em Ageu 1:9-11, o que há de incomum na estrutura dessa passagem?

R: Trata-se de um recurso literário chamado quiasmo.

Ag 1,9a-b Deus os disciplinou

-- Ageu 1:9c-e Porque a casa de Deus está em ruínas

-- Ageu 1:10a Por causa de vocês

Ag 1:10b-11 Deus os castigou

P: Por que Ageu 1:10,11 menciona o orvalho em vez da chuva?

R: Durante a estação de cultivo do verão, de abril a outubro, não chovia em Israel. Mas costumava haver muito orvalho devido aos ventos vindos do Mar Mediterrâneo. Portanto, o orvalho era essencial para as colheitas de verão. Deus enviou uma seca (horeb) sem orvalho, porque Seu templo permanecia em ruínas (hareb). Ele utilizou um trocadilho para reforçar na memória das pessoas o motivo do castigo. Tiago 4:17 afirma que a oração de um homem justo é poderosa em seu efeito e apresenta, primeiro, o exemplo de Elias orando para que não chovesse e, posteriormente, orando para que chovesse. A oração dessas pessoas por chuva não surtiu efeito, pois elas não estavam totalmente comprometidas com Deus. Tiago 1:7-8 afirma que um homem de coração dividido não deve pensar que receberá algo do Senhor.

P: Ageu 1:13; 2:4 dizem: “Eu estou com vocês, diz o Senhor”. Ageu 2:5 e 2:19 também trazem a mesma promessa de bênção. Por que essa é a melhor bênção de todas?

R: Elias conhecia a resposta em 1 Reis 19:11-13. Deus mostrou-lhe vários poderes na natureza, mas Elias sabia que a presença de Deus não estava neles; e Elias perseverou em busca da presença de Deus. Quando não nos satisfazemos com coisas externas ostensivas, mas perseveramos em busca da presença de Deus, Deus estará presente para nós. A promessa de que Deus estará conosco, de uma forma muito próxima e pessoal, é a melhor promessa de todas.

P: Em Ageu 1:14, como Deus desperta o espírito de alguém?

R: Deus rompe as amarras que oprimiam o espírito dessa pessoa. Ele restaura sua fé, concede-lhe um novo coração cheio de amor, reaviva sua esperança e lhe dá uma visão. Deus utiliza tanto o reforço positivo quanto o negativo, conforme necessário.

Na época de Ageu, eles começaram a construir em 23 dias. Isso lhes deu tempo para se organizarem e concluírem a colheita de figos, uvas e romãs. Talvez não sentissem que tinham recursos suficientes, mas Esdras 6:8,9 diz que o rei Dario chegou a lhes dar dinheiro! Esdras 6:15 diz que a obra foi concluída cerca de quatro anos depois.

P: Em Ageu 1:14, quando é aceitável aceitar dinheiro de não crentes para a obra de Deus, em comparação com a orientação de não aceitar dinheiro de não crentes em 3 João 7?

R: Primeiro, o que não é a resposta, e depois a resposta.

O que não é a resposta: Ageu profetizou durante os tempos do Antigo Testamento, e 3 João foi escrito sob a Nova Aliança. No entanto, não há indicação explícita de que esses preceitos representassem uma mudança.

A resposta: O governo babilônico destruiu o templo e levou consigo o ouro e as riquezas do templo. O governo persa estava devolvendo o que, desde o início, pertencia aos judeus.

P: Em Ageu 2:1, qual é o significado de se dirigir ao “remanescente do povo” em vez de simplesmente ao povo?

R: Havia mais de 1,5 milhão de israelitas na época de Salomão, mas, naquele momento, apenas 50 mil judeus retornaram para casa. Eles contavam com um número visivelmente menor de pessoas e recursos muito mais escassos para construir um templo. Um ponto-chave é que suas atitudes seriam refletidas no próprio templo.

“Remanescente” não se refere a uma comunidade eleita, mas sim à fração insignificante da população que retornou da Babilônia.

P: Em Ageu 2:1-4, como é que, paradoxalmente, o desejo de sucesso pode, às vezes, levar ao fracasso por causa da procrastinação?

R: Às vezes, as pessoas procrastinam porque preferem nem mesmo tentar a correr o risco de fracassar. Francamente, algumas coisas que Deus deseja que façamos, mesmo que as realizemos da maneira correta, com humildade e obediência, e confiando em Deus, ainda assim serão um fracasso — pelo menos aos olhos do mundo.

O povo da época de Ageu abandonou sua própria avaliação dos momentos propícios para o sucesso e, a pedido de Ageu, começou a construir mesmo assim. O momento da segunda mensagem, em 17 de outubro de 520 a.C., no sétimo dia da Festa dos Tabernáculos, é significativo de duas maneiras. Primeiro, havia se passado exatamente 440 anos desde que, em 960 a.C., Salomão dedicou o templo que construíra, conforme 1 Reis 6:38; 8:2. Segundo, ocorreu um mês depois, de modo que já era possível ver alguns resultados. Esdras 3:10-13 relata que, enquanto alguns gritavam de alegria, outros choravam. Alguns dos repatriados mais idosos provavelmente se lembravam do antigo templo.

O fato de o novo templo ser ou não um “sucesso” dependia de se estava julgando segundo os padrões mundanos ou segundo os de Deus.

P: Em Ageu 2:1-4, como as pessoas reagem quando as coisas não vão ser tão boas quanto eram antes?

R: Esdras 3:10-13 diz que parte do povo se alegrou, mas outros choraram. Se o senhor frequentar uma igreja apenas pelo “espetáculo”, mais cedo ou mais tarde ficará desapontado ou poderá acabar em um lugar onde tudo é apenas para aparência. É melhor ser genuíno do que espetacular.

P: Ag 2,1-4 demonstra alguma decepção por parte de Deus pelo fato de esse templo não ser tão belo quanto o de Salomão?

R: De forma alguma. Lembre-se de que Salomão também construiu templos de ídolos, e essas pessoas não iriam construir templos de ídolos. Construir um templo simples e puro para Deus é melhor do que construir um templo verdadeiramente espetacular para Deus, mas construir também um templo de ídolos.

P: Em Ageu 2:1-4, às vezes é natural comparar vários ministérios, mas quando não devemos fazê-lo e como devemos proceder?

R: Em Jeremias 45, Baruc, o escriba, foi fiel no ministério de Jeremias. Jeremias foi um profeta influente nos séculos que se seguiram, mas, em sua época, não temos registro de que uma única pessoa tenha se arrependido. Não julgamos com base em resultados, na quantia de dinheiro arrecadada ou em ostentação.

Mas podemos e devemos examinar se eles são sólidos na doutrina e na prática, e se estão ou não fazendo o que Deus chamou os cristãos a fazer.

P: Em Ageu 2:1-4, esse templo não carecia de nada, mas não possuía os belos adornos do Templo de Salomão. Como é possível que alguns cristãos, ao confiarem em “adornos” para chamar a atenção para o evangelho, estejam perdendo o foco no próprio evangelho?

R: As denominações e organizações cristãs podem ter dois tipos de propósitos. O primeiro tipo são os propósitos que Deus destinou para o grupo. O segundo tipo são propósitos adicionais que as pessoas acrescentaram. As pessoas na época de Salomão podiam ter certeza de que o SENHOR era o Deus verdadeiro porque Jerusalém possuía o maior templo, os melhores móveis e mais ouro do que qualquer outro templo da região. Todas essas são razões falsas para se ter confiança. Era um objetivo nobre “adornar” o templo, mas esse novo templo seria “sem adornos” — sem o ouro, a altura magnífica e outros ornamentos. Ao contemplarmos as catedrais gigantescas e de belíssima arquitetura da Europa, anteriores à era missionária do século XVIII, perguntamo-nos o que mais poderia ter sido feito se o dinheiro e o esforço tivessem sido direcionados, em vez disso, para a construção da verdadeira igreja de Deus, ou seja, para alcançar mais pessoas por meio do evangelismo e do discipulado.

Podemos pensar que precisamos de adornos para servir melhor a Deus, e precisaríamos, se fosse para servir com nossas próprias forças. Mas nada podemos fazer sem Cristo (João 15:15). Como Paulo aprendeu em 2 Coríntios 12:10b: “Quando sou fraco, então sou forte.” (NVI)

P: Em Ageu 2:4, por que é significativo dizer a um sacerdote chamado Josué para ser forte, e o que isso tem a ver com a saída do Egito em Ageu 2:5? De que forma essa “ordem” é, na verdade, uma promessa preciosa?

R: Deus está usando a mesma formulação que empregou ao falar com Josué no livro de Josué. Podemos nos encorajar ao lembrar o que Deus fez por nós e pelo Seu povo no passado. À primeira vista, Deus estava simplesmente ordenando que ele fosse forte, mas, indiretamente, Deus estava dizendo que poderia torná-lo corajoso como o Josué de outrora, e como Moisés e Arão, que libertaram os israelitas da escravidão no Egito e derrotaram o exército do Faraó sozinhos, sem a ajuda de ninguém — isto é, exceto de Deus.

Como observação adicional sobre Josué, o sumo sacerdote, seu pai, Jeozadac, foi deportado para a Babilônia (1 Crônicas 6:15).

P: Em Ageu 2:5 e Isaías 41:10, Deus disse ao povo para não temer. Com o que eles poderiam estar temendo?

R: Embora haja muitas coisas específicas das quais eles poderiam ter medo, há pelo menos três categorias.

Medo dos povos vizinhos: os samaritanos, os amonitas e os árabes não estavam satisfeitos com a reconstrução do muro na época de Neemias, e também não teriam desejado a construção do templo na época de Ageu.

Medo de que Deus não os aceitasse de volta: O povo havia sido tão desobediente há mais de 70 anos que Deus os exilou na Babilônia. Apenas uma porcentagem muito pequena retornou. Eles poderiam ter algumas dúvidas sobre se Deus ainda os queria. A promessa de Deus de estar com eles, em Ageu 1:13; 2:4 e Isaías 41:10, seria muito valiosa para eles. Se um cristão cair hoje, ele ou ela pode se perguntar se Deus algum dia o aceitaria de volta. A promessa feita naquela época ainda é válida hoje. Na verdade, se alguém se arrepende, é porque o Espírito Santo o convenceu a se arrepender, a fim de aceitá-lo de volta.

Medo da pouca força em tempos turbulentos: Deus disse aos judeus que mais uma vez Ele abalaria os céus e a terra, o mar e a terra firme, em Ageu 2:6. “Mais uma vez” remete a Êxodo 19:16, onde Deus abalou as coisas no tempo de Moisés. Isaías 41:10 diz: “Portanto, não tema, pois estou com você; não se desanime, pois sou o seu Deus. Eu o fortalecerei e o ajudarei; eu o sustentarei com a minha destra justa.” (NVI)

P: Em Ageu 2:6-7, quando a terra e os céus foram abalados?

R: Quando Cristo morreu na cruz, o sol escureceu (Mateus 27:45-46; Marcos 15:33; Lucas 23:45) e houve um terremoto (Mateus 27:51-52). O historiador palestino não cristão Tales (52 d.C.) também registrou que a escuridão acompanhou a crucificação de Jesus.

Além de um terremoto físico, a morte de Jesus, sua visita aos mortos e sua ressurreição certamente abalaram tudo nos reinos espirituais.

P: Em Ageu 2:7, quem é o desejado por todas as nações?

R: Primeiro, um pouco de gramática hebraica e, em seguida, duas interpretações.

A palavra hebraica para “desejado” (hemdat) é feminino no singular, e “virá” (ba’u) é no plural. No entanto, o plural de “desejado” é (hamudat), que possui as mesmas vogais. O hebraico era originalmente escrito sem vogais.

Embora “desejado” seja singular feminino, uma construção semelhante se refere a Saul como o “desejado de Israel” em 1 Samuel 9:20, e ao ídolo masculino Tammuz como “aquele desejado pelas mulheres” em Daniel 11:37. Na forma plural, “Daniel” é o “altamente estimado” em Daniel 9:23 e 10:11,19.

Agora, eis as três interpretações.

1. O Desejado é o Messias: os primeiros cristãos interpretaram dessa forma. Visto que a forma feminina pode se referir a Saul, Tammuz e Daniel, conforme mencionado anteriormente, nada impede que isso se refira a Cristo. Isso se encaixa perfeitamente no contexto de Ageu. Está dizendo que, embora este templo não pareça tão bonito quanto o anterior, ele será melhor porque Jesus entrará neste novo templo. Como observação adicional, na época de Jesus, o templo era chamado de “Templo de Herodes”, não porque Herodes tivesse construído um novo templo, mas porque ele pagou pela reforma desse templo.

2. O desejado é a riqueza/tesouro das nações: essa interpretação é adotada devido ao substantivo feminino no singular.

3. “O povo virá ao desejado de todas as nações”: também é uma possibilidade válida.

P: Em Ageu 2:7, o senhor acha que “o desejado das nações” é messiânico ou não?

R: Os estudiosos têm opiniões divergentes.

Sim: Alguns rabinos judeus e Jerônimo (Carta 53, cap. 8, p. 101, 394 d.C.) interpretaram isso como messiânico.

Não: “O desejado de todas as nações” provavelmente não é messiânico, de acordo com outros comentários.

Ambos: “virão” é uma palavra no plural, portanto trata-se de desejos/tesouros no plural, mas afirma-se que isso poderia ser deliberadamente ambíguo e referir-se tanto aos tesouros quanto ao Messias.

P: Em Ageu 2:7, quando é que esta casa será preenchida de glória?

R: Isso se refere a Deus, o Filho, Jesus, entrando no Templo quando Ele caminhou nesta terra, ou então durante o Milênio.

P: Em Ageu 2:9, por que o senhor acha que Deus disse que concederia paz (shalom) em Jerusalém? Jerusalém sempre foi o centro de conflitos. Mas o Messias, o Príncipe da Paz, traria a paz entre Deus e o homem em Jerusalém, na cruz.

P: Em Ageu 2:3, 7 e 9, em que sentido a glória do Templo era maior do que a glória do Templo de Salomão?

R: Jesus veio a este templo. Alguns se preocupam mais com coisas materiais “gloriosas”, como o ouro, enquanto Deus parece se preocupar mais com as pessoas do que com as coisas materiais.

P: Em Ageu 2:9, como Herodes, o Grande, utilizou isso?

R: Herodes, o Grande, mencionou que o templo era, naquele momento, 60 pés mais baixo do que o de Salomão e, portanto, não tão bom. Ele disse isso em seu discurso para persuadir os judeus a permitirem que ele restaurasse o templo ao seu estado anterior, de modo que o templo (e ele) tivessem mais glória. (Josefo, Antiguidades dos Judeus, livro 15, cap. 11.1, p. 334.)

Mas não foi isso que Deus quis dizer quando afirmou que este templo teria maior glória do que o de Salomão. Hoje, tentativas não espirituais de tornar um ministério bem-sucedido podem, na verdade, ser uma falsificação do verdadeiro propósito de um ministério

P: Em Ageu 2:11-14, qual é o ponto aqui sobre o que é puro e o que é impuro?

R: Pode-se pensar na pureza como santidade e na impureza como contaminação. Uma coisa consagrada que entra em contato com uma coisa comum não torna ambas consagradas. No entanto, uma coisa contaminada que entra em contato com uma coisa comum torna ambas contaminadas. Então, Deus disse a Ageu que, aos Seus olhos, toda a nação estava contaminada. Há pelo menos três lições que podemos aprender com essa passagem.

1. Não é possível praticar uma quantidade igual de boas e más ações e esperar que as coisas se equilibrem aos olhos de Deus. Alguns chamam essa visão errônea de “Síndrome de Robin Hood”, já que, segundo a lenda, Robin Hood acreditava que uma má ação (como roubar alguém) seria contrabalançada por uma boa ação (como doar uma parte do saque aos pobres).

2. Podemos contaminar, mas somente Deus pode purificar. A contaminação se espalha. Eclesiastes 10:1 compara isso a uma mosca morta em um frasco de perfume. Coisas ou pessoas sagradas não tornam outras coisas ou pessoas mais consagradas. É Deus quem torna as coisas e as pessoas sagradas.

3. Deus frequentemente toma medidas coletivas contra uma nação ou um povo. Mesmo que haja algumas pessoas justas em uma nação, Deus às vezes pune toda a nação por causa dos pecados da maioria. Isso não significa que as pessoas justas sejam culpadas, mas, nesta vida, elas ainda são afetadas pelas consequências dos pecados alheios.

P: Em Ageu 2:15, esse templo foi construído por volta de 520 a.C., ou foi construído por volta de 536 a.C., conforme mencionado em Esdras 3:8-13, ou foi construído durante o reinado de Dario (521-486 a.C.), conforme mencionado em Esdras 4:24?

R: Todas as opções acima estão corretas. A obra foi iniciada quando os judeus retornaram pela primeira vez, em 538 a.C. No entanto, foi emitido um decreto suspendendo a obra. A obra foi retomada cerca de 18 anos depois, em 520 a.C.

Consulte a discussão sobre Ageu 1:1 para a cronologia dos reis e a discussão sobre Ageu 1:2 para a sequência dos eventos relacionados ao templo.

P: Em Ageu 2:15, o hebraico é incomum, dizendo literalmente: “a partir deste dia e daqui em diante”. Como deve ser a nossa vida “a partir deste dia e daqui em diante”?

R: O povo provavelmente se sentia em um momento de desânimo espiritual, pois apenas um remanescente havia retornado, e o templo claramente não seria tão bom quanto antes. Eles também se encontravam em uma situação financeira difícil. Mas Deus lhes prometeu que estaria com eles e que os abençoaria a partir deste dia “em diante”.

Como diria um pastor, quando alguém perguntar como você está, você pode responder: “melhor do que ontem, menos do que amanhã”. Devemos viver com a expectativa de que, a cada dia, nos tornaremos mais semelhantes a Cristo, cheios da alegria, da paz e da perseverança de Deus.

P: Em Ageu 2:10-19, por que Deus está enfatizando que a impureza é contagiosa e a santidade não?

R: Como disse Donald Campbell: “O trabalho e a adoração não santificam o pecado, mas o pecado contamina o trabalho e a adoração.” Comentário Bíblico do Crente, p. 1155. Se Deus quisesse que o povo fosse encorajado a voltar para Ele, à primeira vista isso parece que alcançaria exatamente o oposto. Em vez de dizer a eles que estão rodeados de coisas sagradas e que, por isso, podem gradualmente se tornar mais santos, Deus está lhes dizendo que o fato de algo ser sagrado NÃO torna sagradas as coisas ao seu redor.

O que Deus está fazendo é dizer-lhes que não deve haver esperança em nenhum processo natural e “gradual”. O único desfecho disso é que tudo se torne contaminado e arruinado. Mas, ao deixar isso bem claro, fica evidente que é Deus, e somente Deus, agindo soberanamente em Sua graça, que trará Sua santidade e glória àquele lugar, em Ageu 2:5-10. Quanto às coisas que estão sendo arruinadas, seja financeiramente ou espiritualmente, Deus passa então a prometer que, embora eles tivessem estado sob a mão severa de Deus em Ageu 1:5-11, a partir daquele momento (na verdade, “para cima”, em hebraico), Deus os inundaria com bênçãos, de acordo com Ageu 2:15-19.

P: Em Ageu 2:23, qual é o significado de um anel de sinete?

R: Há pelo menos três significados inter-relacionados.

Em geral, um anel de sinete simbolizava a autoridade do rei. O Faraó tirou seu anel de sinete e o entregou a José em Gênesis 41:42.

Autoridade divina para governar. O Messias teria um anel de sinete.

Promessa de que o Messias viria

O Espírito Santo garante nossa herança futura (Bíblia de Estudo NIV, p. 1404). Veja Efésios 1:13-14.

Reversão da maldição sobre Jeoiaquim: foi dito a Jeoiaquim que, mesmo que ele fosse um anel de sinete na mão direita de Deus, Deus o arrancaria, em Jeremias 22:24-25. Zorobabel não recebe meramente um anel de sinete, mas é descrito como sendo semelhante ao anel de sinete de Deus.

P: Em Ageu 2:23, o fato de Deus colocar o anel de sinete de volta revoga a maldição contra a descendência de Jeconias e o ato de retirá-lo, conforme Jeremias 22:24-29?

R: A maldição não foi totalmente anulada e removida, mas foi revertida e atenuada. Primeiro, o que dizem alguns escritores judeus e, em seguida, a resposta.

O Midrash Rabba diz: “... eles fizeram o Bezerro e mereciam ser exterminados, e eu teria pensado que Ele os amaldiçoaria e destruiria; no entanto, assim que se arrependeram, o perigo foi afastado, e o Senhor se arrependeu do mal (ib. XXXII, 14). E assim em muitos lugares. Por exemplo, Ele disse a respeito de Jeconias: ‘Pois nenhum homem de sua descendência prosperará’ (Jer. XXII, 30), e está escrito: ‘Derrubarei o trono dos reinos e destruirei a força dos reinos das nações...’ Naquele dia, diz o Senhor dos Exércitos, eu te tomarei, ó Zorobabel, meu servo, filho de Salatiel, diz o Senhor, e farei de ti um sinete (Ageu II, 22 s.). Assim foi anulado o que Ele havia dito ao seu antepassado, a saber: “Tão certo como eu vivo, diz o Senhor, mesmo que Conias, filho de Jeoiaquim, rei de Judá, fosse o selo na minha mão direita, eu o arrancaria de lá” (Jeremias 22, 24).
(Números Rabá XX:20)”

O Midrash Pesikta Rabbati diz: “R. Josué ben Levi, no entanto, argumentou da seguinte forma: O arrependimento anula todo o decreto, e a oração, metade do decreto. Vê-se que assim foi com Jeconias, rei de Judá. Pois o Santo, bendito seja Ele, jurou em Sua ira: ‘Por minha vida, diz o Senhor, mesmo que Conias, filho de Jeoiaquim, rei de Judá, fosse o selo na minha mão — observe, como disse R. Meir, que foi com a mão direita que Deus jurou —, eu o arrancaria de lá’ (Jer. 22:24). E o que foi decretado contra Jeconias? Que ele morresse sem filhos. Como está escrito: “Escrevei: Este homem não terá filhos” (Jer. 22:40). Mas assim que ele professou arrependimento, o Santo, bendito seja Ele, anulou o decreto, conforme demonstrado pela referência das Escrituras a “Os filhos de Jeconias — o mesmo é Assir — Salatiel, seu filho, etc.” (1 Crôn 3:17). E a Escritura diz ainda: “Naquele dia... eu te tomarei, ó Zorobabel... filho de Salatiel... e farei de ti um selo” (Ageu 2:23). Vejam, então, como o arrependimento pode anular todo o decreto!” (Pesikta Rabbati, Piska)

A resposta: Uma maldição pode ser atenuada sem ser anulada. Eis como.

Foi prometido a Davi que o Messias seria seu descendente biológico: Jesus o foi por meio de Maria

Em Jeremias 22:24-29, Jeconias foi amaldiçoado com a profecia de que nenhum de seus descendentes jamais se assentaria no trono de Davi. Nenhum deles reinou como rei. José era descendente de Jeconias, mas Jesus é o nosso rei e não era biologicamente descendente de José.

Por nascimento, ninguém da casa de Jeconias herdaria o trono de Davi

Por adoção, Jesus, adotado por José, herdou o trono de Davi.

Há muito o que refletirmos aqui. Por nascimento, nenhum de nós é filho de Deus, com qualquer direito de estar em Seu reino. Por adoção, tornamo-nos filhos de Deus e parte de Seu reino.

Às vezes, enfrentamos uma maldição ou uma consequência negativa por causa de nossas ações pecaminosas. Mas, se nos arrependermos e nos submetermos a Deus, Ele pode não anular a maldição ou a consequência, mas pode revertê-la e transformá-la em bênção.

P: Em Ageu 2:23, como Zorobabel foi escolhido para o futuro?

R: Zorobabel era o governador sob cuja liderança este templo seria reconstruído. Mas há mais do que apenas essa honra. Mateus 1:12-13,16 mostra que o descendente de Zorobabel, José, seria o pai legal do Messias.

Como observação adicional, o nome Zorobabel é um nome acádio atestado, zer babili, que significa “descendente da Babilônia”.

P: Que recursos literários Agéu utilizou?

R: Ageu não utilizou muitos; sua mensagem é clara e direta, ao contrário da de Zacarias, Salomão e Isaías. Veja, porém, o que ele utilizou.

Rima: Ageu 1:6 hammistakker, mistakker

Ageu 1:10 ‘al-ken, ‘alekem

Ageu 2:6 ‘ahat, me’at

Quiasmo: Ageu 1:9-11

Antítese: Ageu 1:6. Ganhar salário para colocá-lo em uma bolsa furada

Estilo de diálogo semelhante ao de Malaquias. Ageu 1:4, 5, 9; 2:11-13

Repetição ao longo da obra: “Assim diz o Senhor” ou expressões semelhantes, 26 vezes em 38 versículos

Espírito (3 vezes) Ageu 1:14

Paros de 2 ou 4 (mas não 3, 5 ou mais):

Ageu 1:11: campos e montanhas, vinho e azeite, homens e gado.

Ageu 2:2 Zorobabel e Josué

Ageu 2:6 céu e terra, mar e terra firme.

Ageu 2:21: céus e terra.

Ageu 2:22: tronos reais e reinos estrangeiros

Ageu 2:22 carruagens e seus condutores, cavalos e seus cavaleiros.

P: Em Ageu, quais são alguns dos manuscritos mais antigos que ainda existem hoje?

R: Manuscritos do Mar Morto: (c. 1 a.C.) Há uma cópia (em duas partes) de Ageu entre os manuscritos do Mar Morto.

4Q77 (=4QXIIb) contém Ageu 1:1-2; 2:2-4

4Q80 (=4QXIIe) contém Ageu 2:18-21

Nahal Hever é uma caverna próxima a Engedi, que contém um fragmento dos profetas menores em grego (8 Hev XIIgr). Foi escrito entre 50 a.C. e 50 d.C. Foi escondido durante a revolta de Bar Kokhba contra Roma. Trata-se de uma revisão da Septuaginta, feita na Judéia, e quase idêntica ao texto massorético.

O pergaminho de Wadi Murabb’at (Mur XII) era um “pergaminho dos Doze” datado de cerca de 132 d.C. Ele contém Ageu 1:1, 12-15; 2:1-8, 10, 12-23, bem como outros profetas menores. No livro de Ageu, ele é idêntico ao texto massorético, exceto por duas palavras.

De modo geral, os versículos de Ageu preservados nos Manuscritos do Mar Morto, em Nahal Hever e no Wadi Murabb’at, são os seguintes: 1:1-2, 12-15; 2:1-8, 10, 12-23. Em outras palavras, pelo menos parte de cada versículo, exceto 1:3-11; 2:9, 11.

Os manuscritos da Bíblia cristã, datados de cerca de 350 d.C., contêm o Antigo Testamento, incluindo o livro de Ageu. Dois deles são o Vaticanus (325-250 d.C.) e o Alexandrinus (c. 450 d.C.), nos quais os livros dos doze profetas menores foram colocados antes de Isaías. O livro de Ageu está completo tanto no Vaticanus quanto no Alexandrinus.

O Sinaítico (340-350 d.C.) também contém o livro de Ageu na íntegra.

P: Quais escritores antigos se referiram a Ageu?

R: A Bíblia faz referência a Ageu em Esdras 5:1; 6:14, e Hebreus 12:26 parafraseia Ageu 2:6. Há uma alusão geral a Ageu em Zacarias 8:9

A Septuaginta afirma que os Salmos 138, 146, 147, 147:12 e 148 são de Ageu e Zacarias.

O Saltério Galicano latino (389 d.C.), utilizado por Alcuíno de York, o principal erudito de Carlos Magno, apresenta os Salmos 111, 112, 146 e 147 como sendo de Ageu e Zacarias.

Nos apócrifos, 1 Esdras 6,1; 7,3; 2 Esdras 1,40 fazem referência a Ageu, e o Sirach (= Eclesiástico) 4,11 cita parte de Ageu 2,23

Os escritores pré-nicenos que fizeram referência ou alusão a versículos de Ageu são:

X A Epístola de Barnabé (c. 70-130 d.C.), cap. 16, p. 147, supostamente se refere a Ageu 2:10, mas trata-se de uma alusão tão vaga que não é considerada aqui.

Melito de Sardes (170-177/180 d.C.) (implícito) menciona o “Antigo Testamento” e enumera os livros. Ele não lista os doze profetas menores individualmente, mas se refere a eles como “Os Doze”. Fragmento 4 do Livro dos Extratos, vol. 8, p. 759

Clemente de Alexandria cita Ageu 1:6 como “Escritura”. Os Estromata (193-202 d.C.), livro 3, cap. 6, p. 391. Ele também cita Ageu 1:6 em O Instrutor, livro 2, cap. 3, p. 248

Clemente de Alexandria (193-205 d.C.): “Jeremias e Ambacum [Habacuque] ainda profetizavam na época de Zedequias. No quinto ano de seu reinado, Ezequiel profetizou na Babilônia; depois dele, Naum, e em seguida Daniel. Depois dele, mais uma vez, Ageu e Zacarias profetizaram na época de Dario, o Primeiro, por dois anos; e, em seguida, o anjo entre os doze.” *Stromata*, livro 1, cap. 21, p. 328

Tertuliano (198-220 d.C.) faz alusão ao “abalo universal” de todo o mundo em Ageu 2:6 e Hebreus 12:26,27. Sobre a Monogamia, cap. 16, p. 72

Orígenes (225-254 d.C.) cita Ageu 2:6 como sendo de Ageu em *Contra Celso*, livro 7, cap. 30, p. 623

Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.) cita Ageu 1:12 como sendo de Ageu em *Tratados de Cipriano*, Tratado 12, terceiro livro, cap. 20, p. 541.

Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.) cita Ageu 1:9 como sendo do profeta em *Tratados de Cipriano*, Tratado 5, cap. 6, p. 459. Estas são as duas únicas referências a Ageu nos escritos existentes de Cipriano.

Após Nicéia (325 d.C.)

Atanásio de Alexandria (367 d.C.) (Implícito, pois menciona os doze profetas) “Existem, portanto, no Antigo Testamento, vinte e dois livros no total; … depois, os Profetas, sendo os doze considerados como um único livro….” Carta de Páscoa de Atanásio, n.º 39, cap. 4, p. 552.

Efraim, o Sírio (350-378 d.C.)

Basílio da Capadócia (357-378 d.C.)

Cirilo de Jerusalém (c. 349-386 d.C.) menciona os livros dos Profetas, tanto os dos Doze quanto os demais. Miquéias 3,8, como em Miquéias; Joel 2,28, como em Joel; Ageu 2,4, como em Ageu; Zacarias 1,6, como em Zacarias. Palestras Catequéticas, Palestra 16.29, p. 122

Gregório de Nanzianzo (330-391 d.C.)

O Livro Siríaco dos Passos (Liber Graduum) (350-400 d.C.) refere-se a Ageu 1:6 na Memra 7, p. 78

Rufino (374-406 d.C.)

João Crisóstomo (-407 d.C.)

Jerônimo (373-420 d.C.) discute os livros do Antigo Testamento. Ele discute especificamente Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, o Pentateuco, Jó, Jesus, filho de Nave [Josué], Juízes, Rute, Samuel e Reis (2 livros), os doze profetas, Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel, Ester, Esdras, Neemias, Carta 53, cap. 7-8, p. 99-101.

O herege pelagiano Teodoro de Mopsuéstia (392-423/429 d.C.)

Agostinho de Hipona (388 - 28 de agosto de 430 d.C.)

O semipelagiano João Cassiano (419-430 d.C.)

P: Em Hag, quais são algumas das diferenças de tradução entre o hebraico e a Septuaginta grega?

R: A primeira frase corresponde ao texto massorético, a segunda à Septuaginta, salvo indicação em contrário. Há apenas duas pequenas diferenças em 2:1 e 2:3 entre o texto massorético e o wadi Murabb’at.

Ag 1:1 “por” vs. “pela mão de”

Hag 1:2 “vindo” (bo’) (Masorético) vs. “veio” (ba’) Septuaginta

Ag 1:2 “governador de Judá” vs. “da tribo de Judá”

Ag 1:8 “trazer” vs. “cortar” (A palavra hebraica na qual a Septuaginta se baseou difere em apenas uma letra)

Ag 1:9 “eis que” vs. “ser”

Ag 1:9 “soprei sobre ele” vs. “soprei-o para longe”

Ag 1:9 “Por que” vs. “Portanto”

Ag 1:11 “seca na terra” vs. “espada sobre a terra”

Ag 1:11 “suas mãos” vs. “as mãos deles”

Ag 1:12 “Então” vs. “E”

Ag 1:12 “seu Deus” vs. “a eles”

Ag 1:13 “transmitiu a mensagem” vs. “falou entre os mensageiros”

Ag 1:14 “o remanescente do povo” vs. “o remanescente de todo o povo”

Ag 1:14 “vieram” vs. “entraram”

Ag 2:1 “através de” (beyad) (Masorético), vs. “para” (‘el) no rolo do wadi Murabb’at (An Exegetical Commentary, p. 17, e Benoit et al., Les Grottes de Murabba’at, p. 184)

Ag 2:2 “remanescente” vs. “todo o remanescente”

Ag 2:3 (‘oto) (Masorético) versus (‘itto) no pergaminho do wadi Murabb’at.

Ag 2:4 “fortaleça-se, ó Josué/Jesus” versus “fortaleça-se, ó Josué/Jesus”

Ag 2:4 “fortaleçam-se… povo da terra” vs. “fortaleçam-se, … povo da terra”

Ag 2:5 “A palavra que eu fiz aliança convosco quando saíram do Egito, assim o meu espírito” versus “o meu espírito”

Ag 2:6 “mais uma vez” vs. “ainda/mais uma vez” (Ver Comentário Exegético sobre Ageu, Zacarias e Malaquias, p. 41-42.)

Ag 2,9 “Senhor Todo-Poderoso” vs. “Senhor Todo-Poderoso: e/até mesmo a paz da alma, como herança / para salvar a todos / todos aqueles que lançaram os alicerces para erguer este templo.”

Ag 2:14 “e assim é toda obra” vs. “e assim são todas as obras”

Ag 2:14 “contaminados” vs. “contaminados, por causa de seus fardos iniciais / ganhos obtidos rapidamente; eles sofrerão por seus trabalhos/esforços, e vocês (plural) odiaram / têm odiado aqueles que administram justiça no portão da cidade / nos portões.”

Ag 2:22 “trono do reino” vs. “tronos dos reis”

Ag 2:22 “espada de seu irmão” vs. “espada que luta contra seu irmão”

Ag 2:23 “Zorobabel, meu servo, filho de Salatiel” vs. “Zorobabel, filho de Salatiel, meu servo”

Ag 2:23 “sinete” vs. “selo”

Bibliografia para esta questão: a tradução do hebraico é da obra Literal Translation, de Jay P. Green, e a versão da Septuaginta é da tradução de Sir Lancelot C.L. Brenton, intitulada The Septuagint: Greek and English. Também foram utilizados o Expositor's Bible Commentary e as notas de rodapé das Bíblias NASB, NIV, NKJV e NRSV.