< Pergunta bíblica de Ezra

P: Em Esdras 1:1, quem escreveu este livro?

R: O Livro de Esdras não o afirma diretamente. Esdras era um escriba erudito, e é muito provável que tenha escrito o livro entre 456 a.C. e 444 a.C. O uso da primeira pessoa em Esdras 7-10 indica que foi Esdras, embora seja possível que algumas partes tenham sido redigidas por outra pessoa posteriormente.

O estilo de Crônicas e Esdras é semelhante; portanto, talvez Esdras tenha escrito ambos.

Costuma-se considerar que alguns eventos descritos em Esdras ocorreram antes dos de Neemias e outros na mesma época. Por outro lado, Neemias 3:1 afirma que, quando Neemias estava em Jerusalém, Eliásib era o sumo sacerdote, e em Esdras 10:6 diz-se que Esdras foi à sala de Jeoanã, filho de Eliásib. No entanto, em Esdras 10:6 não há nenhuma menção de que Eliásib fosse o sumo sacerdote quando Esdras foi à sua sala.

Alguns críticos liberais afirmam que os livros de Esdras e Neemias foram escritos muito mais tarde, durante a época de Alexandre, da Macedônia (c. 330 a.C.), pois Neemias 12:11,22 menciona Jadua, e na época de Alexandre havia um sumo sacerdote com o mesmo nome. No entanto, não se trata necessariamente do mesmo Jaddua. É mais provável que o Jaddua posterior fosse neto do anterior (assim como os nomes Tobias e Artaxerxes). Da mesma forma, acredita-se que Josefo tenha se confundido em relação ao período persa, pois houve dois reis chamados Artaxerxes e dois chamados Dario.

P: Em Era 1:1-10:44, quais são algumas características interessantes deste livro?

R: Cerca de um quarto do livro está escrito no chamado “aramaico imperial” (versículos 4:7-6:18 e 7:12-26), que compreende principalmente os documentos oficiais. O livro de Daniel também está escrito tanto em hebraico quanto em aramaico. Esdras tem 280 versículos no total, dos quais apenas 109 são narrativos, 44 são cartas e 10 são orações. Possui 111 versículos que registram pessoas. Os dois primeiros versículos de Esdras são os mesmos que os dois últimos versículos de 2 Crônicas. Esdras 2 e Neemias 7 são praticamente idênticos. (Portanto, se desejar memorizar as Escrituras e obter o dobro do benefício…). Isso leva algumas pessoas a pensar que o mesmo autor escreveu Esdras e 2 Crônicas. Mas um cenário mais provável é que 2 Crônicas tenha sido escrito após Esdras, e que Esdras tenha sido uma das fontes utilizadas pelo cronista.

P: Em Esdras, quais manuscritos desse período temos preservados até hoje?

R: Além da Bíblia, há diversos escritos em grego e em outras línguas, mas esta resposta aborda apenas os escritos físicos que os arqueólogos realmente encontraram preservados até hoje. Aqui estão alguns deles, datados de 850 a.C. até cerca de 400 a.C.

A Pedra de Moabe. (850 a.C.)

Em Beir Allah, no Vale do Jordão, um exercício de caligrafia de um aluno menciona Balaão, filho de Beor, três vezes. A datação por radiocarbono indicou 800/760 a.C.

Textos de Salmanasar III (836 a.C.) na Assíria. Menção aos povos dos medos e dos tubalitas.

Textos de Sargão (732 a.C.) na Assíria. Mencionam o povo de Tubal.

Textos de Sargão II (722-705 a.C.)

As Palavras de Ahiqar, da Assíria (700-400 a.C., em aramaico e, possivelmente, em acádio) (uma tradução para o inglês encontra-se em *The Old Testament Pseudepigrapha*, volume 2, p. 494-507).

Muitos outros registros assírios

Muitos registros babilônicos

A rocha de Behistun, na Pérsia

Cópia em aramaico da Inscrição de Behistun na Ilha de Elefantina, no sul do Egito

A cópia babilônica em coluna da Inscrição de Behistun

O Cilindro de Ciro (c. 438 a.C.). É possível ver uma imagem dele no livro *Rose Book of Charts, Maps & Time Lines*, p. 78.

Nos papiros de Elefantina (Cowley n.º 21), Dario ordena aos judeus que ali se encontravam que observassem a Festa dos Pães Ázimos. Consulte o “The Expositor’s Bible Commentary”, p. 649.

Papiros de Elefantina, Cowley nº 30 (407 a.C.) A carta ditada por Jedanias a Bagohi, governador de Judá, solicitando ajuda na reconstrução do templo de “YHW” em Elefantina. Essa carta menciona os filhos de Sanbalate [sn’blt], chamado de governador de Samaria. A carta foi datada pelo autor como 25 de novembro de 407 a.C. Os egípcios e o governador persa Vidranga destruíram o templo em Elefantina em 419 a.C.

Os papiros samaritanos de Wadi ed-Daliyeh (WDSP 11 frente 13) mencionam Sanbalate [sn’blt].

Ostraca na Ilha de Elefantina.

Documentos bancários de Murashu em Nippur. Esses textos contêm os nomes de 2.500 indivíduos, dos quais 70 são judeus.

Papiros samaritanos

Um memorando de Bagoas, o governador persa de Judá.

Mais de 30 tabuinhas em Susa e 1 tabuinha em Borsippa mencionam até quatro funcionários persas chamados “Marduku” ou “Marduka”.

Duas inscrições em salões, em cavernas a 11 milhas a oeste de Amã, na Jordânia, mencionam “Tobias” em aramaico. (De 590 a.C. até 200 a.C.)

P: Em Esdras, qual é o esboço deste livro?

R: Aqui está um resumo geral.

1-6 Retorno e reconstrução do Templo

..1-2 O retorno sob Zorobabel (538 a.C.)

…1 O decreto de Ciro e os preparativos

….2 A lista dos 50 mil repatriados

..3-6 A reconstrução do Templo

….3 A construção do altar e dos alicerces do Templo

….4 A oposição sob Ciro, Assuero e Artaxerxes

…5 Mais oposição sob o reinado de Dario

…6 Conclusão do templo sob o reinado de Dario

7-10 O retorno e a reconstrução da comunidade

..7-8 O retorno sob Esdras (458 a.C.)

….7 O decreto de Artaxerxes I

…8 Lista dos 4 a 5 mil participantes que retornaram e sua viagem

..9-10 A reconstrução da comunidade

.…9 Casamentos mistos e a oração de Esdras

.…10 A confissão e a aliança do povo

P: Em Esdras 1:1-10:44, por que todo o material contido no livro de Esdras foi incluído nesse livro?

R: As Escrituras não dizem. Alguns consideram que menos detalhes poderiam ter sido incluídos ali. Por outro lado, mais detalhes e talvez documentos poderiam ter sido acrescentados. Mas parece que a razão principal para o material que Esdras incluiu ali é demonstrar e documentar como Deus cumpriu Sua profecia de restaurar os judeus à Terra Prometida após os setenta anos de cativeiro.

P: Em Esdras 1:1, por que esse ano foi chamado de “primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia”, uma vez que ele já era rei da Pérsia antes da conquista da Babilônia, conforme menciona o Guia de Asimov para a Bíblia, p. 435?

R: Ciro tornou-se rei de Anshan em 559 a.C. e rei dos medos, bem como dos persas, em 550 a.C. No entanto, este foi o primeiro ano de seu reinado sobre este vasto Império da Babilônia e da Pérsia. William H. Shea estudou os mais de 400 locais em que Ciro recebeu um título e, em 90% dos casos, ele foi chamado de “Rei da Babilônia, Rei das terras”. O Cilindro de Ciro se refere a Ciro como “Rei do Mundo, Grande Rei, Rei Legítimo, Rei da Babilônia, Rei de Sumer e Akkad, Rei dos Quatro Cantos (da Terra)”. Shea também descobriu que Ciro foi chamado pela primeira vez de “Rei das Terras” no início de 538 a.C., mas só passou a ser chamado de “Rei da Babilônia, Rei das Terras” no final de 538 a.C. Ele acredita que a razão para isso é que o governador, Gubaru, ostentava o título de Rei da Babilônia até sua morte naquele ano.

Assim como um duque que se torna rei considera seu primeiro ano como o início de seu reinado, e não como o período em que era duque, o primeiro ano de Ciro é contado a partir do momento em que ele se tornou Imperador do Império. “O Império” incluía a Babilônia como uma de suas capitais.

P: Em Esdras 1:1, os 70 anos poderiam se referir à duração do Império da Babilônia ou do Templo, como sugere o cético *Guia de Asimov para a Bíblia*, pp. 436-437, 449?

R: Refere-se ao período durante o qual Judá esteve sob o domínio da Babilônia. Primeiro, vejamos exatamente o que a Bíblia afirma e, em seguida, o que a história confirma.

Jeremias 25:11-12; 29:10,16 afirma:

1) O país de Judá se tornaria um deserto, e seu povo serviria à Babilônia por setenta anos

2) Após 70 anos, a Babilônia seria castigada (Jeremias 25:12)

3) Jeremias 29:10 acrescenta que, após 70 anos, os exilados retornariam.

4) Jeremias 29:16 acrescenta que nem todos iriam para o exílio.

Embora não diga que Jerusalém seria totalmente destruída, pode-se inferir isso. No entanto, não especifica por quanto tempo Jerusalém permaneceria destruída. É o serviço à Babilônia, e não a destruição de Jerusalém, que foi profetizado como tendo duração de 70 anos.

Historicamente, Judá esteve sob o domínio da Babilônia de 605 a.C. a 538 a.C. Isso equivale a cerca de 68 dos nossos anos. No entanto, as profecias foram feitas com base no ano lunar religioso, que tinha 360 dias.

P: Em Esdras 1:1, o exílio efetivo durou apenas 49 anos, de 587/586 a 538 a.C., como afirma o cético *Guia de Asimov para a Bíblia*, p. 436?

R: Muitas pessoas foram exiladas em 605 a.C. pelo período completo de 70 anos. Para complicar ainda mais, há o fato de que outras pessoas foram exiladas por apenas 49 anos. Independentemente disso, a profecia previa que Judá serviria à Babilônia por 70 anos.

P: Em Esdras 1:1-4, por que o rei persa decidiu ajudar os judeus nesse contexto?

R: A razão fundamental é que Deus moveu Ciro a fazer isso. Além disso, não apenas o rei persa permitiu que os judeus retornassem, mas o arqueólogo Rassam desenterrou o que é chamado de “Cilindro de Ciro”, no qual Ciro registrou sua conquista da Babilônia e decretou que outros povos também pudessem retornar para casa. Não há evidências de que Ciro acreditasse no Deus verdadeiro; ao contrário, ele utilizou o nome divino ao se referir aos judeus, da mesma forma que utilizava os nomes de outros deuses ao se referir aos demais povos.

O Cilindro de Ciro diz, em parte: “Que todos os deuses que eu reinstalei em suas cidades sagradas peçam diariamente a Bel e Nebo uma vida longa para mim.” (Bel e Nebo eram deuses babilônicos.)

P: Em Esdras 1:1-4, o que mais diz o Cilindro de Ciro?

R: O crítico bíblico do século XIX Julius Wellhausen e muitos outros duvidavam que alguma vez tivesse existido um decreto para que os judeus retornassem à sua terra natal. No entanto, o Cilindro de Ciro foi descoberto por Rassam em 1879; a mesma página traz uma fotografia do mesmo. O Cilindro de Ciro serviu principalmente como ferramenta de propaganda de Ciro para mostrar aos babilônios que ele era seu amigo, e não apenas um conquistador a ser combatido. Ciro autodenominava-se “Rei do Mundo, Grande Rei, Rei Legítimo, Rei da Babilônia, Rei de Sumer e Akkad, Rei dos Quatro Cantos [da Terra]” (p. 89). Também diz: “Quando eu, bem-disposta, entrei na Babilônia, estabeleci a sede do domínio no palácio real em meio a júbilo e regozijo. Marduk, o grande deus, fez com que os habitantes de coração generoso da Babilônia... me acolhessem. Eu procurei não permitir que ninguém aterrorizasse a terra de [Sumer] e Akkad. Tive em vista as necessidades da Babilônia e de todos os seus santuários para promover seu bem-estar.” (p. 87) Afirma-se também que Ciro entrou na cidade “sem combate nem batalha”. Isso é verdade, pois Ciro entrou na cidade 17 dias após os persas terem realizado um ataque surpresa e capturado a cidade.

O Cilindro de Ciro também diz, a respeito dos povos exilados: “Eu (também) reuni seus antigos habitantes e devolvi (a eles) suas moradias.” (p. 91)

P: Em Esdras 1:5-11, por que o rei persa foi tão generoso ao fornecer ouro e prata a Esdras?

R: As Escrituras apresentam uma razão e mal sugerem uma segunda razão provável.

Primeiro, Esdras 1:7 diz que, entre os itens que o rei devolveu, estavam os objetos do templo que haviam sido tomados dos israelitas pelos babilônios. Os conquistadores costumavam levar os ídolos dos povos conquistados, mas, como não havia ídolos em Jerusalém, eles levaram, em vez disso, os utensílios do templo. No Cilindro de Ciro, que registra o momento em que os persas enviaram os povos cativos de volta para suas casas, também é mencionada a devolução de seus deuses a eles.

Em segundo lugar, Esdras 1:6 diz, de forma um tanto misteriosa, que o rei queria “encorajá-los”. Por que o rei desejaria fazer isso? Para entender o motivo, é preciso examinar a situação política da época.

Dario I, pai de Xerxes I — o rei mencionado no livro de Ester —, foi assassinado em seu quarto por Artabano em 464 d.C. O rei mencionado em Esdras, Artaxerxes I, era o terceiro filho de Xerxes e Amestris. Ele tinha apenas 18 anos na época. Mas, naquele ano, Artaxerxes conseguiu matar tanto Artabano quanto um de seus irmãos mais velhos, chamado Dario, e derrotar seu outro irmão mais velho, Histaspes, em batalha. No entanto, naquele ano, teve início no Egito uma revolta que durou dez anos, com a ajuda de 200 navios gregos. Megabizo, o sátrapa persa da Síria, derrotou os rebeldes egípcios em 465 a.C., prometendo clemência ao líder rebelde egípcio, Inarus. Infelizmente, Inarus foi empalado por ordem da rainha Amestris, mãe de Artaxerxes I, o que levou Megabizo a se revoltar. Em meio a tudo isso, em 458 a.C., o rei encorajou Esdras e a maioria dos exilados a retornarem a Jerusalém. O rei persa desejava um Estado-tampão leal a leste do Egito e ao sul da Síria. Assim, faz sentido, como diz Esdras 1:6, que o rei persa quisesse “encorajá-los”.

P: Em Esdras 1:5-11, o que você deve fazer se uma bênção generosa cair inesperadamente em seu colo?

R: É claro que deve louvar e agradecer a Deus por isso, mas há mais ainda. Deixe que outras pessoas saibam o que Deus fez. Além disso, você pode se perguntar se Deus talvez tenha lhe concedido essa bênção com um propósito. Talvez ela tenha sido concedida para que você pudesse estar em posição de ajudar os outros. Tenha cuidado, porém; você pode descobrir que tem muitos novos “amigos”, mas não necessariamente amigos verdadeiros.

P: Em Esdras 1:8, o que significam os nomes desses judeus?

R: Mithredath significa “dado por Mitra”. Mitra era um importante deus persa do lado do bem. Zorobabel significa “semente da Babilônia”, onde ele nasceu.

Sheshbazzar é um nome não hebraico de significado incerto. Talvez fosse outro nome para Shenazar, e Shenazar era o quarto filho de Jeconias (1 Crônicas3:18 ), o ex-rei de Judá e, portanto, tio de Zorobabel. Isso explicaria por que Sheshbazzar era chamado de príncipe de Judá.

Alguns afirmam que Shezbazzar poderia ser outro nome para Zorobabel. No entanto, não faria muito sentido haver dois nomes não hebraicos. Também se diz que Shezbazzar poderia ser outro nome para Shealtiel, que aparentemente faleceu logo após o lançamento dos alicerces. Ou então, Shezbazzar poderia ter sido o governador dos judeus imediatamente antes de Zorobabel, e quando Shezbazzar faleceu, Zorobabel assumiu o cargo. Além disso, o fato de que Sezbadzar não é Zorobabel se explica porque Zorobabel, filho de Salatiel, é mencionado em Esdras 5:2, enquanto Sezbadzar, príncipe de Judá, é mencionado, no pretérito, como tendo vivido para lançar os alicerces do templo em Esdras 5:16?

P: Em Esdras 1:9-10, por que o total dos artigos mencionados, 2.499, não corresponde ao número total de itens de ouro e prata, 5.400, em1:11 ?

R: A lista consiste apenas em panelas (?), tigelas e outros itens importantes. O total geral, que talvez inclua algumas peças quebradas, abrange itens não listados. A diferença nos números é grande demais para ser apenas um erro tipográfico.

P: Em Esdras 2:1-70, os judeus prosperaram sob o domínio persa?

R: Sim. Além da Bíblia, temos evidências extra-bíblicas de que eles se saíram muito bem.

Existem inúmeras tabuinhas de argila de banqueiros abastados em Nippur, chamados “Murashu e Filhos”, que concediam empréstimos. Seus textos contêm os nomes de 2.500 indivíduos, sendo que 70 deles são judeus. Curiosamente, as tabuinhas de argila mostram que muitos desses judeus tinham nomes tanto judaicos quanto não judaicos. Além disso, foram encontrados judeus em 28 dos 200 assentamentos ao redor de Nippur.

Havia uma guarnição militar judaica perto de Assuã, no sul do Egito, e eles construíram um templo/sinagoga dedicado a “Yaho”.

Muitos judeus viviam na Ilha Elefantina, no sul do Egito, de acordo com papiros e ostraca aramaicos que mencionam o sábado e a Páscoa judaica. No Papiro Cowley nº 21, Dario II ordenou que a colônia judaica na Ilha Elefantina observasse a Festa dos Pães Ázimos.

P: Em Esdras 2, qual era a população estimada dos israelitas antes de seu exílio?

R: Estima-se que, no século VIII, houvesse de 500.000 a 700.000 israelitas no reino do norte e de 220.000 a 300.000 israelitas em Judá.

P: Em Esdras 2, uma vez que se estima que havia de 1,5 a 3 milhões de israelitas e judeus espalhados pelo Império Persa, por que razão apenas cerca de 50.000 pessoas retornaram a Jerusalém?

R: A maioria era desobediente e não queria retornar, embora alguns pudessem ter sido escravos e não tivessem escolha. O próprio Esdras reconheceu que eram apenas um pequeno remanescente em Esdras 9:15. Os israelitas haviam sido exilados mais de 200 anos antes, e quase todos haviam se assimilado e perdido sua identidade nacional. O livro *Asimov’s Guide to the Bible*, p. 437, aponta com perspicácia que “O fato de terem doado objetos de valor para ajudar aqueles que planejavam fazer a viagem indica que eram razoavelmente abastados e talvez não vissem sentido em deixar um lugar onde eram prósperos e estavam seguros e onde, a essa altura, já se sentiam em casa.” Mas, mesmo assim, os repatriados ocuparam apenas uma área que se estendia por cerca de 25 milhas de norte a sul e 32 milhas de leste a oeste, sendo um terço dela deserto.

Sabemos também que muitos judeus eram prósperos, graças às tabuinhas de Murashu. Tratava-se de cerca de 730 tabuinhas de argila registrando empréstimos concedidos por um banqueiro de Nippur chamado Murashu, bem como por seus filhos. Cerca de 60 nomes judeus aparecem como devedores de Murashu.

É claro que foi um gesto generoso da parte dos judeus que optaram por permanecer terem doado dinheiro para aqueles que voltaram para casa. No entanto, Deus não queria suas doações; Deus queria que eles próprios voltassem para casa.

P: Em Esdras 2, quanto tempo levaria para as pessoas viajarem da Babilônia até Jerusalém?

R: Levaria cerca de quatro meses. No entanto, Esdras não mencionou isso porque a ênfase estava na reconstrução, e não nas dificuldades do retorno.

P: Em Esdras 2:1-70, quais são as diferenças nos números em relação a Neemias 7:7-72?

R: Aqui estão as duas listas e as diferenças. A próxima pergunta aborda as razões para essas diferenças.

ClãEsdrasNeemiasDiferença
Parosh2.1722.1720
Shephatiah3723720
Arah775652-123
Pahate-Moabe2.8122.8182 a 8
Elam1.2541.2540
Zattu9458459 a 8
Zaccai7607600
Binnui/Bani6426482 a 6
Bebai6236283 a 8
Azgad1.2222.322+1.100
Adonikam6666676 a 7
Bigvai2.0562.06756 a 67
Adin4546554x4 a 6x5
Ater98980
Hashum223328+105
Bezai3233243 a 4
Harif/Hashum112112(ordem)
Gibeão / Gibbar9595-
Belém e Netofá123+56188Soma +7
Anatot1281280
Azmavete42420
Keareath, Jearim, Kephilah, Beeroth7437430
Ramá e Gebá6216210
Micmás1221220
Betel e Ai2231232 para 1
Outros Nebo52520
Magbish156-Omissão
Outros Elam1.2541.2540
Harim3203200
Lod, Hadid, Ono7257215 a 1
Jericho345345(ordem)
Senaah3.6303.9306 a 9
Jedaías9739730
Immer1.0521.0520
Pashhur1.2471.2470
Harim1.0171.0170
Jeshua74740
Asaf1281482 a 4
Guardiões1391389 a 8
Servos do templo3923920
Origem não comprovada6526425 a 4
Total42.36042.3600
Servos7.3377.3370
CategoriaEsdrasNeemiasDiferença
Cantores200245+45
Cavalos7367360
Mulas2452450
Camelos4354350
Burros6.7206.7200
Dracmas61.0001.000 + 20.000 + 20.000-20.000
Vestuário100530 + 67+497
Minas5.0002.200 + 2.000-600

(Há também 50 tigelas em Neemias.)

O livro apócrifo de 1 Esdras também lista os repatriados. Ele menciona 25.947 homens de Israel (em comparação com 24.144 em Esdras e 25.406 em Neemias), 5.288 sacerdotes (contra 4.289 em Esdras e Neemias), 341 levitas, cantores e porteiros, em comparação com 341 em Esdras; 372 servos do Templo, contra 392 em Esdras e Neemias; e 652 homens de origem desconhecida, contra 652 em Esdras.

O número total de pessoas é muito maior do que o listado, portanto a lista não é exaustiva. Por exemplo, Esdras inclui a família de Magbish, enquanto Neemias não. O total também pode incluir tribos do norte, além de mulheres e crianças.

Dos 50 números em comum, há 22 diferenças no total. Há 12 diferenças de um único dígito, e Neemias apresenta o número maior em 7 delas. Há 10 diferenças de vários dígitos, e Neemias apresenta o número maior em 7 delas. Para efeito de comparação, vejamos o hebraico em relação à Septuaginta grega: para Esdras, há 2 diferenças (ambas de um único dígito), e para Neemias, 10 diferenças (5 das quais são de um único dígito).

P: Em Esdras 2:1-70 e Neemias 7:7-72, com que precisão os escribas antigos transmitiram as listas de números?

R: Aqui estão dois exemplos para comparação em documentos antigos.

O exército de Frada: A inscrição persa da Rocha de Behistun afirma que o exército de Frada teve 55.243 mortos e 6.572 prisioneiros na coluna babilônica. Uma tradução aramaica encontrada na Ilha de Elefantina, no Egito, indica que o número de prisioneiros era de 6.972, com uma diferença de um dígito em relação à inscrição da Rocha de Behistun. Em uma cópia duplicada da coluna babilônica encontrada na Babilônia, o número de prisioneiros era de 6.973, com uma diferença de um dígito em relação à tradução aramaica.

O exército rebelde de Frawartish: A rocha de Behistun, na Pérsia, indica que 2.045 foram mortos e 1.558 feitos prisioneiros no exército rebelde de Frawartish. A cópia em aramaico apresenta mais de 1.575 como o número de prisioneiros.

Esses exemplos foram originalmente extraídos de F.W. Konig, *Relief and Inschrift des Konigs Dareios I am Felsen von Bagistan* [Leiden: Brill, 1938], p. 48, 45.

P: Em Esdras 2:1-70, por que os números das pessoas que retornaram diferem dos de Neemias 7:7-72?

R: Provavelmente, isso se deve a uma combinação de vários motivos.

Erros simples de copistas: Nos manuscritos atuais, há alguns erros de copistas. Muitos desses erros consistem em alterar ou omitir um dígito. Comparando o hebraico com a Septuaginta, há duas diferenças em Esdras (ambas de um único dígito) e dez diferenças em Neemias (cinco delas de um único dígito). Assim, seria de se esperar que erros simples de copistas explicassem cerca de2 to 5 , ou possivelmente até 10 das 22 diferenças. Como o número de vezes em que Neemias é maior ocorre em 7 das 12 diferenças de um único dígito, não há uma tendência estatisticamente significativa de que um seja maior.

Listas de cifragem: As diferenças podem ser devidas ao uso de “listas de cifragem”, nas quais um traço vertical representava “1” e um traço horizontal representava “10”, e o início da letra da palavra hebraica me’ah representava centenas. Isso levaria a um maior número de erros de cópia.

Mudança na forma de escrever os números: A maneira como os hebreus escreviam os números mudou por volta dessa época. Anteriormente, os hebreus usavam as antigas “letras redondas” e passaram a usar letras “quadradas”. Isso causaria mais erros de transcrição. O Dicionário Bíblico Wycliffe, p. 667, menciona que os moabitas falavam um dialeto do hebraico e ainda usavam as antigas letras redondas no século IX a.C. A Enciclopédia Britânica, volume 1 (1956), p. 684, afirma: “os registros mais antigos do aramaico remontam a cerca de 800 a.C.… O alfabeto dessa época difere pouco do da Pedra de Moabe”. Ela indica que havia duas tendências, que se consolidaram durante o período persa

1) a abertura das extremidades das letras beth, daleth e resh. Os ângulos tornaram-se mais arredondados e surgiram ligaduras. Seria de se esperar que isso explicasse um maior número de erros.

As listas foram elaboradas em momentos diferentes: das 10 diferenças de vários dígitos, a de Neemias apresenta valores maiores em 7 delas. Por um lado, as diferenças provavelmente não se devem ao retorno de um número maior de exilados, já que os totais coincidem exatamente. Por outro lado, no que diz respeito aos que retornaram, pode ter havido um número maior de pessoas nos clãs e aldeias listados. Esdras 2:1 afirma que essa lista foi elaborada com aqueles que partiram para a Babilônia, aparentemente antes de chegarem a Jerusalém. Pode ter havido algumas decisões de última hora de se juntar a um clã ou aldeia.

Listas diferentes: Como essas listas surgiram? Não é que Deus tenha ditado esses números a um escriba, mas sim que duas ou mais pessoas fizeram a contagem e elaboraram essas listas. Provavelmente, eram listas separadas originalmente, pois: Esdras separa os homens de Belém e Netofá, enquanto Neemias os agrupa. Magbish não aparece na lista de Neemias. Eles trocam a ordem de Lod etc. e Jericó. Neemias divide os números em grupos mais detalhados do que Esdras.

A lista de Neemias era uma cópia. Observe com atenção que Neemias 7:5 não afirma que esses eram exatamente os números corretos das pessoas que retornaram. Em vez disso, Neemias simplesmente diz que encontrou uma lista, e que era isso que a lista indicava. A lista pode estar incorreta, mas Neemias está relatando corretamente o que a lista dizia. Consulte a próxima pergunta para conhecer as implicações disso.

P: Em Esdras 2:1-70 e Neemias 7:7-72, como isso se relaciona com a inerrância?

R: Alguns críticos da inerrância veem as discrepâncias entre essas listas como um dos desafios mais sérios à inerrância da Bíblia. Na verdade, isso não é verdade. Primeiro, uma “pista falsa” — que é uma resposta incorreta —, depois uma resposta cristã comum e, por fim, a resposta mais provável.

Resposta incorreta: Ambas as listas estão corretas, mas são diferentes porque foram elaboradas em momentos ligeiramente distintos. Quando a lista posterior foi compilada, mais algumas pessoas haviam chegado, outras haviam partido e as ofertas eram diferentes.

No entanto, o número total de pessoas que chegaram e de pessoas que partiram deveria corresponder exatamente, uma vez que os totais gerais são idênticos. Isso seria altamente improvável se ambas as listas fossem completamente corretas, mas tivessem sido elaboradas em momentos diferentes.

Resposta comum: Embora não possuamos os manuscritos originais, a inerrância [supostamente] significa que as duas listas deveriam ser idênticas nos manuscritos originais. No entanto, uma combinação de simples erros de copistas e uma mudança no alfabeto por volta daquela época — o que gerou mais erros de copistas — é responsável pelas diferenças nos números que deveriam ser comuns entre as duas listas. (Nada impede que uma lista contenha detalhes que a outra não tenha.)

No entanto, 22 diferenças em 50 números representam um grande número de diferenças, mesmo levando em conta a mudança na escrita que ocorreu por volta daquela época.

Resposta mais provável: Neemias copiou sem erros a lista que estava à sua disposição (e essa lista continha erros). Ela era precisa o suficiente para dar uma ideia de quantos retornaram, mas a ressalva de Neemias nos adverte que não há garantia de que essa lista esteja isenta de erros. Isso é análogo ao fato de a Bíblia registrar de forma infalível os erros dos fariseus, a precipitação de Jefté e a insensatez de Abraão, sem nos dizer explicitamente se devemos ou não acreditar e fazer essas coisas também.

Por que a Bíblia não nos informou os números exatos de todas as pessoas na época de Neemias? Provavelmente porque isso não é importante. 1 Timóteo 1:4 e Tito 2:9 nos dizem que não devemos nos dedicar a genealogias intermináveis.

P: Em Esdras 2:1-70 e Neemias 7:7-72, qual lista está mais correta?

R: Embora não possamos ter certeza, Esdras provavelmente está mais correto pelas seguintes razões:

1. O livro apócrifo de 1 Esdras também lista os repatriados, e sua versão está mais próxima da de Esdras. Uma das diferenças entre as versões hebraica e da Septuaginta em Neemias faria com que dois dos números de Neemias coincidissem com os de Esdras. Assim, pelo menos os tradutores da Septuaginta consideravam que Esdras estava mais correto.

2. O próprio Neemias afirmou que essa era a lista que encontrou, sem afirmar que tudo nela estava correto.

No entanto, há erros individuais de transcrição em ambos. Aqui está uma análise de algumas das diferenças específicas, com o número de Esdras sendo apresentado primeiro.

200 contra 245 cantores (Neemias 7:68). É provável que Esdras esteja correto, pois um escriba pode ter acidentalmente copiado o número 245 de Neemias 7:67. Em seguida, ele pode ter omitido Neemias 7:68.

61.000 dracmas contra uma soma de 41.000. É provável que o número 61.000 em Esdras seja um erro de digitação e deva ser 41.000.

P: Em Esdras 2:2,14, Neemias, Mardoqueu e Bigvai são as mesmas pessoas que aparecem nos livros de Neemias e Ester?

R: Não, não são. O governador (Tirshatha) Neemias surgiu posteriormente. Mardoqueu e Ester vieram depois, e Bigvai, que significa “feliz” em persa, não seria um nome incomum.

P: Em Esdras 2:3-70, por que o senhor acha que Esdras (e Deus) incluíram uma lista tão longa de nomes?

R: Do ponto de vista humano, havia um certo entusiasmo em saber quem estava retornando. Em segundo lugar, tratava-se também de uma “verificação” para identificar quem eram os verdadeiros israelitas que retornavam. Em terceiro lugar, as gerações futuras poderiam olhar para trás e dizer: “Eu pertenço a este povo”, com base nesses nomes. /Do ponto de vista de Deus, Ele cuida de cada detalhe sobre quem faz o quê.

Essa foi uma “chamada nominal” daqueles que deixaram o conforto e a conveniência de onde estavam e se comprometeram a fazer parte do ministério, em vez de simplesmente ficarem à margem.

P: Em Esdras 2:6-7, se um crente se afastou de Deus e deseja voltar, o que o senhor aconselharia que ele fizesse?

R: Em primeiro lugar, assegure-lhe que Deus perdoa e que Deus o receberá. Dependendo do que ele tenha feito, se possível, faça a restituição pelo que ele tomou ou destruiu. Ele pode estar vivendo com as consequências de seu pecado; embora Deus pudesse remover essas consequências, muitas vezes Ele não o faz. Mas se ele suportar a disciplina de Deus e escolher agora segui-Lo, Deus pode trazer bênçãos a partir de sua renovada obediência a Ele.

Curiosamente, em Esdras 2:6, alguns dos que retornaram eram de Pahat-Moabe. Esse nome significa “governador de Moabe” e pode se referir aos rubenitas que o rei assírio Tiglate-Pileser III estabeleceu em Moabe. Outros que retornaram vieram de Elam, conforme Esdras 2:7. Elam fica no sudoeste do Irã, e alguns israelitas foram estabelecidos ali à força.

P: Em Esdras 2:42, por que tantos porteiros, 139, retornaram?

R: Estima-se que, antes do exílio, houvesse cerca de 5.000 porteiros; portanto, a maioria não retornou. Os porteiros faziam mais do que apenas ficar no portão; eles cuidavam dos terrenos e, essencialmente, também eram zeladores. Na verdade, nossa palavra “zelador” deriva da palavra latina para porta, janua. Portanto, essas pessoas tinham empregos estáveis, mas mal remunerados. Talvez não tenham se deixado distrair pela possibilidade de enriquecer nos impérios babilônico e, posteriormente, persa.

P: Em Esdras 2:59-63, o que você faz quando se encontra em uma “terra de ninguém” no ministério?

R: Esses homens afirmavam que podiam servir como sacerdotes, mas não havia registro de que fossem descendentes de sacerdotes. Ou eles realmente eram descendentes, mas os registros se perderam; ou não eram realmente sacerdotes (e sabiam disso); ou talvez seus pais e avós tivessem afirmado que eram de uma família sacerdotal, mas estivessem equivocados. Assim, o governador (Tirshatha), que era Neemias, decidiu que eles não serviriam como sacerdotes até que um sacerdote com o Urim e o Tumim pudesse decidir. Não temos registro de quando ou se isso chegou a ser decidido para a maioria deles. No entanto, uma família sacerdotal, os filhos de Koz/Hakkoz, em Esdras 2:61, pôde posteriormente ser considerada uma família sacerdotal. Meremote, filho de Urias, em Esdras 8:33 — filho de Urias, que era filho de Hakkoz, em Neemias 3:4,21 —, foi considerado parte dos sacerdotes em Neemias 3.

Quando parece que você tem a oportunidade de servir em uma função importante, e seu caminho é bloqueado (com ou sem razão), o que você pode fazer? Você poderia ficar amargurado ou, pelo menos, desapontado. Ou, se Deus fechou uma porta, você poderia, em vez disso, servir em uma função diferente, por meio de uma porta que Deus abriu. Como disse um cristão: “o desapontamento é o plano Dele”. Deus não se importa com o quão elevada seja a sua posição humana; Ele se importa com o seu coração ao servi-Lo.

P: Em Esdras 2:64, por que a multidão total era de 42.360, se a soma das listas em Esdras, Neemias e 1 Esdras resulta em 29.818, 31.089 e 30.143 homens, respectivamente?

R: A “totalidade da assembleia” incluiria mulheres e crianças. Isso significa que relativamente poucas mulheres e crianças participaram dessa migração; a maioria era composta por homens. Isso explica por que pode ter havido muita pressão para se casarem com não-israelitas.

P: Em Esdras 2:69, de quanto exatamente se trata essa riqueza?

R: 61.000 dracmas de ouro equivaleriam a cerca de 1.000 libras (500 quilogramas), e 5.000 minas de prata equivaleriam a cerca de 3 toneladas (2,9 toneladas métricas).

P: Em Esdras 2:70, de que maneiras nós, cristãos, podemos “nos levantar e nos manifestar” hoje?

R: Podemos nos levantar não deixando de nos reunir, conforme ordena Hebreus 10:25. Podemos votar em candidatos honrados, que não defendam coisas perversas. Assim como os líderes ricos em Esdras 2:69-70, podemos doar dinheiro livremente para a obra de Deus. Podemos professar publicamente o nome de cristão.

P: Em Esdras 3:1-12, em que esse avivamento diferia do avivamento de Josias em 2 Crônicas 34?

R: No avivamento de Josias, o povo ainda se encontrava em desobediência pouco antes do avivamento, precisou encontrar uma cópia da Lei e estava sob uma grande ameaça naquela época (a Assíria). Trata-se de um avivamento de arrependimento sob a ameaça de castigo.

No avivamento de Esdras, eles já haviam se arrependido da idolatria, já haviam lido a Lei e estavam ali para reconstruir o Templo e a cidade. Esse foi um avivamento de dedicação e reconstrução.

Em resumo, o primeiro reavivamento foi um afastamento do mal, e o reavivamento de Esdras foi um avanço para a construção. Há um lugar adequado para ambos os tipos de reavivamento.

P: Em Esdras 3:2, por que seria mais difícil do que o esperado construir um altar a Deus?

R: Para construí-lo naquele local, eles precisavam primeiro remover os escombros do primeiro templo em ruínas. Os povos ao seu redor também se oporiam aos seus esforços. O sétimo mês, neste contexto, corresponderia a setembro-outubro de 537/536 a.C.

Por outro lado, o governo persa não teria nenhuma objeção a mais um altar. De acordo com o livro *Major Cities of Bible Times*, pp. 32-48, textos babilônicos mencionam 50 templos, além de 180 santuários ao ar livre dedicados à deusa Ishtar, 300 santuários para os deuses Igigi e 1.200 santuários para os deuses Anunnaki. Os judeus queriam construir apenas um. (extraído de *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 4, p. 622)

P: Em Esdras 3:8, por que os levitas com 20 anos ou mais foram designados para o serviço, uma vez que Números 4:3,47 e 1 Crônicas 23:3,24,27 mostram que apenas os levitas com 30 anos ou mais podiam exercer o ministério, e Números8:24 afirma que apenas os levitas com 25 anos ou mais podiam trabalhar na Tenda da Reunião?

R: Esdras2:40 e Neemias7:43 afirmam que apenas 74 levitas retornaram. Provavelmente, consideraram necessário utilizar levitas mais jovens devido ao número tão reduzido.

P: Em Esdras 3:10 e Ageu 1:15, a construção ocorreu em 520 a.C., durante o reinado de Dario I, ou teve início sob o reinado de Ciro I, por volta de 537 a.C., conforme afirma Esdras 3:8-13?

R: Ambas as afirmações estão corretas. A construção teve início em 537 a.C., sob o reinado de Ciro I, foi interrompida por 16 anos devido à oposição e retomada sob o reinado de Dario I, em 520 a.C. Foi concluída em 516/515 a.C.

P: Em Esdras 3:11-13 e Ageu 2:1-9, por que alguns se alegravam e outros choravam?

R: Algo semelhante ocorre quando o templo é concluído em Ageu 2:1-9. É como perguntar se um copo está meio cheio ou meio vazio. Durante todos esses mais de 70 anos (desde 587/586 a.C.), não havia altar nem templo, e o templo foi finalmente reconstruído para oferecer sacrifícios a Deus. Por outro lado, porém, esse pequeno começo parecia tão insignificante em comparação com a antiga magnificência do Templo de Salomão e de seus pátios. Alguns se concentravam no que havia sido e no que poderia ter sido. Outros se concentravam no progresso alcançado e no futuro que ele prometia.

P: Em Esdras 4, qual é a cronologia?

R: Aqui está uma cronologia das diferentes seções de Esdras 4. Observe que Xerxes e Artaxerxes I são pessoas diferentes. Observe também que quatro coisas estão sendo construídas: o altar, a fundação do templo, o restante do templo e os muros de Jerusalém.

Reis persas e eventosVersículos em Esdras / Neemias
Os babilônios destroem Jerusalém em 587/586 a.C.
Ciro I (c. 652-600 a.C.)
Cambises II, 600-559 a.C.
Ciro II conquista a Babilônia em 539 a.C.
Ciro II, “o Grande”, 559-530 a.C.Esdras 4:1-5 (559-530 a.C.)
Esdras 3:1-5 Festa das Cabanas. 7º mês, setembro-outubro de 537/536 a.C.
Esdras 3:10-13 A fundação do templo é concluída em 535/534 a.C.
Dario I (Histaspis) 533-486 a.C.Esdras 4:23-24 As obras do templo foram interrompidas e só retomadas em 532 a.C. (Isso ocorreu antes de Esdras 4:7-22)
Ageu e Zacarias pregaram. (520-519 a.C.) Ageu repreende-os por ainda não terem reconstruído a casa do Senhor.
O Egito se revolta contra a Pérsia (486-483 a.C.)
Esdras 6:15 A reconstrução do templo é concluída. -516/515 a.C.
Xerxes (= Assuero, em Ester) 480-465 a.C.Esdras 4:6 Xerxes (480-465 a.C.)
Artaxerxes I (Longimanus) 465-12/424 a.C.Retrospectiva: Esdras 4:7-23 Artaxerxes I havia interrompido a construção das muralhas. (465-445 a.C.)
Neemias 2: Artaxerxes I autoriza novamente a construção dos muros de Jerusalém. 445/444 a.C.

P: Em Esdras 4:2, quem exatamente eram os samaritanos?

R: Os samaritanos eram um povo misto que vivia ao norte de Jerusalém. Eram uma mistura de israelitas pobres do reino do norte, além de alguns povos conquistados que o rei assírio Sargão II (722-705 a.C.) trouxe e um segundo grupo maior sob o reinado do rei Esar-Hadade (681-669 a.C.), além de um terceiro grupo trazido sob o reinado de seu filho Assurbanipal (669-627 a.C.). Aparentemente, porém, os babilônios não trouxeram nenhum povo para Samaria.

Em termos religiosos, eles adoravam o Deus Verdadeiro, além de outras divindades. Quando os beduínos árabes encontraram os manuscritos do Mar Morto em 1962, também encontraram uma caverna em Wadi Daliyeh. Nela havia de duzentos a trezentos esqueletos de famílias que haviam fugido de Alexandre da Macedônia em 331 a.C. Nos escritos que deixaram, muitos de seus nomes refletiam ídolos edomitas, aramaicos, moabitas, cananeus e babilônicos.

P: Em Esdras 4:2, os samaritanos estavam sendo sinceros ao se oferecerem para ajudar os judeus?

R: Provavelmente não eram sinceros, mas talvez quisessem se infiltrar entre os trabalhadores. Os samaritanos impediram à força a reconstrução dos muros, pois o Monte Gerizim, em Samaria, era um “concorrente” como centro de culto. Os samaritanos provavelmente achavam que não havia nada de incompatível entre o Templo de Deus e seu culto eclético, conforme Esdras 4:2. No entanto, os judeus estavam certos em recusar a ajuda dos samaritanos, pois estes também adoravam outros deuses (2 Reis 17:34), além do Único Deus Verdadeiro e dos bezerros de ouro. Contudo, rejeitar os samaritanos os levaria a se opor à construção.

Contudo, ao contrário disso, o cético *Guia de Asimov para a Bíblia*, p. 441, considera que os samaritanos estavam sendo sinceros nesse caso. Mas, se fossem sinceros em desejar a construção do templo, uma vez que não lhes foi permitido ajudar, eles tentaram desanimar e perturbar o povo, conforme Esdras 4:4. Eles contrataram conselheiros — ou seja, subornaram-nos —, conforme Esdras 4:5. Por fim, escreveram uma carta acusando-os de quererem construir um muro para se rebelarem contra os persas, conforme Esdras 4:6. Se fossem sinceros, como afirma Asimov, por que então mais tarde tentariam desanimá-los e escreveriam uma carta acusando-os?

P: Em Esdras 4:3, por que os judeus recusaram ajuda externa?

R: Se você precisa de alimentos ou itens de primeira necessidade, a ajuda de não crentes geralmente é aceitável. Mas se você está realizando algo para a obra de Deus, é melhor contar com a ajuda voluntária de crentes do que de não crentes. Devemos aceitar ajuda de não crentes para o ministério de Deus? 3 João 7 também menciona não receber ajuda de pagãos. Uma coisa é aceitar ajuda para distribuir aos pobres, e outra é aceitar ajuda para pregar o evangelho.

P: Em Esdras 4:7-16, como o senhor reage quando está trabalhando arduamente e com sacrifício pelo reino de Deus e, de repente, todo o seu trabalho é neutralizado pela oposição?

R: O povo poderia ter ficado desanimado ou simplesmente desistido. Mas o mesmo rei persa, Artaxerxes, mais tarde permitiu que eles reconstruíssem os muros sob a liderança de Neemias, a partir de 445/444 a.C. Em primeiro lugar, a oposição maligna à obra de Deus não deve ser nem inesperada nem desanimadora. Se a oposição aconteceu com Moisés, com Josué, com Esdras e Neemias, com Jesus, com Paulo e com os outros apóstolos, por que você deveria ficar surpreso se isso acontecer com você?

Em segundo lugar, há um ditado no beisebol: “não transforme um erro em dois”. Se o senhor cometer um erro embaraçoso, como deixar uma bola rasteira passar entre as pernas ou deixar cair uma bola alta, pode ficar tão abatido com isso que deixará de perceber a próxima bola que vier em sua direção e acabará errando nessa também. Quando o senhor cometer um erro grave, precisa se recompor, decidir continuar tentando ou se esforçar ainda mais, e seguir em frente. Quando uma oportunidade se fechar, esteja pronto para quando outra oportunidade surgir.

P: Em Esdras 4:8-6:18 e Esdras 7:12-26, por que isso foi escrito em aramaico?

R: Nada indica que Esdras ou seus secretários tivessem que escrever na mesma língua. Talvez secretários diferentes tenham redigido partes diferentes. Além disso, Daniel 2:4b-7:28 também foi escrito em aramaico, assim como Jeremias 10:11.

A carta do samaritano ao rei estava em aramaico e, portanto, faz sentido citar a carta em aramaico.

P: Em Esdras 4:9, quem são os dehavitas?

R: Antigamente, acreditava-se que fossem os Daoi de Heródoto e os Dahae de Plínio e Virgílio. Esse povo vivia a leste do Mar Cáspio. No entanto, acredita-se atualmente que o termo hebraico não seja o nome de um povo, mas a palavra di-hu, que significa “isto é”. Assim, Esdras 4:9 pode ser lido como “susianos, isto é, os elamitas”.

P: Em Esdras 4:13, qual era exatamente o valor do imposto cobrado pelos reis persas?

R: Em todo o império, o rei persa arrecadava cerca de 25 milhões a 35 milhões de dólares americanos por ano, de acordo com o *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 4, p. 631-632. A Palestina fazia parte da quinta satrapia, que, de acordo com o livro 3, capítulos 89-97, de Heródoto, era tributada em apenas 350 talentos de prata, ou US$ 680.000. Outros lugares também tinham de fazer contribuições não monetárias em espécie, e estas frequentemente excediam as contribuições monetárias. A Palestina não precisava fazer nenhuma contribuição em espécie e, por isso, os persas tributavam a Palestina de forma bastante moderada.

P: Em Esdras 4:15,19, como os crentes devem reagir quando são injustamente acusados de sedição e insurreição?

R: Sedição significa traição contra o governo, e insurreição significa revolta. Partindo do princípio de que, de fato, não estão cometendo traição, os crentes devem negar as acusações. No entanto, não deixe que sua negação seja formulada de maneira tão inadequada a ponto de aumentar a suspeita sobre a acusação. Como uma medida muito aproximada, talvez uma negação deva ter aproximadamente o mesmo tamanho que a acusação.

P: Em Esdras 4:23, a reconstrução do templo foi interrompida por causa de exércitos estrangeiros ou pela indiferença do povo, como diz Ageu 1:2?

R: Um exército pode ter causado a interrupção temporária, mas, uma vez interrompida, a indiferença do povo impediu que ela fosse retomada, mesmo depois que isso se tornou possível, em 522 a.C.

P: Em Esdras 5:1, esses profetas eram os mesmos que escreveram os livros da Bíblia?

R: Sim, Ageu e Zacarias eram os mesmos. Ageu pregou de agosto a dezembro de 520 a.C. Zacarias profetizou a partir de outubro/novembro de 520 a.C. por dois anos.

P: Em Esdras 5:1 e6:14 , Zacarias era o filho de Iddo, ou o filho de Berequias, filho de Iddo, conforme Zacarias 1:1?

R: Zacarias era filho de Berequias e neto de Iddo. Nas línguas semíticas, a palavra para “filho” pode significar descendente.

P: Em Esdras 5:3, qual foi o significado da visita de Tatenai?

R: Tatenai era um investigador oficial do governo (frasaka) ou inquisidor (patifrasa). Zorobabel e os judeus provavelmente ficaram aterrorizados com a possibilidade de Tatenai ordenar imediatamente a interrupção da construção. Quando questionados se os judeus tinham autoridade para construir o templo ou o muro, uma resposta errada poderia interromper a construção de ambos imediatamente.

Mas Tatenai não parece estar a favor nem contra os judeus; ele apenas queria que as leis e a autoridade fossem respeitadas. Quando eles lhe responderam de forma razoável, falando sobre o decreto de Ciro e a devolução dos utensílios do templo, Tatenai ouviu, mas não acreditou neles sem evidências corroborativas dos arquivos persas. Tatenai, porém, concedeu aos judeus o benefício da dúvida e permitiu que a construção continuasse enquanto a investigação era realizada. Uma característica comum à maioria dos chefes é que eles também têm um superior. Tattenai não gostaria que Dario soubesse que ele estava deixando as coisas correrem sem controle. Assim, Tattenai “delegou para cima” a responsabilidade a Dario. Tattenai explicou tudo a Dario, que procurou o decreto.

Um comentarista, Batten, em 1913, identificou erroneamente Tatenai com Ushtannu, o sátrapa de toda a Babilônia e da região trans-Eufrates. No entanto, arqueólogos encontraram um registro babilônico, datado de 5 de junho de 502 a.C., mencionando “Ta-at-tan-ni” como o pahat (governador) que era subordinado do sátrapa.

P: Em Esdras 5:7, Dario teve que lidar com muitas cartas de seus funcionários?

R: Os arqueólogos encontraram vários milhares de textos da capital Persépolis, datados entre 509 e 494 a.C., e mais de 100 textos de 492 a 458 a.C.

Quanto à resposta de um rei, há um templo pagão em Xanthos, na Lícia, no sudoeste da Ásia Menor, com um decreto semelhante de permissão do rei persa. Ele está escrito em grego, lício e aramaico. Ciro restaurou templos em Uruk e Ur. Cambises restaurou o templo em Sais, no Egito. Dario reconstruiu um templo em Hibis, no Egito.

P: Em Esdras 5:11, o que há de interessante na maneira como eles contaram sua história a Tatanaí?

R: Pelo que foi dito aqui, Nabucodonosor NÃO foi o responsável pela destruição do templo e pelo exílio do povo; Deus foi, e Nabucodonosor foi apenas Seu agente. Deus fez isso, e a culpa recaiu sobre seus antepassados por causa de seus pecados.

P: Em Esdras 5:16, o que significa o nome “Zorobabel”?

R: Significa “filho/descendente de Babilônia”, já que Zorobabel nasceu lá.

P: Em Esdras 6:1, por que os persas iriam vasculhar os arquivos na Babilônia, já que Susã era a capital persa?

R: Eles vasculharam os arquivos (literalmente “casa dos livros”) na Babilônia e não conseguiram encontrar nenhum decreto. Mas, por providência divina, aquelas tabuinhas estavam em Ecbatana (Acmetha), na Média, e foi lá que as encontraram. O Império Persa tinha quatro capitais: Susa (ou Shushan), Persépolis, Ecbatana e Babilônia. Das quatro capitais, o decreto foi encontrado em Ecbatana, pois aparentemente foi lá que Ciro passou o verão de 538 a.C., quando redigiu o decreto. Em geral, os reis persas passavam o inverno na Babilônia e os verões em Susa ou Ecbatana. A título de observação, Esdras 6:2 é a única referência à Ecbatana na Bíblia.

P: Em Esdras 6:1, qual é a importância do decreto?

R: Um rei honrava o decreto de um rei anterior. Assim, Dario ficou feliz em ajudar os judeus, tanto porque eles haviam sido autorizados por Ciro, quanto porque Jerusalém poderia servir como fortaleza de proteção contra o Egito ou quaisquer rebeldes. Portanto, encontrar esse antigo decreto foi um alívio para os judeus. Observe que Dário não apenas honrou o decreto, mas, nos versículos 8-10, também forneceu generosamente provisões e materiais para a reconstrução e, nos versículos 11-12, ameaçou punir qualquer um que se opusesse à reconstrução. (Dario empalou 3.000 babilônios após a rebelião da Babilônia, de acordo tanto com a inscrição de Behistun quanto com o livro 3, n.º 159, de Heródoto.) Dario estava tentando bajular os judeus para que lhe fossem leais; essa seria a maneira de conseguir isso.

Sacrificos eram oferecidos regularmente em honra do rei, conforme 1 Macabeus 7:23; 12:11; 2 Macabeus 3:35; 13:23; e “Antiguidades dos Judeus”, de Josefo, livro 12, n.º 2.5.

P: Em Esdras 6:8, por que um rei persa pagaria uma grande quantia em dinheiro para reconstruir o templo dos judeus em Jerusalém?

R: Muitas vezes, os reis construíam templos, o que também servia ao propósito “prático” de criar súditos leais. Ciro também restaurou templos em Uruk e em Ur. Ciro restaurou o templo em Uruk, o templo de Enunmakh em Ur e templos na Babilônia. Arqueólogos encontraram um memorando sobre o Templo judeu escrito por Bagoas, o governador persa de Judá, e por Delaías. Nele está escrito: “para reconstruí-lo no mesmo local, como era antes, e para que a oferta de cereais e o incenso fossem apresentados no altar, como costumava ser feito”.

Além disso, Ciro pediu aos judeus que orassem por ele, conforme relatam tanto Esdras 6:10 quanto 1 Macabeus 7:33.

P: Em Esdras 6:15-22, qual é o significado dessa celebração?

R: A celebração anual da Páscoa comemorava a proteção de Deus aos israelitas quando saíram do Egito durante o Êxodo. Eles não puderam celebrar no templo por mais de 70 anos, pois não tinham templo, uma vez que este havia sido destruído em 12 de agosto de 586 a.C. Mas, após todo esse tempo, ficaram muito felizes por finalmente poderem celebrar no templo recém-consagrado.

P: Em Esdras 6:17-22, como isso se compara ao templo e aos sacrifícios na época de Salomão?

R: Esse templo tinha 90 pés de altura e 90 pés de largura. Na sua dedicação, foram oferecidos 100 touros, 200 carneiros, 400 cordeiros machos e 12 cabras. Esse sacrifício pode parecer de grande escala, até que se compare com o templo de Salomão.

Na época de Salomão, o templo tinha 90 pés de comprimento, 30 pés de largura e 45 pés de altura, de acordo com 1 Reis 6:2. Era decorado com cedro fino e ouro. Na sua dedicação, foram oferecidos 22.000 bois e 120.000 ovelhas, conforme 1 Reis 8:63.

P: Em Esdras 6:22, por que Dario é chamado aqui de “rei da Assíria”, se ele era rei da Pérsia?

R: Os impérios assírio e babilônico possuíam vastos territórios antes de os persas conquistarem tudo. Em vez de tentar assimilar todos à cultura persa, consideraram melhor permitir que os povos conquistados mantivessem suas próprias identidades. Assim, a Pérsia era para os persas (e medos), e Dario era rei da Pérsia, da Babilônia, da Assíria, da Síria, da Ásia Menor e do Egito.

P: Em Esdras 7:1, quando ocorreram os fatos descritos nesse capítulo?

R: Houve um intervalo de 57/58 anos entre Esdras 6 (em 516 a.C.) e Esdras 7 (458 a.C.). Os acontecimentos do livro de Ester ocorreram nesse intervalo. Esdras chegou durante o período em que o Egito, com a ajuda de Atenas e da Liga de Delos, havia conseguido, temporariamente, rebelar-se contra a Pérsia, entre 460 e 451 a.C.

P: Em Esdras 7:1, Seria era o pai de Esdras?

R: Não, pois o sacerdote Serias foi executado pelos babilônios em 588/587 a.C., e Esdras e seus companheiros viajaram entre 8 de abril e 4 de agosto de 458 a.C. Josué, mencionado em Esdras 2:2, provavelmente era neto de Serias. Esdras provavelmente era bisneto ou tataraneto de Serias. Em hebraico, “filho” pode significar descendente. Seria era um antepassado famoso, e Esdras recebeu esse nome em sua homenagem.

A título de observação, Seraías significa “Yahweh é Príncipe”, e Esdras é uma forma abreviada de Azarias (Yahweh ajudou), que era um nome comum.

P: Em Esdras 7:6, Esdras poderia ter chegado tanto em 458 a.C. quanto em 398 a.C.?

R: Não. Embora Esdras não mencione explicitamente “I” ou “II”, deve tratar-se de “I”, pois 398 a.C. é uma data muito tardia para que o Templo ainda não estivesse concluído. Além disso, as pessoas costumam distinguir entre dois reis com o mesmo nome quando o segundo já está no trono, mas não fazem essa distinção quando apenas um dos reis viveu.

No entanto, a época de Esdras e Neemias deve ter sido durante o reinado de Artaxerxes I, pois um papiro de Elefantina (Cowley nº 30), datado pelo escriba como “November 25, 407 B.C. ”, menciona Sanbalate [sn’blt], o governador de Samaria mencionado no livro de Neemias.

P: Em Esdras 7:6, Salmos 45:1 e Provérbios 22:29, o que significa “escriba pronto”?

R: A palavra hebraica aqui, mahir, significa literalmente “rápido” ou “ágil”. Isso significa que ele era habilidoso em seu trabalho e capaz de realizá-lo com eficiência. Como prova, Esdras relatou detalhadamente a viagem. Curiosamente, na capital Persépolis, há mais de 300 textos persas sobre viagens, portanto, era normal documentar viagens oficiais.

P: Em Esdras 7:17, há algum precedente de um rei persa ter permitido que um sacerdote não persa restabelecesse seus sacrifícios e restabelecesse leis religiosas (não persas)?

R: Sim, pois o rei aparentemente estava preocupado com o fato de o povo continuar a seguir seus próprios costumes, como parte da obediência à Pérsia. Há um paralelo muito próximo no decreto de Dario I a Udjahorresnet/Udjahorresenet, um sacerdote egípcio que restaurou a religião egípcia em Sais, no Egito. Dario o encarregou de reunir “sábios do Egito” para codificar as leis egípcias tanto na escrita demótica egípcia quanto no aramaico. Os escribas no Egito levaram de 518 a 503 a.C. para realizar essa tarefa.

P: Em Esdras 8:15, por que foi significativo o fato de não haver levitas entre eles?

R: O rei especificou que eles deveriam ir para promover a obediência à Torá, e não havia levitas entre os que partiam. Além disso, para transportar todo o material, Esdras desejava que os levitas se encarregassem dos utensílios do templo. Assim, Esdras dirigiu-se à cidade de Casifia, onde viviam muitos levitas, e convenceu cerca de 18 levitas e 220 servos do templo a retornarem a Jerusalém, conforme Esdras 8:18-20.

P: Em Esdras 8:15-21, por que eles oraram agora pela segurança?

R: Um pequeno grupo de exilados (1.772 homens, o que poderia corresponder a um total de 3.000 a 5.000 pessoas) estava empreendendo a jornada de 900 milhas para retornar. Recebiam cerca de 25 toneladas de prata, 3,75 toneladas de ouro e objetos de bronze. Eles temiam sofrer uma emboscada ao longo do caminho, conforme diz Esdras 8:31. Esdras, que não era um funcionário persa, não solicitou escolta militar, ao passo que Neemias, um funcionário da corte, o fez em Neemias 2:7-9. Qualquer uma das opções era válida.

P: Em Ester 8:17, trata-se do mesmo Iddo que era pai de Zacarias em Zacarias 1:1?

R: Não, pois Zacarias profetizou antes de Esdras 7-8; portanto, o pai de Zacarias provavelmente já não estava vivo nessa época. Mas poderia ter sido um filho ou neto do pai de Zacarias, que levava o mesmo nome.

P: Em Esdras 8:21-22, por que eles jejuaram ali e não pediram proteção aos persas?

R: Os judeus já haviam feito um pedido ao rei uma vez. Esdras 8:22-23 diz que pareceria estranho pedir tropas novamente, já que eles haviam afirmado que Deus os protegeria. É claro que um dos meios que Deus poderia ter usado para proteger os judeus poderia ter sido as tropas persas. No entanto, como aponta o livro “1001 Perguntas Bíblicas Respondidas”, p. 315, uma coisa é aceitar ajuda oferecida espontaneamente, e outra é pedir ajuda.

P: Em Esdras 8:25-29, uma vez que você confia nos servos e no líder de Deus, ainda é aceitável realizar verificações financeiras e auditorias sobre eles?

R: Certamente. É por isso que Esdras pesou a prata, o ouro e outros artigos em Esdras 8:25 ao entregá-los a eles, e eles os pesariam novamente em Esdras 8:29 para garantir que nada tivesse sido subtraído. Eles foram informados com antecedência de que haveria uma segunda pesagem após a chegada. Às vezes, podem existir pessoas desonestas das quais o senhor não suspeita. Portanto, é bom que os servos de Deus encarregados de administrar dinheiro e riquezas sejam submetidos a auditorias e prestação de contas financeiras. Se o senhor é uma pessoa honesta a quem foram confiados dinheiro ou outros bens, não deve se sentir ofendido por ser solicitado a se submeter a uma auditoria. É bom haver controles financeiros, não apenas para evitar roubos, mas para mostrar a todos, tanto dentro quanto fora da igreja, que há fortes evidências de que o dinheiro não foi desviado.

P: Em Esdras 8:27, 1 Crônicas 29:7 e Neemias 7:70, essas moedas são dáricos persas ou dracmas gregas?

R: Trata-se ou de um dárico persa ou de uma moeda de prata cunhada localmente no estilo do dracma grego.

Arqueólogos encontraram várias “dracmas” da época persa em Bet-Zur (Khirbet et-Tubeiquah), ao sul de Jerusalém e a 4 milhas e meia (7 km) ao norte de Hebrom. Essas dracmas não foram cunhadas na Grécia, mas em Judá, no “estilo dracma”. Menciona-se um artigo que afirma que os judeus tinham permissão para cunhar suas próprias moedas de prata com o nome da província “Yehud” em escrita hebraica arcaica. Havia uma casa da moeda local na Palestina na época persa.

No entanto, há também uma segunda teoria. A palavra hebraica aqui, darkemonim, e uma palavra semelhante em Esdras 8:27 e 1 Crônicas 29:7, adarkonim, podem se referir ao daric persa, que era uma moeda de ouro cujo nome derivava da palavra persa para ouro: dari. Um soldado recebia uma dessas moedas por mês como salário.

P: Em Esdras 9:1-2, quando se deve falar a alguém sobre os pecados de outra pessoa e quando se deve permanecer em silêncio?

R: Em primeiro lugar, reconheça que existe a tentação de fofocar, de contar a todos indiscriminadamente, e que a fofoca é um pecado. Além disso, determine, para a glória de Deus, o que precisa ser dito, com que nível de detalhes e a quem. Alguns líderes vieram até Esdras porque ele era o líder espiritual da comunidade, e Esdras precisava agir, alertando as pessoas sobre esse pecado e expulsando da assembleia aqueles que persistiam nele.

Quando há um pecado, o leque de pessoas que precisam saber sobre a situação, ou sobre a disciplina da igreja, corresponde aproximadamente ao leque daqueles que já sabiam que algo estava acontecendo, além dos líderes que são supervisores espirituais. Eles precisam saber o que aconteceu, mas não precisam conhecer todos os “GSD” — ou seja, os detalhes grosseiros do pecado envolvidos.

P: Em Esdras 9:1-2; Êxodo 34:16; e Deuteronômio 7:1-3, por que muitos homens judeus se casaram com mulheres pagãs?

R: Aparentemente, muito mais homens retornaram do cativeiro do que mulheres. Eles queriam se casar com alguém, e parecia que Deus não estava providenciando uma esposa para eles naquele momento, então resolveram tomar as rédeas da situação.

Uma segunda razão pode ser mencionada por Malaquias, que profetizou entre Esdras 6 e 7. Malaquias 2:11 menciona homens que se divorciavam das esposas de sua juventude e se casavam com outra em seu lugar.

Essa proibição não se devia ao fato de serem de uma raça diferente, pois Moisés se casou com uma cusita e Rute era moabita. Além disso, os arameus e os elamitas também eram semitas, mas o problema era que serviam a um deus diferente. Talvez seja por isso que cada casamento tivesse de ser investigado. Se uma esposa tivesse se convertido ao judaísmo, como Rute fez, ela seria considerada judia e teria permissão para permanecer. É por isso que levou três meses inteiros para investigar os casos desses casamentos.

É triste ver esses homens. Eles começaram bem, abandonando o conforto de onde viviam na Mesopotâmia e na Pérsia, e obedeceram ao chamado para retornar a Jerusalém. Mas não terminaram bem. Depois que retornaram e se casaram com suas esposas pagãs, os filhos cresciam aprendendo a adorar os deuses pagãos ou, no mínimo, aprendendo que não era tão importante quais deuses se adorava.

Mas por que os filhos iriam embora com as mães? Tanto na cultura judaica quanto na babilônica, quando um casamento terminava em divórcio, os filhos ficavam com a mãe. De acordo com o Código de Hamurabi, artigo 137, os filhos precisavam crescer antes que a esposa divorciada pudesse se casar novamente.

P: Em Esdras 9:3, Números 14:6; Josué 7:6; Ester 4:1; Jó 1:20; Isaías 36:22; Jeremias 41:5; e Mateus 26:65, o que significa quando um judeu rasga suas vestes?

R: Ezra pode ter ficado inicialmente muito feliz por retornar a Jerusalém, mas sua alegria durou pouco, e a situação tornou-se dolorosa. Rasgar as vestes era um sinal tradicional de grande pesar, angústia ou blasfêmia. Isso estraga as vestes de tal forma que elas não podem ser remendadas; por isso, só é feito em casos considerados extremamente graves. Quando Jó perdeu seus filhos, sua riqueza e tudo o mais, ele rasgou suas vestes. Esdras considerou esse problema de gravidade semelhante.

P: Em Esdras 9:3-10, quão grave foi esse compromisso?

R: Esse compromisso não foi uma rejeição total a Deus, mas uma mistura entre a tentativa de seguir a Deus e, ao mesmo tempo, continuar cometendo o pecado de se casar com pessoas de outra religião. Esdras considerou isso tão grave que rasgou suas vestes. Esdras orou e jejuou o dia inteiro antes de responder. No versículo 9:6, Esdras sentiu vergonha diante de Deus pelo que essas outras pessoas haviam feito. Esdras e os outros líderes haviam se esforçado tanto para guiar o povo à adoração adequada e à obediência a Deus, e então vários deles se voltaram contra isso e agiram dessa forma.

Esdras percebeu que o compromisso com os deuses pagãos havia desviado Israel e Judá desde os tempos dos Juízes até o Exílio, e agora ele testemunhava a história prestes a se repetir. Esdras estava determinado a quebrar esse ciclo.

P: Em Esdras 9:3-10; 1 Coríntios 7:10-16, é aceitável que um cristão hoje se case com um não cristão?

R: Não. 2 Coríntios 6:14-18 mostra que não devemos nos unir em jugo com os incrédulos. Mas se o senhor se casou com um não-cristão, seja porque se tornou cristão após o casamento, seja por causa de seu pecado, 1 Coríntios 7:10-16 diz que o senhor não deve buscar o divórcio. Se o cônjuge buscar o divórcio, tudo bem; somos chamados à paz, conforme 1 Coríntios 7:15. Mas não devemos tomar a iniciativa do divórcio.

Se um cônjuge faleceu, é permitido casar-se novamente, mas mesmo assim o casamento deve ser no Senhor (1 Coríntios 7:39).

Paulo chega a recomendar e encorajar as viúvas jovens a se casarem novamente em 1 Timóteo 5:14. Aqueles que acham que as viúvas devem ser desencorajadas a se casar estão indo contra o que Deus ensinou por meio do apóstolo Paulo (desculpe, Jerônimo). Um ancião ou diácono deve ser “homem de uma só mulher”, conforme 1 Timóteo 3:2, 12. As viúvas que são sustentadas pela igreja não devem ter se casado novamente, de acordo com 1 Timóteo 5:9.

P: Em Esdras 9:3-10, como é possível que algumas pessoas na igreja possam começar muito bem e terminar muito mal?

R: Esdras 9-10 é um final triste para um livro que, de resto, é feliz. Corá, Acã, Gideão, Judas, Ananias e Safira, Demas — todos começaram bem e terminaram mal. Demas nem precisava ter se oferecido para acompanhar Paulo em sua viagem missionária, mas o fez de forma admirável. Porém, depois, ele amou o mundo e se afastou. As pessoas podem seguir a Deus por um tempo, mas se afastam se sentirem que Deus não atendeu às suas condições para segui-Lo, se tiverem uma raiz de amargura ou se sua fé for abalada pela hipocrisia que observam em alguns outros.

P: Em Esdras 9:3-10, como devemos reagir quando descobrimos que um crente se envolveu em um pecado grave?

R: Não se apresse em dizer: “Tudo bem, Deus está muito satisfeito com você, não importa o quanto você se rebele e profane Seu Santo Nome”. Na verdade, nunca dê essa impressão. Trata-se de algo muito sério, não apenas para o crente, mas também para os demais — tanto cristãos quanto não cristãos — que testemunham a conduta do crente. Devemos nos entristecer e tentar levar a pessoa de volta ao arrependimento.

Observe que Esdras estava entristecido e sentia vergonha, apesar de não ter cometido essas transgressões pessoalmente. Mas ele estava entristecido pelo fato de o povo de Deus ter agido assim, e, coletivamente, ele fazia parte do povo de Deus.

P: Em Esdras 10:2-3, o que Esdras fez aqui?

R: Esdras, com muita sabedoria, não fez nada. Estava bastante claro o que precisava ser feito. Esdras chorava e se prostrava diante de Deus, e deixou que o povo chegasse à conclusão óbvia sobre o que deveria fazer.

P: Em Esdras 10:11, 19, 44, Esdras agiu errado ao forçar os homens judeus a se divorciarem de suas esposas não judias, como afirma o Guia de Asimov para a Bíblia, p. 452?

R: Não. Eles sabiam que estavam errados ao se casarem com essas esposas pagãs, e o divórcio era permitido no Antigo Testamento. Naquela época, os judeus estavam travando a “luta de suas vidas” para preservar sua religião e cultura, evitando que fossem perdidas por causa da assimilação.

Além disso, embora isso contradiga o ensinamento de Paulo em 1 Coríntios 7:12, Paulo ainda não havia nascido, e as regras matrimoniais para todos após a vinda de Jesus diferem das regras anteriores para os judeus durante os tempos do Antigo Testamento.

P: Em Esdras 10:12, há coisas que outras pessoas lhe dizem que você deveria fazer, e você não vê consequências negativas em fazê-las, mas não as fará porque sabe que é separado como filho de Deus?

R: Podem ser festas, relações sexuais fora do casamento, embriaguez, drogas ou outras coisas do mal que os outros acham que podem praticar impunemente e pensam que o senhor também pode. Talvez o senhor consiga escapar impune, pelo menos até o fim desta vida. Mas, se o senhor perceber quem o senhor é — um filho de Deus —, não fará essas coisas, simplesmente porque não desejará fazê-las, pois deseja agradar ao seu Senhor.

P: Em Esdras 10:44, o que há de interessante nos números apresentados aqui?

R: No total, cerca de 111, ou 0,4%, dos 28.774 homens haviam contraído matrimônio misto. Mas, entre os levitas, 6 de 74, ou 8,1%, e 3 de 139, ou 2,2%, dos porteiros haviam se casado. Os levitas (mas não os sacerdotes) e os porteiros apresentavam um número desproporcional de matrimônios mistos. Uma maneira de isso fazer sentido, de certa forma, é que, originalmente, Esdras não contava com nenhum levita. Assim, Esdras fez uma parada em Casifia e convenceu alguns levitas a se juntarem a ele. Talvez eles não estivessem tão dispostos inicialmente, e não sabemos se se casaram com as esposas estrangeiras antes ou depois de retornarem a Judá. De qualquer forma, aqueles que melhor conheciam a lei eram os que tinham o maior número de cônjuges pagãos.

Por outro lado, os anciãos examinavam cada casamento. Se a esposa tivesse se convertido ao judaísmo, ela seria considerada judia e isso seria aceitável.

Embora os homens tenham se separado de suas esposas incrédulas naquele momento, mais tarde, Neemias teve que lidar com a mesma situação em Neemias 10:31.

P: Em Esdras, quais são alguns dos manuscritos mais antigos que ainda existem hoje?

R: Manuscritos do Mar Morto: (c. 1 a.C.) 1 cópia de Esdras-Neemias (4Q117). Ela está combinada com Eclesiastes e é chamada de 4Q110. Tratava-se de um pequeno fragmento. (Programa de rádio “Issues etc.”, 17 de abril de 1999)

O 4Q117 consiste em três fragmentos de Esdras 4:2-6 (hebraico); 4:9-11 (aramaico);5:17 -6:5 (aramaico). Trata-se de 50 palavras, na íntegra ou em partes

No total, dos 280 versículos que compõem o livro de Esdras, os Manuscritos do Mar Morto preservaram os seguintes 14 versículos (5%).

Esdras 4:2-6, 9-11;5:17 ; 6:1-5. Consulte *The Meaning of the Dead Sea Scrolls*, p. 423, para obter mais detalhes.

Os manuscritos da Bíblia cristã, datados de cerca de 350 d.C., contêm o Antigo Testamento, incluindo Esdras.

O Vaticanus (325-350 d.C.) preservou todo o livro de Esdras.

O Sinaítico (340-350 d.C.) preservou todo o livro de Esdras a partir de Esdras 9:9.

O Alexandrinus (c. 450 d.C.) preservou todo o livro de Esdras.

P: Quais escritores antigos se referiram a Esdras?

R: O único escritor cristão pré-niceno que fez referência ou aludiu a versículos de Esdras foi Orígenes (225-254 d.C.), que fez alusão a ele. Ele disse: “Mas alguém dirá que o templo mencionado não foi aquele construído por Salomão, pois este foi destruído no período do cativeiro, mas sim o templo construído na época de Esdras, em relação ao qual pode-se demonstrar que os quarenta e seis anos são bastante precisos.” Comentário de Orígenes sobre João, livro 10, cap. 22, p. 403

Após Nicéia

Eusébio de Cesareia (318-339/340 d.C.)

Atanásio (367, 325-373 d.C.)

Ambrósio de Milão (370-390 d.C.)

Gregório de Nazianzo (330-391 d.C.) menciona Esdras em seu poema sobre as Escrituras. O poema de Gregório encontra-se (em grego) no volume 37 da Patrologia Graeca de Migne, colunas 471-474 (Carmina Dogmatica, Livro 1, seção 1, Carmen XII).

Paciano de Barcelona (342-379/392 d.C.) faz alusão a Esdras.

Epifânio de Salamina (implícito) (360-403 d.C.)

Rufino (374-406 d.C.)

João Crisóstomo (-407 d.C.) cita Esdras

Concílio de Cartago (219 bispos) (393-419 d.C.)

Sulpício Severo (363-420 d.C.)

Jerônimo (373-420 d.C.) discute os livros do Antigo Testamento. Ele discute especificamente Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, o Pentateuco, Jó, Jesus, filho de Nave [Josué], Juízes, Rute, Samuel e Reis (2 livros), os doze profetas, Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel, Ester, Esdras, Neemias, Carta 53, cap. 7-8, p. 99-101.

O Papa Leão I de Roma (440-460 d.C.) faz alusão a Esdras.

P: Em Esdras, quais são algumas das diferenças de tradução entre o hebraico/aramaico e a Septuaginta grega?

R: Aqui estão algumas das diferenças de tradução, com foco principalmente em Esdras 2, apresentando-se primeiro o hebraico/aramaico, seguido do grego.

Esdras 2:1 “filhos da província que subiram do cativeiro, dentre aqueles que haviam sido exilados” vs. “povo da terra que subiu, dentre o número de prisioneiros que foram libertados”

Esdras 2:2 “dos homens do povo” vs. “do povo”

Os 52 números (167 dígitos em inglês) de Esdras 2:3-69, em hebraico e na Septuaginta grega, coincidem exatamente, exceto por:

Esdras2:24 “42” vs. “43”

Esdras2:39 “1.017” vs. “1.007”

(Dois erros de digitação em 52 números representam uma diferença de cerca de 4%, ou dois dígitos em 167 dígitos representam uma diferença de 1%.)

Ezr2:25 “Kiriath Arim” vs. “Kiriath Jearim” (Sabemos da existência de Kiriath Jearim, mas não de Kiriath Arim; portanto, Arim é provavelmente um erro de digitação)

Esdras4:23 “força para deter” vs. “força para deter com cavalos e uma força [armada]”.

Bibliografia para esta questão: a tradução hebraica é da obra Literal Translation, de Jay P. Green, e a versão da Septuaginta é da tradução de Sir Lancelot C.L. Brenton, intitulada The Septuagint: Greek and English. Também foram utilizados o Expositor’s Bible Commentary e as notas de rodapé das Bíblias NASB, NIV 1985, NKJV e NRSV.