P: Em Gênesis, como sabemos que o livro de Gênesis deve constar na Bíblia?
R: Entre outras razões, porque Jesus e tantas outras pessoas na Bíblia atestaram a autenticidade do Antigo Testamento e se referiram ao Gênesis como Escritura. Consulte Mateus 19:4 e Marcos 10:4-9 para ver dois exemplos em que Jesus cita o Livro do Gênesis como Escritura.
P: Em Gênesis, quem foi o primeiro a responder a perguntas sobre o Gênesis?
R: Pelo que sei, a primeira pessoa a escrever respostas a perguntas sobre o Gênesis foi Filo, um judeu helenístico de Alexandria, que viveu aproximadamente de 20 a.C. a 50 d.C. Hoje, dispomos de uma tradução armênia de sua obra. Ele escreveu uma obra em três partes, intitulada “Perguntas e Respostas sobre o Gênesis”. Conservamos suas respostas a 244 perguntas de Gênesis 1 a 17, de acordo com o ponto de vista de um judeu piedoso que foi fortemente influenciado pela filosofia platônica grega. Você pode encontrar essa obra em *The Works of Philo: Complete and Unabridged* - nova versão atualizada, traduzida por C.D. Yonge, Hendrickson Publishers, 1993, quarta impressão de 1997.
P: Em Gênesis 1, uma vez que algumas coisas têm de ser verdadeiras, como 1 = 1 e 1 + 1 = 2, Deus criou a matemática e os números? De que outra forma Ele poderia criá-los?
R: Deus criou tudo; no entanto, uma tautologia — que é algo que, por definição, é verdadeiro, como o fato de que as coisas vermelhas são de cor vermelha — não é uma “coisa”. Podemos especular que Deus criou todas as “coisas” da matemática que não sejam tautologias.
P: Em Gênesis 1, uma vez que Deus criou tudo, será que Ele criou as trevas, o mal e os buracos no solo? Se Ele criou o mal, não parece ser um Deus perfeitamente bom. Se não, então quem quer que o tenha feito parece ser também um criador.
R: Deus criou todas as coisas. A escuridão não é uma coisa, mas uma ausência ou redução da luz. O mal não é uma coisa, mas uma ausência ou distorção do bem. Buracos, trevas e o mal não foram criados diretamente por Deus, mas passaram a existir como tautologias, ou “subprodutos existenciais” da matéria, da luz e do bem. Da mesma forma, uma sombra não é uma coisa independente, dotada de matéria, energia ou espírito. No entanto, as plantas podem morrer nas sombras. Assim, as sombras têm uma “existência parasitária”, mas ainda assim existem de fato.
P: Em Gênesis 1, uma vez que Deus criou tudo bom, por que ocorrem tornados, pragas e outros desastres?
R: Originalmente, tudo era bom. No entanto, Romanos 8:20-22 revela que, desde a Queda, a terra também foi “submetida à frustração”. O mundo inteiro está sob o domínio do maligno (1 João 5:19), e o príncipe deste mundo é Satanás, de acordo com João 12:31; 14:30.
P: Em Gênesis 1, qual é o argumento cosmológico?
R: Primeiramente, eis uma maneira simples, embora um tanto imprecisa do ponto de vista lógico, de formulá-lo.
Não é possível obter algo do nada. Toda coisa criada teve que ser criada. Mesmo a(s) primeira(s) coisa(s) criada(s) teve(ram) que ser criada(s) por algo ou alguém que já existia. Portanto, algo ou alguém teve que ser incriado e eterno.
Aqui está uma formulação mais rigorosa; as definições são de minha autoria.
Partimos do princípio de que todos possuem conhecimento suficiente para ter uma definição adequada de lógica, contradição e não contradição, evento, processo, “em”, objeto, coleção, tempo, sequência, matéria, energia, espírito, causa, ser afetado por e afetar.
A existência real é definida aqui como estar neste universo, ter a capacidade de ser afetada por algo neste universo ou ter a capacidade de afetar algo neste universo. Essa seria uma definição muito restrita de “existência”, pois não leva em consideração ideias, padrões e outras coisas. Portanto, vamos chamar isso de “existência real” e restringir nossa discussão aqui à existência real.
Coisa real é definida aqui como um objeto ou conjunto de matéria, energia, espírito ou combinação destes que possui existência real. Verdades lógicas, contradições lógicas e provas matemáticas não são consideradas coisas neste contexto.
A existência parasitária, a título de observação, é definida como a existência real de coisas que não são coisas reais. Vazios, escuridão, carências, incorreções e o mal não são matéria, energia ou espírito; no entanto, assim como uma sombra pode matar plantas que precisam de sol, ou a falta de alimento pode matar uma pessoa, as sombras e a falta de alimento têm existência real sem serem coisas reais.
O universo é definido aqui como um conjunto de coisas reais que de fato existem. Observe que, nessa definição específica, o universo é autônomo, e Deus (supondo que Deus exista, seja espírito e possa afetar as coisas) está no universo.
Nada é definido aqui como algo que nunca existe de fato ou que não possui existência real em um determinado momento. Em outras palavras, antes de ser criada [ou depois de ser destruída], uma coisa real não está no universo, não afeta o universo e não é afetada pelo universo.
Uma causa é definida como tendo existência real, uma vez que afeta outras coisas no universo que possuem existência real. Uma causa é, por definição, uma coisa real se puder possuir matéria, energia, espírito ou uma combinação dos itens acima.
A criação é definida aqui como o evento ou processo de produzir uma nova coisa real. A criação se diferencia da “modificação”, que não requer necessariamente nenhuma causa externa à própria coisa. A criação de uma nova coisa real pode incluir a modificação ou a destruição de uma coisa real pré-existente, mas não precisa necessariamente incluir. No entanto, veja o próximo ponto.
Algo não pode surgir do nada. Toda coisa real criada requer uma causa para sua criação. Em outras palavras, nada pode ser criado a menos que alguma(s) coisa(s) ou ser(es) a tenha(m) criado. Algo não pode ser criado sem qualquer causa.
Algo não pode criar a si mesmo. Nada pode criar a si mesmo. Embora as coisas reais às vezes possam se transformar ou se destruir, nada pode ser sua própria causa de criação.
Uma causa primeira. Embora as coisas reais criadas possam criar outras coisas reais criadas, em última instância, teve de haver uma causa primeira. Em outras palavras, em uma sequência de causas, pelo menos uma causa teve de existir antes de todas as outras causas que requerem uma causa.
Não criado. Visto que pelo menos uma causa deve não ter causa anterior, e toda criação requer uma causa, pelo menos uma coisa ou ser com existência real é não criado e existia desde a eternidade passada, pois não teve criação.
Resumo: Toda coisa real que existe teve um momento específico ou um período de tempo em que passou a existir pela primeira vez, ou então não teve. Se não teve, é eterna e não criada. Se teve, então alguma coisa real foi a causa de sua existência.
Limitações: Este argumento não prova que a causa primeira seja um ser vivo, nem que exista apenas uma causa não criada, nem se ainda existem causas não criadas. Ele simplesmente prova que houve pelo menos uma coisa de existência real (pessoal ou impessoal) que existiu eternamente sem ter sido criada.
Um dos primeiros autores a compreender claramente o argumento cosmológico e a falar de Deus como a causa primeira foi Filo, o Judeu, que viveu em Alexandria, no Egito, de 15/20 a.C. a 50 d.C. R.C. Sproul e Norm Geisler dispõem de muitos materiais de qualidade sobre o argumento cosmológico.
P: O argumento de que “a complexidade do mundo indica que deve haver um criador” parece válido, até ser levado à sua conclusão lógica. E quanto à complexidade de Deus? Se um ser complexo requer um projetista, então Deus deve requerer um projetista ainda maior, e assim por diante na escala. Onde isso termina? O argumento acaba em uma “regressão infinita”, e não há resposta para isso. Há alguma?
R: Antes de responder a esse argumento, permita-me primeiro aprofundar “o problema”. Além da complexidade, trata-se também de uma falha na formulação do argumento cosmológico. Se tudo tem uma causa, então Deus também deve ter uma causa. Mas, é claro, Deus não necessita de uma causa para Sua criação, se Ele é eterno e não criado.
Como algo deve ter um fim, ou então não ter fim, há apenas duas respostas possíveis:
a) não há fim para a regressão para trás
b) há um fim para a regressão para trás, uma primeira causa sem causa.
Se a) não houvesse fim para a regressão para trás, então nem tudo teria uma causa, pois a própria regressão, em última instância, não teria causa. Portanto, de qualquer forma, há alguém/algo que não tem causa.
Se b), houver um fim para a regressão, então deve haver uma causa primeira, de complexidade não especificada. É claro que isso significa que Deus não é um ser causado, um produto de qualquer criação.
Pergunto-me, porém, se Deus não consideraria todo esse argumento um tanto simplista, pois pensamos em causas no tempo. Se Deus existe tanto fora do tempo quanto dentro dele, e se o tempo também é uma criação de Deus, então falar sobre como era o tempo antes de Deus existir é um oxímoro.
P: Em Gênesis 1, Deus poderia ter criado outros seres e mundos?
R: Ele certamente criou outros seres: anjos e demônios. Quanto à criação de outros mundos com seres neles, a Bíblia não nos diz tudo o que desejamos saber, apenas o que precisamos saber — e precisamos nos certificar de que, pelo menos, lemos isso. Deus poderia ter criado outros universos, e talvez seja isso que o Céu e o Inferno representam.
P: Em Gênesis 1, por que Deus criou Adão e Eva, já que sabia de antemão que eles Lhe desobedeceriam?
R: Apesar de Deus saber de antemão que eles pecariam, Ele nos revela várias razões pelas quais criou os seres humanos.
Para Sua glória: Deus criou Seus filhos para Sua glória. Isaías 43:7; 61:34.
Pessoas para amar: Deus nos ama profundamente. Salmo 145:9,17; 1 João 3:1.
Para serem Seus filhos: 1 João 3:1-2; Gálatas 3:28, Romanos 8:15-17
Para habitar em nós: 1 João 4:12-16; Romanos 8:9-11
Deus deseja que ninguém pereça. Ezequiel 18:23,32; 33:11; 2 Pedro 3:9. No entanto, Deus não se arrepende de ter criado aqueles que, tendo a oportunidade, escolhem livremente rejeitá-Lo. Deus sabia de antemão que eles pecariam e, mesmo assim, optou por não interferir em sua escolha nem por “descriá-los”.
Talvez parte da razão pela qual Deus escolheu criar seres à Sua imagem seja semelhante à razão pela qual os pais decidem ter filhos. Sim, os filhos vão custar caro, com fraldas e alimentação, e sim, eles vão causar sofrimento com suas doenças, mágoas e desobediência, mas, apesar de tudo isso, o amor faz com que valha a pena.
P: Em Gênesis 1:1, Deus criou porque precisava criar?
R: A Bíblia não oferece nenhum fundamento para essa especulação. Deus não tem necessidades, no sentido de que Ele seria prejudicado ou deixaria de existir caso não criasse algo. Por outro lado, o desejo de Deus era criar, e Deus realizou Seu desejo em uma escala grandiosa e maravilhosa.
P: Em Gênesis 1:1, houve outras criações após o Gênesis?
R: As Escrituras não se pronunciam a respeito, e Deus é livre para fazer o que desejar. Se Deus criou outras criaturas, elas poderiam ser como os anjos, como Adão e Eva antes da Queda, como nós, como demônios, como animais ou algo totalmente diferente.
P: Em Gênesis 1:2, se o Espírito de Deus pairava sobre as águas, isso significa que o Espírito Santo não é um ser inteligente e vivo, mas sim uma força ativa, como afirmam as Testemunhas de Jeová?
R: Não. O fato de o Espírito Santo não possuir um corpo físico e poder pairar sobre as águas não contradiz o fato de que as Escrituras mostram que o Espírito Santo é um ser vivo dotado de personalidade.
O texto a seguir é uma repetição da discussão sobre 1 João 5:6-8.
Uma testemunha pode ser tanto um ser vivo quanto um objeto inanimado. Um erro das Testemunhas de Jeová é que, como o Espírito Santo possui muitos atributos que um ser humano não possui, portanto (por uma lógica forçada), o Espírito Santo não poderia ter personalidade. 1 João 5:6-8 mostra que há três testemunhas do fato de que Jesus possuía um corpo físico. O sangue refere-se à Sua crucificação, e o Espírito é um testemunho interior para os cristãos. A água refere-se ao batismo de Jesus por João ou, possivelmente, à água que envolve um bebê no momento do nascimento.
A seguir, apresentamos vários fatos que a Bíblia nos ensina sobre a personalidade do Espírito Santo.
Parakletos (o consolador, aquele que está ao nosso lado). João 14:16,26; João 15:26
Pode conhecer os pensamentos mais íntimos de Deus. 1 Coríntios 2:10-11
Fala conosco. Atos 13:2, Hebreus 3:7
Nos lembra. João 14:26
É como um pai, para que não sejamos órfãos (orphanos em grego). João 14:18
Nos guia. João 16:13
Nos ensina. João 14:26; 1 Coríntios 2:13
Vive em nós. 1 Coríntios 3:16, 2 Timóteo 1:14, Romanos 8:9,11, Efésios 2:22
Em nossos corações. 2 Coríntios 1:22; Gálatas 4:6
Ele intercede por nós (objetos inanimados não oram nem intercedem). Romanos 8:26-27
Pode ser ofendido. Hebreus 10:29
Testemunha a respeito de Cristo. João 15:26
Possui uma mente. Romanos 8:27
Pode ser entristecido. Isaías 63:10, Efésios 4:30
Toma decisões. 1 Coríntios 12:11
Possui amor. Romanos 15:30
É capaz de considerar as coisas boas. Atos 15:28
Explora as coisas profundas de Deus. 1 Coríntios 2:9-10
Gemem (e, portanto, se preocupam) por nós. Romanos 8:26
P: Em Gênesis 1:10, como Deus poderia criar a terra, uma vez que a terra já havia sido criada em Gênesis 1:1?
R: A palavra hebraica (eres) é a mesma em ambos os casos. Assim como em português, (eres) pode significar o mundo sob o céu e também pode significar solo ou terra firme. Assim, Deus criou o planeta em Gênesis 1:1 e a terra firme em Gênesis 1:12. Consulte a Enciclopédia das Dificuldades Bíblicas, p. 65-66.
P: Em Gênesis 1 e Gênesis 2, por que parece haver dois relatos da criação?
R: Observe o que é criado em cada relato. Gênesis 1 trata da criação dos céus e da terra, e Gênesis 2 trata da criação dos seres humanos no Jardim do Éden.
P: Em Gênesis 1 e em outros trechos, por que Deus é chamado de Elohim, enquanto em outros trechos, como em Gênesis 2, Deus é chamado de Yahweh?
R: Deus possui um grande número de nomes e títulos na Bíblia. Parece que o nome Yahweh se concentra no relacionamento pessoal de Deus conosco, em contraste com o nome Elohim, que enfatiza Seus aspectos imparciais e transcendentais. Gênesis 1 não menciona os nomes de Adão, Eva ou de quaisquer animais, enquanto Gênesis 2 os menciona. Esse contraste é tão marcante que deve ter sido deliberado.
Era comum nas culturas antigas ter mais de um nome para o mesmo deus. Aqui estão alguns exemplos:
Osíris - Wennefer, Khent-amentius, Neb-abdu
Bel - Enlil, Nunamnir
Sin - Nanna
El - Latpan
Baal - Larpan
P: Em Gênesis 1, Deus poderia ter criado a Terra em seis dias literais de 24 horas?
R: Independentemente de acreditarem que a Terra seja antiga ou jovem, todos os cristãos devem responder “sim” a essa pergunta.
Em vez de seis dias, o Todo-Poderoso poderia tê-la criado em seis segundos, se assim o desejasse. A questão não é como Deus teve que criar, mas como as Escrituras e a natureza revelam que Ele escolheu criar.
Como observação adicional, as Escrituras não especificam a duração de um dia para Deus em Gênesis 1. Deuteronômio 9:1 mostra que um “dia” pode indicar um período de tempo superior a 24 horas, conforme era entendido no “dia” de Moisés. Salmos 90:4 e 2 Pedro 3:8 indicam que os dias de Deus podem ser muito longos.
P: Em Gênesis 1, as semelhanças entre esse relato e os relatos babilônicos da criação provam que eles têm uma origem humana comum?
R: Os relatos babilônicos são semelhantes em muitos detalhes físicos, mas quase diametralmente opostos em termos de causa. Ao contrário de Marduk, que luta contra o caos do dragão Tiamat, Deus comanda o que acontece. Se houver alguma verdade em culturas não bíblicas, isso não deveria ser uma surpresa. Além disso, o estilo de Gênesis 1 parece ser um contraste deliberado com conceitos pagãos.
P: Em Gênesis 1:26 e 3:22, por que a palavra “nós” é usada para se referir ao Único Deus Verdadeiro?
R: Há duas respostas possíveis.
1. O “nós” refere-se ao Único Deus verdadeiro, mas o plural é o sentido adequado para uma conversa entre a Trindade.
2. O “nós real” era usado por reis e deuses para se referir a uma única pessoa. Como exemplo disso na religião do Oriente Médio, no caso do Islã, o Alcorão muçulmano usa “nós” quando Alá se refere a si mesmo. Muçulmanos e não muçulmanos podem concordar que o uso do “nós real” no Alcorão não sugere que Maomé ensinasse que Alá fosse composto por vários deuses.
No entanto, Filo, o judeu (15/20 a.C. a 50 d.C.), interpretou isso não como o “nós” real, mas sim que Deus utilizava assistentes, conforme consta em *Sobre a Criação*, capítulo 24, n.º 75, p. 11.
P: Gênesis 1:26 significa que devemos ser educados para adquirir as perfeições divinas e nos tornarmos o foco das bênçãos divinas, conforme ensinam os bahá’ís em *Algumas Perguntas Respondidas*, pp. 8 e 9?
R: Não, porque Gênesis 1:27 afirma que Deus fez o que Ele disse em Gênesis 1:26. Quando Adão e Eva foram criados, eles eram perfeitamente isentos de pecado antes da queda e não precisavam de educação. Embora ainda sejamos à imagem de Deus, Gênesis 1:26-28 refere-se ao que Deus já havia realizado.
P: Gênesis 1:26 significa que as pessoas são elas mesmas “pequenos deuses”, como afirmam Kenneth Hagin e alguns professores da teologia da palavra de fé?
R: Não. A palavra em Gênesis é “semelhantes”, não “são”. Até mesmo os professores da teologia da palavra-fé concordariam que criaturas como nós nunca deveriam ser adoradas. Aos corpos de Adão e Eva foi concedida uma imortalidade que poderia ser perdida, uma justiça que poderia ser arruinada e um amor perfeito por Deus que poderia ser descartado como um pedaço de fruta podre.
P: Em Gênesis 1:26-27, tratava-se de uma conversa entre os membros da Trindade ou entre seres criados, como os anjos?
R: Embora os anjos possam ter ouvido essas palavras também, tratava-se de uma conversa entre a Trindade. Nossa criação não foi obra dos anjos, mas de Deus na Trindade. O primeiro escritor cristão conhecido por ter observado que não se tratava de anjos foi Justino Mártir (que escreveu por volta de 138-165 d.C.) em seu *Diálogo com Trifão, o Judeu*, capítulo 62, p. 228.
P: Em Gênesis 1:26-27, uma vez que Deus criou os seres humanos superiores aos anjos, seria possível que Deus criasse posteriormente seres superiores aos humanos?
R: As Escrituras não se pronunciam a respeito, e Deus é livre para fazer o que Lhe aprouver. No entanto, as Escrituras afirmam que os crentes são “filhos de Deus” e que “reinaremos com Cristo” e estaremos “assentados com Cristo” (Efésios 2:6). É difícil para uma criatura finita ser muito superior a isso.
P: Em Gênesis 1:26, Adão era um “super-homem” com habilidades um milhão de vezes superiores às nossas, como Watchman Nee ensinou em *O Poder Latente da Alma* (1933, p. 15)?
R: As Escrituras nunca ensinaram essa estranha especulação. Também nunca ensinaram que Adão já fosse semelhante a Deus na aparência exterior, como Watchman Nee ensinou na mesma obra, na página 18. Infelizmente, as pessoas frequentemente tentam acrescentar seus próprios ensinamentos ao que Deus realmente disse.
P: Em Gênesis 1:26, se fomos criados à imagem de Deus, isso não prova que Deus (ou pelo menos o Pai) possui um corpo físico humano? (Os mórmons mencionam isso.)
R: A maioria concordaria que o Espírito Santo não possui um corpo físico e que Jesus não possuía um corpo físico naquela época. Se “nós” se refere a uma discussão com o Pai, o Filho e o Espírito, então a imagem não pode se referir a um mero corpo físico. A propósito, Gênesis 9:6 mostra que, desde a Queda, ainda possuímos a imagem de Deus.
P: Em Gênesis 1:27, as pessoas ainda são feitas à imagem de Deus desde a Queda?
R: Sim. Gênesis 9:6, após o dilúvio, mostra que, embora estejamos manchados pelo pecado, ainda possuímos a imagem de Deus.
P: Em Gênesis 1:28, uma vez que o homem deveria encher a terra e subjugá-la, isso lhe deu permissão para destruir o meio ambiente?
R: De forma alguma! Nunca ouvimos falar de um cristão ou judeu que lesse a Bíblia com essa interpretação. Essa nova interpretação, apresentada pela primeira vez em 1967 [veja a referência de Kaiser no final], só parece fazer sentido se você ler parte de Gênesis 1 e definir “subjugar” como “destruir”, em vez de “governar com sabedoria”. Na verdade, a Bíblia menciona seis pontos importantes sobre cuidar da terra e dos animais.
1. Eles eram “arrendatários” de uma terra que, na verdade, pertencia a Deus
1a. Assim, a terra não podia ser vendida de forma definitiva (Levítico 25:23)
1b. Todas as coisas pertencem a Deus (Salmo 24:1)
2. Deus julgará aqueles que contaminam a terra em geral
2a. Isaías 24:5 diz que a terra foi profanada por seu povo.
2b. Zacarias lamentou a destruição de florestas imponentes e pastagens férteis. Mais ainda, lamentou a calamidade espiritual da qual essas calamidades naturais são alegorias. (Zacarias 11:1-3)
3. Deus condena a profanação física da terra
3a. Deus destruirá aqueles que destroem a terra. (Apocalipse 11:18).
3b. Deus julgará as “ovelhas” que não apenas comem o que precisam, mas também pisoteiam o restante do pasto. Elas não apenas bebem água límpida, mas também turvam o restante da água com os pés (Ezequiel 34:17-22).
3c. Números 5:3 fala sobre não contaminar o acampamento, no contexto de doenças infecciosas.
3d. Mesmo em tempo de guerra, não se deve cortar as árvores frutíferas que tornam a terra produtiva (Deuteronômio 20:19-20). Uma oliveira pode viver por mais de 1.000 anos.
4. Deus condena a profanação da terra com o mal
4a. Números 35:33-34 nos ordena: “não contaminem a terra” no contexto do assassinato de pessoas.
4b. Não profane a terra com idolatria (Jeremias 16:18).
4c. Jeremias 32:34 menciona pessoas que contaminam o vale de Tofete com sacrifícios de crianças.
4d. Em Ezequiel 7:22, os ímpios profanarão o lugar precioso de Deus.
5. A Lei de Deus inclui a gestão sábia dos recursos
5a. Adão foi colocado “no Jardim do Éden para cultivá-lo e cuidar dele” (Gênesis 2:15).
5b. Não plantar dois tipos de culturas juntos (Deuteronômio 22:9). Em vez disso, a alternância de culturas reduz as pragas de insetos.
5c. Deixar a terra descansar a cada sétimo ano, durante o Jubileu (Levítico 25:3-7, 11-12, 18).
5d. Deus julgaria Israel por violar essa regra (Levítico 26:34-35).
6. Animais: pertencem a Deus, foram criados para nosso uso, mas devemos tratá-los com bondade
6a. Os animais pertencem a Deus (Salmo 50:10) e Ele cuida deles (Salmo 36:6; 104:11,14; 147:8-9).
6b. Comer carne é permitido e, em alguns casos, ordenado (Gênesis 9:2-5; Atos 10:13).
6c. Jesus era sem pecado (Hebreus 4:15; 7:26; 1 Pedro 3:22; 1 João 3:5). Ele comeu peixe (Lucas 24:42-43) e, sendo um bom judeu, comeu carne conforme ordenado durante a Páscoa (Êxodo 12:8-10).
6d. Usar couro é permitido, pois João Batista usava um cinto de couro em Marcos 1:6.
6e. Caçar é permitido (Levítico 17:13).
6f. Matar animais para sacrifício era até mesmo ordenado (Êxodo - Deuteronômio).
6g. Devemos ser bondosos com os animais (Provérbios 12:10).
P: Em Gênesis 1:28, embora a Bíblia não diga explicitamente que devemos desperdiçar o dom de Deus que é o nosso meio ambiente, o cristianismo ensina implicitamente que podemos destruir o meio ambiente?
R: Não. Não se pode atribuir a culpa pelos problemas ecológicos causados pela ganância e pela superpopulação ao cristianismo, da mesma forma que não se pode atribuir a culpa a animistas na África, hindus na Índia, ateus na China e muçulmanos na Indonésia e no Oriente Médio. Existem problemas ecológicos em todos os continentes, assim como existem pessoas dispostas a sacrificar o meio ambiente em prol do ganho pessoal em todos os continentes. Para uma discussão sobre o que a Bíblia realmente diz a respeito do meio ambiente, consulte a resposta anterior.
P: Em Gênesis 1:29, Adão e Eva receberam todas as plantas que dão sementes, ou eles não podiam comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, como diz Gênesis 2:17?
R: Embora não saibamos se a árvore do conhecimento do bem e do mal tinha sementes ou não, isso não é relevante neste contexto. De qualquer forma, o significado era que eles podiam comer de todas as plantas que dão sementes, com exceção da árvore do conhecimento do bem e do mal.
P: Em Gênesis 1:29, se todas as plantas pudessem ser consumidas pelas pessoas, como a Bíblia seria lógica e razoável, já que existem plantas e sementes venenosas que não podemos comer? (Um muçulmano levantou essa questão)
R: No Alcorão, Sura 5:46-48 diz que Jesus confirmou a Torá e os Evangelhos. É uma acusação muito grave para um muçulmano fazer, alegar que Jesus confirmou algo que estava errado e não provinha de Deus. Mas, para responder à objeção, independentemente de ter sido entendido como “todas as plantas” ou “todas as ervas e grãos”, Deus disse isso a Adão antes da queda, antes de a terra ser amaldiçoada. A natureza mudou radicalmente quando Adão e Eva pecaram. Antes da queda, Deus concedeu o domínio sobre a terra a Adão e Eva, mas quando eles pecaram ao seguir a sugestão da serpente, Satanás tornou-se o príncipe (embora não o rei) deste mundo. No entanto, a queda levanta uma questão interessante: se os muçulmanos hoje afirmam que os profetas são imaculados, e se Adão e Eva pecaram e trouxeram toda a maldição sobre nós ao pecarem, por que os muçulmanos afirmam que Adão era um profeta?
P: Em Gênesis 2:2-3, por que Deus descansou de sua obra no sétimo dia?
R: “Descansar” aqui significa cessar a obra da criação. Deus não se cansa (Isaías 40:28). As Escrituras nunca dizem que Deus precisava descansar, mas que Ele escolheu fazê-lo.
P: Em Gênesis 2:2, o conceito do sábado teria origem babilônica e teria sido acrescentado à tradição judaica posteriormente?
R: Duas respostas, uma para cristãos e outra para não cristãos.
1. (para cristãos): Se você partir do princípio de que Jesus era enviado por Deus, conforme comprovado por sua ressurreição, e considerando que Jesus aceitou a precisão original e preservou a confiabilidade do Antigo Testamento, além de que as referências ao sábado em Gênesis e Jeremias podem ser comprovadamente datadas de antes de Jesus, trata-se de algo que não foi uma invenção babilônica, e não há mais nada a ser dito.
2. (para não-cristãos): Os babilônios chamavam o 15º dia do mês de “sappatu”. É claro que se trata de apenas um dia por mês, e não de quatro. Na p. 19, Asimov teve a perspicácia de observar que o sábado parecia ter pouca importância para os israelitas na época pré-exílica e grande importância na época pós-exílica. No entanto, postular que os judeus babilônicos e os do período pós-exílico foram universalmente “enganados” a) a acreditar que seu exílio se devia à desobediência a um mandamento que não constava em suas Escrituras, e b) que isso foi acrescentado em 59 passagens (35 das quais na Torá) sem que ninguém percebesse o novo conceito, é inacreditável. A propósito, nem todos os judeus foram para a Babilônia. Jeremias registra que alguns foram, em vez disso, para o Egito. Foram os descendentes desses judeus que traduziram o Antigo Testamento para o grego, e na tradução grega da Septuaginta também constam os versículos sobre o sábado.
Qualquer especulação sobre erros na Bíblia pode parecer totalmente plausível para alguém que considerasse muito importante demonstrar que havia erros na Bíblia e que, portanto, não precisava segui-la. No entanto, até mesmo Isaac Asimov reconheceu, pelo menos, a fragilidade dessa teoria, ao não mencioná-la como nada mais do que uma tentação.
P: Em Gênesis 2:4, 5:1, 6:9, 10:1, 11:10, 11:27, 25:12, 25:19, 36:1, 36:9 e 37:2, Números 3:1; Rute 4:18, a palavra hebraica (Toledot) inicia uma seção ou conclui uma seção?
R: Ou ela sempre se refere ao início, sempre se refere ao fim, ou, às vezes, pode significar qualquer uma das duas coisas.
Ambíguo: Aqui estão alguns “tole dots” que poderiam ser interpretados de ambas as formas: Gênesis 2:4; 5:1; 36:9; 37:2.
Início: Aqui estão alguns “tole dots” que, pelo contexto, devem estar no início: Gênesis 6:9; 10:1; 11:10; 11:27; 25:12; 25:19; 36:1; Números 3:1. Filo, o judeu (15/20 a.C.-50 d.C.), menciona Gênesis 2:4 como “resumindo o relato [de Moisés] sobre a criação do mundo” em Sobre a Criação 44:129, p. 18.
Conclusão: Não há um único “toledot” que possa ser comprovadamente atribuído ao final de uma seção. Portanto, as seções ambíguas provavelmente contêm “toledots” no início.
A prova mais conclusiva de que o “ponto tole” está no início de uma seção é Gênesis 25:19, que afirma ser o relato de Isaque. A seção imediatamente seguinte fala dos filhos de Isaque. A seção imediatamente anterior fala de Ismael e não tem absolutamente nada a ver com Isaque.
P: Em Gênesis 2:5-7, Deus criou as plantas depois do homem ou antes dele, como dizem Gênesis 1:12 e 26? (Essa pergunta foi feita por um ateu chamado Capella.)
R: Três pontos a serem considerados na resposta.
1. As plantas primeiro: Gênesis 1 afirma claramente que as plantas foram criadas na Terra antes do homem. Isso, é claro, incluiria os ancestrais de todas as plantas modernas.
2. Mundo versus Jardim: Gênesis 1 é o relato da criação dos céus e da terra, enquanto Gênesis 2 é o relato da criação do Jardim do Éden.
3. Culturas após o homem: Gênesis 2 mostra que os arbustos do campo surgiram após o homem, pelo menos no Jardim do Éden. Em ambas as ocorrências, utiliza-se a palavra hebraica para “campo”, saday, em vez de se referir apenas às plantas.
Como observação adicional, o Dicionário Wycliffe de Arqueologia Bíblica, p. 23, afirma que em Berseba foram encontrados grãos calcinados de trigo, cevada, lentilha e uva datados de 4.000 a.C.
P: Em Gênesis 2:5-7, quais são os grãos que usamos hoje, bem como os grãos utilizados no passado?
R: As pessoas costumam pensar nos grãos apenas como as três maiores culturas alimentícias: trigo, arroz e milho; mas, na verdade, seria possível fazer três refeições por dia durante uma semana e consumir um grão diferente em cada refeição.
Milho: Os arqueólogos afirmam que o milho foi domesticado no Novo Mundo por volta de 5.000 a.C. Não havia milho na Europa, no Oriente Médio, na África ou na Ásia antes de Colombo. O milho teve origem em um grão chamado teosinte. O teosinte possuía cerca de 50 grãos frouxamente dispostos, e a espiga media menos de uma polegada de comprimento. Em contraste, o milho atual possui de 500 a 1.000 grãos firmemente dispostos em cada espiga. Como os grãos estão firmemente dispostos, o milho atual é incapaz de crescer na natureza sem a ajuda do homem.
Trigo: A arqueologia encontrou ancestrais do trigo no Oriente Médio, no Iraque, por volta de 7.000 a.C. Ele é chamado de emmer e perde suas sementes quando o vento sopra. Hoje, existem milhares de variedades de trigo. O kamut (= khorasan, = trigo do Rei Tut) é provavelmente um tipo de trigo duro. Como observação adicional, alguns consideram a diferença de 2.000 anos entre o início do cultivo do trigo e do milho como uma das duas razões (sendo os cavalos a outra razão) pelas quais, quando os espanhóis chegaram à América, a cultura indígena estava de 1.000 a 2.000 anos atrás da cultura europeia.
O arroz foi o mais recente a surgir entre os três principais grãos. Ele foi domesticado por volta de 3.500 a.C.
O emmer (=trigo emmer, =faro) foi encontrado em sítios pré-cerâmicos no Oriente Médio já entre 9.800 e 8.800 a.C. O emmer domesticado é diferente do emmer silvestre, mas tem origem neste último. Posteriormente, o emmer se espalhou pela Europa e pela Índia.
A espelta tem uma origem um tanto misteriosa. Era cultivada no Império Romano, na Grã-Bretanha e na Ásia, antes do cultivo do trigo. Pode ser um híbrido entre o emmer e o trigo, ou entre o emmer e a erva-cabra-selvagem (Aegilops tauschii), ou pode ter tido duas origens. Alguns acreditam que a espelta tenha surgido por volta de 6.000 a.C.
O sorgo tem origem em uma gramínea da África. Sua aparência se assemelha um pouco à do milho. O sorgo é uma das oito principais culturas de grãos cultivadas atualmente; hoje é utilizado como ração animal, mas provavelmente também é a quinta maior cultura destinada ao consumo humano.
A cevada provavelmente foi cultivada pela primeira vez por volta de 8.000 a.C. na região de Israel e da Jordânia. Ela se espalhou para o leste, até o Himalaia.
Supõe-se que o centeio tenha surgido na região do Monte Ararat e do Lago Van, no leste da Turquia, logo após a domesticação do trigo. Ele cresce em locais onde o trigo e a cevada não se desenvolvem.
A aveia é um cereal sobre o qual sabemos pouco, exceto que alguns grãos foram encontrados em uma tumba egípcia por volta de 2.000 a.C., e que provavelmente teve origem na Ásia Menor.
O trigo sarraceno (Fagopyrum esculentum) foi cultivado pela primeira vez nas províncias de Yunnan e Sichuan, na China, por volta de 1.000 d.C. Não apresenta alto rendimento de colheita, mas amadurece rapidamente e se adapta bem a climas áridos e frios. Existem pelo menos 14 variedades.
A grama de Palmer (= grama-nipa, = Distichlis palmeri) era cultivada apenas no Deserto de Sonora, no oeste do México e no oeste dos Estados Unidos. Era a principal fonte de alimento da tribo Cocopah. É um tanto semelhante ao trigo, exceto pelo fato de poder crescer em condições áridas e ser capaz de absorver água do mar e excretar o sal.
Os milhos-miúdos são um conjunto de pelo menos 13 gramíneas comestíveis de sementes pequenas, adequadas para o cultivo em condições áridas. Milhos-miúdos como o milho-de-vassoura também constituíram o principal grão na China e na Coreia nos tempos mais remotos. Alguns tipos de milho-miúdo são: milho-miúdo-de-cortiça, milho-miúdo-de-vassoura, milho-miúdo-de-ponta-marrom, milho-miúdo-dedo, fonio, milho-miúdo-rabo-de-raposa, milho-miúdo-japonês, lágrimas-de-Jó, milho-miúdo-kodo, milho-miúdo-pequeno, milho-miúdo-pérola, milho-miúdo-proso e teff. Consulte para obter mais informações.
A batata não é um grão, mas é atualmente a quarta maior cultura alimentar. Acredita-se que seu cultivo tenha se iniciado por volta de 6.000 a.C. no Peru e na Bolívia, na região do Lago Titicaca.
Outras culturas que não são grãos incluem feijões, leguminosas, soja, amendoim, mandioca, batata-doce, ervilha, fruta-pão, coco, banana, banana-da-terra e taro. A semente de kesari era cultivada na Índia, mas possui efeitos paralisantes de longo prazo.
P: Em Gênesis 2:7, Deus criou a matéria, ou Ele apenas a “organizou”, como ensinam muitos mórmons, ou a matéria não foi criada porque não é algo real, conforme ensinam a Ciência Cristã e alguns grupos religiosos orientais?
R: Não. O fato de Deus ser todo-poderoso significa que Ele pode fazer qualquer coisa, e o fato de Deus ser o Criador significa que Ele criou tudo. Deus criou o universo “ex nihilo”, o que significa “do nada”. Assim, para ser preciso, Deus não apenas criou as “coisas de matéria e energia”, mas criou a própria matéria e a própria energia.
P: Em Gênesis 2:7,19, Deus criou o homem antes dos animais ou depois deles, como diz Gênesis 1:24,27? (Essa pergunta foi feita por um ateu (Capella)).
R: Três pontos a serem considerados na resposta.
Na Terra, Deus criou o homem depois dos animais, conforme diz Gênesis 1:24,27.
No Jardim do Éden, Deus deve ter criado o homem antes de lhe mostrar os animais.
Mesmo no Jardim, os animais podem ter estado lá antes do homem. Gênesis 2:19 refere-se aos animais que já haviam sido criados até aquele momento. Isso não significa que os animais só tenham sido criados naquele momento.
P: Gênesis 2:7 prova que as pessoas não têm uma alma imortal, como afirmam as Testemunhas de Jeová?
R: Não. A palavra hebraica aqui, nephesh, significa “alma” em alguns trechos e “vida” em outros, como neste caso. Como os crentes sob o altar em Apocalipse 6:9-10 poderiam estar sob o altar se não tivessem existência após a morte?
P: Em Gênesis 2:10-14, onde estão os rios que jorravam do Jardim do Éden?
R: Em primeiro lugar, o Jardim do Éden não existe na Terra hoje. Não sabemos onde ficava o rio Pishon, e os rios Tigre e Eufrates estão na Turquia, na Síria e no Iraque. Costuma-se considerar que o Gihon seja o rio Nilo, que corria da região de Cuxe, ao sul do Egito. No entanto, poderia ter sido um rio menor com origem em “Cuxe” (Kashshu), no oeste de Elam, que fica muito próximo do Tigre e do Eufrates. Os cassitas (em grego: Kossaeanos) eram originários daquela região.
P: Em Gênesis 2:15, por que Deus disse que “você” (singular) pode comer de qualquer fruto do jardim, exceto que “vocês” (plural) não devem comer da árvore do conhecimento do bem e do mal?
R: Qualquer um deles poderia escolher qualquer árvore específica; eles não precisavam comer a mesma coisa. No entanto, nenhum dos dois tinha permissão para comer daquela árvore específica. A forma plural acrescenta ênfase; essa ordem não se dirigia apenas a Adão, mas a todos.
Filo, o judeu (15/20 a.C. a 50 d.C.), foi o primeiro a responder a essa pergunta em “Perguntas e Respostas sobre o Gênesis”, I, p. 794.
P: Em Gênesis 2:16, por que Deus criou Adão, sabendo que ele cairia?
R: Deus pode fazer qualquer coisa, mas uma impossibilidade lógica não existe. Deus não pode criar um ser que opte pela obediência amorosa a Deus, se esse ser não for capaz de escolher obedecer a Deus. Ser capaz de escolher obedecer a Deus significa ser capaz de escolher desobedecer a Deus.
P: Visto que Gênesis 2:17 diz: “no dia em que você comer dele, certamente morrerá”, como Adão e Eva morreram “naquele dia”?
R: Espiritualmente e judicialmente. Três pontos a serem considerados na resposta.
Naquele dia, ocorreu a morte espiritual.
Do ponto de vista jurídico, naquele dia foram proferidas contra eles sentenças tanto de morte eterna quanto de morte física. Em *Hard Sayings of the Bible*, pp. 91-92, Walter Kaiser Jr. demonstra que a expressão idiomática hebraica significa a certeza de sua morte, e não a iminência da morte.
Para outro exemplo do uso dessa expressão idiomática, consulte 1 Reis 2:37, onde Salomão fez uma advertência semelhante a Simei no dia em que este partiu de Jerusalém.
A primeira pessoa de quem temos conhecimento que deu uma resposta a essa questão foi Filo, o judeu (15/20 a.C. a 50 d.C.), em *Perguntas e Respostas sobre o Gênesis*, 1, p. 794, e em *Interpretação Alegórica*, I, 33 (105), p. 46-37, onde ele menciona a morte da alma.
Um segundo escritor antigo, que deu uma resposta diferente, é Irineu, em *Contra as Heresias*, livro 5, cap. 23 (182-188 d.C.), p. 551-552. Como Irineu observa que um dia para o Senhor equivale a mil anos, ele interpreta isso como um dos dias de Deus e considera significativo o fato de Gênesis 5,6 afirmar que Adão morreu aos 930 anos, o que é menos do que mil anos.
P: Em Gênesis 2:18, por que diz que o homem estava sozinho, já que ele estava tanto com Deus quanto com os animais?
R: Adão realmente tinha domínio sobre os animais e adorava a Deus, mas não tinha ninguém mais como ele. Ele estava sozinho no sentido de não ter ninguém com quem se relacionar de forma horizontal, como um igual.
P: Gênesis 2:18-22 mostra que as mulheres foram criadas como uma ideia de última hora, como afirma a página 164 do livro *Born Again Skeptic*?
R: Não, mostra exatamente o contrário. Deus dedicou bastante tempo — com Adão tendo que dar nomes aos animais e tudo mais — para demonstrar a Adão sua necessidade de uma companheira. A maioria das coisas em Gênesis 1 e 2 foi simplesmente criada com pouca explicação. No entanto, Deus primeiro “preparou o cenário” e explicou o propósito dela como colaboradora de Adão antes de criar Eva.
P: Gênesis 2:18 mostra que as mulheres são inferiores aos homens, uma vez que Eva foi criada de maneira diferente de Adão?
R: Não, não mostra. Seis pontos a serem considerados na resposta.
1. Ser diferente não prova que se seja desigual. Pessoas diferentes falam línguas diferentes, mas isso não significa que toda língua seja inferior ou superior a outra. Como disse um cristão, Eva não foi criada a partir do pé de Adão para estar abaixo dele, nem a partir de sua cabeça para estar acima dele, mas a partir de seu lado para estar com ele.
2. “Ajudante” não significa inferior. Alguns podem pensar que Eva era inferior a Adão porque era uma “ajudante” em Gênesis 2:18. No entanto, Deus é nosso ajudante (mesma palavra hebraica) no Salmo 70:5, e isso não significa que Deus seja inferior a nós! Assim, traduzir o hebraico como “companheira” é bastante impreciso. Uma tradução mais adequada seria “Farei um poder [ou força] correspondente ao homem”, de acordo com o estudo detalhado do hebraico realizado por Walter Kaiser em *Hard Sayings of the Bible*, pp. 92-94. Portanto, a mulher deve ser uma “parceira de pleno direito” e não apenas uma assistente.
3. Gênesis 1:27 mostra que ambos são à imagem de Deus. Não foi apenas Adão que foi criado à imagem de Deus, mas tanto o homem quanto a mulher são à imagem de Deus. A propósito, estar à “imagem de Deus” não significa, de forma alguma, que Deus se limite a ter dois pés, duas mãos, um estômago etc. Pelo contrário, assim como uma imagem bidimensional é um contorno imperfeito de um objeto real tridimensional, o caráter do Deus infinito e o nosso ser finito apresentam algumas semelhanças.
4. Iguais em natureza, valor, importância etc. Na Bíblia, Gálatas 3:28 diz: “Não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há homem nem mulher — pois todos vocês são um em Cristo Jesus.” (NET)
5. No entanto, diferentes em termos de papel: Efésios 5:22-24 mostra que as esposas devem se submeter aos maridos, pois os maridos são a cabeça da esposa. Os maridos devem amar suas esposas como Cristo amou a igreja, conforme Efésios 5:25-26. Paulo afirmou que as mulheres não devem ensinar os homens nem exercer autoridade sobre eles, conforme 1 Timóteo 2:12.
6. Como isso se aplica na prática?
6.1 Débora foi uma juíza piedosa de Israel em Juízes 4-5. Com base nisso, não há dificuldade em votar em uma mulher para presidente ou primeira-ministra.
6.2 Elas podiam herdar bens, incluindo terras, conforme Números 36:8 e Jó 42:15.
6.3 Para uma descrição mais detalhada de como a esposa deve ser uma parceira plena do marido, leia Provérbios 31:10-31. Entre outras coisas, o texto diz:
Ela trabalha com as próprias mãos (Provérbios 31:13, 22) e colhe os frutos disso em Provérbios 31:24, 31.
Ela faz compras de alimentos (Provérbios 31:14) e cozinha. Provérbios 31:15
Ela supervisiona outras pessoas. Provérbios 31:15
Ela mesma decide comprar um imóvel em Provérbios 31:16.
Ela planta uma vinha. Provérbios 31:16 (Observe que uma família não possui uma vinha inteira apenas para consumo próprio; era uma fonte de lucro.)
Ela é fisicamente forte. Provérbios 31:17
Ela também negocia, não apenas por necessidade, mas para obter lucro. Provérbios 31:18
Ela própria faz doações aos pobres. (Para isso, ela precisava ter controle sobre o dinheiro.) Provérbios 31:20
Ela administra a casa. Provérbios 31:21
Ela é sábia e ensina sabedoria. Provérbios 31:26
Em resumo: as mulheres não são inferiores aos homens em natureza, valor ou importância. Elas têm, de fato, um papel diferente do dos homens, como qualquer gestante pode confirmar.
Consulte também o Manual de Hoje para Resolver Dificuldades da Bíblia, pp. 191-193, para saber mais sobre como a mulher foi criada “à semelhança” do homem e igual a ele.
P: Em Gênesis 2:19, por que Adão precisou ver todos os animais ali?
R: Deus concedeu a Adão domínio sobre todos os animais em Gênesis 1:26, e Deus queria ver como Adão nomearia os animais em Gênesis 19.
Além disso, pode ter havido uma razão mais sutil. Antes de criar Eva, Deus reconheceu a importância de preencher o que faltava em Adão, mas Adão não. Assim, Adão pôde aprender três coisas sobre os animais que eram relevantes para sua situação atual.
Família:
a) Mostrar a Adão que todos os animais superiores tinham macho e fêmea revelou como Deus os criou completos e capazes de propagar sua espécie.
b) Adão podia observar todas as criaturas e perceber que não havia nenhuma semelhante a ele.
c) Adão pôde perceber que também precisava de outra pessoa para torná-lo completo.
Aliás, ensinar às crianças como as plantas se reproduzem e como os animais se reproduzem é uma boa abordagem para ensinar às crianças como Deus determinou a maneira pela qual os filhos são gerados.
Comunidade:
a) Até mesmo cães e veados têm comunidades nas quais vivem.
b) Adão percebeu que não havia ninguém como ele na comunidade com quem pudesse compartilhar sua vida, e as pessoas precisam da companhia de outras pessoas.
Liderança:
a) Como Deus concedeu a Adão o domínio sobre a terra, Adão precisaria conhecer os animais que havia na terra.
b) Como Adão tinha domínio, Deus o honrou, permitindo que ele desse nomes aos animais. Filo, o judeu, mencionou isso em *Obras de Filo*, p. 882.
P: Em Gênesis 2:19-3:19, que evidências existem nos primeiros escritos mórmons de que os mórmons acreditavam na doutrina absurda de que Adão era Deus?
R: Aqui estão as citações do “Journal of Discourses” mórmon, seguidas por doze outros escritos como evidência.
a. “Journal of Discourses”, vol. 1, p. 50. (Sermão de Brigham Young) “Ouçam agora, ó habitantes da Terra, judeus e gentios, santos e pecadores! Quando nosso pai Adão entrou no jardim do Éden, ele o fez com um corpo celestial e trouxe Eva, uma de suas esposas, consigo. Ele ajudou a criar e organizar este mundo. Ele é Miguel, o Arcanjo, o Ancião dos Dias! Sobre quem homens santos escreveram e falaram Ele é nosso Pai e nosso Deus, e o único Deus com quem temos de lidar. Todo homem na Terra, seja ele cristão professo ou não, deve ouvir isso e, mais cedo ou mais tarde, virá a saber.” (itálico e letras maiúsculas pequenas constam no original)
b. Journal of Discourses, vol. 1, p. 51. (mesmo sermão) “Jesus, nosso irmão mais velho, foi gerado na carne pelo mesmo Ser que estava no Jardim do Éden e que é nosso Pai Celestial.”
Observe que os mórmons costumam argumentar que se trata de um erro de impressão. É interessante notar que os volumes do grande pregador cristão Charles H. Spurgeon foram publicados aproximadamente na mesma época, e não havia erros de impressão nas obras de Spurgeon afirmando que algum ser criado fosse Deus. A seguir, apresentam-se evidências corroborativas de que o profeta mórmon realmente disse isso.
1. Diário de Wilford Woodruff, data de 19/02/1854. (Consulte a Biblioteca da BYU)
2. Deseret Evening News, 14/6/1873
3. Deseret Evening News, 18/06/1873
4. Diário de Hosea Stout: On the Frontier, vol. 2, p. 438.
5. The Millennial Star, vol. 16, p. 543.
6. The Millennial Star, vol. 15, p. 769-770. Um ano e meio depois disso.
7. Diário de John Nuttall, vol. 1, pp. 18-21.
8. Diário de Abraham H. Cannon, vol. 11, p. 39 (lecionou por 50 anos)
9. Hinos Sagrados e Canções Espirituais para a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, 1856, p. 375
10. Mulheres do Mundo Mórmon, p. 179
11. Diário de Discursos, vol. 4, p. 1 (o presidente Heber C. Kimball está falando em 29/06/1856)
“...e também sei que, se não formos um com o irmão Brigham, nosso líder, não seremos um com Cristo. Sim, sei disso, e meus sentimentos estão e sempre estiveram com o irmão Brigham o tempo todo. Aprendi por experiência própria que há apenas um Deus que pertence a este povo, e Ele é o Deus que pertence a esta Terra , o primeiro homem. Esse primeiro homem enviou seu próprio Filho para redimir o mundo, para redimir seus irmãos.”
12. Por fim, um livro muito posterior:
A Posição de Adão nas Escrituras e na Teologia SUD: “A identificação de Adão com Deus, o Pai, feita pelo presidente Brigham Young é um fato irrefutável.” p. 58
P: Em Gênesis 2:20, como Adão poderia dar nome a todos os animais, a menos que o fruto proibido fosse um computador Apple Macintosh?
R: Alguém certa vez brincou dizendo que, se Adão tivesse que dar nomes a todas as espécies de animais (incluindo 1,5 milhão de insetos e bichos) em 24 horas no sexto dia, não é de se admirar que confundamos o fruto proibido com uma Apple, com discos rígidos e tudo mais!
Por outro lado, Paul S. Taylor observou corretamente que a frase “deu nomes a todos os animais domésticos, às aves do céu e a todos os animais selvagens” em Gênesis 2:20 não significa necessariamente nomear todas as espécies da Terra. Poderia tratar-se simplesmente de nomear os gêneros e as famílias de animais nas imediações de Adão.
Para quem gosta de curiosidades, existem cerca de 26.000 espécies vivas de animais terrestres vertebrados e aves, além de 9.500 espécies fósseis conhecidas na Terra. (Dentre as espécies fósseis, quase metade eram répteis e 1.000 eram aves).
Existem aproximadamente 5.600 gêneros de animais terrestres vivos, incluindo 1.900 gêneros de aves. Existem cerca de 6.500 gêneros de animais terrestres fósseis conhecidos, incluindo quase 1.000 gêneros de aves e 1.500 gêneros de répteis.
P: Em Gênesis 2:21-23, Adão era tanto homem quanto mulher antes da criação de Eva?
R: Nada nas Escrituras sugere isso. Gênesis 3:16 diz que o marido será a cabeça da esposa. Como isso ocorreu após a queda, o quanto Adão era “masculino” antes de Eva não tem qualquer relevância. No entanto, no que diz respeito à autoridade da igreja em geral, Paulo considera significativo o fato de Adão ter sido formado antes de Eva, em 1 Timóteo 2:13. O argumento de Paulo seria enganoso se Adão fosse tanto homem quanto mulher.
P: Em Gênesis 2:21-23, o relato de Eva sendo formada a partir de uma costela foi extraído do poema sumério de Dilmun?
R: Não. Primeiro, algumas informações contextuais; depois, a resposta; e, por fim, duas lições que podemos aprender com a resposta sobre como Deus inspirou a Bíblia.
B1. Samuel Noah Kramer, em *The Sumerians* (Universidade de Chicago, 1963), menciona que a palavra suméria para costela, *ti*, também significa “dar vida”, e no poema de Dilmun, Nin-ti era a “senhora da costela”, bem como a “senhora que dá vida”, que curou a costela doente do deus Enki.
B2. Trata-se de um trocadilho em sumério, mas não em hebraico, o que torna essa semelhança bastante marcante.
B3. Exceto pela comparação entre a “senhora que curou a costela” e “Eva, que foi criada da costela de Adão” no Gênesis, não há outras semelhanças entre as duas histórias. Consulte *The Sumerians*, pp. 148-149, ou *Hard Sayings of the Bible*, pp. 94-95, para conhecer a narrativa suméria.
B4. As tabuinhas do poema de Dilmun datam de 2.400 a.C. ou posteriormente. De qualquer forma, elas ainda são anteriores a Abraão, que partiu de Ur antes de 2.050 a.C.
B5. Essa história pode ter sido bem conhecida nos tempos antigos.
A resposta contém quatro pontos.
A1. Este é apenas um entre vários exemplos de relatos semelhantes de eventos mencionados em Gênesis. Outro exemplo são as mais de 200 histórias de dilúvio mundial de diversos povos ao redor do mundo.
A2. O jogo de palavras sobre a costela pode indicar que outras culturas antigas preservaram, pelo menos de forma incompleta, o conhecimento sobre a criação da humanidade.
A3. Mais do que isso, outras partes de Gênesis 1 parecem ter sido escritas de maneira deliberada para contrastar com os relatos sumérios, acádios e outros. Os outros relatos apresentam deuses em conflito; em Gênesis, o Deus Único cria com serenidade. Outros relatos apresentam o herói lutando contra o caos. Gênesis apresenta Deus movendo-se sobre o “abismo/águas” e comandando e ordenando.
A4. Embora algumas semelhanças de detalhes entre o Gênesis e o poema de Dilmun, bem como outras obras antigas, possam indicar um conhecimento comum de alguns eventos, é insustentável afirmar que um tenha sido copiado do outro, não apenas porque os detalhes em comum são poucos, mas porque quase não há semelhanças no significado por trás desses detalhes.
Lições a serem aprendidas com a resposta:
L1. O Gênesis não foi escrito no vácuo. Deus não se limita a nos revelar a verdade; Ele revela a verdade atemporal, mas de maneira prática, relevante para a época e a cultura. Uma razão (mas não a principal) pela qual o Gênesis pode ter sido dado por Deus foi para corrigir as visões errôneas que as pessoas tinham sobre a origem do homem, ao mesmo tempo em que reconhecia algumas das coisas corretas que haviam sobrevivido.
L2. Deus usa a cultura. Deus usa até mesmo as ações malignas das pessoas para Sua glória (Gênesis 50:20). Como podemos sequer tentar impedir que Deus use a cultura também, conforme Ele desejar? Moisés era um homem culto e, talvez, tenha lido essa história; Deus usou a leitura de Moisés para mostrar a ele o que era verdade e o que não era.
L3. Acima de tudo, não interpretem a frase “as Escrituras são inerrantes” como significando que a Bíblia teve de ser ditada mecanicamente. 1 Pedro 1:21 diz que a profecia consistia em homens falando movidos pelo Espírito Santo. Assim, quando diferentes partes da Bíblia refletem obviamente diferentes estilos humanos de escrita, isso não exclui a autoria divina. Isso apenas demonstra que Deus utilizou os estilos de escrita de várias pessoas conforme Lhe pareceu adequado.
P: Em Gênesis 2:22, quem é Lilith nessa época?
R: O nome Lilith nunca é mencionado na Bíblia. Havia uma fábula na Idade Média sobre uma mulher chamada Lilith, que teria sido a primeira esposa de Adão. Ela se recusou a se submeter a Adão, e Deus então criou Eva. Lilith, segundo o mito, foi transformada em um demônio que mata bebês recém-nascidos.
Lilith também era uma vampira na mitologia suméria, de acordo com o livro *The Sumerians*, pp. 198, 258. A obra *Civilizations of the Ancient and Near East*, p. 1890, menciona que os solteiros que morriam se tornavam uma classe especial de demônios chamados Lilu (masculino) e Lilitu (feminino). Eles pediam aos vivos que se casassem com eles, prometendo-lhes riqueza, mas, se a pessoa viva consentisse, morria prematuramente.
Nenhum manuscrito bíblico, seja judaico ou cristão, contém mais qualquer menção a Lilith do que a Pato Donald.
P: Em Gênesis 2:22, como Deus poderia ter criado Eva a partir de uma costela?
R: -Da maneira que Deus Todo-Poderoso quisesse. Se Deus precisasse usar uma costela, e se o senhor acredita que Deus precisou retirar a costela inteira, então suponho que o senhor poderia concluir que Eva estaria contando todas as costelas de Adão todas as manhãs!
Falando sério, Deus talvez não tenha utilizado toda a costela; uma célula poderia ter sido suficiente.
O livro “735 Perguntas Desconcertantes da Bíblia Respondidas”, p. 23, acrescenta que, se Deus a tivesse criado do barro, poder-se-ia argumentar que as mulheres são intrinsecamente diferentes (e talvez inferiores aos homens). No entanto, como Eva foi criada de uma costela, ela tinha a mesma identidade igualitária que o homem.
P: Em Gênesis 2:22-23, os homens deveriam ter uma costela a menos do que as mulheres?
R: Não. Se um homem tiver o braço decepado, seus filhos e netos subsequentes não nascerão todos sem um braço. Da mesma forma, se você retirar algumas células da costela de uma pessoa, tanto os pais quanto seus filhos continuarão tendo o mesmo número de costelas.
Tertuliano, que escreveu entre 198 e 220 d.C., interpreta isso como Deus “tomando emprestada uma costela”, conforme consta em *Exortação à Castidade*, cap. 5, p. 53. Ele também acrescenta que Deus poderia ter tomado emprestadas mais costelas para ter mais esposas, mas optou por não fazê-lo, como um exemplo de que a monogamia era a norma e não a poligamia.
P: Em Gênesis 2:25, o homem e a mulher foram originalmente criados nus, e deveriam usar roupas?
R: Sim, eles foram criados nus e não sentiam vergonha. No entanto, após a Queda, Deus os vestiu, e temos usado roupas desde então.
P: Em Gênesis 3:1-24, uma vez que Deus criou os seres humanos para que fossem, em última instância, superiores aos anjos, isso poderia ter sido um fator que levou Satanás a decidir cair?
R: As Escrituras não se pronunciam a esse respeito, mas certamente é uma possibilidade.
P: Em Gênesis 3:1-24, Adão e Eva tinham a pele branca, negra, morena, amarela ou vermelha?
R: A Bíblia não diz absolutamente nada sobre isso. Como Adão e Eva foram os ancestrais de todos nós, isso não importa. Todos nós somos, igualmente, descendentes de Adão e Eva. Talvez Deus tenha optado por não se pronunciar especificamente sobre o assunto, para que ninguém pudesse alegar que Ele indicou que alguma raça fosse mais próxima ou mais distante de Adão e Eva.
P: Em Gênesis 3, por que Deus permitiu que Adão e Eva fossem tentados?
R: A Bíblia não diz. No entanto, podemos especular que Deus não queria apenas pessoas que O amassem, mas pessoas a quem fosse permitida uma alternativa e que, mesmo assim, optassem por amar a Deus.
P: Em Gênesis 3, se Eva introduziu o pecado original, como é que Satanás cometeu o pecado do orgulho contra Deus? Estou deixando passar alguma coisa aqui?
R: Satanás pecou e caiu antes de Adão e Eva. Mas o pecado de Eva e Adão introduziu uma natureza pecaminosa na raça humana.
P: Em Gênesis 3, tenho uma dúvida que não consegui esclarecer. Na Bíblia está escrito que Deus criou o homem. Deus diz ao homem para não comer do fruto proibido — o fruto da árvore do conhecimento —, pois esse fruto abrirá seus olhos para que você perceba o certo e o errado, o bem e o mal. O homem come do fruto proibido e é transformado. O homem agora percebe que estar nu é errado. Como pode ser pecado o homem desobedecer a Deus, se ele não tinha conhecimento do certo ou do errado no momento em que comeu o fruto proibido?
R: Terei prazer em responder à sua pergunta. Permita-me iniciar a resposta à sua pergunta fazendo uma pergunta: desde a queda, como uma pessoa sabe o que é certo e errado? Sabemos diretamente por tudo o que Deus nos revelou sobre o que é certo e errado, e todos têm uma ideia aproximada por meio da consciência que há dentro de si. (É claro que uma pessoa pode entorpecer sua consciência, no entanto.)
Após a queda, tanto Adão quanto Eva possuíam uma consciência, um sentimento de culpa por terem agido errado ao desobedecer, e eles e seus descendentes passaram a ter uma natureza pecaminosa. Os efeitos da queda foram profundos.
Antes da queda, eles não tinham nada disso, nem conhecimento do certo e do errado. Sua natureza era boa, e tudo o que fizessem seria certo — quase sempre. Não tinham mandamentos com os quais se preocupar em desobedecer, exceto um: não comer da árvore proibida do conhecimento do bem e do mal. Sua escolha, se comer ou não, não era uma questão de certo ou errado, pois eles não sabiam o que eram essas coisas. Em vez disso, a escolha deles era simplesmente se obedeceriam a Deus ou não.
Hoje em dia, às vezes, as pessoas podem ter ideias estranhas sobre o que é certo e errado, como pais muçulmanos que acham certo matar suas filhas porque acreditam que elas trouxeram vergonha para a família, inclusive por fazerem coisas como se casar com alguém que o pai não aprovava. Até mesmo os cristãos, às vezes, podem se prender demais à questão: “a Bíblia permite isso?”. Mais importante do que perguntar “isso é certo ou errado” é “Deus quer que eu faça isso” ou “isso agrada a Deus”. A resposta, na verdade, será a mesma que “isso é certo ou errado”, mas o objetivo não deve ser fazer as coisas apenas para aliviar nossa consciência ou seguir um monte de regras, mas para agradar a Deus.
Portanto, a resposta resumida à sua pergunta é que Adão e Eva não pecaram ao escolher o mal em vez do bem, pois não sabiam o que eram o mal e o bem. Eles pecaram por conhecerem a simples ordem de Deus a eles e por terem escolhido desobedecer a Deus.
P: Em Gênesis 3, esse foi um teste injusto, já que Adão e Eva ainda não tinham o conhecimento do bem e do mal, como afirma um ateu (Capella)?
R: Não. É um teste injusto dizer a alguém para não usar drogas ilegais, como a cocaína, até que essa pessoa tenha tido a oportunidade de experimentá-la? Claro que não. Da mesma forma, não foi injusto que eles recebessem a proibição sem terem experimentado o mal e a culpa. Embora se possa argumentar que eles não sabiam tudo sobre o bem e o mal naquele momento, eles sabiam que seu Criador lhes ordenara que não comessem daquela árvore, e esse conhecimento por si só era suficiente para tornar esse teste justo.
Hoje não conhecemos todas as razões pelas quais Deus nos proíbe de fazer algo, mas, se Deus nos ordenou que não o fizéssemos, sabemos tudo o que precisamos saber para obedecer a Deus.
P: Em Gênesis 3, o que exatamente havia de errado em comer do fruto daquela árvore?
R: Não era o fato de um fruto específico ser mau; talvez eles pudessem ter comido da árvore mais tarde. Como escreveu Teófilo, bispo de Antioquia (168-181/188 d.C.), em sua carta “Teófilo a Autólico”, livro 2, cap. 25, p. 104: “Pois não era a árvore, como alguns pensam, mas a desobediência, que trazia a morte em si.” Padres Ante-Nicenos, vol. 2, p. 104. Alguns também interpretam a frase “ser como Deus, conhecendo o bem e o mal” como se eles quisessem apropriar-se da prerrogativa de Deus de definir o bem e o mal.
P: Em Gênesis 3, esse teste seria algo como pais colocarem uma bateria de 40.000 volts na sala de estar e dizerem ao bebê para não tocá-la?
R: Não, o perigo estava na desobediência deles, não na árvore. Quatro pontos a serem considerados na resposta.
1. Ao contrário de uma bateria perigosa, não era a árvore que era mortal. Foi a desobediência a Deus que foi mortal e fez com que eles morressem espiritualmente naquele dia e, posteriormente, fisicamente.
2. Adão e Eva não eram bebês. Eles podiam raciocinar como os adultos, estavam plenamente conscientes do que estavam fazendo e das consequências que Deus havia anunciado.
3. Adão e Eva tinham todas as suas necessidades supridas e não tinham como desobedecer a Deus, a não ser comendo do fruto da árvore. Quer gostemos ou não, Deus dá às pessoas a escolha de servi-Lo ou não. Alguns podem pensar: “Deus não deveria ter feito isso; Deus deveria ter nos feito a todos robôs incapazes de desobedecer”. Independentemente do que as pessoas pensem, Deus pode fazer o que Lhe apraz, e Deus escolheu conceder a todos o livre arbítrio para desobedecê-Lo e para viver com as consequências de sua obediência ou desobediência.
4. O fruto poderia ter sido comido de qualquer maneira. Teófilo, bispo de Antioquia (168-181/188 d.C.), ensinou que, se Adão e Eva não tivessem pecado, teriam amadurecido, tornado-se perfeitos e ascendido ao céu na posse da imortalidade. A humanidade possuía uma natureza intermediária, nem totalmente mortal, nem totalmente imortal; ou então o Paraíso situava-se entre a Terra e o céu. Teófilo a Autólico, livro 2, cap. 22, p. 24, p. 104
P: Em Gênesis 3, devemos nos orgulhar de que Eva tenha comido a maçã, como afirma Laura Schlesinger?
R: Não. A Dra. Laura está certa sobre muitas coisas, mas está errada neste ponto. Eis o que ela disse na revista *Modern Maturity*, de setembro-outubro de 1999, p. 67.
“Tenho muito orgulho de que ela tenha comido o fruto da árvore do conhecimento. Pois, se ela não tivesse feito isso, ainda seríamos animais no Jardim. Deus não colocou aquela árvore ali apenas para dar sombra. Tornamo-nos humanos com esse passo.”
Em primeiro lugar, a árvore não era apenas a árvore do conhecimento, mas a árvore do conhecimento do bem e do mal. Schlesinger está certa ao afirmar que as pessoas não eram mais as mesmas. Todos os assassinatos, guerras, opressões e irresponsabilidades morais cometidos pelos seres humanos ocorreram depois disso. No entanto, as pessoas continuam sendo humanas no Céu, quando não pecarão mais. Não é impossível ser plenamente humano e não pecador, como Adão e Eva antes de comerem o fruto, e como Jesus Cristo é.
Mais adiante na entrevista, quando a Dra. Laura disse que Adão agiu errado ao tentar culpar Eva, Schlesinger estava correto, pois Gênesis 3:6 afirma que Adão estava com Eva quando ela comeu.
P: Em Gênesis 3, o fruto da árvore era uma metáfora para uma união sexual espiritual ilícita entre Eva e Satanás, conforme ensina o Rev. Moon, da Igreja da Unificação (Moonies), no “Princípio Divino” (5ª ed., 1977), pp. 75-79?
R: Não havia nenhuma metáfora sexual envolvendo a árvore, o fruto ou Satanás. Se o Rev. Moon estivesse certo, então:
O que eram todas as outras árvores que eram permitidas?
Eva ignorou Satanás quando comeu o fruto da árvore
Em Gênesis 3:13, Eva, ao tentar atribuir toda a culpa à serpente, limitou-se a dizer que a serpente a enganou. Ela nunca disse que a serpente fez algo contra ela.
Veja também a pergunta anterior.
P: Em Gênesis 3, há alguma outra cultura que tenha uma história semelhante sobre os primeiros seres humanos, em um jardim, comendo um fruto proibido?
R: Sim. Aqui estão pelo menos três casos.
O povo S’gaw Karen, do leste da Birmânia: o Deus todo-poderoso e onisciente chamado Y’wa criou tudo. Ele criou duas pessoas, um homem chamado Thanai e uma mulher chamada Eeu, e os colocou em um jardim com sete tipos de árvores frutíferas. Havia, porém, um tipo que eles não podiam comer. O maligno Mu-kaw-lee enganou as duas pessoas, dizendo-lhes que teriam poderes milagrosos e ascenderiam ao Céu. Mu-kaw-lee as persuadiu a comer o fruto da árvore da provação. Elas comeram e passaram a estar sujeitas à doença, ao envelhecimento e à morte.
Don Richardson explora a possibilidade de que isso possa ter vindo de influência nestoriana ou católica romana e conclui que não foi o caso, pois Richardson não encontrou nenhum conceito de encarnação ou de um redentor que morresse pelo homem e ressuscitasse dos mortos.
Os Santal, do nordeste da Índia: Eles acreditavam em “Thakur Jiu” (Thakur = genuíno, Jiu = Deus), que criou o primeiro casal, um homem chamado Haram e uma mulher chamada Ayo, e os colocou em Hihiri Pipiri, que ficava a oeste da Índia. O maligno Lita os tentou a fabricar cerveja de arroz e derramar parte dela no chão como oferenda a Satanás. Eles assim o fizeram e embriagaram-se com o restante da cerveja. Ao acordarem, perceberam que estavam nus e sentiram vergonha. Mais tarde, tiveram sete filhos e sete filhas. Seus descendentes tornaram-se corruptos, de modo que Thakur Jiu escondeu um “casal sagrado” no Monte Harata (= Ararat?) e destruiu o restante em um dilúvio. Por fim, seus ancestrais viajaram (para o leste) de floresta em floresta, até chegarem a altas montanhas, que bloqueavam seu caminho. Finalmente, conseguiram atravessá-las (talvez na Passagem de Khyber) e chegaram à sua terra natal, perto de Calcutá.
Sumérios: Os sumérios acreditavam ter vindo de um Paraíso que chamavam de Dilmun. No entanto, não há muitos outros paralelos com o Jardim do Éden. Dilmun era um lugar onde se encontravam todos os deuses, bem como Ziusdra, um humano que havia alcançado a imortalidade. O poema de Dilmun data de cerca de 2.400 a.C.
P: Em Gênesis 3, uma vez que Adão e Eva eram perfeitos, como seres perfeitos podem fazer coisas imperfeitas, como pecar?
R: Independentemente de como alguém defina “perfeito”, a Bíblia nunca afirma que Adão e Eva eram perfeitos. Também nunca diz que eles eram incapazes de pecar. Em vez disso, a Bíblia apenas mostra que eles eram muito bons e estavam “sem pecado”, no sentido de que ainda não haviam pecado. Eles ainda eram capazes de exercer o livre arbítrio e de fazer uma escolha em relação ao pecado.
Clemente de Alexandria, em *Os Estromata* (193-202 d.C.), livro 6, cap. 12, p. 502, foi um dos primeiros a responder a essa pergunta. Ele afirmou, entre outras coisas, que o homem “não era perfeito em sua criação, mas estava preparado para receber a virtude. … Ora, uma aptidão é um movimento em direção à virtude, não a própria virtude. Todos, portanto, como eu disse, são naturalmente constituídos para a aquisição da virtude.”
P: Em Gênesis 3, uma vez que um Deus perfeito cria apenas seres perfeitos, como Adão e Eva puderam pecar?
R: Há cinco pontos a serem considerados na resposta.
Tertuliano respondeu a essa questão já em 207/208 d.C., na obra “Cinco Livros Contra Marcião”, livro 2, capítulos 5 a 9. A extensa resposta de Tertuliano pode ser resumida em suas próprias palavras: “Portanto, era adequado que [o homem], à imagem e semelhança de Deus, fosse formado com livre arbítrio e domínio de si mesmo; de modo que precisamente isso — a saber, a liberdade de vontade e o autocontrole — pudesse ser considerado como a imagem e semelhança de Deus nele.” Em outras palavras, era adequado que um Deus perfeito criasse criaturas à Sua imagem, dotadas de livre arbítrio.
Teófilo, bispo de Antioquia (168-181/188 d.C.), respondeu a uma questão relacionada — se Adão e Eva eram mortais ou imortais —, demonstrando que eles estavam em um processo e eram capazes de seguir qualquer um dos caminhos. (Teófilo a Autólico, livro 2, cap. 27, p. 105)
Não são robôs: o senhor gostaria que um Deus perfeito se limitasse a criar robôs e fosse incapaz de criar pessoas dotadas de livre arbítrio? Deus não cria impossibilidades lógicas; e, para que Deus criasse pessoas que escolhessem livremente amá-Lo e obedecê-Lo, Ele também as criou capazes de não amá-Lo e não obedecê-Lo. A Bíblia nunca diz que Adão e Eva eram “perfeitos” no sentido de nunca serem capazes de pecar. Em vez disso, a Bíblia diz que eles eram “muito bons” e “sem pecado”, no sentido de que ainda não haviam pecado.
A perfeição de Deus: Entre a humanidade e os demônios, a Bíblia deixa bem claro que a perfeição de Deus não O impede de criar seres com a capacidade de desobedecê-Lo.
De quem é essa definição? Se a definição de alguém de um Deus perfeito é a de um Deus incapaz de criar pessoas com escolhas morais, então cabe a essa pessoa o ônus da prova de encontrar pelo menos um versículo que corrobore essa opinião. Caso contrário, essa definição não se encaixa no Deus da Bíblia. A questão fundamental aqui é:
a) você deve tentar impor sua definição de “perfeição de Deus” ao Deus da Bíblia, ou
b) Deixar que Deus fale por Si mesmo na Bíblia sobre como Ele é perfeito e como Ele escolheu criar.
Quanto ao motivo pelo qual Deus escolheu “se dar ao trabalho” de criar Adão e Eva, sabendo que eles pecariam, consulte a discussão sobre Gênesis 1.
P: Em Gênesis 3:1 e 2 Coríntios 11:3, por que Adão e Eva foram tentados por Satanás na forma de uma serpente, em vez de outra coisa, como um leão ou um coelhinho?
R: As Escrituras não dizem, mas podemos especular. Animais de grande porte poderiam ser intimidadores e deixar as pessoas em guarda. Animais minúsculos poderiam ser ignorados por serem considerados insignificantes. Uma serpente poderia sugerir que a “astúcia” é aceitável. Para que muitos na sociedade cometam pecado em massa, muitas pessoas devem primeiro ser persuadidas de que o pecado não é errado.
Algumas pessoas veem a serpente como uma analogia à inteligência desprovida de consciência. A serpente é impressionante na maneira como espera astutamente e se aproxima furtivamente de sua presa. Mateus 10,16 diz que devemos ser astutos como as serpentes, mas inocentes como as pombas.
P: Em Gênesis 3:1, como um animal sem inteligência e mudo, como uma serpente, poderia tentar Adão e Eva?
R: Essa não era uma serpente comum. Satanás assumiu a forma de uma serpente, e Satanás podia falar e é altamente inteligente. Satanás também é chamado de serpente em Apocalipse 12:9, 14, 15 e Apocalipse 20:2. Há três maneiras possíveis pelas quais Satanás poderia ter se tornado uma serpente, e a interpretação mais simples sugere que todas elas são verdadeiras.
Transformação física: Satanás ou se transformou por conta própria ou foi transformado na forma física de uma cobra capaz de falar.
Possessão: É possível que Satanás tenha entrado em um animal já existente e falado por meio dele.
Independentemente de a serpente que Eva viu ter sido o próprio Satanás ou apenas uma cobra comum, Satanás “falou por meio” dessa forma para sugerir a abordagem astuta e insidiosa de uma cobra.
P: Em Gênesis 3:1-16, quais são algumas lições gerais que podemos aprender sobre o pecado a partir desse exemplo?
R: Podemos aprender muitas coisas, mas aqui estão apenas algumas delas.
1. O pecado traz a morte. Adão e Eva nunca teriam morrido, mas estavam caminhando para a morte no dia em que pecaram.
2. O pecado tem consequências mesmo após o perdão. Deus os perdoou, mas eles ainda assim morreriam, e não recuperaram o dom da árvore da vida. (—pelo menos não até Apocalipse 2:7; 22:2,14).
3. As Escrituras não mencionam se eles chegaram a ver a morte antes de Deus matar alguns animais para vesti-los com peles. O pecado não podia ser coberto por um punhado de folhas que voltariam a crescer no ano seguinte. Ele só poderia ser coberto pelo sangue de um animal que morresse.
4. Eles podiam comer de quase todas as árvores do jardim, mas consideraram Deus mesquinho por lhes negar aquela única árvore. Após a queda, Deus foi misericordioso ao perdoá-los e revesti-los com peles de animais, mas eles enfrentariam dificuldades, pois a terra agora lhes seria mesquinha.
5. Até mesmo as consequências de seu pecado foram uma misericórdia de Deus. Haddon Robinson menciona que a dor finca a bandeira da realidade na fortaleza do coração rebelde.
6. Mesmo após o pecado, Deus ainda tem um plano redentor. Mesmo depois de cometermos graves erros, a promessa de Romanos 8:28 continua válida. Mesmo neste capítulo sombrio, Deus já havia feito uma promessa em Gênesis 3:15.
P: Em Gênesis 3:1,14, uma vez que a serpente foi amaldiçoada a rastejar sobre o ventre, isso significa que as cobras costumavam ter pernas?
R: Não. Embora alguns tritões tenham braços, mas não pernas, não é isso que se pretende aqui. Embora as Escrituras não sejam específicas, Satanás foi amaldiçoado com meios de locomoção reduzidos e degradantes. Satanás assumiu a forma de uma humilde cobra, e Deus o puniu com uma maldição de que parte dos atributos da cobra permanecesse com Satanás.
Quando as pessoas pecam, a necessidade de perdão pelo ato externo é apenas parte do problema. A natureza do pecado é, muitas vezes, tal que parte do pecado se apega ao nosso coração por dentro, e precisamos tanto de purificação quanto de perdão.
P: Em Gênesis 3:1, 14-15, a serpente tinha pernas antes da maldição ou não?
R: Existem duas visões principais.
Sim: É possível que essa “cobra” específica do jardim se assemelhasse a um lagarto-monitor, que mantém o ventre afastado do solo, e que Deus tenha transformado essa criatura para que ela perdesse todos os traços de pernas. Ela não poderia ter simplesmente passado de uma postura “semelhante à de um lagarto-monitor” para um rastejar semelhante ao de um crocodilo, de barriga para baixo, pois o uso da palavra comum “cobra” implicaria na ausência de pernas. A Nelson Study Bible, p. 10, afirma: “O texto [...] sugere que, antes disso, a serpente possuía alguma outra forma corporal.”
Não: O New International Bible Commentary, p. 117, defende que “A punição da cobra (v. 14) não deve ser entendida como significando que, em algum momento, ela teve pernas. Em vez disso, o que antes parecia natural e belo seria agora uma lembrança perpétua do que ela havia feito.” O “Expositor’s Bible Commentary”, vol. 1, p. 55, afirma: “Essa maldição não sugere necessariamente que a serpente anteriormente andasse com pés e pernas, como os outros animais terrestres. O ponto é, antes, que, pelo resto de sua vida, como resultado da maldição, quando a serpente rastejar sobre o ventre, como as serpentes fazem, ela ‘comerá pó’.” A ênfase está no fato de a cobra ‘comer poeira’, uma expressão que, em outros trechos, carrega o significado de ‘derrota total’ (cf. Is 65,25; Mq 7,17).”
Independentemente disso, o ponto é que a serpente, que era tão astuta (‘arum em Gênesis 3:1), agora está amaldiçoada (‘arur em Gênesis 3:14). A palavra “amaldiçoada” é usada em relação à serpente e ao solo, mas não ao homem nem à mulher.
P: Em Gênesis 3:3-24, por que Adão e Eva foram punidos mais severamente do que muitas pessoas hoje em dia?
R: Deus não os puniu simplesmente por terem colhido o fruto; afinal, eles poderiam ter colhido o fruto de outras árvores. Deus os puniu por não possuírem uma natureza caída e, mesmo assim, terem desobedecido a Deus.
A severidade de sua punição parece razoável quando consideramos que Deus pune com base no que as pessoas sabem e no que elas eram capazes de fazer. Ao contrário das pessoas de hoje, eles estavam na presença direta de Deus e, mesmo assim, não confiaram que Deus sabia o que era melhor para eles. Ao contrário das pessoas de hoje, eles não tinham uma natureza pecaminosa, que sempre os levaria a pecar.
P: Em Gênesis 3:3-6, Adão e Eva comeram uma maçã?
R: As Escrituras nunca afirmaram que eles comeram uma maçã. Tratava-se de um fruto proibido, o fruto do conhecimento do bem e do mal, que, presumivelmente, não é encontrado na Terra hoje.
Alguns acreditam que a confusão entre o fruto proibido e a maçã, ocorrida na Idade Média, deveu-se ao fato de que a palavra latina para “mal” é “malum” e a palavra latina para “maçã” é “malus”. Seja qual for a origem dessa ideia, não há fundamento bíblico para o cerne dessa concepção, por mais que se analise a questão. ;-)
P: Em Gênesis 3:5-22, Adão simboliza o espírito celestial, Eva simboliza a alma terrena e a serpente simboliza o apego ao mundo humano, conforme ensinam os bahá’ís em “Algumas Perguntas Respondidas”, p. 123?
R: Não. Há séculos que as pessoas vêm tentando atribuir significados espirituais contrários ao sentido literal de Gênesis. Adão é, sem dúvida, um ser humano do sexo masculino, e Eva, do sexo feminino; e acrescentar essa interpretação infundada transforma os homens em “espíritos celestiais” superiores e as mulheres em “almas terrenas”. Em vez disso, a verdade é que homens e mulheres têm igual e o mesmo valor aos olhos de Deus (Gálatas 3:28).
P: Em Gênesis 3:5, 22, se Adão e Eva se tornariam “como deuses” caso comessem o fruto, isso significa que há mais de um Deus, como ensinam os mórmons?
R: Somente após esse momento é que eles adquiririam o conhecimento do bem e do mal. Gênesis 3:5 diz “como Deus”. A palavra “deuses” com “s” aparece apenas na KJV; em hebraico, é “Elohim”, um nome para Deus. Portanto, Gênesis 3:5 não comprova qualquer pluralidade real.
P: Em Gênesis 3:5, 22, as pessoas poderiam saber tudo, como Deus?
R: Não. Satanás nem mesmo deu a entender que eles seriam como Deus em todos os aspectos (adoração, Onipotência, Trindade, etc.). Em vez disso, Satanás prometeu que eles seriam como Deus no sentido de que conheceriam tanto o bem quanto o mal. É claro que, antes de comerem o fruto, eles conheciam apenas o bem. Depois de comerem o fruto, passaram a conhecer tanto o bem quanto o mal. Assim, de uma forma que Adão e Eva viriam a lamentar profundamente, a serpente estava correta. Consulte *Hard Sayings of the Bible*, pp. 95-96, para uma resposta semelhante.
Há outras cinco passagens que mencionam o conhecimento do bem e do mal: Deuteronômio 1:39; 2 Samuel 14:17; 19:35; 1 Reis 3:9; e Isaías 7:5. Elas mostram que Deus é quem determina o que é bem e o que é mal, e talvez Satanás estivesse prometendo a eles uma “declaração de liberdade”, na qual eles mesmos decidiriam o que era bem e o que era mal. Essa “declaração de independência” na verdade os prendeu na condenação. Consulte 735 Baffling Bible Questions Answered, pp. 24-25, para obter mais informações sobre essa perspectiva.
Satanás faz uma promessa semelhante hoje em dia. Em muitas vertentes do hinduísmo, o objetivo não é ter um relacionamento com Deus, nem ser “bom”. Em vez disso, o objetivo é ser “experiente”, experimentando tanto o bem quanto o mal. Às vezes, as pessoas se surpreendem ao encontrar um guru hindu que é desonesto e engana alguém. Pode ser que o guru não esteja sendo inconsistente com sua religião. Para alguns, o objetivo é o domínio tanto do bem quanto do mal.
P: Em Gênesis 3:6, por que Eva foi punida por buscar sabedoria ao comer o fruto, já que se considera que adquirir sabedoria é sempre bom?
R: Buscar sabedoria não é bom em si mesmo. Buscar sabedoria junto a Deus é bom, mas a sabedoria obtida por meio da desobediência não é boa. Os cristãos, em geral, não aprenderam nem experimentaram todas as diferentes variedades do mal, nem desejam fazê-lo.
Como escreveu Teófilo, bispo de Antioquia (168-181/188 d.C.), em sua carta “A Autólico”, vol. 2, cap. 25, p. 104: “Pois não foi a árvore, como alguns pensam, mas a desobediência, que continha a morte. Pois não havia nada mais no fruto senão apenas conhecimento; mas o conhecimento é bom quando se usa com discrição. Adão, porém, sendo ainda uma criança, era, por essa razão, incapaz de receber o conhecimento de maneira digna.” Padres Ante-Nicenos, vol. 2, p. 104.
P: Em Gênesis 3:6, em que as tentações de Satanás a Eva se assemelham às tentações de Satanás a Jesus em Mateus 4:1-11 e Lucas 4:1-13?
R: Embora não sejam idênticas, Satanás costuma usar táticas semelhantes repetidamente, e isso provavelmente se deve ao fato de que elas continuam funcionando.
Eva percebeu que o fruto proibido era
1. Bom para comer [apetite físico],
2. Agradável aos olhos [beleza, concupiscência dos olhos],
3. Desejável para adquirir sabedoria [os olhos se abrirão e, como Deus, conhecerão o bem e o mal] [poder divino após seguir a ordem de Satanás].
Jesus, que estava jejuando, foi tentado com
1. Pedras que se transformassem em pão [apetite físico],
2. Lançar-se da ala do templo [exibicionismo],
3. Autoridade sobre todos os reinos da terra [poder divino sob o comando de Satanás].
1 João 2:16 menciona três tipos de pecados no mundo: a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida.
P: Em Gênesis 3:8, visto que Deus está em toda parte (Salmo 139), como Adão poderia estar longe da presença de Deus?
R: O fato de a presença de Deus estar em toda parte não impede que Ele tenha uma presença direta e localizada para se relacionar conosco. Conforme mencionado na obra *When Critics Ask*, p. 36, há muitos outros exemplos de Deus se manifestando em determinados lugares por meio de diferentes coisas. Entre eles estão os três visitantes de Abrão (Gênesis 18:1-33), a sarça ardente (Êxodo 3:2-22), uma nuvem densa (Êxodo 19:9), no Monte Sinai (Êxodo 19:11-12), sobre a Arca da Aliança (1 Reis 8:11-13), ao deixar o templo (Ezequiel 10:3-18) e a vinda de Jesus à Terra.
P: Em Gênesis 3:8, visto que Deus está em toda parte, como Adão e Eva puderam ouvir Deus caminhando no jardim?
R: Deus está em toda parte e pode fazer qualquer coisa; “qualquer coisa” inclui também ter uma presença localizada. Isso poderia ser Deus na Trindade, mas os primeiros cristãos, como Teófilo de Antioquia (168-181/188 d.C.), em sua “Carta a Autólico”, livro 2, capítulo 22, p. 103, afirmam que se tratava de Jesus Cristo. Os teólogos chamam as aparições de Cristo anteriores ao Seu nascimento virginal de “cristofanias”.
P: Em Gênesis 3:9,11, visto que Deus sabe tudo, por que Ele precisou perguntar onde Adão estava e o que ele havia feito?
R: Deus realmente sabe tudo. Assim como um pai ao lidar com os filhos, Deus às vezes faz perguntas cujas respostas Ele já conhece, a fim de dar às pessoas a oportunidade de se confessarem diante Dele.
Naquela época, Deus lhes fez quatro perguntas:
1. Onde você está?
2. Quem lhe disse isso (onde você aprendeu isso)?
3. Vocês comeram (desobedeceram)?
4. O que é isso que vocês fizeram?
As perguntas de Deus os conduziram gentilmente ao arrependimento. Deus os perdoou de coração, mas eles ainda assim sofreram as consequências e não recuperaram o dom da árvore da vida.
Hoje, Deus faz as mesmas quatro perguntas às pessoas!
1. Onde você está? As pessoas que vivem no pecado muitas vezes não sabem onde estão, embora tanto Deus quanto as pessoas ao seu redor possam ver como estão tornando sua própria vida miserável. “Pois também nós, outrora, éramos insensatos, desobedientes, extraviados, escravos de várias paixões e desejos, levando uma vida marcada pelo mal e pela inveja, cheios de ódio e odiando uns aos outros. Mas ‘quando se manifestou a bondade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor pela humanidade’ (Tito 3:3-4a NET).”
2. Quem lhe disse isso (onde o senhor aprendeu isso)? As pessoas hoje em dia costumam acreditar em muitas falsidades, em vez da verdade que vem de Deus. “Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com sua astúcia, suas mentes possam ser desviadas de uma devoção sincera e pura a Cristo. Pois, se alguém vier e proclamar outro Jesus diferente daquele que proclamamos, ou se vocês receberem um evangelho diferente daquele que aceitaram, vocês toleram isso muito bem!” (2 Coríntios 11:3-4 NET)
3. Vocês já comeram (desobedeceram)? Seja uma fonte de conhecimento proibido (e muitas vezes enganoso), sejam experiências proibidas, ou um coração voltado para coisas menores, o Espírito Santo está perguntando: “Vocês estão desobedecendo?”
4. O que o(a) senhor(a) fez? As tragédias autoinfligidas (tanto morais quanto físicas) geralmente não acontecem de repente, como um balão estourando, mas têm como fundamento o pecado acumulado ao longo do tempo, como um balão com um vazamento lento. Tiago 1:15 diz que, depois que o desejo concebe, ele dá à luz o pecado, e o pecado, quando maduro, leva à morte. Mesmo que uma pessoa culpada não tenha desculpa, ainda assim, olhe para trás e veja quais escolhas e atitudes do coração levaram a essa catástrofe.
Os primeiros escritores cristãos, da mesma forma, viam as perguntas de Deus como uma revelação de sua própria situação e um chamado ao arrependimento.
Teófilo (bispo de Antioquia, 168-181/188 d.C.), em sua Carta a Autólico, livro 2, cap. 26, p. 105, foi o primeiro a abordar essa questão. Ele disse: “E quanto ao chamado de Deus, ao dizer: ‘Onde estás, Adão? Deus fez isso, não como se ignorasse o fato; mas, sendo longânimo, concedeu-lhe uma oportunidade de arrependimento e confissão.”
Tertuliano, em sua obra Cinco Livros Contra Marcião (207/208 d.C.), responde a essa questão da seguinte maneira: “…Deus não estava incerto quanto à prática do pecado, nem ignorava o paradeiro de Adão. Certamente era apropriado convocar o infrator, que se escondia da consciência de seu pecado, e trazê-lo à presença de seu Senhor, não apenas chamando-o pelo nome, mas com um golpe certeiro contra o pecado que ele havia cometido naquele momento. Pois a pergunta não deve ser lida em um tom meramente interrogativo: ‘Onde estás, Adão?’, mas com uma voz imponente e sincera, e com um tom de imputação. “Ó Adão, onde estás?” — o que equivale a sugerir: “Tu não estás mais aqui, estás na perdição” — de modo que a voz é a expressão de Alguém que, ao mesmo tempo, repreende e se entristece.” (Cinco Livros Contra Marcião, livro 2, cap. 26, p. 317). Tertuliano também responde a essa pergunta (de forma mais sucinta) em Contra Praxeas (c. 213 d.C.), cap. 16, p. 612
Adamantio (c. 300 d.C.) afirma que Deus não perguntou a Adão “porque quis fazer uma indagação, mas sim para trazer algo à sua [de Adão] lembrança”. “Diálogo sobre a Verdadeira Fé”, primeira parte, estrofe 17, p. 61.
Atanásio (331 d.C.) também respondeu que Deus perguntou sabendo a resposta. Ele acrescenta ainda que, se alguém pensa que Deus ignora a resposta quando faz a pergunta, já faz parte dos maniqueístas. Ele diz: “Enoque, por exemplo, foi assim transladado”, em Quatro Discursos Contra os Arianos, Discurso 3, cap. 28.50, p. 421
P: Em Gênesis 3:14-15, o Senhor Deus amaldiçoou a serpente para que “comesse pó todos os dias de sua vida”. Tenho dificuldade em conciliar isso com as evidências zoológicas de que as cobras são carnívoras e se alimentam de sapos, pássaros etc. Não estou tentando dizer que Deus está errado; acredito que Ele seja infalível, mas o senhor poderia explicar o que esse versículo realmente significa? Trata-se de uma metáfora?
R: Vamos examinar primeiro as cobras e, em seguida, a metáfora. Ao contrário dos vermes, as cobras são carnívoras e não obtêm sua nutrição comendo poeira. Mas, para a maioria das cobras, elas rastejam pelo chão; sua comida é apenas o que cai na poeira, e elas não conseguem evitar ingerir um pouco de terra junto com a comida. Não apenas sua alimentação, mas toda a vida da cobra é humilde, cercada pelo que é sujo e insignificante. O substantivo hebraico aqui, nacash, é uma palavra comum para cobra, derivada do verbo que significa sibilar ou sussurrar. Possui conotações de magia sussurrada. Assim, a palavra enfatiza o sussurro da cobra, e o Gênesis enfatiza o pó; portanto, a imagem aqui é: “uma vez sussurrador de terra, por todos os seus dias sussurrador de terra”.
A Nova Bíblia de Estudo de Genebra, p. 13, afirma que o pó pode significar “humilhação abjeta”. A Bíblia de Estudo NIV, p. 10, afirma que o pó também poderia ser o símbolo da morte.
Ora, a serpente que tentou Adão e Eva não era uma cobra comum; era o próprio Satanás. Há duas opções: ou Satanás apareceu na forma de uma cobra, ou utilizou o corpo de uma cobra já existente. Embora Gênesis 3:14-15 possa se referir a todas as cobras, ou a um anfíbio/lagarto/cobra e todos os seus descendentes, também poderia se referir a Satanás estando, de alguma forma, preso àquela aparência física, uma vez que ele a utilizou naquela ocasião.
A ênfase mais importante em Gênesis 3:14-15 é o julgamento contra Satanás. Assim como a cobra rasteja de maneira baixa e desonrosa, alimentando-se apenas do que é sujo, Satanás, que escolheu assumir a forma de uma cobra, da mesma forma nunca escapará de rastejar no pó, tendo perdido sua antiga posição elevada no céu.
As pessoas que virem a cobra rastejando e comendo poeira poderão ter isso como um lembrete da queda.
Durante o período do Milênio, em Isaías 65:25, o lobo, o cordeiro e outros animais serão transformados e abençoados, mas a serpente continuará a “comer poeira”. Embora ninguém cause dano e não haja carnívoros no monte santo de Deus, a serpente continuará a “comer poeira”. Apocalipse 20:1-10 nos diz que os crentes reinarão com Cristo na Terra por 1.000 anos, mas, ao final desses 1.000 anos, Satanás ainda sairá e “sussurrará”, incitando as nações contra Deus.
P: Gênesis 3:15 significa que a Virgem Maria seria imaculada, como afirmam alguns católicos?
R: Não, por duas razões.
Amenção aqui é dirigida a Eva, não a Maria. É claro que Eva não era imaculada, mas não há problema algum, pois este versículo nunca afirmou que ela fosse imaculada.
A semente, ou seja, Jesus, é o foco deste versículo. Nada aqui, nem em qualquer outra parte da Bíblia, afirma que a mãe de Jesus seria imaculada. Além disso, não existe nenhum registro nas quase 4.200 páginas de escritos cristãos pré-nicenos preservados que afirme que Maria fosse imaculada.
P: Em Gênesis 3:15, quem exatamente são os descendentes de Satanás?
R: Em João 8:41,44, Jesus indica que são aqueles que rejeitam Jesus.
P: Em Gênesis 3:15, 23-24, o que há de irônico nas palavras utilizadas aqui?
R: Trata-se de um jogo de palavras. Adão foi colocado no jardim para adorar (le’obdah) e obedecer (lesomrah), mas, após a queda, passaria a trabalhar (la’abod) e seria impedido (lismor) de acessar a árvore da vida.
Às vezes, as mesmas circunstâncias podem ser uma bênção para nós ou uma maldição, dependendo de nossa obediência a Deus.
P: Gênesis 3:16 deveria ser traduzido como “Uma armadilha aumentou sua dor e seus suspiros” ou da forma tradicional “Eu multiplicarei grandemente”?
R: As consoantes hebraicas são quase as mesmas em ambos os casos. As vogais são muito diferentes, mas os sinais vocálicos só foram adicionados muitos anos após Cristo. A única diferença nas consoantes é que faltam duas consoantes na tradução tradicional. Ou as consoantes ausentes foram um erro tipográfico, ou então a outra tradução está correta.
Se a outra tradução (“armadilha”) estiver correta, então Satanás seria a armadilha. De qualquer forma, ter filhos não é algo maligno, e isso fazia originalmente parte da vontade de Deus para eles (Gênesis 1:28), e a Queda não alterou isso.
P: Gênesis 3:16 deve ser interpretado no sentido de que a mulher foi amaldiçoada com um desejo [sexual] avassalador por seu marido? Ou a palavra deveria ser “desviar/controlar” em vez de “desejo”?
R: Embora a palavra em si possa significar ambas as coisas, o contexto indica “virar”, “controlar” ou “dominar”. Das 120 vezes em que as palavras em inglês “desire”/“desiring”/“desirous” são usadas no Antigo Testamento, essa palavra hebraica específica para “desejo”, teshuqah (Strong 8669), é usada apenas três vezes: Gênesis 3:16; Gênesis 4:7 e Cântico dos Cânticos 7:10. O Cântico de Salomão expressa o desejo de alguém por sua amada, e em Gênesis 4:7 Deus adverte Caim de que o pecado deseja apoderar-se dele.
De acordo com Walter Kaiser, os escritores da Igreja Primitiva — Clemente de Roma (96-98 d.C.), Irineu (182-188 d.C.), Tertuliano (198-220 d.C.), Orígenes (225-254 d.C.), Epifânio, Jerônimo e Filo, o Judeu, interpretaram essa passagem como “desviar-se”, e não estavam familiarizados com a interpretação de “desejo”. Assim, a passagem significa que as mulheres se afastariam da confiança em Deus e passariam a confiar em seus maridos. Kaiser menciona que Katherine C. Bushnell descobriu que o primeiro uso da palavra “desejo” nesta passagem foi feito por um monge dominicano italiano chamado Pagnino. Embora a Bíblia de Wycliffe tenha sido traduzida antes disso, infelizmente, todas as outras Bíblias em inglês, desde a versão de Coverdale até a King James, passaram a traduzir isso como “desejo”.
Cinco razões indicam que o significado é “virar-se”, “controlar” ou “dominar”, em oposição ao desejo sexual
1. Simetria entre “desejo por seu marido” e “ele dominará sobre você”.
2. A proximidade do mesmo significado em Gênesis 4:7
3. Se significasse desejo sexual, por que não há menção ao desejo dos homens pelas mulheres também?
4. Novo Testamento: as esposas se submetendo aos maridos e os maridos amando suas esposas como Cristo amou a igreja, em Efésios 5:22-33. 1 Timóteo 2:11-14 fala até mesmo sobre as mulheres não ensinarem nem exercerem autoridade sobre os homens, devido ao fato de Eva ter sido a que foi enganada.
5. Malfeitos na história: os homens também costumavam dominar as mulheres de maneiras exploradoras e impróprias. Quando um imperador sumério ou chinês morria, suas esposas às vezes eram mortas junto com ele. Antes da chegada dos britânicos, quando um homem hindu morria, sua esposa geralmente era queimada viva em seu funeral (prática chamada de suttee). Os gregos não consideravam as mulheres muito superiores aos árabes e muçulmanos: quando alguém recebe uma mulher, uma serva ou gado, deve segurar sua testa e orar a Alá. Ibn-i-Majah, vol. 3, n.º 1918, p. 157. De acordo com a Sharia (lei) muçulmana, o testemunho de uma mulher vale metade do de um homem, “devido à deficiência da mente da mulher”. (Bukhari, vol. 3, livro 48, cap. 12, n.º 826, p. 502)
P: Em Gênesis 3:16, a mulher teria grande dor ao dar à luz, ou ter filhos era uma bênção, como diz Gênesis 1:28?
R: Ambas as afirmações são verdadeiras. Há três pontos a serem considerados na resposta.
Antes da Queda de Adão e Eva, ter filhos teria sido uma bênção, sem dor física ou emocional.
Após a Queda, Gênesis 3:16 afirma que haveria dor física. Além disso, haveria a dor que os filhos trariam por causa de seus pecados. O livro *735 Perguntas Bíblicas Desconcertantes Respondidas*, p. 25, afirma que é mais provável que a dor se refira a todo o processo de criar os filhos até a idade adulta. A dor que Eva sentiu ao dar à luz Caim e Abel deve ter sido pequena em comparação com a dor de descobrir que Caim assassinou Abel.
Como observação adicional, os animais geralmente não sentem tanta dor ao dar à luz devido ao tamanho da cabeça do filhote em relação à pelve da mãe.
No entanto, a bênção não é totalmente anulada. Os filhos continuam sendo uma bênção do Senhor (Salmo 127:3-5).
P: Em Gênesis 3:16, por que tudo foi atribuído a Eva? (Um muçulmano afirmou isso.)
R: Nem tudo foi atribuído a Eva. Embora Eva tenha comido primeiro e tenha sido punida, Adão também foi punido. Ele teve que trabalhar arduamente para obter o que antes vinha com facilidade.
Na teologia bíblica, não há qualquer indício de que Eva tenha se tornado “mais estúpida”. No entanto, já que o muçulmano levantou essa questão, o teólogo e historiador muçulmano al-Tabari afirmou que Eva era originalmente inteligente, mas que Alá a tornou (mas não a Adão) estúpida após a queda de Adão e Eva. al-Tabari, vol. 1, p. 280, 281. Além disso, Maomé afirmou nos hadiths que a urina de um bebê do sexo masculino é mais limpa do que a de uma menina. Ibn-i-Majah, vol. 1, n.º 522, 525, 526, p. 284, 285, 286. A razão é a seguinte: “Ele (o Profeta) disse: ‘Em verdade, Alá, o Exaltado, criou Adão, e Eva (Hawwa’) foi criada a partir de uma de suas pequenas costelas. Assim, a urina de um menino passou a ser de água e argila, e a urina de uma menina passou a ser de carne e sangue.’” Observe que isso não se deve a nada relacionado à Queda, mas à própria criação de Eva.
P: Em Gênesis 3:20, considerando as diferenças entre as pessoas, como todas as raças poderiam ter vindo de Adão e Eva?
R: Gênesis 3:20 afirma que Eva seria a mãe de todos os viventes. Altura, cabelo e cor da pele são pequenas diferenças, não apenas entre as pessoas, mas também entre cães, gatos e cavalos. Geneticamente, todas as pessoas são muito semelhantes. Um estudo genético com 67 raças de cães, publicado na edição de junho de 1997 da revista *Science*, indica que os cães também tinham uma origem comum.
Outros versículos que confirmam que todos descendem de Adão e Eva são Mateus 19:4-5; Romanos 5:12-19; e 1 Timóteo 2:13-14.
P: Em Gênesis 3:20, se Adão e Eva não tivessem pecado, eles ainda teriam tido filhos? (minha esposa fez essa pergunta)
R: Sim. Não sabemos a idade física de Adão e Eva quando pecaram; eles poderiam ter sido crianças, adolescentes ou adultos. O fato de não terem tido filhos antes da Queda não significa que Deus os tenha criado incapazes de ter filhos, a menos que pecassem.
Duas passagens bíblicas diferentes comprovam que eles poderiam ter tido filhos, independentemente da Queda.
Em Gênesis 1:28, antes da Queda, Deus ordenou que fossem fecundos e se multiplicassem. A menos que Deus estivesse se referindo à matemática, Ele ordenou que tivessem filhos.
Em Gênesis 3:16, Eva foi amaldiçoada com dor redobrada no parto. Ela foi amaldiçoada com dor ou sofrimento redobrado no parto, não com o próprio ato de dar à luz.
P: Em Gênesis 3:21, por que Deus vestiu Adão e Eva com peles de animais?
R: As Escrituras não dizem explicitamente, mas podemos ver esse primeiro sacrifício de animais como um símbolo de que Deus usaria o sacrifício de um ser vivo como cobertura para o nosso pecado.
P: Em Gênesis 3:21, por que Deus “precisou” do pó da terra para criar Adão e de uma costela para criar Eva?
R: A Bíblia diz que Deus escolheu usar esses materiais, mas nunca afirmou que Deus fosse obrigado a usar pó e células de uma costela. Deus pode usar o que quiser.
P: Em Gênesis 3:22, por que Deus impediu que Adão e Eva continuassem a comer da árvore da vida?
R: Há três aspectos a serem considerados aqui.
Disciplina: Isso serviria para mostrar a Adão e Eva — e a nós — a gravidade de desobedecer a Deus.
Punição judicial: Deus lhes prometeu que, no dia em que comessem do fruto proibido, morreriam. Eles morreram espiritualmente naquele dia, e o acesso à árvore da vida lhes foi retirado para que morressem fisicamente.
Misericórdia e bênção: Se eles ainda pudessem comer da árvore da vida, carregariam para sempre a culpa e a maldição de seu pecado. Portanto, permitir que morressem e que tudo recomeçasse, culminando na vinda de Cristo e na salvação para todos, foi um ato de misericórdia. Novaciano abordou isso em seu Tratado sobre a Trindade, cap. 1, p. 612.
P: Em Gênesis 4:3-6, por que Deus rejeitou a oferta de Caim?
R: Embora talvez Abel tenha trazido o que tinha de melhor e Caim não, não há indicação disso em Gênesis.
Hebreus 11:4 afirma que Abel ofereceu com fé. Além de Caim ter demonstrado má atitude (como mostraram suas ações subsequentes), também pode ser que Deus desejasse ofertas de sangue, e não vegetais, como um prenúncio da morte de Cristo.
Isso pode representar um contraste entre a adoração genuína de Abel e a adoração formalista de Caim. As ofertas de Abel das “partes gordas” do “primogênito” eram as partes mais selecionadas do primogênito. Caim limitou-se a trazer “algumas” hortaliças, não os primeiros frutos.
P: Em Gênesis 4:7, o pronome deveria ser traduzido como “isso”, referindo-se à tentação de pecar, ou como “ele”, referindo-se a Abel?
R: Acredito que deva ser “isso”. A palavra hebraica está na terceira pessoa do singular, o que, por si só, pode significar “ele”, “ela” ou “isso”. Quanto a saber se significa “ele” ou “isso”, é preciso examinar o contexto.
Se significasse “ele” (ou seja, Abel), este seria o único trecho em que se diria que o irmão mais velho teria, potencialmente, “domínio” sobre o irmão mais novo. Nos tempos do Antigo Testamento, o primogênito normalmente recebia uma porção dupla, mas isso não significa domínio. Na verdade, se significasse “ele”, poderia-se argumentar que ou Deus ordenou a Caim que matasse (tivesse domínio?) sobre seu irmão, ou então que Caim, ao fazer o oposto do que Deus aconselhou, exercia domínio sobre Abel.
Se significasse “isso”, então Deus estaria falando com Caim sobre resistir ao que está à espreita (como um animal) à porta, ou seja, à tentação de pecar. Só ouvi essa interpretação, nunca a outra.
Fiquei curioso para saber o que os Padres da Igreja pré-nicena ensinavam sobre esse versículo. O único escritor pré-niceno a abordar esse assunto foi Irineu (182-188 d.C.) em *Contra as Heresias*, livro 3, cap. 23.4, p. 456, e livro 4, cap. 18.3, p. 485. Irineu, um escritor grego, aparentemente utilizou a Septuaginta. Embora tenha discutido Gênesis 4:7 sem citá-lo, sua discussão mostra que ele obviamente o interpretou como “ele”. A visão de Irineu é de que Caim não queria dividir as coisas de forma equitativa com seu irmão, mas desejava dominá-lo.
Minha opinião é que se trata de “isso”, pois Deus está dizendo a Caim que ele deve ter domínio sobre “isso/ele”. Irineu interpretou completamente de forma equivocada o sentido do versículo aqui. Caim deve ter domínio sobre a tentação de pecar, não sobre Abel.
P: Em Gênesis 4:10, como o sangue de Abel poderia clamar?
R: Trata-se de uma metáfora da injustiça cometida contra Abel e da culpa de Caim. Interpretar a Bíblia literalmente significa lê-la conforme a intenção dos autores. Não reconhecer metáforas e alegorias na Bíblia é chamado de interpretação hiperliteral. Consulte a Introdução para uma discussão mais aprofundada sobre a interpretação hiperliteral versus a interpretação da Bíblia conforme a intenção original e conforme Jesus a interpretou.
P: Em Gênesis 4:12, por que Caim não foi executado por homicídio? (minha esposa me perguntou isso)
R: A pena capital foi ordenada no Antigo Testamento, não apenas nos Dez Mandamentos, mas logo após o dilúvio, em Gênesis 9:5-6, e em Deuteronômio 13:10,11. No entanto, todas essas passagens são posteriores à época de Caim e Abel. Além disso, Deus conhece todas as circunstâncias, e o próprio Deus não está sujeito às leis que estabeleceu para nós.
Na época, Caim não havia sido informado de nenhuma lei que determinasse a execução por homicídio, e Deus lidou com ele expulsando-o da terra.
P: Em Gênesis 4:12, a profecia provou não ter se cumprido, uma vez que Caim construiu uma cidade em Gênesis 4:17?
R: Não, esta não é uma profecia comprovadamente não cumprida por duas razões.
Física: Gênesis 4:12 simplesmente diz que Caim seria um errante inquieto; não especifica quando ele erraria, por quanto tempo seria um errante, nem se seria sempre um errante. Sabemos pouco sobre a vida de Caim depois disso. Gênesis 4:17 diz que Caim estava construindo uma cidade e deu a ela o nome de seu filho Enoque. Talvez Caim estivesse tentando construir uma cidade em desafio à profecia de Deus e, depois disso, tenha sido expulso e tenha vagado.
Espiritual: Caim era considerado da linhagem “amaldiçoada”, e não há evidências de que ele tenha voltado a seguir a Deus. Portanto, essa profecia pode ter se referido tanto à condição espiritual de Caim quanto à sua condição física.
P: Em Gênesis 4:13, por que Caim achou que qualquer pessoa que o encontrasse iria querer matá-lo?
R: É muito interessante que a Bíblia nunca mencione que Deus ou alguém tenha dito isso a Caim. Para muitos erros morais, incluindo o assassinato, as pessoas têm uma consciência interior que lhes diz que isso é errado. Caim talvez tenha raciocinado que, se matasse um semelhante, que foi criado à imagem de Deus, seria justo que ele próprio fosse morto em retaliação. Em Gênesis 4:15, Deus pareceu confirmar esse raciocínio, e é por isso que Deus tomou um cuidado especial, colocando uma marca em Caim, para que os outros soubessem que não deveriam fazer isso.
P: Em Gênesis 4:13-16, qual foi a marca que Deus colocou em Caim?
R: As Escrituras não dizem, exceto que era algo que os outros reconheceriam. No entanto, isso não fazia parte da maldição de Caim. Pelo contrário, foi uma graça de Deus ao dar a Caim uma marca para que os outros soubessem que não deveriam matá-lo.
P: Em Gênesis 4:13, havia mais alguém na Terra além de Adão, Eva e Caim?
R: Isso se refere não apenas a possíveis filhas das quais Caim escolheu sua esposa, mas também a pessoas nascidas após o assassinato. Embora todas as pessoas tenham descendido de Adão e Eva (Gênesis 3:20; Atos 17:26; Romanos 5:14-15), Adão e Eva tiveram outros filhos e filhas, conforme Gênesis 5:4.
P: Em Gênesis 4:16-22, de onde os filhos de Adão e Eva conseguiram suas esposas? O incesto não é proibido?
R: Gênesis 5:4 afirma que Adão e Eva tiveram outros filhos e filhas. O incesto não era proibido naquela época: se nossos genes fossem livres de defeitos genéticos, o incesto não manifestaria nenhuma das mais de 2.000 doenças genéticas humanas que se manifestam hoje.
Como nota histórica, Agostinho de Hipona respondeu a essa questão basicamente da mesma forma em *A Cidade de Deus*, livro 15, capítulo 16, p. 297 (413-426 d.C.).
P: Em Gênesis 4:16-17, como Caim conseguiu sua esposa na terra de Nod?
R: Há dois pontos a serem considerados na resposta.
1. Mesmo supondo que Caim tenha realmente encontrado sua esposa na terra de Nod, ela ainda seria descendente de Adão e Eva, uma vez que todas as pessoas descendem de Adão (Atos 17:26) e Eva foi a mãe de todos os viventes (Gênesis 3:20).
2. A Bíblia nunca afirmou que Caim conheceu sua esposa em Nod. É bem possível que Caim já fosse casado e que sua esposa tenha viajado com ele até Nod.
P: Em Gênesis 4:17-24, trata-se da genealogia de Adão, ou Gênesis 4:25-32 é a genealogia de Adão? (Um liberal levantou essa questão como um duplo registro, indicando autoria múltipla do Gênesis)
R: Gênesis 4:17-24 é a genealogia de Caim, sem nenhuma menção a Sete. Imediatamente a seguir, Gênesis 4:25-5:32 apresenta a genealogia de Sete, sem nenhuma menção a Caim. Não há sobreposição nem duplicação aqui.
Caso isso não esteja claro, o senhor pode examinar um segundo exemplo. 1 Crônicas 5:1-10 apresenta a genealogia de Rubem, um dos filhos de Jacó. Imediatamente a seguir, 1 Crônicas 5:11-22 apresenta a genealogia de Gade, outro filho de Jacó.
P: Em Gênesis 4:22, como os metais poderiam ter sido utilizados tão cedo?
R: Foram encontrados vestígios de bronze na Tailândia - 4.500 a.C., na antiga Iugoslávia - 4.000 a.C., na Grécia - 3.000 a.C. e na Anatólia - antes de 3.000 a.C. Os egípcios utilizavam ferro proveniente de meteoritos para confeccionar ornamentos e punhais antes de 3.000 a.C. Além disso, na cidade de Eshnunna, próxima à Babilônia, arqueólogos encontraram uma lâmina de ferro datada de 2.700 a.C.
P: Em Gênesis 4:22, o nome “Tubal-Caim” está relacionado à região de “Tubal”, na Turquia moderna, como afirma o Guia de Asimov para a Bíblia, p. 33?
R: Embora não seja possível provar nem uma coisa nem outra, provavelmente não há relação. Tubal também era o nome de um filho de Jafé, e o povo de Tubal provavelmente estava relacionado a ele. O povo de “Tubal” foi mencionado em registros assírios durante o reinado de Salmanasar III (859-824 a.C.) e de Sargão, por volta de 732 a.C.
P: Em Gênesis 4:23-24, por que o homem feriu Lameque?
R: Três especulações sobre o homem são:
Um justiceiro achava que estava fazendo o que era certo ao tentar matar os descendentes de Caim. No entanto, Deus deixou claro, em Gênesis 4:15, que ninguém deveria se vingar de Caim; portanto, fica implícito que também não se deveria se vingar de seus filhos.
Uma desculpa para um ladrão que tentava roubar os bens de Lameque era o fato de ele ser descendente de Caim.
Não era relevante de quem Laméque era descendente; o homem estava simplesmente tentando roubar e/ou matar Laméque.
No entanto, as Escrituras não atribuem importância ao motivo pelo qual esse homem em particular estava tentando ferir Lameque. O objetivo de Gênesis 4:23-24 era demonstrar que, após o primeiro homicídio, Caim e seus descendentes viviam em hostilidade para com os outros.
P: Em Gênesis 4:23-24, qual era a ascendência do homem que feriu Lameque, e quando Set nasceu?
R: As Escrituras não dizem, portanto, há três possibilidades igualmente prováveis.
Abel teve filhos antes de ser assassinado.
Sete era seu antepassado. Nada indica que Gênesis 4:23-24 tenha ocorrido cronologicamente antes de Gênesis 4:25-26.
Caim era o antepassado do jovem.
P: Em Gênesis 5:1-32, os anos poderiam ser, na verdade, meses?
R: Não. Se fossem, então Enoque teria apenas 65 meses (6,5 anos) quando se tornou pai de Matusalém! Consulte o livro “1001 Perguntas Bíblicas Respondidas”, p. 323, para obter essencialmente a mesma resposta.
P: Em Gênesis 5:1-32, o Livro de Gênesis pressupõe que todos falavam hebraico antes de Abraão?
R: Não, muito pelo contrário. Gênesis 11, ao narrar a história da Torre de Babel, afirma que, após o dilúvio, diferentes povos passaram a falar línguas mutuamente ininteligíveis. Antes da Torre de Babel, não há indícios de que o hebraico fosse a língua falada pelas pessoas. O próprio Abraão provavelmente não falava hebraico. Ele era natural de Ur, uma cidade suméria. O sumério era semelhante ao hebraico, uma vez que o hebraico derivou do sumério com forte influência dos arameus.
Linguistas seculares acreditam que a maioria das línguas ocidentais, incluindo o sânscrito na Índia, teve uma origem comum por volta de 4.000 a.C.
P: Em Gênesis 5:3-29, o que significam todos esses nomes em hebraico?
R: Aqui estão os significados, com base na etimologia (origens das palavras) extraída da Concordância de Strong e, em alguns casos, no significado indicado pelo próprio Gênesis.
Adão - homem. A Concordância de Strong afirma que significa “ruivo” ou “homem”. Gênesis 2:23 indica que Adão = homem.
Sete - colocado/designado/substituído. Gênesis 4:25 diz que Eva o chamou de Sete porque Deus designou outro no lugar de Abel.
Enos - mortal. A Bíblia de Estudo NIV, p. 13, afirma que o nome, assim como “Adão”, significa “homem”.
Cainã/Kenã - fixo (como um ninho ou moradia)
Maalalel - Louvor a Deus, Louve a Deus.
Jared - descendência
Enoque - Iniciado, dedicado, instruído
Matusalém - homem do dardo
Lameque - de uma raiz não utilizada de significado incerto
Noé - quer “descanso”, quer “conforto”
Irad - fugitivo
Cão - quente
Sem - nome?
Jafé - expansão. Segundo os gregos pré-cristãos, Japeto era seu ancestral.
Uma lição que podemos aprender com Japetos é que a etimologia ou o significado por trás de cada nome não é necessariamente relevante.
Um segundo ponto que podemos aprender com Sete e Noé é que o significado por trás de alguns nomes é significativo.
P: Em Gênesis 5:21-27, há alguma razão para que Matusalém tenha sido o ser humano mais velho da Bíblia?
R: Talvez. O dilúvio ocorreu no ano em que Matusalém faleceu. Talvez isso tenha sido um sinal da misericórdia de Deus ao adiar o dilúvio, concedendo-lhe uma vida longa.
P: Em Gênesis 5:24, por que Deus levou Enoque, um homem piedoso?
R: Talvez pela mesma razão pela qual levamos lindas flores para dentro de nossa casa. Enoque não necessariamente morreu; Deus simplesmente o levou consigo para o céu, da mesma forma que fez com Elias em 2 Reis 2:11-12. Outra ilustração seria que, como bons amigos, Enoque e Deus saíram para passear; já estava ficando tarde, e Deus disse: “Já que você está mais perto da minha casa do que da sua, por que não vem até a minha casa agora?”. No entanto, Deus faz com que a maioria de Seus servos morra para ir para o céu. Isso não é indiferença cruel, mas o Salmo 116:15 diz: “Preciosa aos olhos de Jeová é a morte de Seus santos.” (Tradução Literal de Green)
P: Em Gênesis 6, por que há semelhanças entre o dilúvio de Noé e outros relatos?
R: Elas deveriam ser semelhantes se registrassem um evento comum. O relato babilônico é semelhante nos detalhes, mas muito diferente nas razões apresentadas. De acordo com esse relato, os deuses destruíram a humanidade porque os homens faziam muito barulho, mas depois se arrependeram disso e se reuniram famintos em torno dos sacrifícios de “Noé”.
Uma curiosidade é que a Bíblia afirma que os três filhos de Noé eram Cam, Sem e Jafé. Os Institutos Arianos de Manu afirmam que Satyaurata sobreviveu ao dilúvio com três filhos: Jyapeta, Sharma e C’harma. O escritor grego Aristófanes registra a tradição grega de que Japetos (Iepetus, o Titã) era o ancestral dos gregos. Tudo isso constitui evidência corroborativa de um evento comum.
P: Gênesis 6:3 significa que o Espírito de Deus pode deixar alguém e nunca mais voltar?
R: Não. Gênesis 6:3 afirma que o espírito concedido por Deus deixará o corpo físico de uma pessoa após 120 anos.
P: Gênesis 6:3 significa que a expectativa de vida do homem passaria a ser de apenas 120 anos, ou que haveria 120 anos de graça antes do dilúvio?
R: Pode ser de ambas as formas, pois não há evidências contra nenhuma das visões. Qualquer uma delas poderia estar correta, de acordo com a Bíblia de Estudo NIV, p. 14, e o Novo Comentário Bíblico Internacional, p. 120. O Comentário Bíblico do Expositor, vol. 2, p. 77, defende que se trata da expectativa de vida do homem. Ele afirma que a visão de que se tratava do tempo até o dilúvio foi ensinada por Lutero, Calvino e pela Bíblia de Scofield. A “New Geneva Study Bible”, p. 18, menciona ambas as visões, mas defende que se trata dos anos até o dilúvio.
P: Em Gênesis 6:3, Deus estabeleceu nossa expectativa de vida em 120 anos, ou apenas 70 a 80 anos, como diz o Salmo 90:19?
R: Algumas coisas são difíceis de compreender até que se perceba que Deus é livre para estabelecer regras diferentes em momentos diferentes. A expectativa de vida média das pessoas mudou. Deus estabeleceu a expectativa de vida média em 120 anos pouco antes do dilúvio. Muito mais tarde, o Salmo 90:10 mostra que ela foi reduzida. Diz-se que o homem vive até os 70 anos, e até os 80, se tiver forças. Um gráfico das expectativas de vida apresentadas em Gênesis apresenta uma curva exponencial descendente.
Os cientistas não têm certeza de todos os mecanismos do envelhecimento: os micróbios não envelhecem. Embora a desmetilação do DNA possa ser um mecanismo, o mecanismo dominante parece ser o encurtamento das cadeias de DNA. Sempre que o DNA de uma célula animal se divide, algumas das extremidades são encurtadas. Atualmente, há material estranho nessas extremidades, e os micróbios possuem uma enzima, a telomerase, que restaura essas extremidades. No entanto, a telomerase não parece restaurar as extremidades do DNA em animais.
P: Em Gênesis 6:3, como isso se concilia com a afirmação dos paleontólogos de que as pessoas antigas tinham vidas mais curtas?
R: Há algumas falhas nessa afirmação específica do cientificismo que se faz passar por ciência.
1. Observe que eles nunca mencionam a base sobre a qual afirmam que as pessoas tinham expectativas de vida mais curtas.
2. Eles não apresentam nenhuma evidência de que possuam uma amostra estatisticamente válida e imparcial. Por exemplo, um hipotético paleontólogo do futuro, daqui a séculos, poderia desenterrar os resíduos de algumas clínicas de aborto e “provar” que nossa expectativa de vida média era inferior a um ano. Essa “prova” também seria estatisticamente tendenciosa.
3. As estimativas de expectativa de vida devem indicar se incluem ou excluem a mortalidade infantil. Por exemplo, na década de 1970, a expectativa de vida em muitos países da África Central era inferior a 30 anos. No entanto, se você fosse ao país, ainda veria muitas pessoas idosas. Se houvesse um país hipotético, onde todas as crianças pequenas vivessem até os 60 anos, mas dois terços de todos os bebês morressem, a expectativa de vida média seria de apenas 20 anos.
P: Em Gênesis 6:3, uma vez que Deus nunca poderia se tornar carne, como Jesus poderia ter vindo à Terra? (Essa pergunta foi feita por um ateu)
R: Gênesis 6:3 não diz nada disso. Diz simplesmente que os homens são, de fato, carne. Ora, é verdade que Deus é Espírito, e que Jesus se esvaziou a si mesmo para vir à Terra na carne, mas o próprio Gênesis 6:3 não confirma nem nega nada a respeito de Deus vir na carne.
P: Em Gênesis 6:2, 4-5, quem eram os Nefilim ou “Filhos de Deus”?
R: Nefilim significa “filhos de Deus” e aqui estão algumas teorias sobre por que as pessoas os chamavam assim.
A linhagem piedosa de Sete, ou crentes que pecaram ao se casarem com incrédulos descendentes de Caim. Essa visão remonta a Júlio Africano, que escreveu entre 232 e 245 d.C., em “Pais Ante-Nicenos”, volume 6, fragmento 2, p. 131.
“Reis poderosos” é a interpretação do Targum aramaico.
Outra raça, como os neandertais, os denisovanos ou, possivelmente, o Homo erectus.
Tecnologicamente avançados: um cético acredita que os israelitas os chamavam de gigantes devido às suas muralhas altas e às armas tecnologicamente avançadas.
Filhos de mulheres e homens possuídos por demônios.
A crença de que alguns seres demoníacos podiam cruzar-se era compartilhada pelos judeus Filo, Josefo (<100 d.C.) e pelo autor de 1 Enoque (capítulo 6). Entre os cristãos que ensinavam isso estavam a Segunda Apologia de Justino Mártir, cap. 5, p. 190; Sobre o Véu das Virgens, de Tertuliano, cap. 7, p. 32 (198-220 d.C.), As Instruções de Comodiano (c. 240 d.C.), cap. 3, p. 203, e Ambrósio de Milão (c. 378 d.C.). Agostinho de Hipona, em *A Cidade de Deus* (413-426 d.C.), livro 15, cap. 23, p. 303-304, reconhece que os primeiros cristãos defendiam essa visão, mas ressalta que Gênesis 6:3 contraria essa visão, pois Deus afirma que Seu Espírito não contenderá com o homem para sempre, o que não faria sentido se fossem apenas demônios a fazer essas coisas.
Talvez essa tenha sido uma tentativa de Satanás de alterar nosso patrimônio genético. No entanto, se os demônios pudessem cruzar-se com os humanos, como Jesus poderia expiar parcialmente por seres que eram metade humanos, metade demônios?
P: Em Gênesis 6:6, como Deus se arrepende?
R: A palavra também pode ser traduzida como “entristeceu-se”. Deus expressa Suas emoções à medida que os eventos ocorrem. Jeremias 15:8 aborda isso em detalhes. Consulte também a discussão sobre Gênesis 20:3,6 para obter mais informações.
P: Em Gênesis 6:9, de que forma Noé era perfeito em sua geração?
R: Não há indicação de que “perfeito”, neste contexto, signifique perfeição sem pecado. Em vez disso, a palavra hebraica significa “conformidade com o padrão”, e a ideia original pode muito bem ter sido a de ser reto. A mesma palavra, com marcações vocálicas diferentes, é usada em Levítico 19:15 para julgar o próximo com justiça.
P: Em Gênesis 6:12, uma vez que todos haviam corrompido seus caminhos, como Noé poderia ser irrepreensível em Gênesis 6:9 e Gênesis 7:1?
R: O contexto mostra claramente que “todos” significa com exceção de Noé e sua família. Observe que Lameque, pai de Noé, também morreu no ano do dilúvio.
P: Em Gênesis 6:13 e 7:1, como Noé sabia que Deus estava falando com ele, já que nunca viu Deus?
R: Muitas vezes, pessoas que têm um relacionamento de longa data com Deus sabem quando Ele está falando com elas. Veja 1 Reis 19:11-13 para outro exemplo.
O único aviso que as pessoas tinham sobre o dilúvio era Noé, o homem que construiu uma arca no deserto. Da perspectiva de Noé, ele seria ou o maior herói ou o maior tolo que sua geração já tivesse visto. Ele não seria nada entre esses dois extremos. Essa é a natureza da grande fé em Deus. (Sermão de Bill Counts, 5/11/2005)
P: Em Gênesis 6:14, como Noé conseguiu construir uma arca tão grande?
R: Ele teve 100 anos para construí-la com seus três filhos e, possivelmente, alguns ajudantes contratados. A arca tinha cerca de 450 pés de comprimento, 75 pés de largura e 45 pés de altura. Sua área era de 101.250 pés quadrados. Isso equivale a 1.103 pés cúbicos por ano. Um compartimento de 10 pés por 15 pés por 6 2/3 pés tem 1.000 pés cúbicos. O navio Queen Elizabeth 2 tem 963 pés (294 m) de comprimento, 105,3 pés (32,09 m) de largura e 171,3 pés (52,5 m) de altura. Portanto, a arca era menor que o Queen Elizabeth 2, exceto pelo fato de que a arca não possuía uma quilha profunda.
P: Em Gênesis 6:14, qual era o comprimento de algumas outras embarcações antigas?
R: Na Antiguidade, foi encontrado na Grã-Bretanha um barco romano com 100 pés de comprimento; posteriormente, os navios vikings também eram longos, sendo o mais longo conhecido o navio de Roskilde, com 115 pés. Na era dos descobrimentos, os navios de linha podiam ter 200 pés de comprimento, e os clipperes posteriores tinham, normalmente, entre 150 e 250 pés de comprimento. O clipper mais longo, chamado Great Republic, tinha 302 pés de comprimento. Embora houvesse alguns clippers de metal na Europa, a maioria era de madeira, com reforços de metal na estrutura e na quilha interna.
É claro que não dispunham de 100 anos para construir esses barcos. Além disso, embora a maioria dos barcos seja construída em carvalho por ser uma madeira resistente, outras madeiras, como a teca, o ébano, o pau-preto brasileiro e o cocobolo (na América do Sul), são muito mais resistentes. A arca não foi construída em carvalho, mas em madeira de gopher. Não temos certeza do que seja a madeira de gopher; duas teorias apontam para uma madeira muito dura (talvez ainda existente hoje sob um nome diferente ou talvez extinta atualmente). Uma segunda teoria é que “madeira de gopher” era um método mecânico de prensar a madeira para endurecê-la, de modo que ela resistisse melhor. Por fim, o fato de ter sido construída com madeira de gopher não significa que não tivesse outras peças, como, por exemplo, pregos de metal, reforços etc. Gênesis 4:22 mostra que eles possuíam ferramentas de bronze e ferro (provavelmente meteorítico) muito antes de Noé.
P: Em Gênesis 6:14, como sabemos que um côvado equivale a 17,5 polegadas?
R: Quando o rei Ezequias mandou construir o túnel de Siloé, por volta de 700 a.C., seus trabalhadores o esculpiram de modo que tivesse 1.200 côvados de comprimento. Dividindo o comprimento em polegadas por 1.200 côvados, obtém-se cerca de 17,5 polegadas por côvado. É claro que um côvado na época de Moisés poderia ter sido um pouco maior ou menor. Isso tornaria a arca um pouco maior ou menor.
P: Em Gênesis 6:14, como a arca conseguiu sobreviver ao dilúvio de Noé?
R: Há pelo menos três razões.
A madeira de gofer pode ter sido uma espécie de madeira resistente, mas também pode ter sido madeira especialmente tratada. Madeira pesada é uma boa escolha, pois possui flexibilidade. Gênesis 4:22 mostra que já havia bronze e ferro antes de Noé.
O formato era ideal para águas turbulentas (1 por 1,67 por 10).
Deus poderia, é claro, também proteger a arca sobrenaturalmente, conforme necessário.
P: Em Gênesis 6:19, Noé deveria levar dois de cada criatura, ou sete pares de cada animal puro, como diz Gênesis 7:2? Mas será que apenas um par de cada entrou na arca, conforme Gênesis 7:8-9?
R: Todas as afirmações estão corretas; Gênesis 6:19 não menciona especificamente os animais puros. Noé deveria levar dois de cada espécie e, além disso, deveria levar sete dos animais puros. Gênesis 6:19 diz “dois”; não diz “não mais do que dois”. Os animais extras serviam como alimento e para sacrifício, conforme Gênesis 8:20. Isso não é uma imprecisão por parte da Bíblia, mas sim um exemplo de como Deus nos ensina. Deus se certifica de que compreendamos o conceito geral de “dois para repovoar” e, em seguida, acrescenta um segundo conceito: “sete a mais para sacrifício”. É semelhante ao aprendizado da aritmética pelos alunos. Primeiro, eles aprendem a subtrair um número menor de um número maior. Só mais tarde aprendem sobre números negativos e que é possível subtrair um número maior de um número menor.
Gênesis 7:8-9 não diz exatamente “um casal de cada espécie de animal”. Diz “casais de animais”, o que incluiria tanto o único casal de animais impuros quanto todos os casais dos animais puros.
P: Gênesis 6:19-20 provém de uma fonte “sacerdotal” por volta de 450 a.C., e Gênesis 7:2-3 provém de uma fonte “yahwística” por volta de 850 a.C.?
R: Não há evidências de que tenham sido, em algum momento, duas histórias distintas, exceto pela ocorrência repetida. No entanto, a repetição é uma técnica literária para reforçar um argumento. Naquela época, talvez não tivessem o ditado moderno: “Diga a eles o que você vai dizer, diga e, em seguida, diga o que você disse”, mas estavam definitivamente cientes da eficácia da repetição, como mostra até mesmo uma breve análise dos Salmos ou dos Provérbios.
É difícil para os liberais afirmar que a história do dilúvio de Noé data de 850 a.C. ou de 450 a.C., já que o épico sumério de Gilgamesh contém alguns detalhes semelhantes sobre um dilúvio mundial e foi escrito antes de 2500 a.C. (Uma cópia babilônica da Tabela 11 do épico de 12 tabelas encontrava-se no palácio de Assurbanipal, em Nínive.
Para ser justo, porém, a teoria liberal JEPD, segundo a qual o dilúvio de Noé teria duas fontes, surgiu no século XIX, antes que a Epopeia de Gilgamesh fosse conhecida pelo mundo moderno. A única razão pela qual essa questão é abordada neste trabalho é que ainda há um certo número de “cristãos” liberais que acreditam na teoria JEPD.
P: Gênesis 7:1-24 lança calúnias contra o caráter de Deus e Seu conceito de justiça? Deus destruiu toda a humanidade porque se “arrependeu” de tê-la criado. Em essência, Deus admitiu ter cometido um erro e, para corrigi-lo, assume o papel de juiz, júri e carrasco, aniquilando toda a humanidade ao estilo “Robo-Cop”, sem julgamento, cometendo assim um genocídio. Não tenho dúvidas de que existia o mal, mas quão maligna é uma criança de um ano ou um feto ainda não nascido?
R: De forma alguma, embora isso possa abalar as concepções “suaves” que algumas pessoas têm de Deus. Todos que já viveram, se não estiverem na Terra agora, já morreram (com apenas duas exceções). A questão não é que eles tenham morrido, mas quando morreram e se lhes foi permitido ter descendentes. Deus sentiu a emoção da dor ao ver como era o mundo na época de Noé. Goste-se ou não, Deus é um juiz. Ele também é um júri e, sim, um carrasco. Deus tem o direito — e Ele exerce esse direito — de determinar quando e como as pessoas morrem.
P: Em Gênesis 7:1, as outras pessoas “não tiveram chance” de se arrepender, como afirmam os ateus?
R: Não, um século é tempo mais do que suficiente para o arrependimento. Ao verem a arca sendo construída, elas podiam ouvir Noé, um “pregador da justiça” (1 Pedro 3:20). A construção da arca levou 100 anos, e mais de cem anos é tempo mais do que suficiente para se ter a chance de se voltar para Deus. Talvez essa seja uma das razões pelas quais 1 Pedro 3:20 diz que Deus esperava pacientemente enquanto a arca estava sendo construída.
P: Em Gênesis 7:2, como Noé poderia saber quais animais puros levar, já que ainda não havia a lei do Antigo Testamento?
R: Noé não possuía as escrituras do Antigo Testamento; em vez disso, o próprio Deus falava com ele. Embora não saibamos exatamente o quanto Deus ensinou a Noé sobre o que viria a constar na Lei Mosaica, Deus certamente conhecia a Si mesmo e era capaz de comunicar a Noé quais animais ele deveria levar em número de sete.
Nessa conversa particular com Noé, não sabemos se Deus utilizou ou não a mesma definição de “puro” que consta na Lei Mosaica. Independentemente disso, foi dito a Noé quais animais ele deveria levar.
Há uma lição para nós nessa questão. Sempre que Deus nos diz para fazer algo, geralmente não conhecemos todos os detalhes sobre tudo. Podemos procrastinar ou simplesmente obedecer ao que sabemos e confiar que Deus nos corrigirá, se necessário, enquanto estivermos obedecendo. Se esperarmos até conhecermos todos os detalhes primeiro, provavelmente nunca obedeceremos.
P: Em Gênesis 7:2, Noé deveria levar sete pares de animais puros ou apenas dois pares de animais puros, como afirma o crítico bíblico Bart Ehrman (em *Jesus, Interrupted*, p. 10), alegando que Gênesis 7:9-10 indica isso?
R: É possível que Ehrman tenha confundido suas anotações neste ponto. Gênesis 7:2 menciona sete pares de animais puros e um par de animais impuros. Gênesis 7:8-10 diz: “E entraram com Noé na arca, machos e fêmeas dos animais puros e dos animais impuros, das aves e de tudo o que rasteja sobre a terra, (9) dois a dois, conforme Deus havia ordenado a Noé. (10) E, ao fim de sete dias, as águas do dilúvio surgiram sobre a terra.” (Tradução Literal de Green)
Gênesis 7:9-10 não menciona quantos animais havia. Gênesis 7:8 diz que vieram “casais” (plural) de animais (plural). Havia vários casais, um por espécie de animais impuros. Havia também vários casais de animais puros. Em Gênesis 7:8, não havia motivo para ser mais específico quanto ao número de casais, pois seis versículos antes já havia sido informado quantos casais eram.
P: Em Gênesis 7:4-8:12, o que há de incomum na estrutura literária deste trecho?
R: Trata-se do chamado quiasmo, comum na literatura hebraica antiga, em que cada afirmação (exceto, às vezes, a do meio) possui uma afirmação espelhada simetricamente. Aqui está a estrutura
7:4 — 7 dias para aguardar o dilúvio
7:10 — — 7 dias de espera pelo dilúvio
7:17a — — — 40 dias de dilúvio
7:24 — — — — 150 dias de subida das águas
8:3 — — — — 150 dias de recuo das águas
8:6 - - - 40 dias de espera
8:10 - - 7 dias de espera
8:12 - 7 dias de espera
Além disso, Gênesis 7:21-23a constitui um quiasmo dentro deste quiasmo.
- Toda a carne morreu
- - As aves
- - - animais domésticos e animais selvagens
- - - - insetos
- - - - - Seres humanos
- - - - - - tudo o que havia na terra firme
- - - - - - todos os seres vivos que habitam a superfície da terra
- - - - - Seres humanos
- - - - Animais
- - - Plantas rasteiras
- - as aves do céu,
- foram exterminadas.
P: Em Gênesis 7:12,24, o dilúvio durou 40 dias ou 150?
R: Gênesis 7:12 diz que choveu do céu por 40 dias, mas as águas inundaram a terra por um total de 150 dias. Consulte *When Critics Ask*, p. 42, e *Chronological and Background Charts of the Old Testament*, p. 36.
P: Em Gênesis 8, por que a Bíblia aparentemente ensina que a humanidade remonta a apenas cerca de 6.000 anos?
R: De acordo com métodos de datação radioativa, os primeiros seres humanos, a quem os cientistas chamam de homem de Cro-Magnon, viveram de cerca de 400 mil anos atrás até os dias de hoje. Os neandertais descendiam do homem de Cro-Magnon e viveram de 130/100 mil anos atrás até 35/30 mil anos atrás.
No entanto, independentemente de quando Deus criou o homem, as genealogias em Gênesis permitem lacunas indeterminadas, já que a palavra “filho” também significa “descendente”, e a palavra “pai” também significa “ancestral”. Isaías 51:2 diz que Abraão é o pai dos judeus, e os judeus disseram a Jesus que Abraão era seu pai em João 8:39.
Como observação adicional, podemos afirmar com certeza que o mundo foi criado em seis dias, mas qual é a duração de um dia de Deus? 2 Pedro 3:8 diz que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia. O Salmo 90:4 diz que mil anos aos olhos de Deus são como um dia ou uma vigília durante a noite. Irineu, em *Contra as Heresias*, livro 5, cap. 23.2 (182-188 d.C.), pp. 551-552, interpreta um dos dias do Senhor em Gênesis como 1.000 anos.
P: Em Gênesis 8:1 e Êxodo 6:5, como Deus poderia “lembrar-se” a menos que primeiro tivesse esquecido?
R: Deus é onisciente. Embora Noé possa ter se sentido esquecido, trata-se apenas de uma expressão para indicar que Deus não se esqueceu de Noé. Quando nos lembramos de alguém em seu aniversário de casamento ou de nascimento, isso não significa que nos esquecemos dessa pessoa durante o resto do ano. Consulte *Quando os Críticos Perguntam*, p. 43, para obter uma resposta semelhante.
P: Em Gênesis 8:11, qual é o significado da folha de oliveira?
R: Presume-se que a folha tenha brotado após o dilúvio, e as oliveiras não crescem em altitudes elevadas. A oliveira é frequentemente um símbolo do povo de Deus.
P: Em Gênesis 8:15, todas as raças descendem de Noé?
R: Pelo lado paterno, sim; pelo lado materno, não. A esposa de Noé, seus três filhos e as esposas deles também estavam na arca. As diferenças não são tão grandes, considerando que, em casamentos mistos, dois irmãos podem ter a pele muito clara e muito escura.
P: Em Gênesis 8:15-21, quais são os paralelos com Gênesis 12:1-7?
R: Há pelo menos sete paralelos entre o chamado de Deus a Noé e o chamado de Deus a Abrão.
Deus diz a [ele] Gênesis 8:15 Gênesis 12:1
Saia da arca/do país Gênesis 8:16 Gênesis 12:1
Então [ele] partiu Gênesis 8:18 Gênesis 12:4
Então [ele] construiu um altar Gênesis 8:20 Gênesis 12:7
Deus o abençoou (Gênesis 9:1; Gênesis 12:2)
Multiplique-se/torne-se uma grande nação (Gênesis 9:1; Gênesis 12:2)
Estabelecer uma aliança / Deus lhes dá a terra Gên 9:9 Gên 12:7
P: Em Gênesis 8:21-22, as águas cobrirão novamente toda a terra?
R: Não, pois Isaías 54:9 nos lembra que isso não acontecerá. Esse é mais um argumento contra a hipótese do dilúvio local, pois Deus disse que nunca mais haveria outro dilúvio que cobrisse a terra. Se o dilúvio de Noé tivesse sido apenas um dilúvio local, então já teriam ocorrido outros terríveis dilúvios locais.
P: Em Gênesis 8:21, Deus destruirá novamente toda a vida, ou tudo será destruído em 2 Pedro 3:7,10?
R: Gênesis 8:21 diz que Deus prometeu não destruir toda a vida “...como eu fiz”, e Gênesis 8:22 acrescenta “...enquanto a terra perdurar”. Deus destruirá a terra com fogo, poupando os crentes.
P: Em Gênesis 8:22, por que ainda temos fomes?
R: Gênesis 8:22 diz que a colheita e a época da semeadura não cessarão. Embora tenha havido muitas fomes, não houve nenhuma fome mundial e permanente.
P: Em Gênesis 9, como todos os animais puderam retornar ao mesmo lugar de onde vieram?
R: Os cristãos divergem quanto à data em que o dilúvio ocorreu: entre 2.600 e 3.000 a.C., por volta de 7.000 a.C., por volta de 14.000 a.C. ou há quase um milhão de anos. Aqueles que acreditam que o dilúvio ocorreu entre 2.600 e 3.000 a.C. consideram que a arqueologia e os métodos radioativos estão confusos, de modo que não haveria dados para afirmar se os animais retornaram ao mesmo lugar de onde vieram ou não.
No entanto, se o dilúvio ocorreu há cerca de 14.000 anos, nem todos os animais permaneceram no mesmo local. Uma ponte terrestre ligava a América à Ásia. Posteriormente, os mamutes e os cavalos foram extintos nas Américas.
No entanto, independentemente de quando o dilúvio ocorreu, todos os cristãos concordam que Deus tem o poder de influenciar os animais a irem para onde Ele deseja.
P: Em Gênesis 9:3, as pessoas podem comer carne ou apenas vegetais?
R: Gênesis 1:29 diz que Adão podia comer frutas e vegetais. Após o dilúvio, Gênesis 9:3 diz que agora podemos comer carne. Consulte a discussão sobre Gênesis 1:28 para obter mais informações.
P: Em Gênesis 9:4 e Atos 15:28-29, é proibido comer sangue hoje em dia?
R: Alguns dizem que não, porque Cristo substituiu a lei e, em Atos 10:11-16, todos os “alimentos” foram declarados puros.
Outros dizem que sim, pois essa disposição foi dada antes da Lei Mosaica, em Gênesis 9:4. Em Atos 15:20, 28-29, a igreja apostólica primitiva ensinava que os cristãos deveriam abster-se de sangue. É claro que quantidades mínimas de sangue são permitidas, pois aos judeus era permitido comer a caça que caçavam e [rapidamente] sangravam no campo, conforme Levítico 17:13.
P: Em Gênesis 9:4, Levítico 7:26-27, Levítico 17:11-12 e Deuteronômio 12:16, 23-25, a proibição de comer sangue significa que as pessoas nunca devem receber transfusões de sangue, como ensinam as Testemunhas de Jeová?
R: Não. Não devemos ser canibais, mas os transplantes de órgãos são permitidos. Da mesma forma, foi dito às pessoas que não comessem sangue, e as transfusões de sangue são permitidas.
Conforme destaca o livro “Como as Testemunhas de Jeová Respondem Versículo por Versículo”, pp. 22-23, nem mesmo a organização das Testemunhas de Jeová, a Torre de Vigia, proibiu as transfusões de sangue até 1944. Em 1967, elas também proibiram os transplantes de órgãos (revista A Torre de Vigia, 15/12/67, pp. 702-704). Posteriormente, mudaram de ideia e passaram a permiti-los em 1980 (revista “A Sentinela”, 15/03/1980, p. 31). Além disso, não permitiram a vacinação de 1931 a 1952.
P: Gênesis 9:6 proíbe a execução de criminosos hoje em dia?
R: De forma alguma. Gênesis 9:6, por um lado, proíbe apenas o homicídio e, por outro, ordena a execução como punição para os homicidas. Lembre-se de que Gênesis foi um dos livros de Moisés e que, de Êxodo a Deuteronômio, vários crimes eram punidos com a execução. Veja também a próxima pergunta.
P: Gênesis 9:6 trata da pena capital?
R: Ele definitivamente se refere à pena capital. Significa execução e não a mera morte física que ocorre tanto para quem não comete homicídio quanto para os homicidas.
P: Em Gênesis 9:12-13, o arco-íris, como sinal da aliança de Deus, indica que não havia arco-íris antes do dilúvio?
R: Isso está implícito, mas não é prova disso. Conforme afirma o livro *Manual Atual para Resolver Dificuldades Bíblicas*, pp. 220-221, o fato de Deus usar um sinal não prova automaticamente que ele não existisse antes. Por exemplo, o rito da circuncisão já era praticado antes de Abraão por outros povos, incluindo os egípcios e os etíopes (Heródoto, em sua *História*, livro 2, cap. 104, p. 69). Os egípcios a praticavam, de acordo com a “Epístola de Barnabé” (c. 70-130 d.C.), cap. 9, p. 142: “Sim, os egípcios também praticam a circuncisão.”
P: Em Gênesis 9:20-21, como um homem piedoso como Noé pôde ficar bêbado?
R: Em primeiro lugar, a Bíblia não esconde o fato de que o povo de Deus também peca. Em segundo lugar, com a pressão atmosférica mais baixa no topo de uma montanha após o dilúvio, é mais fácil ficar bêbado.
P: Em Gênesis 9:20-21, por que essa história triste de Noé ficando bêbado está na Bíblia?
R: A Bíblia não apenas nos mostra por que é importante fazer o que é certo, mas também fornece exemplos reais das consequências de se agir de forma errada. Clemente de Alexandria (193-217/220 d.C.) responde a isso com muita clareza. “A embriaguez de Noé foi registrada por escrito para que, com a descrição clara e escrita de sua transgressão diante de nós, possamos nos proteger com todas as nossas forças contra a embriaguez.” Livro do Instrutor, vol. 2, cap. 2, p. 246.
P: Em Gênesis 9:21-25, o livro de Gênesis seria uma versão resumida de uma história original em que Cam castrou Noé para impedi-lo de ter mais filhos, semelhante ao mito grego de Cronos castrando seu pai, Urano, como sugeriu um ateu (Capella)?
R: Não, não há qualquer indício de castração aqui. Quanto à cultura grega, tenha em mente que a única cultura grega existente na época de Moisés era a dos primeiros gregos micênicos. Muito do que sabemos sobre a mitologia grega surgiu após esse período. A título de referência, a Guerra de Tróia de Homero ocorreu por volta de 1200 a.C., cerca de 450 anos após o Êxodo.
Portanto, provavelmente não houve influência aqui. Se alguém ainda insistir que houve influência, a história posterior teria que ter se inspirado na anterior, e a história grega em questão provavelmente é posterior a Moisés.
P: Em Gênesis 9:22, o que havia de errado em Cam ver seu pai nu?
R: Os filhos não devem divulgar abertamente as falhas de seus pais, e a atitude de Cam em Gênesis 9:22 foi desrespeitosa. Cam soube que seu próprio filho seria motivo de vergonha para ele. A atitude de Cam foi zombeteira, segundo Metódio (270-311/312 d.C.) em *O Banquete das Dez Virgens*, Discurso 10, cap. 2, p. 348, e Justino (c. 138-165 d.C.) em *Diálogo com Trifão*, cap. 139, p. 269.
P: Em Gênesis 9:22-23, o que você faz se sentir vergonha dos seus pais?
R: Primeiro, entenda por que você está envergonhado. Seus pais estão realmente fazendo algo moralmente errado, ou trata-se de uma situação em que você está apenas sendo exigente, ou algo entre os dois extremos? Deve honrar seus pais (Êxodo 20:12; Efésios 6:2), mas, mesmo assim, não deve tolerar o pecado. Deve obedecer aos seus pais no Senhor (Efésios 6:1). Isso significa obedecê-los, mas, quando eles ordenarem algo contrário a Deus, deve obedecer a Deus em primeiro lugar.
P: Em Gênesis 9:22-23, o que você faz se seus filhos passarem vergonha de você?
R: Há pelo menos quatro maneiras pelas quais eles podem passar vergonha:
1) por causa de uma postura moral que o senhor está adotando e que é correta;
2) por causa de algo relacionado a estilo, preferência pessoal ou outro assunto moralmente neutro que seja adequado
3) por causa de algo que o senhor fez de errado,
4) por causa de algo que, em si, não estava errado, mas que foi indelicado ou desrespeitoso em relação aos sentimentos deles.
Quanto ao primeiro motivo, basta explicar por que está assumindo essa postura. Quanto ao segundo motivo, não deve permitir que o que é bom seja considerado mau (Romanos 14:16), mas, por amor, pode fazer concessões a eles (Romanos 14:14-15).
P: Em Gênesis 9:22-23, por que os filhos às vezes não honram seus pais?
R: Há uma antiga história chinesa sobre um viajante que avistou um homem carregando seu pai idoso em um carrinho de mão, com seu filho pequeno caminhando atrás. O viajante perguntou ao homem o que ele estava fazendo, e ele respondeu que, como seu pai já não conseguia mais cuidar de si mesmo e era um fardo para a família, ele iria jogá-lo no rio para afogá-lo. O viajante ficou perturbado com isso e não sabia o que dizer para dissuadir o homem desse ato maligno. Por fim, limitou-se a dizer: “Não se esqueça de trazer o carrinho de mão de volta!”. Em outras palavras, ao tratar assim seu pai, ele está ensinando seu próprio filho a fazer o mesmo com ele.
Quando os filhos não honram seus pais, isso pode ocorrer por pelo menos uma das cinco razões a seguir.
a) Elas não veem necessidade de obedecer a Deus, que nos ordena que honremos nossos pais (Êxodo 20:12; Efésios 6:2).
b) Como filhos, não querem obedecer aos pais no Senhor, conforme lhes orienta Efésios 6:1.
c) Talvez tenham honrado os pais anteriormente, pois achavam que eles poderiam ajudá-los. Agora, porém, não veem mais os pais como capazes de ajudá-los materialmente; portanto, por que honrá-los? Isso pode ocorrer com filhos que partem para a faculdade ou com adultos que não veem nenhuma perspectiva de riqueza proveniente dos pais.
d) São ingratos pelos sacrifícios que seus pais fizeram por eles enquanto cresciam.
e) Podem optar por desconsiderar a autoridade em geral.
O carrinho de mão estará sempre lá. Quando seus filhos ou outras pessoas decidirem como vão lidar com o relacionamento com você, eles se lembrarão do que você fez com o carrinho de mão e dos relacionamentos em que você talvez não seja mais o principal beneficiário.
P: Em Gênesis 9:22-23, como devemos reagir ao pecado dos outros?
R: Em todos os casos, não devemos dar a impressão de tolerar o pecado, mas ainda assim podemos amar o pecador. Não devemos nos colocar em uma situação em que nós mesmos sejamos tentados. Além disso, há uma diferença dependendo se o pecador é seu filho, seu pai ou sua mãe, uma pessoa mais velha que você, um cristão ou um não crente.
Se nosso irmão pecar contra nós, então, de acordo com Mateus 18:15-17, devemos primeiro tentar conversar com ele em particular; se isso funcionar, o assunto estará encerrado. Mas, se ele não quiser ouvir, volte a procurá-lo, levando consigo uma ou duas outras pessoas. Se isso não funcionar, exponha o caso à igreja. Se isso também não funcionar, ele deverá ser expulso da igreja.
Não dêem ouvidos a uma acusação contra anciãos, a menos que seja apresentada por duas ou três testemunhas (1 Timóteo 5:19).
O castigo físico (palmadas) pode ser aplicado aos seus filhos, mas não a outras pessoas (Provérbios 22:15; Hebreus 12:7-11).
Não repreenda um homem mais velho com severidade (1 Timóteo 5:1).
P: Em Gênesis 9:25, por que Canaã foi amaldiçoado e não Cam?
R: Cam soube que seus descendentes seriam um exemplo das consequências do pecado. O “Expositor’s Bible Commentary”, volume 2, p. 97, afirma que a forma hebraica do verbo é imperfeita e não jusiva, “portanto, o sentido é mais provavelmente o de uma previsão (‘Ele será’) do que o de uma maldição (‘Que ele seja’). O livro “735 Baffling Bible Questions Answered”, p. 32, afirma o mesmo. Assim, as palavras de Noé antecipam um tema central das narrativas seguintes — a separação da descendência escolhida da descendência dos cananeus”.
Consulte o livro “Diálogo com Trifão”, de Justino Mártir [c. 138-165 d.C.], capítulo 139, pp. 268-269, para uma discussão mais aprofundada.
P: Em Gênesis 9:25-26, qual foi a maldição de Canaã?
R: Gênesis diz apenas que ele será o mais humilde dos escravos para seus irmãos. Observe que a maldição não recai sobre Cam, mas sobre Canaã. Nenhum manuscrito grego ou hebraico afirma que se tratava de Cam; apenas uma tradução árabe o afirma. (De acordo com *A Origem da Bíblia*, p. 307, a primeira versão árabe do Pentateuco foi traduzida por Saadya Gaon, que viveu de 892 a 942 d.C.)
Assim como Cam envergonhou seu pai, Noé, Canaã e seus descendentes envergonhariam Cam, seu pai. Consulte *Hard Sayings of the Bible*, p. 116-118, para obter uma resposta mais detalhada.
P: Em Gênesis 10, quem são esses 68 povos e 16 cidades?
R: Trata-se do documento etnográfico mais antigo que conservamos, de acordo com o livro “735 Perguntas Desconcertantes da Bíblia Respondidas”, p. 32. Os estudiosos acreditam poder identificar 51 dos 68 povos, e os arqueólogos já encontraram 11 das 16 cidades. Sodoma e Gomorra foram tão completamente destruídas que nunca foram encontradas. No entanto, as tabuinhas de Ebla, escritas entre 2.400 e 2.250 a.C., mencionam as cidades de Si-da-mu (Sodoma) e I-ma-ar (Gomorra). Além disso, o Dicionário Wycliffe de Arqueologia Bíblica, p. 124, afirma que um santuário chamado Bab ed-Dra foi encontrado logo ao sul do Mar Morto. Ele foi datado entre 2.800 e 1.800 a.C.
Aqui estão os povos conhecidos ou hipotéticos.
Jafé — os gregos afirmavam que seu ancestral era Japetos
|->Gomer — Gimirra/Cimerianos assírios/gregos
| |->Asquenaz - As-gu-za-a/assírio = citas
| |->Rifate - ? vivia na Rússia?
| |->Togarma — Ou a cidade de Tegarama na
| Ásia Menor, os ancestrais dos armênios,
| ou ambos.
|->Magog — citas?, segundo Josefo
|->Madai — medos
|->Javã — Gregos jônios
| |->Elishah — eólios? segundo Josefo
| |->Társis — cidade na Ásia Menor ou, alternativamente, na Espanha
| |->Kittim - Chipre
| |->Dodanim/Rodanim - Ilha de Rodes
|->Tubal — povo dos tabali, na Capadócia
|->Meshech — Mushki/assírios, originalmente entre
| a Cilícia e o Mar Cáspio
|->Tiras — possivelmente os Thrusa (=Tw-r’w-s3), que invadiram o Egito em 1250 a.C.
Cão - Nenhuma tribo, apenas descendentes
|->Cush - sudaneses (Cush na antiguidade)
| |->Sebá - Norte da Etiópia. O nome do
| | local provavelmente teve origem nos colonos sabeus
| | que chegaram posteriormente.
| |->Havila — Ou próximo ao rio Indo, no
| | Paquistão, ou então próximo a Sheba e Hadramaut
| |->Sabtah — ? Provavelmente vivia ao norte de Sheba
| |->Raamá — Provavelmente os rammânitas no sudoeste
| | | Arábia (Estrabão 16.4.24)
| | |->Sebá — Sebá, no canto sudoeste da
| | | Península Arábica
| | |->Dedã — a noroeste do Golfo Pérsico.
| | Mencionada pelos caldeus e assírios
| |->Sabteca — ? sem outras referências
|->Mizraim — Egito
| |->Luditas - ? sem outras referências
| |->Anamitas — ? conhecidos apenas em 1 Crônicas 1:11
| |->Lehabitas — Os Rbw/Libu eram uma tribo hostil
| | a oeste do Egito
| |->Naftuítas — ? não se tem conhecimento de mais nada
| |->Patruítas — Patros ficava no sul do Egito
| |->Casluhitas — os filisteus descendiam deles
| |->Caftoritas — Creta / Ilhas do Mar Egeu
| | (Acádia/Mari/Ugarit/Egito)
|->Put — Líbia, de acordo com registros babilônicos e persas.
|->Canaã — cananeus
| |->Sidom — cidade fenícia
| |->Hittitas — viviam logo ao norte de Jerusalém
| |->Jebuseus — viviam em Jerusalém
| |->Amoritas — viviam em Canaã. Amurru em
| | acádio significa “ocidental”
| |->Girgashitas — viviam em Canaã, provavelmente os
| | quirquitas/assírios
| |->Hivitas — viviam perto de Tiro, Sidom e Siquém. Salomão os empregou na construção do templo
| |->Arquitas — Porto de ‘Arqah, no norte da Síria
| |->Sinitas — porto cananeu de Siannu, no norte
| |->Arvaditas — Cidade de Arvad, no norte da Fenícia
| |->Zemaritas — Cidade cananeia de Simura, 6
| | milhas ao sul de Arvad
| |->Hamateus — uma das mais antigas cidades sírias
Sem - provavelmente Suméria
|->Elam — elamitas; sua capital era Susa
|->Assur — Primeira capital assíria
|->Arfaxad — ? Ptolomeu mencionou a região de Arrapachitis entre os lagos Van e Urmia
| |->Selá — Nenhuma tribo conhecida, apenas descendentes
| | |->Eber — Nenhuma tribo conhecida, apenas descendentes
| | |->Peleg — Nenhuma tribo conhecida, apenas descendentes
| | |->Joktã — muitas tribos árabes, ou então os
| | | tribo da Arábia do Sul de Qahtan (al-Tabari
| | | vol. 6, p. xxii; vol. 20, p. xv)
| | | |->Almodad — possivelmente? uma tribo árabe do sul
| | | |->Sheleph — uma tribo árabe do sul do Iêmen
| | | |->Hazarmaveth — Hadrumaut, na Arábia
| | | |->Jerah — Presumivelmente, uma tribo árabe?
| | | |->Hadoram — ? sem outras referências
| | | |->Uzal — ? sem outras referências.
| | | | No entanto, Uzal/Auzal era um antigo
| | | | nome de Sa’na, no Iêmen.
| | | |->Diklah — significa “palmeiral”. Eles
| | | | talvez? tenham se estabelecido em Wadi Sirhan,
| | | | a cerca de 250 milhas a sudeste do Mar Morto.
| | | |->Obal — desconhecido fora de 1 Crônicas 1:22
| | | |->Abimael — ? não é mencionado em nenhum outro lugar
| | | |->Sheba — sabéus no sul da Arábia
| | | |->Ofir — possivelmente na Somália ou no sudoeste
| | | | Arábia. Josefo e Jerônimo acreditavam
| | | | que se tratava da Índia.
| | | |->Havila — Provavelmente Arábia central
| | | |->Jobab — ? sem outras referências
|->Lud — Ou os lídios, ou então a terra de
| Lubdi, entre o curso superior do Tigre e do Eufrates
|->Aram — os arameus da Síria
|->Uz — tribo dos Ausitai? que vivia a oeste do Eufrates
|->Hul - ? sem outras referências
|->Gether — ? sem outras referências
|->Mash/Meshech — ? Pode ser o deserto sírio-árabe de Mash, conhecido pelos assírios, o Monte Masius, no Líbano, ou Meshech era uma mistura de duas origens ancestrais
P: Em Gênesis 10, por que os indianos e os chineses não são mencionados na tabela das nações?
R: Primeiro, o que não é a resposta; depois, a resposta.
O que não é a resposta: Embora os sinitas sejam mencionados, estes provavelmente não são chineses, mas sim do porto cananeu de Siannu, no norte da Síria. Josefo e Jerônimo acreditavam que Ofir fosse a Índia, mas é mais provável que se trate da África.
A resposta: Todos descendiam de Adão, pois todos foram amaldiçoados com a natureza de Adão. Gênesis não pretende listar todos os povos e, das centenas de povos existentes, menciona apenas as nações que alguns israelitas poderiam reconhecer.
P: Em Gênesis 10, os sumérios da Mesopotâmia são mencionados?
R: Sim, provavelmente são, como “Sem”. O nome da terra de Sumer era frequentemente pronunciado sem o “r”, e “Sum” poderia facilmente se tornar “Sem”. Para obter respaldo acadêmico a essa tese, consulte *The Sumerians*, de Samuel Noah Kramer, pp. 297-298. Kramer também cita o *American Journal of Semitic Languages*, vol. 58 [1941], pp. 20-26.
P: Em Gênesis 10:2, quem era o povo de Gomer?
R: Tratava-se do povo chamado “Gimirra” pelos assírios e “Cimerianos” pelos gregos. Gomer vivia na Ucrânia e no sul da Rússia.
P: Em Gênesis 10:2, por que os medos (Madai) são mencionados, uma vez que esse povo não foi mencionado em nenhum outro lugar até 836 a.C., no texto de Salmanasar III?
R: O texto de Salmanasar III é posterior à época de Moisés, em 1407 a.C., mas o silêncio nos escritos antigos preservados não prova a inexistência. Os assírios só registravam quando lutavam e negociavam com os medos pela compra de cavalos. De acordo com o livro “Persia and the Bible”, p. 35, “I.M. Diakonoff acredita que a chegada das tribos indo-iranianas ao planalto iraniano ocorreu na primeira metade do segundo milênio a.C. [2000-1500 a.C.]. No entanto, as evidências arqueológicas mais antigas dos recém-chegados parecem datar do início da segunda metade do segundo milênio a.C. [1500-1300 a.C.].
Em contraste com isso, o poderoso povo dos minni é mencionado em Jeremias 51:27. No entanto, os minni remontam apenas a 1200 a.C., e não são mencionados no Gênesis, pois este foi escrito anteriormente.
Em resumo, a arqueologia corrobora a existência dos medos na época de Moisés.
P: Em Gênesis 10:2, quem era o povo de Javã?
R: Trata-se dos gregos jônios que viviam nas ilhas e na Ásia Menor. Em hebraico, o termo era “yawan”, que é equiparado ao grego “iaones” ou “iawones” na Ilíada de Homero, 8.685, e a “yamanu” nas inscrições de Sargão II e Dario I. Os jônios são mencionados no Egito desde a época de Ramsés II (c. 1300 a.C.). Isaías 66:19 e Ezequiel os mencionam, e a tradução da Septuaginta traduz isso como “Hellas”.
P: Em Gênesis 10:2, quem era o povo de Tubal?
R: Eles eram chamados de Tabal (ou Tabali) pelos assírios e viviam na atual Turquia, na região da Capadócia. O historiador grego Heródoto os conhecia como os Tibarenoi. São mencionados em Ezequiel 27:13; 28:2-3; 39:1 e Isaías 66:19.
O rei assírio Salmanasar III (859-824 a.C.) recebeu tributo dos vinte e quatro reis de Tubal. Os assírios destronaram o rei de Tubal em 732 a.C. Sargão menciona que recipientes de metais preciosos provinham de Tubal. Sargão também reprimiu uma revolta liderada por Tubal, os Mushki (Meshech) e Ararat.
P: Em Gênesis 10:2, quem era o povo de Meshech?
R: Os assírios foram mencionados pela primeira vez como “Mus-ka-a-ia”, possuindo um exército de 20.000 homens durante o reinado de Tiglate-Pileser I (c. 1100 a.C.). Eles também são mencionados no reinado de Salmanasar III (859-824 a.C.). Originalmente, viviam entre a Cilícia e o Mar Cáspio, mas, na época de Sargão II (722-705 a.C.), habitavam a região da Frígia, na atual Turquia. Heródoto 3:94 os menciona como os “Moschoi”, que constituíam uma das 19 satrapias de Dario. Eles também são equiparados aos frígios.
P: Em Gênesis 10:2, quem era o povo dos tiras?
R: Não sabemos muito sobre os tiras. Embora Josefo afirme que os trácios descendessem deles, acredita-se hoje que fossem os tursênicos/tirsenianos, que eram piratas. Os egípcios mencionam um povo chamado “Thrusa” (Tw-rw-s3) que invadiu o Egito por volta de 1250 a.C. O livro apócrifo dos Jubileus afirma que os tiras viviam em quatro ilhas.
P: Em Gênesis 10:3, onde ficava Togarma?
R: Togarmá ficava a cerca de 70 milhas (113 km) a oeste da cidade de Malatya, na Ásia Menor. Os hititas chamavam-na de Tegarama. Os assírios chamavam-na de Tilgarimanu e a conquistaram em 695 a.C. Os gregos chamavam-na de Gauraena. Os armênios afirmam ser descendentes de Haik, filho de Torgom; portanto, podem ser descendentes de Togarmá.
P: Em Gênesis 10:5, 20, 31, uma vez que havia línguas diferentes, por que toda a terra falava uma única língua em Gênesis 11:1?
R: Gênesis 10 é uma visão geral, e Gênesis 11 fala de um evento específico dentro do contexto de Gênesis 10. Gênesis 10:5 diz: “destes...”, e 10:18: “Mais tarde...”. Essas expressões sugerem que Gênesis 10 descreve como os descendentes se espalharam posteriormente. Gênesis 11:1 trata do evento da torre de Babel, que ocorreu antes da dispersão dos povos.
Um interessante fragmento de tabuinha de argila encontrado na Babilônia relata que um templo ofendeu os deuses. Eles o destruíram em uma noite e dispersaram o povo, confundindo suas línguas.
P: Em Gênesis 10:6,13 e 1 Crônicas 1:8,11, por que o Egito não é mencionado entre essas nações? (Um cristão intrigado com isso)
R: Ele é mencionado; a palavra hebraica para Egito é Mizraim.
P: Em Gênesis 10:8-12, os feitos de Nimrod foram uma fusão das proezas de Lugal-Zaggasi, Sargão de Agade, Hamurabi e Salmanasar I, como afirma o Guia de Asimov para a Bíblia (p. 52)?
R: Não. Embora não saibamos muito sobre esses antigos reis sumérios, exceto pelas dezenas de milhares de tabuinhas sumérias que foram preservadas, as semelhanças entre esses conquistadores e Nimrod são remotas. A Bíblia simplesmente menciona que Nimrod era um caçador poderoso diante do Senhor, que a carreira de Nimrod teve início em quatro cidades em Sinar (Suméria) e que, posteriormente, ele se dirigiu à Assíria, onde construiu quatro cidades próximas umas das outras, que mais tarde se tornaram muito influentes. A Bíblia não diz mais nada sobre Nimrod, por isso é difícil fazer uma comparação. Nimrod não poderia ter sido Hamurabi, pois Hamurabi (1803/1793-1760/1750 a.C.) viveu muito depois de Abraão. Nimrod poderia, de fato, ser uma referência bíblica a Sargão, mas sabemos muito pouco tanto sobre Sargão quanto sobre Nimrod para afirmar isso.
P: Em Gênesis 10:9, Nimrod era um bom caçador “diante do Senhor” ou um predador ímpio “em desafio ao Senhor”?
R: Provavelmente, a melhor tradução da palavra hebraica “paniym” neste contexto é “diante de”. Assim como a palavra em inglês “before”, “paniym” é usada em muitos contextos. Por exemplo, um líder poderia estar diante da congregação em Josué 20:6,9; Israel foi derrotado diante dos filisteus em 1 Samuel 4:2; e Israel fugiu diante dos filisteus em 1 Samuel 4:17.
Nesse caso, “paniym” provavelmente significa uma descrição ímpia, como em “lutar diante de”. Esse nome está relacionado à palavra hebraica “marad”, que significa “rebelar-se” ou “nós nos rebelaremos”. Após a torre de Babel, Nimrod construiu a cidade de Babilônia em desafio ao Senhor.
O fato de Nimrod ser um “caçador poderoso perante o Senhor” tem uma conotação negativa e ímpia para Nimrod.
P: Em Gênesis 10:9, a que grupo étnico exatamente pertencia Nimrod/Nimrud?
R: Há três possibilidades.
A Assíria é chamada de terra de Nimrud em Miquéias 5:6; a cidade de Calá também é chamada de Nimrud; e a cidade babilônica de Borsipa também é chamada de Birs Nimrud.
Descendente dos cassitas de Quis, que viveram na Mesopotâmia e governaram a Babilônia por volta de 3.200 a.C., e Gênesis 10:8 afirma que Cus foi o pai de Nimrod. Nin-Maradda é um nome não semítico de uma cidade a sudoeste de Quis, de acordo com o Dicionário Bíblico de Unger, p. 794. Essa interpretação também é compatível com a primeira.
Os ubaidianos foram os primeiros habitantes não semitas (cerca de 3.800-3.500 a.C.) da Suméria e da Mesopotâmia, anteriores aos sumérios que vieram do sul. Gênesis 10:8-10 indica que Nimrod esteve primeiro na Babilônia e, em seguida, seguiu para o norte, rumo à Assíria. Sabemos muito pouco sobre os ubaidianos, mas, devido à sua ligação com Cam, eles podem ter tido parentesco com o povo de Harappa, da Índia, de pele mais escura. Consulte o Dicionário Bíblico Wycliffe, pp. 1207-1208, para obter mais informações sobre essa visão.
P: Em Gênesis 10:14, de onde se originou o termo “Palestina”?
R: Não sabemos ao certo, mas parece provável que tenha vindo da terra da Filístia.
Heródoto, o historiador grego (c. 484 - c. 425 a.C.): Os próprios fenícios e os sírios da Palestina confessam que aprenderam o costume dos egípcios; e os sírios... dizem que o adotaram recentemente dos colquianos. Ora, essas são as únicas nações que praticam a circuncisão, e é evidente que todas elas imitam os egípcios nesse aspecto. A História, Livro 2 (Euterpe), cap. 104, p. 69
Aristóteles, o filósofo grego (384-322 a.C.). Mais uma vez, se, como se conta, existe um lago na Palestina em que, ao amarrar um homem ou um animal e jogá-lo nele, este flutua e não afunda, isso confirmaria o que afirmamos. Dizem que esse lago é tão amargo e salgado que nenhum peixe vive nele e que, se você mergulhar roupas nele e sacudi-las, elas ficam limpas. Meteorologia II.3
Filo de Alexandria (20 a.C. a 20 d.C.) escreve: “Além disso, a Palestina e a Síria também não carecem de sabedoria e virtude exemplares”, *Todo Homem Bom é Livre*, cap. XII (75), p. 689
O geógrafo romano Estrabão (23 d.C.) discute o Êxodo dos judeus do Egito para a Palestina, sobre o qual ouviu relatos de judeus em Alexandria.
Josefo (c. 100 d.C.): “quanto ao que aconteceu aos judeus, tanto no Egito quanto na Síria e na Palestina, e o que sofremos por parte dos assírios e babilônios...” *Antiguidades dos Judeus*, livro 20, cap. 11, p. 426
Além disso, dez escritores cristãos pré-nicenos (todos posteriores a 135 d.C.) fazem referência à Palestina. São eles: Justino Mártir, Teófilo de Cesareia (no título da carta), Clemente de Alexandria, Tertuliano, Hipólito, Orígenes, Júlio Africano, Dionísio de Alexandria, Gregório Taumaturgo e Pâmfilo.
Quando o imperador romano Adriano reprimiu a segunda revolta de Bar Kochba, de 132-135 d.C., ele expulsou os judeus da terra e renomeou o território como Síria-Palestina (Christ J. Seeman, “Judeia”, Dicionário do Contexto do Novo Testamento [Downer Grove, IL: InterVarsity Press, 2000], p. 624).
P: Em Gênesis 10:22 e Gênesis 22:21, Aram teria supostamente nascido duas vezes, como afirma o cético Guia de Asimov para a Bíblia, p. 88?
R: Não, mas há duas respostas possíveis:
Várias pessoas: Não havia apenas duas, mas três pessoas na Bíblia chamadas Aram.
1. Gênesis 10:22 afirma que Aram da Síria era descendente de Sem. (O termo hebraico é o mesmo para “filho” e “descendente”, assim como é o mesmo para “pai” e “ancestral”.)
2. Gênesis 22:21 menciona Aram, que descendia de Kemuel (sobrinho de Abraão), que era descendente de Naor, que era descendente de Terá, que era descendente de Sem.
3. Muito mais tarde, em 1 Crônicas 7:34, havia um Aram, filho de Shamer, da tribo de Aser.
O Dicionário Bíblico Wycliffe, p. 122, e o Novo Dicionário Internacional da Bíblia, p. 74, também mencionam três pessoas.
Uma única pessoa: Observe que os dois Arams em Gênesis 10:22 e 22:21 são ambos descendentes de Sem. Portanto, eles poderiam, de fato, ser uma única pessoa, com a Tabela das Nações mencionando Sem como antepassado de Aram.
P: Em Gênesis 11, os homens tinham uma concepção tão “baixa” do céu a ponto de tentarem construir a torre de Babel até lá?
R: Essa não era a visão de Moisés, mas do povo que construía a torre. Gênesis 11 registra, sem endossá-las, algumas das ideias tolas dos homens. É claro que o que é uma ideia tola para as massas poderia ser astuto para os sacerdotes, a fim de garantir que o povo os temesse.
A Bíblia de Estudo NIV, p. 23, lista outras pirâmides/zigurates que os arqueólogos encontraram com títulos pretensiosos semelhantes.
Larsa: Casa da Ligação entre o Céu e a Terra
Borshippa: Casa dos Sete Guias do Céu e da Terra
Assur: Casa da Montanha do Universo
Babilônia: Casa da Plataforma-Fundação do Céu e da Terra
O texto babilônico Enuma Elish VI, linhas 55-64, afirma que a Babilônia foi construída pelos deuses no céu como uma cidade celestial. Babili significa “o portão de Deus”.
P: Em Gênesis 11, o que havia de pecaminoso na construção da Torre de Babel?
R: Não foi a construção de um edifício, mas a motivação arrogante de (tolamente) pensar que poderiam ascender ao Céu por conta própria. No cerne de grande parte da idolatria está a crença de que as pessoas devem ser religiosas da maneira que bem entenderem, “à sua maneira”, em vez de buscarem o Único Deus Verdadeiro. A reação de Deus não parece ser de castigo, mas sim de impedir que cometam mais maldades. Pais sábios não querem que seus filhos ignorem totalmente a lei e seus próprios mandamentos, e Deus também não quer que as pessoas, que Ele criou, façam isso.
P: Em Gênesis 11, o que sabemos sobre a língua suméria?
R: O sumério era escrito em cuneiforme e não é uma língua indo-europeia. Apresenta algumas semelhanças com o turco, o húngaro e algumas línguas das montanhas do Cáucaso. Atualmente, os estudiosos conseguem ler o sumério e sabem como as palavras eram pronunciadas. O sumério não possuía os sons f, i, j, th, ch suave, v, w nem o umlaut. Havia um som “ng” (como no cantonês e no vietnamita), e não havia flexões no final das palavras, como na maioria das línguas indo-europeias. Havia também vários dialetos sumérios. Assim como existiram versões antigas do inglês e do chinês, houve quatro períodos do sumério: arcaico, clássico, novo e pós-sumério. Abraão viveu numa época em que se falava o “sumério novo”.
O hebraico derivou, em parte, do sumério. Assim como o sumério, o hebraico não possuía o som “j”.
P: Gênesis 11 estava fora de sequência?
R: Não, nada indica que esteja fora de sequência. Pense nisso. Se toda a humanidade tivesse sido exterminada, exceto por oito pessoas que eram parentes de sangue ou por casamento, é muito provável que todas falassem a mesma língua. No entanto, em algum momento, as pessoas começariam a falar línguas diferentes, e isso aconteceria mais ou menos na época em que ficassem geograficamente isoladas. Como observação interessante, linguistas não religiosos acreditam poder rastrear todas as línguas indo-europeias (desde as línguas celtas até o alemão, passando pelo grego e até mesmo pelo sânscrito) até uma origem comum, que, segundo eles, era falada na Ucrânia por volta de 4.000 a.C.
P: Em Gênesis 11:1-9, por que havia uma única língua antes de Babel, já que Gênesis 10:5, 20 e 31 dizem que havia muitas línguas que surgiram após o dilúvio?
R: Ambas as afirmações são verdadeiras, pois Gênesis 10 relata como as tribos se propagaram tanto antes quanto depois de Babel. Há três pontos a serem considerados na resposta.
Gênesis 10:5 afirma que está relatando como os povos do mar “se espalharam por seus territórios”. Essa dispersão ocorreu após a Torre de Babel.
Gênesis 10:20, da mesma forma, afirma que se refere aos territórios dos filhos de Cam, e a migração dos camitas para seus territórios teria ocorrido após a torre de Babel.
Gênesis 10:31 é quase idêntico a Gênesis 10:20, exceto pelo fato de se referir aos filhos de Sem.
P: Em Gênesis 11:5 e Gênesis 18:21, uma vez que Deus está em toda parte, como é que “o Senhor desceu para ver a cidade...”?
R: Trata-se de uma expressão para indicar que Deus prestou atenção especial à cidade.
P: Em Gênesis 11:7, pelo que sabemos, as crenças antigas eram sempre politeístas, tendo o monoteísmo surgido posteriormente, como afirma o cético Guia de Asimov para a Bíblia, p. 18?
R: Não. Pelo que sabemos pela história, a religião chinesa primitiva era monoteísta, assim como algumas outras culturas do sudeste asiático. O nome chinês primitivo para esse Deus monoteísta era Shang-di, que é usado para se referir a Deus nas Bíblias em chinês atualmente.
P: Em Gênesis 11:7-9, a confusão de línguas na Torre de Babel foi inspirada na história grega das Aloadas?
R: Orígenes (230-254 d.C.) investigou essa questão em “Orígenes contra Celso”, livro 4, cap. 21, p. 505, e concluiu que isso não poderia ser verdade porque:
a) Não se conhecia, nem a ele nem a nós, nenhum grego que tivesse ouvido falar disso antes de Homero.
b) Homero viveu séculos depois de Moisés.
A propósito, há datas conflitantes sobre a época em que Homero viveu. O historiador grego antigo Aristarco aponta 1044 a.C., as fontes de Filóstrato indicam 1159 a.C., e a obra pseudo-Heródoto, *A Vida de Homero*, situa-o em 1102 a.C.. Em contraste com isso, o historiador Teopompo afirmou que Homero viveu até 685 a.C. Heródoto afirma que não foi antes de cerca de 730 a.C. O Êxodo ocorreu por volta de 1447 a.C.
Teófilo a Autólico (168-181/188 d.C.), livro 3, cap. 20, p. 117, também destaca que “está comprovado que Moisés e seus seguidores viveram 900 ou até 1.000 anos antes da Guerra de Tróia”. No entanto, a Guerra de Tróia ocorreu, na verdade, pouco mais de 400 anos depois, e não 900 a 1.000 anos depois.
Conclusão: Ou os gregos tomaram a história dos hebreus anteriores, ou os gregos tomaram a história de algum outro lugar fora da Grécia, ou os relatos gregos e bíblicos se baseiam no mesmo evento.
P: Em Gênesis 11:9, seria incorreto derivar o nome “Babel” da palavra hebraica balal, que significa “misturado, confuso ou confundido”, uma vez que, em babilônico, Bab-ilu significa “portão de Deus”, conforme afirma o cético Guia de Asimov para a Bíblia, p. 55?
R: Não. Asimov pressupõe que Babel fica no local da cidade da Babilônia. A Bíblia não afirma que os babilônios ou sumérios diziam que o nome se devia ao fato de as línguas estarem misturadas, confusas ou desorientadas. Em vez disso, Gênesis afirma que, independentemente de onde Babel estivesse, as pessoas posteriormente (incluindo os hebreus que liam Gênesis) poderiam chamá-la de Babel porque as línguas estavam confusas naquele local.
P: Em Gênesis 11:11, quantos anos Sem tinha quando ocorreu o dilúvio?
R: Eis o que se pode observar nas Escrituras e, em seguida, a conclusão:
Gênesis 11:11 diz que Sem tinha 100 anos dois anos após o dilúvio.
Gênesis 5:32 diz que Cam, Sem e Jafé nasceram quando Noé tinha 500 anos.
Gênesis 7:6 diz que Noé tinha 600 anos quando o dilúvio se abateu sobre a terra.
Nada nas Escrituras indica que Cam, Sem e Jafé fossem trigêmeos. Gênesis 7:6 era um número redondo; os três nasceram, provavelmente um de cada vez, quando Noé tinha aproximadamente 500 a 600 anos.
P: Em Gênesis 11:18-24, existe algum registro extra-bíblico sobre Reu, Serug e Naor?
R: Ninguém pode esperar que tenhamos um registro independente de cada indivíduo. No entanto, neste caso, provavelmente temos um registro independente. As crônicas assírias registram aldeias na Síria moderna chamadas Paligg, Reu, Sarugi e Nakhur. Os registros de Mari também mencionam Nakhur.
P: Em Gênesis 11:27 e Gênesis 17:5, qual é a origem dos nomes “Abram” e “Abraão”?
R: A origem do nome é incerta. Trata-se de um nome semítico ocidental e provavelmente significa “o pai é exaltado” ou “pai exaltado”. Em tabuinhas preservadas da cidade de Mari (2800-1760 a.C.) encontram-se os nomes de Noé, Abrão, Labão e Jacó. O nome “Abraão” significa “pai de multidões” ou “pai de uma multidão”.
P: Em Gênesis 11:27 e 17:5, de que maneira os nomes, apelidos e títulos influenciam sutilmente as pessoas?
R: Eles podem fazer pelo menos oito coisas:
Informam e causam uma primeira impressão a um estranho sobre a função ou a importância de uma pessoa. Em uma empresa em que trabalhei, a maioria das pessoas, e todas aquelas que possuíam uma experiência considerável, tinham o título de “vice-presidente”.
Convencem as pessoas de que você é capaz de desempenhar a função. Por que você contrataria alguém com mestrado para realizar um trabalho, quando poderia ter um doutorado? De todos os conquistadores da história, é interessante notar que “Guilherme, o Conquistador” foi um dos poucos a receber esse apelido. Embora tenha conquistado a Inglaterra, a Escócia e, posteriormente, a Irlanda, houve inúmeras ocasiões em que ficou incerto se seu exército venceria ou seria aniquilado.
Lembre a si mesmo e aos outros exatamente quem somos.
Deve esclarecer aos que já nos conhecem exatamente qual é a nossa identidade principal
Oculte dos outros exatamente o que estamos fazendo. Pense em um “conselheiro” da Planned Parenthood, ou nos tribunais de saúde hereditária e na Lei de Saúde Conjugal dos nazistas.
Menospreze os outros pronunciando mal o nome deles ou dando-lhes um apelido depreciativo. Maria, a Sanguinária, foi a última monarca católica da Inglaterra. Ela tentou matar ou exilar todos os protestantes, depois que alguns deles tentaram assassiná-la. Após sua decapitação, todos os católicos da Inglaterra foram exilados ou mortos.
Seja motivo de piada, como o amigo de Robin Hood, “Little John”, ou o jogador de futebol americano do Detroit Lions, “Refrigerator Perry”. (Derrubá-lo era como derrubar uma geladeira). O cantor country Johnny Cash tinha uma balada interessante chamada “A Boy Named Sue”.
Valorize os outros aos olhos deles mesmos ou dos demais. Pense em Alexandre, o Grande, Alfredo, o Grande, Otão, o Grande, Solimão, o Magnífico, ou Ivan, o Grande (chamado por seus inimigos de Ivan, o Terrível). Por outro lado, pode-se realçar sua ferocidade. Os romenos procuravam persuadir os muçulmanos a não tentarem invadir a Romênia, pois seu rei era chamado de Vlad, o Empalador. Havia também o governante turco Selim, o Sombrio, que massacrou muitos alauítas.
Ocasionalmente, uma mãe chinesa pode dar ao seu último filho o apelido de “duo duo”, que significa “mais”. Isso pode significar uma bênção adicional ou um fardo extra indesejado e não intencional.
P: Gênesis 11:27 ensina que Abrão, Naor e Harã nasceram em alguma ordem específica?
R: Embora algumas pessoas pensem erroneamente que uma lista na Bíblia sempre indica quem nasceu primeiro, isso não é verdade. Por exemplo, em 1 Crônicas 3:15, Zedequias é listado como o terceiro filho de Josias, e Salum/Joacaz é listado como o quarto. No entanto, quando Jeoacaz se tornou rei em 609 a.C., ele tinha 23 anos, e Zedequias tinha apenas dez anos. Outro exemplo: Cam é mencionado antes de Sem e Jafé, mas Gênesis 9:24 mostra que Cam era mais novo. Portanto, se a Bíblia apresenta uma lista sem indicar que os nomes estão em ordem, não devemos tentar interpretar na Bíblia o que não está lá.
Nesse caso específico, como Abrão tinha 75 anos quando partiu de Harã após a morte de Terá (Gênesis 12:4), e Terá faleceu aos 205 anos (Gênesis 11:32), Abrão não era o filho que nasceu quando Terá tinha 70 anos. Abrão só nasceu quando Terá já tinha pelo menos 130 anos.
P: Em Gênesis 11:28, Abrão era da cidade de Ur, ou era da cidade de Harã, conforme Gênesis 24:4?
R: Abrão era originário de Ur dos caldeus, no sul da Mesopotâmia, mas, antes de chegar a Canaã, Abrão e seus parentes estabeleceram-se inicialmente na cidade de Harã, na atual Síria.
P: Por que Gênesis 11:28 menciona Ur dos caldeus, uma vez que Ur era uma cidade suméria?
R: Isso nos dá uma pista sobre quando esse texto foi escrito. Os caldeus e os sumérios do Iraque já haviam se assimilado na época de Moisés, e Moisés mencionou a terra do atual Iraque tal como era conhecida na época de Moisés. Além disso, os documentos de Ebla mencionam uma cidade chamada Uru, que ficava em Padã-Arã (atual Síria). Portanto, apenas para garantir que não houvesse erro, em vez de dizer simplesmente “Ur”, foi escrito “Ur dos caldeus”.
P: Em Gênesis 11:28, Abraão poderia ter partido de outra cidade chamada Ur?
R: Não. Havia uma cidade próxima a Harã chamada Ur/Urfa (atual Edessa), uma cidade hitita chamada Ura no nordeste da Anatólia/Armênia e um porto hitita também chamado Ura, próximo a Tarso. No entanto, essas cidades são mencionadas pela primeira vez 500 anos após Abraão.
P: Em Gênesis 11:28, o que sabemos sobre a cidade mesopotâmica de Ur além do que está na Bíblia?
R: Sabemos muito sobre Ur, graças a extensas escavações. A cidade era provavelmente a maior do mundo naquela época, com uma população estimada entre 180.000, 200.000 e 300.000 habitantes. Ela tinha formato oval, e o monte media 3.000 pés de comprimento por 800 pés de largura. Possuía um zigurate de três andares, 70 pés acima do nível do solo. As muralhas tinham trinta pés de altura. Era uma cidade rica, com obras de arte espetaculares. O povo de Ur era relativamente sofisticado, com um texto matemático que abordava raízes cúbicas.
Geografia: Ur era banhada pelo rio Eufrates de um lado e por canais dos outros lados. O solo era um tanto alcalino, mas excelente para o cultivo de trigo e cevada com irrigação. Havia cerca de 50 espécies de peixes nos rios Tigre e Eufrates. Não havia árvores nas proximidades, por isso importavam madeira de uma distância de 400 milhas.
Civilização: Cerca de 40% de todos os grãos eram utilizados para a fabricação de cerveja. Foi encontrado um jogo de tabuleiro. Possuíam casas de tijolos de barro de um e dois andares, além de ruas não pavimentadas. Frequentemente, havia um túmulo familiar sob a casa.
Literatura: A primeira escrita suméria data de cerca de 3.200 a.C., 1.200 anos antes de Abraão. Foram recuperadas 100.000 tabuinhas em Ur, Umma, Lagash, Puzrish-Dagan e Nippur.
Ciência: Foi encontrada uma tabuinha matemática com raízes cúbicas. Eles não possuíam um sistema decimal, mas utilizavam os números 1, 10, 60, 600, 3.600, 36.000 etc. Um vestígio disso é o fato de dividirmos os círculos em 360 graus. Seu calendário contava com 360 dias, e eles praticavam a astrologia. O zigurate principal era muito bem construído.
Templos: O zigurate principal era dedicado ao deus da Lua (não à deusa), chamado Nanna/Nannar em sumério e Sin em acádio/semítico. O zigurate principal possuía três níveis. O nível mais baixo, com 210 por 140 por 20 pés, foi construído por Ur-Nammu e Dungi. Ur-Nammu viveu por volta da época de Abraão. Nabonido (c. 560 a.C.) construiu o segundo nível, e um pequeno edifício constituía o terceiro nível. Havia templos dedicados a E-num-mah, Nirgal/Ningal (esposa de Nanna) e o santuário de Nannar.
História: A Primeira Dinastia de Ur (2600-2500 a.C.) teve reis chamados Mesanepada e Aanepada. Os gutianos conquistaram Ur e governaram a cidade de 2150 a 2070 a.C., até que Ur-Nammu os expulsou e deu início à Terceira Dinastia de Ur. O povo de Ur saqueou Susa, a capital elamita, cerca de 50 anos depois. Abraão partiu de Ur antes de 2000 a.C., época em que Ur talvez parecesse um dos lugares mais seguros para se viver. Em 2004 a.C. (alguns dizem que em 1950 a.C.), os elamitas saquearam Ur, e a cidade de Ur nunca mais recuperou sua proeminência anterior. Portanto, se Abraão tivesse desobedecido a Deus e permanecido em Ur, provavelmente ele ou seus descendentes teriam sido escravizados ou mortos.
P: Em Gênesis 11:31, Abrão partiu para Canaã de Ur ou de Harã, como diz Gênesis 12:5?
R: Gênesis 12 não diz que Abrão estava em Harã quando Deus o chamou. Não há menção de que Gênesis 11:31 seja cronologicamente anterior a Gênesis 12. Muitas biografias modernas seguem uma ordem estritamente cronológica, mas não há exigência de que assim seja, e muitas vezes o Antigo Testamento e os Evangelhos não seguem uma ordem estritamente cronológica. Só podemos ter certeza de que a intenção era seguir uma ordem cronológica quando o autor afirma que o texto está em ordem cronológica. Gênesis 24:4 não diz, em hebraico, “terra de meu nascimento”, mas sim “meu país”, referindo-se ao lugar onde Abrão morou por algum tempo e onde seus parentes mais próximos ainda viviam.
P: Em Gênesis 12:1, 28:10-15; 32:22-32, por que Deus escolheu os judeus em vez dos chineses ou de qualquer outro povo?
R: Em primeiro lugar, Deus tem o direito de escolher quem Ele desejar. Aqui, Deus não escolheu um povo, mas sim um homem: Abraão. Posteriormente, a aliança e a descendência foram atribuídas a Isaque em Gênesis 17:21 e 21:12. Mais tarde, Jacó foi escolhido em Gênesis 26:23-24. Abraão estava disposto a deixar sua cultura e sua cidade (Ur), que provavelmente era a maior cidade (com população entre 100.000 e 180.000 habitantes) e a mais civilizada da Terra naquela época. Muitas pessoas têm algum desejo de fazer o que é certo, mas poucos homens abastados estariam dispostos a sacrificar seus laços com sua cultura e religião para seguir a Deus acima de tudo, mesmo para um lugar que ele não conhecia (Hebreus 11:8).
Hoje, Romanos 10:12 e Gálatas 3:24 ensinam que, para Deus, não há diferença entre os crentes judeus e os não judeus.
P: Em Gênesis 12:1, há alguma evidência, fora da Bíblia, de que o Deus verdadeiro tenha se revelado a mais alguém na época de Abraão, ou antes?
R: Sim. Primeiro, dois fatos contextuais da Bíblia; em seguida, a resposta.
B1. Em Gênesis 14:18-20, Melquisedeque era rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, a quem ele chamava de El Elyon. No entanto, não levaremos Melquisedeque em conta, pois ele é mencionado apenas na Bíblia, e Melquisedeque poderia ter sido uma manifestação pré-encarnada de Cristo.
B2. Em Gênesis 24:50, os parentes de Abrão na Síria (entre os arameus) acreditavam no Senhor.
A resposta:
A1. Os textos ugaríticos (da cultura que existia na atual Síria e no Líbano) também mencionam um Deus pessoal chamado “El” e usavam a expressão “El Elyon” para se referir ao Deus Altíssimo, assim como Melquisedeque. Infelizmente, na cultura ugarítica, o sincretismo estava em ação e, por fim, eles passaram a adorar “El” apenas como um de muitos deuses.
A2. Na China, antes da chegada do budismo logo após Cristo e antes do confucionismo e do taoísmo, algumas centenas de anos antes de Cristo, adoravam-se vários ídolos. No entanto, antes disso, adoravam-se um Deus Supremo, a quem chamavam de Shang-di. As primeiras referências escritas a Shang-di na China datam de 2.600 a.C., ou seja, cerca de 400 a 500 anos antes de Abraão! Infelizmente, durante a dinastia Zhou, por volta de 1.000 a.C., decidiu-se que ninguém era digno de adorar Shang-di, exceto o Imperador, e a adoração a Shang-di entre as massas foi desaparecendo. Há alguns séculos, os cristãos na China discordavam profundamente sobre se a Bíblia chinesa deveria usar sempre o termo genérico para divindade, “Sheng”, ou também utilizar a palavra antiga “Shang-di”. A segunda opção prevaleceu, e as Bíblias chinesas utilizam tanto “Shang-di” quanto “Sheng”.
O imperador chinês adorava Shang-di sacrificando um touro em um altar de mármore branco durante o “Sacrifício da Fronteira”, que foi registrado por Confúcio no Shu Jing (Livro da História), onde ele mencionou que o imperador Shun (2256-2205 a.C.) praticava esse ritual. A tradição foi interrompida em 1911 d.C. Aqui está parte do que era dito durante o sacrifício
“No início dos tempos, havia o grande caos, sem forma e sombrio. Os cinco elementos [planetas] ainda não haviam começado a girar, nem o sol e a lua a brilhar. Vós, ó Soberano Espiritual, separastes primeiro as partes mais densas das mais puras. Criastes o céu. Criastes a terra. Criastes o homem. Todas as coisas, com seu poder de reprodução, passaram a existir.” Para mais informações sobre Shang-di, consulte um artigo de Ethel Nelson na revista Creation ex Nihilo, vol. 20, n.º 3, junho-agosto de 1998, p. 50-53.
Os coreanos possuem uma tradição antiga semelhante sobre um Shang-di, a quem chamam de Hananim. Uma antiga tradição coreana de Tan-gun dizia que Hananim tinha um filho que desejava viver entre as pessoas. Você pode ler mais sobre Shang-di, Hananim e outras revelações antigas que aparentemente se referiam ao verdadeiro Deus no livro *Eternity in Their Hearts*.
P: Em Gênesis 12:1-3, 7, como Deus cumpriu Suas promessas a Abraão?
R: Deus as cumpriu incondicionalmente, independentemente do que Abraão fizesse.
Deus fez de Abraão uma grande nação. Na verdade, Abraão foi o antepassado tanto dos israelitas quanto de muitos árabes. (Gênesis 12:2)
Deus abençoaria Abraão. Abraão viveu e morreu como um homem muito rico, além de ter tido muitos descendentes. (Gênesis 12:2)
Deus engrandeceu o nome de Abraão. Seu nome é tido em alta estima onde quer que haja cristãos, judeus e muçulmanos. (Gênesis 12:2)
Deus abençoará aqueles que abençoarem Abraão e amaldiçoará aqueles que o amaldiçoarem. Os países que acolheram os judeus receberam uma grande bênção, e aqueles que os amaldiçoaram, como a Alemanha nazista, sofreram imensamente. (Gênesis 12:3)
Os descendentes de Abraão têm possuído a terra da Palestina. (Gênesis 12:7)
P: Em Gênesis 12:1-5, Deus está falando com Abrão aqui, ou trata-se de uma repetição do que Deus disse a Abrão em Gênesis 12:4b-9?
R: Não se trata de uma repetição. Em Gênesis 12:1-4a, Deus ordenou que Abrão fizesse algo sem especificar se ele o fez ou não. Gênesis 12:4b-9 nos diz que Abrão fez o que Deus ordenou, exceto que ele levou Ló consigo.
P: Em Gênesis 12, Abraão poderia ter escrito o que os mórmons consideram escritura, chamado de “O Livro de Abraão”?
R: Não. Primeiro, algumas informações sobre o “Livro de Abraão” mórmon e a importância da fraude; em seguida, a prova de que se trata de uma fraude. Este material foi extraído de textos anteriormente escritos sobre o mormonismo.
Contexto:
O “Livro de Abraão” mórmon faz parte da Escritura mórmon “A Pérola de Grande Valor”. É a base da doutrina mórmon contra os negros, que impediu que os negros jamais recebessem o sacerdócio mórmon. A doutrina contra os negros foi alterada (pelo deus mórmon?) em 1978.
O “Livro de Abraão” mórmon foi escrito a partir de pergaminhos egípcios antigos que Joseph Smith obteve em julho de 1835, os quais, segundo ele, continham os escritos de Abraão e José. Ele não conhecia o egípcio antigo, idioma que poucos sabiam ler naquela época. Ele proclamou que Deus o inspirou divinamente a traduzir alguns desses pergaminhos para o inglês, e foi assim que o “Livro de Abraão” mórmon surgiu.
Esses pergaminhos egípcios já foram considerados perdidos e destruídos, mas onze deles foram encontrados no Museu Metropolitano de Nova York e doados à Igreja Mórmon em 1868.
Importância da fraude:
Dizia-se que o Livro de Mórmon havia sido traduzido da mesma língua que o Livro de Abraão. Se Joseph Smith não conseguiu traduzir um, então ele também não traduziu o outro, e nenhuma de suas escrituras é confiável. Além disso, se o pergaminho for uma escritura pagã dedicada a um deus idólatra, Joseph Smith seria um profeta, vidente e revelador de seu guia, o ídolo do pergaminho.
Eis o que Joseph Smith afirmou sobre a tradução: “Uma tradução de alguns registros antigos, que chegaram às nossas mãos vindos das catacumbas do Egito. — Os escritos de Abraão, redigidos por sua própria mão, em papiro.” Pérola de Grande Valor, p. 29.
Prova da fraude:
Há três maneiras pelas quais sabemos que esses são os pergaminhos egípcios que Joseph Smith tentou traduzir.
1. Três dos quatro manuscritos originais do Livro de Abraão, escritos à mão, apresentavam hieróglifos egípcios nas margens. Dos cerca de oitenta hieróglifos egípcios presentes no pergaminho, 20, 13 e 10 hieróglifos foram transcritos nos manuscritos nº 1, nº 2 e nº 3, respectivamente. Quando havia lacunas no pergaminho, 7, 6 e 6 hieróglifos restaurados foram adicionados aos três manuscritos. A partir disso, podemos ter certeza de que esse pergaminho egípcio foi o que Joseph utilizou.
2. Joseph inventou uma versão da língua egípcia. O livro encadernado de trinta e quatro páginas, intitulado “Alfabeto e Gramática Egípcios”, ainda se encontra em posse da Igreja. Esse livro de língua ilustra muitos dos hieróglifos egípcios do pergaminho. Uma “tradução” em inglês muito semelhante consta do “Alfabeto e Gramática Egípcios”, tal como no Livro de Abraão. Alguns consideram isso um dos fatos mais prejudiciais contra a inspiração que Joseph alegava ter.
3. As imagens no início tanto do pergaminho egípcio quanto do “Livro de Abraão” de Smith são as mesmas. A única diferença é um ponto desenhado a lápis na imagem egípcia que foi preenchido na imagem mórmon. Não apenas as imagens foram copiadas idênticas, mas as legendas nas imagens nº 2 e nº 3, referentes aos ídolos egípcios, também foram copiadas para a escritura mórmon.
A tradução real:
Smith pensava que estava traduzindo esses hieróglifos. Leia a tradução real do Dr. Klaus Baer na próxima página. (Dialogue: A Journal of Mormon Thought: outono de 1968, p. 119-120.)
“Osíris será conduzido à Grande Piscina de Khons — e da mesma forma Osíris Hor, justificado, filho de Tikhebyt, justificada — depois que seus braços tiverem sido colocados sobre seu coração e a Permissão para Respirar (que [Ísis] fez e que possui inscrições por dentro e por fora) tiver sido envolvida em linho real e colocada sob seu braço esquerdo, perto de seu coração; o restante de suas bandagens de múmia deverá ser enrolado sobre ela. O homem para quem este livro foi copiado respirará para sempre, assim como fazem os bas dos deuses.” (Bas são almas.) Na p. 111, o Dr. Baer afirmou: “Joseph Smith acreditava que seu papiro continha o Livro de Abraão.”
Smith traduziu milhares de palavras em inglês a partir desses hieróglifos. Joseph disse que se tratava dos escritos de Abraão e da palavra de seu deus. Na verdade, tratava-se de uma variante do Livro dos Mortos — um livro mágico egípcio pagão repleto de deuses e deusas pagãos, frequentemente enterrado junto com múmias.
O Dr. Richard Parker, da Universidade Brown, em uma carta pessoal a Marvin Cowen datada de 9 de janeiro de 1968, afirmou: “5. Eu vi o ‘Alfabeto e Gramática Egípcios’ de Joseph Smith. A interpretação dos sinais que supostamente seriam egípcios não tem nenhuma semelhança com o significado que lhes é atribuído pelos egiptólogos.”
Há cinquenta anos, o Dr. A.B. Mercer afirmou: “Qualquer aluno meu que demonstrasse tamanha ignorância absoluta sobre o egípcio, como faz Smith, não poderia, de forma alguma, esperar obter mais do que zero em uma prova de egiptologia.” (Improvement Era, vol. 16, p. 615.) Isso continua válido até hoje.
O Dr. John A. Wilson afirmou: “...no que me diz respeito, vejo fragmentos de dois ou possivelmente três papiros diferentes, e cada um deles se parece com um tradicional Livro dos Mortos.” (carta de 5 de janeiro de 1968.)
Detalhes das imagens
Vamos examinar agora as três imagens do Livro de Abraão e as legendas que as acompanham, extraídas de um dos pergaminhos e do volume 3 da revista *Times and Seasons*.
Os textos e as imagens retratam cenas fúnebres típicas do Egito, com ídolos egípcios. José ensinou que essas imagens representavam Abraão e o Deus Verdadeiro.
Fac-símile nº 1:
Hor, o Justificado, filho do detentor dos mesmos títulos.
Fac-símile nº 2
Conceda que a alma de Osíris Sheshonk possa viver
Eu (Min) sou um touro em cópula sem igual.
Que este túmulo nunca seja profanado.
Facsímile nº 3
Ó deuses de . . ., deuses das Cavernas, deuses do sul, do norte, do oeste e do leste, concedam bem-estar a Osíris Hor, o justificado
Conclusão:
O deus de Smith o enganou. A tradução de Joseph Smith não tem valor algum. Se o senhor busca o Senhor, caro mórmon, peço que deixe a Igreja Mórmon, rejeite a farsa de Joseph e entregue sua vida ao Deus Altíssimo por meio de Jesus Cristo, Seu Filho.
P: Em Gênesis 12:4, como é que Abrão poderia ter 75 anos quando partiu da cidade de Harã após a morte de Terá? Em Gênesis 11:26, visto que Terá tinha 70 anos quando teve seus três filhos, Atos 7:4 diz que Abrão partiu de Harã após a morte de Terá, e Terá morreu aos 205 anos (Gênesis 11:32), então seus três filhos teriam 135 anos.
R: A menos que Abrão, Naor e Harã fossem trigêmeos (o que é improvável), Gênesis 11:26 refere-se ao fato de Terá ter 70 anos quando começou a ter filhos. Abrão só nasceu quando Terá já tinha pelo menos 130 anos.
P: Em Gênesis 12:8, os arqueólogos descobriram a cidade de Ai?
R: Não. Eles não encontraram os vestígios de uma pequena cidade que, segundo se diz, teria sido totalmente destruída.
P: Em Gênesis 12:10-19, há alguma evidência extra-bíblica de que pessoas de Canaã ou de outras partes do Oriente Médio tenham vindo para o Egito?
R: Sim, há. Uma pintura em uma tumba em Beni Hasan, no Egito, mostra “asiáticos”. A tumba 3, de Khnumhotep, mostra 37 semitas chegando ao Egito para o comércio. Eles tinham cabelos negros, barbas pontudas, mantos longos, arcos e varas de arremesso. O Dicionário Wycliffe de Arqueologia Bíblica, p. 139, afirma que essa pintura data de 1892 a.C.
Sabe-se que o alfabeto foi utilizado pela primeira vez pelos semitas no Egito em 1800 a.C. ou antes, ao norte de Luxor. (Ver BAR, janeiro/fevereiro de 2000, p. 12)
Os camelos nas pinturas murais do templo de Hatsheput, próximo a Tebas, também remontam à época de Abraão.
P: Em Gênesis 12:10-19, foi Abraão quem disse que sua esposa era sua irmã no Egito, ou foi Isaque quem fez isso em Gerar, em Gênesis 26:2-11? (Um cristão liberal levantou essa questão como uma repetição, demonstrando que vários autores escreveram o Gênesis.)
R: Não se trata de uma repetição; são dois eventos distintos. Isaac provavelmente teve essa má ideia ao seguir o exemplo de seu pai.
P: Em Gênesis 12:10-20 e Gênesis 20:1-18, Deus tolerou a mentira de Abrão?
R: Não. A Bíblia registrou com honestidade, mas nunca aprovou a mentira de Abrão devido à sua falta de fé na proteção de Deus. Mesmo grandes homens de Deus ainda pecam, e por isso não devemos desanimar quando pecamos.
Deus abençoou Abraão por causa de sua fé, não porque ele fosse isento de pecado, mas apesar de seu pecado.
Somente Deus é perfeito. Nosso objetivo é buscar a perfeição, que alcançaremos somente no Céu. Consulte a discussão sobre Gênesis 19:30-36.
P: Em Gênesis 12:16, que outras evidências temos da presença de camelos no Oriente Médio, fora do Egito, durante esse período?
R: Temos pelo menos quatro evidências
1. Um texto sumério diz: “Ó Dummuzi, forneça-me leite de camelo - o leite do camelo é doce, o creme do camelo é doce” (Oppenheim, A. (1960) Dicionário Assírio de Chicago, vol. 7)
2. Uma placa em Tell Asmar, no Iraque, datada de 2500 a 2000 a.C., mostra um cavaleiro montado em um camelo dromedário (Dostal, W. (1959) “O Desenvolvimento da Vida Beduína no Mundo Árabe Visto a Partir de Material Arqueológico”, em A. Abdalla et al., Estudos sobre a História da Arábia, vol. 1, p. 16, 13
3. Um selo da Síria, datado do século XVIII a.C., mostra duas pessoas montadas em um camelo bactriano (Porada, E., 1977) “Um selo cilíndrico com um camelo na Walters Art Gallery”. Journal of the Walters Art Gallery, n.º 36.
4. Uma lista síria do século XVIII menciona “uma [medida] como forragem para o camelo” (Wisemann, D. (1950) “Listas de rações de Alakh VII”, Journal of Cuneiform Studies, n.º 13.
Consulte Stephen Caesar, “Ciência, Estudos Acadêmicos e Escrituras — Camelos domesticados no Gênesis”, em Christina News, 6 de agosto de 2001, p. 17.
P: Em Gênesis 13, foi Ló quem escolheu onde Abraão iria morar, ou foi Deus quem deu a Abraão a Terra Prometida para morar?
R: Ambos. A “concorrência” é a doutrina de que Deus usa eventos e pessoas, mesmo pessoas equivocadas e más, para realizar Sua vontade e cumprir Suas promessas. Abrão (Abraão) permitiu que Ló escolhesse entre o lado leste ou oeste do Jordão, e Ló escolheu o lado leste. Embora Deus tenha feito com que Abrão se mudasse para aquela região, Ele também planejou especificamente que Abrão ficasse com o lado oeste do rio Jordão. Deus usou a escolha de Ló para realizar Sua vontade.
P: Em Gênesis 13, o que você faz quando há um desentendimento entre duas pessoas, ou duas partes, e você não vê esperança de resolver o desentendimento?
R: É bom, em primeiro lugar, trabalhar em conjunto para tentar resolver o desentendimento. Uma coisa que ajuda é tentar ver a situação da perspectiva da outra pessoa. Em seguida, tente ajudá-la a enxergá-la da sua perspectiva. Mostre a ela qual é a sua melhor alternativa caso não cheguem a um acordo. Pergunte o que ela faria se estivesse no seu lugar. Às vezes, como “passar a linha pela agulha”, há um caminho intermediário que permite dar a cada lado a maior parte do que deseja.
Às vezes, não há compromisso ou solução possível. Às vezes, a separação é a melhor opção, e basta se separarem como amigos. Quando se separarem, façam-no nos melhores termos possíveis, com perdão, se necessário. Embora Abraão e Ló não tivessem qualquer desentendimento entre si, não havia pastagem suficiente em uma única área para os rebanhos de ambos juntos. Assim, tiveram que se separar; não havia outra saída.
É claro que a reconciliação é melhor do que a separação. Mas, para que a reconciliação funcione para ambas as partes, não apenas uma delas deve estar disposta a se reconciliar.
P: Em Gênesis 13:8 e 29:15, em que sentido esses homens eram irmãos?
R: Em Gênesis 13:8, Abrão chama Ló de irmão, enquanto em Gênesis 29:15, Labão chama Jacó de irmão. A Bíblia registra que Abrão e Labão estavam expressando tanto seus laços afetivos quanto seu parentesco de sangue, mas eles não eram, de fato, irmãos.
O cético *Guia de Asimov para a Bíblia*, pp. 819-820, não vê nenhum problema nisso, mas acrescenta que, nesses casos, geralmente é fornecido material genealógico suficiente para que possamos conhecer o parentesco exato. Esse não é o caso dos irmãos de Jesus; portanto, eles provavelmente eram meio-irmãos biológicos.
P: Em Gênesis 13:12, Ló armou sua tenda perto de Sodoma, ou Ló morava em Sodoma, conforme Gênesis 14:12?
R: É muito provável que ambas as afirmações sejam verdadeiras, em momentos diferentes. Ser nômade significava que era possível deslocar-se facilmente. Ló certamente tinha sua tenda longe de Sodoma antes de se separar do grupo de Abrão. Posteriormente, ele certamente a tinha perto de Sodoma e, mais tarde, na área circundante controlada por Sodoma (a grande Sodoma). Depois, passou a morar em Sodoma (seja em uma tenda, seja em uma casa). Mais adiante, em Gênesis 19:3, Ló possuía uma casa em Sodoma.
P: Em Gênesis 14:1-2, quem são esses reis?
R: Isso ocorreu por volta de 2.000 a.C., portanto, não é surpreendente que não possamos identificar alguns desses governantes. No entanto, Elam era uma grande potência, tendo conquistado a cidade de Ur, de Abrão, por volta de 2.004 a.C. Shinar é a palavra que tanto o Antigo Testamento quanto os egípcios usavam para se referir à Babilônia. Chederlaomer soa como “kudur” (palavra elamita para “servo”) e “Lagamar” (uma deusa elamita). Cheder (=Kudur) era a primeira parte do nome de muitos reis elamitas. Tidal parece estar relacionado ao nome hitita Tudhaliya, e houve pelo menos cinco reis hititas posteriores chamados Tudhaliya. As cidades de Si-da-mu (Sodoma) e I-ma-ar (Gomorra) são mencionadas nas tabuinhas de Ebla, datadas de 2.400 a 2.250 a.C. Não temos registros de Arioch de Ellasar, mas há evidências históricas independentes de um rei Ariochu de Larsa, uma importante cidade suméria. Além disso, o livro *História de Israel*, p. 61, afirma que Arriyuk(ki) ou Arriwuk(ki) é conhecido tanto em Mari quanto em Nuzi como um nome hurrita.
De acordo com John Warwick Montgomery, em *Evidence for Faith*, p. 157, antigamente as pessoas identificavam Amrafel com Hamurabi, mas isso está incorreto. Ele também afirma que se prefere Arioch a Ariochu, pois Arioch era um nome comum daquela época. Era um nome hurrita, além de ser o nome de um rei de Mari (por volta de 1750 a.C.) e de aparecer nas tabuinhas da cidade de Nuzi (1500 a.C.). Por ser um nome comum, poderia se referir a qualquer número de reis de quaisquer províncias menores desconhecidas pelo mundo moderno.
Em resumo, esses nomes estranhos foram utilizados apenas durante esse curto período de tempo. É altamente improvável que alguém tivesse escrito esses nomes, a menos que tivesse conhecimento preciso da história daquela época.
P: Em Gênesis 14:1-2, como poderia haver “confederações” de reis em conflito?
R: Haveria muito poucas confederações de reis antes da queda da poderosa cidade-estado de Ur, em 2004 a.C. Haveria muito poucas confederações após a ascensão de Hamurabi, da Antiga Babilônia, por volta de 1700 a.C. No entanto, entre o momento em que os elamitas destruíram Ur, em 2004 a.C., e o momento em que os elamitas invadiram a Babilônia, em 1725 a.C., Montgomery observa que as confederações eram comuns.
Ninguém na época de Moisés tentaria inventar uma história que soasse credível sobre confederações de reis, pois os impérios monolíticos predominavam. O fato de alguém mencionar confederações como essas demonstra que possuía um conhecimento preciso daquele período. De acordo com o livro *Evidence for Faith*, pp. 157-164, uma carta encontrada em Mari menciona coalizões de dez, quinze e vinte reis. Além disso, sabe-se da existência de pelo menos outras cinco confederações.
P: Em Gênesis 14:1-17, há alguma evidência extra-bíblica sobre Sodoma, Gomorra e as outras cidades?
R: Sim. Não havia nenhuma até que os arqueólogos encontraram as tabuinhas de Ebla. Elas mencionam si-dam-mu (Sodoma) e sa-ba-i-im (Zeboiim). (Júlio Africano, 200-245 d.C., chama essa cidade de Seboim.) I-ma-er é provavelmente Gomorra.
P: Em Gênesis 14:5, o que significa Ashteroth-Karnaim?
R: Há duas possibilidades.
1. Poderia significar “Astarté dos dois chifres”, já que essa deusa era representada com dois chifres em Gezer e Bet-Shan.
2. É mais provável que signifique a cidade de Ashteroth, que fica próxima a Karnaim, para distingui-la de outras cidades que levam o nome da deusa.
P: Em Gênesis 14:5-6, 36:20 e Deuteronômio 2:12,22, quem são os horitas?
R: Os horitas eram originários da atual Armênia. Foram mencionados pela primeira vez na época de Sargão de Akkad, no século XXIV a.C.
P: Em Gênesis 14:14, como Abrão e seus aliados, com apenas 318 homens, conseguiram derrotar um exército invasor formado por uma aliança de quatro grandes reis?
R: Gênesis 14:15 sugere que não se tratou de uma batalha campal. Provavelmente foi um ataque noturno surpresa realizado por tropas montadas contra um exército desprevenido. Haveria poucos cavalos no deserto, e poucas pessoas a leste do Egito possuíam camelos, exceto Abraão. Portanto, um ataque relâmpago por tropas montadas seria totalmente inesperado vindo do deserto. Em segundo lugar, Abraão estava aliado a outros três chefes, e a participação deles nos espólios mostrou que também faziam parte do ataque. É claro que Deus também pode ter ajudado.
P: Em Gênesis 14:14, como o ataque de Abrão se compara a outros ataques surpresa da história?
R: O exército aparentemente recuou de Dan até Damasco, a cerca de 40 milhas (64 km) de distância, de modo que o exército de Abrão venceu “no campo de batalha”. Vamos examinar os ataques surpresa, os ataques contra exércitos maiores e, por fim, vamos analisar a situação da perspectiva dos inimigos. Alguns desses números são da Enciclopédia Britânica.
Primeiramente, analisaremos os ataques surpresa.
Na Batalha de San Jacinto, em 1836, Sam Houston e 743 soldados inexperientes realizaram um ataque durante o dia contra 1.800 soldados mexicanos e saíram vitoriosos.
Na Batalha de Trenton, Washington cruzou o rio Delaware à noite, surpreendendo os mercenários de Hesse e capturando 1.000 deles.
Na Floresta de Teutoburgo, Arminius, o germânico, matou 14.000 soldados romanos experientes em uma batalha surpresa.
Agora, vamos examinar vitórias contra adversários muito superiores.
Na Batalha de Maratona, em 490 a.C., 10.000 gregos derrotaram 20.000 persas.
Em Canas, em 216 a.C., 56.000 cartagineses (com cavalaria utilizada de forma eficaz) derrotaram 86.000 romanos.
Em al-Qadissiyat, em 636/7 d.C., 30.000 muçulmanos derrotaram 120.000 persas.
Em Farsalo, em 48 a.C., Júlio César e 20.000 soldados derrotaram Pompeu e 45.000 soldados.
Em Dorylaeum, em 1091, 70.000 cruzados derrotaram 250.000 muçulmanos, matando cerca de 30.000 deles. (Os cruzados possuíam armaduras, mas, por outro lado, os soldados de Abraão poderiam ter usado armaduras enquanto o exército invasor havia tirado as suas.)
Alexandre, o Grande, contra os persas; Júlio César contra os gauleses e os helvécios; Belisário, Napoleão e outros também derrotaram forças amplamente superiores, embora em escala maior. Não dispomos dos números relativos a esses exércitos, exceto que Júlio César contava com apenas 10.000 homens quando invadiu a Inglaterra.
A perspectiva dos inimigos: Suponha que o senhor seja um soldado elamita, escolhido para fazer parte de um grupo de elite que partirá em uma missão para longe, a fim de punir Sodoma. O senhor sabe que há um grande número de inimigos logo fora de sua tenda, mas eles são prisioneiros; desarmados e bem vigiados. No meio da noite, o senhor é acordado por tropas a cavalo de um novo inimigo desconhecido que invadem o local e matam seus companheiros. Não só estão fazendo isso, como, se eles afugentarem seus animais ou libertarem e armarem os prisioneiros, o senhor estará perdido. O senhor faz o que é sensato e foge na direção oposta ao ataque, reagrupando-se com seus companheiros mais tarde.
É claro que, além de todos esses fatores, Deus provavelmente ajudou as tropas de Abrão a causar pânico e a derrotar o inimigo. Para um exemplo ainda mais marcante de Deus auxiliando um ataque surpresa bem-sucedido, consulte a batalha de Gideão contra os midianitas em Juízes 7:6-25.
P: Em Gênesis 14:17-20, há algo de interessante sobre essa estrutura?
R: Gênesis 14:17-20 apresenta a tentação da vitória e o encontro com dois reis. Isso é apresentado como um quiasmo, que é um recurso poético comum na literatura hebraica.
O rei de Sodoma 14:17
- O rei de Salém encontrou-se com Abraão 14:18
- - O rei de Salém abençoou Abraão 14:19-20
O rei de Sodoma ofereceu a Abraão o saque 14:21
Talvez tivesse sido mais fácil para Abraão rejeitar a oferta do rei de Sodoma após a bênção de Melquisedeque.
P: Em Gênesis 14:18-19, como Melquisedeque, presumivelmente um cananeu amaldiçoado, poderia estar em posição de abençoar Abraão?
R: Melquisedeque é uma figura misteriosa na Bíblia. Algumas pessoas consideram que Melquisedeque foi uma manifestação pré-encarnada de Cristo. Outros afirmam que Melquisedeque era um homem piedoso (talvez cananeu, talvez não) que servia simplesmente como um tipo de Cristo. Mesmo que Melquisedeque fosse um cananeu, Deus não está limitado a ensinar e santificar pessoas de qualquer nacionalidade.
Como observação adicional, a seita judaica de Qumran atribuía grande importância a Melquisedeque como um libertador celestial, que proclamaria a salvação de Deus.
P: Em Gênesis 14:18, qual é a idade da cidade de Jerusalém?
R: Acreditamos que ela tenha sido fundada por volta de 3.000 a.C. As primeiras crônicas egípcias chamam a cidade de “Urusalim”, o que sugere que a parte “salem” de Jerusalém remonta, no mínimo, à parte “Jebus”.
P: Gênesis 14:18 ensina um “sacerdócio de Melquisedeque” composto por pessoas, como ensinam os mórmons?
R: Não. Gênesis 14 menciona apenas um indivíduo chamado Melquisedeque. Hebreus 7:23-24 afirma que esse Melquisedeque era um tipo de Jesus. Nada na Bíblia sugere que precisemos de mais sacerdotes hoje, além de Jesus.
P: Em Gênesis 15, o que exatamente é uma aliança, e em que sentido a aliança entre Deus e Abraão era incomum?
R: Uma aliança é um acordo mútuo entre partes; as partes podem ser iguais, como em um acordo comercial, ou pode ser entre um rei supremo e um vassalo de posição inferior. Além de ser uma aliança entre o homem e Deus, essa aliança era incomum porque se tratava de uma promessa unilateral de Deus; Abraão não precisava fazer nada.
P: Em Gênesis 15, Deus fez uma aliança com Abrão neste trecho ou em Gênesis 17, após o nascimento de Ismael? (Um cristão liberal levantou essa questão como evidência de que vários autores escreveram o livro de Gênesis.)
R: Tanto a aliança original em Gênesis 15 quanto a confirmação posterior em Gênesis 17 são verdadeiras. Talvez décadas mais tarde, em Gênesis 15, Deus tenha feito uma aliança formal com Abrão, acompanhada de um sacrifício, e lhe tenha prometido um filho. Em Gênesis 17:2, após o nascimento de Ismael, Deus confirmou sua aliança com Abrão, e um sinal disso foi o rito da circuncisão. A confirmação da aliança foi essencial nesse caso, pois Deus precisava corrigir o pensamento de Abrão. Abrão pensava erroneamente que as promessas da aliança se cumpririam por meio de Ismael.
Um segundo exemplo de confirmação de uma aliança ocorreu depois que Deus permitiu que os israelitas fossem derrotados em Ai; eles confirmaram a aliança que haviam feito no Monte Ebal, em Josué 8:30-35.
Às vezes, um cristão, que já fez uma aliança com Deus, também deve reservar um momento para confirmar sua aliança.
É interessante comparar que Deus fez uma aliança com Abraão e a confirmou logo antes do nascimento de Isaque. Mais tarde, Deus fez a promessa de enviar o Messias e a confirmou com João Batista logo antes do início do ministério público de Jesus.
P: Em Gênesis 15:2, o que há de incomum no nome de Eliezer?
R: Talvez nada, mas o “The Expositor’s Bible Commentary”, volume 2, pp. 131-132, afirma que “dificilmente poderia ser uma coincidência” que o valor das letras do nome de Eliezer em hebraico seja 318, o mesmo número de guerreiros que Abraão tinha em Gênesis 14:14.
P: Em Gênesis 15:2, era comum designar um herdeiro que não fosse de sua linhagem?
R: Não sabemos quão comum isso era, mas as tabuinhas de Nuzi afirmam que, em Ur, um casal podia adotar um filho que os ajudaria na velhice e, em troca, o filho se tornaria herdeiro.
P: Em Gênesis 15:12, Abraão agiu incorretamente ao não cortar as aves ao meio, conforme ensina o falso mestre cristão Rev. Moon no “Princípio Divino”, 5ª ed., 1977, p. 269, 507?
R: Não. Os sacerdotes nunca deviam cortar as aves ao meio, conforme Levítico 1:17 e 5:9.
P: Em Gênesis 15:13, os israelitas permaneceram no Egito por 430 anos ou foram oprimidos por 400 anos?
R: Ambas as afirmações são verdadeiras. Consulte a discussão sobre Atos 7:6 para saber como os israelitas viveram no Egito por 30 anos antes de serem escravizados por 400 anos.
P: Em Gênesis 15:16, como os israelitas poderiam ter sido escravizados por apenas quatro gerações, uma vez que, em Gênesis 15:13, foram escravizados por 400 anos?
R: Em Gênesis 15:13,16, Abraão, que provavelmente entendia uma geração como 100 anos, foi informado: 400 anos, 4 gerações. Moisés, por exemplo, viveu até os 120 anos.
P: Em Gênesis 15:16, o Êxodo ocorreu na quarta geração ou na sexta, como sugerem 1 Crônicas 2:1-9 e Mateus 1:3-4?
R: Há dois pontos a serem considerados na resposta.
1. Tudo depende de quanto tempo se considera uma geração. Abraão e Sara tiveram Isaque quando tinham 101 e 91 anos. Deus estava falando com Abraão nesse trecho.
2. Hipoteticamente, não haveria erro mesmo que a Bíblia tivesse mencionado qualquer outro número, desde que a mesma passagem tivesse definido adequadamente o que constitui uma geração. Na verdade, as “quatro gerações” em Gênesis 15:16 são definidas como o período exato de “400 anos” de escravidão, conforme Gênesis 15:13.
P: Em Gênesis 15:17 e Gênesis 19:23, por que a Bíblia afirma que o sol “se põe” e “nasce”?
R: Eu lhe direi depois do pôr do sol. Falando sério, assim como empregamos expressões idiomáticas e gírias comuns para nos expressarmos, a Bíblia também utiliza expressões idiomáticas hebraicas e gregas.
P: Em Gênesis 15:18, o que é o rio do Egito?
R: Não se trata do rio Nilo, mas de um pequeno curso d’água chamado Wadi el-Arish, localizado na parte oriental da Península do Sinai. Pode ser tanto o Wadi el-Arish quanto o braço oriental do rio Nilo.
P: Em Gênesis 15:18, visto que Deus concedeu aos descendentes de Abrão toda a terra até o rio Eufrates, por que eles não receberam essa terra?
R: Os reinos de Davi e Salomão se estenderam até o Eufrates. Além disso, eles poderão receber essa terra no futuro Milênio.
P: Em Gênesis 16:1, uma vez que Abraão e Sarai não tinham filhos, como Abraão pôde ter mais filhos depois de Isaque? (essa pergunta foi feita por um muçulmano)
R: Gênesis 16:1 mostra que era Sarai, e não Abraão, quem era estéril. Abraão teve mais filhos (com sua esposa Quetura), mas Sarai não.
P: Em Gênesis 16:1-4, Abraão cometeu adultério com Hagar? (uma questão levantada por um muçulmano)
R: Não, Ismael não foi fruto de adultério; ele não era ilegítimo. Quatro pontos a serem considerados na resposta.
As concubinas eram legais: a poligamia era permitida no Antigo Testamento, e Sara deu Hagar a Abraão como concubina. Portanto, o que Abraão fez era “legal” de acordo tanto com o que Deus havia revelado a ele quanto com a posterior Lei Mosaica, bem como com a legislação mesopotâmica da época.
Exemplos semelhantes: Além disso, isso não é tão incomum quanto possa parecer para alguns leitores modernos. Exemplos semelhantes de uma serva substituindo uma esposa estéril são encontrados nas leis do Código de Hamurabi, nas Tábuas de Nuzi, nas Tábuas de Alalakh e nas Tábuas de Mari. No entanto, se algo é ao mesmo tempo uma prática comum e “legal”, isso não significa necessariamente que agrade a Deus. Gênesis 16:4-5 mostra que Sara logo se arrependeu de sua ação.
Hagar se orgulhava de sua posição: Hagar não tinha nenhuma objeção em se tornar esposa de Abrão. Na verdade, Hagar mais tarde zombou de Sarai (Gênesis 16:4,5). No Antigo Testamento, embora casar-se com uma cativa fosse aceitável, em nenhum lugar o sexo fora do casamento era justificado como algo que não fosse imoralidade perversa.
Em contraste, os muçulmanos têm permissão para forçar suas cativas a ter relações sexuais com eles, mesmo que não sejam casados com elas. Consulte Bukhari, vol. 3, livro 46, cap. 13, n.º 717, 718, p. 431-432, p. 432; vol. 9, livro 93, cap. 18, n.º 506, p. 372; Sahih Muslim 2:3371-3374; Abu Dawud, vol. 2, n.º 2150, 2167 para mais informações.
Em conclusão, Deus é santo, Abraão não foi adúltero e os cristãos têm um padrão de santidade mais elevado do que o que Maomé exigia de seus companheiros nos Hadiths.
P: Em Gênesis 16:1-4, quais são algumas maneiras que o senhor conhece, ou que se observam ao longo da história, pelas quais os crentes fizeram concessões?
R: Quando Constantino se tornou imperador, parecia que a era de ouro do cristianismo na Terra havia começado.
Abraão chamando Sara de irmã duas vezes (Gênesis 12:11-20; 20:1-2)
A bela túnica babilônica de Acã, 200 siclos de prata e uma barra de ouro (Josué 7:20-23)
Cristo a Pedro: “Afasta-te de mim, Satanás” (Mateus 16:23)
Judas por trinta moedas de prata. Talvez para forçar Jesus a agir também. (Mateus 26:14-16)
Ananias e Safira venderam o campo e alegaram ter doado todo o dinheiro. (Atos 5:1-11)
Demas, porque amava este mundo (1 Timóteo 4:10)
Martinho Lutero e os judeus
A “normalidade” da escravidão nos Estados Unidos. Um terço dos sulistas eram escravos. A Proclamação de Emancipação libertou cerca de 3 milhões de escravos.
Parte da igreja na Alemanha e na China continental cedeu por medo
Missionários da C5: Trindade
Em Gênesis 25:1, ao casar-se com Quetura. Os filhos nascidos desse casamento, os midianitas, tornaram-se mais tarde um espinho no lado dos israelitas. Quando Abraão faleceu, Isaque e Ismael o enterraram, mas os outros filhos nem sequer compareceram.
Em nível nacional
Em geral, as pessoas parecem ser melhores em seguir ordens do que em questionar se essas ordens devem ser seguidas.
Índios americanos: Quebra dos tratados com os Sioux quando o ouro foi descoberto em Montana em 1874, com os Nez Perce e outros.
Os Nez Perce, em violação ao Tratado de Walla Walla de 1855, que concedia à tribo 7,5 milhões de acres em suas terras ancestrais e o direito de caçar e pescar nas terras cedidas ao governo. No entanto, mais tarde foi encontrado ouro, e colonos brancos fundaram ilegalmente a cidade de em terras dos Nez Perce. Guerra dos Nez Perce, junho a outubro de 1877
Não ter tomado nenhuma medida em relação aos 1,5 milhão de mortos no genocídio armênio, que teve início em 5 de junho de 1915. Em 1939, Hitler usou essa desculpa para começar a exterminar os judeus.
Aborto: Quantos abortos ocorreram desde 1970 nos EUA? A resposta correta é que não sabemos, já que alguns estados não forneceram dados. Mas, de 1970 a 2012, foram mais de 44 milhões. Isso representa cerca de 1/5 a ¼ de todas as gestações. No Canadá, de 2007 a 2014, foram 720 mil. Na Europa, é cerca de 1/3 das gestações. Na Ásia, o número também é elevado.
P: Em Gênesis 16:1-4, que lições podemos aprender com os motivos pelos quais outros cristãos fizeram concessões?
R: O compromisso geralmente ocorre devido a algum fator motivador. Pode ser a segurança, a ganância financeira ou outros motivos errados. Também podemos fazer concessões e desagradar a Deus por motivos aparentemente bons, como o desejo de conquistar mais pessoas para a nossa mensagem.
P: Em Gênesis 16:1-4, como se manifesta o compromisso pecaminoso na vida de um cristão?
R: Os compromissos podem ser tanto fatais quanto sutis. Enquanto um sapo jogado em uma panela de água fervente tem bom senso suficiente para pular imediatamente para fora, um sapo jogado em água morna, que é gradualmente levada à ebulição, permanecerá ali até ser cozido até a morte.
As tentações de fazer concessões são como sujeira ou areia que entra em sua vida, e são inevitáveis. Mas o que o senhor faz com essa areia? O senhor permite que ela o contamine ou deixa que se transforme em pérola e faça parte de um tesouro eterno? Quando o senhor tiver a tentação de fazer concessões, regozije-se! Sua vitória sobre isso é uma oportunidade de agradar ao Senhor e receber recompensas no céu.
P: Em Gênesis 16:1-4, “compromisso” em si não é uma palavra ruim; às vezes, o compromisso é aceitável. Qual é a diferença entre um bom compromisso e um mau compromisso?
R: Nem todos os caminhos mais fáceis são ruins. Compromisso é, muitas vezes, concordar com coisas, ou fazer coisas de uma maneira que você normalmente não gostaria de fazer, a fim de obter a cooperação de outra pessoa. Em questões não morais, nos relacionamentos e, muitas vezes, no trabalho, o compromisso é algo bom e necessário. Na igreja, o compromisso pode ser bom em questões que não são nem bíblicas nem antibíblicas, como, por exemplo, o tipo de música a ser utilizada. No entanto, quando o compromisso envolve explicitamente fazer coisas que desagradam a Deus, negando nossa fé, é melhor perder a negociação, a venda, o relacionamento ou o emprego do que ceder. Mas o compromisso também pode envolver, implicitamente, fazer coisas que desagradam a Deus. E quanto a oferecer voluntariamente seu tempo, dinheiro ou habilidades para ajudar uma organização de caridade que financia a Planned Parenthood? A Planned Parenthood é uma grande prestadora de serviços de aborto.
P: Gênesis 16:1-4, quais são as forças em nossas vidas hoje que nos levam a fazer concessões de maneira errada?
R: Existem muitas influências.
Mídia: internet, TV, filmes, jornais etc. Quantos de vocês sabiam que o Facebook tem censurado informações conservadoras? Se vocês usam a AOL, quantos de vocês sabem que a AOL tenta dar destaque a tudo o que é negativo sobre o cristianismo ou pastores cristãos?
Leis: O Congresso não aprovará nenhuma lei relativa ao estabelecimento de uma religião.
Tribunais: Uma cervejaria deveria ter permissão para demitir um motorista se as crenças religiosas desse motorista muçulmano o impedissem de distribuir bebidas alcoólicas? Um tribunal deveria ter decidido, em 2015, contra um casal cristão proprietário de uma padaria em Oregon e obrigá-los a pagar mais de US$ 136.000 por se recusarem a fazer um bolo para um casamento homossexual?
Trabalho: Em alguns empregos, há pressão para mentir e ser desonesto. Um gerente cristão que conheço foi levado a um clube de strip-tease por seu chefe. Às vezes, há festas quase obrigatórias onde há muito álcool, e uma pessoa pode sentir pressão para beber ou tomar um shot.
Às vezes, os amigos: Conheci um cristão em Dublin, na Irlanda, que foi alcoólatra durante a maior parte de sua vida. Depois que se tornou cristão, ele sabia que não deveria ficar bêbado, mas era difícil para ele abandonar seus velhos hábitos, pois seus amigos sempre o convidavam para ir ao pub com eles. Ele finalmente resolveu o problema deixando de levar dinheiro consigo. Quando seus amigos o convidavam, ele dizia que poderia ir, mas que eles teriam que pagar, pois ele não tinha dinheiro consigo. Depois de uma ou duas vezes, eles pararam de convidá-lo.
Às vezes, a família: no norte da África, um adolescente muçulmano se tornou cristão, e por isso sua mãe colocou veneno de rato na comida dele. Às vezes, um cônjuge pede o divórcio porque o outro se tornou cristão ou deixou de frequentar seu grupo religioso. Em Utah, Sandra Tanner relatou que conversou com homens mórmons que afirmaram saber que o mormonismo não era verdadeiro, mas que não podiam abandonar publicamente a religião, pois suas esposas pediriam o divórcio e levariam os filhos com elas. Conheço pessoalmente um casal não religioso que se casou há muitos anos e, quando o marido se tornou cristão, a esposa se recusou a ter relações íntimas com ele por um ano inteiro, a menos que ele deixasse de ser cristão. Por fim, a situação foi resolvida quando ela se tornou cristã. Às vezes, isso é mais sutil, como sempre planejar ir ao lago ou realizar outras atividades nas manhãs de domingo.
P: Em Gênesis 16:1-8, como Hagar era escrava, a união sexual de Abraão com ela foi um estupro forçado, como alguns muçulmanos são autorizados a praticar por sua religião? (Ver Hadiths de Bukhari, vol. 3, livro 46, cap. 13, n.º 717, 718, p. 431-432)
R: Gênesis 16:4 diz que Hagar se tornou esposa de Abrão, e ela aparentemente não se opôs. Na verdade, Hagar se orgulhava de sua gravidez e zombava de Sarai (Gênesis 16:4,5). No Antigo Testamento, embora fosse permitido casar-se com uma cativa, em nenhum lugar o sexo fora do casamento era justificado como algo que não fosse imoralidade perversa.
P: Em Gênesis 16:3; 17:20; 21:13, o fato de Hagar ser a mãe de Ismael se refere a Maomé?
R: Hagar, a concubina de Abraão, e seu filho Ismael são mencionados na Bíblia. No entanto, há alguma incerteza quanto ao fato de ‘Adnan (ancestral de Maomé) ser descendente de Ismael. O renomado historiador muçulmano al-Tabari, no vol. 6, p. 37, afirma: “Os genealogistas não divergem quanto à descendência de nosso Profeta Maomé até Ma’add b. ‘Adnan, … divergem quanto ao que vem depois disso.” No entanto, no fim das contas, trata-se de uma manobra de distração, pois o fato de Ismael constar na Bíblia não demonstra que Maomé seja enviado por Deus.
P: Em Gênesis 17:1; 28:3; 35:11; 43:14; 48:3; Êxodo 6:3, o que exatamente significa o nome de Deus, El Shaddai?
R: El-Shaddai é um nome de Deus que significa, literalmente, El “Deus” Shaddai “Todo-Poderoso”, de acordo com o Dicionário Bíblico de Unger, pp. 1000-1001, o Novo Dicionário NIV da Bíblia, pp. 309-310, e o Dicionário Bíblico Wycliffe, p. 695. Esse nome era um dos principais nomes de Deus conhecidos por Abraão, Isaque e Jacó. Mesmo que lhes tivesse sido ensinado o nome “pessoal” de Deus, Yahweh, o próprio Deus não se revelou a eles como Yahweh, como fez a Moisés, de acordo com Êxodo 6:2,3.
Os nomes de Deus se aplicam a Jesus como membro da Santíssima Trindade, mas não há indício de que El Shaddai se aplique a Jesus mais do que ao Pai ou ao Espírito Santo.
A palavra hebraica el era usada de maneira muito semelhante à forma como usamos hoje a palavra “Deus/deus” em português. Referimo-nos ao Único e Todo-Poderoso Criador como Deus; referimo-nos a um ídolo como um “deus”, etc. A palavra Shaddai (Todo-Poderoso), sem el, é usada em Gênesis 49:25; Números 24:4,16; Rute 1:20,21; 31 vezes em Jó 5:17-40:2; e Salmos 68:14; 91:1.
Alguns críticos liberais afirmam que El-Shaddai deriva de um termo pagão para “deus da montanha”, mas não há evidências de que a Bíblia tenha esse significado.
El Shaddai é usado em Gênesis para Abraão em 17:1; para Jacó em 28:3; 35:11; 43:14; 48:3; e para Moisés em Êxodo 6:3.
Nomes semelhantes para Deus são El Elyon, “Deus Altíssimo”, usado por Melquisedeque em Gênesis 14:18; Números 24:16; Deuteronômio 32:8; 2 Samuel 22:14; Salmo 9:2; Isaías 14:14; Lamentações 3:35,38), El Hai, “Deus Vivo” (Josué 3:10), ou simplesmente El, “Deus”, em muitos trechos.
P: Em Gênesis 17:3, o que significa que Deus é Todo-Poderoso? Deus pode optar por não fazer certas coisas, mas quais são as quatro coisas que Deus não pode fazer?
R: Deus poderia ter feito de todos nós meros robôs, se assim o quisesse. No entanto, Deus desejou criar seres dotados de livre arbítrio para escolherem amá-Lo ou não. Isso significa que pessoas como Josué podiam “escolher servir ao Senhor” (Josué 24:15). Pessoas como os fariseus podiam “rejeitar o propósito de Deus para si mesmas” (Lucas 7:30). Alguns podiam “apegar-se a ídolos sem valor e perder a graça que lhes caberia” (Jonas 2:8).
Aqui estão quatro coisas que Deus Todo-Poderoso não pode fazer.
Mentir (Hebreus 6:18)
Ser tentado pelo mal (Tiago 1:13)
Renegar a Si mesmo (2 Timóteo 2:13)
Jurar por alguém maior do que Ele mesmo (Hebreus 6:13)
P: Em Gênesis 17:5, qual é o significado da mudança do nome de Abrão para Abraão?
R: A origem do nome Abrão é incerta. Trata-se de um nome semítico ocidental e provavelmente significa “o pai é exaltado” ou “pai exaltado”. O nome “Abraão” significa “pai de multidões” ou “pai de uma multidão”.
Isso poderia ser considerado “uma piada que se tornou realidade”. Enquanto Abrão significa “pai” — um nome irônico para um homem sem filhos —, o nome Abraão realmente leva a melhor, significando “pai de uma multidão”. Como afirma o livro *735 Perguntas Bíblicas Desconcertantes e Suas Respostas*, p. 39: “Quase podemos ouvir as risadinhas quando Abrão, que não tinha filhos, anunciou aos seus muitos pastores e suas famílias que, a partir de então, ele seria chamado de Abraão.” Ter filhos era especialmente importante na sociedade antiga; no entanto, é possível perceber como a fé de Abraão — que não tinha filhos — em Deus o tornaria um alvo fácil de risadas. Contudo, Deus cumpriu Sua promessa, e Abraão, no céu, pôde sorrir diante da brincadeira que Deus fez para realizar o desejo sincero de Abraão.
P: Em Gênesis 17:5, com que seriedade o senhor acha que Deus leva o nome pelo qual somos chamados e o nome que damos às pessoas?
R: Eu arriscaria dizer que Deus leva os nomes que damos a nós mesmos, ou que damos aos outros, mais a sério do que a maioria das pessoas.
Gênesis 35:10 - Jacó recebeu um novo nome: Israel.
Em Isaías 62:2, Deus promete um novo nome para o Seu povo.
Lucas 1:13, 60-63. Deus realmente queria que João Batista se chamasse João.
Lucas 1:31 - O anjo disse a Maria para dar ao seu filho o nome de Jesus. O nome de Jesus/Josué já estava em mente em Zacarias 3:8-9.
Mateus 5:22 - chamar as pessoas de cabeças-ocas, sem juízo ou tolas
Mateus 12:35-37: seremos julgados por cada palavra ociosa que proferirmos
Apocalipse 3:12 - aos membros da igreja de Filadélfia será dado um novo nome.
P: Em Gênesis 17:5, há uma canção cristã com a letra “Diga-me, mais uma vez, quem eu sou em Ti”. Por que precisamos de lembretes sobre quem somos?
R: Não é porque perdemos completamente a noção de quem somos. Em vez disso, nossa identidade principal, como filhos de Deus, pode ser ofuscada por todas as outras identidades secundárias que possuímos. Podemos ser cônjuges, pais, filhos, amigos, colegas de trabalho, consumidores, fãs e mil outras coisas. Isso não é necessariamente ruim. Mas, como crentes, somos, antes de tudo, filhos de Deus. É importante não esquecer isso, identificar as coisas que tendem a nos fazer esquecer disso e mitigar seus efeitos
P: Em Gênesis 17:12, por que Deus ordenou a circuncisão exatamente no oitavo dia?
R: A Escritura não diz. No entanto, os recém-nascidos não têm sangue que coagula tão bem quanto o dos adultos. Depois de se alimentarem e ingerirem vitamina K, seu sangue apresenta mais protrombina, que é utilizada na coagulação. Para bebês que não recebem injeções de vitamina K, os níveis de protrombina atingem o pico no oitavo dia. Portanto, esse era o dia ideal para realizar a circuncisão.
Como observação adicional, o Dicionário Bíblico Wycliffe, p. 354, registra que os egípcios praticavam a circuncisão masculina; uma imagem mostra o procedimento sendo realizado em um menino de 13 anos. O texto afirma que a maioria dos povos semitas aparentemente praticava a circuncisão. Mais tarde, os etíopes também praticaram a circuncisão. Os árabes, que descendem de Ismael, também praticavam a circuncisão antes do Islã. A circuncisão não era praticada pelos filisteus, babilônios, assírios e, posteriormente, pelos edomitas.
P: Em Gênesis 17:12, quais outros povos praticavam a circuncisão?
R: O historiador grego Heródoto, em seu livro “História”, livro 2, capítulo 104, página 69, afirma que apenas os egípcios, os etíopes e os colquianos praticavam a circuncisão. Ele argumenta que os colquianos emigraram do Egito. Ele também mencionou que alguns fenícios e sírios praticavam essa tradição, alegando que a haviam aprendido com os egípcios.
O escritor antigo Bardesan/Bardesanes (154-224-232 d.C.) afirma que o povo da província romana da Arábia praticava a circuncisão, mas os romanos os obrigaram a cessar essa prática quando conquistaram a região. Isso consta no *Livro das Leis de Diversos Países*, p. 730. Após a queda de Jerusalém em 70 d.C., um templo dedicado a Júpiter foi construído no local em 130 d.C. pelo imperador romano Adriano, que também proibiu os judeus de praticar a circuncisão.
P: Em Gênesis 17:17 e Gênesis 18:12, Abraão e Sara riram por descrença, ou Sara riu de alegria em Gênesis 21:6?
R: Ambos os versículos são complementares. Abraão e Sara riram com descrença antes de Isaque ser concebido. Às vezes, quando uma pessoa realmente deseja algo e alguém se oferece para lhes dar isso, a natureza humana pode levá-la a duvidar e a rir para se proteger da decepção.
No entanto, Sara riu novamente de alegria quando Isaque nasceu.
P: Em Gênesis 17:17 e Gênesis 18:12-15, por que Deus repreendeu Sara por ter rido e não Abraão?
R: Rir de surpresa na primeira vez em que se toma conhecimento de algo é diferente de rir com ceticismo nas ocasiões subsequentes, depois de já ter sido informado. A palavra hebraica para “rir”, sahaq, significa ambas as coisas.
P: Em Gênesis 17:19, o filho da promessa de Abrão foi chamado de Isaque aqui ou em Gênesis 21:3?
R: Antes do nascimento de Isaque, Deus disse que ele deveria ser chamado de Isaque em Gênesis 17:19. Esse versículo não especifica se eles o chamaram assim ou não. Após o nascimento de Isaque, Gênesis 21:3 nos diz que eles realmente o chamaram de Isaque. É algo semelhante ao anjo Gabriel dizer a Maria para dar ao filho o nome de Jesus e, após o nascimento dele, eles obedeceram ao que o anjo havia dito.
P: Em Gênesis 17:27, por que Abraão circuncidou todos os homens nascidos em sua casa, fossem eles escravos ou livres?
R: Abraão não estava interessado apenas em que sua própria descendência fizesse parte da família da aliança de Deus na terra, mas em que todos em sua casa também fizessem parte. Isso significaria que seus filhos também seriam parte do povo da aliança de Deus.
Filo, o judeu (15/20 a.C. a 50 d.C.), deu basicamente a mesma resposta em “Perguntas e Respostas sobre o Gênesis”, III (62), p. 863.
P: Em Gênesis 18:1-10, o senhor acha que Abraão foi hospitaleiro porque reconheceu que Deus o estava visitando, ou porque ele era hospitaleiro por natureza?
R: Não vemos o momento exato em que Abraão percebeu que aqueles não eram visitantes comuns, exceto que foi antes dos versículos 13 e 14. Hebreus 13,2 pode indicar que, inicialmente, Abraão não percebeu isso. Em geral, devemos ser hospitaleiros, como diz 1 Pedro 4,9.
P: Em Gênesis 18:1-10, que riscos Abraão correria ao ser hospitaleiro?
R: Abraão era extremamente rico; portanto, talvez fosse mais seguro não permitir que estranhos pudessem espionar seu acampamento, com o número de guardas e a localização dos objetos de valor. Inicialmente, talvez fosse mais seguro que um de seus servos conversasse com eles, em vez de correr o risco de uma emboscada. Por fim, talvez fosse mais seguro ir até a casa deles, em vez de deixá-los vir até ele. No entanto, Abraão aparentemente não pensou em nada disso. Abraão era um homem hospitaleiro.
No entanto, Romanos 12:13; Hebreus 13:2; 1 Pedro 4:9; e 1 Timóteo 5:10 nos ordenam que sejamos hospitaleiros com os estranhos. O mais seguro talvez seja nunca ser hospitaleiro, mas, nesse caso, temos que escolher entre o que parece ser o mais seguro e obedecer às ordens de Deus.
P: Em Gênesis 18, o que foram as cristofanias e as teofanias no Antigo Testamento?
R: Cristofania é um termo que descreve uma aparição de Cristo na Terra, antes de Ele nascer de Maria. Uma teofania é uma aparição de Deus, seja do Pai, do Filho, do Espírito Santo ou da Trindade. Como há quem discorde sobre a diferença entre cristofania e teofania, e às vezes não fica claro se um anjo é uma aparição de Cristo ou apenas um anjo, segue uma lista de possíveis teofanias do Antigo Testamento.
No Jardim do Éden, antes da Queda. (Gênesis 1:29-3:24)
Possivelmente Melquisedeque (Gênesis 14:18-20)
Conversa com Hagar, que viu o anjo (Gênesis 16:8-14)
Os três visitantes de Abraão (Gênesis 18:1-33)
Deus aparecendo a Abrão (Gênesis 17:1-2)
Provavelmente não a escada de Jacó, pois se tratava apenas de um sonho (Gênesis 28:12-15)
Provavelmente não foi a luta de Jacó com o anjo (Gênesis 32:30)
Deus aparecendo a Jacó em Betel (Gênesis 35:9-15)
Moisés e a sarça ardente (Êxodo 3:2-22)
A nuvem densa (Êxodo 19:9)
No Monte Sinai (Êxodo 19:11-12; 24:9,10)
Moisés vendo as costas de Deus (Êxodo 33:19-20)
Josué e o Comandante do exército do Senhor (Josué 5:13-15)
Gideão vendo um anjo (Juízes 6:11-24)
O anjo aparecendo à mãe de Sansão (Juízes 13:3-5)
A nuvem sobre a Arca da Aliança (1 Reis 8:11-13)
Elias na fenda da rocha (1 Reis 19:9-18)
A saída do Templo (Ezequiel 10:3-18) e Isaías 6 provavelmente não se enquadram, uma vez que se tratava de visões.
Um ponto-chave é que, em alguns desses casos, como o de Josué e do comandante, o ser humano não percebeu a princípio que se tratava de Deus.
P: Gênesis 18 e 19 têm duas partes distintas: 18:1-19 e 18:20-19:33. Quais são as duas coisas que tanto unem quanto contrastam essas duas partes?
R: Trata-se de duas visitas; na primeira, um casal piedoso desejava ter um filho, mas não conseguia. Na segunda, as pessoas pretendiam cometer um estupro homossexual. Abraão demonstrou grande hospitalidade, e na segunda, os habitantes da cidade mostraram-se mortalmente inóspitos, enquanto Ló foi hospitaleiro de uma maneira estranha e desesperada.
P: Em Gênesis 18:2, visto que Abraão se curvou diante de reis, isso corrobora a prática católica e ortodoxa de se curvar diante de imagens?
R: Não, a veneração de imagens não é bíblica, pois não devemos ter imagens esculpidas para adoração, de acordo com o Segundo Mandamento. No entanto, independentemente da crença de cada pessoa sobre a veneração de imagens, esse versículo não pode ser usado para apoiar a prática de se curvar diante de imagens. Em contraste com as imagens,
1. Abraão se curvou para demonstrar respeito a uma pessoa real.
2. Abraão estava demonstrando respeito a um rei pagão; não houve veneração nem qualquer tipo de honra religiosa.
3. Abraão não orou a esses reis. Ele também não orou a Deus por intermédio desses reis, como os ortodoxos afirmam fazer ao orar a Deus por meio de imagens.
Um leitor afirmou que, no cristianismo ortodoxo, a veneração não difere do respeito. No entanto, isso não é verdade, pois os ortodoxos orientais rezam a (ou, mais precisamente, por meio de) imagens de Deus e de vários santos. Contudo, eles não pegariam sua esposa, filho, pais ou qualquer outra pessoa a quem respeitem, colocariam-nos à sua frente e rezariam a eles.
P: Em Gênesis 18:2, quando devemos nos curvar e quando devemos recusar-nos a nos curvar?
R: Não devemos nos curvar diante de nenhuma imagem religiosa; isso inclui imagens hindus, estátuas ou arranjos de mesa durante o festival de Diwali. Curvar-se para demonstrar respeito a alguém, como os japoneses costumam fazer, é aceitável.
P: Em Gênesis 18:6, Deus é dono do gado em mil colinas, e se Deus estivesse de alguma forma com fome, não precisaria dizer a ninguém (Salmos 50:10-12). Se Deus quisesse comer algo, certamente não precisaria que Sara e Abraão colocassem à prova suas habilidades culinárias e de serviço. Por que você acha que Deus “se rebaixou” a pedir que eles O servissem?
R: Deus queria interagir com eles. É como se um pai e seu filho de oito anos estivessem construindo uma cerca juntos. O pai precisa do menino? O pai não poderia fazer isso mais rápido, mesmo sem a presença do menino? A cerca não ficaria melhor sem a “contribuição” do menino? Essas perguntas não captam o essencial; o importante é que pai e filho construam algo juntos, como uma equipe. O pai entende isso. Às vezes, a criança pode perceber isso; outras vezes, não.
É claro que, como seres humanos, as coisas nem sempre saem conforme nossos planos. Certa vez, quando uma das minhas filhas estava na quarta série, ela me disse que queria fazer um projeto de arte junto comigo. Achei que fosse uma ótima ideia, então fizemos uma “coruja” de saco de papel juntos, como ela queria. Achei que o resultado final ficou bom, mas, quando terminamos, ela chorou e perguntou por que não poderia ter nascido com a senhora do outro lado da rua, que era professora de artes. Às vezes, também podemos estragar o momento com Deus, chorando porque algo não correspondeu às nossas expectativas ou não ficou impressionante da maneira que queríamos que fosse.
P: Em Gênesis 18:16-33, o que fez com que Sodoma e Gomorra fossem não apenas más, mas tão más a ponto de Deus decidir destruí-las?
R: Primeiro, o que não é a resposta; depois, três respostas, todas as quais podem ser significativas.
Embora não houvesse testemunho substancial de Deus nessas cidades, também não havia testemunho de Deus em muitas outras cidades; portanto, isso por si só não foi o motivo.
a) Os cananeus, em geral, praticavam sacrifícios de crianças e prostituição religiosa. Gênesis 18:32 diz que não havia nem mesmo dez pessoas justas na cidade.
b) Mas o povo de Sodoma e Gomorra também praticava atos homossexuais, e sua homossexualidade desenfreada era detestável aos olhos de Deus.
c) Eles queriam estuprar homossexualmente os anjos que se apresentaram como homens. No entanto, Deus já havia decidido destruir a cidade antes mesmo da chegada dos anjos. Contudo, sua atitude geral de hostilidade para com os visitantes lhes daria a ousadia de tentar estuprá-los.
P: Em Gênesis 18:16-33, como foi possível convencer Deus a não destruir Sodoma e Gomorra? (O crítico bíblico Bart Ehrman afirma que Marcião mencionou isso em *Lost Christianities*, p. 196)
R: Três pontos a serem considerados na resposta.
1. Deus não foi dissuadido de destruir Sodoma e Gomorra; Ele as destruiu.
2. Deus não precisou que Abraão intercedesse, assim como não aprende nada com nossas orações.
3. Em vez disso, Deus interage conosco de maneiras que podemos compreender. Embora, às vezes, a vontade revelada de Deus mude quando nós mudamos, mesmo neste caso, Gênesis 18:16-33 não dá nenhuma indicação de que Deus tenha alterado o que pretendia fazer como resultado da conversa com Abraão. Às vezes, Deus se dignou a nos revelar o que Ele estava pensando e por quê.
P: Em Gênesis 18:10, 14 e Gênesis 21:1, 2, isso ensina que Deus engravidou Sara, como afirma a página 217 do livro “Born Again Skeptic”?
R: Não. O ateu não compreendeu que Deus não estava voltando para engravidar Sara, mas que Deus voltou depois que o filho nasceu. Deus disse apenas três coisas sobre o filho de Sara.
1. Deus os visitaria novamente no ano seguinte, conforme diz Gênesis 18:10,14.
2. Deus cumpriria Sua promessa de que Sara teria um filho, conforme diz Gênesis 21:1.
3. E o mais importante: o filho seria descendente de Abraão (Gênesis 17:15, 17). Para ser mais preciso, o filho era descendente do próprio corpo de Abraão, conforme diz Gênesis 15:4.
P: Em Gênesis 18:27, por que Abraão faz questão de dizer que é apenas pó e cinzas neste contexto?
R: Abraão, o experiente negociador e diplomata, percebe que está fazendo um pedido muito ousado a Deus. Abraão deseja, antes de mais nada, reconhecer que não é nada diante de Deus e que não tem qualquer direito de obrigar Deus a fazer nada, antes de pedir a Deus que altere o que Ele já revelou.
P: Em Gênesis 19, o pecado de Sodoma e Gomorra foi realmente a falta de hospitalidade, como diz Ezequiel 16:49?
R: Isso é apenas parte da história. Alguns homossexuais citam Ezequiel 16:49, mas ignoram Ezequiel 16:50, que menciona “cometer abominações”. Gênesis 19:5-7 enfatiza a homossexualidade. Judas 7 também fala da “imoralidade sexual e perversão”. Gênesis 13:13 mostra que a maldade de Sodoma já existia antes da chegada de Ló.
P: Em Gênesis 19, por que alguém como Ló iria morar nesse lugar, afinal?
R: O que Ló estava pensando? Talvez houvesse incentivos econômicos para permanecer na cidade. Talvez Ló fosse honrado como um dos cidadãos mais proeminentes da cidade. Talvez toda a sua riqueza tivesse se esvaído, depois que os reis capturaram o povo de Sodoma.
O que Ló não estava pensando? Não há indício de que Ló alguma vez tenha se perguntado: “Este é um bom ambiente para mim espiritualmente?” Aparentemente, ele também nunca perguntou: “Este é um bom ambiente para meus filhos?”
P: Em Gênesis 19:1-3, como é que “três homens” em Gênesis 18:2 se tornaram “dois anjos/homens” em Gênesis 19:1, e por que eles pareciam precisar de abrigo?
R: Tratava-se de teofanias, ou seja, aparições de Deus. Deus poderia alterar facilmente o número visível. Dois estranhos poderiam parecer precisar de abrigo. Enquanto Abraão, que já havia recebido visitas anteriores de Deus, talvez tivesse percebido rapidamente que os três não eram homens comuns, Ló talvez não tivesse sido capaz de perceber que eles não eram homens comuns. Não sabemos. Mas eles poderiam ter aparecido simplesmente como homens comuns. Ló poderia simplesmente tê-los ignorado, sabendo que a praça pública daquela cidade era bastante perigosa. Assim que lhe disseram que não precisavam de sua ajuda, Ló poderia simplesmente ter pensado: “Bem, tentei ajudar, mas se eles querem se colocar em perigo, não vou me importar”. Mas Ló não fez isso; ele insistiu em oferecer-lhes proteção contra aquela situação perigosa.
Quem protegeu quem? Ironicamente, a princípio parecia que eles só tinham ido à casa de Ló porque ele insistiu em protegê-los. Talvez tenha parecido engraçado para os anjos no céu observar esse homem mortal decidir proteger esses anjos. Mas acabou que os anjos protegeram Ló e sua família naquela noite e, por fim, protegeram toda a família de Ló, com exceção de sua esposa, da morte mais tarde.
P: Em Gênesis 19:8, por que Ló ofereceu suas filhas virgens à multidão?
R: As Escrituras não nos revelam os motivos de Ló para essa ação perversa, mas podemos observar três coisas.
1. Ló se encontrava em uma situação desesperadora e, talvez, tenha entrado em pânico e decidido agir por conta própria.
2. Ele sabia que os homens de Sodoma não tinham interesse em suas filhas.
3. Ló morava em Sodoma há muito tempo e provavelmente sabia que esses homens não tinham interesse em suas filhas. Ló provavelmente estava tentando ganhar tempo.
4. Uma combinação de todos os fatores acima. As filhas já estavam prometidas em casamento, e se os homens tivessem abusado delas, tanto elas quanto Ló sabiam que os clãs aos quais os futuros maridos pertenciam se vingariam dos agressores. Se um clã não obtivesse justiça ou retaliação por uma injustiça óbvia cometida contra ele, poderia parecer fraco, e os outros clãs não o respeitariam. Assim, em épocas posteriores, um assassinato ou um estupro poderia desencadear uma guerra entre clãs, a menos que os perpetradores fossem entregues para punição ou que o clã ofendido concordasse com o pagamento de uma indenização por sangue, a ser paga pelo clã infrator.
A Bíblia não aprova a ação de Ló neste caso; ela simplesmente a registra. Se a Bíblia fosse meramente “propaganda”, seria de se esperar que ela registrasse todas as coisas positivas e nunca mencionasse nada negativo. No entanto, a Bíblia não é propaganda, mas a verdadeira palavra de Deus, e fala honestamente sobre a vida das pessoas, com todos os seus defeitos.
P: Em Gênesis 19:23-26, os anjos protegeram não apenas Ló, mas toda a sua família. Portanto, se a esposa de Ló foi de fato protegida, por que ela morreu e se transformou em uma estátua de sal?
R: Os anjos realmente protegeram todos eles, incluindo a esposa de Ló. Mas a esposa de Ló saiu da proteção deles. Ou, para ser mais preciso, ela permaneceu onde estava quando deveria ter seguido em frente. Às vezes, quando Deus nos ordena que vamos a algum lugar para fazer algo, pode parecer muito mais seguro, para nós, simplesmente ficarmos onde estamos. Mas Deus sabe o que é melhor. Um segundo exemplo em que permanecer no lugar acabou se revelando perigoso foi o do próprio Abraão. Abraão partiu de Ur, provavelmente uma das maiores cidades de todo o Oriente Médio — e possivelmente do mundo —, por volta de 2.000 a.C. Por volta de 1.950 a.C., os elamitas destruíram a cidade inteira, em retaliação à destruição da capital elamita, Susa, pela cidade de Ur anteriormente. Desobedecer a Deus e permanecer em Ur teria resultado na morte ou na escravidão de Abraão. É claro que Abraão não saberia disso naquela época.
P: Em Gênesis 19:24-26, como exatamente Sodoma e Gomorra foram destruídas?
R: A Bíblia simplesmente diz que o Senhor fez chover enxofre ardente e que a esposa de Ló, que se demorou para trás, transformou-se em uma estátua de sal. Embora não tenhamos mais detalhes, sabemos que a região é rica em piche (petróleo) e asfalto na superfície. Imagine uma tempestade, vento e relâmpagos que inflamariam o betume. O fogo resultante geraria seu próprio vento, e toda a região não seria um lugar onde se gostaria de estar. Por outro lado, poderia ter sido principalmente uma erupção vulcânica, algo como um mini Monte St. Helens no estado de Washington, em 1980.
P: Em Gênesis 19:26, sabemos de outras pessoas, além da esposa de Ló, que se transformaram em “uma estátua de sal” desde então?
R: Fisicamente, pessoas e cães foram mortos instantaneamente e seus corpos preservados ao serem cobertos por cinzas em Pompéia, quando o Monte Vesúvio entrou em erupção. Sem dúvida, isso também ocorreu durante outras grandes erupções.
Metaforicamente, a esposa de Ló tornou-se insensível devido ao seu amor pela vida que deixara para trás. Muitos, desde então, também se tornaram insensíveis devido ao seu amor pelo mundo. Como exemplos óbvios, o viciado em drogas, ao buscar uma dose, e o alcoólatra, ao buscar uma bebida, não estão realmente conscientes das alegrias simples da vida ao seu redor. O pecado em geral, ou desejar qualquer coisa acima de Deus, pode torná-lo menos atento às coisas boas que Deus nos concedeu. Clemente de Alexandria (escreveu entre 193 e 217/220 d.C.) foi um dos primeiros a perceber essa aplicação em *Exortação aos Pagãos*, cap. 10, p. 201.
P: Em Gênesis 19:30-36, por que a Bíblia ensina que Ló teve relações sexuais com suas filhas? Simplesmente não consigo acreditar que isso tenha sido correto.
R: Muito bem, a Bíblia não diz que isso foi certo. O incesto e a fornicação são males, e a Bíblia estava relatando com honestidade o que Ló fez.
Em defesa de Ló, Irineu, em *Contra as Heresias*, capítulo 31 (182-188 d.C.), destaca que a Bíblia mostra que Ló não agiu por luxúria, mas porque suas defesas estavam abatidas após ter bebido demais.
Orígenes (225-254 d.C.) afirmou que histórias como a de Ló e suas filhas, presentes nas Escrituras Sagradas da Bíblia, demonstram o desejo de verdade dos escritores bíblicos, que não ocultariam nem mesmo o que lhes trouxesse descrédito. Orígenes, em *Contra Celso*, livro 4, capítulo 45, p. 518
P: Em Gênesis 20 e Êxodo 23:31, como os filisteus poderiam estar em Israel na época de Abraão, por volta de 2.000 a.C.?
R: Embora tenha ocorrido uma migração em grande escala em 1200 a.C., os primeiros assentamentos de Asdode já estavam ocupados no distante século XVII (H.F. Vos, *Arqueologia nas Terras Bíblicas*). Alguém vivia naquela terra fértil naquela época, e não há evidência histórica que indique que não fossem os filisteus. Depois que os egípcios derrotaram os filisteus em 1190 a.C., estes vieram em grande número para a Palestina, e faz sentido que tenham se retirado para onde já possuíam cidades.
P: Em Gênesis 20:3,6, por que Deus contradisse ao dizer que Abimeleque era um homem morto, se Abimeleque sobreviveu?
R: Deus não muda (Malaquias 3:6; Tiago 1:17; Hebreus 13:8). No entanto, Ezequiel 33:12-20 mostra que a vontade revelada de Deus para com as pessoas pode mudar quando elas mudam.
Consulte a discussão sobre Êxodo 33:5-6; Deuteronômio 20:17; Jeremias 15:6; Jonas 3-4; Jonas 3:10; e Jonas 4:1-2 para obter mais informações.
P: Em Gênesis 20:3, 8-10, Gênesis 26:1, Juízes 8:31 e Juízes 9:1, o que significa “Abimeleque”?
R: “Ab” significa pai, e “melech” significa rei ou governante. Significa, portanto, “pai do rei” ou “o pai é rei”. Além de ser o nome de dois reis de Gerar e do filho de Gideão, Cyril Aldred, em *Akhenaten, Rei do Egito*, p. 186, registra que Abimilki foi um governante de Tiro mencionado nas cartas de Amarna (1400-1370 a.C.).
P: Em Gênesis 20:12, por que Abrão se casou com sua meia-irmã Sarai?
R: O incesto não era expressamente proibido naquela época. Além disso, Abrão não era necessariamente um crente quando se casou.
P: Em Gênesis 21:8-14, Abraão agiu corretamente ao mandar Hagar embora?
R: Normalmente, seria errado Abraão mandar embora Hagar, a mãe de seu filho, e seu filho adolescente sozinhos, sem proteção e com pouca água, mesmo que Hagar tivesse zombado de Sara em Gênesis 21:9. É por isso que o pedido de Sara angustiou profundamente Abraão em Gênesis 21:11. No entanto, nesse caso específico, Deus disse a Abraão para prosseguir, e que tudo ficaria bem. O próprio Deus deu água a Hagar e a Ismael (Gênesis 12:17-19), e Deus esteve com Ismael enquanto ele crescia (Gênesis 21:20).
Como observação adicional, Hagar era, na verdade, um nome semítico. Havia muitos semitas que viviam na região norte do Egito.
P: Em Gênesis 21:14. Se o senhor ler o Antigo Testamento, fica claro que, em Gênesis, o filho primogênito (ou seja, o escolhido de Deus, o herdeiro de seu pai) é ISMAEL, e as mentiras inseridas pelos judeus no Antigo Testamento para deserdá-lo (por quê? Porque não podiam aceitar alguém de fora de sua tribo) tornam-se claramente visíveis quando escreveram que ISMAEL, com sua mãe HAGAR, foram banidos para sempre da tribo de ABRAÃO; mas, ao lermos mais de Gênesis, descobrimos que a verdadeira história é que “ISMAEL morreu na presença de todos os seus irmãos” (família) e, além disso, “ISAAC” morreu na presença de todos os seus irmãos. Essas afirmações da Bíblia revelam claramente mais uma interpolação judaica, que consiste em terem inventado o incidente sobre o banimento permanente de HAGAR e ISMAEL para que pudessem substituir ISMAEL, que era o original “único filho de ABRAÃO” na época em que ABRAÃO estava disposto a sacrificar qualquer coisa por amor e obediência à vontade de Deus; isso também mostra que a promessa do salvador da humanidade foi feita por meio de ISMAEL (filho primogênito) e não de ISAAC (segundo filho). (Isso foi dito por um muçulmano)
R: Em primeiro lugar, alguns muçulmanos talvez não saibam que o Alcorão não especifica se o filho que foi oferecido em sacrifício foi Ismael ou Isaac.
Sua afirmação de que Ismael morreu na presença “de sua família” não prova que ele não tenha sido banido. A única referência da Bíblia a esse respeito é Gênesis 25:17b, onde se diz: “Ele exalou o último suspiro e morreu, e foi reunido ao seu povo.” Essa era uma forma eufemística comum de dizer que ele morreu. É claro que seus filhos e parentes por casamento poderiam estar perto dele. Isso não prova que ele tenha sido sepultado com seus antepassados, pois Abraão também foi “reunido ao seu povo” em Gênesis 25:8, e isso não significa que ele tenha sido sepultado em Ur dos caldeus.
Ao contrário do que sua pergunta sugere, nunca foi dito que Abraão deveria sacrificar seu filho primogênito. Em vez disso, Abraão deveria sacrificar seu único filho, pois Ismael já havia sido mandado embora e Isaque era o único filho da promessa.
Tenho, porém, uma pergunta para o senhor: será que o Alcorão poderia estar errado?
1. Sura 32:23 “Nós, de fato, já havíamos dado o Livro a Moisés. Não duvide, pois, de que ele chegue até você; e Nós o tornamos um guia para os filhos de Israel.” Assim, o senhor concorda que a Torá, tal como foi originalmente revelada, estava correta e provinha do Deus verdadeiro?
2. Sura 5:46 “E, seguindo os passos deles [dos profetas], enviamos Jesus, filho de Maria, para confirmar a Torá que havia vindo antes dele; enviamos-lhe o Evangelho; nele havia orientação e luz. E a confirmação da Torá que havia vindo antes dele: uma orientação e uma admoestação para aqueles que temem a Allah”. Portanto, o senhor concorda que a Torá na época de Jesus, tal como ele a confirmou, era a verdadeira palavra de Allah?
3. Os Manuscritos do Mar Morto contêm muitas cópias de manuscritos do Antigo Testamento da época de Cristo e anteriores a ela. Três pontos em que o senhor considera que a Bíblia contém erros são:
3.1. Isaque era o filho da promessa, da aliança. Gênesis 17:19,21
3.2. Ismael e Hagar foram expulsos. Gênesis 21:8-19
3.3. Abraão sacrificando Isaque em vez de Ismael — Gênesis 22:1-18
Os Manuscritos do Mar Morto mencionam que Isaque é o filho da promessa. Filo foi um estudioso judeu que viveu em Alexandria, no Egito, e faleceu em 50 d.C. Ele escreveu um comentário sobre Gênesis, e esse comentário, em sua época, mostra que o texto é o mesmo que temos hoje.
Clemente de Roma foi um dos primeiros bispos cristãos, provavelmente o Clemente mencionado por Paulo, que escreveu uma carta aos Coríntios entre 96 e 98 d.C. Ele menciona que o filho que Abraão se dispôs a sacrificar era o filho de sua velhice. [Ele, porém, não menciona explicitamente Isaque].
4. Não se pode culpar os cristãos por julgarem suas acusações contra o Evangelho, tanto da época de Jesus quanto da de Maomé, com base na Sura 5:47. Ela diz: “Que o Povo do Evangelho julgue segundo o que Alá revelou nele...” ? Portanto, concorda que os cristãos devem julgar com base no Evangelho, do qual possuímos cópias muito anteriores à época de Maomé? Se não, então o Alcorão está errado?
A Sura 5:48 diz: “A vós (Povo do Livro) enviamos a Escritura com a verdade, confirmando a Escritura que veio antes dela e guardando-a em segurança: portanto, julgai entre eles com base no que Alá revelou, e não sigais seus desejos vãos, desviando-vos da verdade que vos foi revelada...”. Se o senhor é um muçulmano que discorda dessas palavras, então como Alá diferencia entre Suas palavras — que Ele permite que os fiéis aprendam apenas de forma corrompida — e Suas palavras que permanecem incorruptas?
A maioria dos muçulmanos acredita nos hadiths, que são as coleções oficiais dos ditos e feitos de Maomé, como as autoridades supremas após o Alcorão. Das seis principais coleções de hadiths reconhecidas, a de Bukhari é a mais importante. Achei que gostaria de ler o que ela diz sobre Hajar [Hagar] e Ismael.
Bukhari, vol. 4, livro 55, cap. 9, n.º 583, p. 373: “Abraão levou-a [Hagar] e seu filho Ismael, enquanto ela o amamentava, a um local na Ka’ba, sob uma árvore no local de Zam-zam, no ponto mais elevado da mesquita. Naquela época, não havia ninguém em Meca, nem havia água. Assim, ele os fez sentar-se ali e colocou ao lado deles um saco de couro contendo algumas tâmaras e um pequeno odre com um pouco de água, e partiu de volta para casa. A mãe de Ismael seguiu-o, dizendo: ‘Ó Abraão! Para onde o senhor vai, deixando-nos neste vale onde não há ninguém cuja companhia possamos desfrutar, nem há nada (para desfrutar)?’ Ela repetiu isso para ele muitas vezes, mas ele não olhou para trás. Então ela perguntou-lhe: “Foi Alá quem lhe ordenou que fizesse isso?” Ele respondeu: “Sim”. ... (p. 374, mesmo hadith) “O Profeta disse: ‘Esta é a origem da tradição de as pessoas caminharem entre esses dois locais (ou seja, Safá e Marwa).’ Quando ela chegou a Marwa (pela última vez), ouviu uma voz, pediu a si mesma que ficasse em silêncio e escutou atentamente. ... Ela viu um anjo no local de Zam-zam cavando a terra com o calcanhar (ou com a asa), até que a água jorrou daquele lugar.” Portanto, sua opinião não é consistente nem com o Bukhari nem com a Bíblia.
O famoso historiador muçulmano al-Tabari (839-923 d.C.) investigou se foi Ismael ou Isaque quem quase foi sacrificado, e afirmou que foi Isaque, e não Ismael (al-Tabari, vol. 2, p. 68). Ele dedicou dez páginas a uma discussão sobre as autoridades muçulmanas que afirmavam ter sido Isaac e aquelas que afirmavam ter sido Ismael (al-Tabari, vol. 2, p. 82-92), concluindo, no entanto, que foi Isaac.
No entanto, considero que essa questão — sobre qual dos filhos de Abraão era qual — é algo de pouca importância em comparação com a capacidade de responder à pergunta de Provérbios 30:4 e seguintes: “Quem fez surgir todos os confins da terra? Qual é o nome Dele, e qual é o nome de Seu Filho? Certamente o senhor sabe.” (Tradução Literal de Green)
P: Em Gênesis 22, por que Deus encorajou o sacrifício humano com Abraão e Isaac?
R: Quatro pontos a serem considerados na resposta.
1. Abraão já havia demonstrado que amava a Deus mais do que seu povo e sua cultura, mas Deus pôs Abraão à prova para ver se ele amava a Deus mais do que seu próprio filho querido.
2. Os Dez Mandamentos (não matarás, etc.) só foram dados a Moisés no Monte Sinai.
3. Mesmo nesse caso isolado em que Deus inicialmente ordenou o sacrifício, Ele impediu que ele fosse realizado. Ninguém morreu.
4. Deus Pai não pediu a Abraão nada que Ele próprio não tivesse feito, ao sacrificar Jesus por nós.
Como escreveu Chip Ingram (20/05/2007): “Em algum momento, Deus pedirá a você o seu Isaque. Você descobrirá o maior poder de Deus quando se render. … A rendição a Deus é o que falta na igreja hoje.”
P: Em Gênesis 22:1-18, o menino que Abraão quase sacrificou poderia ser Ismael, e não Isaque, como afirmam os muçulmanos? Caso contrário, como Isaque poderia ser o “único filho” de Abrão?
R: Foi Isaque quem foi sacrificado, e não Ismael, por pelo menos quatro razões:
Nem mesmo o Alcorão afirma que foi Ismael: Gênesis 22:2 diz que foi Isaque. Para os muçulmanos, embora o Alcorão aborde esse assunto na Sura 37:99-111, em nenhum lugar de todo o Alcorão se especifica se foi Ismael ou Isaque.
O único menino que Abrão tinha na época: Ismael tinha 14 anos quando Isaque nasceu, com base em Gênesis 17:25 e Gênesis 18:10. Hagar e Ismael foram mandados para um lugar diferente no dia em que Isaque foi desmamado, conforme Gênesis 21:8-10. Abraão foi posto à prova “muito tempo” depois disso, conforme Gênesis 21:34, e um “menino” estava sobre o altar, conforme Gênesis 22:12.
Único filho aos olhos de Deus: Deus declarou que seria por meio de Isaque, e não de Ismael, que a descendência de Abraão seria reconhecida, conforme Gênesis 21:12. Abraão não considerava Ismael como seu filho, pois Ismael e sua mãe foram “afastados” ao serem mandados embora, de acordo com Gênesis 21:10-12.
Único herdeiro neste mundo: Isaque era o único herdeiro, e “único filho” também significa “filho amado”. Embora a cultura da época aceitasse a prática de ter concubinas para fins de procriação, a herança e o direito de primogenitura recairiam sobre os filhos das esposas legítimas, e não sobre os filhos das concubinas.
Único filho da promessa: Gênesis 21:12 diz: “por meio de Isaque será contada a sua descendência”. Abraão também teve outros filhos, mas eles nasceram depois disso.
P: Em Gênesis 22:2, como Isaque era o “único filho” de Abrão?
R: Embora Ismael tenha nascido primeiro, ele já havia sido mandado embora nessa época, e Isaque era o único filho que Abrão ainda tinha consigo. Isaque era o único herdeiro, e “único filho” também pode significar “filho amado”. Gênesis 21:12 diz: “por meio de Isaque será contada a tua descendência”. Abraão também tinha outros filhos, mas eles nasceram depois disso. Embora a cultura da época aceitasse a prática de ter concubinas para a procriação, a herança e o direito de primogenitura recairiam sobre os filhos das esposas legítimas, e não sobre os filhos das concubinas.
P: Em Gênesis 22:2, o Espírito Santo alguma vez leva as pessoas a desobedecer ao que foi revelado na Bíblia?
R: Não. Há três pontos a serem considerados na resposta.
1. É claro que Deus não levou Abraão a fazer nada contra as Escrituras reveladas, uma vez que nenhuma Escritura havia sido escrita na época de Abraão.
2. Desde que as Escrituras foram reveladas, Deus não diz a ninguém para fazer coisas contrárias aos Seus mandamentos revelados. Mesmo quando o Espírito Santo levou Jesus ao deserto, onde Ele foi tentado por Satanás, o Espírito Santo não tentou Jesus nem lhe disse para fazer nada de errado.
3. Deus não deseja que ninguém realize ações contrárias aos Seus desejos. Mesmo quando Deus ordenou a Abraão que levasse Isaque como sacrifício, Deus não permitiu que Abraão levasse adiante a morte de Isaque.
Portanto, Deus pôde dizer isso a Abraão naquela época, porque a Lei Mosaica ainda não havia sido escrita. Mas, tanto naquela época quanto hoje, Deus nunca deseja que alguém chegue a sacrificar uma pessoa.
P: Em Gênesis 22:12, uma vez que Deus disse “Agora sei que você teme a Deus”, será que Deus não sabia o que Abrão faria?
R: É claro que Deus sabia, mas a expressão significa que foi nesse momento específico que Abraão provou o que faria.
Isaac era o que havia de mais importante na vida de Abraão. Mas será que Isaac era mais importante do que Deus? Abraão demonstrou que Deus era o primeiro em sua vida. Tiago 1 diz que a prova da nossa fé produz perseverança. Mas, embora possamos desejar uma fé que nunca corra riscos, essa não é a fé que Deus desenvolveu em Abraão ou em outros. Abraão não teve escolha quanto ao tipo, às circunstâncias ou ao momento da prova de sua fé, e nós geralmente também não temos.
P: Em Gênesis 23 e Êxodo 3:8, como os hititas poderiam estar na Palestina?
R: Os hititas eram um povo de grande extensão territorial, e uma colônia se estabeleceu nas montanhas da Palestina. Os hititas, de origem indo-europeia, saquearam a Babilônia em 1590 a.C. Outros acreditam que isso se refira aos hatti, um povo não indo-europeu que foi conquistado antes de 2000 a.C. Hatti e Hitti são escritos da mesma forma em hebraico.
P: Em Gênesis 23:2, por que foi mencionado que Quiriate-Arba também é chamada de Hebrom?
R: Há duas possíveis razões complementares pelas quais Hebrom é mencionada aqui.
Lembre-se de que, embora Abraão tenha vivido por volta de 2000 a.C., o Livro de Gênesis foi escrito na época de Moisés, entre 1447 e 1407 a.C., de modo que aquela cidade poderia ter sido chamada de Hebrom pelos israelitas e/ou pelos cananeus na época de Moisés. Os espiões israelitas conheciam a geografia de Canaã e talvez tenham usado esse nome para a cidade na época de Moisés.
De qualquer forma, os israelitas passaram a chamar a cidade apenas de Hebrom, e não de Quiriate-Arba, logo após a conquista sob o comando de Josué. Essa simples nota explicativa, indicando que Quiriate-Arba é agora Hebrom, pode ter sido acrescentada pouco tempo depois.
P: Em Gênesis 23:2, a negociação é tipicamente um processo de concessões mútuas. Por exemplo, um vendedor pede 300 dólares. O comprador oferece 100 dólares. O vendedor propõe 250 dólares; o comprador oferece 150 dólares. Talvez cheguem a um acordo em 200 dólares. Como isso é o oposto de uma negociação comum?
Por que Abraão disse: “Sou apenas um estrangeiro e forasteiro aqui”?
Gênesis 23:5-6 Hititas: “O senhor é um príncipe entre nós. Enterre seus mortos em qualquer um dos nossos túmulos, sem custo algum.”
Gênesis 23:7-9 Abraão, curvando-se, suplica: “Por favor, interceda junto a Efron para que ele me permita comprar a caverna em sua propriedade”
Gênesis 23:10-11 Efron: O senhor pode ficar com a caverna de graça.
Gênesis 23:12-13 Abraão, curvando-se: “Desejo pagar pelo terreno. Qual é o valor de mercado da propriedade?”
Gênesis 23:14-15: são 400 siclos
Gênesis 23:16 Abraão não discutiu nem negociou, mas simplesmente concordou em pagar 400 siclos.
Um siclo era uma unidade de peso naquela época e só mais tarde se tornou uma unidade monetária.
Em Josué, Acã roubou 200 siclos de prata. Na época de Abraão, um escravo do sexo masculino valia cerca de 20 siclos. Alguns séculos antes, um escravo valia de 10 a 15 siclos. Na época de Moisés, cerca de 500 anos depois, um escravo valia 30 siclos. Portanto, o preço do campo equivalia a cerca de dez escravos.
A resposta é que, por mais rico que Abraão fosse, ele não se importava com essa pequena quantia de dinheiro. Ele se importava mais que eles percebessem que Abraão pagou o valor de mercado pelo campo e ficassem mais dispostos a deixar o túmulo intacto. Às vezes, é mais vantajoso para você não insistir ao máximo em sua vantagem, mas ceder algo ao outro lado para criar boa vontade, especialmente quando você não pode estar presente para garantir que eles cumpram sua parte do acordo.
P: Em Gênesis 23:2-3, embora Abraão tenha chorado por Sara, de que maneira ele se mostrou cortês para com os hititas?
R: Abraão os honrou em seu discurso. Financeiramente, ele não apenas não tentou obter o preço mais baixo, como também deixou que eles tomassem a iniciativa e definissem o preço. Às vezes, mesmo com nossos filhos pequenos, é bom deixá-los tomar a iniciativa.
Em Lucas 14,9-11, Jesus disse que, em um banquete, se deve ocupar o lugar mais humilde. Ao oferecer um banquete, convide os pobres, os aleijados e outros que não possam retribuir o favor.
P: Em Gênesis 23:3-20, Abraão era muito bem-sucedido nos negócios. Mas, neste caso, se ele quisesse obter o terreno de graça ou por um preço muito baixo, não pareceu ser um bom negociador. - Ou será que foi?
R: Um ditado a ser lembrado é: “mantenha os olhos no prêmio”. Às vezes, um bom empresário sabe que o preço mais baixo não é o único objetivo. Quem estaria por perto da terra e do túmulo quando Abraão e sua família estivessem ausentes? Seria bom não fazer uma negociação dura que deixasse ressentimentos, mas sim deixar boa vontade. Ele sempre quis que os hititas tivessem uma boa lembrança dele, para que não profanassem ou dessem outro uso ao túmulo quando ele se fosse. Em Gênesis 25:9-10, Abraão foi sepultado na mesma caverna, ao lado de Sara, assim como Jacó em Gênesis 50:12-13. Em Gênesis 50:25, José não quis ser sepultado no Egito.
P: Em Gênesis 23:5, por que os hititas consideravam Abraão um príncipe poderoso entre eles?
R: Abraão era muito rico. Além disso, ele aparentemente havia cultivado relações estreitas com eles, e eles o consideravam não apenas um amigo, mas também um dos seus.
P: Em Gênesis 23:7, os hititas realmente existiram?
R: Arqueólogos modernos descobriram a existência dos hititas já em 1892. No entanto, alguns estudiosos ainda duvidavam de sua existência mesmo dez anos depois (1902, E.A.W. Budge). Hoje, livros inteiros foram escritos sobre os hititas.
P: Em Gênesis 23:15-16, por que Abraão teve que pesar a prata?
R: O siclo era uma unidade de peso e só mais tarde passou a ser também uma unidade monetária. Abraão teve que “pesar” a prata, pois as moedas só começaram a ser utilizadas por volta de 800 a.C., de acordo com a obra *Can Archaeology Prove the Old Testament?*, p. 27. Da mesma forma, Acã roubou ouro e prata que “pesavam” 50 e 200 siclos. As primeiras moedas conhecidas datam da Lídia, por volta de 700 a.C. O livro também observa que a palavra latina pecunia (da qual deriva a palavra inglesa pecuniary, que significa “monetário”) provém da palavra latina pecus, que significa “gado”.
P: Em Gênesis 23:15-16, como podemos evitar ser “mesquinhos com o centavo e desperdiçadores com a libra” em nossas negociações?
R: No sistema monetário inglês, um “pence” ou “penny” é semelhante a um “penny” americano. Uma libra vale um pouco mais do que um dólar americano, embora, até recentemente, valesse quase US$ 2.
Um exemplo de como isso não foi feito ocorreu em uma empresa na qual trabalhei há alguns anos. Eles decidiram implementar “benefícios defensivos”. O que esse termo significava era que, se você fosse casado e o aniversário do seu cônjuge caísse em um mês e dia anteriores no ano em relação aos seus, a empresa não ofereceria mais benefícios ao seu cônjuge e aos seus filhos, mas apenas a você. Durante uma reunião de funcionários, na qual a representante de RH explicava isso sem muito entusiasmo, fiz uma pergunta. Quanto dinheiro eles estimavam que isso economizaria para a empresa? Ela disse que economizaria muito, cerca de US$ 50.000 por ano. Suponho que ninguém tenha considerado que, mesmo que apenas três ou quatro pessoas por ano deixassem a empresa por causa disso e a empresa recorresse a recrutadores para substituí-las, isso já representaria mais de US$ 50.000.
P: Em Gênesis 23:15-16, como demonstramos graça em nossos relacionamentos?
R: Podemos ser rápidos em perdoar, mas sem permitir que as pessoas se aproveitem de nós. Ame-as, não apenas com sentimentalismo, mas expresse esse amor por meio de carinho e ações concretas.
P: Em Gênesis 24:1; 25:8, por que Deus permite que alguns de Seus filhos sofram com a velhice?
R: Não sofremos com a velhice no Céu, e a eternidade de felicidade no Céu fará com que nosso breve período de dificuldades na Terra pareça insignificante. Consulte a discussão sobre Josué 13:1 para obter a resposta.
P: Em Gênesis 24:4, por que Abraão insistiria em uma esposa de seu próprio povo?
R: Os cananeus consideravam adequado e religioso sacrificar seus filhos recém-nascidos no fogo e praticar a prostituição ritual. Os hititas eram diferentes. Eram indo-europeus, uma colônia do Império Hitita na Anatólia (atual Turquia). Não é tão óbvio por que Abraão não queria uma nora dos hititas, exceto pelo fato de que eles também não acreditavam no Único Deus Verdadeiro.
P: Em Gênesis 24:5-8, o que havia de tão errado em Isaque voltar para Aram [Síria] para morar?
R: Nesse caso, tudo o que dizia respeito à promessa de Deus a Abraão — de deixar seu povo e ir para a terra prometida — teria sido em vão, pois os descendentes de Abraão teriam abandonado a promessa.
P: Em Gênesis 24:5-8, o que haveria de errado em Isaque voltar a Aram apenas para visitar e escolher uma esposa para si mesmo?
R: Dados seus laços familiares e sua riqueza, seus parentes provavelmente gostariam que Isaque ficasse, assim como Labão fez com Jacó, que permaneceu por quatorze anos. Abraão provavelmente não gostaria de correr o risco de Isaque ser persuadido a voltar e morar permanentemente onde sua esposa estaria.
P: Em Gênesis 24:15, qual era a relação entre Isaque e Rebeca?
R: Rebeca era filha do sobrinho de Abraão, o que a tornaria filha do primo de Isaque.
Isaac e Rebeca não poderiam ter desobedecido a Levítico 18, pois esse livro ainda não havia sido escrito. No entanto, verifica-se que o casamento deles ainda estava dentro das diretrizes das futuras regras de Levítico.
P: Em Gênesis 25:1, Quetura era esposa ou concubina?
R: Uma concubina é considerada um tipo de esposa. Gênesis 25:1 pode significar tanto esposa quanto concubina.
P: Em Gênesis 25:2, o que aconteceu aos filhos de Quetura com Abraão?
R: Abraão e Quetura tiveram seis filhos conhecidos.
Zimran é possivelmente o ancestral de uma tribo árabe, os zimri, mencionados em Jeremias 25:25. Hoje existe uma cidade chamada Zambran no Mar Vermelho, a oeste de Meca.
Jokshan nunca mais é mencionado, exceto pelo fato de ter sido o antepassado de Sabá e Dedã. Sabá era uma nação no extremo sudoeste da Península Arábica. Os dedanitas de Isaías 21:13 eram árabes que provavelmente descendiam tanto de Jokshan quanto de Cam, por meio de Cus (Gênesis 10:7; 1 Crônicas 1:9). A cidade de Dedã ficava a 100 milhas (160 km) a sudoeste de Tema, no oásis de el-’Ula, 175 milhas (280 km) ao norte de Medina. Dedã também é mencionada em inscrições proto-árabes sabéias e mineias.
É possível que Medan seja mencionada fora da Bíblia. O Dicionário Bíblico Wycliffe, p. 1093, afirma que as consoantes “m” e “b” são frequentemente intercambiadas no árabe; portanto, trata-se possivelmente da tribo dos bedanos, que foi conquistada pelo assírio Tiglate-Pileser III.
Midiã era uma tribo bem conhecida que oprimia os israelitas, conforme relatado em Juízes 8.
Ishbak fundou uma tribo que se estabeleceu no norte da Síria e foi mencionada nos Anais assírios de Salmanasar III (858-824 a.C.).
Shuah era, aparentemente, a tribo da qual provinha Bildad, o shuita, em Jó 2:11.
P: Em Gênesis 25:2, se Abraão e Sara eram ambos inférteis, como Abraão pôde ter filhos depois de Isaque?
R: Primeiro, o que não é a resposta; depois, a resposta.
O que não é a resposta: era Sara quem era estéril, não Abraão. Afinal, Abraão teve um filho, Ismael, com Hagar. Essa é a resposta dada por Agostinho de Hipona em sua obra *A Cidade de Deus*, livro 16, cap. 28, p. 327.
A resposta: Sara sempre foi estéril, mas quando Abraão completou 100 anos, ambos eram naturalmente incapazes de ter filhos, de acordo com Romanos 4:19 e Hebreus 11:12. Assim, depois que Deus concedeu a Abraão o dom da fertilidade, Deus não o retirou.
P: Em Gênesis 25:6, quantas esposas e concubinas Abraão tinha?
R: Embora isso não tenha grande importância, não sabemos o número exato. Após a morte de Sara, Abraão tomou Quetura como esposa, conforme Gênesis 25:1. Hagar era uma de suas concubinas, mas Gênesis 25:6 indica que Abraão tinha mais de uma concubina.
P: Em Gênesis 25:8, 17 e Gênesis 49:33, como os patriarcas “entregaram o espírito”?
R: Trata-se de uma tradução aproximada da palavra hebraica gâva’, que significa literalmente “exalar” ou “expirar”. Uma tradução mais precisa seria “exalou o último suspiro”.
P: Em Gênesis 25:8, 17 e Gênesis 49:33, Abraão e Jacó foram “reunidos ao seu povo”; então, como poderia haver vida após a morte?
R: Trata-se de uma expressão que significa que a pessoa faleceu, e soa muito melhor do que “batia as botas”.
P: Em Gênesis 25:13, as referências a Quedar estão relacionadas a Maomé?
R: Gênesis 25:13 menciona Kedar, filho de Ismael, mas há dúvidas quanto à ascendência de Maomé em relação a Ismael e Kedar. Independentemente disso, porém, Gênesis 25:13, ao mencionar doze filhos de Ismael, incluindo Kedar, não diz nada de bom ou de ruim a respeito deles. Al-Tabari, vol. 6, p. 6, registra três pontos:
1) Há divergências entre os genealogistas quanto à ascendência de Maomé após ‘Adnan (p. 37)
2) Muitas genealogias, mas não todas, incluem Maomé … ‘Adnan … Nabt, filho de Qaydhar [Kedar?], filho de Isma’il [Ismael]
3) “Essas divergências surgem porque se trata de uma ciência antiga, proveniente do povo do Primeiro Livro (o Antigo Testamento).”
Portanto, se o historiador muçulmano al-Tabari reconhece que eles adotaram nomes genealógicos dos judeus e do Antigo Testamento, essa não é uma testemunha totalmente independente.
P: Em Gênesis 25:22-23, a pergunta de Rebeca dizia respeito ao presente e ao futuro próximo, mas a resposta de Deus referia-se a um futuro distante. Por que Deus faz isso?
R: Há cinco pontos a serem considerados na resposta.
1. Aparentemente, Deus desejava revelar essa verdade profética sobre Jacó e Esaú.
2. Assim como bons professores humanos, Deus sabe que um ponto será melhor lembrado se for uma resposta à pergunta de um aluno.
3. Independentemente de Deus ter feito com que os bebês se acotovelassem apenas para levar Rebeca a fazer a pergunta, o acotovelamento de fato a levou a fazer a pergunta.
4. Talvez Rebeca não estivesse pensando a longo prazo nesse momento, mas sua pergunta era suficientemente aberta para que a revelação de Deus ainda respondesse à sua dúvida.
5. Quando pedimos coisas a Deus, devemos fazê-lo de “maneira aberta” e não apenas segundo nossos próprios termos. Devemos estar preparados para que Deus nos mostre verdades que não esperávamos e pelas quais não pedimos diretamente.
P: Em Gênesis 25:31-33, a primogenitura de Jacó foi obtida por meio de compra ou de mentira?
R: Ambos.
1. Jacó “comprou” a primogenitura de Esaú por um prato de lentilhas (Gênesis 25:29-34).
2. Posteriormente, Jacó enganou Isaque ao receber a primogenitura que Esaú já havia decidido abrir mão. (Gênesis 27:19)
Observe que Jacó comprou apenas a primogenitura, mas mentiu para obter a bênção.
Independentemente tanto da compra quanto do engano, Deus escolheu que Seu povo, os judeus, descendesse de Jacó (Gênesis 26:24-24).
P: Em Gênesis 26:2, os israelitas deveriam descer ao Egito ou não?
R: A Isaac foi dito para não descer ao Egito em Gênesis 26:2. A Jacó, e não a Isaac, foi dito para ir até lá em Gênesis 46:3. De maneira semelhante, em 2 Samuel 7:5, 12-13, foi dito a Davi que não seria ele, mas sim seu filho, quem construiria o Templo em Jerusalém. A lição aqui não é que ir ao Egito seja bom ou ruim, mas que devemos ir aonde Deus deseja que vamos, quando Deus deseja que vamos.
P: Em Gênesis 26:3-5, Gênesis 12:1; Gênesis 17:1, 9-14; e Gênesis 22:16, Deus abençoou Abraão por causa das obras de Abraão?
R: Não. Tanto para Abraão quanto para as pessoas em geral, há duas questões distintas aqui: salvação e bênçãos.
Salvação: as obras de Abraão não foram importantes, no sentido de que não o levaram ao Céu. As obras de Abraão foram muito importantes por serem a expressão visível de sua fé em Deus e inseparáveis de sua fé em Deus.
Bênçãos: Por causa das obras, tanto Abraão quanto nós frequentemente recebemos bênçãos nesta vida e recompensas na próxima.
Tiago cita Abraão como exemplo de alguém justificado pelas obras. Abraão “creu em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça” uma ou duas décadas antes de quase sacrificar Isaque.
A aliança de Deus continha tanto um elemento invariável quanto um elemento condicional. Levítico 26:44-45 mostra que, mesmo que o povo de Deus falhe no que diz respeito ao elemento condicional, o elemento invariável permanece válido.
P: Em Gênesis 26:6-7, por que Isaque é um modelo a ser seguido por nós, já que ele mentiu nessa ocasião?
R: Não. Consulte a resposta a Gênesis 12:10-20.
P: Em Gênesis 26:8-9, tratava-se do mesmo Abimeleque de Gerar mencionado em Gênesis 20:2-3?
R: Com base no nome, provavelmente não. Abimeleque significa “O pai é rei”. Por um lado, há muitos casos em que pai e filho ou descendentes têm o mesmo nome. Por outro lado, aqui trata-se provavelmente de um título, e não de um nome próprio, conforme afirma a obra *735 Perguntas Bíblicas Intrigantes Respondidas*, p. 42.
Outros governantes que compartilhavam o mesmo nome foram Tobias I, II, III, IV e V, de 590 a 200 a.C.; Sanbalate I, II e III, de 445 a 330 a.C.; Salmanasar I, II e III; Antíoco I, II, III e IV; e Tiglate-Pileser I, II e III.
P: Em Gênesis 26:33, foi Abraão quem deu o nome à cidade de Berseba, ou foi Isaque?
R: Em Gênesis 21:31, ela já era chamada de Berseba no tempo de Abraão, devido ao juramento entre Abraão e Abimeleque. Isaque certamente sabia disso, pois morava em Berseba com seu pai, conforme Gênesis 22:19. A fim de lembrar a Abimeleque — que provavelmente era o filho de Abimeleque da época de Abraão, quando a aliança anterior foi feita —, ele deu a um novo poço um nome semelhante: “Sibá”.
P: Em Gênesis 26:34 e Gênesis 36:2-3, quem eram as quatro esposas de Esaú?
R: Esposas 1 e 2: Aos 40 anos, Esaú casou-se com duas hititas, Judite e Basemate, filha de Elom (Gênesis 26:34-35).
Ada, filha de Elom, o hitita (Gênesis 36:2), é provavelmente outro nome para Basemate.
Esposa 3: Depois que Jacó partiu, Esaú casou-se com a ismaelita Maalate, irmã de Nabaiote (Gênesis 28:8-9)
Basemate, filha de Ismael e irmã de Nabaiote (Gênesis 36:3), é provavelmente outro nome para Maalate.
Esposa 4: Esaú casou-se com Oholibama, filha de Aná (Gênesis 36:3).
Judite provavelmente não foi mencionada nas genealogias de Gênesis 36, pois não teve filhos.
P: Em Gênesis 27, por que Deus supostamente aprovou que Jacó enganasse Isaque e que enganasse Labão em Gênesis 31:20?
R: Deus não aprovou as mentiras de Jacó. Em primeiro lugar, a Bíblia registra com precisão e honestidade tanto as coisas más quanto as boas que as pessoas fizeram. Em segundo lugar, até mesmo o povo de Deus na Bíblia cometeu erros. Conforme afirma o livro *735 Perguntas Bíblicas Desconcertantes Respondidas*, p. 43: “Deus não abençoou Jacó porque ele mentiu e usou de engano, mas apesar disso.”
P: Em Gênesis 27, por que a bênção era importante?
R: Normalmente, o primogênito recebia a bênção, o que significava uma parte dupla da herança, além de se tornar o chefe da família. Uma tabuinha de Nuzi, do século XV a.C., relata um processo judicial entre três irmãos sobre quem se casaria com uma mulher chamada Zululishtar. Um dos irmãos venceu porque conseguiu provar que seu pai havia autorizado o casamento em seu leito de morte.
P: Em Gênesis 27:29, o que a palavra hebraica “senhor” significa literalmente?
R: A palavra hebraica aqui, gebiyr (pronuncia-se gheb-EER), pode ser traduzida de duas maneiras: senhor ou herói. No caso de Esaú e seus descendentes, tratava-se de um senhor [indesejado]. Em nossas vidas, se Deus colocou alguém acima de você de quem você não gosta, você pode optar por tratá-lo como um senhor indesejado ou como um herói.
P: Em Gênesis 27:39-40, por que Isaque não pôde abençoar Esaú da mesma forma que abençoou Jacó?
R: A Bíblia não explica por que Isaque acreditava (seja essa crença correta ou errada) que não poderia abençoar os dois. No entanto, de acordo com os registros da época encontrados na cidade de Nuzi, os testamentos feitos no leito de morte eram considerados válidos e irrevogáveis. Veja também a resposta à próxima pergunta.
P: Em Gênesis 27:39-40, por que Deus não abençoou Esaú da mesma forma que abençoou Jacó?
R: Há três razões complementares.
1. Romanos 9:10-15 mostra que Deus pode fazer o que Lhe apraz sem nos revelar Suas razões.
2. Esaú era pagão (sem Deus) (Hebreus 12:16), e Jacó era um enganador; Deus teria sido justo ao amaldiçoar ambos. Em vez disso, ambos receberam bênçãos (Hebreus 11:20).
3. Deus tem o direito de escolher conceder misericórdia e amor especiais apenas a alguns, conforme Lhe parecer adequado. — basta perguntar a Paulo.
P: Em Gênesis 27:42-44, Jacó foi para a cidade de Harã para fugir de Esaú ou para encontrar uma esposa?
R: Ambas as coisas. Às vezes, há múltiplas razões para se fazer uma coisa. Rebeca disse a Jacó para ir fugir de Esaú em Gênesis 27:42-46, mas ela disse a Isaque que o motivo era encontrar uma esposa em Gênesis 27:46. O motivo de Isaque para enviar Jacó foi encontrar uma esposa em Gênesis 28:1-6.
P: Em Gênesis 27:45, a expressão “ambos” refere-se a Jacó e Isaque ou a Jacó e Esaú?
R: Linguisticamente, poderia ser de ambas as formas. No entanto, tratava-se de Isaque e não de Esaú, pois Isaque estava à beira da morte, Esaú mataria Jacó logo em seguida e não havia ameaça para Esaú. Infelizmente, Rebeca talvez estivesse pensando nos “dois” que amava, e não em “dois entre três”.
P: Em Gênesis 27:46, as esposas de Esaú eram hititas ou cananeias?
R: Alguém pode ser ao mesmo tempo texano e americano? Os hititas em Canaã eram um dos povos de Canaã.
P: Em Gênesis 28, Rebeca e Jacó conseguiram o que queriam?
R: Superficialmente, sim, mas, na verdade, não. Elas queriam que Jacó tivesse a primogenitura e, por meios errados — mentiras e engano —, conseguiram isso; portanto, foram bem-sucedidas.
No entanto, o filho com a primogenitura costumava ocupar um lugar de honra na família posteriormente; contudo, Jacó teve que fugir para salvar a vida. Rebeca conseguiu ajudar seu filho favorito; contudo, ela nunca mais veria Jacó na terra. Como aponta o livro “Mulheres na Bíblia”, Rebeca teria que conviver com o filho a quem havia prejudicado pelo resto da vida.
P: Em Gênesis 28:12, a expressão “sobre ela/ele” é ambígua?
R: Na verdade, não. A expressão “sobre ela” foi interpretada por alguns rabinos como “sobre ele”. Em outras palavras, ou os anjos do céu estavam subindo e descendo pela escada, ou então estavam subindo e descendo sobre o próprio Jacó. Isso é mencionado porque Jesus disse, em João 1:51, que Natanael veria os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem [Jesus].
A favor de “sobre ela”: a analogia faz sentido, com a escada (ou escadaria) presente e Jacó, no sonho, vendo vários anjos realizando suas tarefas. Metaforicamente, Jesus é a escada pela qual as bênçãos de Deus descem à Terra e a escada pela qual somos levados ao céu.
Contra “sobre ele”: os anjos estariam pisoteando Jacó para chegar à escada? Os anjos estariam subindo em Jacó para chegar ao céu? Nesse caso, para que serve a escada? Jesus era descendente de Jacó, mas Jesus se assemelha mais a uma escada do que a Jacó, que frequentemente enganava as pessoas.
P: Em Gênesis 29:15-25, por que deveríamos admirar Labão na Bíblia, já que ele enganou e mentiu para Jacó?
R: Quem disse que devemos admirar Labão? Não devemos. Essa pergunta pressupõe que a Bíblia só pode falar do povo de Deus isoladamente, sem mencionar as outras pessoas com quem eles tiveram que lidar. É claro que a Bíblia fala tanto de pessoas más quanto de pessoas boas. Além disso, a Bíblia nos mostra que mesmo as pessoas boas nem sempre eram boas.
Uma analogia pode ajudar aqui. Alguém poderia dizer: “Não se pode admirar heróis americanos. Veja, por exemplo, John Wilkes Booth, que atirou em Abraham Lincoln”. Bem, podemos ler como John Wilkes Booth desempenhou um papel significativo na história americana, mas ele não era um herói americano.
Labão desempenhou um papel na história de Israel, mas também não era um herói. A analogia com Booth pode parecer um pouco tola, já que ninguém admira Booth como um herói, mas citar Labão para criticar pessoas que deveríamos admirar na Bíblia (como um ateu de fato fez) também parece fora de lugar.
P: Em Gênesis 29:21-30, quando Raquel foi entregue a Jacó?
R: Jacó trabalhou por sete anos, recebeu Lia, esperou uma semana e, então, recebeu Raquel naquele momento em troca da promessa de mais sete anos.
P: Em Gênesis 29:28, por que Jacó se casou com duas irmãs, já que Levítico 18:18 proíbe o casamento entre duas irmãs enquanto ambas estiverem vivas?
R: Levítico 18:18 fazia parte da Lei Mosaica, que foi dada mais de 400 anos depois de Jacó ter se casado com suas esposas. Certamente não se poderia exigir que Jacó obedecesse a uma lei da qual ele não tinha ouvido falar e que Deus ainda não lhes havia ordenado.
P: Em Gênesis 29:31, por que Deus simplesmente não disse a Jacó para amar Lia também, em vez de apenas tornar Raquel estéril?
R: Às vezes, as pessoas só conseguem aprender lições da maneira mais difícil. Será que somos diferentes?
P: Em Gênesis 30:14-15, o uso de mandrágoras não soa como uma superstição?
R: Grande parte da medicina popular não funciona. O longo período em que Raquel permaneceu sem filhos depois disso indica claramente que as mandrágoras não tiveram nada a ver com o fato de Deus ter aberto o ventre de Raquel. Essa passagem mostra que até mesmo os crentes podem cometer erros e depositar esperança em curas tolas.
P: Em Gênesis 30:27, como Labão pôde usar a adivinhação para descobrir algo sobre Jacó?
R: Supondo que Labão estivesse dizendo a verdade aqui, às vezes as pessoas obtêm respostas corretas por meio da adivinhação. No entanto, mesmo que a adivinhação revelasse toda a verdade, em vez de uma mistura de verdade e erro, os crentes não deveriam seguir o exemplo de Labão, pois Deus ordenou que não se praticasse adivinhação em Deuteronômio 18:10,14. A propósito, a adivinhação de Labão não lhe trouxe o resultado que ele desejava em Gênesis 31:1-2,9.
P: Em Gênesis 30:37-43, o fato de Jacó “fazer” com que ovelhas e cabras se tornassem malhadas não soa como superstição?
R: Não há qualquer indício de superstição, apenas noções equivocadas sobre genética animal. Deus abençoou Jacó independentemente disso, como o próprio Jacó sabia em Gênesis 31:7-13.
P: Em Gênesis 31:23 e Gênesis 37:25, Gileade seria um anacronismo, uma vez que Números 26:26 afirma que Manassés era o avô de Gileade?
R: De forma alguma. Primeiro, uma observação que não é relevante para a resposta; em seguida, a resposta.
Não faz parte da resposta: Gileade era um nome relativamente comum. Gileade não era apenas um descendente de Manassés (Números 26:29-30 e Josué 17:1), mas um outro Gileade era pai de Jefté (Juízes 11:1), e um terceiro Gileade era da tribo de Gade (1 Crônicas 5:14).
A resposta é que a palavra “Gileade” indica a época em que o texto foi escrito. Jacó e José não teriam chamado a região de Gileade, mas ninguém afirma que o Livro de Gênesis tenha sido escrito na época de Jacó e José. Em vez disso, Gênesis foi escrito na época de Moisés. As duas tribos e meia da Transjordânia já estavam prestes a receber suas terras antes da morte de Moisés.
Um anacronismo ocorre quando um documento que afirma ter sido escrito em uma determinada época utiliza palavras ou termos que só seriam empregados posteriormente. Não constitui anacronismo utilizar palavras da época da redação para descrever um período anterior. Por exemplo, não é um anacronismo quando alguém no século XX afirma que a região de Gileade ficava no país da Jordânia. Jacó, José e Moisés não conheciam o país moderno da Jordânia, mas, afinal, ninguém afirma que eles o conheciam.
P: Em Gênesis 31:32,34, como a Bíblia poderia [supostamente] aprovar que Raquel roubasse os ídolos de seu pai?
R: Ela não aprova o roubo cometido por Raquel. Os deuses domésticos não tinham apenas conotações religiosas; possuí-los significava o direito à herança, de acordo com as tabuinhas encontradas na cidade de Nuzi, datadas da época de Moisés.
O livro “Hard Sayings of the Bible”, pp. 130-131, apresenta o texto da tabuinha de Nuzi, mas também defende que o apego religioso de Raquel a esses ídolos pode ter sido um fator envolvido.
Embora alguns possam simpatizar com a atitude rancorosa de Raquel, a Bíblia não a tolera, apenas registra o fato. Raquel morreu no parto poucos anos depois de ter levado os ídolos, conforme Gênesis 35:17-19; portanto, esses ídolos domésticos certamente não lhe trouxeram nenhum benefício. A Bíblia não é um livro sobre super-heróis perfeitos, mas sobre pessoas muito reais que tinham muitos defeitos — assim como nós.
P: Em Gênesis 31:47, uma vez que o Gênesis foi escrito em uma época remota, por que há duas palavras em aramaico neste versículo?
R: Isso indica que o aramaico coexistia com o hebraico já em uma época remota. Lembre-se de que os arameus viviam na Síria, onde morava Labão. As esposas de Jacó eram daquela região. Alternativamente, essas podem ser palavras comuns ao hebraico antigo.
P: Em Gênesis 32:1-2; 33, como Deus nos prepara para o conflito?
R: A questão não é apenas a força para o conflito, mas também a perseverança. Podemos ser fortalecidos de pelo menos três maneiras.
1) Precisamos ser lembrados de onde devemos fixar nossos olhos, da meta que temos à nossa frente e do amor que nos fortalece para seguirmos em frente.
2) Deus pode nos fortalecer concedendo-nos novos dons espirituais e aprofundando os dons espirituais que já possuímos. Talvez precisemos aprender novas habilidades e praticar as que acabamos de descobrir.
3) Mas, paradoxalmente, em Gênesis 33, Deus enfraqueceu Jacó. Ao deslocar seu quadril, Jacó ficaria ainda menos capaz de resistir fisicamente a Esaú. Deus precisa nos ajudar a nos livrar da bagagem extra de que não precisamos, que nos sobrecarrega, ao servi-Lo. Às vezes, algo não é ruim, mas, se confiarmos demais nisso em vez de em Deus, Ele pode querer que O sirvamos sem isso.
P: Em Gênesis 32:1-3-6, quais você acha que foram os dois propósitos de Jacó ao enviar mensageiros a Esaú?
R: Como Deus enviou mensageiros angelicais a ele, talvez tenha sido assim que Jacó teve a ideia de enviar mensageiros a Esaú. Já se passaram 20 anos desde que Jacó e Esaú se viram pela última vez. Que tipo de recepção Jacó receberia? Por um lado, Jacó tinha medo de descobrir, mas, por outro lado, sabia que não queria fugir disso e permanecer com Labão para sempre. Observe que Jacó não se refere a Esaú como “seu irmão”, mas sim como “seu servo”.
P: Em Gênesis 32:6-7, quais você acha que são as duas razões pelas quais Esaú decidiu encontrar-se com Jacó acompanhado de 400 homens?
R: Em primeiro lugar, por que Esaú teria 400 homens? Esaú provavelmente era bastante rico e talvez precisasse desse exército para combater os horeus que viviam naquela terra.
Naquele momento, talvez Esaú estivesse vindo para cumprir o que havia jurado anteriormente: matar Jacó. Ou talvez Esaú estivesse indeciso sobre o que faria, mas quisesse guerreiros suficientes para manter todas as suas opções em aberto. De qualquer forma, Esaú queria deixar claro que estava no controle. Se sua intenção era amedrontar Jacó, ele conseguiu; Jacó ficou paralisado de medo.
P: Em Gênesis 32:6-7, no que diz respeito às esposas de Jacó, quais você acha que foram as primeiras impressões delas sobre Canaã e sobre Jacó?
R: Lembre-se de que Jacó escapou por pouco dos problemas com Labão. Seria de se perguntar quão próxima e de confiança era a relação entre Raquel e Labão, considerando que ele deu Léia a Jacó primeiro. Portanto, ela poderia estar aliviada por ter alguma distância entre ela e Labão. A terra parecia semelhante, exceto pelo fato de haver muitas cidades fortificadas dos cananeus com as quais Jacó precisava conviver.
P: Em Gênesis 32:7-23, quais foram as três estratégias que Jacó tentou simultaneamente?
R: Primeiro, Jacó tentou preparar o terreno com presentes generosos para Esaú. Em segundo lugar, Jacó dividiu sua família em grupos; se um grupo fosse atacado e morto, os demais poderiam se dispersar e escapar. Por fim, Jacó decidiu ir por último. Jacó estava realmente se sentindo desesperado naquele momento e percebia que estava por conta própria. Mas, como diz o Comentário Bíblico do Crente, p. 68: “Por meio de sistemas de segurança humanos, muitas vezes nos protegemos de uma vida de oração dinâmica. Por que fazemos isso a nós mesmos?”
P: Em Gênesis 32:22-32, Jacó foi renomeado como Israel, ou isso ocorreu em Gênesis 35:9-10? (Um cristão liberal mencionou isso como evidência de que vários autores escreveram o Gênesis.)
R: Gênesis 32:22-32 é muito detalhado e narra como Jacó luta com Deus, e Deus o renomeia como Israel. Gênesis 35 apresenta um resumo da vida de Jacó, e dois versículos, 35:9-10, mencionam que Jacó foi renomeado, para que possamos situar onde ocorreu a narrativa de Gênesis 32. Sim, esses dois versículos são uma repetição, mas isso contribui para a história, não se trata de uma inclusão inadvertida de algo duas vezes. Hoje, quando as pessoas escrevem, costumam repetir na conclusão o que dizem no corpo do texto, mas isso não significa que as diferentes partes do texto tenham sido escritas por vários autores.
P: Em Gênesis 32:27-28, por que Jacó foi renomeado como Israel?
R: Embora a Bíblia não mencione, há duas possibilidades, e ambas podem ser verdadeiras.
O ato de renomeá-lo mostrou que Deus está no controle de toda a sua vida, até mesmo de seu nome, e que ele era uma pessoa diferente, com um destino diferente, por causa de Deus. Suponho que, quando chegarmos ao céu, poderemos simplesmente perguntar a Abrão, Simão e Saulo de Tarso sobre isso — ou melhor, devo dizer Abraão, Pedro e Paulo.
Os nomes tinham grande significado naquela época, e “Israel” aparentemente significa “Deus persevera” ou então “Ele persevera com Deus”, e está ligado a “você lutou com Deus”.
P: Em Gênesis 32:24, 27, visto que Jacó lutou com um homem, que acabou se revelando um anjo ou Deus, Deus é um anjo ou um homem?
R: Deus pode se manifestar até mesmo como uma sarça ardente, mas isso não faz de Deus uma planta. Embora esteja presente em todos os lugares, Deus também pode ter uma presença localizada na forma que Ele desejar.
Eis o que pensava Clemente de Alexandria (193-217/220 d.C.): “Mais uma vez, quando Ele [Jesus] fala em Sua própria pessoa, confessa ser o Instrutor: ‘Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tirei da terra do Egito.’… E Ele se manifesta de forma muito clara como o Instrutor de Jacó. Ele diz a ele, portanto: ‘Eis que estou contigo, para te guardar em todo o caminho por onde fores; e te trarei de volta a esta terra; pois não te deixarei até que cumpra o que te disse.’ Diz-se também que ele lutou com Ele. “E Jacó ficou sozinho, e ali lutou com ele um homem (o Instrutor) até a manhã.” Esse foi o homem que guiou, trouxe, lutou e ungiu o atleta Jacó contra o mal.” O Instrutor, livro 1, cap. 7, p. 223
P: Em Gênesis 32:24-32, Jacó estava lutando com um anjo literal, ou estava apenas lutando contra um problema?
R: Nada indica que possamos acrescentar à Escritura que não se tratava de um anjo real.
1. Interpretar a Bíblia literalmente é a única maneira honesta de interpretá-la
2. Interpretar a Bíblia literalmente não significa impor um literalismo rígido e concreto
3. Interpretar a Bíblia literalmente significa interpretar o livro tal como foi escrito.
Embora os judeus Josefo e Filo tenham interpretado a luta de Jacó como um sonho, os sonhos não deixam as articulações do quadril permanentemente deslocadas.
P: Em Gênesis 32:24-30, o Alá [Deus] do cristianismo é tão fraco a ponto de levar a noite inteira para lutar com Jacó, como mencionou um muçulmano?
R: Em primeiro lugar, foi o anjo de Deus (a quem Jacó chamou de homem), e não o próprio Deus, que lutou. Jacó disse que viu Deus face a face, mas ele só se deparou com Deus por meio do anjo. Independentemente disso, Deus enviou esse anjo, que tinha o poder de esmagar Jacó.
Se um pai luta com seu filho de dois anos, que tem um temperamento forte, e até mesmo deixa a criança vencer às vezes, isso não faz dele um pai fraco. Da mesma forma, a intenção de Deus era lidar com a teimosia de Jacó, não destruir Jacó e sua tenacidade. Deus queria levar Jacó a compreender quem ele era, não matá-lo.
Imagine como seria maravilhoso se o seu corpo fosse o mesmo, exceto pelo fato de ser mil vezes mais forte. O senhor poderia se destacar nos esportes, derrubar paredes e correr extremamente rápido. No entanto, toda vez que tentasse pegar uma flor, a esmagaria; toda vez que segurasse a mão de uma criança pequena, a quebraria; e toda vez que abraçasse sua esposa, ela acabaria indo para o hospital. Talvez ter músculos 1.000 vezes mais fortes não seja tão bom assim, afinal.
Deus é todo-poderoso, mas Deus também possui gentileza e delicadeza. Deus é infinitamente mais poderoso do que nós, mas tem maior controle sobre Sua própria força do que nós temos sobre a nossa. Sofonias 3:17 dá um exemplo de como o Todo-Poderoso é gentil: “O Senhor, o seu Deus, está em você; Ele é poderoso para salvar. Ele terá grande prazer em você, acalmá-lo-á com o seu amor e se alegrará por você com cânticos.”
Em 1 Reis 19:11-13, Deus diz a Elias que ele experimentará a presença do Senhor. Não foi no vento forte que se seguiu, nem no terremoto, nem no fogo, mas em um sussurro suave.
Portanto, para resumir, os cristãos adoram um Deus que é bondoso sem deixar de ser o Todo-Poderoso.
P: Em Gênesis 32:30, é possível alguém ver o rosto de Deus, já que Êxodo 33:20 diz que ninguém pode vê-lo e permanecer vivo?
R: Jacó viu a aparência de um anjo; a princípio, ele pensou que fosse um homem, e certamente não viu Deus em sua glória face a face.
P: Em Gênesis 32:26, por que o senhor acha que Jacó estava tão empenhado em ser abençoado por Deus?
R: Jacó poderia ter pedido mais riqueza, segurança ou que Esaú se mostrasse benevolente para com ele, mas Jacó não pediu diretamente nada disso. Ele apenas pediu que Deus o abençoasse. Jacó não esperava que Deus lhe permitisse evitar Esaú, mas queria que Deus o abençoasse para que pudesse sobreviver ao encontro com Esaú.
P: Em Gênesis 33 e Gênesis 36:7, Esaú e Jacó se separaram porque seus bens eram muitos demais ou por causa do medo que Jacó tinha de Esaú?
R: Ambos.
P: Em Gênesis 33:18-19 e Josué 24:32, Jacó comprou a terra em Siquém, ou foi Abraão quem a comprou, conforme dizem Atos 7:15-16 e Gênesis 23:16-20?
R: Abraão comprou um terreno em Manre, perto de Hebrom, para Sara, conforme Gênesis 23:16-20, mas esse local não é o mesmo. Quanto ao terreno adquirido em Siquém, há três respostas possíveis.
Jacó e Abraão a compraram: Tanto Josué 24:32 quanto Gênesis 33:18-19 afirmam que Jacó, neto de Abraão, foi quem comprou a terra perto de Siquém. Independentemente de Abraão ter comparecido para testemunhar a compra da terra com o dinheiro que ele deixou para Isaque ou não, pode-se dizer que o clã de Abraão comprou a terra. Ainda hoje, um adolescente, com o consentimento de seu pai, pode comprar um carro em nome do pai.
Estêvão pode estar equivocado: uma vez que Jacó comprou o terreno onde seus filhos foram sepultados, mas o próprio Jacó foi sepultado em Manre junto com Abraão, Estêvão pode ter acidentalmente confundido esses dois eventos distintos. Mesmo que Estêvão estivesse equivocado, a Bíblia continuaria a ser infalível. A Bíblia simplesmente registrou, de forma infalível, o que Estêvão disse, com erros e tudo.
Reenterro: Assim que se estabeleceram na terra de forma permanente, decidiram reenterrar Abraão, Sara, Isaque e Rebeca para que ficassem todos juntos.
P: Em Gênesis 33:18-19, o que mais sabemos sobre a cidade de Siquém?
R: Embora a cidade estivesse em ruínas na época de Abraão, a localização da cidade era conhecida. Abraão não comprou a cidade, mas sim terras próximas a Siquém.
Ela era constantemente reconstruída, pois ficava em uma colina que podia ser fortificada e possuía uma excelente fonte. Siquém foi reconstruída por volta de 1900 a.C., mas o Faraó Senusert III (c. 1880-1840 a.C.) a conquistou. Siquém foi destruída novamente por volta de 1750 a.C. Foi reconstruída, mas voltou a ser destruída pelos egípcios por volta de 1550 a.C. Foi reconstruída na época das cartas de Amarna (1500-1370 a.C.), que a mencionam como o centro do rei Lab’ayu, que mantinha uma confederação com os invasores “Habiru”. Foi reconstruída, mas destruída pelos assírios, pelos arameus, pelo rei Menaham de Israel e pelos assírios em 723 a.C.
P: Em Gênesis 34:13-17, como Deus poderia [supostamente] tolerar que os filhos de Jacó respondessem de forma enganosa a respeito de Diná?
R: Deus não tolerou isso, e os dois filhos de Jacó que mataram os habitantes de Siquém foram amaldiçoados por isso.
P: Em Gênesis 34:25-30, como Simeão e Levi, sozinhos, conseguiram destruir uma cidade inteira?
R: Eles lideraram o ataque, mas contavam com outros servos, soldados contratados e/ou parentes sob seu comando.
P: Em Gênesis 35:1-5, qual foi a sequência dos eventos aqui?
R: Eis a ordem.
1. Jacó aparentemente foi negligente ao permitir a presença de ídolos estrangeiros entre seu grupo nômade.
2. Deus disse a Jacó que desejava que ele morasse em Betel e construísse um altar a Ele.
3. Jacó percebeu corretamente que, se fossem construir um altar a Deus, não seria adequado ter ídolos entre eles.
4. Uma vez que se dedicassem plenamente ao Senhor, não teriam nada a temer dos povos vizinhos.
P: Em Gênesis 35:21, todos os filhos de Jacó nasceram em Migdal Eber, ou nasceram antes, como afirmam outras passagens do Gênesis? (Um cristão liberal levantou essa questão como uma contradição.)
R: Gênesis 35:21-26 não afirma que todos os filhos de Jacó nasceram em Migdal Eber, especialmente porque, em Gênesis 35:19-20, Raquel, mãe de dois filhos, havia acabado de falecer antes de se mudarem para lá. Gênesis 35:21-26 simplesmente enumera os filhos, após o relato em que Israel (=Jacó) armou sua tenda além de Migdal Eber.
P: Em Gênesis 36, os descendentes de Esaú são listados com tanto detalhe?
R: É certo que este não é o capítulo mais importante da Bíblia. Embora os nomes individuais não sejam importantes, aprendemos cinco coisas com isso.
1. Isso demonstra a afirmação da Bíblia quanto à precisão histórica e à atenção aos detalhes históricos.
2. Os descendentes de Esaú (os edomitas) e os israelitas conheciam-se mutuamente. No livro de Jó, Elifaz era um temanita, descendente de Teman, conforme Gênesis 36:11, 15, 42 e 1 Crônicas 1:45. Posteriormente, Jeremias 49:7, 20 utiliza poeticamente Teman como sinônimo de Edom.
3. Os dois povos aparentados, embora separados, mantinham relações muito amigáveis entre si, pelo menos nessa época. Posteriormente, Amós 1:9-11 menciona a “aliança fraternal” que os edomitas quebraram. Não se tratava de uma aliança formal, mas de um relacionamento informal que remonta à época de Gênesis 33:4-16.
4. Os edomitas basicamente se uniram aos horeus, que já habitavam a terra conforme Gênesis 20-29. Essa união é provavelmente semelhante à que os siquemitas propuseram aos israelitas. Séculos mais tarde, existiu de fato uma poderosa nação do Oriente Médio, chamada Mitanni — ou também conhecida como hurrita —, que era uma união de dois povos. O grupo que dominava por meio de uma parceria eram os hurritas, que aparentemente eram originários da Índia.
5. Como Canaã foi concedida aos israelitas, os edomitas ficaram com Edom e o Monte Seir. Deus afirmou que concedeu o Monte Seir aos filhos de Esaú em Deuteronômio 2:5.
6. O número de descendentes de Esaú, somado à assimilação com os horitas e ao início precoce de seu governo, demonstrou que a nação edomita estava avançando rapidamente e que poderia se tornar uma poderosa rival no futuro.
Aqui estão as batalhas entre Edom e Israel.
1 Samuel 14:47 Eles lutaram no tempo de Saul
1 Reis 11:14-22 Os edomitas, sob o comando de Hadade, lutaram no tempo de Salomão
2 Crônicas 20:1-23: os edomitas formaram uma aliança e lutaram no tempo de Josafá
2 Reis 8:21 Os edomitas lutaram no tempo de Jeorão
2 Crônicas 28:17 Os edomitas lutaram no tempo de Acaz
Salmo 137:7; Lamentações 4:21-22; Obadias 10-14 Os edomitas ajudaram os babilônios contra Judá.
Malaquias 1:2-5: por volta de 433 a.C., após o retorno do exílio, os edomitas ainda eram inimigos.
Em Ezequiel 25:12-17, após a queda de Jerusalém, os edomitas aguardavam nas encruzilhadas para matar e saquear os judeus em fuga.
P: Em Gênesis 36:2, Zibeão era uma cidade hivita ou uma cidade horita, conforme consta em Gênesis 36:20?
R: Há duas possibilidades:
Erro ortográfico: Muitos estudiosos supõem que se trate de um erro ortográfico no texto massorético, uma vez que, em hebraico, “hivita” é h[i]wwt e “horita” é h[o]rrt. A Septuaginta menciona os horitas em Gênesis 34:2 e Josué 9:7.
Dois nomes para um único grupo ou dois grupos que se fundiram: os horitas (hurritas) também se estabeleceram na Palestina, nas regiões onde viviam os heveus, conforme evidenciado por nomes próprios hurritas. Até mesmo o príncipe de Jerusalém, no século XIV a.C., tinha o nome hurrita de Abdi-Hepa.
P: Em Gênesis 36:31, a frase “antes que qualquer rei israelita reinasse” indica que a data de redação remonta ao tempo de Saul ou a uma época posterior?
R: Não. Não só Moisés sabia que haveria um rei sobre Israel (Deuteronômio 17:14-15), como todos os israelitas, desde a época de Jacó, sabiam que Israel teria um rei da tribo de Judá, devido à profecia de Jacó em Gênesis 49:10.
P: Em Gênesis 37:1-11, o que levou José a ter um relacionamento ruim com sua família? O senhor acha que José estava ciente disso?
R: Houve cinco fatores.
1. Ter delatado seus irmãos em Gênesis 37:2
2. Jacó amar José mais do que os outros, em Gênesis 37:3.
3. Jacó ter dado a José, mas não aos outros irmãos, uma túnica ornamentada, em Gênesis 37:3-4.
4. Não o fato de José ter tido o sonho, mas de ele ter contado aos irmãos seu sonho sobre os feixes de trigo, em Gênesis 37:5-8.
5. José ter contado aos irmãos e ao pai outro sonho, no qual o sol, a lua e onze estrelas se curvavam diante dele, em Gênesis 37:9-11.
José, um rapaz de dezessete anos, parecia totalmente alheio à forma como as outras pessoas interpretariam o que ele dizia. Jacó, que era muito mais velho, aparentemente também nunca pensou em como poderia estar incitando a inveja entre os irmãos. Seria de se esperar que Jacó soubesse algo a respeito disso. Aparentemente, Jacó aprendeu a “má lição” de ter preferências, mas não a “boa lição” de que ter preferências traz consequências negativas.
P: Em Gênesis 37:1-11, por que exatamente os irmãos de José o odiavam?
R: Os irmãos de José provavelmente achavam que seus sonhos provavelmente vinham dele mesmo. Seria fácil sentir que José era orgulhoso e egocêntrico, porque seu pai o amava (e a sua mãe, Raquel) mais.
P: Em Gênesis 37:1-11, que tipos de atitudes as pessoas têm hoje que criam relações ruins com os outros?
R: Por motivo de orgulho, inveja ou malícia, elas podem ser controladoras, presunçosas, caluniosas ou fofoqueiras. Por falta de empatia, podem ser insensíveis. Por insegurança, podem agir pelas costas. Às vezes, fazem essas coisas deliberadamente; outras vezes, não têm consciência de que as praticam. Temos, por natureza, corações egocêntricos.
Precisamos de Jesus para amar o próximo como a nós mesmos e para continuar a amá-lo assim.
P: Em Gênesis 37:3, 23, 32, há alguma evidência extra-bíblica de um manto de muitas cores?
R: Sim, embora não seja exatamente o manto de José. Arqueólogos descobriram que “asiáticos”, com mantos de muitas cores, foram retratados nas paredes do túmulo de um nobre egípcio chamado Khnumhotep. Consulte *Faraós e Reis: Uma Busca Bíblica*, p. 332, 360, para ver imagens e obter mais informações.
P: Em Gênesis 37:17, há alguma evidência extra-bíblica de que se fazia as pessoas “desaparecerem” jogando-as em poços?
R: Sim. O livro *Can Archaeology Prove the Old Testament?*, p. 29, menciona que foi encontrada uma cisterna em Dothan (13 milhas ao norte de Siquém) contendo vários esqueletos. A propósito, os irmãos de José estavam perto de Dothan.
P: Em Gênesis 37:17, se o senhor perguntasse aos irmãos de José por que pretendiam matá-lo, o que eles diriam?
R: José os coloca em apuros (Jacó havia enviado José para delatá-los). José deu a Jacó um relato ruim (ra’ah) sobre eles, e eles diriam a Jacó que um animal mau (ra’ah) havia devorado José.
Eles chamavam José de sonhador.
Interesse próprio, inveja por seu pai amar José mais. Se os sonhos fossem de Deus (como acabaram se provando ser), até mesmo Deus favorecia José mais.
Siquém ficava a cerca de 50 milhas ao norte de Hebrom, onde Jacó se encontrava. Dotã ficava a cerca de 13 milhas ao norte dali. Portanto, provavelmente estavam longe demais de Jacó para que alguém pudesse contar a ele o que havia acontecido.
É irônico que, no início de sua vida, Jacó tenha usado roupas para enganar seu próprio pai, Isaque, fazendo-o acreditar que era Esaú. Agora, as roupas seriam usadas para enganá-lo por seus próprios filhos.
P: Em Gênesis 37:17, os irmãos de José planejavam matá-lo, ou decidiram vendê-lo a comerciantes midianitas, como diz Gênesis 37:28-29?
R: Ambas as afirmações são verdadeiras, pois as pessoas podem mudar seus planos. Originalmente, eles planejavam matar José, exceto que Ruben planejava resgatá-lo. No entanto, quando avistaram os comerciantes midianitas, perceberam que poderiam ganhar algum dinheiro com José e mudaram seus planos. Naturalmente, poder-se-ia pensar que José teria o “direito” de ficar amargurado com isso. No entanto, José seguiu a Deus, e as dificuldades não o tornaram amargurado, mas sim uma pessoa melhor.
P: Em Gênesis 37:25, os mercadores eram ismaelitas ou midianitas, como diz Gênesis 37:28?
R: À distância, os irmãos não conseguiam distinguir de que povo se tratava, nem se havia membros de ambos os grupos. No entanto, isso não importava para os irmãos; eles só queriam o dinheiro. Tanto a palavra “ismaelita” quanto a palavra “midianita” podem ser um erro de transcrição. Ou então, os irmãos pensaram que fossem ismaelitas, mas na verdade eram midianitas.
P: Em Gênesis 37:28, 20 siclos de prata era um preço adequado para um escravo como José?
R: Sim. De acordo com K.A. Kitchen, em *Ancient Orient and Old Testament Introduction*, pp. 52-53, esse era o preço correto por volta de 1800 a.C. Séculos antes, o preço era de 10 a 15 siclos de prata; na época de Moisés, era de 30 siclos de prata; e, posteriormente, os escravos ficaram mais caros. Em Oséias 3:2, um escravo valia cerca de 30 siclos. Consulte a revista *Biblical Archaeology Review*, volume 21, n.º 2, p. 53, para ver um gráfico que mostra a evolução do preço de um escravo ao longo do tempo.
P: Em Gênesis 37:28, por que Deus não facilitou as coisas para José?
R: Deus poderia ter facilitado muito as coisas para José. Ele poderia não ter dado aqueles sonhos a José; poderia ter feito com que José salvasse seus irmãos para que eles ficassem gratos a ele. Deus usou José para salvar sua família quando houve uma grande fome, mas Deus também poderia ter feito outra coisa para salvá-los da fome.
Não sabemos por que Deus escolheu os meios que escolheu para realizar Sua vontade. No entanto, podemos observar que o conforto de José não era o objetivo principal de Deus; Deus usou o tempo de José na Terra para realizar coisas na vida de José e de seus irmãos.
P: Em Gênesis 38:1-21, por que esse relato sobre Judá e Tamar está na Bíblia?
R: Em uma escala que vai de 1 (baixo, não tão ruim) a 10 (alto, o pior), sendo a imoralidade sexual um 10, como você classificaria o ato de, intencionalmente, nunca pretender cumprir uma promessa da qual alguém dependia para o resto da vida? — Certamente é mais do que um 1. Há pelo menos três lições que podemos aprender com isso.
1. Para que não pensemos que Judá e os outros patriarcas eram mais justos do que todos os demais, este e outros relatos nos trazem de volta à realidade de que eles não eram particularmente justos.
2. A Bíblia nos oferece um relato sincero e preciso de como as pessoas viviam naquela época. A Bíblia não ameniza sua história nem um pouco. Podemos aprender tanto com o que eles fizeram de errado quanto com o que fizeram de certo.
3. Isso mostra um tipo de pecado que está presente hoje, mas que não é frequentemente discutido: fugir da responsabilidade. Isso é considerado um pecado muito grave aos olhos de Deus, já que Onã foi morto por causa disso. Judá também não agiu com responsabilidade em relação à sua nora e quebrou sua própria palavra. Judá não entregou seu filho em casamento a Tamar, porque temia pela vida do filho, pois não confiava na bondade de Deus. Obviamente, Jacó não achava que Onã merecesse a morte por se recusar a cumprir sua responsabilidade.
P: Em Gênesis 38:29-30, o que significam Zera/Zara e Peres/Fares?
R: Primeiro, o que esses nomes significam, e depois duas aplicações. O Strong’s, os dicionários bíblicos e os comentários concordam que Perez/Pharez significa “avanço” ou “brecha”. Ele abriu ou rompeu o útero. No entanto, há uma ligeira diferença de opinião quanto a Zerah/Zarah.
Escarlate: Devido ao fio escarlate amarrado em sua mão, Zerah pode, portanto, significar “escarlate”. Também poderia significar “brilho” ou “vermelhidão”, segundo alguns estudiosos.
Ascensão: Zerah deriva da palavra hebraica Zerah, que significa “ascensão”, segundo outros estudiosos.
Uma razão para a divergência de opiniões pode ser encontrada na Concordância Exaustiva de Strong (palavra 2226). Ela afirma que é o mesmo que 2225 “zerach, zeh’-rakh”, derivado de 2224; um surgimento de luz: - nascer.” 2224 diz “zarach, zaw-rakh”; um prim. Raiz; sustentar, irradiar (ou emitir raios), ou seja, nascer (como o sol); esp. aparecer (como um sintoma de lepra): — surgir, nascer (para cima), assim que se levanta. Assim, a palavra Zerah tem origem no nascer do sol e pode se referir ao próprio nascer ou à cor vermelho-escarlate do amanhecer.
A linhagem messiânica em Mateus 1:3 menciona brevemente os nascimentos tanto de Peres quanto de Zerah. Em Sua primeira vinda, Jesus disse que traria divisão em Lucas 12:51. Paulo fala do esplendor da segunda vinda de Cristo em 2 Tessalonicenses 2:8. Assim, os gêmeos surgiram na ordem das duas vindas de Cristo. No entanto, por outro lado, João 1:5,9 menciona que Jesus era a verdadeira luz que ilumina todo homem e que Ele veio ao mundo.
Acã, que foi executado em Josué 7, era descendente de Zera. Portanto, o fato de uma pessoa ter uma ascendência especial ou piedosa não garante que ela seja necessariamente justa ou que possa escapar do julgamento. Diz-se que “Deus não tem netos”. Em outras palavras, ou você é filho de Deus ou não é. Mas você não pode reivindicar um relacionamento com Deus apenas por causa da fé de seus pais e não da sua própria.
P: Em Gênesis 39:7-10, uma vez que os Dez Mandamentos ainda não haviam sido escritos, o que teria de errado em José se deitar com a esposa de seu senhor?
R: José não precisava dos Dez Mandamentos para saber que fazer isso trairia totalmente a confiança que seu senhor depositava nele. José também disse que isso seria um pecado contra Deus.
Algumas pessoas agem apenas de acordo com a letra da lei. No entanto, não foi assim que José agiu, e não é assim que os cristãos devem agir. Em vez de simplesmente perguntar “será que consigo me safar com isso” ou “existe alguma proibição absoluta, em preto e branco, contra isso?”, deveríamos perguntar “o que agradaria a Deus”.
Jesus já perdeu seu casaco duas vezes! Mas, como alguém disse certa vez, é melhor perder o casaco e manter o caráter do que perder o caráter e manter o casaco.
Há um conto árabe interessante que ilustra a mentalidade de obedecer apenas à letra da lei. Certa vez, um homem fez um acordo com um gênio maligno. Ambos assinaram um documento, no qual a parte do gênio no acordo era proporcionar-lhe a mulher mais bela que ele pudesse imaginar como esposa e garantir que o gênio não lhe causaria mal algum. O gênio desapareceu e, mais tarde, uma bela mulher apareceu e quis se tornar sua esposa. Sem que o homem soubesse, a mulher era o gênio disfarçado. Certa noite, a “mulher” pediu ao homem para ver o contrato. Quando o homem pegou o contrato, o gênio fez com que um pouco de cera da vela cobrisse a palavra “não” na frase “não causar dano ao homem”, e o gênio matou o homem.
É interessante que, para alguns, um pouco de cera de vela foi tudo o que foi necessário para justificar a invalidação da promessa que os dois fizeram. Hoje, algumas pessoas acham que é aceitável e adequado renegar um acordo por motivos que dificilmente são mais substanciais do que isso. Para os verdadeiros crentes em Deus, não apenas cumprimos nossa palavra à risca, mas também mantemos a intenção por trás dela, e não permitimos que motivos frágeis sirvam de desculpas para sermos desonestos.
P: Em Gênesis 39:7-20, há alguma outra história semelhante a essa?
R: Não há nada muito semelhante a isso, mas há uma história fictícia com uma leve semelhança. A ideia de a esposa se desviar quando o marido está ausente não é exclusiva de José. Cerca de 600 anos depois dessa época, no século XIII a.C., havia uma história egípcia, chamada “O Conto dos Dois Irmãos”, que apresentava algumas semelhanças. Quando o marido estava ausente, a esposa tentou seduzir o irmão dele, que recusou suas investidas. Quando o marido voltou, a esposa fez uma falsa acusação contra o irmão dele. Por fim, a verdade veio à tona e, no final, a esposa foi executada.
P: Em Gênesis 40:15, como José foi levado para fora da terra dos hebreus?
R: Por um lado, Jacó vinha da terra que era a posse prometida e futura dos hebreus israelitas. Por outro lado, costumamos considerar “hebreu” como sinônimo de “israelita”, mas não era esse o caso naquela época. Um hebreu, ou “Apiru”, também significava um nômade, e Abrão era chamado de hebreu. Assim, José ou se referia à sua descendência de Abraão e ao fato de viver na nova terra de Abraão, ou então ao fato de ser de uma terra de nômades, ou ambos.
P: Em Gênesis 40:20-22, Mateus 14:6 e Marcos 6:21, é errado comemorar aniversários, já que os únicos aniversários [supostamente] mencionados na Bíblia são aqueles em que o Faraó executou o padeiro e Herodes executou João Batista?
R: Não. As Testemunhas de Jeová tentam usar um argumento do silêncio para proibir as comemorações de aniversário. Tanto o Faraó quanto Herodes eram governantes cruéis e arbitrários que matavam pessoas também em dias que não eram de aniversário, mas há duas razões mais fortes pelas quais comemorar um dia especial pelo nascimento de alguém é aceitável.
Jó era um homem piedoso, e cada um de seus filhos realizava banquetes em sua casa “no seu próprio dia”, conforme Jó 1:4. A expressão “seu próprio dia” significa seu aniversário, conforme demonstrado por Jó ao amaldiçoar “seu dia”, que era o dia em que ele nasceu, em Jó 3:1-3.
Além disso, o anjo Gabriel anunciou que muitos se alegrariam com o nascimento de João Batista (Lucas 1:14) e, se os anjos puderam celebrar o nascimento de Jesus em Lucas 2:13-14, também é aceitável que nós celebremos o Seu nascimento.
P: Em Gênesis 40:23, como o copeiro pôde esquecer José tão facilmente?
R: Naquele momento, o copeiro estava preocupado com o significado do sonho. Mas, depois que foi restaurado, ele concluiu que José não era quem o havia restaurado e que José não lhe trazia benefício algum naquele momento; por isso, concentrou-se no que e em quem poderia lhe trazer benefício. Ele esqueceu tanto a gratidão que sentia por José quanto a promessa que lhe fizera de se lembrar dele e mencioná-lo ao Faraó. Por parte de seus irmãos, da esposa de Potifar e do copeiro, José foi maltratado, caluniado e esquecido. Mas Deus ainda assim pôde agir, apesar do esquecimento do copeiro; só que isso levaria dois anos inteiros. É interessante que o primogênito de José tenha sido chamado de Manassés, que significa “esquecer”, de acordo com o Comentário Bíblico Evangélico, p. 33. A inveja dos irmãos de José, a difamação por parte da esposa de Potifar e o esquecimento do copeiro foram insignificantes em comparação com o versículo determinante deste capítulo: Gênesis 41:32, que diz que Deus já havia decidido firmemente.
P: Em Gênesis 41:18, por que há vacas no rio?
R: Na maioria dos lugares, as vacas não permaneceriam no rio. Mas, no Egito, as vacas costumam estar lá para se refrescar do calor e para se proteger um pouco das moscas. No entanto, um escritor teria que ter vivido no Egito para saber disso.
P: Em Gênesis 41:32, por que o Faraó nomearia um não-egípcio como segundo no comando?
R: Embora os reis possam, às vezes, fazer coisas estranhas, nesse caso isso fazia todo o sentido. Se José tentasse se rebelar, os egípcios não o seguiriam. Está registrado que cananeus, como Meri-Ra, Ben-Mat-Ana e um semita chamado Yanhamu, vice de Amenhotep III, ocupavam altos cargos na corte egípcia. (Amenhotep III tornou-se faraó depois que os israelitas deixaram o Egito.) Em épocas muito posteriores, os otomanos turcos frequentemente colocavam armênios em altos cargos na corte, sabendo que o povo jamais apoiaria um não muçulmano que tentasse tomar o poder.
P: Em Gênesis 41:45, o nome egípcio de José, Zaphenath-Paneah, era um título ou um nome egípcio?
R: Provavelmente significava “aquele a quem se chama vida” ou algo semelhante. Não há evidências de que algum egípcio tivesse um título como esse, portanto, provavelmente tratava-se de um nome. O Faraó provavelmente desejava que José pudesse parecer mais egípcio aos olhos de muitos de seus oficiais. Isso não significa, porém, que José tenha abandonado seu nome original. É algo semelhante ao que ocorre quando pessoas vindas da China se mudam para o Ocidente: muitas vezes, elas também adotam um nome ocidental; e quando pessoas do Ocidente se mudam para a China, muitas vezes também adotam um nome chinês.
P: Em Gênesis 41:45, há alguma evidência extra-bíblica do nome egípcio de José, Zaphenath-Paneah?
R: Sim. Embora os estudiosos não conheçam nenhum dos nomes dos vizires do Egito durante os séculos próximos à época de José, os arqueólogos encontraram uma conexão.
Zaphenath: O nome egípcio de José em Gênesis 41:45 provavelmente chegou até nós com o “t” e o “p” trocados. Zat-en-aph significa “aquele que é chamado”, o que era uma expressão comum. O Papiro Brooklyn 35.1446 apresenta muitos exemplos de asiáticos que receberam nomes egípcios. Muitos desses nomes têm “aquele/aquela que é chamado(a)” como primeira parte.
Paneah: “Pa” ou “Pe” representariam o egípcio Ipi ou Ipu. “anea” é semelhante ao egípcio ankh, que significa “vida”, ou ankhu, que significa “está vivo”. O livro *Faraós e Reis: Uma Busca Bíblica*, p. 350, conclui afirmando que o nome Ipiankhu e suas variações eram comuns na época de José, mas não eram muito comuns antes ou depois disso.
P: Em Gênesis 41:45, lembrando-se de como Isaque conseguiu sua esposa e Jacó conseguiu a sua, o que há de diferente na maneira como José conseguiu sua esposa? Como José lidou com isso?
R: O Faraó não era crente, e a esposa de José provavelmente também não era, pelo menos inicialmente. Não vemos qualquer cuidado por parte de pessoas crentes na escolha de uma esposa para José; mas José ainda assim conseguiu se virar. Assim como Deus concedeu a Adão o governo da terra e uma esposa, o Faraó concedeu a José o governo da terra e uma esposa.
A propósito, Potifar e Potifara provavelmente não são a mesma pessoa. Há um monumento chamado estela de Potifar no Egito, que diz: “Potifar, filho de ‘Ank h-Hor”. Provavelmente não se trata de nenhum desses homens; em vez disso, Potifar era um nome comum.
P: Em Gênesis 41:53-57, de que forma José foi um tipo de Cristo?
R: José sofreu para que pudesse prover o sustento de todo o povo de Deus. Do momento em que José foi vendido como escravo até se tornar o segundo no comando, passaram-se cerca de 13 anos. Durante esse tempo, José teve de ser paciente, mesmo sem receber qualquer indício externo de que sua situação algum dia melhoraria. Pense em quão paciente Deus é conosco!
P: Em Gênesis 41:57, o que aconteceu com José acabou por beneficiá-lo?
R: Nesse caso, isso o beneficiou de forma secundária, na medida em que ele não estava em Canaã quando a fome se instalou. Mas, principalmente, não foi para beneficiar José; afinal, José poderia simplesmente ter se mudado para a Síria e vivido sozinho lá, como Jacó fez. Não, o benefício principal foi para as 70 pessoas de seu clã. Deus não permitiu que José passasse por essa provação principalmente para o benefício dele, mas para o de sua família.
Por outro lado, José se beneficiou enormemente de uma maneira diferente. Imagine que José tivesse permanecido em Canaã ou na Síria e não tivesse feito nada durante toda a sua vida. Ele talvez ainda tivesse um caráter íntegro, mas não seria considerado um grande herói da fé na Bíblia sem essas experiências que o moldaram, embora esse processo tenha sido doloroso em alguns momentos.
P: Em Gênesis 41:57, uma vez que a fome era severa em todo o mundo, por que nem todos os lugares do mundo passaram por fome?
R: Essa frase expressa que a fome era grave também fora do Egito.
P: Em Gênesis 42:3-4, o que a família aprendeu sobre favoritismo?
R: No caso de Jacó, aparentemente nada. Ele não enviou Benjamim com os outros nessa aventura, pois parecia que amava Benjamim mais do que os demais. Na mente de Jacó, sua falecida esposa Raquel, seu filho José (que ele acreditava estar morto) e Benjamim estavam ligados entre si, e ele não queria perder o último deles. Aparentemente, os outros irmãos eram considerados mais dispensáveis. Essa foi uma maneira terrível de ser pai.
No entanto, os irmãos se sentiam culpados por terem mandado José embora e mantido isso em segredo do pai durante todos esses anos. Mas, desde então, como Jacó era injusto com eles — e isso não iria mudar —, eles aprenderam a conviver com isso.
P: Em Gênesis 42:7, por que os oficiais egípcios estavam vendendo grãos?
R: Sob a liderança de José, o Egito havia armazenado alimentos para a grave fome. Ou o governo egípcio havia cobrado dos agricultores mais do que o necessário, ou alguns egípcios teriam menos do que precisavam porque estavam vendendo os grãos do povo para obter lucro. Milênios depois disso, era uma ocorrência muito comum que alimentos fossem exportados para gerar lucro significativo, enquanto os agricultores que os produziam morriam de fome.
P: Em Gênesis 42:8, por que os irmãos de José não o reconheceram?
R: Nada indica que isso tenha sido milagroso ou sobrenatural. A última vez que o viram, era um rapaz de 17 anos, indefeso e assustado, com barba; agora, veem um homem rico e poderoso de 30 anos que, se seguisse os costumes egípcios, não teria barba. Mesmo quando as pessoas percebem uma semelhança, muitas vezes chegam à conclusão precipitada de que não pode ser a mesma pessoa, se as circunstâncias parecem tornar impossível que seja a mesma pessoa.
P: Em Gênesis 42:6-20, por que José tratou seus irmãos, de quem estava afastado, dessa maneira?
R: Embora a Bíblia não aprove nem critique essa estratégia, ela se mostrou astuta da parte de José. José queria saber qual era a atitude deles em relação ao outro filho de sua mãe e o que eles haviam aprendido ao longo dos anos. Ele queria ver o que havia em seus corações antes de abrir o seu coração para eles.
Embora provavelmente ninguém hoje se encontre na mesma situação, o princípio geral de tentar conhecer um pouco do que há no coração de uma pessoa antes de confiar nela continua válido. Em um contexto diferente, Jesus disse para não lançar suas pérolas aos porcos, em Mateus 7:6.
P: Em Gênesis 42:21-23, por que eles se sentiram tão tomados pela culpa nessa ocasião?
R: Esse era um grande segredo que apenas os irmãos conheciam. (Eles não sabiam que José estava diante deles e que entendia hebraico.) Imagine ter um segredo que corrói seu passado, algo que você fez a alguém próximo e que não pode revelar a essa pessoa. Pense em como foi difícil para os irmãos todos esses anos por causa de seu pecado.
Rúben teve a ideia de resgatar José já em Gênesis 37:21-22. Rúben não concordou em vender José em Gênesis 37:29, mas consentiu em pegar a túnica de José e mergulhá-la em sangue. Aqui, Rúben ainda se sentia culpado como os outros, mas também tinha uma atitude do tipo “eu avisei”, culpando-os.
P: Em Gênesis 42:25-28, depois do choque de terem que deixar Simeão para trás na prisão, como você acha que eles se sentiram ao verem o dinheiro de prata de volta no saco?
R: Gênesis 42:28b provavelmente subestimou a situação ao dizer: “seus corações se encolheram”. Eles sentiam pena de Simeão e de seu pai, e temiam contar a notícia ao pai idoso. Jacó disse mais tarde que, se Benjamim também se perdesse, “vocês levariam meus cabelos grisalhos à sepultura com tristeza” (Gênesis 42:38b).
O plano de Ruben era voltar ao Egito sozinho, levando apenas Benjamim e a prata, e tentar resgatar Simeão. Mas Jacó amava Benjamim mais do que a ideia de resgatar Simeão.
P: Em Gênesis 42:37, por que Rúben diria: “você pode matar meus dois filhos se eu não trouxer Benjamim de volta”?
R: Jacó não tinha o menor interesse em matar nenhum de seus netos. Ruben disse isso para causar impacto e tentar persuadir Jacó. Mas é uma relação um tanto estranha, em que Ruben ofereceria tal acordo a Jacó. Parece que, embora Jacó não soubesse a verdade sobre José, não havia muita confiança entre Jacó e seus filhos. Infelizmente, isso também pode ser verdade em algumas famílias hoje em dia.
P: Em Gênesis 43-44, os irmãos estavam sendo postos à prova. Por que estavam sendo postos à prova?
R: Vamos analisar essa situação da perspectiva de José. Um dia, depois de tantos anos, os irmãos de José aparecem em sua corte pedindo ajuda. Nesse momento, o que José sabia sobre eles e sobre seu caráter? A única coisa que José sabia naquele momento era que se tratava dos mesmos irmãos — que deveriam ser amorosos — que haviam discutido como matá-lo e, em seguida, o venderam como escravo. Ah, e eles sabiam muito bem como amarrar uma pessoa. Não sabemos se a ideia de vingança passou pela cabeça de José ou não, mas, para outras pessoas, isso poderia ter sido algo natural. O que José deveria fazer?
José não sentiu nenhum prazer em enganar seus irmãos. Mas José tinha uma decisão séria a tomar; se seus irmãos não tivessem mudado desde a época em que o venderam como escravo, então ele não via motivo para lhes proporcionar a libertação.
O “Bible Knowledge Commentary: Antigo Testamento”, pp. 93-94, afirma: “José, que já havia sido brilhantemente bem-sucedido em criar tensões durante as duas visitas deles, agora deu seu golpe de mestre. Ele testou a preocupação deles com Benjamim a fim de levá-los a reconhecer sua maldade. Se falhassem nesse teste, se não tivessem compaixão por esse segundo filho de Raquel, então não teriam parte no cumprimento das promessas. Deus poderia recomeçar do zero e fazer de José uma grande nação, caso os demais se mostrassem indignos (cf. Êxodo 32:10).”
P: Em Gênesis 44, quando devemos testar os outros? De que maneira, normalmente, devemos testá-los?
R: Vocês costumam testar seus irmãos e irmãs dessa maneira? - Espero que não. Embora não vejamos pessoas piedosas testando os outros com tanta severidade quanto José fez, é necessário fazer perguntas às pessoas e testá-las para a liderança. As pessoas podem aprender quando estão sendo testadas, mas esse não é o ponto principal. O ponto principal é verificar se a pessoa é confiável para realizar uma tarefa ou se é confiável para ensinar a sã doutrina.
1 Timóteo 3:10 diz: “Mas que estes também sejam primeiro provados; depois, que sirvam como diáconos, se forem considerados irrepreensíveis.” Apocalipse 2:2 fala aqui com aprovação da igreja de Éfeso, dizendo: “E vocês testaram aqueles que dizem ser apóstolos e não o são, e os descobriram mentirosos”; em Romanos 16:10, Apeles foi testado e aprovado; no entanto, provavelmente foi Deus quem realizou o teste
Por outro lado, se uma pessoa já passou no teste, tentar enganá-la sob o pretexto de um novo teste é errado. Os fariseus agiram erradamente ao virem testar Jesus, pedindo-lhe um sinal em Marcos 10:2 e Lucas 11:16.
Eles testaram Jesus com perguntas em Mateus 16:1; 22:35.
Noemi pôs Rute e Orfa à prova em Rute 1:11-15. Não fazia sentido elas irem para Israel, uma terra que nunca haviam visto, apenas porque gostavam de Noemi. Se não seguissem o mesmo Deus, deveriam simplesmente permanecer onde estavam.
O rei Saul foi posto à prova em 1 Samuel 13:7b-14, mas não está claro se Samuel se atrasou acidentalmente por algumas horas ou se ele deliberadamente pretendia se atrasar por algumas horas.
Li certa vez que, nos tempos da União Soviética, um soldado à civil, armado, invadiu um culto em uma igreja clandestina quando este estava prestes a começar. Ele perguntou quem eram os cristãos e disse que todos os não cristãos poderiam sair. Em seguida, baixou as armas e também passou a adorar; ele queria expulsar todos os espiões do culto.
P: Em Gênesis 44:2-13, de que forma a taça de prata no saco de Benjamim se assemelha ao fato de Raquel ter roubado os ídolos de seu pai?
R: Os irmãos talvez conhecessem a história de Raquel roubando os ídolos de seu pai, Labão. Labão e Jacó concordaram que quem fosse encontrado com esses ídolos seria morto. Na época, eles não sabiam que Raquel os havia roubado. Se Labão e Jacó concordaram com essa punição, que tipo de punição o alto funcionário do tribunal do Egito aplicaria por roubar algo que era (aparentemente) precioso para ele e tinha um alto valor monetário?
P: Em Gênesis 44:5, como José, um homem piedoso, poderia alegar que usava adivinhação?
R: Não diz que José tenha realmente usado aquela taça, apenas que ele disse a seus irmãos que a usava para adivinhação. De acordo com Gênesis 44:15, José aparentemente não estava muito preocupado com a taça. Não devemos recorrer à adivinhação (Deuteronômio 18:10), mas devemos evitar até mesmo a aparência do mal (2 Coríntios 8:22; 1 Tessalonicenses 5:22), e nem mesmo José era uma pessoa perfeita.
O Comentário Evangélico da Bíblia, p. 34, afirma que a adivinhação pela água era comum no Egito. Eles observavam as gotas de água e faziam previsões.
P: Em Gênesis 45:3, quais são as quatro razões pelas quais os irmãos de José poderiam estar sem palavras?
R: Os irmãos ficaram 1) sem palavras porque estavam em choque, não apenas por verem José, mas também pela posição que ele ocupava; 2) sem palavras porque haviam sido descobertos; e 3) sem palavras ao pensarem no que lhes aconteceria agora. 4) Eles haviam dito: “Você pretende reinar sobre nós?” (Gênesis 37:8). Ora, José governava todo o Egito (Gênesis 45:8).
P: Em Gênesis 45:5,8; 50:19-20, quem José disse que o enviou ao Egito? Por quê?
R: Quantas vezes o senhor já ouviu dizer que, quando alguém planejou um assassinato, as coisas acabaram dando certo para essa pessoa? Para os irmãos, tudo acabou dando certo.
José afirmou especificamente que não foram os irmãos, mas Deus. José percebeu que suas dificuldades e momentos difíceis vinham de Deus, e Ele louvou a Deus por isso, pois agora, e somente agora, José via o resultado.
P: Em Gênesis 45:6 e Gênesis 47:28, os israelitas tornaram-se escravos enquanto José ainda estava vivo?
R: Sim. Analisando Gênesis 37:2; 41:1; 41:29-39; 45:6; 47:28, José permaneceu no Egito por 71 anos de sua vida de 110 anos. Portanto, os hebreus tornaram-se escravos novamente enquanto José ainda estava vivo, pois foram escravos no Egito por 400 anos e permaneceram no Egito por um total de 430 anos.
P: Em Gênesis 45:8 e 50:19, Deus reduz ao escravismo pessoas piedosas? Deus reduziu José ao escravismo, ou os irmãos de José?
R: Este é um exemplo do conceito teológico chamado “concorrência”. Deus não apenas sabia do mal que eles decidiriam praticar livre e voluntariamente se estivessem naquela situação, como também permitiu que eles se encontrassem nessa situação e levassem a cabo a intenção de seus corações. Além disso, Deus planejou e utilizou o mal deles para produzir o bem. Como diz Romanos 8:28: “...em todas as coisas Deus faz com que tudo concorra para o bem daqueles que O amam...”. Todas as coisas incluem até mesmo as coisas más.
P: Em Gênesis 45:25-28, quais são as duas razões pelas quais Jacó fica surpreso ao saber que José está vivo?
R: Ele pensava ter certeza de que José estava morto; afinal, ele viu a túnica multicolorida manchada de sangue. Em segundo lugar, ele ficaria surpreso, seja naquele momento ou mais tarde, ao descobrir que todos os seus dez filhos haviam conspirado para enganá-lo por mais de vinte anos.
P: Em Gênesis 46:3-4, Deus está falando com José individualmente ou com seus descendentes?
R: Ambos. Deus está unindo os dois quando diz a Jacó que “vocês” se tornarão uma grande nação. Embora Jacó tenha morrido no Egito, seu corpo foi trazido de volta à Palestina para ser sepultado. Isso foi um sinal de que “vocês”, no plural, sairiam do Egito 430 anos depois.
P: Em Gênesis 46:1-6, quais foram as reações de Jacó a essa notícia chocante?
R: Primeiramente, ele concordou em descer ao Egito, como seus filhos sugeriram. Talvez ele não visse outra opção, diante da fome em Canaã. Mas, antes de partir, Jacó desceu a Berseba, onde haviam construído um altar e oferecido sacrifícios a Deus, conforme Gênesis 46:1. Berseba ficava mais ou menos na mesma direção do Egito, de modo que ele provavelmente teve apenas um breve atraso para se dirigir ao altar. Então, naquela noite, Deus concedeu a Jacó uma visão, dizendo-lhe para não ter medo de descer ao Egito, em Gênesis 46:3. Isso contrasta com Gênesis 26:2, onde Deus disse a Isaque para não descer ao Egito. Em seguida, Jacó e seu clã apressaram-se para o Egito. Mais tarde, em Gênesis 46:7, 10, Jacó apresentou-se perante o Faraó e abençoou-o, conforme Gênesis 47:7, 10
Curiosamente, diz-se que Jacó seria trazido de volta em Gênesis 46:4. É claro que tanto seus descendentes quanto seu corpo foram trazidos de volta do Egito, embora Jacó tenha falecido lá. Mas Deus mencionou que Jacó faleceria, pois Ele disse que José colocaria a mão sobre os olhos de Jacó para fechá-los pela última vez, em Gênesis 46:4.
P: Em Gênesis 46:3-4, Deus está falando com José individualmente ou com seus descendentes?
R: Ambos. Deus está unindo os dois quando diz a Jacó que “vocês” se tornarão uma grande nação. Embora Jacó tenha morrido no Egito, seu corpo foi trazido de volta à Palestina para ser sepultado. Isso foi um sinal de que “vocês”, no plural, sairiam do Egito 430 anos depois.
P: Em Gênesis 46:4, por que Jacó morreu no Egito, já que Deus prometeu que o tiraria de lá?
R: As pessoas pensavam tanto em seus descendentes quanto em si mesmas. Os descendentes de Jacó foram levados para fora do Egito. Além disso, o corpo de Jacó foi levado para fora do Egito, conforme Gênesis 50:13-14.
P: Em Gênesis 46:8-27, há 12, 13 ou 14 tribos?
R: Havia 12 filhos de Israel (10 + Levi + José)
Havia 12 divisões de combate e tribos com terras (10 + os dois filhos de José, Manassés e Efraim, e não Levi).
P: Em Gênesis 46:8-27, gostaria de saber quais foram os 11 filhos que Jacó teve na terra de Israel e quem eram suas esposas? No Êxodo bíblico, confirma-se que 70 pessoas foram para o Egito, incluindo Jacó. Você poderia listá-los para mim?
R: Na verdade, o “Êxodo” é um evento diferente; trata-se da saída do Egito. Mas, para responder à sua pergunta, os onze filhos de Jacó são:
Rúben, Simeão, Levi, Judá, Issacar, Zebulom, Gade, Aser, Benjamim, Dã e Naftali. É claro que José era filho de Jacó, mas Jacó vivia no Egito, não na terra de Israel.
Os descendentes de Jacó que foram para o Egito estão listados em Gênesis 48:8-27; no entanto, a lista não inclui aqueles que não tinham laços biológicos com Jacó. Os filhos e descendentes do sexo masculino de Jacó que viajaram para o Egito naquela ocasião somavam 64 homens. A filha de Jacó, Diná, e a filha de Aser, Será, também foram. Quando se somam mais quatro pessoas — Jacó, seus dois filhos Efraim e Manassés, e Jacó —, totalizam-se 70 pessoas listadas. É claro que esposas e outras pessoas também teriam ido, e a Bíblia não afirma que não foram mais do que 70 pessoas, mas apenas que 70 descendentes de Jacó, incluindo o próprio Jacó, foram.
P: Em Gênesis 46:33, há alguma evidência extra-bíblica de que os pastores eram detestáveis aos egípcios?
R: Não temos nenhuma prova direta, mas dispomos de algumas informações.
1. Quando os estrangeiros hicsos governavam o Egito, os egípcios posteriores chamavam os desprezados governantes estrangeiros de “os reis pastores”.
2. Durante a época de José, os arqueólogos afirmam que um grande grupo de asiáticos vivia no Delta do Nilo. A análise dos restos ósseos de ovelhas revelou que, por volta dessa época, os colonos asiáticos trouxeram pela primeira vez ovelhas de pêlo comprido para a região do Delta do Nilo, no Egito.
P: Em Gênesis 47:11, como a família de Jacó pôde viver na região de Ramessés, se a cidade de Ramessés ainda não havia sido construída?
R: Eles se estabeleceram na região do Delta do Nilo, onde os escravos hebreus mais tarde construiriam a cidade de Ramessés. Embora ainda não fosse conhecida por esse nome quando Jacó se estabeleceu ali, a cidade de Ramessés já havia sido construída na época em que Moisés escreveu Gênesis.
P: Em Gênesis 47:20-21, como Deus poderia aprovar que José escravizasse o povo do Egito para o Faraó?
R: Deus não se pronunciou sobre isso, mas permitiu esse imposto de renda de 20% em Gênesis 47:23-26.
P: Em Gênesis 47:31, Jacó morreu na cabeceira de sua cama ou apoiado em sua bengala, como diz Hebreus 11:21?
R: Embora seja possível estar deitado na cama apoiado em um cajado para se sentar e falar, há uma explicação mais simples. As consoantes para “cama” e “cajado” são as mesmas em hebraico, e o Antigo Testamento foi originalmente escrito apenas com consoantes. O texto massorético inseriu as vogais para formar a palavra “cama”, enquanto a Septuaginta traduziu isso como “bastão”. Hebreus 11:21, em grego, menciona “bastão”.
P: Em Gênesis 48:5, qual foi o significado de Jacó dizer que Manassés e Efraim lhe pertenciam?
R: Aparentemente, na futura divisão da terra, Manassés e Efraim foram considerados na mesma categoria que os filhos diretos de Jacó. Assim, os descendentes de José receberam duas parcelas de terra, e não apenas uma. Frequentemente, o primogênito recebia uma parcela dupla. Embora José não fosse o primogênito cronologicamente, havia recebido o direito de primogênito.
P: Em Gênesis 49 e Deuteronômio 33, como essas profecias se cumpriram?
R: Para cada filho, é apresentado um resumo das profecias e, em seguida, o seu cumprimento. Em geral, Gênesis 49 contém muitas profecias, enquanto Deuteronômio apresenta apenas algumas alusões ao futuro nas orações de Moisés.
Rúben, embora fosse biologicamente o primogênito, não se destacaria mais. Rúben estabeleceu-se no lado leste do rio Jordão e nunca foi uma tribo numerosa. De acordo com a Enciclopédia das Dificuldades da Bíblia, p. 103, Moabe subjugou Rúben no século IX (900-800 a.C.), conforme uma inscrição na pedra moabita (850 a.C.). Isso ocorreu após a época de Salomão, entre os reinados de Asa e Joás em Judá.
A tribo de Simeão seria dispersa em Israel. Simeão se estabeleceu no centro de Judá (Juízes 1:3) e perdeu grande parte de sua identidade tribal ao se dispersar por toda a região de Judá.
Leví também seria disperso por Israel. Aos levitas não foi concedida terra, apenas cidades para habitarem por todo o território de Israel. Eles deveriam ser os mestres de Israel. Durante os dias do reino dividido, muitos deles se mudaram para o sul, para Judá.
Judá será louvado por seus irmãos, sua mão estará sobre o pescoço de seus inimigos, e os outros filhos se curvarão diante dele. Judá será como um leão. O cetro não se afastará até que venha Siló. Davi e os governantes subsequentes do reino do sul eram todos da tribo de Judá. Jesus era descendente de Davi, tanto biologicamente, por meio de Maria, quanto “legalmente”, por meio de seu pai adotivo, José. Gênesis 49:10-12 são passagens messiânicas, de acordo com o Targum de Jonatão, o Pseudo-Targum de Jonatão, o Targum de Onkelos e o Talmude Babilônico.
Zebulom viverá à beira-mar e sua fronteira se estenderá até Sidom, na Fenícia. Essa profecia sobre sua localização se cumpriu.
Issacar estaria em um local de descanso agradável e confortável, e realizaria trabalhos forçados. Issacar ficou sujeito a estrangeiros, juntamente com as outras tribos do norte, sob o domínio dos assírios em 732 a.C.
Dã proporcionará justiça, como uma serpente feroz. Como um filhote de leão, ele saltaria de Basã. Dã herdou a região central (longe de Basã), mas quando atacaram violentamente Laís, em Juízes 18, mudaram-se para o norte, perto de Basã.
Gad será atacado, mas retaliará com um contra-ataque. Abençoados são aqueles que ampliam o domínio de Gad. Isso pode se referir profeticamente a Jefté, o gadita, que derrotou os amonitas.
Aser teria comida rica e requintada. Aser será forte durante todos os seus dias. Aser enfrentou poucas dificuldades na guerra, embora tenha havido alguma assimilação à cultura fenícia.
Naftali será como uma corça que dá à luz belos filhotes. Naftali herdará terras ao sul, até o lago. Naftali não desempenhou um papel importante em muitas guerras e se estabeleceu às margens do Mar da Galiléia.
José será uma videira frutífera, cujos ramos trepam por cima de um muro. Arqueiros atirarão nele, mas seu arco permanecerá firme. Como um príncipe entre seus irmãos. José terá abundância. As duas meias-tribos de José, Efraim e Manassés, eram as mais populosas depois de Judá. De fato, Efraim mais tarde tornou-se sinônimo do reino do norte, assim como Judá se tornou sinônimo do reino do sul.
Benjamim seria um lobo voraz. Ehud, o benjamita, foi um juiz que matou Eglom, de Moabe. Benjamim, embora fosse uma tribo pequena, lutou ferozmente contra as outras tribos em Juízes 20.
P: Em Gênesis 49:3 e Deuteronômio 21:17, o que significa “o início da força de um homem”? Algumas traduções sugerem que se trata do início da capacidade reprodutiva de um homem ou de sua virilidade. O Salmo 127 pode sugerir algo diferente em relação ao termo quando fala que os filhos da juventude de um homem são como flechas na aljava de um guerreiro poderoso.
R: Um homem pode ser fértil e nunca ter filhos, embora, sem filhos, não se possa provar que ele seja fértil. Mas, para ser mais preciso, há quatro possibilidades para o seu significado exato.
a) um bebê, o que também indica que um homem pode ter mais filhos depois disso.
b) um filho homem, que possa sustentar a família quando o pai estiver idoso e lutar pelo país.
c) Trata-se de uma expressão que se refere ao direito do filho primogênito.
d) um descendente, o que significa que o homem poderá ter uma linhagem duradoura.
Creio que a opção d) seja provavelmente a que se tem em vista aqui, pois ter descendentes para dar continuidade à linhagem era muito importante naquela cultura. De fato, quando um homem casado morria sem descendentes, seu irmão deveria casar-se com sua esposa, e o primeiro filho levaria o nome do irmão falecido.
A opção c) também está definitivamente em vista em Deuteronômio 21:16-17
Mas também acredito que a opção b) esteja em vista aqui, conforme diz o Salmo 127:4-5.
No entanto, “o princípio...” não é algo que múltiplos filhos tenham, nem que eles, juntos, fossem “o princípio”. Isso implica que o filho era o princípio da força do homem quando nasceu, o que indicaria que a) estava em vista. Rubem perdeu o direito de primogênito, mas em Gênesis 49:3 ele ainda era biologicamente o primogênito, o “primeiro sinal da minha força”.
Portanto, minha opinião é tudo o que foi exposto acima.
P: Em Gênesis 49:3-4, por que era apropriado que Ruben, que se destacava em honra e poder, não se destacasse mais? Isso já aconteceu com outras partes da igreja?
R: Na verdade, trata-se de um trocadilho com a palavra “destacar-se”. Isso se deve ao que Ruben fez em Gênesis 35:22 e 1 Crônicas 5:1-2.
P: Em Gênesis 49:5-7, como Jacó pôde amaldiçoar Levi, uma vez que Moisés mais tarde abençoou Levi em Deuteronômio 33:8-11?
R: Os descendentes de Levi foram dispersos por todo o território de Israel devido a esse ato cruel. Os descendentes de Levi foram abençoados ao receberem o privilégio de ensinar Israel. Há uma lição a ser aprendida aqui. Uma maldição, quando a suportamos e seguimos a Deus, pode se transformar em bênção.
P: Em Gênesis 49:7, quando um povo ou uma nação deve sentir fúria e ira cruel?
R: Em Gênesis 49:6, eles chegaram a aleijar os bois por causa de sua fúria: não eram agentes da justiça, mas sim da fúria descontrolada.
A resposta a essa pergunta é: nunca. Devemos ser amorosos. Ter ódio é um sinal de não ser salvo, de acordo com 1 João 4:8,20. “Pois a ira do homem não realiza a justiça de Deus”, segundo Tiago 1:20.
Simeão e Levi eram os filhos mais velhos depois de Rubem. Eles foram desqualificados exclusivamente por causa de sua ira feroz. Da mesma forma, hoje em dia, às vezes pessoas competentes, experientes e inteligentes não são consideradas para um cargo, ou são demitidas dele, por causa de seu temperamento. Podemos perder muitas coisas boas e bons relacionamentos por causa da ira.
P: Em Gênesis 49:9, por que Judá não foi desqualificado por causa de Tamar, em Gênesis 38?
R: Judá é o segundo mais velho, depois de Rubem, Simeão e Levi. Todos os quatro eram filhos de Lia. Judá tentou mandar matar Tamar, mas depois que seu próprio pecado foi descoberto, ele corrigiu a situação, ou pelo menos fez o melhor que pôde, no final.
P: Em Gênesis 49:9-11, o que exatamente essa passagem profetiza?
R: Siló significa simplesmente “aquele a quem pertence”. Os próprios judeus interpretaram Gênesis 40:10 como uma profecia messiânica. No Talmude Babilônico, Sanhedrin, cap. 4, após o 37, recto. O rabino Rachman disse: “Quando os membros do Sinédrio se viram privados do direito sobre a vida e a morte, uma consternação geral tomou conta deles; cobriram a cabeça com cinzas e o corpo com saco, exclamando: ‘Ai de nós, pois o cetro se afastou de Judá, e o Messias ainda não veio!’”
Em um comentário dos Manuscritos do Mar Morto sobre Gênesis (4Q252 [=4QpGena]), o fragmento 2, ao discutir Gênesis 49:10, diz: “Sempre que Israel reinar, [não] deixará de haver um descendente de Davi no trono. Pois o cetro do governante é a Aliança da realeza, [e os clãs] de Israel são as divisões, até que venha o Messias da Justiça, o Renovo de Davi.” Consulte *Os Manuscritos do Mar Morto em Inglês*, 4ª ed., p. 300-302, que também destaca que este comentário considera os reis judeus hasmoneus como governantes ilegítimos, uma vez que não eram de Judá.
Talmude Babilônico, Sanhedrin 98b: o rabino Johanan escreveu: “O mundo foi criado por causa do Messias; qual é o nome desse Messias? A escola do rabino Shila dizia: ‘Seu nome é Shiloh, pois está escrito: até que Shiloh venha’.”
Talmude de Jerusalém, Sanhedrin, fólio 24: “Pouco mais de quarenta anos antes da destruição do Templo, o poder de proferir sentenças capitais foi retirado dos judeus.”
O Targum Onkelos diz: “A transmissão do domínio não cessará da casa de Judá, nem o escriba dos filhos de seus filhos, para sempre, até que o Messias venha.”
O Targum Pseudo-Jonathan sobre Gênesis 49:11a: “Reis e governantes não cessarão da casa de Judá… até que venha o Rei Messias”.
Outra fonte judaica que indica que os judeus compreendiam que se tratava de uma profecia messiânica é o Targum Jonathan sobre Gênesis 49:10,11a.
Entre os primeiros cristãos que se referiram a essa profecia messiânica estão Irineu de Lyon (c. 160-202 d.C.), Hipólito de Portus (222-235/236 d.C.) e Orígenes (225-253/254 d.C.). Entre os hereges, as Homilias Clementinas dos Ebionitas (antes de 188 d.C. — data incerta) mencionam isso.
P: Visto que Gênesis 49:10 diz que o cetro não se afastará até que “Siló” venha, como isso poderia se referir ao Messias?
R: As traduções em grego e latim apresentam a expressão “aquele a quem pertence”. Isso foi interpretado como messianico pelos intérpretes judeus históricos, já que o targum aramaico traduz essa passagem como “Messias”. Essa interpretação também é messianica de acordo com o Targum de Jonatão e o Pseudo-Targum de Jonatão (= Targum Yerushalmi I, = Targum Ezez). Os judeus perderam o direito à pena de morte em 11 d.C., conforme menciona o Talmude Babilônico em Sanhedrin, capítulo 4, após 51b; capítulo 4, após 37; recto. Ezequiel 21:27 apresenta uma construção paralela à de Gênesis 49:10.
Outros considerariam isso como o governante oficial da Palestina. Sob o domínio romano, o rei judeu Arquelau foi destronado e o procurador romano Copônio o substituiu.
Como observação adicional, o livro *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 1, p. 224, afirma que o Talmude Babilônico indica que o Targum Jonathan foi escrito por Jonathan bin Uzziel, que viveu no século I a.C. e foi o aluno mais proeminente de Hillel.
Em um Comentário dos Manuscritos do Mar Morto sobre Gênesis (4Q252 [=4QpGen(a)]), o fragmento 2, ao discutir Gênesis 49:10, diz: “Sempre que Israel reinar, [não] deixará de haver um descendente de Davi no trono. Pois o cetro do governante é a Aliança da realeza, [e os clãs] de Israel são as divisões, até que venha o Messias da Justiça, o Renovo de Davi.” A obra *Os Manuscritos do Mar Morto em Inglês*, 4ª ed., pp. 300-302, também destaca que esse comentário considera os reis judeus hasmoneus como governantes ilegítimos, uma vez que não eram da tribo de Judá.
Josefo, em seu livro *A Guerra dos Judeus* (93-94 d.C.), livro 2, capítulo 8, afirma: “E agora a parte da Judéia que pertencia a Arquelau foi transformada em província, e Copônio, membro da Ordem Equestre romana, foi enviado como procurador, tendo o poder de vida e morte colocado em suas mãos por César.” Josefo também menciona que o Sinédrio perdeu o poder sobre os casos de pena de morte em “Antiguidades dos Judeus”, 20.9 (escrito por volta de 93-94 d.C.).
Os próprios judeus interpretaram isso como uma profecia messiânica. No Talmude Babilônico, Sanhedrin, capítulo 4, após o 37, recto. O rabino Rachman disse: “Quando os membros do Sinédrio se viram privados do direito sobre a vida e a morte, uma consternação geral tomou conta deles; cobriram a cabeça com cinzas e o corpo com sacos, exclamando: ‘Ai de nós, pois o cetro se afastou de Judá, e o Messias ainda não veio!’” Isso ocorreu por volta do ano 7 d.C. (Extraído de *Evidence That Demands a Verdict*, vol. 1, p. 169, de Josh McDowell, e de *Jesus Before the Sanhedrin*, de Augustin Lemann, 1886, traduzido por Julius Magath, NL#0239683, Biblioteca do Congresso # 15-24973. Veja também *Pugio Fidei*, de Martini, Raymundus, publicado por De Vosin em 1651 (p. 148).
Talmude Babilônico, Sanhedrin 98b: o rabino Johanan escreveu: “O mundo foi criado por causa do Messias; qual é o nome desse Messias?” A escola do rabino Shila disse: “Seu nome é Shiloh, pois está escrito: ‘até que Shiloh venha’.” (p. 147)
Talmude: “Pouco mais de quarenta anos antes da destruição do Templo, o poder de proferir sentenças capitais foi retirado dos judeus.” Talmude de Jerusalém, Sanhedrin, fólio 24. (p. 147)
O Targum Onkelos diz: “A transmissão do domínio não cessará da casa de Judá, nem o escriba dos filhos de seus filhos, para sempre, até que o Messias venha.” (O Messias: Uma Interpretação Arameia; A Exegese Messiânica do Targum, Samson H. Levy (Cincinnati: Hebrew Union College Jewish Institute of Religion, 1974), p. 2 (p. 146)
O Targum Pseudo-Jonathan sobre Gênesis 49:11a: “Reis e governantes não cessarão da casa de Judá… até que venha o Rei Messias”, ibid., p. 7
Uma fonte judaica adicional que indica que os judeus compreendiam que se tratava de uma profecia messiânica é o Targum de Jonatão sobre Gênesis 49:10,11a. Justino Mártir (que escreveu por volta de 138-165 d.C.) menciona isso como uma referência a Cristo em sua Primeira Apologia, cap. 32.
P: Em Gênesis 49:10, o que exatamente significa aqui a palavra hebraica Shiloh?
R: O texto hebraico original não possuía vogais e, por isso, há alguma incerteza.
a) Poderia ser um nome que se refere a uma pessoa: Shiloh
b) Poderia significar “de quem é” ou “pertencente a ele”: siloh / selloh. Há algum apoio para essa interpretação na Septuaginta e na Peshitta siríaca. Ezequiel 21:26-27 se refere a isso.
c) Poderia significar “tributo a ele” — say loh. Isso seria um paralelo com o versículo seguinte.
d) Pode ser o local chamado Shiloh
e) Por fim, há muitos jogos de palavras na Bíblia; portanto, poderia ser mais de uma dessas opções.
P: Em Gênesis 49:10, fala-se do cetro real, até que “Shiloh” venha. Como essa profecia bélica poderia se referir a Jesus?
R: Jesus foi espiritualmente belicoso ao derrotar Satanás em Sua primeira vinda. Além disso, Jesus será belicoso e matará muitos em Sua Segunda Vinda, conforme Apocalipse 19:11-16.
P: Em Gênesis 49:10, uma vez que o cetro não se afastaria de Judá até que o Messias viesse, por que não houve reis de Judá após o exílio, exceto os macabeus?
R: Gênesis 49:10 não garantia que haveria reis independentes. Diz apenas que haveria um governante, e Gedalias e muitos outros exerceram essa função como governadores sob o domínio da Babilônia, da Pérsia e de outros governos. Consulte “1001 Perguntas Bíblicas Respondidas”, p. 28, para obter uma resposta diferente, mas complementar.
P: Em Gênesis 49:10, uma vez que Judá deveria reinar até a vinda do Messias, por que Saúl era da tribo de Benjamim?
R: Não havia rei quando essa profecia foi proferida. Saul foi rejeitado como rei, mas, uma vez que Davi (da tribo de Judá) se tornou rei, reconheceu-se que Judá era a linhagem real até a vinda do Messias. Jesus era da tribo de Judá “legalmente”, pois José era seu pai legal, e biologicamente, já que Maria também era da tribo de Judá.
P: Em Gênesis 49:14-15, por que Jacó profetizou escravidão para Issacar, mas Deuteronômio 33:18-19 profetizou bênção?
R: Ambas as profecias se cumpriram. Issacar recebeu grande bênção em sua terra fértil. No entanto, na época dos assírios, eles se tornaram escravos e sua tribo permaneceu nessa condição. As bênçãos de Deus, quando as consideramos garantidas, podem nos tornar preguiçosos e propensos a nos submeter ao pecado. Veja Juízes 8:27,33 para outro exemplo triste na história de Gideão.
P: Em Gênesis 49:16-17, a que isso poderia se referir?
R: Sansão era de Dã. Dã é a tribo mais ao norte desde os tempos de Juízes 18. Dã deveria ter promovido a justiça, mas, em vez disso, praticou idolatria em Juízes 18:30. Jeremias 4:15-16 e 8:16 dizem que o desastre virá de Dã.
Gileade, Dan e Aser deixaram de apoiar Débora e Baraque em Juízes 5:17.
Em Apocalipse 7:5-8, nenhum dos 144.000 é da tribo de Dan. Alguns acreditam que o Anticristo possa ser um judeu da tribo de Dan.
P: Em Gênesis 50:3, por que levaram 40 dias para embalsamar o corpo de Jacó, e não mais nem menos?
R: Não há necessidade de tentar atribuir um significado alegórico a este trecho, uma vez que a Bíblia apresenta a razão. Gênesis 50:3 afirma que 40 dias era o tempo necessário para o embalsamamento. A revista KMT: A Modern Journal of Ancient Egypt, vol. 3, n.º 3, outono de 1993, p. 7, afirma que experimentos com a mumificação de ratos demonstram que quarenta dias é o tempo necessário para concluir a secagem do corpo com sais de natrão. A revista também menciona que quarenta dias ainda é o período de luto no Egito moderno.
P: Em Gênesis 50:13, Jacó foi sepultado na caverna que Abraão comprou perto de Manre, ou alguns dos patriarcas foram sepultados perto de Siquém, como sugere Atos 7:15-16?
R: Primeiro, três pontos relacionados à resposta; em seguida, duas respostas possíveis.
Primeiro, tratava-se de dois locais distintos, já que a distância entre Mamre e Siquém era de aproximadamente 45 milhas (72 quilômetros).
Antes do Êxodo, Gênesis 50:13 afirma que Jacó foi sepultado perto de Mamre. Gênesis 50:24-26 diz que o corpo de José foi embalsamado e guardado em um caixão no Egito, com a intenção de que mais tarde fosse sepultado na Terra Prometida.
Após o Êxodo, mais de 477 anos depois, os filhos de Jacó foram sepultados perto de Siquém, conforme afirma Atos 7:15-16. Josué 24:32 acrescenta ainda que os ossos de José foram sepultados na região próxima a Siquém.
Aqui estão duas respostas distintas.
“eles”: Atos 7:15 diz: “E Jacó desceu ao Egito e faleceu [ou seja, morreu], ele e nossos pais.” (Tradução Literal de Green) “Eles”, em Atos 7:16, refere-se aos doze filhos de Jacó (nossos pais) que foram sepultados após o Êxodo, e não a Jacó, que havia sido sepultado mais de 477 anos antes.
O erro de Estêvão: Se Estêvão tiver “confundido” incorretamente esses dois eventos como um só ao falar, então Atos 7:15-16 continua sendo infalível. Atos 7:15-16 registra de forma infalível um erro trivial cometido por Estêvão. Nada indica que Estêvão precisasse ser infalível em tudo o que dizia. No entanto, considerando o histórico de Estêvão em outros assuntos em Atos 7, pode-se inclinar-se pela primeira resposta.
No entanto, mesmo que a segunda resposta seja a correta, há uma lição para nós. Quando os crentes de hoje estão no centro da vontade de Deus e falam aos outros como Deus deseja que o façamos, Deus também não prometeu que todas as nossas palavras e doutrinas sejam infalíveis. Mas tudo bem. Deus opera em nós apesar de nossos erros e até mesmo por meio deles para revelar Sua verdade.
Independentemente de Estêvão não ter usado a precisão moderna com seus pronomes ou de ter se equivocado em um pequeno detalhe histórico, a mensagem de Deus não é se Jacó estava incluído no “eles” sepultados em Siquém ou não. A mensagem de Deus é que Ele guiou os israelitas em uma relação de Aliança com Ele e os utilizou por milhares de anos para preparar o cenário para o maior evento de todos os tempos: a vinda do próprio Filho de Deus, Jesus Cristo.
P: Em Gênesis 50:16, os irmãos de José mentiram quando disseram que Jacó ordenara a José que não lhes fizesse mal?
R: A Bíblia não diz se Jacó chegou a ordenar isso explicitamente; portanto, os irmãos podem ter mentido. Por outro lado, certamente Jacó desejava implicitamente que José não se vingasse de seus irmãos. Hoje, ouvimos muitas coisas das pessoas sem saber ao certo se a pessoa está dizendo a verdade por completo ou não. Ainda assim, precisamos responder com sabedoria, da maneira que Deus gostaria que respondêssemos, mesmo quando não podemos provar ou refutar a veracidade do que é dito.
P: Em Gênesis 50,19-20, como podemos fazer nossas próprias escolhas, uma vez que Deus “pretende” que façamos as escolhas que fazemos?
R: Três pontos simples que explicam essa concomitância.
Deus nunca coage as pessoas a pecar nem as faz escolher o mal. Deus não tenta ninguém, de acordo com Tiago 1:13.
Deus conhecia de antemão as escolhas delas e permitiu que as fizessem. Charles Hodge se refere a esse conceito como “decretos permissivos”.
Deus utilizou as escolhas malignas delas como parte de Seu plano. De fato, tudo está incluído no plano de Deus, de acordo com Efésios 1:11 e Provérbios 16:4. Louis Berkhof cunhou o termo “concorrência” para esse conceito.
P: Em Gênesis, por que a palavra Elohim foi mencionada 33 vezes nos primeiros 34 versículos, seguida por Yahweh-Elohim 20 vezes em 45 versículos, seguida por Yahweh 10 vezes em 25 versículos (Evidence That Demands a Verdict, volume 2, p. 121)? Isso indica a existência de múltiplos autores?
R: Isso não foi coincidência, mas teve o objetivo deliberado de expressar, em primeiro lugar, a natureza universal e transcendente de Deus, seguida por Seus aspectos mais pessoais. Houve uma situação muito semelhante no Alcorão. A palavra “Alá” predomina nas suras posteriores, de Medina, enquanto “Senhor”, e não “Alá”, é usada principalmente nas suras anteriores, de Meca. Aqui está minha contagem nas suras de Medina: 4 (~211 vezes), 9 (~152 vezes), 24 (75 vezes), 33, 48, 49, 57 (33 vezes), 58 (37 vezes), 59 (29 vezes), 60-66. Aqui está minha contagem da palavra “Senhor” nas suras de Meca, seguida pelo número aproximado de vezes em que a palavra “Alá” é usada: 15 (3 vezes), 32 (1 vez), 50-53, 54-55 (0 vezes), 56 (2 vezes), 67 (4x), 68 (0x), 75 (0x), 78 (0x), 85-96 (9x), 100-109 (1x), 110-112 (6x), 113-114 (0x).
Da mesma forma, no Livro de Hebreus, no Novo Testamento, o capítulo 1 nunca utiliza as palavras “Cristo” ou “Jesus”, mas refere-se a Ele apenas como o “Filho”. No entanto, “Jesus” e “Cristo” são utilizados com frequência no restante do livro de Hebreus.
Isso não indica que o Alcorão tenha tido vários autores, nem que o Livro de Hebreus tenha tido vários autores, da mesma forma que as evidências não indicam que o Gênesis tenha tido vários autores. Em vez disso, isso demonstra que o uso assimétrico de nomes não era incomum na literatura do Oriente Médio.
P: Em Gênesis, quando esse livro foi escrito?
R: Os primeiros escritos judaicos e cristãos afirmam unanimemente que foi Moisés quem o escreveu. Quer Moisés tenha realmente empunhado a caneta, quer tenha sido um escriba sob sua orientação, isso ocorreu ainda na época de Moisés.
O liberal Julius Wellhausen, em 1885, afirmou que os livros foram criados durante ou após o exílio babilônico (598-539 a.C.). Hoje, porém, ninguém, nem mesmo os liberais, acredita nisso.
Os liberais de hoje acreditam que o livro foi escrito séculos após a época de Moisés.
P: Em Gênesis, como sabemos que o que temos é o que foi escrito originalmente?
R: Como cristãos, confiamos que o Antigo Testamento que possuímos foi validado por Cristo. Aliás, para os muçulmanos, o Alcorão afirma, na Sura 5:46, que Jesus recebeu a Torá. Temos manuscritos antigos da época de Cristo, assunto abordado na próxima pergunta. No entanto, há uma linha adicional de evidências. Filo de Alexandria foi um estudioso judeu que viveu entre 15/20 a.C. e 50 d.C. Ele escreveu um comentário sobre o Gênesis e respondeu a perguntas sobre o Antigo Testamento. Ele escreveu em grego, mas é curioso que suas citações do Antigo Testamento em grego correspondam mais de perto ao texto masorético hebraico do que à Septuaginta grega. Ele abordou com grande detalhe o significado dos diferentes versículos. Dos 1.533 versículos totais do Gênesis, Filo referiu-se a todos ou a partes de 410 deles. Aqui estão os versículos do Gênesis aos quais ele se referiu.
1:1-2, 4, 26, 27, 31; 2:1-10, 13-25; 3:1-24; 4:1-12, 14, 25-26; 5:1, 3, 23-24, 29, 32; 6:1-12, 14-17; 7:1-2, 4-5, 10-11, 16-17, 19, 21-24; 8:1-18, 20-22; 9:1, 3-8, 10-11, 13, 18, 20-28; 10:1, 6, 8; 11:1-2, 4, 6-8, 10, 29; 12:1-4, 6-7; 13:1, 9; 14:1, 3, 7, 17, 18, 20-24; 15:1-3,5,20; 16:1-9,11-16; 17:16,8,10-22,24,26,27,32; 18:1,3,6,7,9-11,15-17,22,23,27,32,33; 19:4, 11, 20, 20, 32, 33, 35; 20:7, 12; 21:1-2, 5-7, 11-12, 14, 19-20, 33; 22:1-2, 4, 6, 7, 9, 16, 22, 62-63, 67; 25:5, 8, 11, 17, 21, 23-25, 27, 29, 33; 26:2, 3, 5, 9, 12, 32-33; 27:1, 20, 28, 30, 33, 36, 40-43, 45; 28:1-2, 7, 11-17, 21-22; 29:4, 13, 26, 31, 35; 30:1, 2, 13, 16, 18, 24, 30, 36, 37, 42;
31:3-5, 10-14, 20, 27-28, 33, 35, 43; 32:10, 25, 28-29, 31; 33:5, 11; 34:1, 3; 35:2, 4, 16, 18, 25; 36:12; 37:2-3, 7-9, 12-13, 15, 33, 36; 38:7, 9, 11, 20, 25; 39:1, 3, 7, 21; 40:8-10, 15-17, 20; 41:17, 28, 45, 49; 42:1, 11, 16, 18, 36; 43:9; 45:5, 11, 16, 18, 22, 26, 28; 46:1, 4, 27, 33-34; 47:3, 9, 24; 48:1, 5, 13, 15-16, 22; 49:2, 15-18, 22, 33; 50:7-8, 19, 24
No entanto, há quatro diferenças em suas referências de versículos, todas no Gênesis.
| Versículo | Hebraico massorético | Grego de Filo |
|---|---|---|
| Gênesis 4:13 | Meu crime é maior do que posso suportar. | Meu crime é grande demais para ser perdoado. (3 vezes) |
| Gênesis 5:22 | Enoque viveu 65 anos antes de Matusalém e caminhou com Deus por 300 anos | Enoque viveu 165 anos antes do arrependimento e 200 anos depois disso. |
| Gênesis 6:13 | Deus se arrependeu de ter criado o homem sobre a terra | Deus refletiu com preocupação, por ter criado o homem sobre a terra; e resolveu a questão com esse propósito. |
| Gênesis 10:29 | Ele era um caçador poderoso diante do Senhor | começou a ser um gigante na terra |
Como se pode observar na lista anterior, ele comentou extensivamente os capítulos iniciais de Gênesis e foi mais sucinto nos capítulos posteriores. Para os muçulmanos que estiverem lendo isto, em Gênesis 22, Filo afirma que foi Isaque, e não Ismael, quem foi sacrificado, exatamente como constam as versões de Gênesis do Antigo Testamento que possuímos hoje.
P: Em Gênesis, quais são alguns dos manuscritos mais antigos que ainda existem hoje?
R: Manuscritos do Mar Morto: (antes de Cristo) 20 cópias ou fragmentos, estimados em 15 ou 18 cópias distintas. Esses manuscritos são chamados de
1Q1 - fragmentos de Gênesis
2Q1 - Gênesis
4Q1 - Gênesis + Êxodo
4Q2 - Gênesis, idêntico ao texto massorético
4º trimestre, Gênesis 40-41
4Q4 Gênesis 1
4Q5 Gênesis, semelhante aos textos massoréticos e samaritanos
4Q6 - Parte de Gênesis 48
4Q7: fragmentos de Gênesis 1 e 2
4Q8a Gênesis 2:17-18
4Q8b Parafrase de Gênesis 12:4-5
4Q8c Título de um manuscrito do Gênesis
(4Q8a, b e c provêm de três manuscritos diferentes)
4Q9 Gênesis, semelhante ao texto samaritano
4Q10 Gênesis 1-3
4Q11 Gênesis 50:26 até Êxodo 36
4Q12 Gênesis 26 em letras paleo-hebraicas
6Q1: um fragmento de Gênesis 5
8Q1 Dois fragmentos de Gênesis 17:12-19 e 18:20-25.
No total, dos 1.531 versículos do Gênesis, 265 (17,3%) estão preservados nos Manuscritos do Mar Morto.
Gênesis 1:1-28; 2:1-3, 6-7, 14-19; 3:1-2, 11-14; 4:2-11; 5:13-14; 6:13-21; 8:21; 10:6; 12:4-5; 17:12-19; 18:20-25; 19:27-28; 22:13-15; 23:17-19; 24:22-24; 26:21-28; 27:38-39,42-43; 32:4-5,30,33; 33:1, 18-20; 34:1-3, 5-10, 17-21, 30-31; 35:1, 4-10, 25-29; 36:1-17, 19-27; 35-37, 43; 37:1-2, 5-6, 22-30; 39:11-23; 40:1, 12-13, 18-23; 41:1-11, 15-18, 23-27, 29-44; 42:15-22,38; 43:1-2,5-14; 45:14-22,26-28; 46:7-11?; 47:13-14; 48:1-11,15-17,18-22; 49:1-8; 50:3,26?
Comentário dos Manuscritos do Mar Morto sobre Gênesis na caverna 4
A Septuaginta é uma tradução grega do Antigo Testamento e dos Apócrifos. O fragmento Rahlfs 814, Gênesis 14:12-15, data aproximadamente da segunda metade do século II d.C. (150-200 d.C.)
Uma cópia grega de Gênesis, denominada inv. 319, é anterior a 100 d.C.
Na p. 7.2, menciona-se que Gênesis 1:1-5 na Septuaginta foi escrito na p. 12 (Papiro Amherst 3b). Este data de 264-282 d.C.
O manuscrito de Viena foi escrito no século V ou VI d.C., e 24 páginas do Gênesis estão preservadas.
Outros manuscritos gregos incluem
O Papiro de Oxirrinco 656 é um manuscrito do século II d.C. que contém o Gênesis em grego.
O Papiro de Oxirrinco 1007 é um fragmento do século III d.C. O escriba apresentou uma duplicação incomum da letra yod inicial no Tetragrama.
O Papiro Chester Beatty 5 contém Gênesis 42:7-19. É datado de 350 a 400 d.C.
O Vaticanus (325-350 d.C.) contém Gênesis 46:29-50:26. O Vaticanus contém todo o restante do Antigo Testamento.
Alexandrino (c. 450 d.C.) para todo o livro de Gênesis, exceto Gênesis 14:14-17; 15:1-5, 16-19; 16:6-9, que estão mutilados.
Sinaítico (340-350 d.C.) Gênesis 21:26-22:17; 22:21-23:16; 23:19-24:20; 24:23-24:46;
Os samaritanos elaboraram sua própria cópia da Torá no século II a.C., embora as cópias samaritanas mais antigas que sobreviveram sejam da Idade Média.
Manuscritos cristãos primitivos: os papiros de Chester Beatty (séculos II a IV d.C.) contêm Gênesis.
A tradução siríaca da Peshitta do Gênesis data do século V d.C.
Uma tradução siríaca da Septuaginta foi feita pelo bispo Paulo de Tella (616-617 d.C.), que ainda conservamos hoje.
P: Quais escritores antigos se referiram ao Gênesis?
R: Filo, o Judeu (15/20 a.C. a 50 d.C.), faz referência a todos ou a partes de 410 versículos do Gênesis. Uma de suas obras que cita extensivamente o Gênesis é a “Interpretação Alegórica”, I.
29 escritores da Igreja pré-nicena se referiram ao Gênesis.
1 Clemente (96-98 d.C.) cita ou faz referência ao conteúdo de 25 versículos do Gênesis. Gn 1,26-28; 2,23; 4,3-8 (Septuaginta); 5,24; 9,6; 12,1-3; 13:14-16; 15:5,6; 18:27; 19:24; 21:22; 22:17; 27:41; 37:6.
Justino Mártir (escreveu por volta de 138-165 d.C.) cita ou faz referência a Gn 1,26,28; 2,3; 3,15,22; 6:16; 8:10,12; 9:24-27; 11:5,6; 15:6; 18:1,2,10,13,14,16,17,20-23,33; 19:1,10,16-25,27,28; 21:9-12; 26:4; 28:10-19; 31:10-13; 32:22-30; 35:6-10; 49:5,8-12,18.
Meleto/Melito de Sardes (170-177/180 d.C.) incluiu o Gênesis entre os livros do Antigo Testamento em sua carta a Onésimo, na obra *On Pascha*, p. 72. Isso está registrado na *História Eclesiástica* de Eusébio, livro 4, capítulo 26.
Teófilo de Antioquia (168-182/8 d.C.) cita textualmente Gênesis 2:8-3:19, em um bloco de 37 versículos, na obra *Teófilo a Autólico*, livro 2, capítulo 21, pp. 102-103. Ele também cita Gênesis 2:4-5,7 na obra *A Autólico*, capítulo 19, p. 102.
Irineu de Lyon (182-188 d.C.) afirma: “Além disso, aprendemos a partir da própria Escritura” e, logo em seguida, cita Gênesis 17:9-11. Irineu, *Contra as Heresias*, livro 4, cap. 26.1, p. 480. Ele cita inúmeras passagens de Gênesis.
Teodoto, provavelmente montanista (c. 240 d.C.), cita Gênesis 1:1 como proveniente de “Gênesis” em “Trechos de Teodoto”, cap. 1, p. 43. Ele também cita Gênesis 1:2 no cap. 7, p. 44, Gênesis 1:3 no cap. 38, p. 48, e parte de Gênesis 1:18 no cap. 56, p. 50
Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.). Ele cita o Livro do Gênesis, referindo-se a ele como “Gênesis” no Tratado 12, terceiro livro, 20,32, entre outros trechos.
Outros escritores da Igreja pré-nicena que citaram Gênesis incluem a Epístola de Barnabé, Meleto/Melito de Sardes, Atenágoras, Clemente de Alexandria, Tertuliano, Hipólito, Orígenes, Novaciano, Arquelau, Alexandre de Alexandria e Metódio.
Após Nicéia
Jerônimo (373-420 d.C.) discute os livros do Antigo Testamento. Ele aborda especificamente Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, a Torá, Jó, Jesus, filho de Nave [Josué], Juízes, Rute, Samuel e Reis (2 livros), os doze profetas, Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel, Ester, Esdras, Neemias, Carta 53, cap. 7-8, p. 99-101.
P: Em Gênesis, quão precisas foram as citações de Filo?
R: Aqui estão as citações que Filão utiliza sequencialmente em “Sobre a Criação”:
“No princípio, Deus criou o céu e a terra” … “as trevas cobriam a face do abismo” … “chamou-se ‘dia’”. … “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança.” … “foram criados homem e mulher” … “este é o livro da criação do céu e da terra, quando ela ocorreu, no dia em que Deus fez o céu e a terra, e toda erva verde antes que aparecesse sobre a terra, e toda a erva do campo antes que brotasse.” … “E uma fonte brotou da terra e regava toda a face da terra.” … “Deus criou o homem, tendo tomado barro da terra, e soprou em seu rosto o fôlego da vida.” … “Deus trouxe todos os animais ao homem, desejando ver que nomes ele daria a cada um.” …
Aqui estão citações que ele utiliza de forma não sequencial em *Interpretação Alegórica*, I e uma pequena parte de II.
“E o céu, a terra e todo o seu universo foram concluídos.” … “E no sexto dia, Deus concluiu a obra que havia feito.” … “Deus concluiu suas obras no sexto dia.” … “Ele fez repousar as coisas que havia começado.” … “Assim, no sétimo dia, Deus fez repousar de todas as suas obras que havia feito.” … “E Deus abençoou o sétimo dia e o santificou.” … “Este é o livro da gênese do céu e da terra, quando foram criados.” … “Nesse dia, Deus criou o céu e a terra, e toda erva verde do campo, antes que ela surgisse na terra, e toda a vegetação do campo antes que brotasse. Pois Deus ainda não havia feito chover sobre a terra, e o homem ainda não existia para cultivá-la.” … “Mas uma fonte brotou da terra e regava toda a superfície da terra.” … “E Deus criou o homem, tomando um pedaço de barro da terra, e soprou em seu rosto o fôlego da vida; e o homem tornou-se uma alma vivente.” … “E Deus plantou um paraíso no Éden, a leste; e ali colocou o homem que havia formado.” … “E o homem que havia formado,” … “Deus colocou no Paraíso.” … “E Deus fez brotar da terra toda árvore agradável à vista e boa para alimento; e a árvore da vida Ele colocou no meio do Paraíso, assim como a árvore do conhecimento do bem e do mal.” … “E um rio sai do Éden para regar o Paraíso. Daí ele se divide em quatro braços: o nome de um deles é Feison. Esse é o que circunda toda a terra de Evilat. Ali se encontra a região onde há ouro, e o ouro daquela terra é de boa qualidade. Ali também se encontram o carbúnculo e a safira. E o nome do segundo rio é Gihon; este é o que circunda toda a terra da Etiópia. E o terceiro rio é o Tigre. Este é o rio que corre diante dos assírios. E o quarto rio é o Eufrates.” … “E o Senhor Deus tomou o homem que havia criado e o colocou no Paraíso, para cultivá-lo e guardá-lo.” … “E o Senhor Deus ordenou a Adão, dizendo: De toda árvore que há no Paraíso podes comer à vontade; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comereis; pois no dia em que dela comerdes, certamente morrereis.” (II) “E o Senhor Deus disse: ‘Não é bom que o homem esteja só; façamos para ele um auxílio adequado.’ … ‘E Deus disse: Que a terra produza seres vivos segundo a sua espécie: animais de quatro patas, répteis e animais selvagens.’ (Ele prossegue, passando por Abraão).
A comparação entre as duas seções mostra que Filo não utilizou necessariamente as mesmas palavras ao citar a mesma passagem.
P: Em Gênesis, quais são algumas das diferenças de tradução entre o hebraico e a Septuaginta grega?
R: Concentrando-nos principalmente no capítulo 1, eis algumas das diferenças de tradução nos 1.533 versículos do Gênesis. De acordo com o Anchor Bible Dictionary, vol. 5, p. 934, o Pentateuco Samaritano concorda com a Torá contra o texto massorético em 1.900 leituras. Salvo indicação em contrário, a primeira frase é do texto massorético (MT) e a segunda, da Septuaginta (LXX).
Gênesis 1:1 “céus” (MT) vs. “céu” (Septuaginta)
Gênesis 1:2 “sem forma e vazio” vs. “feio e desabito” (Septuaginta) vs. “vazio e nada” (Áquila) vs. “em pousio e indistinto” (Símaco) vs. “desolado, sem seres humanos nem animais, e desprovido de todo cultivo de plantas e árvores” (Targum de Neófito I [parafraseado]) vs. “vazio e deserta” (Vulgata)
Gênesis 1:2 “a superfície do abismo” vs. “o abismo”
Gênesis 1:2 “superfície das águas” vs. “água”
Gênesis 1:5 “dia” (MT, Septuaginta) vs. “dia” (Manuscrito do Mar Morto 4QGen(g))
Gênesis 1:6 “águas” vs. “água” (3 vezes)
Gênesis 1:7 “E assim foi” vs. (ausente) (2 palavras hebraicas, 3 palavras gregas)
Gênesis 1:8 “céus” vs. “céu”
Gênesis 1:9 “assim foi” vs. “assim foi. E as águas que estavam sob o céu se reuniram em seus lugares, e surgiu a terra seca.” (17 palavras gregas)
Gênesis 1:11-12 “brotos tenros” vs. “ervas” (duas vezes)
Gênesis 1:14 “céus, para separar” vs. “céus, para iluminar a terra, para separar”
Gênesis 1:16 “governar” vs. “regular” (duas vezes)
Gênesis 1:16 “e começa a governar a noite” vs. “regulando a noite, assim como as estrelas”.
Gênesis 1:20 “animais que se movem em enxame” vs. “répteis” (reptilia em grego)
(Observe que, em Gênesis 1:20,21, a Tradução Literal de Green erroneamente menciona “aves”, quando deveria ser “criaturas voadoras”, uma vez que a mesma palavra hebraica se refere a morcegos e insetos alados em Levítico 11:19-22 e Deuteronômio 14:18-20.)
Gênesis 1:21 “e tudo o que rasteja” vs. “e todo réptil vivente”
Gênesis 1:21-25 “isso” versus “eles” (muitas vezes) (trata-se de uma questão gramatical minuciosa)
Gênesis 1:22 “multiplicar-se” vs. “ser multiplicado”
Gênesis 1:24 “gado e animais rastejantes” vs. “quadrúpedes e répteis”
Gênesis 1:26 “à nossa imagem, segundo a nossa semelhança” vs. “segundo a nossa imagem e semelhança”
Gênesis 1:26 “animais selvagens e sobre toda a terra” (MT, Septuaginta) versus “animais selvagens da terra” (siríaco)
Gênesis 1:26 “animais rastejantes que rastejam” vs. “répteis que rastejam”
Gênesis 1:27 “à Sua própria imagem; à imagem de Deus” vs. “de acordo com a imagem de Deus”
Gênesis 1:28 “E Deus os abençoou, e Deus lhes disse” vs. “E Deus os abençoou, dizendo”
Gênesis 1:30 “todos os seres vivos” vs. “todos os animais selvagens”
Gênesis 2:1 “todo o seu exército” vs. “todo o mundo deles”
Gênesis 4:8 “Abel” vs. “Abel, vamos para o campo” (Pentateuco Samaritano, Septuaginta, Targum Neophyti I, siríaco; compare com a Vulgata)
Gênesis 4:15 “Portanto” (MT, Targums) vs. “Não é assim. Portanto” (Septuaginta, siríaco, Vulgata) (sem alteração no significado)
As tabelas genealógicas em Gênesis 5 e 11:10-26 apresentam algumas diferenças no Pentateuco Samaritano (The Anchor Bible Dictionary, vol. 5)
Gênesis 5:24 “andou com Deus” (MT) vs. “agradou a Deus” (LXX, Hebreus 11:5b)
Gênesis 6:4 “filhos de Deus” (MT, algumas versões da Septuaginta) vs. “anjos de Deus” (algumas versões da Septuaginta) vs. “filhos dos deuses” (tradução de Áquila, o judeu). Consulte *A Cidade de Deus*, de Agostinho de Hipona (413-426 d.C.), livro 15, cap. 23, p. 304
Gênesis 6:5 “SENHOR” (MT, Targumim) vs. “SENHOR Deus” (Septuaginta) vs. “Deus” (Vulgata)
Gênesis 7:22 “sopro do espírito de vida” versus “sopro de vida” (Septuaginta, Vulgata)
Gênesis 9:25 Alguns manuscritos da Septuaginta e do Antigo Testamento árabe afirmam que a maldição não se aplicava a “Canaã”, mas a “Cam, pai de Canaã”.
Gênesis 10:4 “Dodanim” (a maioria dos manuscritos massoréticos) versus “Rodanim” (alguns manuscritos massoréticos, Pentateuco Samaritano, Septuaginta)
Gênesis 10:23 “Mash” (TM) versus “Meshech” (Septuaginta e 1 Crônicas 1:27, texto massorético)
Gênesis 11:12 apresenta “Cainan” inserido entre Arfaxad e Selá na Septuaginta, bem como em Lucas 3:36.
Gênesis 11:32: Terá faleceu aos “205 anos” (TM) versus “145 anos” (Septuaginta, Pentateuco Samaritano)
Gênesis 14:1,9: “Arioch de Ellesar” (manuscritos hebraicos) versus a paráfrase “rei Arioch, rei Ellasar” em Teófilo a Autólico, livro 2, cap. 31, p. 107. A arqueologia suméria encontrou um “Rei Ariochu de Larsa”.
Gênesis 14:23 “cordão/sandália” (MT) vs. uma palavra desconhecida no Pentateuco Samaritano (diferença de uma letra, provavelmente uma corrupção)
Gênesis 18:22 “os homens permaneceram em pé diante do Senhor” versus “o Senhor permaneceu em pé diante de Abraão” (antiga tradição dos escribas hebreus)
Gênesis 19:17 “ele disse” versus “eles disseram” (Septuaginta, siríaco, Vulgata)
Gênesis 20:13; 31:53; 35:7 “Elohim” versus “El” (Pentateuco Samaritano). Também em Êxodo 22:8.
Gênesis 21:9 “com Isaque” vs. “com seu filho Isaque” (Septuaginta, Vulgata)
Gênesis 22:2 “seu filho, Isaque, o seu único, a quem você ama” vs. “Leve o seu filho, o amado, a quem você tem amado, Isaque”
Gênesis 22:19 “Ram atrás [dele]” (a maioria dos textos massoréticos) vs. “Ram” (alguns textos massoréticos, Pentateuco Samaritano, Septuaginta, siríaco)
Gênesis 23:1 “anos, os anos da vida de Sara” vs. “anos” (Septuaginta, Vulgata)
Gênesis 24:62 “de chegar a” vs. “de” (Targums siríacos)
Gênesis 30:36 ausente vs. “que um anjo apareceu a Jacó em sonho, revelando-lhe a sua parte nos rebanhos de Labão” (Pentateuco Samaritano)
Gênesis 30:11 “com/na sorte” (MT, Kethib, Septuaginta, Vulgata) vs. “Um grupo” (Qere, siríaco, Targums) (Qere refere-se a certas palavras aramaicas lidas em voz alta, que diferem das palavras escritas no texto massorético. Kethib (escrito em aramaico) são as palavras escritas do Antigo Testamento hebraico)
Gênesis 31:40 “calor escaldante” (TM, Septuaginta) vs. “época da colheita” (Pentateuco Samaritano, obviamente uma corrupção)
Gênesis 31:49 “Mizpá” vs. “colunas testemunhais” (Septuaginta) vs. “a coluna de Mizpá” (Pentateuco Samaritano)
Gênesis 33:4 “e [ele] o beijou” (presente, mas marcado com pontos no texto massorético) vs. ausente (Septuaginta)
Gênesis 36:2,14 “filha de” vs. “filho de” [Zibeão/Sebegon] (Pentateuco, siríaco)
Gênesis 36:3 “Basemate” (TM, Septuaginta) versus “Maalate” (Pentateuco Samaritano)
Gênesis 36:16 “Korah/Core” (TM e Septuaginta) vs. (ausente) (Pentateuco Samaritano, 1 Crônicas 1:36)
Gênesis 36:24 “água” (TM, Vulgata) vs. “fontes termais” (Septuaginta)
Gênesis 36:39 “Hadar” (a maioria dos textos massoréticos) vs. “Barad” (Septuaginta) vs. “Hadad” (alguns textos massoréticos, Pentateuco Samaritano, siríaco)
Gênesis 37:36 “medanitas” vs. “midianitas” (Septuaginta, Pentateuco Samaritano, Vulgata, siríaco)
Gênesis 41:22 “e eu vi” vs. “adormeci pela segunda vez e vi” (Septuaginta, siríaco, Vulgata)
Gênesis 41:48 “alimento dos sete anos que havia na terra” vs. “alimento dos sete anos, em que houve abundância na terra” (Septuaginta, Pentateuco Samaritano)
Gênesis 41:56 “abriram tudo o que havia neles” vs. “todos os celeiros” (Septuaginta, Vulgata, Siríaco)
Gênesis 44:4 “Está tudo bem?” vs. “Está tudo bem? Por que vocês roubaram minha taça de prata?” (Septuaginta, Vulgata)
Gênesis 46:13 “Puah” vs. “Phua” (Septuaginta) vs. “Puvah” (Pentateuco Samaritano, siríaco, 1 Crônicas 7:1)
Gênesis 46:13 “Iob” vs. “Jashub” (algumas versões da Septuaginta, Pentateuco Samaritano)
Gênesis 46:16 “Zifion” vs. “Zefon” (Septuaginta, Pentateuco Samaritano, Números 26:15)
Gênesis 46:20 “ele” vs. “ele, [ou seja] Manassés e Efraim. E nasceram filhos a Manassés, que a concubina síria lhe deu, [ou seja] Maquir. E Maquir gerou Gileade. E os filhos de Efraim, irmão de Manassés: Sutalaam e Taam. E os filhos de Sutalaam: Edom.” (Septuaginta, compare com o Manuscrito do Mar Morto 4QExod(a))
Gênesis 46:23 “Hushim” vs. “Hashum”
Gênesis 46:27 “no Egito, duas almas. Todas as almas pertencentes à casa de Jacó que entraram no Egito eram setenta.” (MT) vs. “na terra do Egito, eram nove almas; todas as almas da casa de Jacó que vieram com José para o Egito eram setenta e cinco almas.” (Septuaginta)
Gênesis 47:21 “ele os transferiu para as cidades” vs. “ele os tornou escravos” (Septuaginta, Pentateuco Samaritano)
Gênesis 49:4 “ele a profanou” vs. “vocês a profanaram” (Septuaginta, siríaco, targumim)
Gênesis 49:5 “José” vs. “eles”
Gênesis 49:7 “a ira deles é amaldiçoada” vs. “a ira deles é bela” (Pentateuco Samaritano)
Gênesis 49:20 “de Aser” vs. “Aser” (Septuaginta, Vulgata, siríaco)
Gênesis 50:16 “eles ordenaram a José” vs. “eles se aproximaram de José” (Septuaginta, siríaco)
Gênesis 50:23 “nos joelhos de José” vs. “nos dias de José” (Pentateuco Samaritano)
O uso de Elohim e Jeová apresenta distribuições diferentes na Septuaginta em comparação com o texto massorético. Julius Wellhausen considerava esses pontos como o ponto mais fraco de sua teoria da hipótese documental.
Bibliografia para esta questão: a tradução do hebraico é da obra *Literal Translation*, de Jay P. Green, e a versão da Septuaginta é da tradução de Sir Lancelot C.L. Brenton, *The Septuagint: Greek and English*. Também foram utilizados o *Expositor’s Bible Commentary*, o *Anchor Bible Dictionary* (vol. 5) e as notas de rodapé das Bíblias NASB, NIV, NKJV e NRSV.