P: Em Hab 1:1-17, quando foi escrito o livro de Habacuque?
R: Os babilônios conquistaram Jerusalém em 597 a.C., portanto, foi antes dessa data. Habacuque 2:20 diz: “O Senhor está em Seu santo templo”, de modo que o templo ainda estava de pé naquela época. A profecia sobre os babilônios se cumpriria “nos seus dias”, conforme Habacuque 1:5; portanto, não pode ter sido algumas décadas antes disso. Primeiro, o que não é a resposta; em seguida, duas opções para a resposta.
Não é a resposta: o reinado de Manassés (697-642 a.C.). A Babilônia era uma potência menor, sob o controle da Assíria, que teria sido a ameaça mais provável. Portanto, isso tornaria a ascensão da Babilônia uma surpresa. A ilegalidade lamentada por Habacuque se encaixaria na primeira parte do reinado de Manassés, embora não na parte final. No entanto, é difícil ver como uma data tão precoce se encaixaria “nos seus dias”.
Por volta de 621 a.C., uma década antes de a Babilônia e outras nações derrubarem Nínive em 612 a.C., a Babilônia já era uma potência; mas o choque descrito em Habacuque não era o fato de a Babilônia ser forte, e sim de Deus usar a maligna Babilônia para conquistar Jerusalém. Já havia sido dito que ela seria forte em Habacuque 1:6-11. No entanto, o ano 621 d.C. correspondeu ao reinado do bom rei Josias (640-609 a.C.), e a “anarquia” não se encaixaria na parte final de seu reinado, a menos que se referisse a muitos israelitas, mas não ao governo.
O mais provável é que tenha sido sob o reinado do rei ímpio Jeoiaquim (609-597 a.C.). Sabia-se, na época, que os babilônios eram poderosos, conforme diz Habacuque 1:6-11; os tempos eram de ilegalidade, como afirma Habacuque 1:3-4; mas muitos em Judá ainda tinham esperança de que o Templo fosse poupado novamente, conforme mostrado em Jeremias 7.
Uma data provável é 606-604 a.C., por volta da época em que a Babilônia destruiu o exército egípcio na Batalha de Carquêmis, em 605 a.C. Qualquer um dos dois últimos períodos tornaria Habacuque um contemporâneo de Jeremias.
Em resumo, não temos certeza da época em que Habacuque foi escrito. A mensagem de Habacuque é relevante para muitos períodos históricos, inclusive os dias de hoje. Paulo cita Habacuque 1:5, como uma advertência aos judeus de sua época, em Atos 13:41.
P: Em Hab 1,1, o que significa o nome Habacuque?
R: Ele deriva da palavra hebraica halbaq, “abraçar”, que também pode significar “lutar”; portanto, Habacuque poderia significar “o lutador”. Ambos os significados são adequados neste contexto. Havia também uma planta doméstica, chamada Hambaququ em assírio, mas não há nenhuma relação com o livro.
P: Em Hab 1,1, como não sabemos quem foi Habacuque, nem com certeza quando foi escrito, por que esse texto deveria constar em nossa Bíblia?
R: Entre outras razões, sabemos disso porque Jesus reconheceu a autenticidade de todo o Antigo Testamento. Ele aceitou sem questionar o Antigo Testamento dos judeus da Palestina, conforme demonstrado em Mateus 5:17; 7:12; 11:13; 22:40; Lucas 16:16, 29, 31; 18:31; 24:27.
P: Em Hab 1,2 e Sl 10,1, por que Deus nem sempre parece ouvir as orações das pessoas justas?
R: Em vez de se alegrar em Deus, Habacuque percebeu como a situação parecia sombria e, por isso, perguntou a Deus o que Ele faria a respeito. Deus realmente dá a resposta a Habacuque em Habacuque 1:5-11 e, por fim, cumpriu essa resposta por meio dos babilônios. Em geral, às vezes precisamos esperar pela resposta de Deus, pois Ele age no tempo que Lhe convém, e não no nosso. No entanto, o fato de precisarmos esperar no Senhor não torna Sua resposta menos espetacular quando ela chega. 2 Pedro 3:9 mostra que Deus não é lento, mas pode parecer lento porque não deseja que ninguém pereça.
P: Em Hab 1:4, de que forma a lei estava impotente, e como ela pode estar impotente hoje?
R: Diz-se literalmente: “a lei estava paralisada/entorpecida”. Se governantes, juízes e autoridades em geral ignorassem a lei de Deus, então, embora a lei não tenha mudado no que diz respeito ao seu conteúdo, ela se tornaria sem sentido, ou mesmo motivo de escárnio em uma sociedade sem Deus.
Hoje, até mesmo as leis seculares podem ficar paralisadas nas mãos de autoridades corruptas. Certa vez, um traficante de drogas na Irlanda, ao ser preso por um policial, disse com confiança ao policial que estaria solto em menos de uma semana. Em uma semana, o traficante estava livre, e nenhuma acusação chegou a ser apresentada. Isso NÃO se deveu a um juiz corrupto. Deveu-se a um promotor corrupto. Se o promotor cometer um erro crucial nas acusações, deliberadamente, ou simplesmente se recusar a apresentar acusações, a lei aprovada pelo legislativo perde todo o sentido. Se os juízes interpretam uma lei deliberadamente de forma contrária ao que o legislativo pretendia que ela significasse, então a lei se torna sem sentido.
P: Em Hab 1,6, o que é um “povo impiedoso e impetuoso” ou uma “nação amarga e precipitada”?
R: Os babilônios tinham impulsos violentos, chegando até a buscar formas de lucrar com a violência, como os membros de gangues em Provérbios 1:11. Eles são, ao mesmo tempo, desprovidos de misericórdia e rápidos em atacar sem piedade. O hebraico aqui, hammar wehannimhar, é uma rima oblíqua. Isso aprofunda a descrição de como eles são implacáveis e impetuosos em Habacuque 1:6-11.
Deus causou um choque. Deus iria usar os babilônios, que eram muito mais perversos do que o povo de Judá, para punir Judá.
P: Em Hab 1:8, devemos interpretar literalmente que aqueles cavalos eram tão velozes quanto leopardos?
R: Trata-se de poesia, e foi essa a intenção de Habacuque: que fosse entendida como tal. Quando as pessoas dizem que interpretam a Bíblia “literalmente”, não se referem a uma interpretação hiperliteral, mas sim a que a Bíblia seja interpretada da maneira como os autores pretendiam que fosse interpretada.
R: Em Gênesis 16:5, Sarai utilizou essa palavra ao reclamar com Abraão a respeito de Hagar. Não há indícios de qualquer uso de força física. No entanto, normalmente, ela significa violência, e o livro *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 7, p. 383, afirma que ela “significa um desrespeito à lei por parte de alguém forte demais para ser responsabilizado”.
P: Em Habacuque 1:11, uma vez que todos nós somos culpados de pecado, o que o senhor acha que significa “homens culpados”?
R: Habacuque os chama de culpados porque a força deles é, na verdade, seu único deus. Sim, todos são culpados do mal, quer percebam isso ou não. No entanto, esses homens percebiam que eram culpados de violência contra aqueles que não estavam lutando contra eles, e não se importavam com o fato de serem culpados. Hoje, algumas pessoas tentam racionalizar sua maldade como se não fosse realmente maldade, ou justificam ser perversas porque outras pessoas foram perversas com elas. Mas algumas pessoas nem se dão ao trabalho; são violentas com pessoas que não fizeram absolutamente nada contra elas, e não se importam.
P: Em Hab 1,12-13, qual é o tom da pergunta de Habacuque?
R: Ela não tem um, mas dois tons diferentes. Primeiro, é extremamente respeitosa e submissa a Deus. Mas, em segundo lugar, é quase tanto um protesto quanto uma pergunta. É legítimo fazer a Deus uma pergunta que o esteja atormentando; mas, mesmo assim, devemos ser respeitosos.
R: As Escrituras não oferecem uma definição concisa, mas apresentam muitas descrições. Aqui estão algumas analogias.
O mal é como um peso fraudulento
Os pesos eram importantes no mundo antigo para medir grãos, sal e outros itens de comércio. Deuteronômio 25:15 e Levítico 19:36 fazem alusão a isso ao mencionarem um peso perfeito e justo. Provérbios 11:1 e Provérbios 16:11 afirmam que um peso justo é o prazer do Senhor. Provérbios 20:10, 23 e Miquéias 6:11 condenam as pessoas que utilizam pesos diversos e enganosos.
Portanto, para compreender o mal, precisamos entender que Deus é bom, no sentido de que Ele, como Criador Santo, estabeleceu o padrão para medir a bondade.
O mal é como um buraco no campo da bondade
As pessoas podem ter ilusões sobre o mal, mas o mal não é uma ilusão. As pessoas podem ter ilusões sobre qualquer coisa, mas a ilusão não elimina a realidade. O mal é como um buraco no campo da bondade de um agricultor. Um buraco não é uma “coisa”, mas a ausência de uma coisa. Não se trata, porém, de uma ilusão, pois as pessoas podem pisar em um buraco que não veem e torcer os tornozelos. Se toda a bondade provém de Deus, um “buraco do mal” é uma “coisa” que não provém de Deus.
Portanto, para compreender o mal, precisamos entender que Deus é bom, no sentido de que nada é totalmente bom, exceto o próprio Deus. Deus proporciona a bondade, e o mal é uma deficiência dessa bondade.
O mal é como uma sombra
Deus criou tudo, certo? Se assim for, então Deus criou as sombras também? Se uma sombra surge onde a luz é bloqueada ou reduzida por um objeto, foi a luz ou o objeto que criou a sombra? Sem objeto, não há sombra. No entanto, sem luz, também não há sombra. O senhor pode confundir uma sombra com uma ilusão, mas as ilusões não o afetam, a não ser que o senhor acredite nelas. As plantas que precisam do sol morrem na sombra , independentemente do que uma pessoa acredite.
As sombras realmente existem, mas não têm uma existência independente da fonte de luz e do objeto que bloqueia a luz. O mal realmente existe, mas não tem uma existência independente de Deus, que é luz e a fonte de toda a bondade, e dos seres que possuem o livre arbítrio para ofuscar a bondade de Deus.
Ninguém, nem mesmo Deus, criou diretamente o mal, assim como na Terra ninguém cria diretamente sombras. Deus criou indiretamente o mal, assim como na Terra a luz cria indiretamente sombras.
Portanto, para compreender o mal, precisamos entender que Deus é bom, no sentido de que Ele é a fonte de toda a bondade.
Adamantius, escrevendo por volta de 300 d.C., afirma que o mal é “acidental”. Assim como a gramática e a retórica não possuem substância própria, mas são subprodutos da fala ou da escrita de uma língua, o mal também não possui substância própria, mas é um subproduto do afastamento do bem. Uma pessoa é “má” por causa daquilo de que é feita, mas é designada como má por causa de suas ações. Algumas ações, como a procriação, não são boas nem más em si mesmas, mas dependem do contexto em que são realizadas. (Diálogo sobre a Verdadeira Fé, quarta parte, 9, p. 137)
P: Em Hab 1,13, por que as diversas definições modernas do mal moral são inadequadas?
R: Aqui estão algumas definições inadequadas.
1. “Tudo aquilo de que não gosto.” Se tudo o que se enquadra nessa descrição fosse mau, o que dizer então da broca do dentista, do bisturi do cirurgião ou da criança que está gritando porque precisa tomar um remédio de gosto ruim? E quanto à situação contraditória que surge quando um pai disciplina um filho?
Coisas desagradáveis podem servir a bons propósitos para:
Aperfeiçoar nossa fé. 1 Pedro 1:6-7
Ajudar-nos a morrer para o pecado. 1 Pedro 4:1
Testar nossa fé e desenvolver perseverança. Tiago 1:2-4
Serem utilizadas não para nosso benefício, mas para o dos outros. Colossenses 1:24
Servir de sinal para ajudar os incrédulos. Filipenses 1:28
Isso faz parte de ser cristão. 2 Timóteo 3:12; Filipenses 1:29
Às vezes, não conseguimos ver nenhuma razão, exceto que nossa perseverança glorifica a Deus. Veja Jó 1:8-12; 2:2-6.
2. “Tudo o que não é bom para mim.” Se for assim, e quanto às coisas que uma criança considera que não são boas para ela, como vegetais? E quanto ao criminoso que é preso para o bem da sociedade, e não para o seu próprio bem?
Mesmo com essa visão, há um problema de perspectiva. Em 1 Coríntios 15:12-19, Paulo afirma que aquilo pelo qual ele está sofrendo e pregando é inútil, e que seríamos os mais lamentáveis dos homens, se Cristo realmente não tivesse ressuscitado dos mortos. Paulo percebeu claramente que o que seria melhor tanto para seus ouvintes quanto para si mesmo seria muito diferente se Jesus não tivesse ressuscitado. Em Mateus 10,39 e Marcos 8,35, Jesus disse: “Quem encontrar a sua vida, a perderá; e quem perder a sua vida por minha causa, a encontrará.” Em outras palavras, quem estiver disposto a perder sua vida terrena encontrará a vida verdadeira na eternidade, e quem viver apenas para esta vida terá perdido para toda a eternidade. Portanto, o que é melhor para a vida de uma pessoa depende de se você se concentra exclusivamente na vida terrena de curto prazo ou na vida eterna de longo prazo.
3. “tudo o que não traz o maior bem para a sociedade”. Em João 11:49-52, Caifás, o sumo sacerdote, disse a respeito da conspiração para matar Jesus: “… é melhor para vocês que um homem morra pelo povo do que toda a nação pereça”. De uma forma estranha e não intencional, ele estava exatamente certo. Isso, porém, não tornou a crucificação de Jesus algo bom. A traição de Judas a Jesus foi uma parte necessária da morte de Cristo, que trouxe nossa salvação. Isso significa que Judas deveria ser nosso herói por ter sido bom? — Claro que não. Atos 2:23 diz que Jesus foi entregue por meio do desígnio e da presciência de Deus. No entanto, Marcos 14:21 afirma que teria sido melhor para Judas se ele não tivesse nascido. O crime de Judas foi hediondo, mas Deus usou a escolha maligna de Judas para realizar o maior bem.
P: Em Hab 1,13, por que Deus permite que as pessoas pequem?
R: Deus responde a essa pergunta em duas partes, com uma visão do futuro.
1. Habacuque 1:5-11 mostra que a felicidade deles é efêmera, pois um povo ainda mais implacável logo os conquistará. A tolerância de Deus em relação ao pecado na Terra é apenas temporária. Se pudéssemos apenas levar a sério Salmos 39:4-5 e nos perguntar quão longa a vida terrena parecerá daqui a milhões de anos, essa resposta ficaria muito clara para nós.
2. Habacuque 2:1-3:16 traça um quadro por meio de palavras. A primeira parte da resposta, Habacuque 2:2-20, detalha os pecados dos opressores e seu destino nesta vida. Apropriadamente, Habacuque escreve que eles ampliam seus desejos como o inferno, em Habacuque 2:5. Não apenas eles chegarão à ruína, mas, à medida que se desgastam em vão para alimentar o fogo, conforme Habacuque 2:13, suas esperanças e esforços se reduzirão a nada.
A segunda parte da resposta, em Habacuque 3:1-16, muda o foco para “um tempo determinado” em Habacuque 2:3, o fim dos tempos e o juízo final. Muitos ímpios parecem, de fato, viver bem durante toda a sua vida na Terra, e a vida não nos parece justa, se nosso foco estiver apenas nesta vida.
Davi orou a Deus a respeito de seus próprios sentimentos amargos em relação aos violentos e aos ricos no Salmo 73. Assim que Davi entrou no santuário, conforme o Salmo 73:17, ele percebeu claramente a mesma resposta que Habacuque havia visto. É certo que Deus punirá severamente o pecado deles, mas cabe a Deus, a Seu critério, punir seus pecados no momento que Ele escolher. Conforme sugere 1 Timóteo 5:24-25, algumas consequências do pecado se manifestam mais cedo, enquanto outras são adiadas até o dia do julgamento.
Quando Corrie ten Boom estava em um campo de concentração nazista, uma ex-violinista judia, cujos dedos estavam deformados pela tortura nazista, perguntou como o Deus de Corrie poderia permitir que isso acontecesse. A senhora não estava disposta a uma discussão teológica. Corrie respondeu que não sabia. Mas ela sabia que seu Salvador veio à Terra, e que Ele também foi torturado injustamente, e que Ele passou pelo que ela passou, e que Ele compreende sua dor. Amém!
P: Em Hab 1,14, de que forma as pessoas são comparadas aos peixes do mar?
R: Habacuque está dizendo que parece que as pessoas são como os peixes e os répteis. Elas não são governadas e não têm outro propósito a não ser serem capturadas e consumidas por outros. É isso que os babilônios estão fazendo com os povos ao seu redor, e a escrita está na parede; chegará a vez de Judá. No versículo 17, Habacuque está comparando um pescador esvaziando sua rede aos babilônios que massacram nações sem piedade.
P: Em Hab 1,16, como os babilônios ofereciam sacrifícios à sua rede, e como as pessoas fazem isso hoje?
R: Os babilônios tinham vários ídolos, mas seu deus nacional era Marduk, mais tarde chamado simplesmente de “Senhor” ou Bel. De acordo com a Enciclopédia Britânica, sua “estrela” era Júpiter, e ele era representado com um cetro, um arco, uma lança, uma rede ou um raio.
Assim como outros povos, os babilônios oravam ao seu deus pedindo vitória. Mas não era o apelo pessoal a Marduk que importava, e sim a vitória. Portanto, se os babilônios estavam, metaforicamente, capturando outras nações em sua rede, eles estavam, essencialmente, oferecendo sacrifícios àquilo que lhes proporcionava a vitória. Um sacrifício pode significar dar aquilo a que se dedica, e também pode significar abrir mão de algo que lhe custa. Ambos os casos se aplicam aqui. Eles eram muito patriotas, dedicados ao seu império, e sacrificavam sua moral e qualquer inocência para alcançar seus objetivos.
Ninguém adora Marduk hoje em dia. Mas muitas pessoas praticamente adoram o que consideram seu meio de alcançar o sucesso, seja a carreira, o dinheiro, o poder político ou outras coisas.
P: Em Hab 2,1, como devemos lidar com a angústia diante das perguntas que fizemos a Deus e às quais Ele ainda não respondeu?
R: Habacuque “observava”. A palavra hebraica pode significar tanto a ação de observar quanto o ato de estar no local de observação. Da mesma forma, devemos ser “pacientes e expectantes” por uma resposta. Habacuque agarrou-se à bóia salva-vidas que era o caráter de Gid em meio à tempestade caótica.
P: Em Hab 2,4; Rm 1,17 e Hb 10,38, o que significa que o justo viverá pela fé?
R: “Pela fé” é diferente de confiar no que o senhor merece, na sua própria justiça, no conhecimento ou em si mesmo. “Pela fé” implica um objeto: fé em Deus; e os justos, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, vivem pela confiança e dependendo de Deus.
P: Em Hab 2,5, qual é a relação entre o orgulho e o álcool?
R: Isso não significa que pessoas orgulhosas sejam mais ou menos propensas a beber. Em vez disso,
1. Como mostra a primeira parte do versículo, quando uma pessoa bebe álcool, a língua fica menos contida, e os outros podem ouvir mais claramente o que há em seu coração.
2. Como mostra a última parte do versículo, o orgulho funciona de certa forma como uma droga, e a aquisição de coisas que alimentam o orgulho é inebriante. Assim como uma droga, o orgulho pode levar as pessoas a cometerem atos muito insensatos.
Pessoas embriagadas por álcool às vezes têm uma visão exagerada de suas habilidades ou importância, ou das injustiças que lhes foram cometidas. Elas demoram a perceber quando foram magoadas. O mesmo se aplica às pessoas que são escravas da ambição ou da sede de poder.
P: Em Hab 2,6-19, qual é o resumo dos males que as pessoas cometeram aqui?
R: Há quatro pontos principais.
1. Elas acumularam riqueza por meio de extorsão, crime e derramamento de sangue (Habacuque 2:6, 9, 12)
2. Deliciavam-se em desonrar os outros (Habacuque 2:15)
3. Violência (Habacuque 2:16)
4. Confiaram em ídolos e em suas próprias criações (Habacuque 2:18-19)
P: Em Hab 2:6-19, qual é o padrão dessa poesia?
R: Cada seção do corpo principal possui três partes:
1. O mal que o povo praticou. (Habacuque 2:6, 9, 12, 15)
2. Diagnóstico: (Habacuque 2:7, 10, 13, 16)
3. Julgamento (Habacuque 2:8, 11, 14, 16-17)
1. No plano material, o povo confiava em ídolos que ensinavam mentiras.
2. Em um nível mais geral, confiavam em suas próprias criações e em coisas sem vida.
3. Eles buscavam orientação e outras coisas em que confiar, em vez de permanecerem em silêncio diante do Senhor.
P: Em Hab 2:6-19, quais eram exatamente os cinco ai?
R: Em todos os casos, tratava-se de um apetite insaciável
2:6-8, Saques provenientes de conquistas
2:9-11: Cobiça pela sua casa
2:12-14: Expansão por meio da violência
2:15-17 Humilhação dos vizinhos
2:18-19 Desejo por outros deuses
P: Em Hab 2:6, 9, 12, o que essas três primeiras (de cinco) maldições têm em comum entre si?
R: Quem saqueia será saqueado. Em cada caso, os ímpios praticaram o mal para acumular riquezas ou proteger-se. Mas, na verdade, o que acumularam se voltará contra eles e lhes causará dano.
P: Em Hab 2:7, quem são os credores aqui?
R: Trata-se de um eufemismo para todas as vítimas de quem eles “tiram” riquezas. Eventualmente, os povos contra os quais os babilônios lutaram se unirão contra ela.
P: Em Hab 2,8, por que Deus permitiu que um povo tão cruel tivesse sucesso?
R: Ezequiel 7:24 afirma que os babilônios estavam entre os piores dos pagãos. O fato de os babilônios terem “sucesso” não era necessariamente algo bom para eles. Na verdade, poderia-se dizer que os babilônios foram levantados para o seu próprio julgamento. Em contraste com eles, os arameus, os árabes, os sabeus e outros nunca alcançaram o grau de sucesso que os babilônios alcançaram, e nunca sofreram a destruição que os babilônios sofreram.
P: Em Hab 2,8, por que Deus castiga os caldeus por serem instrumentos de Sua vontade e [supostamente] fazerem o que Ele lhes ordenou?
R: Deus nunca ordenou aos caldeus que invadissem Judá, e eles não conquistaram por desejo de obedecer às ordens de Deus. Em vez disso, Deus, no que se denomina doutrina da concorrência, utilizou o desejo maligno deles de conquistar para o Seu bom plano. Deus pode fazer com que todas as coisas contribuam para o bem daqueles que O amam, conforme Romanos 8:28. Deus utiliza tudo como parte de Seu plano, conforme Efésios 1:11 e Provérbios 16:4.
P: Em Hab 2,11, como as pedras e a madeira clamaram?
R: Habacuque 2, embora se dirija de maneira geral a todos os malfeitores, refere-se principalmente aos babilônios. Embora as pedras e a madeira tenham clamado como uma metáfora poética, elas falaram literalmente aos babilônios em Daniel 5:5-6. Na noite anterior à pilhagem de Babilônia pelos medos, persas e seus aliados, o rei Belsazar ofereceu um grande banquete, utilizando as taças de ouro e prata roubadas do Templo de Jerusalém. Apareceram os dedos de uma mão humana, que escreveram na parede as palavras: “Mene, Mene, Tekel, Parsin”. Daniel interpretou essas palavras, como o senhor mesmo pode ler em Daniel 5:25-28.
P: Em Hab 2,14, o conhecimento da glória do Senhor difere do conhecimento do Senhor em Isa 11,9?
R: Sim. Isaías 11:9 refere-se a um tempo futuro no Milênio, quando toda a terra conhecerá o Senhor. A frase em Habacuque talvez se baseie em Isaías 11:9. A diferença entre as duas é que Isaías se concentrou na essência do reino de Deus, enquanto Habacuque fazia perguntas e recebia respostas sobre o estabelecimento do reino de Deus. Como observação adicional, Salmos 72:19, Números 14:21 e Isaías 6:3 referem-se à glória do Senhor enchendo a terra.
O livro “1001 Perguntas Bíblicas Respondidas”, p. 300, destaca que, embora cada vez mais pessoas estejam ouvindo o conhecimento do Senhor, nosso verdadeiro conhecimento da glória do Senhor aguarda o Milênio. Muitos trechos do Novo Testamento nos dizem para orarmos e ansiarmos pela volta de Cristo, e Seu Reino vindouro deve ser tão importante em nossas orações hoje que, na Oração do Senhor, Jesus ensinou todos os seus discípulos a dizer: “Venha o teu reino...”
P: Em Hab 2,19, o que exatamente é idolatria?
R: Existem diferentes tipos de idolatria, mas todos têm em comum a crença, a confiança ou a devoção a algo ou a alguém no lugar de Deus.
Acreditar: Quando o senhor deseja mais orientação sobre a vida, a quem o senhor tende a recorrer? Se o livro de psicologia da moda contradizer o que a Bíblia diz, em qual deles o senhor provavelmente acreditará?
Confiança: Quando se sente preocupado com o seu futuro, você recorre à Bíblia e ora, ou consulta horóscopos e videntes?
Amor e devoção: Quando tem um tempo livre, para onde se voltam seus pensamentos? Eles se voltam para a adoração e a veneração a Deus?
Embora o dinheiro, o romance e outras coisas possam se tornar ídolos modernos implícitos para as pessoas, é muito pior adorar explicitamente outro deus.
P: Em Hab 2,20, uma vez que toda a terra deve ficar em silêncio diante de Deus, por que os cristãos cantam para Ele?
R: Isso se refere a um momento no futuro. Pode ser o mesmo que o breve silêncio mencionado em Apocalipse 8:1. Existem cinco palavras hebraicas diferentes para “silêncio”. A palavra usada aqui também significa “calar”.
P: Em Hab 3, há alguma evidência que sustente a opinião de que este capítulo foi escrito por um autor posterior aos dois primeiros capítulos?
R: Nenhuma, exceto pelo fato de que um comentário sobre Habacuque, encontrado entre os Manuscritos do Mar Morto, contém apenas os capítulos 1 e 2. No entanto, trata-se de uma cópia gravemente danificada, pelo que é compreensível que parte dela esteja faltando. Todas as cópias conhecidas de Habacuque possuem o terceiro capítulo. Alguns podem ter pensado isso porque, nos dois primeiros capítulos, Habacuque está quase se afogando espiritualmente, enquanto no terceiro ele aprende a se alegrar apesar das circunstâncias e do amanhã incerto. Mas parece que o contraste marcante é deliberado. Os dois primeiros capítulos soam quase como um canto fúnebre. Mas, como diz H.A. Ironside em *Os Profetas Menores*, p. 202: “Ai de nós, pois tantos de nossos corações estão tão frequentemente desafinados! Somente por meio do autoexame constante e de uma caminhada cuidadosa no Espírito é que seremos mantidos em condição adequada para contribuir para a doçura da grande orquestra do Cantor-Chefe!”
R: Trata-se de um instrumento musical ou, possivelmente, de um estilo musical. Não dispomos de mais detalhes sobre o instrumento atualmente. Parece ser a forma plural de “Shiggaion”, mencionada no Salmo 7. Pode significar uma canção com um ritmo agitado ou uma melodia errante. Um “shigionoth” também poderia significar que as mesmas palavras da canção fossem cantadas várias vezes, com uma melodia diferente a cada vez. Isso seria semelhante à nossa vida. Assim como os crentes louvam a Deus da mesma forma em diferentes situações da vida.
R: Embora pareçam opostos, não é possível compreender plenamente a misericórdia de Deus sem conhecer a ira de Deus. É preciso entender que Deus é tão santo que o pecado é destruído em Sua presença. Deus se ira contra o pecado, mas Sua ira não obscurece Seu julgamento. Mesmo ao contemplar uma raça humana depravada e pecadora, Seu grande amor por nós continua a ser avassalador. Deus se deleita em conceder misericórdia, pois deseja que ninguém pereça, conforme Ezequiel 18:23,32 e 2 Pedro 3:9.
P: Em Habacuque 3:3, como o Deus onipresente veio de Temã?
R: Embora Deus esteja em toda parte, Ele ainda pode ter uma presença localizada. Afinal, Jesus estava em um único lugar a um determinado momento. Deus também apareceu a Moisés em uma sarça ardente, que se encontrava em um único lugar. A vinda de Deus de Temã provavelmente se refere a uma parte da Segunda Vinda de Cristo.
R: Em Edom, do outro lado do Mar Morto e um pouco ao sul de Judá. Ezequiel 25:13, Amós 1:12 e Obadias 8-9 mencionam Temã como parte de Edom. Jeremias 49:7,20 usa poeticamente Temã como sinônimo de Edom. Teman recebeu esse nome em homenagem a um chefe de Edom e neto de Esaú chamado Teman (Gênesis 36:11, 15, 42 e 1 Crônicas 1:36, 53). Elifaz, em Jó, era um temanita, e 1 Crônicas 1:45 afirma que os temanitas eram descendentes de Esaú. Veja também a próxima pergunta.
P: Em Hab 3:3, isso poderia ser uma profecia sobre Maomé, como afirmam alguns muçulmanos?
R: Somente os muçulmanos ghulat deveriam pensar assim, uma vez que este versículo fala de “Deus”, não de “Maomé”. Algumas seitas muçulmanas ghulat acreditam que Maomé é Deus, embora isso seja considerado heresia aos ouvidos dos muçulmanos sunitas. No entanto, se algum muçulmano sunita realmente levasse essa questão a sério, teria de acreditar que Maomé também é Deus, já que “Deus veio de Teman”.
Outras razões pelas quais isso não pode se referir a Maomé são que “Seu louvor” não se refere a Maomé, já que o louvor é para Deus. O Monte Parã é onde os israelitas acamparam, e fica longe de Meca.
Por fim, alguns muçulmanos aparentemente se preocupam em encontrar mais continuidade entre Maomé e a Bíblia, assim como há continuidade entre Jesus e o Messias prometido do Antigo Testamento. No entanto, alguns muçulmanos procuram por ela nos lugares mais improváveis, como em Habacuque 3:3, já que não conseguem encontrar nenhuma continuidade verdadeira em outros lugares.
P: Em Hab 3,3 e Dt 1,1, o Monte Parã é realmente Meca, como afirmam alguns muçulmanos?
R: Não, pois Parã ficava diretamente a leste da Península do Sinai. Ismael vivia originalmente no deserto de Parã, conforme Gênesis 21:21, mas seus descendentes aparentemente já não estavam mais lá quando os israelitas chegaram. Deuteronômio 1:1-2 diz que os israelitas acamparam na planície próxima a Parã. Para eles, era uma jornada de onze dias a partir do Monte Horebe. Eles passaram muito tempo em Parã, como mostram Números 10:12, 12:16; 13:3 e Deuteronômio 33:2. Números 13:26 mostra que Cades, que fica no extremo sul de Israel, está no deserto de Parã. Davi foi a Parã em 1 Samuel 25:1. Hadade, o edomita, fugiu de Edom para o Egito passando por Parã, conforme 1 Reis 11:18.
Em resumo, Parã ficava a onze dias do Monte Horebe, Cades ficava em Parã, e Parã foi o local onde os israelitas acamparam e enviaram espiões a Canaã.
P: Em Hab 3,3-15, de que período histórico se trata?
R: A maioria interpreta isso como uma referência ao retorno triunfal de Cristo em Apocalipse 19:11-21 ou, possivelmente, em Apocalipse 20:7-9.
P: Em Hab 3:4, o que está saindo da mão de Deus?
R: As traduções modernas dizem: “raios que brilham/brilharam de Suas mãos”. Êxodo 34:29-30, 35 também menciona raios emanando de Moisés depois que ele falou com Deus. Esses raios lembram o céu pouco antes do amanhecer.
P: Em Hab 3,5, como é que a “pestilência” precede o Deus do amor?
R: Deus possui ira, assim como amor. Pestilência significa praga. Pode ser uma doença, como diz Deuteronômio 32:24, ou pode ser “pragas”, como nas pragas do Egito em Êxodo 7-11.
R: A palavra hebraica ’ad pode significar antigo ou velho, assim como eterno.
P: Em Hab 3,8, por que Habacuque se refere a rios?
R: O texto hebraico não é claro, mas o significado pode se referir a correntes oceânicas, e não a rios de água doce. Deus não está irado com a natureza, mas usou a natureza para demonstrar o Seu poder. Deus demonstrou Seu poder contra o rio Nilo em Êxodo 7:20-21; contra o Mar Vermelho em Êxodo 14:15-28; 15:8-10; Salmo 78:13; e contra o rio Jordão em Josué 3:14-17.
P: Em Hab 3,13, quem é o Ungido aqui?
R: Trata-se do Messias. Embora seja gramaticalmente singular, o simples fato de ser gramaticalmente singular não responde à pergunta, pois uma palavra no singular pode se referir a um grupo. No entanto, no Antigo Testamento, o termo “Ungido” nunca foi usado para designar a nação de Israel.
O “Expositor’s Bible Commentary”, vol. 7, p. 530-531, aborda esse assunto com mais detalhes. “…e ao seu ‘ungido’ (masiah, ‘Messias’). A raiz subjacente (msh) é aplicada quase invariavelmente a um indivíduo; apenas em um caso duvidoso ela poderia se referir ao povo como um todo (Salmo 28:8-9). Mais comumente, designa um rei (por exemplo, 1 Sm 2:10; 2 Sm 23:1; Sl 18:50; 89:38,51); mas também pode denotar outros indivíduos designados para a liderança, como o sumo sacerdote (por exemplo, Êx 40:13, 15; Lv 4,3; 6,22) e os patriarcas (1 Cr 16,22; Sl 105,16). No presente contexto de Êxodo, parece referir-se a Moisés, que, assim como o rei Davi, reunia em si as funções messiânicas de pastor (por exemplo, Nm 27,17; Salmos 77:20), profeta (por exemplo, Deuteronômio 18:15; 34:10), servo de Deus (por exemplo, Êxodo 14:31; Números 12:7-8) e sacerdote (Êxodo 6:16-26; Levítico 8).”
P: Em Hab 3,16-19, como Habacuque pôde se alegrar, sabendo que essa grande destruição ocorreria?
R: Da mesma forma que aqueles que estão no céu se regozijam com a destruição de Babilônia em Apocalipse 19:1-8. Habacuque não sentia alegria pela destruição em si, mas podia regozijar-se com esses sinais finais do reino de Deus, bem como com a quebra do poder do mal na terra.
P: Em Hab 3:17-19, que tipo de confiança os crentes podem ter aqui?
R: Não temos confiança de que a catástrofe e a destruição não virão, nem de que não passaremos pessoalmente por momentos difíceis, nem de que não seremos envolvidos nos tempos difíceis de uma nação. Os cristãos não estão isentos de guerra, violência, doença ou, aparentemente, de uma morte prematura sem sentido. Não temos confiança de que seremos sempre prósperos, saudáveis ou de que não sofreremos acidentes ou a perda de familiares ou amigos. Portanto, é claro que não temos a certeza de que não precisaremos de paciência, perseverança ou da capacidade de permanecer firmes diante das provações, como Jó.
Mas, apesar de tudo isso, ainda temos dois tipos de confiança. Em última análise, temos a confiança de que, no fim, habitaremos para sempre na alegria do céu. Neste momento, apesar de precisarmos suportar o sofrimento, temos a certeza de que Deus estará ao nosso lado, consolando-nos e compreendendo nossa dor, assim como o próprio Jesus suportou a dor por nossos pecados na cruz. Assim, podemos ter confiança no amanhã; não porque sabemos o que ele trará, mas porque sabemos que Deus estará presente em nosso amanhã, para sempre.
Consulte o New International Bible Commentary, pp. 949-950, para obter mais informações. Lá é mencionado o hino “Sometimes a Light Surprises”, de William Cowper. Cowper lutou contra a depressão, passou por algumas tentativas de suicídio e ficou algum tempo em um manicômio. Aqui estão as duas primeiras estrofes do que ele escreveu depois de superar essas situações.
1. Às vezes, uma luz surpreende
O cristão enquanto ele canta;
É o Senhor que se levanta
Com cura em Suas asas:
Quando os consolos estão se esvaindo,
Ele concede à alma, mais uma vez,
Um período de brilho claro,
Para animá-la após a chuva
2. Em santa contemplação
Nós, então, perseguimos com doçura
O tema da salvação de Deus,
E o descobrimos sempre renovado;
Libertos da tristeza presente,
Podemos dizer com alegria:
Que o amanhã desconhecido
Traga consigo o que vier.”
http://hymnbook.igracemusic.com/hymns/sometimes-a-light-surprises
P: Em Hab 3:19, gostaria de saber, do ponto de vista científico, de qual animal específico o autor está falando. Sei que poderia ser um gamo, uma corça ou um veado-vermelho, mas parece quase mais provável que o autor se referisse a um íbex ou a uma cabra-montesa palestina. Há alguma pista sobre o que poderia ser realmente?
R: Não podemos identificar uma espécie específica. A Septuaginta grega diz “meus pés” e não menciona nenhum animal. Poderia ser um veado, uma gazela ou qualquer animal veloz.
Como essa palavra não é usada em nenhum outro lugar em um contexto em que possamos distinguir que se trata de um e não de outro, há incerteza quanto ao que ela se refere. Um íbex, que vive em estado selvagem na Península Arábica, é definitivamente uma possibilidade. Outra possibilidade é que não se trate de uma espécie específica, mas de um animal semelhante a um veado em geral.
Certamente não se pretende que aprendamos com essa analogia algo específico sobre os pés do veado, em comparação com os pés da gazela ou do íbex, mas sim que esses animais podem correr sem medo e com passos firmes em lugares altos e majestosos, onde outros não conseguem chegar.
P: Onde Habacuque é citado no Novo Testamento?
R: Habacuque 1:5 é citado em Atos 13:40-41. Habacuque 2:4 é citado em Romanos 1:17; Gálatas 3:11; Hebreus 10:37-38. Há semelhanças, embora não haja uma citação de Habacuque 3:17-18 em Filipenses 4.
P: Em Habacuque, quais são alguns dos manuscritos mais antigos que ainda existem hoje?
R: Os Manuscritos do Mar Morto (c. 1 d.C.) 4Q238 e, possivelmente, 4Q82 (=4QXIIg)
4Q82 (=4QXIIg) Hab 2:4?; Hab 3:3-5
4Q238 contém Habacuque 3.
O comentário dos Manuscritos do Mar Morto sobre Habacuque, datado do século I a.C., é denominado 1QpHab. Foi encontrado na caverna de ‘Ain Fashka. Trata-se de um comentário bastante danificado, contendo todo o texto de Habacuque 1:2 até o final do capítulo 2. O capítulo 3 está, aparentemente, perdido. O autor tentou relacionar todas as profecias de Habacuque com sua época. O texto apresenta 160 variantes em relação ao texto massorético, a maioria das quais são pequenas diferenças gramaticais, ortográficas ou expressões aramaicas.
O Pergaminho Grego de Nahal Hever dos Profetas Menores (8 Hev XIIgr) contém Habacuque 1:5-11; 1:14-2:8; 2:13-20; 3:9-15. Ele foi escondido durante a revolta de Bar Kokhba contra Roma. Foi escrito entre 50 a.C. e 50 d.C. Trata-se de uma revisão da Septuaginta, realizada na Judéia, e é quase idêntico ao texto massorético.
O pergaminho de Wadi Murabb’at dos Profetas Menores (Mur 88) data de cerca de 132 d.C. Ele contém Habacuque 1:3-13,15; 2:2-3,5-11,18-3:19. Wadi Murabb’at também contém alguns escritos do próprio Bar Kokhba, de 132 d.C.
De modo geral, os seguintes versículos de Habacuque estão preservados nos Manuscritos do Mar Morto, em Nahal Hever e no Wadi Murabb’at: 1:3-17; 2:1-11,13-20; 3:1-19. Em outras palavras, pelo menos parte de cada versículo, exceto 1:1-2 e 2:12.
Os manuscritos da Bíblia cristã, datados de cerca de 350 d.C., contêm o Antigo Testamento, incluindo Habacuque. Dois deles são o Vaticanus (325-350 d.C.) e o Alexandrinus (c. 450 d.C.), nos quais os livros dos doze profetas menores foram colocados antes de Isaías. Habacuque está completo tanto no Vaticanus quanto no Alexandrinus.
O Sinaítico (340-350 d.C.) também contém o livro de Habacuque na íntegra. Ele começa na mesma página em que Naum termina. Termina na mesma página em que Sofonias começa.
A versão grega do Berberini de Habacuque 3 está presente em seis manuscritos dos séculos VIII ao XIII. Trata-se de uma paráfrase muito semelhante às versões coptas.
P: Quais escritores antigos se referiram a Habacuque?
R: Os escritores pré-nicenos que citaram ou fizeram alusão a versículos de Habacuque são:
Clemente de Roma (96-98 d.C.)
Melito/Meleto de Sardes (170-177/180 d.C.)
Melito de Sardes (170-177/180 d.C.) (implícito) menciona o “Antigo Testamento” e enumera os livros. Ele não lista os doze profetas menores individualmente, mas se refere a eles como “Os Doze”. Fragmento 4 do Livro dos Extratos, vol. 8, p. 759
Teófilo de Antioquia (168-181/188 d.C.)
Irineu de Lyon (182-188 d.C.), em *Contra as Heresias*, p. 442, cita Habacuque 3:2 como sendo de autoria de Habacuque.
Clemente de Alexandria (193-205 d.C.) “Jeremias e Ambacum [Habacuque] ainda profetizavam na época de Zedequias. No quinto ano de seu reinado, Ezequiel profetizou na Babilônia; depois dele, Naum, e em seguida Daniel. Depois dele, mais uma vez, Ageu e Zacarias profetizaram na época de Dario I por dois anos; e, em seguida, o anjo entre os doze.” *Stromata*, livro 1, cap. 21, p. 328
Tertuliano (198-220 d.C.)
Orígenes (225-254 d.C.)
Novaciano (250/254-256/7 d.C.)
Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.) cita Habacuque 2:4 como proveniente de “Habacuque” no Tratado 12, terceiro livro, 42.
Após Nicéia (325 d.C.):
Atanásio de Alexandria (367 d.C.) (Implícito, pois menciona os doze profetas) “Há, portanto, no Antigo Testamento, vinte e dois livros no total; … depois, os Profetas, sendo os doze considerados como um único livro….” Carta de Páscoa de Atanásio 39, cap. 4, p. 552.
Efraim, o Sírio (350-378 d.C.)
Basílio da Capadócia (357-378 d.C.) fez alusão a Habacuque
Cirilo de Jerusalém (c. 349-385 d.C.)
Gregório de Nissa (c. 356-397 d.C.)
João Crisóstomo (-407 d.C.)
Jerônimo (373-420 d.C.) discute os livros do Antigo Testamento. Ele aborda especificamente Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, o Pentateuco, Jó, Jesus, filho de Nave [Josué], Juízes, Rute, Samuel, Reis (2 livros), os doze profetas, Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel, Ester, Esdras, Neemias, Carta 53, cap. 7-8, p. 99-101.
Agostinho de Hipona (388-430 d.C.) menciona Obadias, Naum e Habacuque em *A Cidade de Deus*, livro 17, cap. 31, p. 377
O herege pelagiano Teodoro de Mopsuéstia (392-423/429 d.C.)
O semipelagiano João Cassiano (419-430 d.C.)
Teodoreto de Ciro (423-458 d.C.)
P: No livro de Habacuque, quais são algumas das diferenças de tradução entre o hebraico e a Septuaginta grega?
R: O livro de Habacuque possui 56 versículos e cerca de 638 palavras em hebraico. A tradução grega da Septuaginta do livro de Habacuque contém cerca de 1.082 palavras em grego. A tradução da Septuaginta de Habacuque não é de tão alta qualidade quanto a da Septuaginta da Torá. Aqui estão algumas das diferenças de tradução. A primeira frase está em hebraico e a segunda, em grego.
Hab 1:3 “Mostre-me o mal, e o senhor contempla o trabalho árduo” vs. “Mostre-me as aflições e as dores para que eu as contemple”
Hab 1:4 “A justiça não se manifesta continuamente.” vs. “O julgamento não procede de forma eficaz”
Hab 1:5 “Olhem/Contemplem entre as nações e vejam/olhem” (Masorético) vs. “Olhem/Contemplem, vós, traidores/desprezadores, e vejam/olhem” (1QpHab, Septuaginta, Siríaco, Atos 13:41) (diferença de uma letra, “o” em vez de “d”)
Hab 1:8 “tarde” (Masorético) vs. “Arábia” (Septuaginta, Comentário de Teodoro de Mopsuéstia sobre Habacuque, cap. 1, p. 270
Hab 1:8 “todos eles vêm decididos a praticar violência” (Masorético) vs. “todos eles decididos a praticar violência” (Septuaginta, 1QpHab)
Hb 1:17 “rede de arrasto” (Masorética) vs. “espada” (1QpHab, recensão palestina da Septuaginta). Diferença de uma letra. O livro *Os Manuscritos do Mar Morto e as Traduções Modernas do Antigo Testamento*, p. 136, afirma que “desembainhar sua espada” se encaixa melhor do que “esvaziar sua rede”, e muitos estudiosos concordam que “espada” era a palavra original.
Hab 1:17 “?” (Masorética, Talmude, recensão palestina da Septuaginta) vs. [sem ponto de interrogação] (1QpHab, Septuaginta, siríaco)
Hab 1:17 “e promover” (Masorética, Septuaginta, Vulgata) vs. “promover” (1QpHab, Talmude, siríaco) (“e” torna o fluxo da frase mais suave neste contexto)
Hab 2:1 “no posto” (Masorético) vs. “no meu posto” (1QpHab) — diferença de uma letra.
Hab 2:1 “Ele [o SENHOR] dirá” (textos massoréticos) vs. “ele responderá” (siríaco)
Hab 2:5 “o vinho é traiçoeiro” (hayyayin no texto massorético, Targum, Vulgata) vs. “riqueza (hwn) ou desafiador/presunçoso (hawwan)” (1QpHab)
Hab 2:11 “reboco” (textos massoréticos) vs. “besouro” (Septuaginta, Comentário de Teodoro de Mopsuéstia sobre Habacuque, cap. 2, p. 277-278) vs. “pino” (siríaco)
Hab 2:15 “sua nudez” (Masorético) vs. “suas festas designadas” (1QpHab)
Hab 2:15-17 sufixo masculino singular de segunda pessoa (Masorético) vs. forma pronominal masculina singular de terceira pessoa (1QpHab, Símaco, Vulgata, corroborada por Áquila, Teodoto e Quinta) vs. sem sufixo (Septuaginta, siríaco, Targum). Consulte o *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 3, p. 519, para mais informações.
Hab 2:16 “ser exposto/circuncidado” (Masorético) vs. “ cambalear/balançar” (Manuscritos do Mar Morto, Septuaginta, Pesher Áquila (126 d.C.)) vs. “adormecer profundamente” (siríaco, Vulgata). Em hebraico, a diferença é [he’arel] versus [hera’el], uma transposição de duas consoantes. No entanto, um comentário Pesher do Mar Morto menciona a embriaguez.
Hab 3,1 “a respeito dos que se desviam”, no Shigionoth [provavelmente um termo musical], em comparação com “e um cântico” na Septuaginta.
“Seus pés avançarão nas planícies” (latim antigo/itálico, Irineu, Contra as Heresias, livro 3, cap. 20, p. 450) versus ausente (textos massoréticos e da Septuaginta)
Bibliografia para esta questão: a tradução hebraica é da obra *Literal Translation*, de Jay P. Green, e a versão da Septuaginta é da tradução de Sir Lancelot C.L. Brenton de *The Septuagint: Greek and English*. Também foram utilizados o *Expositor's Bible Commentary* e as notas de rodapé das Bíblias NASB, NIV, NKJV e NRSV, bem como o *Ante-Nicene Fathers*, vol. 1.