R: Assim como muitos outros livros proféticos menores, Miquéias dirige-se principalmente aos rebeldes, com a esperança de que eles mudem e se tornem penitentes. O livro aborda duas questões: onde estamos agora e para onde podemos seguir a partir daqui?
P: Em Miquéias, quais são as semelhanças com o livro de Isaías?
R: Miquéias e Isaías viveram na mesma época e é bem possível que se conhecessem e se ouvissem mutuamente. Embora não haja citações exatas, há várias semelhanças em frases e pensamentos.
| Miquéias | Isaías |
|---|---|
| Miquéias 1:8 despido e nu | Isaías 20:2-4; 47:3 nu |
| Miquéias 3:4 Deus não ouve o clamor deles | Isaías 1:15, Deus não ouvirá as muitas orações das pessoas cujas mãos estão manchadas de sangue |
| Miquéias 4:1, os últimos dias | Isaías 2:2-4, 24-27 |
| Miquéias 4:1-2 muitos virão ao Monte Sião | Isaías 51:11 Os redimidos retornarão cantando a Sião |
| Miquéias 4:3: transformarão suas espadas em arados e suas lanças em podadeiras; não aprenderão mais a guerra | Isaías 2:4 espadas serão transformadas em arados e lanças em podadeiras; não se treinarão mais para a guerra |
| Miquéias 4:5 andarão no nome de Deus para sempre | Isaías 59:21; 26:4; 40:8; 60:21; 65:18 Confiem, vivam e regozijem-se para sempre |
| Miquéias 5:2 Origem desde a eternidade. | Isaías 9:6 O Messias chamado de “Pai Eterno” ou “Pai da Eternidade” |
| Miquéias 5:1: ferir o juiz de Israel com uma vara na face | Isaías 53:3,4-7: o servo sofredor foi ferido |
| Miquéias 4:12 Eles não conhecem os pensamentos do Senhor, nem compreendem o Seu conselho | Isaías 40:13, não compreendem a mente do Senhor. Isaías 55:8-12, os pensamentos de Deus não são os nossos |
| Miquéias 4:10: a filha de Sião em trabalho de parto | Isaías 54:1-3: a mulher estéril dará à luz um filho |
| Miquéias 5:5 pastores levantados contra a Assíria | Isaías 10:24; 36-37: julgamento [presente] contra os assírios |
| Miquéias 4:10: futuro exílio para a Babilônia | Isaías 39: exílio futuro para a Babilônia |
| Miquéias 5:13: Deus eliminará as imagens esculpidas | Isaías 2:18-20 O povo se livrará de seus ídolos |
| Miquéias 6:1-2: dirigindo-se às montanhas | Isaías 41,49: dirigindo-se às ilhas |
| Miquéias 7:1 Miquéias diz: “Ai de mim!”, por causa dos pecados do povo | Isaías 6:5 Isaías diz: “Ai de mim!”, por causa dos seus pecados e dos pecados do povo |
| Miquéias 7:20 nossos pais, incluindo Abraão | Isaías 51:2, Abraão, seu pai |
Miquéias tem 105 versículos, o que significa um paralelo a cada 7 versículos. Em comparação, o Livro do Apocalipse apresenta um paralelo com o restante da Bíblia a cada 5 versículos.
Em contrapartida, eis uma lista mais curta de paralelos com Jeremias.
| Miquéias | Jeremias |
|---|---|
| Miquéias 1:1 Morasete ficava a 25 milhas a sudoeste de Jerusalém | Jeremias 1:1 Anatot ficava a 3 milhas a nordeste de Jerusalém |
| Miquéias 3:4 Deus não ouve o clamor deles | Jeremias |
| Miquéias 3:11 Profetas que trabalham por dinheiro | Jeremias 6:13; 8:10 Todos são ávidos por ganância. Tanto o profeta quanto o sacerdote, todos praticam o engano |
| Miquéias 3:7 O povo ficará envergonhado | Jeremias 3:25 Nós nos deitaremos em nossa vergonha |
| Miquéias 4:10 Futuro exílio para a Babilônia | Jeremias 20:4, etc. |
| Miquéias 7:1 Miquéias diz: “Ai de mim!”, por causa dos pecados do povo | Jeremias 4:19; 9:1-2 Jeremias é chamado de profeta que chora |
| Miquéias 7:5 mulher deitada ao seu lado | Jeremias 9:4: não confie em sua família mais próxima |
| Miquéias 6:1-2: dirigindo-se às montanhas | Jeremias 9:10 chorando e lamentando pelas montanhas e pelos pastos |
| Jeremias 26:18 menciona Miquéias como Micaías. |
R: Como Miquéias menciona a cidade de Samaria, e essa cidade existia por volta de 900 a.C., Miquéias deve ter sido escrito após essa data. Como Samaria foi destruída em 722 a.C., pelo menos parte de Miquéias foi escrita antes dessa data. Miquéias viveu aproximadamente na mesma época que Isaías. Miquéias 3:12 foi citado um século depois, na época de Jeremias, em Jeremias 26:18. Miquéias afirma que o livro foi escrito durante o reinado de três reis, o que o situaria entre 750/740 e 687/686 a.C.
P: Em Miqueias 1:1, esse Miqueias poderia ser o mesmo que Micaías, que profetizou a Acabe em 1 Reis 22:8?
R: Não. Embora Miquéias seja uma forma abreviada de Micaías, Micaías profetizou por volta de 854 a.C., enquanto o Miquéias aqui mencionado viveu mais de cem anos depois.
R: A cidade natal de Miquéias ficava a cerca de 40 quilômetros, ou 25 milhas, a sudoeste de Jerusalém. Não sabemos exatamente onde ficava essa pequena vila, mas a direção indicaria que ela ficava próxima à cidade filistina de Gate.
P: Por que Miquéias 1:1 menciona a cidade de Samaria, uma vez que os samaritanos só surgiram um século depois, após o exílio?
R: Embora os samaritanos só tenham surgido após o exílio, a cidade de Samaria já existia antes deles. A cidade de Samaria foi a capital do reino do norte de Israel desde a época de Jeroboão, antes de 900 a.C.
P: Em Miquéias 1:2, de que forma Deus é testemunha contra certas pessoas?
R: Deus vê tudo e sabe tudo. Como juiz da humanidade, Deus é testemunha do mal que as pessoas dizem e fazem. No entanto, este versículo enfatiza que Deus é testemunha contra elas. As pessoas que praticam o mal prefeririam que Deus não soubesse o que fazem. Embora a Septuaginta possa ser traduzida como “testemunha entre” ou “testemunha contra”, o contexto indica que Deus é testemunha contra o pecado.
Uma questão é: contra quem Deus é testemunha? Os versículos a seguir falam apenas da Judéia e da Samaria. Se Deus não está acusando todas as nações, então Deus está acusando Judá e Samaria, e todas as nações devem ouvir e prestar atenção.
P: Em Miquéias 1:4, quando as montanhas derreterão e se partirão?
R: Isso e Miquéias 4 acontecerão nos últimos dias. Zacarias 14 descreve com mais detalhes como o Monte das Oliveiras será dividido em dois.
P: Em Miquéias 1:5, por que Miquéias chama o pecado deles de “transgressão de Jacó”?
R: Como vemos em Miquéias 1:10-15, Miquéias é muito específico em seus termos e expressões. Miquéias usa o nome “Jacó” para lembrá-los de sua ascendência e de quem eles são. Muitas vezes, ao repreender alguém por seu pecado, é bom lembrá-lo de quem ele é e de onde veio. A repreensão pode ser alta e severa; mas também pode ser silenciosa e ponderada.
P: Em Miquéias 1:6, de que maneira Samaria se tornaria como um monte de entulho no campo e como as plantações de uma vinha?
R: Essas metáforas são lembranças visíveis dos resíduos e materiais inúteis que foram previamente removidos. Como cristãos, 2 Timóteo 2:20-21 e 2 Pedro 1:8 nos lembram que precisamos tomar cuidado para que nossa desobediência não nos torne inúteis.
P: Em Miquéias 1:7, Deus alguma vez aceita as ofertas que Lhe são feitas com dinheiro obtido por meios ilícitos?
R: Deus é livre para fazer o que desejar com o dinheiro obtido por meios ilícitos. No entanto, nunca devemos oferecer a Deus nossos ganhos ilícitos; por outro lado, não devemos, em primeiro lugar, ter quaisquer ganhos ilícitos. Deus deseja que O honremos com o fruto de nosso trabalho honesto e íntegro. Até mesmo Davi, em 2 Samuel 24:24, não ofereceu ao Senhor um sacrifício que não lhe custasse nada. Davi insistiu em pagar a Araúna pelo que iria sacrificar. Em Marcos 12:41-44, Jesus elogiou a generosidade da viúva que fez uma oferta sacrificial. O dinheiro obtido por meios imorais ou ilegais, ou pela exploração de outras pessoas, é inútil como algo que agrada a Deus.
P: Em Miquéias 1:8-9, qual é o significado da presença conjunta do chacal e da coruja? Como isso se relaciona com Miquéias?
R: Ambos são animais que se movimentam (e emitem sons) à noite. Eles podem emitir sons assustadores, mas não se vêem. Talvez, de maneira semelhante, Miquéias venha a lamentar por eles, independentemente de eles o verem ou não. Da mesma forma, Deus está os advertindo sobre o pecado deles, e eles precisam ouvir, mesmo que não O vejam, nem os efeitos de seu pecado — ainda.
P: Em Miquéias 1:9; 2:10 e Jeremias 30:12, 15, em que casos as feridas espirituais das pessoas são incuráveis por Deus?
R: Para algumas pessoas, certos pecados parecem mais fáceis de se arrepender do que outros. Embora Deus seja Todo-Poderoso, há certas coisas que Ele opta por não fazer. Quando alguém não deseja que Deus o cure de sua maldade e rejeita a Deus, Deus não tem nenhuma obrigação de impor a essa pessoa o que ela não deseja. Quando esse é o caso, a ferida é incurável, como em Oséias 5:13.
P: Em Miquéias 1:10-14, por que esse profeta está usando jogos de palavras nessa situação tão séria?
R: Esses jogos de palavras não são humor, mas um recurso literário da antiga poesia hebraica. Era bom que as profecias fossem transmitidas de uma forma fácil de lembrar, pois assim as pessoas se lembrariam das palavras quando a profecia se cumprisse. Miquéias não era o único, pois na primeira vez em que Deus concedeu uma visão a Jeremias, Ele o fez na forma de um trocadilho.
Embora isso, assim como as parábolas e os ditos repetidos, possa servir como um recurso mnemônico, dizer que se trata apenas de um recurso mnemônico é um eufemismo. Sempre que as pessoas ouvissem o nome dessas cidades familiares, elas se lembrariam desse poema e do julgamento que estava por vir. Além disso, não se trata apenas de que o julgamento recairia sobre o campo em geral, mas que essas cidades específicas (assim como as outras) seriam afetadas.
P: Em Miquéias 1:10-15a, não se trata exatamente de jogos de palavras, mas os significados são próximos e mais sutis. Os comentaristas afirmam que é difícil reproduzir esse efeito em inglês, mas eu tentei. Por favor, preencha os espaços em branco com nomes de lugares nos Estados Unidos.
R: Não fale disso em Spokane.
Não se revole, não se revole, de jeito nenhum.
Em Destin, revole-se na poeira.
Vão em vergonha hedionda, vocês que vivem em Butte.
As cidades gêmeas estão em profundo luto. Sentirão falta de seus hippies.
Haverá dor no Maine.*
Vocês que vivem em Motown, seus pecados serão exterminados.
Vocês que giram a chave de ignição pelo pecado do povo de Deus
Vocês só perderão na Cidade dos Ventos e nunca vencerão em Las Vegas.
Haverá engano em De Soto.
Será uma cidade perdida, onde os patriotas são reverenciados.
Vocês não têm a menor chance, nem mesmo em Casper.
Queimem bandeiras em sinal de luto pelo país que tanto apreciam.
Tirem os chapéus enquanto a honra dos Estados Unidos vai para o exílio.
Se isso fosse uma profecia e o senhor morasse nos Estados Unidos, talvez tivesse sentimentos contraditórios. Por um lado, poderia pensar: “Tudo bem, eles merecem isso”. Por outro lado, essas são cidades onde vivem seus amigos e familiares. O senhor não quer que falem deles dessa maneira e, certamente, não quer que essas coisas lhes aconteçam.
P: Em Miquéias 1:10-15a, qual era o objetivo desse poema?
R: Embora isso, assim como as parábolas e os ditos repetidos, possa servir como um recurso mnemônico, dizer que se trata apenas de um recurso mnemônico é um eufemismo. Sempre que as pessoas ouvissem o nome dessas cidades familiares, elas se lembrariam desse poema e do julgamento que estava por vir. Além disso, não se tratava apenas de que o julgamento recairia sobre o interior em geral, mas que essas cidades específicas (assim como as outras) seriam afetadas.
P: Em Miquéias 1:10a e 1:15b, como esses versículos funcionam como “marcadores de início e fim”, e qual é o seu significado?
R: Miquéias 1:10a não é um texto original de Miquéias. Ele está citando 2 Samuel 1:20, quando Saul e Jônatas foram mortos pelos filisteus. Em Miquéias 1:15b, a caverna de Adulão, onde Davi se escondeu de Saul em 1 Samuel 22:1. Essas passagens estão em ordem cronológica inversa.
P: Em Miquéias 1:13, de que forma algum pecado se assemelha a “atrelando uma parelha de cavalos a uma carruagem”?
R: Certos pecados, uma vez cometidos, estão basicamente consumados. Outros pecados são mais viciantes e crescem, como um câncer. Mas há ainda outros pecados que podem ser chamados de “pecados de porta de entrada”. Assim como a maconha pode ser uma droga de porta de entrada para drogas mais pesadas, certos pecados derrubam barreiras ou levam a pessoa a cometer mais pecados. Por exemplo, roubar e obter dinheiro com isso pode levar a pessoa a se embriagar, pagar uma prostituta, usar drogas ou outras coisas. Alguns pecados são exatamente como “atrelar uma parelha de cavalos à carruagem”.
Laquís era uma grande cidade na vasta planície de Megido, conhecida por seu estábulo de cavalos. Deuteronômio 17:16-17 diz que o rei não deve acumular um grande número de cavalos ou esposas. No entanto, a partir de Salomão, os reis de Israel e de Judá possuíam grandes manadas. Contudo, os cavalos são mais importantes na guerra ofensiva e menos importantes na defesa de uma cidade. Senaqueribe estava tão orgulhoso de tê-la capturado que mandou fazer um relevo representando o feito em seu palácio em Nínive. No entanto, nunca houve uma representação de Jerusalém.
P: Em Miquéias 1:10a e 1:15b, como esses versículos se relacionam, e qual é o seu significado?
R: Miquéias 1:10a não é um texto original de Miquéias. Ele está citando 2 Samuel 1:20, quando Saul e Jônatas foram mortos pelos filisteus. Em Miquéias 1:15b, a caverna de Adulão, onde Davi se escondeu de Saul em 1 Samuel 22:1. Essas passagens estão em ordem cronológica inversa.
P: Em Miquéias 1:16, por que eles raspariam a cabeça em sinal de luto?
R: Eles não estavam de luto pela perda de suas casas ou riquezas, mas por seus próprios filhos, que estavam mortos ou haviam sido levados para a escravidão e nunca mais foram vistos.
P: Em Miquéias 1:16, uma vez que haverá calvície como a da águia, havia águias-carecas na Palestina?
R: Não havia aves da espécie que chamamos de “águia-careca” na Palestina, pois essas aves são encontradas na América. Miquéias 1:6 diz “careca como a águia/abutre”.
Os abutres-pretos, também chamados de águias-pescadoras, eram calvos na cabeça e no pescoço, assim como muitas outras aves que se alimentam de carniça.
As águias-gier, também chamadas de abutres-egípcios, têm a cabeça calva também, com penas amarelas no pescoço.
Os abutres-fouveiros, também chamados simplesmente de águias, têm o pescoço calvo ou coberto por uma penugem branca muito rala.
Duas águias verdadeiras na Palestina, a águia imperial e a águia-real, não têm a cabeça nem o pescoço calvos.
A calvície impede que as penas se aglutinem devido à coagulação do sangue quando a ave mergulha de cabeça nas entranhas do animal morto.
P: Em Miquéias 2:1, qual é o significado de “tramar o mal em suas camas”?
R: As pessoas não apenas praticavam o mal quando eram tentadas por uma situação, nem apenas cometiam o mal de forma premeditada, mas ficavam acordadas em seus leitos à noite planejando como praticar o mal. Talvez essa seja uma das razões pelas quais o Salmo 4:4 instrui as pessoas: “Quando estiverem em seus leitos, examinem seus corações e fiquem em silêncio.” (NVI)
P: Em Miquéias 2:1-2, de que forma as pessoas podem tramar o mal financeiro hoje em dia?
R: Miquéias 2:2,9 fala especificamente sobre usurpar campos e defraudar homens e mulheres de suas casas, além de entregar campos a traidores. Hoje, isso também pode incluir apropriar-se dos investimentos, poupanças e aposentadorias das pessoas, seja por meios ilegais, seja por meios legais, mas sem escrúpulos.
Eis um exemplo simplificado. Imagine uma empresa de investimentos sem escrúpulos que possui oito fundos, e cada um deles aplica todo o dinheiro em investimentos tão arriscados quanto Las Vegas. As chances de obter um retorno de 48% eram de 50%, e as chances de perder tudo eram de 50%. Em média, metade dos fundos perdeu tudo e desapareceu discretamente. Metade dos fundos obteve 40% de retorno (eles ficariam com os outros 8% para cobrir suas taxas de administração e bônus). Agora repita isso por dois anos. Em média, um fundo teria um retorno anual de 40% por três anos consecutivos, o que parece um histórico extremamente impressionante. Você nunca ouve falar dos outros fundos, com estratégia quase idêntica, que desaparecem.
Um exemplo mais realista é um serviço de boletim de investimentos que acompanhei por alguns meses. Quando eles diziam que uma ação subiria, ela geralmente subia — cerca de um terço das vezes. Cerca de um terço das vezes, ela caía. E cerca de um terço das vezes, não havia variação. Portanto, na realidade, seguir os conselhos deles era como jogar dados. No entanto, eles podiam divulgar os casos em que acertaram suas previsões e manter silêncio sobre os outros dois terços.
P: Em Miquéias 2:2b, como uma pessoa pode defraudar alguém de sua herança?
R: Nos tempos do Antigo Testamento, as terras eram transmitidas por meio do clã. Mesmo que a terra fosse vendida, deveria reverter para o proprietário original após um período de até sete anos. No entanto, naquela época, Israel e Judá agiam como as nações vizinhas e não cumpriam essa regra. Eles desobedeciam à lei e mantinham para sempre terras que não deveriam possuir. Hoje em dia, as pessoas podem se apropriar de bens de forma inescrupulosa por meio do sistema judicial, se entrarem com ações judiciais onerosas ou recorrerem a testemunhas falsas.
P: Em Miquéias 2:3, o que há de errado em “andar com orgulho” ou “andar de cabeça erguida”?
R: Ser orgulhoso pode indicar que o senhor está confiando mais em si mesmo do que em Deus. Isso pode fazer com que o senhor se sinta superior aos outros. Alguém disse certa vez que, em inglês, a letra do meio tanto na palavra “sin” (pecado) quanto na palavra “pride” (orgulho) é o “I”. Quando alguém valoriza a si mesmo, ou sua própria importância, mais do que seu amor por Deus e pelos outros, está desobedecendo aos dois maiores mandamentos que Jesus deu.
P: Em Miquéias 2:3, o que dizer das pessoas que afirmam que o Senhor não se irrita nem tem ira?
R: Elas estão deixando de lado um aspecto fundamental do caráter de Deus. Será que nunca leram o Apocalipse? Será que nunca leram os livros do Antigo Testamento, exceto o Cântico de Salomão, Rute e Ester? Todos os livros do Antigo Testamento, exceto esses três, mencionam a ira e o furor de Deus. Aliás, todos os livros do Novo Testamento mencionam a ira e o furor de Deus, exceto os seguintes: Filipenses, 1 e 2 Timóteo, Tito, Filemom, 1 Pedro, 1, 2 e 3 João. Aqui está uma lista parcial de referências.
Deus é um Deus ciumento. Êxodo 20:5; 34:14; Deuteronômio 4:24; 5:9; 6:15; Josué 24:19; Naum 1:2; Zacarias 8:1; 1 Coríntios 10:22
Deus castiga. Gênesis 3:14-19; 4:13; 15:14; Êxodo 32:34; Levítico 18:25; 26:18,28; Deuteronômio 22:18; 1 Samuel 15:2; 2 Samuel 7:14; Jó 21:19; 37:13; Salmo 59:5; 89:32; 94:10; Isaías 10:12; 13:11; 24:21; 26:21; 27:1; Jeremias 5:9; 29; 6:15; 9:9,25; 11:22; 14:10; 21:14; 23:34; 27:8; Ezequiel 5:8-10; Zacarias 10:3; (implícito) Sofonias 3:15; Mateus 25:36; Atos 7:7; 2 Coríntios 10:6; 1 Tessalonicenses 4:6; 2 Tessalonicenses 1:8-9; Hebreus 2:2; 4:18; 10:29; 12:6; Judas 7; Apocalipse 17:1; punir a Babilônia Jeremias 25:12
Deus não se deixa escarnecer. Gálatas 6:7
Deus vinga. Deuteronômio 32:35,43; 1 Samuel 24:12; 2 Reis 9:7; Isaías 1:24; Isaías 65:6; 66:6; Jeremias 5:9,29; 9:9; 15:15; 51:6b,36; Romanos 12:19; 2 Tessalonicenses 1:6; Hebreus 10:30; Apocalipse 6:10; Implícito em Salmos 79:12; 94:2; Lamentações 3:64
Deus tem ira. Êxodo 15:7; 22:24; 32:10-12; Levítico 10:6; Números 11:33; 16:46; Deuteronômio 9:7-8,22; 11:17; 29:23,28; 1 Samuel 28:18; 2 Reis 22:13,17; 23:26; 1 Crônicas 27:24; 2 Crônicas 12:7,12 (ira evitada), 19:2,10; 24:18; 28:11,13; 29:8,10; 30:8; 32:25-26; 34:21,25; 36:16; Esdras 5:12; 8:22; 10:14; Neemias 13:18; Jó 14:13; 21:20,30; 32:2; Salmos 2:5,12; 21:9; 59:13; 78:31,38,49; 79:6; 89:46; 90:7,11; 95:11; 102:10; 106:23,40; 110:5; 124:3; Provérbios 11:4; Isaías 9:19; 10:6; 13:13; 14:6; 60:10; Jeremias 7:29; 10:10; 18:20 (afastar a ira); 21:5; 32:37; 50:13; Lamentações 3:1; Ezequiel 7:12, 14, 19; 21:31; 38:19; Oséias 5:10; 13:11; Amós 1:11; Naum 1:2; Habacuque 3:2, 8; Sofonias 1:15, 18; Zacarias 7:12; 8:14; Mateus 3:7; Lucas 3:7; 21:23; João 3:36; Romanos 1:18; 2:5; 9:22; Efésios 2:3 (filhos da ira); 5:6; Colossenses 3:6; 1 Tessalonicenses 1:10; Hebreus 3:11; 4:3; Apocalipse 6:16-17; 11:18; 12:12; 14:8, 10, 19; 15:1, 7; 1:1, 19; 18:3; 19:15
Deus se ira. Êxodo 4:14; 11:10; 12:9; 22:22; 25:3-4; 32:10; Deuteronômio 4:25; 6:15; 7:4; 9:18-19; 13:17; 29:20,23-24,27-28; 31:17,29; 32:16,21-22; Josué 7:1,26; 23:16; Juízes 2:12,14,20; 3:8; 10:7; 2 Samuel 6:7; 24:1; 1 Reis 11:9; 14:9,15; 15:30; 16:2,7,13,26,33; 21:22; 22:53; 2 Reis 13:3; 17:11,17-18; 21:6,15; 22:17,19,26; 24:20; 1 Crônicas 13:10; 2 Crônicas 25:15; 33:6; 34:25; Esdras 9:14; Neemias 4:5; 9:5,13; Salmo 2:12; 6:1; 7:6,11; 21:9; 27:9; 38:3; 56:7; 69:24; 74:1; 76:7; 78:21,49,50; 79:5; 80:4; 85:3-5; 90:7,11; Eclesiastes 5:6; Isaías 1:4; 5:25; 9:12,17,21; 10:4-5,25; 12:1; 13:3,9,13; 42:25; 48:9 (Deus adia Sua ira); 63:3,6; 65:3; 66:15; Jeremias 3:12; 4:8,26; 12:3; 15:14; 17:4; 18:23; 21:5; 23:20; 25:37-38; 30:23; 32:37; 33:5; 36:7; 42:18; 44:3,6; 49:37; 51:45; 52:3; Lamentações 1:12; 2:1,3,6,21-22; 4:11,16; Ezequiel 5:13,15; 7:3,8; 13:13; 20:8,21; 22:20; 25:14; 43:8; Daniel 9:16; Oséias 8:5; 11:9; Jonas 3:9; Miquéias 2:3; 5:15; Naum 1:6; Sofonias 2:2-3; Zacarias 10:3
Lento para se irar (mas ainda assim se ira). Joel 2:13b; Jonas 4:2; Naum 1:3
Que não se ira para sempre. Miquéias 7:18
Deus destrói [com ira] Gênesis 6:13 (o dilúvio); 19:12-13 (Sodoma e Gomorra); Amós 6:11; 9:8; Obadias 8,15; Habacuque 1:5-11; Ageu 2:22; Malaquias 1:3; 2:16; Marcos 12:9; 1 Coríntios 3:17; 10:8; Tiago 4:12; 2 Pedro 2:4-9,12
A ira de Deus. Daniel 9:16
A indignação de Deus. Malaquias 1:3
Deus pode ser levado à ira. Salmos 78:58; 106:29; Jeremias 7:18-20; 8:19; 11:17; 25:6-7; 32:29-32; Ezequiel 8:17; 16:26
Deus pode ser levado à inveja. 1 Coríntios 10:22
Deus é o ser mais amoroso dos universos, mas também é aquele que possui a ira mais intensa.
P: Em Miquéias 2:9, como alguém pode tirar a glória de Deus de uma criança para sempre?
R: Em nossas escolhas e até mesmo no tipo de pessoa em que nos tornamos, temos um certo grau de interdependência com aqueles que nos rodeiam.
P: Em Miquéias 2:11, por que é apropriado que os falsos profetas profetizem vinho para este povo?
R: Um profeta como esse profetizaria tanto o que o povo desejava quanto o que ele viria a receber. Não era necessário nenhum dom sobrenatural para uma profecia que o próprio povo teria o maior prazer em cumprir. 2 Timóteo 4:3 fala de pessoas que têm “comichão nos ouvidos” e só darão ouvidos a pregadores que digam o que elas querem ouvir.
P: Em Miquéias 2:11, por que as pessoas tendem a acreditar em coisas que lhes são agradáveis?
R: Essa é uma característica comum da natureza humana caída; as pessoas têm uma versão distorcida da esperança. Queremos acreditar nas coisas que esperamos que sejam verdadeiras e podemos nos enganar. As pessoas querem considerar coisas desagradáveis, que são quase certas, como totalmente incertas, e coisas agradáveis, que são muito incertas, como certas. Se o senhor contasse o número de vezes em que, no noticiário, alguém afirmou algo como um fato, quando na verdade não era um fato, chegaria a um número muito elevado.
P: Em Miquéias 2:12-13, não é dada absolutamente nenhuma razão para essas palavras de promessa em Miquéias 1-2:10. Por que o senhor acha que Deus promete isso?
R: Isso não tem nada a ver com o povo, propriamente dito. Tem a ver, em parte, com Deus e, em parte, com o relacionamento de Deus com o povo. Deus fez promessas a Abraão, Davi e outros, e Deus cumprirá Sua promessa independentemente de tudo. Mas Deus também ama os descendentes de Abraão, e Ele fará isso por causa de Seu amor por eles. No entanto, nada indica que eles mereçam isso
R: Ficava em Edom, de acordo com Amós 1:12. A capital de Edom é a atual Buseirah, que fica de 25 a 30 milhas ao sul do Mar Morto.
P: Em Miquéias 3:1-2, por que alguns líderes odeiam o bem e amam o mal?
R: O mal pode ser o que os criminosos praticam, mas também pode ser político, jurídico e religioso. Alguns líderes podem ser “simbiontes”, percebendo que seu poder provém apenas de favorecer injustamente uns em detrimento de outros.
Algumas pessoas praticam o mal sem outra razão além de seu próprio ganho ou segurança. Mas isso não significa necessariamente amar o mal. Outras, porém, desejam ter como aliados pessoas “astutas e perversas”, sabendo que elas contornarão as regras quando isso lhes for benéfico. Outras ainda sentem um prazer pessoal em fazer com que os justos caiam ou em vê-los aflitos.
P: Em Miquéias 3:2-4, trata-se de canibalismo real?
R: Não. Trata-se de consumir as almas das pessoas em nome do dinheiro. Miquéias está usando uma linguagem tão dura e vívida para transmitir a profundidade e a obstinação da maldade dos líderes políticos, jurídicos e religiosos.
P: Em Miquéias 3:4, Deus alguma vez nega Sua bênção às pessoas que a pedem?
P: Em Miquéias 3:5-7,11, por que Deus, às vezes, responde apenas com silêncio às pessoas que dizem querer ouvi-Lo?
R: As pessoas podem “morder os outros” enquanto falam de paz. A palavra hebraica para “morder”, nasak, pode significar a mordida dos dentes, a mordida de uma serpente e os juros de um empréstimo.
P: Em Miquéias 3:9, qual é a diferença entre não se importar com a justiça e desprezar a justiça?
R: Primeiro, alguns antecedentes; depois, a resposta. A palavra hebraica para “desprezar”, ta’ab, é muito forte e significa “abominar”. A partir de 701 a.C., a liderança em Jerusalém tornou-se muito fraca. O Templo foi destruído e o rei deportado pouco mais de cem anos depois, em 597 a.C.
Alguns líderes se preocupam com a justiça para todos, mesmo para aqueles que não os apoiavam. Outros líderes não se importam realmente se a justiça é feita ou não, desde que consigam o que precisam. Talvez prefiram não pensar na injustiça. Outros ainda acreditam que “os fins justificam os meios” e que qualquer meio — justo ou não — é justificado para obter o que desejam. Alguns querem algo específico, como vencer uma eleição. Outros querem tudo o que puderem obter, para si mesmos e para seus apoiadores leais, e tentar satisfazer essas necessidades nunca é suficiente a ponto de pensarem: “Posso parar agora”.
Mesmo na Igreja, as pessoas podem ver Cristo apenas como um meio de obter ganhos injustos. O Papa Leão X, da Igreja Católica Romana, disse: “Como sabemos bem quão lucrativa tem sido para nós e para nossos antecessores essa fábula de Cristo”. A declaração do papa está registrada nos diários e registros tanto do cardeal Pietro Bembo (Cartas e Comentários sobre o Papa Leão X, reimpressão de 1842) quanto do cardeal Paolo Giovio (De Vita Leonis Decimi, op. cit.), dois colaboradores que testemunharam o fato. Isso consta em vários lugares, incluindo. (12 de agosto de 2016).
P: Em Mq 3,9, quais são alguns exemplos históricos de líderes que desprezaram a justiça?
R: A vinha de Nabote
As falsas decretais
As falsas decretais são 100 cartas que estabelecem a autoridade dos papas. Nelas, Pedro afirma que lhe foi concedida autoridade para liderar a Igreja de Cristo na Terra. Pedro transmitiu essa autoridade ao papa seguinte, e assim por diante.
A maioria das decretais falsas são as “Pseudo-Isidorianas”, assim chamadas em homenagem a um homem que se autodenominava “Isidoro Mercator”, que aparentemente as escreveu na França e as levou para Metz, na Alemanha, entre os anos 847 e 859 d.C. Elas fingem ser cartas de papas e concílios eclesiásticos dos anos 78 a 731 d.C. Há muitas citações plagiadas, mas, no geral, o estilo é de uma única pessoa.
Aparentemente, o principal motivo por trás das decretais era estabelecer maior independência para os bispos locais, afirmando que eles não eram responsáveis perante os metropolitanos, os sínodos ou o Estado, mas apenas perante o papa. As falsas decretais tiveram o efeito profundo de elevar os papas a uma posição superior à de qualquer outra pessoa nesta terra.
As decretais foram utilizadas nos Sínodos de Worms (868), Colônia (887), Metz (893) e Tribur (895). A Igreja Ortodoxa nunca as aceitou, e elas foram rejeitadas como falsificações no Ocidente por volta de 1100 d.C. Dois problemas insuperáveis são o fato de que ninguém jamais ouviu falar delas antes de 850 d.C. e de que apresentam muitos anacronismos históricos, ou seja, “como é possível que os papas tenham citado pessoas nascidas após a morte deles?”. No entanto, mesmo em 1580, o Corpus Juris católico utilizava as falsas decretais para provar que o catolicismo estava correto. Em 1628, ainda foi necessário que o protestante David Blondel refutasse as falsificações.
Características de alguns papas:
Devemos nos juntar ao Papa Júlio II (o Papa Guerreiro, 1504-1513) em seu exército, capturando, assassinando e saqueando cidades italianas para ampliar o “Reino de Deus”, ou seja, os Estados Pontifícios?
Quão perversos foram alguns papas? De acordo com a obra *Topical History of Christianity*, de Austin, p. 148,
“Então [após 904] teve início a chamada ‘pornocracia’, durante a qual Teodora e suas duas filhas, Teodora, a Jovem, e Marózia, controlavam virtualmente Roma e a própria Igreja. Prostitutas sedutoras, essas mulheres venderam seus corpos em troca de cargos, títulos e terras, o que lhes conferiu amplo poder. Marózia teve um caso ilícito com o Papa Sério III, do qual nasceu um filho que mais tarde se tornou o Papa João XI. Quando Marózia tentou ser coroada imperatriz, seu filho mais novo, Alberico, sequestrou e aprisionou sua mãe, encarcerou seu meio-irmão, o papa, e tornou-se ele próprio imperador. Ele reinou de 932 a 954, exercendo controle absoluto sobre o papado. Após a morte de Alberico, seu filho Otávio foi eleito como Papa João XII e revelou-se o membro mais odioso dessa família depravada.
b. Os Regimes de Otão. Em 962, o perverso João XII coroou o rei alemão Otão I como imperador do Sacro Império Romano. Pensando ter encontrado um aliado na depravação, João logo descobriu que o novo imperador era um homem de caráter e dedicado a restaurar a decência e a honra do papado. Quando Otão convocou um sínodo para discutir a destituição de João, o papa ameaçou todos com a excomunhão, mas eles o destituíram mesmo assim. Três meses depois, João convocou outro sínodo que anulou o que o sínodo de Otão havia decidido. Por isso, Otão decidiu recorrer à força para livrar o papado de seu governante maligno.
... Os quarenta e dois anos seguintes [após 1004] da história papal foram repletos de intensa rivalidade, mediocridade oportunista, impotência espiritual, vício e corrupção. Parecia ter atingido seu ponto mais baixo com a eleição de um menino degenerado de doze anos, o Papa Bento IX (1032-1045), que, após uma vida de devassidão vergonhosa e uma administração errática, vendeu a tiara sagrada (ou seja, o cargo de Papa) ao maior lance. Ele ficou conhecido como Gregório VI (1045-1046)....
P: Em Mq 3,11-12, por que alguns que ignoram a Deus ainda confiam n’Ele para protegê-los?
R: Em vez de se apoiarem no Senhor, alguns tentam refazer Deus à sua imagem.
As pessoas estão se enganando quando pensam no cristianismo como nada mais do que um seguro contra incêndio. Muitas vezes, elas veem Deus como impotente, mas não consideram sua obediência importante. Uma canção americana diz “Deus abençoe a América”, mas foi colocado um outdoor com a seguinte pergunta: “A América abençoa a Deus?”
P: Por que o senhor acha que Miquéias 4:1-3 é quase idêntico a Isaías 2:2-4?
R: Isso indica que se trata do mesmo evento. Não haverá apenas paz, mas também nenhuma ameaça de guerra; não haverá necessidade de complexos murados nem de cidades fortificadas. Independentemente do grau de prosperidade, haverá o suficiente para todos.
R: Trata-se de uma alegoria do povo de Judá e de Israel. Ela chora por causa de sua perda. É também como uma mulher em trabalho de parto, pois, após o exílio, os que retornaram deram novo nascimento à sua nação.
P: Em Miquéias 4,10, essa referência à Babilônia demonstra que, se essa não fosse uma visão profética do futuro inspirada por Deus, isso indicaria que o livro de Miquéias foi escrito posteriormente?
R: Há dois pontos a serem considerados na resposta.
1. A Babilônia só se tornou a potência mundial dominante quase um século após a destruição de Samaria.
2. Embora se trate de uma profecia divinamente inspirada, há também algum contexto histórico aqui. Logo após os assírios terem sido detidos nos arredores de Jerusalém, o rei Merodac-Baladã, da Babilônia, enviou embaixadores a Judá para firmar uma aliança. O rei Ezequias mostrou-lhes tudo conforme relatado em 2 Reis 20:12-15 e 2 Crônicas 32:31. Deus usou Isaías para dizer a Ezequias que o povo seria exilado para a Babilônia, conforme 2 Reis 20:16-20.
Em resumo, a visita dos babilônios, combinada com a profecia pública de Isaías nessa época do exílio de Judá, não tornaria Miquéias anacrônico.
P: Por que Miquéias 4:11-13 representa justiça poética para as nações reunidas contra Jerusalém?
R: Elas se reuniram para devorar e obter os espólios de guerra. Mas Deus tinha outros planos. Elas acabam se reunindo para serem devoradas e se tornarem espólios de guerra.
P: Em Miquéias 5:2, por que Miquéias mencionaria “Efrata” neste contexto?
R: Havia duas Belém: uma no norte e outra em Judá; Belém Efrata era a Belém em Judá. Como afirma Walter Kaiser em *Hard Sayings of the Bible*, pp. 335-336: “Efrata é o nome mais antigo de Belém. Provém da palavra ‘ser fecundo’, e esse nome é o mais apropriado para o local de nascimento daquele que traria a salvação à terra.” Belém é chamada de Efrata em Gênesis 35:19 e 48:7.
Além disso, uma das esposas de Calebe chamava-se Efrata. Hur era filho delas, Salma era filho de Hur, e diz-se que Salma foi o pai de Belém, conforme 1 Crônicas 2:19, 50-51.
P: Em Miquéias 5:2, o que há de surpreendente em relação a Belém neste contexto?
R: Embora Belém ficasse a apenas 5 ou 6 milhas ao sul-sudoeste de Jerusalém, estava longe dela em termos de importância. É tão pequena e insignificante que nem sequer foi mencionada entre as cidades em Josué 15 e Neemias 11. Como Davi havia nascido em Belém, ela era chamada de Cidade de Davi. Se não fosse por isso, não teria nenhum nome, pois nada mais acontecia ali.
P: Em Miquéias 5:2b, como as origens do governante de Israel remontam aos tempos antigos?
R: O hebraico aqui significa literalmente “dias de tempo imensurável”. Jesus existia desde tempos imemoriais (João 1:1; 17:5; Hebreus 7:3). Antes mesmo do primeiro segundo do tempo, Jesus já havia sido gerado por Deus Pai.
P: Visto que Miquéias 5:2 diz “milhares” no texto massorético e na Septuaginta, por que Mateus 2:6 diz “governadores/princes”?
R: Independentemente do que diz Miquéias 5:2, é isso que se relata que os sacerdotes e mestres disseram a Herodes. Vejamos quatro pontos que poderiam explicar por que eles disseram isso.
1) Miquéias 5:2 diz: “Tu, Belém Efrata, sendo a menor entre os milhares de Judá, de ti sairá para mim aquele que se tornará governante em Israel...” (Tradução Literal de Green). O ponto é que, embora Belém fosse pequena em tamanho, ela se tornaria grande em importância.
2) A palavra hebraica para “milhares” (plural) em Miquéias 5:2 é ‘alapim. O equivalente grego é chiliasin. A palavra hebraica para governadores/governantes (plural) é ‘allupe. O equivalente grego é hegemosin. Embora as palavras gregas sejam totalmente diferentes, as palavras hebraicas são muito semelhantes, se desconsiderarmos as vogais. O Antigo Testamento foi originalmente escrito sem vogais; elas só foram adicionadas por volta de 700 d.C. Isso indica que eles não estavam lendo a partir da Septuaginta grega, mas sim a partir do hebraico, do aramaico ou, possivelmente, de outra tradução grega.
3) Isso foi dito pelos sacerdotes e mestres da lei. Eles poderiam ter cometido um erro, ou poderiam estar citando para Herodes uma tradução grega diferente da Septuaginta. É mais provável, porém, que estivessem traduzindo verbalmente do hebraico para o aramaico ou para o grego à medida que falavam.
4) Na verdade, porém, os sacerdotes e mestres da lei não cometeram um erro ao transmitir o significado: a pequena Belém NÃO é a menos importante para o governante que virá de lá.
P: Em Miquéias 5:3, que profetiza que Israel seria abandonado até a vinda do Messias, por que o senhor acha que Deus fez isso?
R: Embora as Escrituras não o digam, pode ser como um dramaturgo que define o ritmo da história, criando um momento de silêncio antes da grande cena.
P: Em Miquéias 5:4-5a, o senhor acha que essa é uma promessa que podemos reivindicar hoje, ou ela se aplica apenas quando chegarmos ao céu?
R: Menciona-se a “terra”, portanto, ela se cumpre na terra. Embora se cumpra definitivamente no Milênio e nos novos céus e nova terra, é uma promessa que podemos reivindicar, em certa medida, já agora. Hoje, Deus nos sustenta com Sua força. Miquéias 5:5a diz que este será a nossa paz, e esse Alguém é Jesus. Hoje, devemos permanecer em Deus e glorificar Seu nome até os confins da terra.
P: Em Miquéias 5:5, por que se fala de sete pastores e oito homens principescos?
R: Os governantes no Oriente Médio eram frequentemente chamados de pastores. Essa técnica literária de acoplamento de números também aparece em Amós 1:3, 6, 9, 11, 13; 2:1, 4, 6 e Provérbios 30:15, 18, 21, 29. Isso significa que o número exato não é importante, mas sim a magnitude do número. Assim, em contraste com a escassez de líderes piedosos — ou mesmo de líderes em geral — na época de Miquéias, haveria líderes suficientes para guiar o povo.
P: Em Miquéias 5:7, de que forma o povo de Deus se assemelha ao orvalho do Senhor?
R: O orvalho não é chamativo, mas rega tudo. Na Palestina, durante a estação seca, o orvalho era o principal meio de as plantações obterem umidade. O orvalho não se concentra seletivamente em alguns lugares; ele se espalha por toda parte. Como somos testemunhas para o mundo, talvez não sejamos chamativos, mas os cristãos devem estar em todos os lugares. Somos como uma carta de Cristo (2 Coríntios 3:3), e a única carta de Cristo que algumas pessoas veem.
P: Em Miquéias 5:12, por que as pessoas praticam feitiçaria e encantamentos, e como Miquéias 5:12 se relaciona com Miquéias 5:11 e 5:13?
R: Alguns fazem isso porque acreditam que pode funcionar; outros talvez não tenham certeza, mas o fazem por precaução e porque acham que não faz mal. Alguns desejam manipular a natureza, as forças espirituais etc., para que estas atendam aos seus desejos. Outra parte da razão é a sensação de ter controle sobre forças sobrenaturais. Algumas pessoas pedem ajuda a outras para conseguir certas coisas, como um parceiro romântico, ou para amaldiçoar outras pessoas. Às vezes, as pessoas que fazem sacrifícios a ídolos ou se envolvem com o ocultismo não querem nada, a não ser que os demônios as deixem em paz. Elas têm medo de forças malévolas.
Mas pior ainda do que isso são as pessoas que fazem isso apenas para ganhar dinheiro, incentivando outras pessoas a fazer o mesmo.
P: Em Miquéias 5:12, por que o senhor acha que Deus se opõe tanto à feitiçaria e aos adivinhos?
R: Isso equivale, essencialmente, a reconhecer que você acredita no sobrenatural, admitir que precisa de ajuda e recorrer a outra entidade em vez de a Deus. Imagine as semanas que antecedem o baile de formatura do ensino médio, e um rapaz convida uma moça para ir com ele. Como você acha que ele se sentiria se ela dissesse: “Eu realmente quero ir ao baile de formatura, e não tenho ninguém com quem ir, e prefiro ir com praticamente qualquer outra pessoa em vez de você.” Isso pode ser um pouco parecido com o que as pessoas estão dizendo a Deus quando querem rejeitar Sua ajuda e proteção, e optar pelos demônios malignos em vez disso.
P: Em Miquéias 6:1-2, por que Miquéias estava falando às colinas e montanhas?
R: Trata-se de um uso poético de um recurso literário chamado personificação. Deus estava chamando os outeiros e as montanhas como testemunhas de Sua fidelidade para com os israelitas e da infidelidade deles para com Ele. Como observação adicional, Isaías, que viveu na mesma época, utilizou recursos literários semelhantes.
P: Em Miquéias 6:3, de que forma alguns estão cansados da religião e cansados de Deus? Qual é a diferença?
R: Alguns pensam que estão cansados de Deus, mas não percebem que, na verdade, estão cansados da religião. Estão cansados de fazer as mesmas coisas, que lhes parecem sem sentido, e não veem nenhum resultado. Mas Deus diz que, mesmo quando Lhe pedimos coisas com dúvida em vez de fé, não receberemos nada (Tiago 1:6-7). Alguns estão, na verdade, cansados de Deus, porque veem a obediência a Deus como algo que os impede de ter o prazer que realmente desejam. Eles não percebem que os mandamentos de Deus não são apenas para a Sua glória, mas também para nossa proteção e benefício.
P: Em Miquéias 6:4-5, qual é o remédio quando nos sentimos cansados de servir a Deus?
R: Aproxime-se de Deus em um momento de oração.
Lembre-se do que Deus fez pelos outros no passado; leia a Sua Palavra.
Lembre-se do que Deus fez por você.
Planeje como começar a servir melhor a Deus a partir de agora.
P: O que Miquéias 6:6-8 diz sobre os sacrifícios no Antigo Testamento?
R: Não há aqui nenhuma ordem para interromper os sacrifícios. Cinco pontos a serem considerados na resposta.
1. Quem fala nesta passagem poética é Miquéias, e não Deus.
2. Miquéias também nunca diz que deixará de oferecer seus sacrifícios. Ele continuará a se prostrar diante de Deus e a apresentar holocaustos.
3. O próprio Miquéias pergunta se o Senhor se agradaria de ofertas extravagantes, que Deus não pediu, tais como mil carneiros, dez mil rios de azeite ou o sacrifício humano de seu primogênito. A resposta implícita é, evidentemente, que não.
4. Alguns podem não perceber que Miquéias está falando aqui de prioridades. As ofertas voluntárias mais extravagantes que se possa imaginar não são tão agradáveis a Deus quanto praticar a justiça, amar a misericórdia e andar humildemente com Ele.
5. O contexto histórico imediato aqui é provavelmente o enorme sacrifício que Ezequias fez em 2 Crônicas 30:24, que incluiu 1.000 touros e 7.000 ovelhas. Miquéias estava colocando um certo “freio” nessa situação. Por mais impressionante que esse sacrifício pudesse parecer, Deus ficaria mais impressionado com o povo caminhando obedientemente com Ele do que com essa demonstração exterior.
P: Em Miquéias 6:6-8, por que “andar” é mais importante do que os sacrifícios?
R: O sacrifício sem obediência é inútil e cansativo para Deus, como diz Isaías 1:14. Se o senhor está agradando a Deus com obediência, desejará realizar os sacrifícios que Deus deseja. Deus se importa com o seu coração, assim como com as suas ações. Jesus mostrou em Mateus 5:23-24 que, se o seu irmão tiver algo contra o senhor, adie o seu sacrifício até que primeiro resolva a questão com o seu irmão.
P: Em Miquéias 6:6-8, como o povo deveria obter a salvação nesse contexto?
1) O que ele deve oferecer a Deus
2) O que agradaria a Deus
3) E o que Deus mostrou ser bom e o que o Senhor exige.
É interessante que as duas primeiras perguntas sejam respondidas pelas perguntas a seguir.
1) Para saber o que você deve oferecer a Deus, você deve perguntar o que agradaria a Deus.
2) Em vez de imaginar o que poderia agradar a Deus, pergunte o que Deus revelou ser bom e o que Deus exige.
3) Deus revelou que devemos praticar a justiça, amar a misericórdia e andar humildemente com Deus.
P: Em Miquéias 6:8, o que há de significativo no objeto da frase aqui?
R: A palavra hebraica “adam” significa “homem”. Portanto, isso definitivamente não se destina apenas a Israel, mas a todas as pessoas.
P: Em Miquéias 6:6-8, por que algumas pessoas têm ideias erradas sobre como agradar a Deus?
R: Quando algo faz sentido para você à primeira vista, você fica mais propenso a acreditar nisso; mesmo que não esteja correto.
Ensinados erroneamente por outros: ou eles ouviram apenas coisas erradas, ou então ouviram coisas certas e erradas e optaram por acreditar nas coisas erradas.
Mais fácil de definir: dizer que Deus apenas quer que você obedeça às leis faz certo sentido. Afinal, Deus deu muitas leis. Além disso, Deus é um juiz, e essas leis são SMART: específicas, mensuráveis, exequíveis, realistas (ou relevantes) e com prazo determinado. É mais simples e direto do que manter um relacionamento com Deus.
Quase impossível falhar: dizer que você só precisa ter sentimentos de amor por Deus soa mais atraente. Não há luta, nem responsabilidade; parece bom. Quando alguém vê pessoas religiosas que se preocupam apenas em obedecer às regras, às vezes pode reagir de forma extrema e pensar que os mandamentos de Deus não passam de sugestões.
Sente-se melhor ao alcançar algo: Em Mateus 7:21-23, muitos tentarão dizer a Cristo o que alcançaram, mas Cristo dirá que nunca os chamou de “malfeitores”. Alguns podem se concentrar apenas no evangelismo, ou no evangelismo e no discipulado, e, se se empenharem o suficiente, sua falta de obediência a Deus não terá importância. Diz-se que Robin Hood tinha como modus operandi tirar dos ricos para dar aos pobres. Em outras palavras, se o senhor der algum dinheiro aos pobres, isso o isenta de roubar os ricos. Na Idade Média e posteriormente, a penitência tornou-se um meio pelo qual, se o senhor pagasse algo à igreja ou abrisse mão de algo, isso o isentaria de seu pecado.
Havia uma creche que enfrentava o problema de os pais buscarem seus filhos com atraso. Os funcionários não podiam ir para casa na hora prevista. Assim, passaram a cobrar dos pais quando estes chegavam atrasados. O problema piorou em vez de melhorar, pois os pais não sentiam mais culpa por buscarem seus filhos tarde, já que o pagamento compensava tudo.
Por fim, uma das razões é que, em última análise, eles não buscam agradar a Deus, mas têm outro objetivo principal.
P: Em Miquéias 6:10-12, de que forma as pessoas enganam os outros ao dar-lhes menos do que o devido?
R: Naquela época, os comerciantes pesavam grãos, metais ou outros itens com pesos, utilizando uma barra de peso conhecido. No entanto, se deliberadamente tornassem algumas barras mais leves ou mais pesadas, estariam enganando os outros. Seria algo como um posto de gasolina em que, toda vez que o medidor indicasse que você abasteceu um galão, na verdade você abasteceria apenas 0,95 galões. Seria como vender uma casa ou um carro sabendo que havia um problema, mas sem revelá-lo ao comprador.
R: Trata-se de um peso que um comerciante apresenta de forma enganosa como tendo um determinado peso ou como equivalente a outro peso, conforme mostra Deuteronômio 25:13. Por exemplo, um comerciante desonesto, ao pesar algo para vendê-lo, usa um peso rotulado como um quilograma que, na verdade, tem 0,95 quilogramas. Quando ele pesa algo para comprá-lo, usa um peso rotulado como 1 quilograma que, na verdade, tem 1,05 quilogramas.
P: Em Miquéias 6:13-15, de que maneira Deus privará essas pessoas de prosperidade e felicidade?
R: Eles “comerão, mas não ficarão satisfeitos”. Curiosamente, Deus ainda lhes dará comida e riqueza. No entanto, eles não conservarão nem farão bom uso de sua comida ou riqueza. Se acharem que a resposta para a felicidade suprema é muita comida e riqueza, Deus lhes mostrará isso, permitindo que tenham essas coisas, mas sem que fiquem satisfeitos.
Há uma semelhança entre alguém que acumula bens e alguém que vai além, chegando a ser desonesto para acumular riqueza. Essas pessoas não utilizam pesos fraudulentos, não roubam e não obtêm tesouros ilícitos porque estão passando fome. Provavelmente já estão em boa situação financeira, mas desejam acumular ainda mais.
P: Em Miquéias 7, por que Deus não demonstra misericórdia e, em seguida, demonstra misericórdia?
R: Três pontos a serem considerados sobre a misericórdia de Deus.
1. A misericórdia é imerecida. Especificamente, misericórdia é não receber as coisas ruins que você merece.
2. Deus não tem nenhuma obrigação de conceder misericórdia a ninguém. No entanto, Deus é muito misericordioso e se deleita em demonstrar misericórdia.
3. Deus não é obrigado a conceder a mesma medida de misericórdia a todos. Como mostra Romanos 9, Deus foi justo tanto com Esaú quanto com Jacó, mas concedeu a Jacó uma misericórdia especial que não concedeu a Esaú.
P: Em Miquéias 7:1, qual é o problema de comer frutas de verão?
R: Ainda não é época de colheita. As frutas podem ser pequenas, amargas e verdes. Mesmo assim, comer um pouco agora significa ter muito menos na época da colheita. No entanto, as pessoas ainda podem fazer isso, hipotecando seu futuro, caso estejam desesperadas por comida no momento.
P: Em Miquéias 7:1, como as pessoas comem as frutas de verão hoje em dia?
R: As pessoas comprometem seu futuro de diversas maneiras.
De forma drástica, prejudicam seus corpos com o vício em drogas, álcool e tabagismo.
De forma mais sutil, podem comprometer sua saúde futura com a privação crônica de sono, a falta de exercícios e uma alimentação inadequada no presente. Ocasionalmente, as pessoas podem comprometer sua saúde futura com excesso de exercícios ou atividades perigosamente emocionantes.
Financeiramente, é possível fazer uma “hipoteca reversa”, na qual o banco lhes paga uma quantia mensal por um determinado número de anos e, ao final desse período, o banco passa a ser o proprietário da casa inteira. Às vezes, porém, a pessoa pode receber de volta apenas 50% do que investiu, o que tornaria esse investimento terrível, a menos que a pessoa esteja desesperada.
No que diz respeito aos relacionamentos, podem trair ou destruir uma amizade de longa data em troca de um ganho imediato hoje.
Espiritualmente, podem envolver-se com o ocultismo ou outras coisas que tendem a permitir que os demônios exerçam uma “influência” sobre eles pelo resto da vida.
No que diz respeito ao caráter, podem envolver-se com pornografia, um estilo de vida festivo ou outras coisas que também possam dar aos demônios uma “influência” sobre elas pelo resto da vida. É por isso que é tão importante criar bem seus filhos no Senhor.
P: Em Miquéias 7:3, o que significa “praticar o mal com ambas as mãos”?
R: Eles não se contentavam em praticar apenas algum mal para obter ganhos materiais. Queriam obter ganhos maiores praticando ainda mais o mal.
P: Em Miquéias 7:3, a última frase significa literalmente “tecer tudo isso junto”. Como alguns opressores no poder tecem sua rede hoje em dia?
R: Os oprimidos são atingidos por vários lados: leis injustas, a justiça no sistema judicial é cara demais para eles, e as pessoas impõem a injustiça por meio das leis. As pessoas os ferem violentamente, roubam-nos ou os oprimem ilegalmente, e eles não têm a quem recorrer.
P: Em Miquéias 7:4, de que forma algumas pessoas se assemelham a espinhos ou sarças?
R: Algumas são como rosas bonitas, mas você se pica nos espinhos quando se aproxima delas. Outras parecem feias e também têm espinhos. Os animais machucam a boca se pastarem nelas.
P: Em Miquéias 7:5, a quem se refere a mulher mencionada aqui?
R: Essa mulher seria a esposa do ouvinte. A linguagem aqui é incomum, sugerindo uma distância ou separação. Isso implica não apenas uma falta de comunicação, mas também indica que há motivos legítimos para ocultar informações dela e não confiar nela. Trata-se de um triste comentário sobre um casamento, quando essa situação se concretiza. Os casamentos seriam assim durante esses tempos de desobediência.
P: Em Miquéias 7:5-6, por que frequentemente há contenda dentro de uma família?
R: Os membros da família costumam ter uma expectativa de lealdade inabalável e incondicional. Pode ser um choque para os membros da família valorizarem uma herança ou o dinheiro mais do que as pessoas com quem cresceram. Os vícios também podem ser uma fonte de conflito.
P: Em Miquéias 7:7-8, como alguns crentes esperam por Deus nas trevas pela luz de sua salvação e justificação?
R: Eles podem estar sob forte pressão por parte de outras pessoas. Ou podem estar passando por tribulações relacionadas à saúde ou às finanças. Ou ainda podem sentir desânimo que os leva a questionar se o seu trabalho e ministério são realmente importantes, quando um falso profeta profere mentiras.
P: Em Miquéias 7:14, por que o cajado do pastor é importante, e de que forma Deus, metaforicamente, possui um cajado?
R: O cajado possui uma curva que permite ao pastor tirar uma ovelha de um lugar apertado. Ele também pode ser usado como um bastão contra predadores.
P: Em Miquéias 7:16, o que é o senso de vergonha, e por que as pessoas às vezes o têm e outras vezes não?
R: As pessoas demonstram sentir-se envergonhadas pelo que dizem, pelo que fizeram ou até mesmo por quem são. Na cultura chinesa, vergonha significa “ficar com o rosto vermelho”. Mas algumas pessoas têm a consciência tão entorpecida que já não possuem mais nenhum senso de vergonha.
P: Em Miquéias, quais são alguns dos manuscritos mais antigos que ainda existem hoje?
R: Os Manuscritos do Mar Morto: (300-200 a.C.) Há duas cópias de Miquéias entre os Manuscritos do Mar Morto, denominadas 4Q81 (=4QXIIf) e 4Q82 (4QXIIg). Há também um comentário sobre Miquéias chamado 1Q14 (=1QpMic)
O 4Q81 contém Miquéias 5:1-2
O 4Q82 contém Miquéias 1:7, 12-15; 2:3-4; 3:12; 4:1-2; 5:6-7; 7:2-3, 20
Nahal Hever é uma caverna próxima a En-Gedi, que contém um fragmento dos doze profetas menores em grego (8 Hev XIIgr). Acredita-se que tenha sido escrito entre 50 a.C. e 50 d.C. Ele foi escondido durante a revolta de Bar Kokhba contra Roma. Trata-se de uma revisão da Septuaginta, realizada na Judéia, e quase idêntica ao texto massorético. Contém Miquéias 1:1-8; 2:7-8; 3:5-6; 4:3-10; 5:1-6 [LXX 2-7]
O pergaminho de Wadi Murabb’at (MurXII) data de cerca de 132 d.C. Ele contém Miquéias 1:1-16; 2:1-13; 3:1-12; 4:1-14; 6:1-7,11-16; 7:1-20.
De modo geral, os seguintes versículos de Miquéias estão preservados nos Manuscritos do Mar Morto, em Nahal Hever e no Wadi Murabb’at: 1:2-5,6,7,8,9,12-15; 2:2-3,6,10-11; 3:12; 4:1-2,13; 5:1-2, 6-7,14-16; 7:2-3,11,20.
Os manuscritos da Bíblia cristã, datados de cerca de 350 d.C., contêm o Antigo Testamento, incluindo Miquéias. O livro de Miquéias está completo tanto no Vaticanus (325-250 d.C.) quanto no Alexandrinus (c. 450 d.C.), nos quais os livros dos Doze Profetas Menores foram colocados antes de Isaías.
Oséias, Amós e Miquéias nunca estiveram presentes no Sinaítico (340-350 d.C.).
O Novo Testamento cita Miquéias duas vezes: Mateus 2:6; 10:35-36.
P: Quais escritores antigos se referiram a Miquéias?
R: Os escritores pré-nicenos que fizeram referência ou alusão a versículos de Miquéias são:
Justino, o Mártir (c. 138-165 d.C.), menciona Miquéias como um dos doze [profetas menores]. Diálogo com Trifão, o Judeu, cap. 108, p. 253
Melito/Meleto de Sardes (170-177/180 d.C.)
Melito de Sardes (170-177/180 d.C.) (implícito) menciona o “Antigo Testamento” e enumera os livros. Ele não lista os doze profetas menores individualmente, mas se refere a eles como “Os Doze”. Fragmento 4 do Livro dos Trechos, vol. 8, p. 759
Irineu de Lyon (182-188 d.C.) citou Miquéias
Irineu, em *Contra as Heresias*, livro 3, cap. 20.4, p. 451, citou erroneamente Miquéias 7:9 como sendo de Amós.
O Cânon Muratoriano (190-217 d.C.), p. 603 (parcial), menciona “as escrituras do Antigo Testamento”
Clemente de Alexandria (193-202 d.C.) “Esses são aqueles de quem o profeta Miquéias diz: ‘Ouçam a palavra do Senhor, ó povos que vivem em angústia’”. *Stromata*, livro 4, cap. 26, p. 440
Tertuliano (198-220 d.C.): “Portanto, visto que os filhos de Israel afirmam que erramos ao receber o Cristo, que já veio, apresentemos uma objeção contra eles com base nas próprias Escrituras, no sentido de que o Cristo que era objeto da profecia já veio; embora, com base nos tempos da profecia de Daniel, tenhamos provado que o Cristo, que era objeto do anúncio, já veio. Ora, convinha que Ele nascesse em Belém de Judá. Pois assim está escrito no profeta: ‘E tu, Belém, não és a menor entre os príncipes de Judá; pois de ti sairá um Príncipe que apascentará o meu povo Israel.’” [Miquéias 5:2] Uma Resposta aos Judeus, cap. 12, p. 169
Tertuliano (207/208 d.C.) “A respeito do perdão dos pecados, Miquéias também diz”, e cita Miquéias 7:18-19. Cinco Livros Contra Marcião, livro 4, cap. 10, p. 358
Hipólito (222-235/236 d.C.) “por meio da qual a Palavra de Deus, que não pode sofrer, passou por sofrimento, como também os profetas me testificam. Pois assim fala o abençoado Miquéias:” e cita Miquéias 2:7,8. Contra a Heresia de Noeto, cap. 13-14, p. 228
Hipólito (222-235/236 d.C.) “Pois assim diz o abençoado Miquéias: ‘A casa de Jacó provocou a ira do Espírito do Senhor. Estas são as suas atividades. Não são boas as Suas palavras para eles, e andam eles retamente? E se levantaram em inimizade contra o Seu rosto de paz, e despojaram-No de Sua glória. ’” Contra a heresia de Noeto, cap. 15, p. 229
Orígenes (240 d.C.) cita Miquéias 2,9 como “isto é o que a Sagrada Escritura expressa”. Homilias sobre Jeremias, homilia 28, cap. 5, p. 264 (traduzido por Jerônimo)
Orígenes (240 d.C.) cita Miquéias 2:9 como “isto é o que a Escritura divina expressa”. Homilias sobre Jeremias, homilia 28, cap. 5, p. 264 (traduzido por Jerônimo)
Orígenes (240-254 d.C.) (grego): “Tendo falado assim brevemente sobre o tema da inspiração divina das Sagradas Escrituras, é necessário passar à (consideração da) maneira como elas devem ser lidas e compreendidas,...” em seguida, ele se refere a Zacarias 9:10; Isaías 7:15; Isaías 11:6,7; Jeremias 15:14; Êxodo 20:5. Ele cita 1 Samuel 15:11; Isaías 45:7; Amós 3:6; Miquéias 1:12 e parte de 1 Samuel 16:14; 18:10. Em seguida, Orígenes afirma: “e inúmeras outras passagens como essas — eles não se atreveram a duvidar delas como Escrituras de Deus”; Orígenes, Contra Celso, livro 6, cap. 47, p. 595
Orígenes (225-254 d.C.): “o profeta Miquéias o provará quando disser”, e cita Miquéias 6:8. *De Principiis* [grego], livro 3, cap. 1.6, p. 305
Tratado Contra Novaciano (c. 248-258 d.C.), cap. 12, p. 661, cita Miquéias 7:8-10 como proveniente do Espírito Santo.
Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.) cita Miquéias 6:6-9; 7:14-18 como sendo de autoria de “Miquéias” no Tratado 12, terceiro capítulo, p. 541.
Victorino de Petau (martirizado em 304 d.C.) refere-se a Miquéias como Escritura.
Metódio de Olimpo e Patara (270-311/312 d.C.) cita Miquéias 4:4 como sendo de Miquéias. O Banquete das Dez Virgens, Discurso 10, p. 350
Atanásio (c. 318 d.C.) cita metade de Miquéias
Lactâncio (c. 303-c. 325 d.C.): “Pois Miquéias anunciou que Ele daria uma nova lei, nestes termos: ‘Da Sião sairá a lei, e de Jerusalém a palavra do Senhor. E Ele julgará entre muitos povos e repreenderá nações poderosas’”. As Instituições Divinas, livro 4, cap. 17, p. 118
Após Nicéia (325 d.C.):
Atanásio de Alexandria (367 d.C.) (Implícito, pois menciona os doze profetas) “Há, portanto, no Antigo Testamento, vinte e dois livros no total; … depois, os Profetas, sendo os doze contados como um único livro….” Atanásio, Carta Pascal 39, cap. 4, p. 552.
Sinopse das Escrituras Sagradas (350-370 d.C.)
Efraim de Síria (350-378 d.C.)
Basílio da Capadócia (357-378/379 d.C.) cita metade de Miquéias 2,7. Sobre o Espírito, cap. 50, p. 31
Cirilo de Jerusalém (c. 349-386 d.C.) menciona os livros dos Profetas, tanto os Doze quanto os demais. Miquéias 3,8, conforme em Miquéias; Joel 2,28, conforme em Joel; Ageu 2,4, conforme em Ageu; Zacarias 1,6, conforme em Zacarias. Palestras Catequéticas, Palestra 16.29, p. 122
Ambrósio de Milão (370-390 d.C.)
Gregório de Nanzianzo (330-391 d.C.)
Dídimo, o cego (398 d.C.), cita Miquéias 7:1-3 como sendo do profeta Miquéias. Comentário sobre Zacarias 12, p. 294
Epifânio de Salamina (360-403 d.C.)
Rufino (373-406 d.C.)
João Crisóstomo (-407 d.C.) refere-se a Miquéias 6:1 como sendo de autoria de Miquéias. Comentário sobre Romanos, Homilia 5, p. 366
Jerônimo (373-420 d.C.) discute os livros do Antigo Testamento. Ele discute especificamente Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, o Pentateuco, Jó, Jesus, filho de Nave [Josué], Juízes, Rute, Samuel, Reis (2 livros), os doze profetas, Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel, Ester, Esdras, Neemias, Carta 53, cap. 7-8, p. 99-101.
Concílio de Cartago (393-419 d.C.) (implícito)
Agostinho de Hipona (338-430 d.C.) menciona Miquéias em *A Cidade de Deus*, livro 17, cap. 30, p. 376
Entre os heréticos e os livros espúrios
Tatiano (falecido em 172 d.C.) cita Miquéias.
Teodoro de Mopsuéstia (392-423/429 d.C.) escreveu um comentário completo sobre Miquéias, que ainda hoje possuímos.
Após Nicéia, há também outros escritores.
P: Em Miquéias, quais são algumas das diferenças de tradução entre o hebraico e a Septuaginta grega?
R: Aqui estão algumas das diferenças de tradução em Miquéias 1:1-10; a primeira versão é em hebraico e a segunda, da tradução grega da Septuaginta, salvo indicação em contrário.
Miqueias 1:1 “de Moresete” (Masorético) vs. “filho de Moresete” (Septuaginta)
Miqueias 1:2 “Que os povos aqui” (Masorética) vs. “ouçam [estas] palavras, ó povos” (Septuaginta)
Miqueias 1:2 “testemunhem contra vocês” (Masorético) vs. “entre vocês, como testemunho” (Septuaginta)
Miquéias 1:4 “as montanhas se derreterão” (Masorético) vs. “as montanhas serão abaladas” (Septuaginta)
Miquéias 1:4 “os vales se fenderão” (Masorético) vs. “os vales se derreterão” (Septuaginta)
Miquéias 1:6 “ruínas do campo” (Masorético) vs. “depósito dos frutos do campo” (Septuaginta)
Miquéias 1:7 “as imagens esculpidas serão despedaçadas” (Masorética) vs. “eles cortarão em pedaços todas as imagens esculpidas” (Septuaginta)
Miquéias 1:7 “todas as suas oferendas [ou prostituição] serão queimadas pelo fogo” (Masorético) vs. “tudo o que ela ganhou com a prostituição, eles queimarão pelo fogo” (Septuaginta)
Miquéias 1:7 “eles receberão a recompensa de uma prostituta.” (Masorética) vs. “ela acumulou [riqueza] com os ganhos da fornicação” (Septuaginta)
Miqueias 1:8 “Eu gemerei e uivarei; andarei despida e nua; farei um lamento como o dos chacais” (Masorético) vs. “ela lamentará e gemerá, andará descalça e, nua, fará um lamento como o das serpentes” (Septuaginta)
Miqueias 1:8 “filhas de avestruzes” (Masorético) vs. “filhas de sereias” (Septuaginta)
Miqueias 1:9 “suas feridas são incuráveis” (Masorético) vs. “sua praga tornou-se grave” (Septuaginta, Siríaco, Vulgata)
Miquéias 1:10 “Não anunciem [isso] em Gate; não chorem amargamente na casa de Leáfra, nem se revolem [no] pó. (Masorética) vs. “Vocês (plural) que estão em Gate, não se exaltem; e vocês, Enakim, não reconstruam a partir [das ruínas] da casa em escárnio: espalhem pó [no lugar] do seu riso.” (Septuaginta)
Miquéias 2:6 “Eles não retribuirão insulto por insulto” (Masorético) (Masorético) vs. “Ele não removerá as reprovações” (Septuaginta) (Masorético) vs. “Ele não aceitará a vergonha” (Vulgata)
Miqueias 3:2 “cortem-nos como se fossem uma panela” (Masorético) vs. “cortem-nos como carne em uma panela” (Septuaginta)
Miquéias 4:10 “e eu farei” (Masorético) vs. “e [vocês] farão” (Septuaginta, Siríaco, Targum)
Miqueias 5:5 “Os assírios... pisam em nossos palácios” (textos massoréticos) vs. “Os assírios... pisam em nosso solo” (Septuaginta)
Miquéias 5:13 “Eu causei a doença” (Masorético) (Masorético) vs. “Eu comecei” (Septuaginta, Teodoto, Siríaco, Vulgata). (Tecnicamente, não se trata de uma variante manuscrita, pois as consoantes são as mesmas e, originalmente, as vogais não eram escritas)
Miquéias 6:13 “tenho feito adoecer” (Masorético) (Masorético) vs. “tenho começado” (Septuaginta, Siríaco, Vulgata)
Miquéias 6:14 “Haverá fome no meio de vós” (Masorético) (Masorético) vs. “Vós tomareis” (Targum, Vulgata) vs. “haverá trevas sobre vós” (Septuaginta)
Miquéias 16:16a “os estatutos/leis de Omri são observados” (Masorético) vs. “vocês têm observado os estatutos/leis de Omri” (Septuaginta, Siríaco, Vulgata, Targum)
Miqueias 6:16b “vergonha/desprezo do meu povo” (Masorético, Targum, Vulgata) vs. “vergonha/desprezo das nações” (Septuaginta)
Miquéias 7:19 “lançou todos os seus pecados” (Masorético) vs. “lançou todos os nossos pecados” (Septuaginta, Siríaco, Vulgata, Targum)
Bibliografia para esta questão: a tradução do hebraico é da obra Literal Translation, de Jay P. Green, e a versão da Septuaginta é da tradução de Sir Lancelot C.L. Brenton, intitulada The Septuagint: Greek and English. Também foram utilizados o Expositor's Bible Commentary e as notas de rodapé das Bíblias NASB, NIV, NKJV e NRSV.